sexta-feira, 16 de maio de 2014
Arte de rua
Matosinhos é uma cidade praiana, junto à cidade do Porto. Nela há um bairro, Leça do Balio, no qual existe um centro empresarial chamado Lionesa. No muro ao longo da rua Lionesa, que margeia o centro empresarial, foram feitos vários trabalhos de pintura. Fotografei quase todos no dia 1 de Maio de 2014.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Amanhecer em Bragança
Eu que não sou de acordar cedo fui obrigado a tanto para preparar-me para uma colonoscopia. Além de levantar um bocadinho antes das seis horas, tive de - em jejum - tomar duas doses de um purgante.
Isso aconteceu no dia 8 de Abril de 2014.
Como há males que vêm para bem, pus-me a surpreender o dia a raiar.
Vejam. As fotos estão em sequência cronológica.
Ah! A colonoscopia informou que está tudo bem com minhas entranhas.
Isso aconteceu no dia 8 de Abril de 2014.
Como há males que vêm para bem, pus-me a surpreender o dia a raiar.
Vejam. As fotos estão em sequência cronológica.
Ah! A colonoscopia informou que está tudo bem com minhas entranhas.
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Bicicleta e Próstata
Já um grande amigo meu havia corrido ao urologista ao constatar um aumento um tanto repentino do PSA.
Por coincidência ou não, havia algum tempo que começara a praticar em bicicleta ergométrica.
O médico aconselhou-o a interromper os exercícios por três semanas e, então, refazer o exame de PSA.
O PSA de facto baixou. Mas não o suficiente para que o médico baixasse a guarda. Outros exames mostraram a existência de cancro na próstata. O problema ficou resolvido por meio de cirurgia.
Quanto a mim, que sempre tive PSA em torno de 1 (um) (o normal é entre zero e quatro), tendo meu penúltimo exame - efetuado em 2012 - resultado em 0,86, tive a ingrata notícia de que subira para 2,5 em fins de Novembro de 2013.
Lembrei-me do fator bicicleta. Acontece que durante todo o segundo semestre de 2013 eu andara de bicicleta quase todos os dias.
Meu médico de família recomendou-me uma ecografia da próstata. Como desde Dezembro de 2013 eu parara de andar de bicicleta, por várias razões que nada tinham a ver com a próstata, resolvi medir o PSA antes da tal ecografia prostática.
Resultado: 1,02.
Feita a ecografia constatou-se a inexistência de cancro e uma aceitável condição da próstata (considerada minha idade provecta...)
Meu médico de família não hesitou em recomendar-me que volte a utilizar a bicicleta.
Mas com o devido cuidado em relação ao selim.
Recomendo esse mesmo cuidado aos demais ciclistas.
A leitura deste artigo pode ser proveitosa.
E boas pedaladas.
Por coincidência ou não, havia algum tempo que começara a praticar em bicicleta ergométrica.
O médico aconselhou-o a interromper os exercícios por três semanas e, então, refazer o exame de PSA.
O PSA de facto baixou. Mas não o suficiente para que o médico baixasse a guarda. Outros exames mostraram a existência de cancro na próstata. O problema ficou resolvido por meio de cirurgia.
Quanto a mim, que sempre tive PSA em torno de 1 (um) (o normal é entre zero e quatro), tendo meu penúltimo exame - efetuado em 2012 - resultado em 0,86, tive a ingrata notícia de que subira para 2,5 em fins de Novembro de 2013.
Lembrei-me do fator bicicleta. Acontece que durante todo o segundo semestre de 2013 eu andara de bicicleta quase todos os dias.
Meu médico de família recomendou-me uma ecografia da próstata. Como desde Dezembro de 2013 eu parara de andar de bicicleta, por várias razões que nada tinham a ver com a próstata, resolvi medir o PSA antes da tal ecografia prostática.
Resultado: 1,02.
Feita a ecografia constatou-se a inexistência de cancro e uma aceitável condição da próstata (considerada minha idade provecta...)
Meu médico de família não hesitou em recomendar-me que volte a utilizar a bicicleta.
Mas com o devido cuidado em relação ao selim.
Recomendo esse mesmo cuidado aos demais ciclistas.
A leitura deste artigo pode ser proveitosa.
E boas pedaladas.
terça-feira, 22 de abril de 2014
Pai Natal existe?
Nenhuma criança nasce com a convicção de que o Pai Natal (Papai Noel, no Brasil) é um ser verdadeiro, no sentido de existente.
São os pais - a família, toda a sociedade que a rodeia - que incutem essa ideia na cabeça da criança.
E ela passa a gostar da ideia. Afinal, quando o Natal se aproxima, ela escreve ao Pai Natal sua cartinha e fica à espera de que o presente chegue.
E o melhor: o presente chega!
Como deve ser gostoso acreditar no Pai Natal!
Mas quando a criança chega a uma certa idade, os próprios pais - toda a família, a sociedade que a rodeia - resolvem que chegou a hora de informar à criança que não. Pai Natal não existe.
Por que resolvem fazer essa maldade? Porque entendem que, agora, é salutar que a criança comece a enfrentar o mundo em sua crueza. Sem enfeites, sem Pai Natal.
É certo que a criança viverá uma certa decepção ao ser informada a respeito dessa triste realidade. Mas aos poucos irá perceber que é bem melhor aceitar a realidade do que conviver com fantasias. Será mesmo melhor para ela. Quando tiver de batalhar por um emprego, por exemplo, não se sentará para escrever uma cartinha ao Pai Natal a pedir que ele lhe providencie um bom emprego. Não. Irá lutar pelo emprego. Buscar melhorar sua qualificação profissional, aperfeiçoar-se.
Até aqui toda a gente concorda.
Mas outros Pais Natal surgirão ao longo da vida. Quanto a esses, ficará cada vez mais difícil aceitar que são fantasias. Por mais evidências que se acumulem a mostrar isso.
Quanto a esses novos Pais Natal, deve-se deixar que sigam a alimentar a fantasia das gentes?
De um lado sim. Já a essa altura não se trata mais de crianças. Adultos se aferram aos mais variados Pais Natal. Mas, por serem adultos, espera-se que tenham a capacidade de desconfiar de novas fantasias.
Por outro lado não. Assim como a criança, ao tomar conhecimento da inexistência do Pai Natal, torna-se mais apta a enfrentar a realidade da vida, também adultos livres de fantasias tendem a ser mais produtivos e mais felizes. Mesmo que sejam adultos, talvez muitos precisem de algum auxílio externo que os leve a desconfiar das fantasias.
Portanto, fazer a crítica das fantasias que povoam o imaginário das pessoas e as prendem às esperanças vãs de presentes pode ser uma forma de ajudá-las a encontrar maneira mais adequada de lidar com os mistérios da vida.
Sempre será útil tentar mostrar a toda a gente que não existe Pai Natal.
Nenhum.
São os pais - a família, toda a sociedade que a rodeia - que incutem essa ideia na cabeça da criança.
E ela passa a gostar da ideia. Afinal, quando o Natal se aproxima, ela escreve ao Pai Natal sua cartinha e fica à espera de que o presente chegue.
E o melhor: o presente chega!
Como deve ser gostoso acreditar no Pai Natal!
Mas quando a criança chega a uma certa idade, os próprios pais - toda a família, a sociedade que a rodeia - resolvem que chegou a hora de informar à criança que não. Pai Natal não existe.
Por que resolvem fazer essa maldade? Porque entendem que, agora, é salutar que a criança comece a enfrentar o mundo em sua crueza. Sem enfeites, sem Pai Natal.
É certo que a criança viverá uma certa decepção ao ser informada a respeito dessa triste realidade. Mas aos poucos irá perceber que é bem melhor aceitar a realidade do que conviver com fantasias. Será mesmo melhor para ela. Quando tiver de batalhar por um emprego, por exemplo, não se sentará para escrever uma cartinha ao Pai Natal a pedir que ele lhe providencie um bom emprego. Não. Irá lutar pelo emprego. Buscar melhorar sua qualificação profissional, aperfeiçoar-se.
Até aqui toda a gente concorda.
Mas outros Pais Natal surgirão ao longo da vida. Quanto a esses, ficará cada vez mais difícil aceitar que são fantasias. Por mais evidências que se acumulem a mostrar isso.
Quanto a esses novos Pais Natal, deve-se deixar que sigam a alimentar a fantasia das gentes?
De um lado sim. Já a essa altura não se trata mais de crianças. Adultos se aferram aos mais variados Pais Natal. Mas, por serem adultos, espera-se que tenham a capacidade de desconfiar de novas fantasias.
Por outro lado não. Assim como a criança, ao tomar conhecimento da inexistência do Pai Natal, torna-se mais apta a enfrentar a realidade da vida, também adultos livres de fantasias tendem a ser mais produtivos e mais felizes. Mesmo que sejam adultos, talvez muitos precisem de algum auxílio externo que os leve a desconfiar das fantasias.
Portanto, fazer a crítica das fantasias que povoam o imaginário das pessoas e as prendem às esperanças vãs de presentes pode ser uma forma de ajudá-las a encontrar maneira mais adequada de lidar com os mistérios da vida.
Sempre será útil tentar mostrar a toda a gente que não existe Pai Natal.
Nenhum.
sexta-feira, 18 de abril de 2014
O final do evangelho de Marcos
Não sei até que ponto essa questão do final do evangelho segundo Marcos é do conhecimento de meus amigos cristãos. Edições boas do Novo Testamento (NT), em Português, a discutem em detalhe, nomeadamente o NT de Russell Norman Champlin - edição em português que traz o texto grego, a tradução e comentários versículo a versículo, em seis grandes volumes - e a Bíblia de Jerusalém, em sua mais recente edição (2002).
As várias traduções do NT que podem ser encontradas aqui não fazem qualquer comentário a respeito, ao menos nessas versões digitalizadas. Tenho uma edição da Almeida (12ª impressão, 1957, Imprensa Bíblica Brasileira) que destaca os versículos 9 a 20 do último capítulo sob a rubrica Aparições de Jesus depois da sua ressurreição. Mas não faz nenhum comentário adicional.
Mas, afinal, qual é a questão em torno do final desse evangelho?
Há consenso quase total quanto aos versículos 9 a 20 do capítulo 16, o último do evangelho de Marcos: eles foram acrescentados tardiamente ao texto original.
Inclusivamente, esses doze versículos são substituídos, às vezes, pelo que Russell Champlin chama Término mais Breve. O NT de Champlin transcreve os dois finais.
A nota a respeito na Bíblia de Jerusalém diz:
[...] é difícil admitir que o segundo evangelho, na sua primeira redação, terminasse bruscamente no v. 8. Donde a suposição de que o final primitivo desapareceu por alguma causa por nós desconhecida e de que o atual fecho foi escrito para preencher a lacuna. Apresenta-se como um breve resumo das aparições de Cristo ressuscitado, cuja redação é sensivelmente diversa da que Marcos habitualmente usa, concreta e pitoresca. Contudo, o final que hoje possuímos era conhecido, já no séc. II por Taciano e santo Ireneu, e teve guarida na imensa maioria dos manuscritos gregos e outros. Se não se pode provar ter sido Marcos o seu autor, permanece o fato de que ele constitui, nas palavras de Swete, "uma autêntica relíquia da primeira geração cristã".
Quanto a mim, não possuidor de conhecimento que me permita discutir a questão, prefiro que o evangelho de Marcos termine no versículo 8, sem qualquer acréscimo, longo ou breve, por razões estéticas.
Dessa maneira, o evangelho que começa por
Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus
terminaria assim (Marcos 16: 1 a 8):
Passado o sábado, Maria de Magdala e Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ir ungir o corpo.
De madrugada, no primeiro dia da semana, elas foram ao túmulo ao nascer do sol.
E diziam entre si:"Quem rolará a pedra da entrada do túmulo para nós?".
E erguendo os olhos, viram que a pedra já fora removida. Ora, a pedra era muito grande.
Tendo entrado no túmulo, elas viram um jovem sentado à direita, vestido com uma túnica branca, e ficaram cheias de espanto.
Ele, porém, lhes disse: "Não vos espanteis! Procurais Jesus de Nazaré, o Crucificado. Ressuscitou, não está aqui. Vede o lugar onde o puseram.
Mas ide dizer aos seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galileia. Lá o vereis, como vos tinha dito."
Elas saíram e fugiram do túmulo, pois um temor e um estupor se apossaram delas. E nada contaram a ninguém, pois tinham medo...
Para mim, literariamente perfeito.
As várias traduções do NT que podem ser encontradas aqui não fazem qualquer comentário a respeito, ao menos nessas versões digitalizadas. Tenho uma edição da Almeida (12ª impressão, 1957, Imprensa Bíblica Brasileira) que destaca os versículos 9 a 20 do último capítulo sob a rubrica Aparições de Jesus depois da sua ressurreição. Mas não faz nenhum comentário adicional.
Mas, afinal, qual é a questão em torno do final desse evangelho?
Há consenso quase total quanto aos versículos 9 a 20 do capítulo 16, o último do evangelho de Marcos: eles foram acrescentados tardiamente ao texto original.
Inclusivamente, esses doze versículos são substituídos, às vezes, pelo que Russell Champlin chama Término mais Breve. O NT de Champlin transcreve os dois finais.
A nota a respeito na Bíblia de Jerusalém diz:
[...] é difícil admitir que o segundo evangelho, na sua primeira redação, terminasse bruscamente no v. 8. Donde a suposição de que o final primitivo desapareceu por alguma causa por nós desconhecida e de que o atual fecho foi escrito para preencher a lacuna. Apresenta-se como um breve resumo das aparições de Cristo ressuscitado, cuja redação é sensivelmente diversa da que Marcos habitualmente usa, concreta e pitoresca. Contudo, o final que hoje possuímos era conhecido, já no séc. II por Taciano e santo Ireneu, e teve guarida na imensa maioria dos manuscritos gregos e outros. Se não se pode provar ter sido Marcos o seu autor, permanece o fato de que ele constitui, nas palavras de Swete, "uma autêntica relíquia da primeira geração cristã".
Quanto a mim, não possuidor de conhecimento que me permita discutir a questão, prefiro que o evangelho de Marcos termine no versículo 8, sem qualquer acréscimo, longo ou breve, por razões estéticas.
Dessa maneira, o evangelho que começa por
Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus
terminaria assim (Marcos 16: 1 a 8):
Passado o sábado, Maria de Magdala e Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ir ungir o corpo.
De madrugada, no primeiro dia da semana, elas foram ao túmulo ao nascer do sol.
E diziam entre si:"Quem rolará a pedra da entrada do túmulo para nós?".
E erguendo os olhos, viram que a pedra já fora removida. Ora, a pedra era muito grande.
Tendo entrado no túmulo, elas viram um jovem sentado à direita, vestido com uma túnica branca, e ficaram cheias de espanto.
Ele, porém, lhes disse: "Não vos espanteis! Procurais Jesus de Nazaré, o Crucificado. Ressuscitou, não está aqui. Vede o lugar onde o puseram.
Mas ide dizer aos seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galileia. Lá o vereis, como vos tinha dito."
Elas saíram e fugiram do túmulo, pois um temor e um estupor se apossaram delas. E nada contaram a ninguém, pois tinham medo...
Para mim, literariamente perfeito.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Férias conjugais
Fiz uma pesquisa perfunctória e descobri que o inventor das férias conjugais foi Paulo, aquele, o apóstolo.
Abro parêntesis para dizer que sempre que posso utilizo a palavra perfunctória ligada a investigação, análise, pesquisa. Ela dá uma ideia de profundidade, rigor. E, vai ver, significa exatamente o contrário: superficial, ligeira. Sugiro seu uso por políticos. Pega muito bem. Fecha parêntesis.
No texto em que Paulo fala aos coríntios sobre casamento e virgindade (I Coríntios 7) ele diz que o ideal seria que as pessoas não se casassem. Antes que você pense que o criador do cristianismo está a liberar algo assim como sexo livre, diga-se logo que ele começa o papo com a frase: É bom ao homem não tocar em mulher. A mim ficou a dúvida: se todos os homens seguissem o conselho de Paulo, como o apóstolo providenciaria a continuidade da espécie? Mas por sorte os homens não são lá essa maravilha...
E Paulo sabe muito bem disso. E recomenda:Todavia, para evitar a fornicação, tenha cada homem a sua mulher e cada mulher o seu marido.
E entra em detalhes: O marido cumpra o dever conjugal para com a esposa; e a mulher faça o mesmo em relação ao marido.
Um bocadinho redundante mas tudo bem. E completa: A mulher não dispõe do seu corpo; mas é o marido quem dispõe. Do mesmo modo, o marido não dispõe do seu corpo; mas é a mulher quem dispõe.
Ficou claro?
Mas agora vem a surpresa:
Não vos recuseis um ao outro, a não ser de comum acordo e por algum tempo, para que vos entregueis à oração; depois disso, voltai a unir-vos [...] (grifos meus)
Estavam criadas as férias conjugais. A única alteração feita ao longo dos últimos séculos foi a respeito do que fazer durante elas.
Abro parêntesis para dizer que sempre que posso utilizo a palavra perfunctória ligada a investigação, análise, pesquisa. Ela dá uma ideia de profundidade, rigor. E, vai ver, significa exatamente o contrário: superficial, ligeira. Sugiro seu uso por políticos. Pega muito bem. Fecha parêntesis.
No texto em que Paulo fala aos coríntios sobre casamento e virgindade (I Coríntios 7) ele diz que o ideal seria que as pessoas não se casassem. Antes que você pense que o criador do cristianismo está a liberar algo assim como sexo livre, diga-se logo que ele começa o papo com a frase: É bom ao homem não tocar em mulher. A mim ficou a dúvida: se todos os homens seguissem o conselho de Paulo, como o apóstolo providenciaria a continuidade da espécie? Mas por sorte os homens não são lá essa maravilha...
E Paulo sabe muito bem disso. E recomenda:Todavia, para evitar a fornicação, tenha cada homem a sua mulher e cada mulher o seu marido.
E entra em detalhes: O marido cumpra o dever conjugal para com a esposa; e a mulher faça o mesmo em relação ao marido.
Um bocadinho redundante mas tudo bem. E completa: A mulher não dispõe do seu corpo; mas é o marido quem dispõe. Do mesmo modo, o marido não dispõe do seu corpo; mas é a mulher quem dispõe.
Ficou claro?
Mas agora vem a surpresa:
Não vos recuseis um ao outro, a não ser de comum acordo e por algum tempo, para que vos entregueis à oração; depois disso, voltai a unir-vos [...] (grifos meus)
Estavam criadas as férias conjugais. A única alteração feita ao longo dos últimos séculos foi a respeito do que fazer durante elas.
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Novo candidato
Surgiu um novo candidato às presidenciais brasileiras deste ano: Eduardo Neves.
Deve tratar-se de uma fusão entre Aécio Neves e Eduardo Campos. Como ambos estão mal nas sondagens, uma união radical entre eles traria novo alento às oposições em relação à candidata à reeleição (Dilma Rousseff), grande favorita..
A proposta foi publicada no Público de hoje.
Deve tratar-se de uma fusão entre Aécio Neves e Eduardo Campos. Como ambos estão mal nas sondagens, uma união radical entre eles traria novo alento às oposições em relação à candidata à reeleição (Dilma Rousseff), grande favorita..
A proposta foi publicada no Público de hoje.
Crença e coincidência
Há muito me intriga a coincidência: muita gente pensa que a verdadeira crença - seja religiosa, política, estética etc - é aquela na qual foi criado.
Sorte danada, não é mesmo?
Pois!
Mas há também quem não se sinta tão sortudo assim. Poucos, é certo.
Estou a ler o livro Caught in the Pulpit: Leaving Belief Behind (uma tradução canhestra seria: Presos ao Púlpito: Deixando a Crença para trás). Ele trata de ministros religiosos que perderam a fé. Alguns abandonaram seu ministério. Outros equilibram-se com um pé na fé e outro na descrença. Afinal, é preciso providenciar o pão de cada dia.
O livro traz a transcrição de muitas entrevistas com ministros religiosos (ou ex-ministros) em tal condição.
Uma delas é a de um ministro mórmon. Ele descreve como se desenvolveu nele a dúvida.
A certa altura da entrevista diz o que segue:
Para os Mórmons, a ideia de como você chega a saber que alguma coisa é verdade envolve ter uma experiência espiritual na qual o espírito atesta a você ou conta a você que algo é verdade.
Eu já tive algumas experiências realmente especiais - eu diria que para mim elas transcendem a mera emoção. É algo que não sei explicar, necessariamente. Mas então, por meio de minha curiosidade na Internet, eu comecei a descobrir que os Mórmons não são os únicos. Pessoas que são Católicas, Protestantes, Muçulmanas, Budistas, têm experiências espirituais também.
Se Deus quer que todos sejam Mórmons porque o Mormonismo é a verdadeira Igreja, por que concederia Ele a outras pessoas experiências espirituais que confirmariam suas próprias tradições de fé e as colocariam em outras trajetórias? É confuso, sabe?
Sorte danada, não é mesmo?
Pois!
Mas há também quem não se sinta tão sortudo assim. Poucos, é certo.
Estou a ler o livro Caught in the Pulpit: Leaving Belief Behind (uma tradução canhestra seria: Presos ao Púlpito: Deixando a Crença para trás). Ele trata de ministros religiosos que perderam a fé. Alguns abandonaram seu ministério. Outros equilibram-se com um pé na fé e outro na descrença. Afinal, é preciso providenciar o pão de cada dia.
O livro traz a transcrição de muitas entrevistas com ministros religiosos (ou ex-ministros) em tal condição.
Uma delas é a de um ministro mórmon. Ele descreve como se desenvolveu nele a dúvida.
A certa altura da entrevista diz o que segue:
Para os Mórmons, a ideia de como você chega a saber que alguma coisa é verdade envolve ter uma experiência espiritual na qual o espírito atesta a você ou conta a você que algo é verdade.
Eu já tive algumas experiências realmente especiais - eu diria que para mim elas transcendem a mera emoção. É algo que não sei explicar, necessariamente. Mas então, por meio de minha curiosidade na Internet, eu comecei a descobrir que os Mórmons não são os únicos. Pessoas que são Católicas, Protestantes, Muçulmanas, Budistas, têm experiências espirituais também.
Se Deus quer que todos sejam Mórmons porque o Mormonismo é a verdadeira Igreja, por que concederia Ele a outras pessoas experiências espirituais que confirmariam suas próprias tradições de fé e as colocariam em outras trajetórias? É confuso, sabe?
domingo, 13 de abril de 2014
Flatulência
"Capitalista ou socialista, não há modelo que resista à fome insaciável dos que acreditam que 'o lucro é meu e o prejuízo é de todos'.
Cansaço...!" (Andrea Pachá)
Cansaço...!" (Andrea Pachá)
Sim. Mas o que temos é o capitalismo. Quanto ao socialismo, houve o real , que deu no que deu. E há o utópico, reinante na cabecinha de intelectuais flatulentos.
sexta-feira, 11 de abril de 2014
Renúncia
Só a conhecera pequenina, criança.
Um dia a viu, já moça. Mocinha.
E a achou linda, deslumbrante mesmo.
Aproximou-se dela. Conversaram. E a
paixão, nele, aumentou.
Além de linda era muito inteligente.
Ela o atendia com delicadeza, por
educação. Mas não mostrava grande interesse por ele.
Já seus pais, esses queriam o
relacionamento. Questões de famílias.
Julgavam o rapaz a partir do conceito
que tinham dos pais dele.
E incentivavam a filha a aproximar-se
dele.
Ela deixou-se levar pelos estímulos
paternos. E a relação começou a nascer.
Foi quando ele parou para pensar nos
desdobramentos.
Ele iniciara já havia algum tempo uma
caminhada sem volta para um universo totalmente diferente da
atmosfera que ela respirava. E se perguntou se fazia sentido
arrastá-la consigo.
Ainda tentou conversar com ela sobre
tudo isso, mas não era possível que ela percebesse a que novo mundo
se referia ele.
Resolveu romper o relacionamento antes
que o apego entre ambos crescesse demais.
Resolveu poupá-la.
Passado algum tempo, sentiu que não
conseguiria ficar sem ela. E lhe telefonou.
Quis a sorte que fosse o pai a atender
a seu chamado. O homem ficou atônito com a ligação e explicou que
ela viajara.
Ficou sem saber se fora viagem para
esquecê-lo ou porque o rompimento em quase nada a afetara.
Mas concluiu que fora melhor assim. Sua
fraqueza não faria bem a ela. A decisão que tomara mostrava-se
caminho sem volta. Melhor.
Os rumos que escolheu para sua vida de
facto o levaram a grande distância do universo dela. Sentiu que
afastá-la fora o certo. Um certo que às vezes doía. Mas o certo
muitas vezes dói mesmo.
Às vezes ouvia notícias dela. E
ficava contente ao sabê-la feliz.
Quase cinquenta anos depois a viu. Sem
que fosse visto.
E sentiu emoções misturadas. Saudade,
tristeza, admiração, uma quase alegria.
E ficou entre um sorriso leve e uma
lágrima contida.
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Mediocridade
Esse é o nome escolhido por Cláudio Giordano para seu livro de "considerações sobre a vida humana a partir de minha existência".
Giordano começa por discutir a ideia de Deus. E se declara incapaz de apostar tanto em Sua existência quanto no contrário.
Resigna-se ao agnosticismo.
Passa, então, à condição humana. E conclui pela supremacia da sociedade em face do indivíduo.
É quando se mostra revoltado pela incapacidade dos homens em submeter o egoísmo à supremacia devida ao convívio em sociedade.
A partir da afirmação do primado do coletivo sobre o individual, passa a mostrar-se o bibliófilo que Giordano sempre foi.
Aos poucos, cede a palavra a proeminentes nomes da Cultura.
E nos brinda com uma seleção magnífica e fascinante de textos que vão de Platão (Apologia de Sócrates) a Roger Scruton (Bebo, logo existo).
Aliás, termina o livro com citação desse último, a dar vaza a fina ironia:
Ao apressar a nossa morte, uma bebida não causa nenhum dano ambiental real - afinal de contas somos biodegradáveis e talvez isso até seja a melhor coisa a ser dita sobre nós.
quinta-feira, 27 de março de 2014
O sogro Karl Marx
Na revista ensaios de Opinião nº 7, de 1.978, Millôr Fernandes faz uma brincadeira: mistura uma carta que Marx enviou ao namorado de sua filha com outras três versões da mesma carta - todas inventadas por Millôr - para que o leitor descubra qual delas é a verdadeira.
Claro, a verdadeira é a mais conservadora.
Transcrevo, aqui, apenas a carta de Marx. É interessante e, talvez, desconhecida do grande público.
Claro, a verdadeira é a mais conservadora.
Transcrevo, aqui, apenas a carta de Marx. É interessante e, talvez, desconhecida do grande público.
(clique na imagem para ampliá-la)
sexta-feira, 21 de março de 2014
Recordar é viver
Em 24 de Janeiro de 2.012, o profeta Zé Dirceu afirmava categoricamente - como categóricas são todas as afirmações da Esquerda - que eram ridículas as notícias de que "Hugo Chávez estaria mal e que teria apenas entre 9 e 12 meses de vida.". De facto, o grande guru petista tinha razão. Chávez só faleceu 13 meses e meio depois.
Veja o que Dirceu escreveu em seu blogue:
quarta-feira, 19 de março de 2014
Politólogos e chuva
Parece que especialistas nos mais diferentes assuntos políticos brotam assim como os cogumelos. Basta chover e logo aparecem milhares deles.
Esses versos são minha homenagem a esses sábios instantâneos.
segunda-feira, 17 de março de 2014
Urnas democráticas
O Brasil, sempre na vanguarda, já adoptou urnas muito mais eficazes: as urnas electrónicas.
Nas urnas transparentes os votantes são intimidados pela perda do sigilo.
Nas urnas electrónicas não se intimida ninguém. E elege-se quem se quer eleger.
Nas urnas transparentes os votantes são intimidados pela perda do sigilo.
Nas urnas electrónicas não se intimida ninguém. E elege-se quem se quer eleger.
sexta-feira, 14 de março de 2014
Política e Futebol
O clima político no Brasil de hoje, ano de eleição presidencial, é o de guerra de torcidas.
Há os adeptos do atual governo e há o Resto.
Os que defendem o atual governo querem eliminar o Resto.
O Resto quer eliminar tudo o que diz respeito ao atual governo.
Dos dois lados prega-se a destruição do Outro.
Se a seleção brasileira for bem na Copa (e ir bem, para os brasileiros, é ser campeã), o governo fará mais ou menos o que fez o governo Medici depois da vitória na Copa de 1.970 no México. A saber: transformará a conquista em ativo seu.
Caso contrário, só nos resta esperar para saber o que vai ocorrer.
Mas uma coisa já é garantida: a discussão entre os candidatos à Presidência da República se desenvolverá em tom de FLA x FLU. Como, desde já, é o clima nas discussões pelos meios de comunicação.
quarta-feira, 12 de março de 2014
Viagem no tempo
O Brasil parece estar a viajar para cinquenta anos atrás.
Em 31 de Março de 1.964 houve a Revolução de Março, a Redentora.
Em 1º de Abril de 1.964 houve o Golpe Militar que mergulhou o país em 21 anos de ausência de liberdade.
A Direita escolhe a primeira opção. A Esquerda vai pela segunda.
Na realidade, o movimento militar de 1.964 foi apoiado por amplos setores da sociedade civil. E a ditadura que se seguiu foi mesmo branda, por mais que hoje tal afirmação seja vista como anátema pela atual Esquerda.
Apenas em Dezembro de 1.968, com a promulgação do Ato Institucional nº 5, é que começou a viger uma ditadura pesada e sanguinária.
Quando digo que até fins de 1.968 a ditadura era branda, não estou a esquecer das torturas que ocorreram antes disso. Apenas lembro que tortura existe no Brasil - e em larga escala - até hoje, onze anos após termos no poder o PT (Partido dos Trabalhadores). Só agora, quando foram parar no xilindró alguns líderes petistas, é que o Ministro da Justiça, responsável pelas prisões brasileiras, resolveu reconhecer que elas são incrivelmente cruéis.
E o Brasil retorna a 1º de Abril de 1.964 por mais incrível que isso pareça.
Na época, o governo de João Goulart, um tanto à deriva, via-se conduzido pelas ventanias dos movimentos sindicais e das bases militares.
A classe média e mesmo parte da chamada classe trabalhadora assustaram-se com o rumo dos acontecimentos e propiciaram clima para o levante militar que derrubou o governo sem precisar dar nenhum tiro.
Hoje o governo, diferentemente de cinquenta anos atrás, tem rumo. Mas caminha conscientemente para o mesmo objetivo daqueles tempos. Como dizem os petistas atualmente: "estamos no governo mas não no poder".
E o objetivo é o poder. Com partido único e imprensa controlada.
A oposição é risível.
Os tucanos, inimigos preferenciais dos petistas, estão enrolados até o pescoço em grossas falcatruas. E escolheram para disputar a Presidência com Dilma um playboy mineiro cujo maior prazer parece ser o de desfrutar as delícias das praias do Leblon.
Resta um outro opositor, Eduardo Campos, de Pernambuco, rapaz de boa estampa, olhos azuis a disfarçar cérebro obscuro. Como se não bastasse, adotou para candidata a vice Marina, a Rainha da Floresta, mulher de linguagem oblíqua e pretensões retas.
Tudo aponta para uma eleição de Dilma no primeiro turno. O PT dispõe ainda do trunfo de - caso as pesquisas indiquem queda de Dilma na preferência dos eleitores - colocar Lula em seu lugar e relegá-la a uma candidatura a vice.
Ninguém duvida que Lula vença no primeiro turno. Daí, ou ele governa por mais oito anos ou - se confirmados os boatos de que já está em fase terminal da doença - Dilma assume e o enredo segue sem grandes alterações.
Enfim, parecem garantidos ao menos mais quatro anos de governo para o PT.
Diante de tal evidência, começa a corrida aos quarteis.
E não faltam generais de pijama para vociferarem contra a situação reinante.
Resta saber se terão força para impressionarem os colegas da ativa.
De qualquer modo, vem aí uma nova manifestação nos moldes da Marcha da Família com Deus e sabe lá com quem mais. Parece estar marcada para o dia 22 deste mês de Março.
É possível que reúna muita gente. Gente disposta a dar a vida pela Pátria. Desde que não chova e não faça sol muito intenso.
Em 31 de Março de 1.964 houve a Revolução de Março, a Redentora.
Em 1º de Abril de 1.964 houve o Golpe Militar que mergulhou o país em 21 anos de ausência de liberdade.
A Direita escolhe a primeira opção. A Esquerda vai pela segunda.
Na realidade, o movimento militar de 1.964 foi apoiado por amplos setores da sociedade civil. E a ditadura que se seguiu foi mesmo branda, por mais que hoje tal afirmação seja vista como anátema pela atual Esquerda.
Apenas em Dezembro de 1.968, com a promulgação do Ato Institucional nº 5, é que começou a viger uma ditadura pesada e sanguinária.
Quando digo que até fins de 1.968 a ditadura era branda, não estou a esquecer das torturas que ocorreram antes disso. Apenas lembro que tortura existe no Brasil - e em larga escala - até hoje, onze anos após termos no poder o PT (Partido dos Trabalhadores). Só agora, quando foram parar no xilindró alguns líderes petistas, é que o Ministro da Justiça, responsável pelas prisões brasileiras, resolveu reconhecer que elas são incrivelmente cruéis.
E o Brasil retorna a 1º de Abril de 1.964 por mais incrível que isso pareça.
Na época, o governo de João Goulart, um tanto à deriva, via-se conduzido pelas ventanias dos movimentos sindicais e das bases militares.
A classe média e mesmo parte da chamada classe trabalhadora assustaram-se com o rumo dos acontecimentos e propiciaram clima para o levante militar que derrubou o governo sem precisar dar nenhum tiro.
Hoje o governo, diferentemente de cinquenta anos atrás, tem rumo. Mas caminha conscientemente para o mesmo objetivo daqueles tempos. Como dizem os petistas atualmente: "estamos no governo mas não no poder".
E o objetivo é o poder. Com partido único e imprensa controlada.
A oposição é risível.
Os tucanos, inimigos preferenciais dos petistas, estão enrolados até o pescoço em grossas falcatruas. E escolheram para disputar a Presidência com Dilma um playboy mineiro cujo maior prazer parece ser o de desfrutar as delícias das praias do Leblon.
Resta um outro opositor, Eduardo Campos, de Pernambuco, rapaz de boa estampa, olhos azuis a disfarçar cérebro obscuro. Como se não bastasse, adotou para candidata a vice Marina, a Rainha da Floresta, mulher de linguagem oblíqua e pretensões retas.
Tudo aponta para uma eleição de Dilma no primeiro turno. O PT dispõe ainda do trunfo de - caso as pesquisas indiquem queda de Dilma na preferência dos eleitores - colocar Lula em seu lugar e relegá-la a uma candidatura a vice.
Ninguém duvida que Lula vença no primeiro turno. Daí, ou ele governa por mais oito anos ou - se confirmados os boatos de que já está em fase terminal da doença - Dilma assume e o enredo segue sem grandes alterações.
Enfim, parecem garantidos ao menos mais quatro anos de governo para o PT.
Diante de tal evidência, começa a corrida aos quarteis.
E não faltam generais de pijama para vociferarem contra a situação reinante.
Resta saber se terão força para impressionarem os colegas da ativa.
De qualquer modo, vem aí uma nova manifestação nos moldes da Marcha da Família com Deus e sabe lá com quem mais. Parece estar marcada para o dia 22 deste mês de Março.
É possível que reúna muita gente. Gente disposta a dar a vida pela Pátria. Desde que não chova e não faça sol muito intenso.
segunda-feira, 10 de março de 2014
Política e Turismo
O Manifesto Comunista, de Marx e Engels, já nem se lembra de seu sesquicentenário (ele é de 1.848) mas a guerra que proclamou contra a "velha Europa" continua.
Quanto mais velha fica a Europa mais as Esquerdas programam para breve seu apocalipse.
Um dos modelos daquilo que, no Brasil, meus amigos de esquerda chamam de imprensa livre (sem aspas), o Boletim Carta Maior, publicou dia desses um texto com o inefável título de Uma em cada três mulheres foi vítima de violência na União Europeia.
Digo logo dispor de nenhuma paciência para discutir esse texto e a pesquisa que ele comenta. Basta mencionar que ela inclui no rol das violências sofridas pelas mulheres “ 'avanços inapropriados' nas redes sociais e através de mensagens escritas de celular (sms) ou de correio eletrônico (emails)".
Apenas fiquei curioso para saber como se dá um assédio sexual de companheiro, outra pérola da pesquisa. Mas imagino que qualquer intelectual de esquerda saberá explicar isso em minúcias.
O paradoxo que me leva a dar destaque a essa pesquisa e ao texto sobre ela é:
Se a Europa é desse modo tão violenta com as mulheres (e - de certeza - o será também com os homens e com as criancinhas), por que os incansáveis batalhadores da esquerda brasileira, quando saem do Brasil em gozo de férias, preferem Paris, Londres, Roma, Madrid, Lisboa, Berlim, para não falar em sítios dos Estados Unidos ou do Canadá ou mesmo da Austrália e da Nova Zelândia? Por que desprezam destinos tão mais aprazíveis como a Coreia do Norte?
Já sei. Nossos esquerdistas não são stalinistas e, portanto, desdenham o socialismo real.
Já longe se vão os tempos em que nossos homens de esquerda, Jorge Amado por exemplo, escreviam panegíricos ao Guia Genial dos Povos.
Há tempos estão à venda passagens para tão deliciosas quanto futuras viagens à Lua. Mas ainda não tive notícia de agências de viagens que levem turistas a divertir-se em países de socialismo ideal.
Existisse um país trotskista, algum rosa-luxemburguista... aí sim! Iriam todos desistir de Paris.
Enquanto tais maravilhas não se materializam, que tal gastar uns trocos na decrépita Europa?
Quanto mais velha fica a Europa mais as Esquerdas programam para breve seu apocalipse.
Um dos modelos daquilo que, no Brasil, meus amigos de esquerda chamam de imprensa livre (sem aspas), o Boletim Carta Maior, publicou dia desses um texto com o inefável título de Uma em cada três mulheres foi vítima de violência na União Europeia.
Digo logo dispor de nenhuma paciência para discutir esse texto e a pesquisa que ele comenta. Basta mencionar que ela inclui no rol das violências sofridas pelas mulheres “ 'avanços inapropriados' nas redes sociais e através de mensagens escritas de celular (sms) ou de correio eletrônico (emails)".
Apenas fiquei curioso para saber como se dá um assédio sexual de companheiro, outra pérola da pesquisa. Mas imagino que qualquer intelectual de esquerda saberá explicar isso em minúcias.
O paradoxo que me leva a dar destaque a essa pesquisa e ao texto sobre ela é:
Se a Europa é desse modo tão violenta com as mulheres (e - de certeza - o será também com os homens e com as criancinhas), por que os incansáveis batalhadores da esquerda brasileira, quando saem do Brasil em gozo de férias, preferem Paris, Londres, Roma, Madrid, Lisboa, Berlim, para não falar em sítios dos Estados Unidos ou do Canadá ou mesmo da Austrália e da Nova Zelândia? Por que desprezam destinos tão mais aprazíveis como a Coreia do Norte?
Já sei. Nossos esquerdistas não são stalinistas e, portanto, desdenham o socialismo real.
Já longe se vão os tempos em que nossos homens de esquerda, Jorge Amado por exemplo, escreviam panegíricos ao Guia Genial dos Povos.
Há tempos estão à venda passagens para tão deliciosas quanto futuras viagens à Lua. Mas ainda não tive notícia de agências de viagens que levem turistas a divertir-se em países de socialismo ideal.
Existisse um país trotskista, algum rosa-luxemburguista... aí sim! Iriam todos desistir de Paris.
Enquanto tais maravilhas não se materializam, que tal gastar uns trocos na decrépita Europa?
sábado, 8 de março de 2014
Oração e Delírio
No post anterior falei de meu espanto face à crença de que Deus - o Ser supremo que teria criado o Universo - cuida dos detalhes da existência de cada indivíduo. E afirmei que tal crença me parece uma clara demonstração - provavelmente inconsciente - de omnipotência.
O outro lado da mesma moeda é a Oração.
Se Deus está sempre atento a nossas enxaquecas, nós - de nossa parte - podemos bater um papo com Ele a qualquer hora. Nem é preciso utilizar qualquer aparelho telefónico ou algo equivalente. Basta falar, ou tão somente pensar, e pronto! Conexão estabelecida.
A desfaçatez é tamanha que até nos damos a liberdade de tuteá-Lo.
Nada da cerimónia com que nos dirigimos a nossos superiores no trabalho ou a autoridades nas quais porventura esbarramos vez ou outra.
Nada disso. É Tu pra lá, Tu pra cá.
Afinal, somos íntimos desde pequeninos, não é mesmo?
O outro lado da mesma moeda é a Oração.
Se Deus está sempre atento a nossas enxaquecas, nós - de nossa parte - podemos bater um papo com Ele a qualquer hora. Nem é preciso utilizar qualquer aparelho telefónico ou algo equivalente. Basta falar, ou tão somente pensar, e pronto! Conexão estabelecida.
A desfaçatez é tamanha que até nos damos a liberdade de tuteá-Lo.
Nada da cerimónia com que nos dirigimos a nossos superiores no trabalho ou a autoridades nas quais porventura esbarramos vez ou outra.
Nada disso. É Tu pra lá, Tu pra cá.
Afinal, somos íntimos desde pequeninos, não é mesmo?
Crença e omnipotência
É lugar comum, já há muito, lembrar que o planeta Terra é um grão de areia no Universo e que somos quase nada na face da Terra.
Muita gente acredita que haja um Ser que tudo criou. Até aí tudo bem. Afinal, é mesmo difícil conviver com perguntas sem resposta. Se resposta não há, resposta precisa ser inventada.
Minha perplexidade começa quando um indivíduo que se sabe quase infinitamente pequenino dentro de um todo quase infinitamente gigantesco aceita a ideia de que esse Ser que tudo criou esteja permanentemente ocupado em cuidar de seu quotidiano, a ponto de tomar providências para livrá-lo de uma dor de cabeça ou de uma prisão de ventre.
Um indivíduo assim pode ser mesmo extremamente diminuto em face do Universo. Mas compensa essa pequenez com uma megalomania exorbitante.
Muita gente acredita que haja um Ser que tudo criou. Até aí tudo bem. Afinal, é mesmo difícil conviver com perguntas sem resposta. Se resposta não há, resposta precisa ser inventada.
Minha perplexidade começa quando um indivíduo que se sabe quase infinitamente pequenino dentro de um todo quase infinitamente gigantesco aceita a ideia de que esse Ser que tudo criou esteja permanentemente ocupado em cuidar de seu quotidiano, a ponto de tomar providências para livrá-lo de uma dor de cabeça ou de uma prisão de ventre.
Um indivíduo assim pode ser mesmo extremamente diminuto em face do Universo. Mas compensa essa pequenez com uma megalomania exorbitante.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Ainda as doações
Em artigo publicado no Boletim Carta Maior, Fábio de Sá e Silva pergunta:
A tese de que as “vaquinhas” para o pagamento das multas penais poderiam ocultar qualquer prática de lavagem de dinheiro não resiste a qualquer escrutínio básico da razão. Afinal, se há valores desviados ou sonegados que transitam por mãos próximas às dos condenados, o que os envolvidos nisso ganhariam em canalizar o dinheiro para os cofres públicos – destino último, pois, das multas penais?
Para utilizar o título do Editorial do mesmo boletim (o de 18 de Fevereiro de 2.014, que trata de outro tema), O nome disso é escárnio.
O sr Fábio - PhD em Direito, Política e Sociedade pela Northeastern University (EUA) - pergunta.
E eu respondo:
Os envolvidos nisso ganharam a possibilidade de utilizar recursos não contabilizados para quitar suas multas sem precisar explicar a origem desses recursos.
E prefiro pensar que o sr. Fábio sabe perfeitamente disso, pois assim não preciso concluir que perdeu tempo e dinheiro para obter o PhD que ostenta. Ele está apenas, como nos versos de Humberto Teixeira, na canção Kalu, mangando di eu.
O facto é que em tudo que se relaciona com a ação penal 470 (a do mensalão) - e em vários outros temas - os militantes e simpatizantes do PT e adjacências procuram gerar calor e nenhuma luz para que a nada se chegue.
Essa questão das vaquinhas para pagar as multas impostas aos condenados resume-se a:
1 - Existe um forte odor de lavagem de dinheiro nesse procedimento.
2 - Para higienizar o ambiente basta que sejam apresentadas - à fiscalização da Receita Federal ou, de preferência, ao público em geral - documentos idóneos que comprovem sem sombra de dúvida a origem dos recursos arrecadados. Se tais documentos não forem apresentados, a fiscalização e o respeitável público terão não só o direito mas a obrigação de considerar tais vaquinhas como lavagem de dinheiro.
Qualquer outra atitude dos envolvidos nisso e/ou de seus asseclas será cortina de fumaça.
A tese de que as “vaquinhas” para o pagamento das multas penais poderiam ocultar qualquer prática de lavagem de dinheiro não resiste a qualquer escrutínio básico da razão. Afinal, se há valores desviados ou sonegados que transitam por mãos próximas às dos condenados, o que os envolvidos nisso ganhariam em canalizar o dinheiro para os cofres públicos – destino último, pois, das multas penais?
Para utilizar o título do Editorial do mesmo boletim (o de 18 de Fevereiro de 2.014, que trata de outro tema), O nome disso é escárnio.
O sr Fábio - PhD em Direito, Política e Sociedade pela Northeastern University (EUA) - pergunta.
E eu respondo:
Os envolvidos nisso ganharam a possibilidade de utilizar recursos não contabilizados para quitar suas multas sem precisar explicar a origem desses recursos.
E prefiro pensar que o sr. Fábio sabe perfeitamente disso, pois assim não preciso concluir que perdeu tempo e dinheiro para obter o PhD que ostenta. Ele está apenas, como nos versos de Humberto Teixeira, na canção Kalu, mangando di eu.
O facto é que em tudo que se relaciona com a ação penal 470 (a do mensalão) - e em vários outros temas - os militantes e simpatizantes do PT e adjacências procuram gerar calor e nenhuma luz para que a nada se chegue.
Essa questão das vaquinhas para pagar as multas impostas aos condenados resume-se a:
1 - Existe um forte odor de lavagem de dinheiro nesse procedimento.
2 - Para higienizar o ambiente basta que sejam apresentadas - à fiscalização da Receita Federal ou, de preferência, ao público em geral - documentos idóneos que comprovem sem sombra de dúvida a origem dos recursos arrecadados. Se tais documentos não forem apresentados, a fiscalização e o respeitável público terão não só o direito mas a obrigação de considerar tais vaquinhas como lavagem de dinheiro.
Qualquer outra atitude dos envolvidos nisso e/ou de seus asseclas será cortina de fumaça.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
sábado, 8 de fevereiro de 2014
Doações?
Alguns dos condenados, no Brasil, no âmbito do processo conhecido como mensalão, criaram sítios na Internet para arrecadar recursos para o pagamento das multas que devem pagar ao Estado, como parte da pena que lhes foi atribuída no julgamento.
Um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) estranhou a rápida arrecadação de quase dois milhões de reais (mais de 500 mil euros) por parte de tais sítios. Questionou se não haveria aí algum esquema de lavagem (branqueamento) de dinheiro.
Como, por inevitável coincidência, todos esses sítios são para arrecadar recursos para próceres do Partido dos Trabalhadores (PT), a aguerrida militância do PT saiu a campo para dizer, horrorizada:
- Oh! Como alguém pode pensar uma leviandade dessas?
Pois bem. Meus quase últimos vinte anos de trabalho foram vividos como Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil (as Finanças, como se chama esse órgão em Portugal).
Desde o primeiro momento em que soube que tais sítios de arrecadação seriam criados, pareceu-me evidente tratar-se de lavagem de dinheiro. Claro que para verificar se minha intuição está correta seria preciso fazer um trabalho de investigação de - diga-se - difícil realização.
Mas eu aposto um pastel de nata na conclusão afirmativa.
Como se está a falar de Brasil, nada acontecerá. Quase certamente.
E o planeta Terra continuará a percorrer sua trajetória habitual.
Quanto às tais multas, que tal chamá-las pelo mais sugestivo nome de parcial devolução?
Um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) estranhou a rápida arrecadação de quase dois milhões de reais (mais de 500 mil euros) por parte de tais sítios. Questionou se não haveria aí algum esquema de lavagem (branqueamento) de dinheiro.
Como, por inevitável coincidência, todos esses sítios são para arrecadar recursos para próceres do Partido dos Trabalhadores (PT), a aguerrida militância do PT saiu a campo para dizer, horrorizada:
- Oh! Como alguém pode pensar uma leviandade dessas?
Pois bem. Meus quase últimos vinte anos de trabalho foram vividos como Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil (as Finanças, como se chama esse órgão em Portugal).
Desde o primeiro momento em que soube que tais sítios de arrecadação seriam criados, pareceu-me evidente tratar-se de lavagem de dinheiro. Claro que para verificar se minha intuição está correta seria preciso fazer um trabalho de investigação de - diga-se - difícil realização.
Mas eu aposto um pastel de nata na conclusão afirmativa.
Como se está a falar de Brasil, nada acontecerá. Quase certamente.
E o planeta Terra continuará a percorrer sua trajetória habitual.
Quanto às tais multas, que tal chamá-las pelo mais sugestivo nome de parcial devolução?
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
O humor chega à Feira do Fumeiro
Começa hoje a XXXIV Feira do Fumeiro de Vinhais.
E começa bem. Um vídeo com uma paródia a Wrecking Ball, de Miley Cyrus
Pra quem - como eu - nunca viu o vídeo parodiado, aí vai ele:
E agora a paródia, que é o que interessa.
O vídeo já foi visto por mais de 80.000 pessoas em apenas três dias.
Penso que só se deve levar a sério algo que se permita fazer graça de si mesmo.
E começa bem. Um vídeo com uma paródia a Wrecking Ball, de Miley Cyrus
Pra quem - como eu - nunca viu o vídeo parodiado, aí vai ele:
E agora a paródia, que é o que interessa.
O vídeo já foi visto por mais de 80.000 pessoas em apenas três dias.
Penso que só se deve levar a sério algo que se permita fazer graça de si mesmo.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Aniversário
O dono do blogue tem quase 70 anos. O blogue, por ser quase cão, tem também isso.
E vamos em frente. Talvez ainda haja tempo para escrever mais alguma coisa.
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