Domingo, 12 de Maio de 2013

A falta de carácter de Jorge Jesus

Porto e Benfica jogaram entre si para, na prática, definirem o campeão da temporada.
Ao Benfica bastava um empate.
O Porto precisava da vitória.
Se Jorge Jesus, o treinador do Benfica, tivesse visto com atenção o jogo de Barcelona entre o Bayern e o Barcelona, teria aprendido uma boa lição. O Bayern havia vencido a primeira mão, em Munique, por 4 a 0. Bastava não perder por diferença de 5 golos em Barcelona. Jogou a abafar o Barcelona desde o início. Resultado: 3 a 0 para o Bayern.
Não. Jorge Jesus decidiu lutar pelo empate. Foi castigado por um golo nos acréscimos. Aliás, um golo brasileiro. Tabela entre Kelvin e Liedson (com esses nomes, só podiam ser brasileiros...) e belíssimo pontapé de Kelvin, cruzado, indefensável.

O que me chocou foi a declaração de Jorge Jesus ao final. Ao invés de reconhecer que sua estratégia fracassou, desculpou-se ao alegar que o primeiro golo do Porto foi um auto golo (gol contra) do guarda-redes brasileiro Artur.
Ora, a bola tinha a direção da meta. Artur tentou desviá-la para fora. Não conseguiu e ela entrou. Se isso é auto golo, todo golo em que o guarda-redes toca na bola antes que ela entre na meta seria auto golo.

Para uma equipa - o Benfica - que joga na próxima quarta-feira uma final da Liga da Europa, essa verdadeira acusação do treinador ao guarda-redes é desastrosa.

Mais do que isso: revela total falta de carácter.

Sábado, 11 de Maio de 2013

De boleiros e jornalistas

Pensar com os pés não costuma dar bons resultados.
Mas, neste caso, fico na dúvida: quais serão os mais ignorantes: os jogadores de futebol ou os jornalistas que fizeram a pesquisa e escreveram essa matéria?
Afinal, separar evangélicos de um lado e batistas de outro é samba do jornalista doido.
Ou analfabeto.


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Sexta-feira, 10 de Maio de 2013

Propaganda e Verdade


Quando era menino, perguntei certo dia a minha mãe se havia manteiga de 2ª qualidade. Na mercearia da esquina eu só via manteiga de 1ª qualidade.
Foi meu primeiro esbarrão na propaganda.
É evidente que propaganda é mentira.
Um dos melhores pleonasmos correntes é o tal propaganda enganosa.
Ora, toda e qualquer propaganda é necessariamente enganosa. Ou seria desnecessária.
Claro: estabeleceram-se certos limites para separar a propaganda normal da enganosa.
Por exemplo, se uma propaganda afirmar que a geleia XPTO cura o cancro, é enganosa.
Mas se afirmar que a geleia XPTO é excelente coadjuvante no tratamento do cancro, é normal.
Mesmo que a tal geleia nada tenha a ver com cancro.

Mesmo quando nada se diz quanto ao produto propagandeado mas cria-se um clima que venha ao encontro dos sonhos do consumidor, a propaganda continua a ser, em certo sentido, enganosa. Ou seria melhor dizer, dissimuladora. O que não nos tira do terreno da mentira.
Quanto a isso, basta lembrar das famosas propagandas de margarina, a mostrar pequenos-almoços idílicos, com todos os membros da família a distribuir sorrisos nos primeiros minutos de um novo dia, em ambientes quase paradisíacos.
Uma propaganda assim seria capaz de convencer muita gente a comer veneno.

A partir de tais reflexões, ponho-me a pensar em como seria um mundo moderno mas desprovido de propaganda.
É facto que tal mundo é quase impensável. Mas vamos fazer um esforço.

Ligo a TV e assisto a informações precisas sobre todo tipo de objecto.
Quanto às margarinas, para ficar no exemplo, fico a saber quantas calorias nos fornecem, quais os benefícios e quais os inconvenientes de seu consumo.
Se falam de móveis, alertam para os vários tipos de mesas e cadeiras para salas de jantar. Suas vantagens e desvantagens. Mostram-me comparações de preços e analisam as relações custo/benefício.
E por aí vamos.
Tudo verdadeiro. Tudo às claras.

E me interrogo:
Não seria esse mundo muito enjoado?
Um bocadinho de mentira, de ilusão, não nos faz falta?
Afinal, não é essa necessidade que dá longa vida também às religiões?

Quinta-feira, 9 de Maio de 2013

Sobre traduções



No Antigo Testamento há um sem número de casos de nomes atribuídos a recém nascidos em função de algum evento associado ao nascimento deles.
Essa vinculação de nomes a significados relacionados aos nomeados é explícita e clara no texto original, em hebraico. Mas esse elo se perde com a tradução do texto bíblico para outras línguas.

Um bom exemplo disso consta da narrativa do nascimento de Isaac, filho de Abraão e de Sara.
A história é bem conhecida: Deus resolve conceder a maternidade a Sara quando esta já é quase centenária.
Sara, então, diz (Gênesis 21:6):
{Nota: as traduções deste versículo para o português, várias das mais difundidas, são muito ruins. Vou citar as menos fracas]
Versão católica:
Sara disse: "Deus deu-me algo de que rir; e todos aqueles que o souberem se rirão de mim."
Sociedade bíblica britânica:
Disse Sara: Deus preparou riso para mim; todo aquele que o ouvir, se rirá por minha causa.
Uma tradução melhor, ou seja, mais fiel ao original e até mais compreensível seria:
Disse Sara: Deus me fez algo risível: todos que souberem disso rirão de mim.
Ou até mesmo:
Disse Sara: Deus me fez algo risível; todos que souberem disso zombarão de mim.
Pra quem gosta de modernices, poderia ser:
Disse Sara: Deus aprontou o maior mico pra mim; quando o pessoal souber, vai me tirar o maior sarro.

Enfim, dá pra entender o sentimento de Sara. Mas o ponto aqui não é este.
A questão é que pouco antes (Gênesis 21:3) ficamos a saber que o nome dado ao garoto foi Isaac (ou Isaque).
Em português a escolha do nome parece ter sido absolutamente aleatória.
Mas não foi.
Em hebraico, “rirá” (com um sentido beirando o “zombará”) é יצחק, que se pronuncia mais ou menos assim: Itsrrac (com “r” à moda carioca ou como o “j” do espanhol).
Ora, o personagem que conhecemos como Isaque tem seu nome grafado, em hebraico, exatamente assim como consta acima.

Minha sugestão seria a de buscar-se, para esses nomes próprios, traduções que se ligassem – em português – ao evento que evocam em hebraico.
No caso de Isaque, eu proporia chamá-lo, em português, de Hilário.
Missão difícil? Claro! Quase impossível.
Ora, mas depois que conseguiram traduzir Guimarães Rosa para o alemão, tudo é possível.

Quarta-feira, 8 de Maio de 2013

Espiritismo, coisa de vivos.

E, às vezes, resulta.
Quando meu pai escreveu o livro Espiritismo, coisa de vivos e não de mortos, o intento dele era o de mostrar que os tais fenômenos extraordinários que costumam ocorrer em sessões espíritas eram simplesmente fraudes.

Mas, vista a coisa de outro ângulo, chega-se a conclusão não oposta mas diferente.

Comecei, agora, a me dar conta de que esse tal de kardecismo tem seu lado interessante.

Nessa onda de como é bom ser bom, muito gajo consegue mulheres que não conseguiria com outra estratégia.
No tempo em que os animais falavam e eu trabalhava, nas doces paragens da cidade de Osasco, vizinhança de São Paulo, tive um colega de trabalho que, nas horas vagas, pilotava um grupo espírita.
Não sei qual era a rotina do grupo. Apenas sei que o tal líder, com o papo que Kardec lhe emprestou, faturava a mulherada toda na maior.
Bendito seja.

Hoje percebo que ele não estava só. Há muito garanhão por aí a utilizar-se das ideias espíritas para, digamos, arregimentar fãs.
É o que se pode chamar de presença de Espírito.

E não digo mais nada para não comprometer ninguém.
Sabe-se lá o que pode fazer um espírito traído se percebe que a encarnação com que vive anda a baixar em outros terreiros?

Sábado, 4 de Maio de 2013

Pílulas Bíblicas - 03


Resumo do início da história:
Um levita (na época os levitas eram os sacerdotes de Israel) arrumou uma concubina (os homens, naquela época, podiam ter varias mulheres). Essa o traiu, ou se encheu dele, e voltou para a casa de seus pais. Passados alguns meses, o levita foi buscá-la. Levou consigo um moço, seu servo, e dois jumentos.
Ficou alguns dias na casa do sogro e depois iniciou o caminho de volta a sua casa, levando a concubina.
Ao chegar em uma cidade (Guibea ou Gibeá) foi hospedado por um ancião que o viu na praça e o convidou para pousar em sua casa.
A partir daí eu os deixo com o texto bíblico, para que o leiam e façam o que ele, ao final, recomenda:
Pensem! Reflitam! Digam o que se deve fazer!


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Sexta-feira, 3 de Maio de 2013

Pílulas Bíblicas - 02


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E os gays continuam a querer ser aceitos nas igrejas cristãs. Perto da Bíblia, a homofobia (palavrinha mais mal construída...) do tal pastor Feliciano é argent de poche.

Quinta-feira, 2 de Maio de 2013

Pílulas Bíblicas - 01


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Naqueles longínquos tempos, Deus ainda não ouvira falar de ecumenismo nem de liberdade de crença.
Modernices.

Segunda-feira, 29 de Abril de 2013

Soluções novas para velhos problemas

No Brasil, actualmente, discute-se a questão da idade adequada à responsabilização penal dos cidadãos.
Muito bem.
Deveríamos começar a discussão a partir da questão:
Há cidadãos no Brasil?
Mas, com isso, muitas pessoas ficariam chocadas, revoltadas, iriam revirar-se na cama antes de dormir.
Então vamos pular esse item.
Sugiramos logo a solução: as pessoas devem ser responsabilizadas criminalmente desde o nascimento.
Desse modo, um recém nascido que cometa um homicídio bárbaro, deverá sofrer as consequências.
Mas... quais consequências?
Tomar mamadeira (em Portugal diz-se biberão) só de 12 em 12 horas.
Não! dirão os adeptos de ideologias de esquerda. Afinal, o bebé é, apenas, uma vítima da iniquidade burguesa. Tornou-se assassino justamente por carência de biberão.
Além disso, os locais nos quais receberá sua dose de leite são de péssima qualidade. Neles não há nem TV a cabo.
Então tá.
Que mamem de 6 em 6 horas. Mas apenas pelo prazo máximo de 3 meses. Depois, que tudo se normalize. Ou seja: quem tem tem. Quem não tem não tem.
Já o grosso da população (ou os grossos da população, como queiram) prefere mesmo a pena de morte.
Acontece que essa mesma maioria se diz católica. Ou ao menos cristã. E, ipso facto, é contra o aborto. Ora, aborto e pena de morte para recém nascidos são coisas perigosamente próximas. Aí a discussão se embaralha. Melhor matar os recém nascidos criminosos de maneira informal, como se faz com boa parte dos adultos criminosos.
Ainda este último domingo, uma senhora revelou à Folha de SPaulo que foi estuprada aos 19 anos. Mas era no tempo da ditadura, o garoto estava subnutrido. Coisas assim. Por isso, ela é contra baixar a maioridade penal para 16 anos. Do ponto de vista lógico, perfeito!
O indivíduo estupra por estar subnutrido. Ergo, a maioridade tem de continuar nos tais 18 aninhos.

Que falta faz o Chacrinha!

Quinta-feira, 25 de Abril de 2013

Sobre a Fé

É famosa a definição de fé que consta em Hebreus 11:1:

Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem

Temos, então, uma definição bíblica de fé. Daquilo que é a Fé. Inclusivamente com muitos exemplos, no próprio capítulo 11 de Hebreus.
Muito bem. Meu interesse, neste post, é pensar um bocadinho sobre algumas coisas que a Fé não é.

Nos meus tempos de Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (IME-USP), meu orientador, o grande lógico Newton da Costa, costumava brincar - ele que se notabilizara mundo afora por sua tese sobre Lógicas Inconsistentes - a repetir que um de seus maiores desejos era o de provar que 2 + 2 = 5.
Mas atenção! O desejo dele era provar isso. E não, ter fé nisso. Além do mais, tratava-se de brincadeira.

Não é possível ter fé em que Lula não tenha sido presidente da República no Brasil ou que o inefável Cavaco não seja o presidente de Portugal. É apenas possível ter fé em que não voltem a ser o que já foram.
Não é possível ter fé em que a Terra seja plana. Outrora já foi possível ter fé nisso. Hoje não mais é.
Não é mais possível ter fé em que Moisés tenha escrito os livros do Pentateuco. Nem que as cartas atribuídas a Paulo sejam todas dele. Já está provado que nada disso é verdadeiro. O Catecismo diz o contrário? Pior para o Catecismo.
Enfim: não é possível ter fé em algo que já se sabe ser factualmente falso.

Maria pariu Jesus e continuou virgem. É possível ter fé nisso? É.
Há várias indicações de que isso não tenha sido facto. Mas não há prova disso. Então é possível ter fé nisso.
É possível ter fé na existência de seres extra-terrestres? Claro. Por mais mistificação que exista em torno desse tema, é possível que existam seres inteligentes fora de nosso planeta.
Quanto a mim, coloco alguma dúvida quanto à existência de vida inteligente cá na Terra...