11.7.09

Pasmem, senhores leitores!


Um amigo de um amigo, com o qual cheguei a jogar alguma sinuca, há tempos, ficou marcado por uma carta que resolveu enviar, se não me engano, ao Estadão.
Melhor, ficou marcado por uma expressão que usou na tal carta.
O sujeito era – e suponho que ainda seja – de muito bom humor. Engraçado, mesmo.
Mas mergulhou de cabeça no espírito do leitor-que-escreve-pra-jornais e perpetrou esse “pasmem, senhores leitores!” do título do post.
Pra quê.
Toda vez, nas conversas com amigos, quando alguém queria salientar qualquer coisa, lá vinha o “pasmem, senhores leitores!”.
Lembro dele sempre que leio os painéis dos leitores dos jornais.
Invariavelmente, o leitor-que-escreve-pra-jornais é um indignado. Vocifera contra tudo e contra todos.
Pra ele, o mundo não passa da semana que vem. A ruína moral chegou a seu limite.

Atualmente, a bola da vez, no Brasil, é o Sarney.
Tá certo que o homem exagerou. Privatizou o Maranhão, privatizou o Senado Federal, arrumou empreguinhos e empregões para um monte de apaniguados.
Quando foi presidente da República, eu passava boa parte de meu tempo em Brasília, em gabinetes de políticos, em repartições públicas, em escritórios de lobistas etc etc.
Apesar de, naquela época, a bandalheira correr soltíssima, o que mais me incomodava era a cafonice da turma. O Sarney, por exemplo, não recebia em audiência nenhum indivíduo que estivesse enfiado em um terno marrom.
A nata da brasilidade é de uma superstição irritante. A ignorância geral é assustadora. O brega é a marca registada de nossos homens públicos, com seus cabelos indecorosa e horrorosamente pintados.
Pra voltar a Sarney, ele é daqueles que em Nova Iorque circula de limusine branca.

Perto de tudo isso, o leitor-que-escreve-pra-jornais se preocupa com superfaturamento, falta de licitação, desvio de verba, bobagens assim.

A não ser, vez ou outra, um texto do Nelson Motta, ninguém reclama da cafonália geral.

Acho que vou escrever um protesto e mandar pra tudo quanto é jornal.
Ainda mais agora, que fizeram transbordar minha paciência com panegíricos ao tal Michael Jackson, com detalhes intermináveis do casamento do Pato, do casamento do Robinho, do primeiro aniversário do filho do Kaká etc etc etc.

E, claro, não deixarei de usar o Pasmem, senhores leitores!.

8.7.09

Quem disse que Bragança não tem?


Está bem. Você não gosta de montanhas. Prefere praia?

Bragança tem.

Não só é uma praia de qualidade como fica em um lugar cujo nome já é uma atração: Freixo de Espada à Cinta.

Estamos ainda no distrito de Bragança. A distância da cidade de Bragança até a praia da Congida não chega a 60 km.

Mais ou menos à mesma distância fica Zamora, cidade espanhola que não tem praias mas é encantadora.

Escolha.

CLIQUE PARA AMPLIAR

(e há mais praias, claro, claro)

2.7.09

Dúvida


Como sabem meus amigos portugueses que freqüentam este blog, sou um português à distância, desinformado dos detalhes da política portuguesa.
Vai daí, peço que me esclareçam: quando o ministro da Economia fez o gesto de chifres dirigido ao lider do PCP, Bernardino Soares, estava a insinuar que Soares era o Diabo ou era um cornudo?

28.6.09

Lembra?


Que fim levou o caso da brasileira que se disse atacada por nazistas na Suíça e depois se descobriu que era tudo simulado?

24.6.09

Sistema de vendas inovador


Claro que para alguém que ainda mora em São Paulo (eu), a notícia lida no Mensageiro de Bragança a respeito de apreensão de drogas soa como brincadeira de criança.
Basta reparar na quantidade de drogas apreendidas: 124 doses de heroína, 16 de cocaína e 353 de haxixe.
Agora: o que mais me chamou a atenção foi que, no meio das demais apreensões (algum dinheiro vivo, carros, telemóveis, umas duas ou três armas mixurucas etc) figurava uma matraca.
Fui até consultar um dicionário de Portugal pra ver se matraca tem, lá, o mesmo significado que no Brasil. Tem.

Será que era pra anunciar os produtos?

14.6.09

Ideias do Meu Bazar

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A Folha de S.Paulo, hoje, destaca em primeira página:

Mais de 90% dos analfabetos não vão a aulas


E explica: "Mais de 90% dos analfabetos absolutos do país não freqüentam classes de alfabetização".

Penso que a notícia relevante seria:

Mais de 90% dos estudantes, no Brasil, são analfabetos.


E nem adianta explicar.

* * *


Pouca gente dos tempos da militância de esquerda nos anos 60 e 70 gosta de reconhecer: o movimento estudantil (M.E.) era profundamente desprezado por nós, os da chamada Esquerda Revolucionária (maneira disfarçada de excluir o Partidão). Eu mesmo, quando fui escalado pelo POC para presidir o centrinho da Filosofia da USP, encarei a tarefa quase como castigo.
A utilidade que se enxergava no M.E. era a de fornecedor de quadros para a militância. Para falar em uspianês, o M.E., enquanto movimento de massas, era até ridicularizado, dentro das organizações (ALN, VAR, POC et caterva).
A atual greve na USP só confirma que o M.E. soube utilizar bem o clima democrático das últimas décadas: melhorou pra pior.

* * *