quinta-feira, 8 de março de 2012

O banho


Era o início de dezembro, 1.992. Minha mãe, que se acabaria no dia 13, suavemente, descansava em seu quarto, esquelética e fraca. O cancro iria vencer, desta vez.
Na sala, os três irmãos discutiam a respeito da necessidade de dar à mãe um banho. Ela , por si mesma, já não era capaz de tanto.
Eu era o primeiro excluído. Por ser homem.
Minhas irmãs também eram interditas. Nunca haviam levantado o véu da intimidade da mãe. Não o conseguiriam fazer agora.
Estávamos nesse impasse quando soa a campainha. Era minha filha, a primogênita, que chegava a visitar a avó. Avó que dela cuidara na infância, nos períodos em que a mãe assistia a suas aulas de filosofia.
Posta a par do problema, não hesitou um instante.
Foi ao quarto, levou minha mãe ao banho, lavou-a meticulosamente.
A avó, feliz, voltou à cama limpa, de corpo e alma.

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