sábado, 31 de agosto de 2013

A feia piedosa

Ser feia não é defeito. Apenas sina.
Beleza não é fundamental, como teimou Vinicius.
Mas se juntarmos à feiura um gosto por textos de auto-ajuda, nem é preciso mau hálito.

O diabo é que alguém assim, ao obter - sabe deus como - alguns diplomas e títulos, pode começar a alimentar a falsa ideia de que a bem-aventurança deve ser distribuída democraticamente.
E é então que começa o sofrimento.

A busca do príncipe encantado passa a equiparar-se à procura da fonte da eterna juventude.
Mas como sucedem-se os sapos e nenhum deles nem sequer se deixa beijar, o remédio é glorificar a Virgem, com a qual aumenta pouco a pouco a identificação.

E, valha-me deus, nem um maldito Panthera aparece.

1 comentário:

Suzie Q Motta disse...

Ora Alberto! A poucas mulheres cabe a inteligência da Lucinda, a Muda, personagem do Jose Carlos. A distribuição democrática tida como algo susceptível à sorte é já um grande azar. Disso cumpre-se a história de demonstrar. Pessoas assim (e são muitas!) não se preocupem em como têm estado, mas como gostariam que as coisas estivessem. Assim, os panthera ao redor evaporam!