segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

De como uma consoada pode ser agradável


Então. 24 de dezembro, um dia depois de ter trazido filha, genro e neta de Madrid até Vinhais, eles com 5 horas de fuso horário, mas jovens, talvez loucos pra passear e conhecer tudo por aqui.
Ponho o despertador pra oito e meia. Levanto, fico bisbilhotando a internet, à espera dos jovens desbravadores da velha Europa, vindos de New York. Quinze minutos depois me pergunto que estou eu a fazer, acordado, sozinho, todo mundo ferrado no sono.
Volto pra cama, durmo até dez e meia. Os jovens desbravadores da velha Europa (JDVE) continuam a dormir.
A Baixinha acorda. Depois do pequeno almoço, lá vamos nós ao Docinho (casa de doces super super existente em Vinhais), a buscar os pastéis de nata que encomendamos para a consoada.
Ao entrar no Docinho, a bagunça é geral. Os proprietários, olhos já um tanto apagados pelo cansaço, trabalham freneticamente. Clientes entram e saem ininterruptamente.
Um dos proprietários, ocupado a dobrar embalagens de papelão, olha para a Baixinha e informa:
- Não foi possível fazer suas natinhas. Trabalhamos a noite toda mas não demos conta das encomendas.
Disfarçamos a expressão de consternação, por pena dele, e voltamos à casa.
Já é hora de uns bagacinhos, pra regar pedaços de chouriças.
Faltando um quarto pra uma, decido:
À uma da tarde chamo os JDVE.
Bate uma hora, bato à porta do quarto dos JDVE. Atende um rosto com cara de me-deixa-dormir-mais-umas-horas.
Apesar dos pesares, às duas já estamos a caminho de Bragança. Lá, no inolvidável Restaurante Rochedo, devoramos uma feijoada de javali regada a João Pires tinto. E levamos pra casa mais um pouco pra quando a vontade voltar.
Depois de comprinhas no Modelo, uma volta no castelo. Com o fim da luz do dia, não é mais possível mostrar tudo aos JDVE.
Fica pra outro dia.
Voltamos a Vinhais. Conversa daqui, comida dali, vamos saboreando a convivência.
Minha neta me procura, discretamente, e me alerta:
- Olha, esta noite, se você ouvir sons na cozinha, não vá lá. É Papai Noel. Deixa que ele coloque os presentes junto à árvore.
- Explico a ela que, em Portugal, fala-se Pai Natal.
E vamos dormir, à espera dos presentes, que virão de manhã.
Antes, ainda toca o telemóvel. É nossa filha da Austrália, a contar que lá acorda-se às seis da matina pra ver os presentes.
Meu genro acabara de contar que quando esteve no Colorado, anos atrás, o costume era o mesmo: a ceia de 24 era cedo, todos iam dormir lá pelas nove da noite. Pela manhã, todos levantavam às cinco para abrir os presentes.
Como não sou australiano nem conheço o Colorado, vou acordar às 10.
Boa noite.
E bom Natal.

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