sábado, 2 de junho de 2012

E mir? Sader!

Recebo diariamente os e-mails de Carta Capital. Há lá, sempre, link para o Blog do Emir.
Apesar de guardar alguma lembrança agradável da rápida convivência com ele, lá no início dos anos 70, não costumo ler o que escreve.
Até que, dia desses, um post dele chamou minha atenção: De ex a anti-esquerdistas.

Começa por referir-se a um artigo de Isaac Deustcher. Vai daí, o restante do texto fica naquele limbo: será a opinião de Deustcher ou a opinião de Emir? Penso que é a de ambos.

Trata-se de análise das diferentes formas que assume a passagem de um esquerdista a “furibundo anti-esquerdista”.

Uma dessas “passagens” começa por condenar o stalinismo para terminar “condenando a Lenin e, finalmente, a Marx e ao marxismo “.

Há os tipos padrão, os que foram de esquerda, militantes mesmo, de repente 'se arrependem', largam tudo, renegam, denunciam seu passado e seus companheiros, os ídolos em que acreditaram cegamente, para se entregar de armas, bagagens e, frequentemente, emprego, para a direita.”

Depois de citar alguns outros tipos, segundo ele – ou Deustcher – abjetos, termina:
Há ainda escritores, intelectuais, músicos, decadentes, em triste fim de carreira, que abandonam posturas rebeldes que tiveram no passado para submeter-se aos donos do poder e dos meios de comunicação em troca de espaços para escrever, prêmios, elogios, que confirmam sua perda de dignidade no fim da carreira.

Enfim: os que abandonam a esquerda ou são do tipo que denuncia companheiros, ou “ganham espaços na mídia de direita – desde direção de revistas a colunas em jornais, convites para a televisão – como prêmio pela sua adesão” ou submetem-se aos donos do poder.


Emir, não sei por que, não mencionou os que viajaram para Paris em 1.971 ao menor sinal de perigo, nem os que – ao retornar com a anistia – aceitaram convite da joia da coroa da Imprensa Golpista para comentarem política internacional na Globo News. Talvez por não terem deixado de ser esquerdistas...


De qualquer modo, fico feliz em ter saído de um país em que a discussão política ainda se dá nesses termos.


E não consigo entender como pessoas que respeito intelectualmente ainda levam a sério o pensamento de um Emir Sader.

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