Se for pra escolher, escolho a amizade.
Tenho dificuldade em entender como é que alguém joga fora uma amizade por discordância ideológica.
Já li, no blog de Janer Cristaldo, que ele abandonou uma amiga porque ela só comeu em MacDonalds quando esteve na Espanha. E isso depois de - supremo pecado! - ele ter indicado a ela os restaurantes mais interessantes, do ponto de vista dele, conhecedor do país.
Tive uma amiga que me mandou às favas depois que lhe enviei por e-mail uma paródia de um filme sobre os últimos dias de Hitler, em que as falas do ditador eram legendadas como se fosse o Lula a falar com seus asseclas. Isso depois de eu lhe arrumar dois empregos.
Essa mesma ex-amiga, em tempos idos, me confessara que ganhara uns trocados para escrever um artigo para jornal defendendo a não implantação de aeroporto em Ilha Bela, São Paulo, sob pretexto de defesa da natureza etc etc (trocados pagos por um dono de terras na ilha, interessado no aborto do plano do aeroporto).
Aliás, quando fui apresentado à palavra "ecologia" foi por meio de um picareta que comigo trabalhava na Promon Engenharia S.A., em São Paulo, no final da década de 70. Era o Barba, um rapaz que, algum tempo depois, detonou outro colega com o qual fizera sociedade em uma empresa de informática.
Ou seja, cedo aprendi que ecologia rima com patifaria.
Mas, a meu ver, nada justifica abandonar uma amizade por não se concordar com as ideias do amigo.
Claro está que se o amigo for um bandido, é melhor afastar-se. Mas, ao construir a amizade essa bandidagem não ficou visível?!
E, até onde sei, não gostar do Lula e do PT não se enquadra em nenhum artigo do Código Penal Brasileiro. Ao menos por enquanto. E não ter simpatias pelos BigMacs não invalida uma relação prazerosa.
Mas há coisas que as moedas fazem e de que até os deuses duvidam.
domingo, 20 de maio de 2012
sábado, 19 de maio de 2012
Notas esparsas
E as reacções de amigos e parentes (são todos amigos) a respeito de meu último post foi reveladora de cada um: meu primo Wanderley falou de pensamento positivo e de como ele opera milagres. Ele, como sempre, empolgado com o extraordinário. Minha primogénita gostou muito do que Wanderley escreveu. Ela também gosta muito de pensar positivo. Apenas dá sempre uma grande mãozinha ao dito cujo pensamento positivo e consegue realizar proezas. Meu amigo Marcelo, super realista, sugeriu que eu viva os próximos 3 meses na maior alegria e deixe pra pensar no novo exame só quando chegar a hora. E, então, manter o foco nisso. Milton, meu amigo e ex-chefe, ignorou a parte duvidosa do resultado do exame e festejou a parte boa. Minha nora e sua mãe me lembraram que ainda há netos por vir. E que não fica bem eu não aguardar por eles. Vou esperar pelos ninjinhas, como meu filho chama seus futuros rebentos. Meu hermanito Luiz não se contentou em mandar e-mail. Telefonou para ver o que podia ser feito. Também meu amigo Reinaldo queria resolver já a coisa. Nada de aguardar 3 longos meses. Minha querida Helga, alemã muito brasileira, lembrou coisa parecida que aconteceu com a mãe dela. E sugeriu não dar muita bola pra isso. Minha irmã, Alciléa, também minimizou tudo. Ela é como o ex-ministro Ricúpero, só que do bem: o que é bom a gente amplia; o que é mau a gente relativiza e, se possível, menospreza. Há, além desses, os que ainda não leram minhas notícias.
Mas sejam todos louvados. Bem hajam!
- - - - -
Bragança, esta terra abençoada, resolveu imitar São Paulo e Rio de Janeiro. Deve ser pura inveja. Sábado passado, em uma briga de trânsito (como pode existir isso aqui?! Aqui não há trânsito!), lá pelas 23 horas, discutiam: um rapaz de 30 anos e um senhor de 60. Este último sacou de uma arma e atirou três vezes no jovem. Este, ferido, tentou fugir com sua viatura (como se diz aqui). Deve ter perdido os sentidos pois bateu em um contentor de lixo que saiu a voar e atingiu uma senhora que voltava de uma procissão, acompanhada de outras pessoas. Resultado: a senhora ficou bem ferida, o rapaz idem e o senhor que atirou foi preso. Agora fico a saber que enforcou-se na cela. Serão efeitos da crise?
- - - - -
A revista Sábado desta semana traz em destaque matéria sobre como o Facebook ganha dinheiro. Em resumo: eles ficam de olho em seus interesses e preferências, manifestados em comentários, fotos e tudo o mais e orientam propaganda para as pessoas que aparentam gostar dos produtos oferecidos.
Diga-se que não é apenas o Face que faz isso. O Google é mestre na arte.
Só espero que eles aperfeiçoem um bocadinho mais seus métodos. Acontece que eu estava interessado em adquirir uma boa máquina fotográfica. Pesquisei na internet, encontrei o que desejava e comprei. Agora, qualquer página que abro no navegador traz comerciais de máquinas fotográficas. Alô, pessoal do Google! Eu já comprei! Quer dizer: não adianta me cutucar porque não vou comprar novamente.
A menos que a Simply Electronics não entregue a minha máquina. Eles me mandaram e-mail domingo passado a dizer que eu havia passado nos testes de segurança contra fraudes e que iam me enviar minha encomenda. Até agora, nada!
Eu disse fraude? Sai azar!
Mas sejam todos louvados. Bem hajam!
- - - - -
Bragança, esta terra abençoada, resolveu imitar São Paulo e Rio de Janeiro. Deve ser pura inveja. Sábado passado, em uma briga de trânsito (como pode existir isso aqui?! Aqui não há trânsito!), lá pelas 23 horas, discutiam: um rapaz de 30 anos e um senhor de 60. Este último sacou de uma arma e atirou três vezes no jovem. Este, ferido, tentou fugir com sua viatura (como se diz aqui). Deve ter perdido os sentidos pois bateu em um contentor de lixo que saiu a voar e atingiu uma senhora que voltava de uma procissão, acompanhada de outras pessoas. Resultado: a senhora ficou bem ferida, o rapaz idem e o senhor que atirou foi preso. Agora fico a saber que enforcou-se na cela. Serão efeitos da crise?
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A revista Sábado desta semana traz em destaque matéria sobre como o Facebook ganha dinheiro. Em resumo: eles ficam de olho em seus interesses e preferências, manifestados em comentários, fotos e tudo o mais e orientam propaganda para as pessoas que aparentam gostar dos produtos oferecidos.
Diga-se que não é apenas o Face que faz isso. O Google é mestre na arte.
Só espero que eles aperfeiçoem um bocadinho mais seus métodos. Acontece que eu estava interessado em adquirir uma boa máquina fotográfica. Pesquisei na internet, encontrei o que desejava e comprei. Agora, qualquer página que abro no navegador traz comerciais de máquinas fotográficas. Alô, pessoal do Google! Eu já comprei! Quer dizer: não adianta me cutucar porque não vou comprar novamente.
A menos que a Simply Electronics não entregue a minha máquina. Eles me mandaram e-mail domingo passado a dizer que eu havia passado nos testes de segurança contra fraudes e que iam me enviar minha encomenda. Até agora, nada!
Eu disse fraude? Sai azar!
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Cravo e ferradura
Hoje nosso anjo da guarda, a Fátima, veio trazer-me o resultado do exame, deixado - finalmente - pelo carteiro.
Agradeci e corri para o escritório para ler o relatório.
O início, auspicioso: "dilatação moderada da aorta ascendente (46 mm)". E os que analisaram as imagens não conheciam o exame feito em São Paulo (com resultado exagerado de 46,3 mm). Até aí, maravilha!
Devo pedir desculpas a minha aorta por chegar a ter duvidado de sua competência.
E graças ao Dr. Heno e a meu amigo Marcelo (que o recomendou) e com o aval do dr. José Leandro, cá em Bragança, que validou todas as observações do dr. Heno Ferreira Lopes, M.D., Ph.D., Doutor e Prof. Livre Docente pela FMUSP. Louvados sejam!
E não cito os açougueiros que pretendiam operar-me, em São Paulo. Hesitaram em aceitar Janeiro deste ano como data para a cirurgia. Cirurgia de uma aorta estável, como agora se comprova. Cirurgia que, na opinião unânime de meus cardiologistas, seria desastrosa. Não os cito porque poderiam processar-me. E, no Brasil, a experiência ensina que venceriam a batalha jurídica e descolariam a grana que não conseguiram com a cirurgia. Talvez bem mais.
Mas, nem tudo é alegria.
Depois de algumas frases em grego arcaico, o relatório conclui: "[no pulmão] identifica-se uma opacidade nodular mal definida em vidro despolido, com aproximadamente 2 cm, (...) contudo recomenda-se controlo imagiológico dentro de 3 meses, uma vez que a hipótese de carcinoma bronquíolo-alveolar não pode ser formalmente excluída."
Descobri que "carcinoma bronquíolo-alveolar" é, para os íntimos, CBA.
Ou seja, os guapos rapazes de Viana do Castelo, que fizeram a análise das imagens de meu tórax, não ficaram satisfeitos com a estabilidade de minha aorta e resolveram atribuir-me - com o benefício da dúvida - um CBA.
Como o exame tira-dúvida só será feito lá pro final de Julho, vou viver esses 3 meses como se fossem os três últimos.
Convenhamos: como deveríamos viver toda a vida.
Agradeci e corri para o escritório para ler o relatório.
O início, auspicioso: "dilatação moderada da aorta ascendente (46 mm)". E os que analisaram as imagens não conheciam o exame feito em São Paulo (com resultado exagerado de 46,3 mm). Até aí, maravilha!
Devo pedir desculpas a minha aorta por chegar a ter duvidado de sua competência.
E graças ao Dr. Heno e a meu amigo Marcelo (que o recomendou) e com o aval do dr. José Leandro, cá em Bragança, que validou todas as observações do dr. Heno Ferreira Lopes, M.D., Ph.D., Doutor e Prof. Livre Docente pela FMUSP. Louvados sejam!
E não cito os açougueiros que pretendiam operar-me, em São Paulo. Hesitaram em aceitar Janeiro deste ano como data para a cirurgia. Cirurgia de uma aorta estável, como agora se comprova. Cirurgia que, na opinião unânime de meus cardiologistas, seria desastrosa. Não os cito porque poderiam processar-me. E, no Brasil, a experiência ensina que venceriam a batalha jurídica e descolariam a grana que não conseguiram com a cirurgia. Talvez bem mais.
Mas, nem tudo é alegria.
Depois de algumas frases em grego arcaico, o relatório conclui: "[no pulmão] identifica-se uma opacidade nodular mal definida em vidro despolido, com aproximadamente 2 cm, (...) contudo recomenda-se controlo imagiológico dentro de 3 meses, uma vez que a hipótese de carcinoma bronquíolo-alveolar não pode ser formalmente excluída."
Descobri que "carcinoma bronquíolo-alveolar" é, para os íntimos, CBA.
Ou seja, os guapos rapazes de Viana do Castelo, que fizeram a análise das imagens de meu tórax, não ficaram satisfeitos com a estabilidade de minha aorta e resolveram atribuir-me - com o benefício da dúvida - um CBA.
Como o exame tira-dúvida só será feito lá pro final de Julho, vou viver esses 3 meses como se fossem os três últimos.
Convenhamos: como deveríamos viver toda a vida.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Crise
Um dos efeitos da crise, ao menos em Bragança, foi a diminuição do número de carteiros. Vai daí, as correspondências demoram mais a chegar. Segunda-feira liguei ao Hospital de Macedo de Cavaleiros para saber se já estava lá o resultado de minha angiotomografia (angioTAC). Disseram-me que sim e que ma enviariam pelos Correios, no mesmo dia. Hoje é quinta e nada... Soubesse eu disso e teria me disposto a buscar o resultado pessoalmente no Hospital de Macedo. Demora-se pouco mais de meia hora para chegar lá.
Cá estou eu, ansioso. No último post, aliás, menti um bocadinho. Disse que não conseguia pensar em mais nada. Não é bem assim. Penso também em minha Canon EOS 5 Mark III, com seus penduricalhos todos. Também está para chegar e nada. E na documentação que enviei ao Ministério do Planejamento, sobre minha anistia. Nada também.
Enfim, parodiando Chico Buarque, sou um poço até aqui de expectativas. Expectativas postais. Uma delas, crítica.
Enquanto isso, Portugal enfrenta sua crise.
Cada um com a crise que merece.
Cá estou eu, ansioso. No último post, aliás, menti um bocadinho. Disse que não conseguia pensar em mais nada. Não é bem assim. Penso também em minha Canon EOS 5 Mark III, com seus penduricalhos todos. Também está para chegar e nada. E na documentação que enviei ao Ministério do Planejamento, sobre minha anistia. Nada também.
Enfim, parodiando Chico Buarque, sou um poço até aqui de expectativas. Expectativas postais. Uma delas, crítica.
Enquanto isso, Portugal enfrenta sua crise.
Cada um com a crise que merece.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Medidas
Os políticos vivem de tomar medidas, caso da situação, ou de cobrar medidas, caso das oposições. Mas são medidas em sentido diverso daquele a que desejo referir-me.
Falo de medidas com fitas métricas.
Há os obesos, que fazem enormes sacrifícios para diminuírem alguns centímetros no perímetro do abdómen, ou, como rezam os dicionários, pança, barriga, ventre.
Quanto a mim, faço algum esforço para que minha aorta não supere os 46,3 mm do ano passado. Para os neófitos no tema, informo que o diâmetro normal da aorta é de 39 mm. Se chegar aos 50 mm o indivíduo está fadado a não conseguir terminar o "Ai!" de quando ela romper-se. Ou a submeter-se a uma cirurgia que o deixará - no mínimo - com sequelas neurológicas graves (*).
Essas dilatações de artérias não têm hipótese, actualmente, de redução. O máximo que se pode esperar é que não aumentem. Em meu caso, como os 46,3 mm de Abril do ano passado foram medidos de modo um tanto equivocado, é possível até que - no exame feito agora, no mês passado - o valor regrida um bocadinho.
O resultado está a caminho.
E eu, compreensivelmente, com os nervos à flor da pele.
Desculpem lá o assunto do post, mas não há outro que me ocupe a mente, no momento.
(*) Isso vale para meu caso, que é o de dilatação da aorta ascendente e do arco aórtico. Há casos mais favoráveis, solúveis com cirurgia pouco invasiva, como quando a dilatação é na aorta descendente.
Falo de medidas com fitas métricas.
Há os obesos, que fazem enormes sacrifícios para diminuírem alguns centímetros no perímetro do abdómen, ou, como rezam os dicionários, pança, barriga, ventre.
Quanto a mim, faço algum esforço para que minha aorta não supere os 46,3 mm do ano passado. Para os neófitos no tema, informo que o diâmetro normal da aorta é de 39 mm. Se chegar aos 50 mm o indivíduo está fadado a não conseguir terminar o "Ai!" de quando ela romper-se. Ou a submeter-se a uma cirurgia que o deixará - no mínimo - com sequelas neurológicas graves (*).
Essas dilatações de artérias não têm hipótese, actualmente, de redução. O máximo que se pode esperar é que não aumentem. Em meu caso, como os 46,3 mm de Abril do ano passado foram medidos de modo um tanto equivocado, é possível até que - no exame feito agora, no mês passado - o valor regrida um bocadinho.
O resultado está a caminho.
E eu, compreensivelmente, com os nervos à flor da pele.
Desculpem lá o assunto do post, mas não há outro que me ocupe a mente, no momento.
(*) Isso vale para meu caso, que é o de dilatação da aorta ascendente e do arco aórtico. Há casos mais favoráveis, solúveis com cirurgia pouco invasiva, como quando a dilatação é na aorta descendente.
sábado, 12 de maio de 2012
As fases dos políticos
O político, ainda na oposição, é assim:
Depois que assume o poder fica assim:
É assim em todo lado.
(fotos do Público, de hoje)
Depois que assume o poder fica assim:
É assim em todo lado.
(fotos do Público, de hoje)
sexta-feira, 11 de maio de 2012
quinta-feira, 10 de maio de 2012
sábado, 5 de maio de 2012
Distúrbios do sono
Gosto muito de dormir. Mesmo em viagens. Já conheci brasileiros que diziam dormir pouquíssimo quando vinham à Europa.
- Estás louco!? Não vou dormir em euros!
Quanto a mim, durmo em qualquer moeda.
Nem sempre foi assim.
Faz quase 13 anos que parei de fumar. Foi parar de fumar e começar a engordar. E começar a roncar. E começar a ter apneias durante o sono.
A Baixinha não conseguia dormir nem tanto pelo meu ronco mas mais pela aflição de perceber que, ao longo da noite, eu volta e meia parava de respirar. E ela a esperar que eu ressuscitasse...
Em 2.002 fui ao Instituto do Sono, em São Paulo,fiz o exame e comecei a utilizar a maquininha para dormir. No início foi uma Resmed Autoset Sullivan 2000:
Era um trambolho e eu, para maior dos males, não comprei o humidificador.
Em 2.007, quando fui à Austrália conhecer o neto recém nascido, o Taj, comprei a Resmed S8, com humidificador H3i. Muito mais compacta e confortável.
Um belo dia, levei um susto que me acordou e me fez sentar abruptamente na cama. Resultado: como o criado mudo era alto, o S8 desabou, espatifou-se no chão e pensei que havia morrido (o S8, não eu). Ele era resistente e sobreviveu ao tombo. Mas, aos poucos, começou a produzir um chiado agudo. Fraco, é verdade, mas que - no silêncio da noite - incomodava. Aqui em Portugal, voltei a utilizar o Sullivan 2000 enquanto tentava descobrir quem poderia resolver esse problema para mim. E descobri a D'Ar Saúde, na Maia. Empresa que vende, aluga e dá assistência técnica a aparelhos Resmed. Lá vai a propaganda gratuita: R. de Montezelo, 105A, na Maia, perto do Porto. Telefone: 229 287 800. Mandei para o conserto a minha Resmed S8 e adquiri uma Resmed S9, com humidificador também:
Na época pré-maquininhas, eu conduzia meu carro na Marginal Pinheiros, ao voltar do trabalho, dando tapas no rosto pra não dormir ao volante. Se ia assistir a um concerto ou a uma peça de teatro, tinha de fazer um enorme esforço para não dormir durante a apresentação. E por aí vai. Já vários médicos me disseram que a maquininha do sono nos fornece mais dez anos de vida. Não sei como se pode saber uma coisa dessas. Mas posso dizer que a vida volta a ficar maravilhosa depois que você passa a usar a dita cuja (a maquininha, não a vida).
Bom. Já dei minha dica. Agora cabe a você acordar (?!) e correr atrás. Isso, é óbvio, caso você tenha os sintomas do sono ruim: não sonhar, viver com sono etc etc. Caso não os tenha, boa noite!
- Estás louco!? Não vou dormir em euros!
Quanto a mim, durmo em qualquer moeda.
Nem sempre foi assim.
Faz quase 13 anos que parei de fumar. Foi parar de fumar e começar a engordar. E começar a roncar. E começar a ter apneias durante o sono.
A Baixinha não conseguia dormir nem tanto pelo meu ronco mas mais pela aflição de perceber que, ao longo da noite, eu volta e meia parava de respirar. E ela a esperar que eu ressuscitasse...
Em 2.002 fui ao Instituto do Sono, em São Paulo,fiz o exame e comecei a utilizar a maquininha para dormir. No início foi uma Resmed Autoset Sullivan 2000:
Era um trambolho e eu, para maior dos males, não comprei o humidificador.
Em 2.007, quando fui à Austrália conhecer o neto recém nascido, o Taj, comprei a Resmed S8, com humidificador H3i. Muito mais compacta e confortável.
Um belo dia, levei um susto que me acordou e me fez sentar abruptamente na cama. Resultado: como o criado mudo era alto, o S8 desabou, espatifou-se no chão e pensei que havia morrido (o S8, não eu). Ele era resistente e sobreviveu ao tombo. Mas, aos poucos, começou a produzir um chiado agudo. Fraco, é verdade, mas que - no silêncio da noite - incomodava. Aqui em Portugal, voltei a utilizar o Sullivan 2000 enquanto tentava descobrir quem poderia resolver esse problema para mim. E descobri a D'Ar Saúde, na Maia. Empresa que vende, aluga e dá assistência técnica a aparelhos Resmed. Lá vai a propaganda gratuita: R. de Montezelo, 105A, na Maia, perto do Porto. Telefone: 229 287 800. Mandei para o conserto a minha Resmed S8 e adquiri uma Resmed S9, com humidificador também:
Na época pré-maquininhas, eu conduzia meu carro na Marginal Pinheiros, ao voltar do trabalho, dando tapas no rosto pra não dormir ao volante. Se ia assistir a um concerto ou a uma peça de teatro, tinha de fazer um enorme esforço para não dormir durante a apresentação. E por aí vai. Já vários médicos me disseram que a maquininha do sono nos fornece mais dez anos de vida. Não sei como se pode saber uma coisa dessas. Mas posso dizer que a vida volta a ficar maravilhosa depois que você passa a usar a dita cuja (a maquininha, não a vida).
Bom. Já dei minha dica. Agora cabe a você acordar (?!) e correr atrás. Isso, é óbvio, caso você tenha os sintomas do sono ruim: não sonhar, viver com sono etc etc. Caso não os tenha, boa noite!
terça-feira, 1 de maio de 2012
Tu pisavas nos astros, distraída
Ontem comprei meu último (the lastest, not the last one) sonho de consumo: uma Canon 5D Mark III. Só falta aprender a fotografar... Não gostaria de fotografar o óbvio. Queria, por exemplo, fotografar a mulher do morro, a pisar, displicente, o chão do barraco, no qual a lua projectava luzes que recriavam astros.
A música é do próprio intérprete, o imortal Sílvio Caldas. A letra, clássico da poesia brasileira, de Orestes Barbosa.
sábado, 28 de abril de 2012
Cães e estudantes
Hoje foi um dia especial. De manhã, fomos ao mercado municipal para ver o concurso de cães de gado transmontanos.
Como ainda não comprei minha nova máquina fotográfica, meu actual sonho de consumo, aqui vai uma referência e uma foto só para ilustrar.
Quando resolvemos almoçar, nos deparámos com uma situação inusitada: não havia vaga em restaurante algum.
Por sorte, conseguimos uma mesa em O Javali, de meu homónimo, Alberto Augusto.
É que, além do concurso dos cães de gado, havia a festa da queima das fitas. Hotéis, restaurantes e sabe-se lá mais o quê, estão todos lotados com os familiares dos estudantes que comemoram a tal Queima das Fitas.
Quando eu era estudante, era avesso a comemorações desse tipo. Até me saí bem, por isso. Quando se aproximava o fim do curso de engenharia electrónica na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, meus colegas começaram a recolher contribuições para compor com as fotografias de todos o quadro dos formandos de 1.967, que ficaria exposto na entrada principal da Escola, na Cidade Universitária. Recusei-me a contribuir, por não querer aparecer no tal quadro. Não sei se fui o único entre todos os formandos. Em minha turma de electrónicos sim, fui.
Resultado: o fotógrafo sumiu com as fotos e com o dinheiro e até hoje não há quadro com a turma de 1.967 (constatei isso quando lá dei aulas no início dos anos 70).
Hoje, melhorei um bocadinho. Entendo ser pertinente comemorar as etapas todas da vida académica. E que venham mais queimas de fitas! Afinal, fazer um curso qualquer que seja, em alguma universidade, não é fácil. Exige esforço. Esforço do aluno e, o mais das vezes, da família. Comemoremos, portanto.
É certo que, graças à crise que cobre os céus de Portugal, o formando de hoje é o desempregado de amanhã. Mas paciência. Problema adiado é problema resolvido.
E, acrescente-se, os festejos da queima das fitas só faz movimentar a economia. O restaurante em que almoçámos, por exemplo, estava repleto de espanhóis.
De volta aos cães de gado: a Doga que me desculpe, mas ela não dá, em peso, nem uma pata daquela turma. Que coisa linda!
Como ainda não comprei minha nova máquina fotográfica, meu actual sonho de consumo, aqui vai uma referência e uma foto só para ilustrar.
Quando resolvemos almoçar, nos deparámos com uma situação inusitada: não havia vaga em restaurante algum.
Por sorte, conseguimos uma mesa em O Javali, de meu homónimo, Alberto Augusto.
É que, além do concurso dos cães de gado, havia a festa da queima das fitas. Hotéis, restaurantes e sabe-se lá mais o quê, estão todos lotados com os familiares dos estudantes que comemoram a tal Queima das Fitas.
Quando eu era estudante, era avesso a comemorações desse tipo. Até me saí bem, por isso. Quando se aproximava o fim do curso de engenharia electrónica na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, meus colegas começaram a recolher contribuições para compor com as fotografias de todos o quadro dos formandos de 1.967, que ficaria exposto na entrada principal da Escola, na Cidade Universitária. Recusei-me a contribuir, por não querer aparecer no tal quadro. Não sei se fui o único entre todos os formandos. Em minha turma de electrónicos sim, fui.
Resultado: o fotógrafo sumiu com as fotos e com o dinheiro e até hoje não há quadro com a turma de 1.967 (constatei isso quando lá dei aulas no início dos anos 70).
Hoje, melhorei um bocadinho. Entendo ser pertinente comemorar as etapas todas da vida académica. E que venham mais queimas de fitas! Afinal, fazer um curso qualquer que seja, em alguma universidade, não é fácil. Exige esforço. Esforço do aluno e, o mais das vezes, da família. Comemoremos, portanto.
É certo que, graças à crise que cobre os céus de Portugal, o formando de hoje é o desempregado de amanhã. Mas paciência. Problema adiado é problema resolvido.
E, acrescente-se, os festejos da queima das fitas só faz movimentar a economia. O restaurante em que almoçámos, por exemplo, estava repleto de espanhóis.
De volta aos cães de gado: a Doga que me desculpe, mas ela não dá, em peso, nem uma pata daquela turma. Que coisa linda!
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Serviços consulares
Parece que consulados e embaixadas, mundo afora, têm especial prazer em humilhar seus utentes(/usuários).
Ontem fomos ao Porto. Mais um Ministério lá do Brasil quer que os documentos que devo enviar a ele sejam chancelados pelo Consulado brasileiro.
E não adianta argumentar que a Junta de Freguesia à qual pertenço, cá em Bragança, pode fornecer chancela muito mais pertinente do que a do Consulado. Por exemplo, um comprovativo de residência: a Junta de Freguesia da Sé, em Bragança, sabe quem sou e onde moro. No Consulado brasileiro, para fornecer-me um comprovante de residência (como se diz no Brasil) eles me exigem... o comprovativo fornecido pela Junta de Freguesia. Eles mesmos não têm a mínima ideia de onde resido.
Da última vez em que tive necessidade de solicitar tais chancelas, fui ao Consulado em horário de gente e consegui - é verdade que depois de longa espera - aquilo que buscava.
Desta vez, ao chegar pouco antes das dez da manhã ao Consulado, fui informado que as senhas já se haviam esgotado. Antes, senhas para esse tipo de procedimento não tinham limite. Agora têm. E o funcionário nos dispensa com indisfarçável sorriso de satisfação. Aquela conhecida satisfação do exercício do poder. Quando alegámos que vínhamos de longe, de Bragança, retrucou:
- Há os que vêm de Lisboa...
Ao argumentarmos que não era necessário ir de Lisboa ao Consulado do Porto (há, em Lisboa, a Embaixada do Brasil), grunhiu algo ininteligível e pronto.
Terei de voltar outro dia ao Consulado, chegar lá pelas 3 da madrugada, ficar à espera da distribuição de senhas, às oito e trinta, para - tendo sorte de ser um dos agraciados com senha - ser atendido a partir das nove.
Nada que não tenha enfrentado no Consulado português em São Paulo, nos tempos em que buscava minha dupla nacionalidade. É verdade que, hoje, o Consulado português em São Paulo está muito mais amigável e organizado do que naqueles tempos (lá por 2.002). Mas parece que o Consulado brasileiro do Porto terá de aguardar mais algumas décadas até civilizar-se.
Resolvemos, para salvar nossa ida ao Porto, ir até aos consulados de EUA e Canadá. Como queremos ir a esses países no final do ano para visitar os filhos, precisamos saber como obter visto para a Baixinha em seu passaporte brasileiro.
Eu anotara, nos sites da Internet das embaixadas desses países, os endereços dos respectivos consulados no Porto.
O do Canadá constava ficar no hotel Meridien, na Av. Boa Vista, 1.466. Quando lá chegámos, constatámos tratar-se do Hotel Tiara, no qual já ficámos algumas vezes (eles aceitam cães). O porteiro nos informou que o consulado jamais funcionou lá (penso que, ao menos, desde que o hotel passou a ser o Tiara). Mais: não há mais consulado do Canadá no Porto.
Partimos para o consulado dos EUA: av. Boa Vista, 3.523. O porteiro que nos atendeu no edifício comercial com esse número nos sugeriu que fizéssemos uma reclamação junto à embaixada dos EUA:
- Quase todo dia vêm cá pessoas à procura do consulado americano, orientadas pelo endereço que consta na Internet. Acontece que o consulado já não é aqui há mais de dez anos.
E, agora, onde fica o consulado?
- Já não há consulado dos EUA cá no Porto.
Vou acabar por concluir que embaixadas e consulados têm por função evitar que pessoas de outras plagas consigam aproximar-se dos territórios dos países que representam.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Jeitinho brasileiro
Quase toda a gente sabe que o Brasil pratica os juros mais altos do mundo.
Portanto, quando alguém é forçado pelas circunstâncias a utilizar-se de empréstimos bancários já pode esperar por dias difíceis pela frente.
Mas os brasileiros são dados a jeitinhos. E descobrem mil maneiras de amenizar seus infortúnios.
Aí vai um exemplo:
Lá pela década de 70 comprei um terreno em Cotia, arredores de São Paulo. Por muitas e variadas razões, o loteamento em que fica o dito cujo terreno desvalorizou-se. Como se diz no Brasil: micou.
Há uns dois anos, comecei a tentar vendê-lo. Nada. O terreno foi avaliado em 30 mil reais (uns 12 mil euros) mas ninguém se prontificava a pagar qualquer coisa semelhante para ficar com ele.
Até que no início de 2.011 lá se foi o terreno, vendido a alguém que acabou por pagar uns 34 ou 35 mil reais. Algo assim.
Quando eu já me aprontava para mudar de mala e cuia para Portugal, chegou-me o imposto anual que se deve pagar por imóveis (IPTU). Tratei de ir a Cotia para mostrar à Prefeitura que já não era mais eu o proprietário. Para fazer prova disso, passei pelo Registro de Imóveis e tirei uma Certidão. Nela constava todo o histórico de transações referentes ao terreno.
Soube, então, que o terreno que eu vendera em Janeiro fora, logo a seguir, em Fevereiro, vendido a outra pessoa. Por 150 mil reais.
Moral (?) da história: o cidadão precisa de dinheiro. Por exemplo, para tocar seu negócio. O empréstimo para aquisição de imóveis é muito mais camarada do que um empréstimo para capital de giro ou outra coisa qualquer. Evidentemente com a conivência do gerente da instituição financeira (que leva algum troco), faz-se a venda do terreno por um valor irreal, levanta-se um empréstimo no banco para esse fim e usa-se a maior parte dele para outra finalidade.
Convenhamos que é bem bolado.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Meus três espantos
A revista Sábado desta semana conta o seguinte:
Tão acusada é a Igreja Ortodoxa Russa de riqueza e ostentação que levou ao extremo os esforços para disfarçar os seus luxos. (...) Esta semana, a Igreja admitiu ter usado o programa de tratamento de imagem Photoshop para apagar um relógio Breguet de dezenas de milhões de euros usado pelo patriarca Kirill durante uma reunião em 2009 com o ministro da Justiça. A manobra só foi detectada quase ao fim de três anos porque um bloguista descobriu na fotografia tratada que se tinham esquecido de apagar o reflexo da mão do patriarca no tampo de vidro da mesa. Nesse reflexo, o Breguet estava no pulso. (...)
Primeiro espanto: relógio de dezenas de milhões de euros?!
Segundo espanto: o tal patriarca perdeu completamente o pudor?!
Terceiro espanto (e o maior de todos): o medo da morte é assim tão terrível que torna milhões e milhões de pessoas reféns desses escroques travestidos de sacerdotes?!
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Bandido sim! Bicha jamais!
O cangaceiro Lampião, figura famosa na história brasileira da primeira metade do século passado, que aprontou poucas e boas pelo interior do Brasil, é apresentado como homossexual na obra Lampião o Mata Sete, de Pedro de Morais.

O juiz de Direito Aldo de Albuquerque Mello, da 7ª vara Cível de Aracaju/SE, proibiu que o livro fosse lançado. A obra sustenta a história de que o conhecido "rei do cangaço", Virgulino Ferreira da Silva, em razão de sua incapacidade de erecção, resultado do esfacelamento do saco escrotal por uma bala, mantinha um triângulo amoroso com Maria Bonita e o cangaceiro Luís Pedro.
A mim, o que surpreende - mas nem tanto - é dar-se importância ao ser ou não ser paneleiro/boiola do bandido. A opção sexual do cangaceiro não deve ter modificado em nada o sofrimento de suas vítimas.
Lá pelo final da década de 50, o jornal A Tribuna, de Santos, publicou uma série de relatos de um cangaceiro sobrevivente. Eu lia aqueles textos com a avidez compreensível em um garoto em início de adolescência. Uma das historietas de que nunca me esqueci:
Em várias fazendas, o bando de Lampião, depois de matar, de roubar o que podia, de estuprar as mulheres etc etc, deixava apenas o chefe da família em uma sala, nu, com a bolsa escrotal pregada em uma mesa por dois pregos cuidadosamente pregados para só atingirem as peles. A seu lado deixavam uma faca afiada. E partiam.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
O maravilhoso Livro Amarelo
Essa minha natureza dócil ainda acaba comigo!
Não faz muito, escrevi o post abaixo, disposto a divergir, a terçar lanças com algum rival.
E já me vejo a escrever um post de... elogio.
Acontece que, antes de vir morar em Portugal, tanto eu quanto a Baixinha tínhamos telemóveis pré-pagos.
Em Agosto do ano passado, ao aportar definitivamente em Bragança, fomos a uma loja tmn para converter nossos telemóveis em pós-pagos. Lembrámos, então, ao atendente, que nossos telemóveis tinham créditos. Como seriam aproveitados esses créditos?
- Ora, meu senhor. Serão abatidos na(s) próxima(s) factura(s).
Muito bem.
Ao chegar a primeira factura, surpresa (nem tanto...): nada de créditos.
Lá fomos nós à mesma loja tmn (são agora chamadas de blue stores. Parece que a língua portuguesa está a tornar-se, a cada dia, mais insuficiente.).
Isso já se deu em Setembro do ano da graça de 2.011. Fizeram-nos assinar duas cartas nas quais reclamávamos o reconhecimento dos tais créditos. Meu telemóvel tinha poucos: algo em torno de 15 euros. O da Baixinha era o feliz possuidor de algo em torno de 60 euros, em créditos. Esses créditos, com seus exactos valores, constavam do sistema informático da loja.
O tempo passou e nada.
Voltámos umas 2 ou 3 vezes à mesma loja. Sempre nos diziam que era preciso aguardar.
Foi o que fizemos. Até Março deste ano.
Ao comentar o caso com uma amiga bem mais calejada de vida portuguesa, ficámos a saber:
As lojas têm a obrigação de manter Livros Amarelos (Complaint Books) à disposição de seus clientes. Feita, por escrito, uma reclamação, via Livro Amarelo, a dita cuja reclamação vai directamente para o órgão regulador da actividade correspondente. Isso não é muito divulgado.
Voltámos à mesma loja. Comecei por expor o caso à atendente e, ao ser informado de que nada constava do sistema informático da tmn, concluí por afirmar que pensava só existir uma última medida cabível: dar queixa de furto à polícia.
A atendente nem piscou. Achou tudo aquilo mero desabafo de utente insatisfeito.
Foi quando a fantástica Baixinha lembrou-se do Livro Amarelo. Só errou porque pediu o Livro Vermelho. Mas foi compreendida de pronto.
A atendente sumiu. Voltou pouco depois com a gerente. Gerente que já carregava o Livro Amarelo (que, de facto, tinha capa vermelha...). Sentimos que havíamos acertado um certeiro golpe no fígado da tmn, para usar uma metáfora do boxe.
Mas, feita a reclamação, por escrito, voltámos para casa com poucas esperanças de ter realizado algum progresso.
Dois dias depois, telefonema. Primeiro para mim.
- É da tmn. Quantos eram os créditos que o senhor tinha?
- Não me lembro, exactamente. Era algo em torno de 15 euros.
- Pois vamos creditá-lo em 15 euros.
Em seguida, telefonema para a Baixinha:
- Algo em torno de 60 a 70 euros? Pois vamos creditá-la em 60 euros.
Não é fantástico, esse Livro?
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Viva a polêmica!
O blogueiro brasileiro Reinaldo Azevedo costuma polemizar com seus adversários por meio do que ele chama "vermelho e azul" (veja um exemplo aqui): ele vai citando fatias do texto do adversário, letras em vermelho, e comentando fatia por fatia, em azul.
Vermelho atribuído ao adversário deve ser decorrência da ojeriza que nutre por comunistas, petistas e outros clubes do gênero. Ojeriza de resto compreensível para quem, na adolescência, deixou-se encantar pela IV Internacional.
O azul reservado a seus próprios comentários deve ser homenagem a algum riacho lá de sua terra de origem: Dois Córregos.
Pois bem. Quero tornar-me também um blogueiro polêmico. Afinal, Reinaldo Azevedo, com seu combate a tantos moinhos de vento da cena política brasileira, consegue que seu blog seja lido por milhares de pessoas todos os dias. Já o meu blog se assemelha àquelas cidadecas de interior: até que por lá passam alguns viajantes. Mas sempre em busca de outras paragens.
Como não tenho a sutileza, elegância e finesse do blogueiro da revista Veja, o vermelho-e-azul dele, aqui, passará a ser o castanho-e-verde.
Os adversários em castanho para não restar dúvida de que só escrevem merda.
Meus comentários em verde, homenagem à bílis que me dá energia para escrevê-los.
Vou começar a procurar adversários.
sábado, 7 de abril de 2012
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Salpicões e chouriças
Ainda me surpreende a enxurrada de crenças que amigos e conhecidos meus carregam vida afora.
Uns se agarram a salvadores, como aquele de Nazaré, por exemplo. Outros, menos exigentes, se satisfazem com Chico Xavier, Kardec, curandeiros e vigaristas de todo quilate. Pra não falar nos que se entregam à sanha arrecadadora das Universais, Mundiais etc etc.
E há os crentes nas salvações vindas do reino da política. Se já não é mais elegante glorificar Stalin, Lenin, Trotsky etc etc (mas ainda há muitos que o fazem), agarram-se aos que não tiveram tempo e oportunidade de mostrar a que vieram: Rosa Luxemburgo, Karl Liebknecht e outros anjinhos enterrados em caixões brancos.
Minha vinda para o nordeste trasmontano teve o mérito - mais um! - de me afastar desse mundo de crenças as mais variadas. Convivo com elas, agora, apenas por meio da internet.
Ora, dirá alguém. Trás-os-Montes é terra profundamente católica.
Sim e não, digo eu.
Aqui, de facto toda aldeia tem seu santo de estimação, respeitam-se as festas dos santos. Mas atenção! Tudo isso se efectua no mesmo diapasão das matanças, do cuidado com o fumeiro, da feitura das chouriças e dos salpicões e das alheiras, da caça ao javali e da pesca à truta.
É parte da tradição que pontua a passagem do tempo e lhe confere densidade. É parte de uma liturgia do real.
Para o trasmontano, o Além é o logo ali, depois daquele monte.
domingo, 1 de abril de 2012
Apesar da seca...
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