terça-feira, 3 de agosto de 2010
Fragmentos de um discurso escatológico - 2
Em 1.968, recém formado em Engenharia, mas estudando para o vestibular de Filosofia, na USP, fui morar no centro do movimento estudantil daquela época: a R. Maria Antonia, em São Paulo. Ainda lá funcionava a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo.
Ao prestar vestibular, conheci o Eliandro, um rapaz que havia abandonado o ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), considerado uma das três melhores escolas de engenharia do país (as três eram: POLI-USP, onde me formei, o ITA e o IME - Instituto Militar de Engenharia, no Rio de Janeiro). Era um excelente aluno no ITA, o Eliandro, mas abandonara a escola por considerá-la uma fábrica de loucos. E, como eu, resolvera fazer Filosofia na USP. Procurava um lugar para morar. Claro, convidei-o a dividir comigo o apartamento que acabara de alugar. A família dele era de Vitória, no Espírito Santo.
Graças a ele, recebíamos, nos finais de semana, a visita de vários alunos do ITA. Alguns deles tinham um hábito digno de nota. Vamos a ele:
É preciso começar por lembrar que, naquela época, (quase) todo mundo fumava. Logo, (quase) todo mundo carregava consigo um isqueiro.
Não sei o que o pessoal comia lá no ITA. O fato é que a turma peidava com uma freqüência assustadora.
Para eliminar os terríveis odores resultantes da reiterada prática, usavam o isqueiro. Bastava o indivíduo querer peidar, sacava o isqueiro, colocava-o próximo ao próprio rabo, e - ao eliminar os gases - acionava o isqueiro.
Dois eram os resultados benéficos:
1. Eliminavam-se os maus odores;
2. Provocavam-se chamas de beleza às vezes surpreendente.
Caso você ainda guarde aquele velho isqueiro, experimente.
Fragmentos de um discurso escatológico
Não sou o Barthes, mas lanço meus fragmentos.
Quando você começar a sair com aquela pessoa, não espere demais: as soon as possible, coloque a questão:
- A gente pode peidar sem problema?
Talvez a pessoa fique um tanto desconcertada. Talvez até proteste pela sua falta de romantismo.
Deixe claro:
- Meu bem, se pergunto isso é porque pretendo uma relação duradoura. E - você há de convir - não há relação duradoura sem flatulência liberada.
Pronto. Ganhou a parada.
E nunca mais use flatulência. É peido, mesmo. Se quiser ser um tanto erudito(a), prefira peidorrada.
É vernáculo.
Ah! E nada de xixi, cocô, bumbum, pum etc etc (etc pode).
Isso é linguagem de criança. Você está iniciando uma relação adulta.
Portanto, mije, cague, peide. De preferência pela bunda. Ou, como dizem os portugueses, usuários da (pen)última flor do Lácio há muito mais tempo, pelo cu.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
sábado, 24 de julho de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
De casamentos, educação e sangue de galinha
Hoje a Folha de S.Paulo traz várias matérias um tanto curiosas, como a que apresenta o resultado de pesquisa que demonstrou: a religião das pessoas (ou a ausência dela) não influencia a decisão pelo dissolução do casamento. Católicos, evangélicos, neo-pentecostais etc etc apresentam percentuais semelhantes de separações.
Isso no Brasil.
Aliás, ainda sobre o Brasil, há a estarrecedora constatação de que dos 135,8 milhões de eleitores, nada menos que 8 milhões são analfabetos e 19 milhões declararam saber ler e escrever mas nunca freqüentaram escolas. No total, 27 milhões.
Mas a matéria que mais atraiu minha atenção foi - de longe - a que noticia o fim do frango ao molho pardo nos restaurantes de São Paulo.
Tudo por que não se consegue facilmente o sangue de galinha para preparar o molho.
Bons tempos, aqueles em que minha mãe comprava a galinha na feira de terça, deixava a inocente solta no quintal até domingo. Aí, ao voltar da Escola Dominical para casa, para o almoço, minha cândida mamãezinha armava-se de uma faca afiada e de um prato fundo, ia pro quintal, segurava a vítima, esticava-lhe o pescoço um tanto, raspava as penas do dito cujo e - com ar banal - cortava o pescoço da protagonista do almoço, devagar.
Não fosse o sangue escapar do prato colocado logo ali embaixo.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Uma Eurocidade?
Na última vez em que estive em Bragança, assisti a um programa na TV Galícia a respeito das relações entre os povos fronteiriços nas regiões norte de Portugal e sul da Galícia. As inúmeras entrevistas apresentadas deixavam claro que o intercâmbio era saudável para ambos os lados da fronteira.
Vejo agora, no Diário de Trás-os-Montes, matéria a respeito do projeto de Eurocidade aproximando ainda mais Chaves de Verin.
Há algum tempo, estive em Chaves e visitei um quase parente que tem lá duas pastelarias. Ele me contou que os flavienses vão a Verin com muita freqüência e a propósito de um quase tudo.
Sobre Verin quase nada sei dizer. Lembro que nos idos de 2.000, quando fui à aldeia de Passos pela segunda vez, proveniente de Santiago de Compostela, ouvi de meu primo Alípio a pergunta:
- Viestes por Vrin?
Como não percebi que Vrin era o mesmo que Verin, respondi que não.
- Então por onde viestes?!
Sim. Havíamos chegado a Passos por Verin.
Pra quem não conhece a região, aí vão dois mapinhas:
Tomara a ideia frutifique.
Ao menos é o que desejo, eu, que vou morar a 15 km da Galícia.
sábado, 10 de julho de 2010
Ambiente do futebol brasileiro
Algumas pessoas ficaram chocadas ao saber que o goleiro Bruno conheceu Eliza Samudio em uma orgia. Mais: segundo ele, orgias são comuns no meio freqüentado por jogadores de futebol.
Ao dizer isso, Bruno apenas confirmou algo que muita gente sabe mas a imprensa prefere minimizar para não atrapalhar os negócios que o futebol proporciona.
Já lá em meados da década de 80, fui trabalhar no Banco Multiplic, na área de Sistemas. Um novo diretor de informática montara uma equipe nova e me contratou para fazer parte dela.
O pessoal dessa nova equipe incluía gente mineira, de Belzonte, alguns cariocas e muitos paulistas.
Como parte do processo de integração, resolvemos marcar uns jogos semanais de futebol society, logo após o expediente. Eu sempre fui um jogador medíocre mas dava conta do recado nessas peladas, desde os tempos de futebol de praia, em Santos.
Por isso mesmo, fiquei surpreso ao constatar a dificuldade de me sair bem no primeiro jogo com meus novos colegas de trabalho. Ao final da partida, como costuma acontecer nesses eventos, fomos todos tomar cerveja no bar do clube. Fiquei então sabendo que vários de meus colegas tinham passagem por grandes clubes de São Paulo e Rio de Janeiro. Todos na época do futebol juvenil. Um tinha jogado no São Paulo, dois outros no Flamengo. Isso explicava minha dificuldade durante o jogo. Estava diante de jogadores acima da média.
Todos contaram que tiveram propostas para profissionalização e - todos - não aceitaram e foram seguir suas vidas na área de informática.
Motivo alegado por todos: o ambiente no mundo do futebol é de banditismo puro.
Nesses mais de 25 anos, de lá para cá, claro que muita coisa mudou. Por exemplo, o surgimento, em grande número, dos Atletas de Cristo. Até onde sei, os jogadores evangélicos só se entregam a orgias espirituais.
Mas a baixaria continua a ser predominante.
O pior, a meu ver, é que esse ambiente podre fornece à juventude brasileira os seus ídolos.
Bola pra frente.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Melhor momento da Copa
Pra mim, o melhor momento dessa Copa foi protagonizado pelo técnico da Alemanha.
Sob a mira das câmeras, ele enfiou o dedo no nariz, cavucou bem, retirou um fragmento, enrolou-o com os dedos e... engoliu a bolinha resultante.
Como diria minha caçula:
- Eca!
Isso diz (quase) tudo sobre esse mundo do futebol.
O quase vai por conta do que ocorre cá no Brasil em torno do goleiro do Flamengo.
Até quando os heróis da humanidade serão esses seres que pensam com os pés?
sábado, 3 de julho de 2010
Ainda sobre a Copa
Minha relação com a propaganda foi sempre conflituosa. Ainda criança, lá pelos nove ou dez anos talvez, perguntei a minha mãe por que a mercearia da esquina (Mercearia Carioca, esquina de Oswaldo Cruz com Epitácio Pessoa, em Santos) só vendia manteiga de 1ª qualidade.
Naquele tempo (não sei se ainda é assim) todas as embalagens de manteiga vinham com essa inscrição: Manteiga de Primeira Qualidade. E eu, ainda engatinhando nos mistérios do marketing, achava que se tratava de uma classificação.
Depois de alguns aninhos, cheguei à óbvia conclusão: a propaganda é a arte de embelezar a mentira.

Durante esta Copa, as TVs e as rádios foram inundadas por mensagens dos patrocinadores do Brasil. Ou melhor, dos patrocinadores da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Sim, porque essa reunião de jogadores para disputar esse torneio chamado Copa do Mundo não é a seleção brasileira. É a seleção da CBF.
E a CBF é aquele bicho híbrido, que sempre ao ser questionado por malversação de recursos alega tratar-se de entidade de direito privado que não deve satisfações a ninguém. E, quando resolve disputar qualquer torneio, passa a ser a representante da pátria.
Mas voltemos à vaca fria.
Tivemos de engolir, durante quase um mês, exaltações ao espírito guerreiro do brasileiro que bebe Brahma ou Coca-Cola.
Nos comerciais dessas empresas, o Brasil era invencível, insuperável etc etc.
Pois bem. Mal terminou o jogo com a Holanda e surgiram comerciais, tanto da Brahma quanto da Coca-Cola, lamentando a derrota.
Estavam já gravados com antecedência.
Afinal, patriotismo é mercadoria a ser vendida aos trouxas.
Brahma e Coca-Cola - assim como todos os outros patrocinadores da CBF - querem mais é levar a turma no bico e faturar.
São todos manteiga de 1ª qualidade.
Atualização: Pouco depois de publicar este post, li no Kibe Loco que o caderno Copa, da Folha de S.Paulo, de 29/06/2010, dia seguinte ao da vitória do Brasil sobre o Chile, publicou - por engano - a versão-em-caso-de-derrota do anúncio do Extra, outro patrocinador da CBF.
Fui conferir. Foi isso mesmo. Olha aí:
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Curiosidade
Eu só queria saber o que foi que o tal de Dunga falou para os jogadores do Brasil durante o intervalo do jogo.
O que se viu foi o time brasileiro dominando o jogo no primeiro tempo, tendo quase decidido tudo já nesse início. E, depois, ao voltar para o segundo tempo, mostrar-se um time nervoso, histérico mesmo, e sucumbir diante da inteligência do adversário.
Só recomendo aos diretores de empresas que pensem duas ou três vezes antes de contratar o Dunga para palestras motivacionais com seus empregados.
Ao menos vamos mudar de assunto, tanto aqui no Brasil quanto em Portugal.
Até que enfim.
domingo, 27 de junho de 2010
O prato frio da vingança
Em 1.966 a Copa do Mundo de futebol foi na Inglaterra. O Brasil teve uma participação pífia e foi eliminado pelo time português de Eusébio. Eu, aos 21 anos, ainda ficava chateado com essas coisas.
Na final, Alemanha e Inglaterra disputaram o primeiro lugar de modo muito equilibrado. Por fim, a Inglaterra mandou uma bola no travessão do gol alemão, a bola caprichosamente bateu no travessão, bateu no chão - em cima da linha do gol (o que, pelas regras do futebol, não configura gol) - e o juiz deu gol para a Inglaterra. Com isso a Inglaterra foi campeã.
Hoje, 44 aninhos depois, a Inglaterra foi eliminada da Copa pela Alemanha, depois de ter empatado o jogo ao final do primeiro tempo com um chute no travessão do gol alemão. A bola caprichosamente bateu no travessão, bateu no chão - 33 cm após a linha do gol - e o juiz não deu o gol para a Inglaterra. Com isso a Inglaterra foi eliminada da Copa.
Se eu ainda tivesse 21 anos, talvez passasse a acreditar em algum tipo de justiça cósmica.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Par ou ímpar
Quase todo mundo já sabe que a equipe da Costa do Marfim precisa golear a Coreia do Norte e esperar que Portugal perca para o Brasil para poder continuar na Copa.
Mas há algumas situações que trarão a necessidade de decidir qual dos dois - Portugal ou Costa do Marfim - continua na Copa por meio de sorteio.
Basta, por exemplo, que o Brasil vença Portugal por 3 a zero e que a Costa do Marfim consiga passar pela Coreia do Norte por 6 a zero.
Pronto. Tudo terá de ser decidido no par ou ímpar.
Classe A, nível Z
Caetano Veloso é que disse algo assim durante um programa de auditório transmitido pela TV, no qual ele foi vaiado:
- Não há coisa mais Z do que um público classe A.
Os moradores do apartamento acima do meu são um casal em torno dos sessenta anos. Ele é, ao que parece, dono de uma construtora ou coisa parecida.
Quando estavam reformando o apartamento, antes de mudarem para ele, deram de meter uma britadeira para tirar o piso da cozinha. Quase colocam a minha cozinha abaixo. Não fosse o zelador correr lá para que parassem com aquilo e não sobraria nenhum copo nos armários aqui de casa. Isso tudo por se tratar de alguém do ramo. Imagine se fosse um leigo.
Nos últimos tempos, deram de orientar a empregada a arrastar a cama do casal para facilitar a limpeza ou lá o que seja. Mas tiveram o bom senso de dizer a ela que fizesse isso sempre depois das 9 horas da manhã.
Pois ontem, pouco depois das 8, a moça resolveu adiantar o serviço e toca a arrastar a cama. A Baixinha, que passara mal durante a noite graças a um almoço fora de casa, resolveu pedir à portaria que solicitasse aos vizinhos que aguardassem as 9 horas para arrastar a cama.
Pra quê.
A vizinha virou fera e foi aos gritos admoestar o porteiro. Gritava coisas do tipo:
- Sou eu que lhe pago o salário!
- Só por causa de uma cama arrastada tenho de ser advertida. Justo eu, que tenho de aturar as brigas e a gritaria do casal do andar de baixo! (eu e a Baixinha)
- Cala a boca! (esse era o estribilho)
Tudo dito de modo discreto, claro, claro. Aqui do alto podia-se escutar tudo nitidamente. Os prédios vizinhos também tiveram a ventura de acompanhar os detalhes do discurso da Casa Grande contra a Senzala.
A Baixinha desculpou-se com o porteiro por tê-lo metido nessa enrascada e eu esperei que o marido da fera chegasse, à noite, para explicar a ele que apenas havíamos pedido que a limpeza fosse postergada por uma hora, já que a Baixinha não estava bem. Sem falar que isso significa simplesmente pedir que respeitem o regulamento do condomínio. Além disso, queria saber dele o que eram as tais “brigas e gritaria” nossas.
Ele desconversou e alegou que tudo que conversávamos no quarto, à noite, ele ouvia nitidamente. Deu como exemplo, uma discussão nossa, na noite anterior, “a respeito do cachorro”.
Evidente: não tinha havido nenhuma “discussão sobre o cachorro” nem naquela noite nem em nenhuma outra. Ele estava blefando.
Demos por encerrado o “caso” e fomos dormir.
Acordei, agora de manhã, com uma ideia:
Não fosse falsa a afirmação dele de que ouve nossas conversas, faria algo assim:
Lá pelas 11 e meia, meia-noite, diria em tom de voz que ele pudesse ouvir:
- Amorzinho, já pedi a você que não deixe seu olho de vidro neste copo. Costumo fazer gargarejo com ele e vou acabar engolindo seu olho por engano.
Ou então:
- Querida, não esvazie essa garrafa de vômito. Vou levá-la ao laboratório pela manhã.
Talvez meu vizinho passasse a usar uns tapa-ouvidos para dormir.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
De volta a São Paulo
O final das férias foi tumultuado. A casa de pernas pro ar, graças às mudanças que resolvemos promover.
No feriado que em Portugal é conhecido como "Corpo de Deus" e no Brasil, como todo mundo fala latim, é chamado de "Corpus Christi" deveríamos ter ido a Passos. Não houve energia para tanto.
Na sexta partimos para o Porto, para embarcar no sábado em direção ao Brasil.
Nesta terça-feira, 8 de junho, aniversário da Baixinha, almoçámos em um restaurante português no Tatuapé, o Bacalhoeiro. Simplesmente perfeito. É verdade que fica um bocadinho longe de minha casa. Demorámos pouco mais de uma hora para chegar lá, de carro, com pouco trânsito. Mas talvez isso seja um defeito meu, ou de minha casa, e não do restaurante.
Agora, bola pra frente. Aliás, durante o próximo mês não se vai falar de outra coisa: Copa do Mundo.
A todos, continuação.
domingo, 30 de maio de 2010
Salada de frutas
Portugal está em crise. Aí o primeiro ministro (aqui se escreve PM) Zezinho Sócrates vai ao Brasil e pede pra conversar com quem? Com Chico Buarque.
Talves ele quisesse ouvir aqueles versos:
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia.
Já o polêmico Diogo Mainard se queixa, na revista Veja, de que Caetano Velloso tenha se tornado colunista.
E eu, sem querer conversar com Chico ou com Caetano ou com Mainard, passei este sábado às voltas com o pessoal que veio instalar uma nova lareira aqui em casa, com o moço que veio instalar uma ducha higiênica na casa de banho etc etc.
No final das contas, sobrou-me o domingo, pra ir a Passos, visitar quem ainda não foi visitado.
E o sábado, que foi lindo nesta Bragança dos deuses, tornou-se prosaico pela contingência das reformas mas manteve sua dignidade ao fornecer temperatura amena, na faixa dos 22ºC.
E, pra vocês, continuação.
Continuação é dessas palavras que abreviam uma frase.
Começou-se, sabe deus quando, a dizer:
Continuação de bom ano
Continuação de bom final de semana
Continuação de boas férias
Continuação de boas festas
E por aí vai.
Tudo isso foi substituído – sinteticamente – por
CONTINUAÇÃO
É como nosso OBRIGADO, expressão igualmente sintética que correu mundo e transmudou-se em ARIGATÔ, em japonês (ao menos é o que dizem).
terça-feira, 25 de maio de 2010
Dora e Arnaldo
Pois bem. Hoje é o aniversário de minha prima Dora e anteontem foi o de seu marido Arnaldo, que nasceram e vivem em Passos de Lomba. São tão unidos que nasceram quase no mesmo dia (faltaria saber em que ano nasceu cada um. Isso fica pra lá)
Tiveram um filho, o José Carlos, que vive no Alentejo mas que vem ao Norte todos os anos para ajudar os pais na colheita das castanhas. O "meu Carlos", como sempre diz a Dora, é casado com Utília, mulher de cabeça feita, e têm uma filha de nome encantador: Sofia.
Só agora me dei conta de que tenho apenas fotos sofríveis dos dois.
Esta, abaixo, subtraí de uma foto mais ampla, de um almoço em casa de Zelinda, irmã de Dora.

E aqui está Dora, em roupa caprichada (apesar da pose de Vai encarar?, Dora é a pessoa mais doce que conheci em toda minha vida):

Por fim, o casal, também extraído de foto mais ampla. Ainda pego os dois de surpresa, para foto melhor (escondidinhos, estão Zelinda e seu marido, o incrível Alípio).
Maria Branca dos Santos
Semana passada, ao ler Visão, dei de cara com entrevista do ex-ministro das finanças de Portugal, Campos e Cunha (apesar do nome, ele é um só). Dizia ele que “o Estado vive há anos num esquema parecido com o da D. Branca”.
Fiquei na mesma.
Hoje, ao ler o Diário de Notícias, deparei-me com o texto de Pedro Tadeu: “Uma crise provocada por os grandes banqueiros e os seus amigos negociarem dinheiro de poupanças e investimentos como se fossem a versão premium da dona Branca.”
Alto lá!
Não sou um português tão ignorante assim. Já sei até quem foi o soldado Milhões!
Mas, afinal, quem terá sido dona Branca?!?
Percebo, então, que minha ignorância não tem fim.
Dona Branca já foi, até, protagonista de novela.
Prometo que vou estudar-lhe a vida até aos mínimos detalhes.
Vai que isso ajude Portugal a sair de seu atoleiro.
domingo, 23 de maio de 2010
Flores e Festa
As fotos a seguir eu as tirei em Bragança, sexta-feira, 21.
A primeira é tirada da praça da Sé. Vê-se ao fundo, no alto, o castelo de Bragança.

Esta outra realça as flores da praça, além da Baixinha e da Doga, recuperada depois de uns remédios chineses e algumas sessões de acupuntura.

Esse jardim é um dos muitos que embelezam a primavera bragançana. Fica a meio caminho entre o IPB (Instituto Politécnico de Bragança) e a Zona Industrial.

No sábado, fomos a Passos, para a festa de Nossa Senhora da Caridade. Lá pelo meio-dia há missa, seguida de procissão. Não vimos nada disso pois minha família é religiosa mas dá prioridade ao estômago, o que muito me agrada. Ficámos na casa da Zelinda (minha prima) e almoçámos leitão e cordeiro, mais batatas ao murro, legumes etc e tal.
Vejam só como a primavera, em Passos, não poupa nem as pedras à beira dos caminhos e as povoa de flores:


Consegui obter esta foto da Doga em desabalada carreira, o rabo empinado a denotar inequívoca felicidade. Contudo, maior é a minha, a ver a pequena a correr, livre.

O altar abaixo fica ao pé do café do Otávio Marcelo. Não sei se reverencia a Nossa Senhora da Caridade ou o quê.
Sou mais ignorante a respeito de símbolos católicos do que a candidata a presidente do Brasil, Dilma Roussef. Perguntada pelo jornalista (vá lá) Datena sobre suas convicções religiosas, em entrevista na TV, enrolou-se toda na referência a Nossa Senhora. O tal Datena, querendo ajudá-la, criou a Nossa Senhora de Forma Geral. Penso que esse altar poderia bem homenageá-la.

Próximo ao altar, preparava-se o carro de som para a festa da noite. A Doga apavorou-se com o alto volume do som e fugiu. Mostrou mais bom senso que a juventude atual, afundada em toneladas de decibéis.

De volta à casa da Zelinda, quis fotografar o burro pertencente a meu primo Alípio (cuidado lá com o que dizes, homem!). Ele estava à sombra e a foto não sairia lá essas coisas. Penso que ao perceber isso, aproximou-se de mim, colocando-se ao sol.
Lembrei-me da expressão Pôr o burro na sombra. Acabei por fazer o contrário.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Ainda Bruna Real
Fiz um post, ontem, sobre a professora de Mirandela que saiu na Playboy.
Pensei que a notícia passaria um tanto em branco: os assuntos do nordeste trasmontano não interessam aos portugueses das metrópoles.
Ledo engano. Hoje, ao ler as revistas que saíram ontem, constatei:
Os dois articulistas de que mais gosto, Ricardo Araújo Pereira (revista Visão) e Alberto Gonçalves (revista Sábado) não conseguiram escapar dos encantos da docente.
É certo que Alberto Gonçalves, além de meu xará (Renato é apenas um pseudônimo), parece ser morador de Bragança. Mas é inegável a atração que o evento provoca em qualquer um que tenha freqüentado os bancos escolares.
Voltei a meus tempos de Colégio Marçal, em Santos. Fiz lá os 3º e 4º anos do curso primário. No 3º, tinha eu meus 9 anos, a professora acabara de ter filho ou estava grávida, não me lembro ao certo. Tinha jeito de mãezona e não me inspirava fantasias sexuais. Ao chegar ao 4º ano, fui entregue aos cuidados da irmã da primeira professora.
Dona Cidinha.
Encantadora.
Preencheu meus dez anos de idade com fantasias incríveis.
Não consigo, simplesmente não consigo, imaginar o que seria de mim se tivesse acesso, na época, a fotos de dona Cidinha inteiramente nua.
Teria eu sobrevivido?
quinta-feira, 20 de maio de 2010
É fogo!
A fogosa cidadã - Bruna Real - de cuja excelência vai aí uma amostra era professora em uma freguesia de Mirandela, cidade próxima aqui de Bragança. Professora de Expressão Musical, diga-se.

Deixou-se fotografar pela Playboy e causou previsível alvoroço.
Agora pretende voltar às aulas, pois foi transferida para o Arquivo Municipal em função de sua aparição na revista masculina.
Se conseguir seu intento, penso que o Arquivo Municipal verá o número de seus freqüentadores sensivelmente diminuído. O interesse pela pesquisa deve ter aumentado muito em Mirandela desde sua transferência para o Arquivo.
O que mais me chamou a atenção, logo após a exuberância da mestra, claro, claro, foi o nome da freguesia na qual ela ministrava suas aulas: Torre de Dona Chama.
Os alunos, por certo, viviam a pegar fogo.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
É primavera
domingo, 16 de maio de 2010
Dia de sol, festa de luz
Não. Não se trata de O Barquinho, de Menescal e Bôscoli.
É do domingo em Bragança.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
7 de abril de 2.011
Então. Depois de fazer as contas concluí: meu último dia de trabalho será o dia 7 de abril do ano que vem.
Essa história vem de longe. Aos 15 anos de idade consegui meu primeiro aluno particular de matemática. Ele era aluno de minha mãe no Colégio Canadá, em Santos. Terceira série do Ginásio. Quanto a mim, cursava o primeiro Científico.
O pai do garoto procurou minha mãe pra pedir aulas particulares. Minha mãe não podia dar aulas particulares a seu próprio aluno no Colégio. Sugeriu que eu desse as aulas. Engraçado, isso. Hoje em dia dirão que isso era errado. Eu, filho da professora, dando aulas pro aluno dela?! Naquela época, isso soava normal. Ninguém imaginaria qualquer irregularidade. Simples: o normal era que as pessoas fossem honestas. E minha mãe era. O pai do garoto também. Jamais me passou pela cabeça perguntar a ela o que cairia em uma prova que meu aluno faria. E se eu perguntasse, nem sei o castigo que receberia.
Mas isso foi no tempo em que os animais falavam e as pessoas eram – em regra – honestas.
Meu aluno era filho de um cidadão aposentado, de nível elevado. Não me lembro qual era sua profissão. Desembargador? Médico? Acho que era médico legista. Sei lá. Esqueci.Vivia só, com o filho, em um apartamento na Epitácio Pessoa, Santos, rua paralela à praia, uma quadra de distância do oceano. Era obcecado pelo temor de que sua ex-mulher viesse seqüestrar o filho. Só saía sozinho de casa quando eu chegava para a aula. Recomendava que eu não abrisse a porta do apartamento para ninguém. Aproveitava, então, para dar umas voltinhas enquanto eu servia de cão de guarda e de professor de matemática.
Comecei minha primeira aula, como não poderia deixar de ser, tremendo como vara verde (era como se dizia naquele tempo). Poucos minutos depois de ter começado a aula, o pai – que naquele primeiro dia ainda não se aventurara a sair pra passear – veio me perguntar se podia gravar a aula. Podia, claro. Só não disse a ele o que isso significava para meu sistema nervoso.
Aos poucos, constatei que meu aluno não precisava de aulas particulares. Era excelente aluno. Penso que era o pai que necessitava de um guardião que lhe desse uma hora de folga durante três dias da semana. Cumpri meu papel. Ganhei meus primeiros trocados.
Ao começar a cursar a Escola Politécnica, já órfão de pai, já em São Paulo, já com 18 anos, percebi que viver às custas de minha irmã – que passara a bancar a família – não era lá coisa tão respeitável. Tinha de fazer o que sabia: dar aulas particulares de matemática. Fiz isso ao longo de todo o curso de engenharia. Pelo menos, já não pesava tanto na contabilidade da mana. No último ano, consegui uma promoção: comecei a dar aulas em cursinho para vestibulares.
Fiquei algum tempo nisso. Até querer casar e procurar emprego mais aceitável pelos pais da namorada. Um estagiozinho na Light e pronto: desemboquei no Instituto de Matemática da USP, recém constituído.
Preso, perdi a condição de acadêmico. Virei subversivo recolhido à prisão.
Voltei à USP depois de solto, em condicional.
Por querer ter filhos, resolvi correr pra iniciativa privada, onde se ganhava mais.
Lá fiquei quase 20 anos.
Fui bem sucedido. Tive meus altos e baixos, como quase todo mundo.
Por me perceber sem vocação para empresário, o que seria a evolução natural, refugiei-me no serviço público.
Chego ao final. Que – pra mim – é um início.
Jamais vou me esquecer do dia em que saí de uma aula particular ali perto do Parque do Ibirapuera. Tinha ainda 18 anos. Dirigia o Fusquinha de minha mãe de volta pra casa quando tive o insight. Por ironia, em frente à Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo:
Vou ter de trabalhar a vida toda se quiser comer.
Senti um calafrio percorrer minha espinha.
Fiz exatamente isso durante 50 anos, mais ou menos.
Houve momentos, quando trabalhava na Promon Engenharia, por exemplo, em que levantava de minha mesa, me refugiava no banheiro e chorava violentamente até descarregar toda minha frustração.
Mas, de choro em choro, de riso em riso, criei três filhos maravilhosos e quase transformo esse post em texto de auto-ajuda.
Vou pra Portugal perder meu lugar.
Perder meu lugar e ganhar uma vida sem trabalho, na mais pura vagabundagem.
Falta pouco.
domingo, 2 de maio de 2010
Joia rara
Há muito esperava a publicação do livro sobre Passos, de meu primo Orlando.
Imaginava eu que seria um detalhamento dos parentescos dos habitantes de nossa aldeia.
Acabo de ler o livro finalmente publicado.
É bem mais do que eu imaginava.
Orlando descreve a Passos dos anos trinta do século passado, período em que ele - nascido no Brasil - lá viveu. É incrível que ele, mesmo sendo criança de menos de 8 anos na época, lembre de tantos detalhes da vida aldeã.
Nos últimos capítulos, enumera as alterações que foi constatando em suas viagens posteriores à Zona da Lomba.
O livro acaba por ser uma fotografia fantástica de um Portugal afastado dos roteiros turísticos.

P.S.: Vou perguntar a ele como se deve fazer para adquirir o livro. Explico depois.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Arca de Noé

Quem procura acha. No caso, acha que achou.
O Diário de Notícias relata, hoje, que exploradores (ops!) evangélicos chineses encontraram a Arca de Noé.
Mais uma.
Um tal de O Pesquisador Cristão relata vários outras descobertas do gênero.
Se pudéssemos juntar todos os pedaços da Arca de Noé presumivelmente encontrados, seria possível construir dezenas delas.
É mais ou menos o que acontece com a cruz de Cristo ou com pedaços do Santo Sudário ou com pregos da cruz. Com as relíquias de modo geral.

segunda-feira, 26 de abril de 2010
Notas clericais
Agora vai!
O problema da pedofilia na ICAR chegou ao bolso. Agora o vice-deus vai ter de agir.
Piada pronta
Um padre siciliano criou, há 14 anos, uma associação para combater a pedofilia. O Papa elogiou o trabalho da tal associação.
O nome da associação: Associação Meter.
domingo, 25 de abril de 2010
Dos cravos ao crivo
No dia em que Portugal comemora mais um aniversário da Revolução dos Cravos chega também a hora de passar pelo crivo da União Europeia.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
O fim do mundo
Em 1.974, fiz uma aposta com um colega de trabalho:
Ele garantia que o mundo iria acabar em 20 anos.
Quanto a mim, já era de opinião que o mundo acaba quando eu morrer. E, naquela época, não planejava morrer nos 20 anos seguintes. Aliás, continuo assim.
Quando chegamos a 1.994 pensei em procurar o antigo colega mas não consegui reunir entusiasmo suficiente para isso.
Esse colega era (ou é, sei lá) estudioso de textos apocalípticos. Pertencia a uma denominação evangélica com nome pouco expressivo (Igreja Cristã ou algo assim), bem ao contrário das seitas neopentecostais dos dias de hoje: Igreja Universal, Igreja Mundial, Igreja Planetária, Igreja da Via Láctea etc etc.
Lembrei-me dele a propósito desse vulcão da Islândia que já começa por situar-se em geleira com nome impronunciável.
Fui ao Apocalipse e encontrei:
Apocalipse 9:2 – E abriu o poço do abismo, e subiu fumaça do poço, como a fumaça de uma grande fornalha; e com a fumaça do poço escureceram-se o sol e o ar.
Bingo!
Não sei (na verdade, não tive paciência para me informar) a quantos anos do final dos tempos está essa fumaça. Mas, no versículo seguinte pode-se ler:
Apocalipse 9:3 – Da fumaça saíram gafanhotos sobre a terra; e foi-lhes dado poder, como o que têm os escorpiões da terra.
É fácil imaginar a quantidade quase infinita de interpretações as mais malucas pra essa história dos gafanhotos. Afinal, a turma da Teologia anda meio sem ter o que fazer já faz um bom tempo.
Gostei mais desta, veja só:
Outros pensam tratar-se de algum papa ou bispo, ou mesmo de algum concílio eclesiástico que contribuiu para “obscurecer as doutrinas cristãs” ou “distorcer as escrituras” [Russel Norman Champlin in O Novo Testamento Interpretado, vol 6]
Considerando a seqüência de besteiras que o Vaticano vem perpetrando, acho que os que bolaram essa interpretação acertaram na mosca.
Ou no gafanhoto.
Capivara no rio Pinheiros
Ora, as leis
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Progressos
Em relação a Portugal, não posso ainda afirmar que esteja a progredir em meus conhecimentos. Estou, isto sim, na fase de tomada de consciência de minha ignorância, o que é um bocadinho diferente.
Minha última descoberta vem a propósito das comemorações do centenário da República: a existência do Soldado Milhões.

Gostei imenso de saber que o nome dele era, na verdade, Aníbal Augusto Milhais. Mas a saudação que lhe teria feito um comandante português ampliou a série de trocadilhos patrióticos. Teria dito o emocionado comandante:
- Tu és Milhais mas vales Milhões!
Só não percebi se foi o Milhões que salvou das águas o tal médico escocês ou se foi o contrário.
O relato da Novopress afirma:
Quatro dias depois da batalha, encontrou um médico escocês que o salvou de morrer afogado num pântano.
Já a Wikipédia inverte:
Quatro dias depois do início da batalha, encontrou um médico escocês, salvando-o de morrer afogado num pântano.
Quanto a mim, prefiro a primeira versão por uma razão muito simples: empatia.
Explico: eu – tal qual o soldado Milhões - costumo ser salvo das águas por um escocês de, no mínimo, 12 anos.
On the rocks.
domingo, 18 de abril de 2010
Copa do Mundo de Futebol
Dia desses, um empresário que conheço me disse que iria participar de um seminário sobre temas de sua área de atuação. Local do encontro: Cidade do Cabo, África do Sul.
Disse mais: que foi aconselhado a não sair nunca do hotel em que ficaria hospedado e onde se daria o evento. Isso graças ao hábito dos assaltantes da Cidade do Cabo de estuprar suas vítimas, além de aliviá-las de seus pertences. Passou então pela minha cabeça a ideia de que o nome da cidade poderia resultar de um trocadilho infame, caso a língua nativa fosse o português.

Depois de seu retorno, contou-me:
Certo dia, por ter se prolongado até o meio da tarde a reunião da manhã, resolveu – junto com outros participantes do seminário – sair do hotel para comer alguma coisa nas proximidades. Por estarem em grupo, nada de anormal (para eles) aconteceu.
Quando regressavam ao hotel, em torno das seis da tarde, notaram que todas as lojas já estavam fechadas e com barricadas em frente a elas.
Agora que já contei, podem ir assistir à Copa do Mundo sossegadinhos.
Boa sorte.
Que lobby é esse?
Li, ontem, que o ex-cirurgião plástico Farah foi solto menos de dois anos depois de ter sido condenado a 13 anos de prisão pelo assassinato e esquartejamento da amante.
Eu disse es-quar-te-ja-men-to.
Não sei se ele realmente fez isso ou não. Sei que ele foi condenado por isso.
Por que só menos de dois anos de prisão?
Diga-se que esse tempo é grande. Sei disso por ter passado tempo semelhante na cadeia. Não é fácil.
Mas se a justiça estipula 13 anos, por que soltar o cidadão com menos de 15% de cumprimento da pena?
E o caso do cidadão solto em Goiás, que logo em seguida violentou e matou seis jovens?
É notório que a avassaladora maioria da população brasileira é radicalmente contrária a esse sistemático abrandamento das penas. Ao contrário, o povo clama por penas mais pesadas para a maioria dos crimes.
Mas há um incrível lobby que impede que essa vontade da maioria se torne eficaz.
Que lobby é esse?
Quais os interesses que lhe dão força?
Para mim, mistério.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Os responsáveis somos todos
A tragédia do Morro do Bumba, Niterói, na qual – dizem – morreram mais de 200 pessoas, resultou de conluio entre população e autoridades.
Em 2.004 já especialistas alertavam para o problema: as casas estavam sendo construídas sobre um lixão. Na época, parece que eram apenas 14 casas.
Teria sido mais fácil removê-las de lá. Mas, se algum político resolvesse promover essa desocupação, seria contestado por movimentos sociais e perderia votos.
Por isso, a situação foi se agravando.
Até explodir. Literalmente.
A grande visibilidade que essa tragédia obteve é resultado de ter ocorrido de repente. De uma vez só.
Em São Paulo, a negligência das autoridades diante da proliferação de motoboys provoca muito mais mortes. Mas, como a coisa se dá ao longo do tempo – e não numa tacada só – a população se acostuma e se acomoda.
Morrem quase 400 motoqueiros todo ano no trânsito de São Paulo. São dois morros do Bumba todo ano. Morrem por que não respeitam leis de trânsito, trabalham pressionados pelos prazos de entregas de encomendas, não têm formação adequada para conduzir as motos etc etc. Mas, a essa altura, já são um enorme contingente de eleitores. Os políticos, ao invés de acabar com esse absurdo, freqüentam o sindicato dos motoboys em vésperas de eleições e fazem de conta que se trata de categoria profissional normalíssima.
As leis, para os brasileiros, servem às vezes. Se a legislação não nos atrapalha, somos legalistas.
E as tragédias vão continuar. Como na anedota do escorpião, é da nossa natureza.
terça-feira, 6 de abril de 2010
Presidiário generoso
Estava eu aqui, trabalhando, quando meu celular acusa o recebimento de um torpedo.
Constato que o torpedo vem de um telefone de Rondônia (55 69 84640139).
E diz:
REDE RECORD INF>
PARABENS VOCE GANHOU
UM CITROEN C 4 PALLAS +
5 MIL REAIS. SUPER
LEILAO 2010. INF>LIGUE
GRATIS DO SEU TEL FIXO/
0 31 85 9644 9563
.SENHA. (6886).
O telefone para o qual ele sugere que eu ligue é de Fortaleza ou de alguma outra cidade do Ceará.
É o que dá preso não ter o que fazer.
domingo, 4 de abril de 2010
Fado do saloio ensandecido
Sergio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, mostrou - com o Samba do Crioulo Doido - até onde pode chegar a loucura provocada pelo excesso de informação engolida sem critério. Por referir-se ao Brasil, situou seu personagem no carnaval carioca, resumo do país.
Já Portugal, que tem no catolicismo um de seus pilares, situa sua loucura na religião. Uma socióloga do Porto fez pesquisa e concluiu que um quarto dos portugueses não crê na vida eterna. Até aí, um ateu como eu poderia ficar feliz: muita gente em Portugal está a abrir os olhos. Ledo engano. Desse um quarto, 10% são de católicos que vão com freqüência à missa. Ou seja, comem a embalagem e jogam o doce fora.
Chamei a isso, por analogia, Fado do Saloio Ensandecido.
sábado, 3 de abril de 2010
De padres pedófilos
Sou do tempo em que os comunistas é que comiam criancinhas.
* * *
Parece que os padres fizeram uma leitura no mínimo discutível de Lucas 18:16, aquele versículo em que Jesus diz: Deixai vir a mim as crianças...
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Artur do Rio
Ontem foi um dia triste. Para mim e para muitos parentes meus. Morreu meu primo Artur, aos 72 anos. Primo por afinidade, diga-se. Na verdade, primo de meus primos.
Português, da Zona da Lomba, Vinhais, Bragança, vivia há muitos anos em São Paulo.
Como típico lusitano, tinha padaria. No Ipiranga.
De vez em quando, convidava-me para uma caldeirada com fado. Compareci a uma delas.
Durante o velório conversei com sua esposa, Maria.
Contou-me que Artur arrumou-se, de manhã, para ir à padaria. Nessa altura ela já saíra às compras de mantimentos.
Ele, quase ao sair, sentiu-se mal. Telefonou a um dos filhos, que mora perto.
Disse que não estava bem. O filho foi apressado à casa do pai.
Ao lá chegar já o encontrou estendido no chão, com o cão a protegê-lo.
Faleceu pouco depois, apesar dos cuidados de bombeiros e policiais que acorreram a sua casa.
Maria contou-me que poucos dias antes Artur fizera seu check up anual. Nas vésperas, levara o resultado tranqüilizador ao médico.
Tudo corria no melhor dos mundos.
Contudo...
terça-feira, 30 de março de 2010
São demais os perigos desta vida...
...para quem vai a um cartório.
Vinicius de Moraes que me perdoe a paródia.
É que hoje vivenciei algo, para mim, enigmático.
Uma tia minha, sem filhos, solteira, começou - há uns poucos anos - a apresentar sinais de demência.
Um primo meu, também sobrinho dela, foi com ela e comigo a um cartório para que ela nos outorgasse uma procuração para cuidarmos dos bens dela.
Não nos demos conta, na ocasião, de que a procuração nos foi dada para agirmos em conjunto.
Dia desses, meu primo foi ao banco para acertar a senha da conta bancária de nossa tia e foi alertado para o detalhe: era preciso que nós dois fôssemos juntos ao banco para podermos alterar a senha.
Ele, então, me pediu que eu fizesse uma procuração para que ele pudesse me representar nos atos referentes a nossa tia.
Fui a um cartório hoje de manhã, expliquei a situação e fui informado de que não era possível fazer a tal procuração.
- Minha senhora, disse eu, tentando ser o mais educado possível, se minha mulher e eu quisermos vender um imóvel, os dois têm de assinar a escritura, não é verdade? Se eu quiser, posso passar uma procuração para minha mulher e ela poderá passar a escritura assinando por ambos, perfeito?
A atendente concordou.
- Então, continuei, se meu primo e eu temos de praticar juntos qualquer ato referente a nossa tia, não posso passar uma procuração para que meu primo assine por ambos? Não é a mesma situação do exemplo que dei antes?
E ela, impassível:
- Não. É completamente diferente.
Não satisfeita, a atendente ainda acrescentou:
- O senhor e seu primo podem subestabelecer para uma terceira pessoa.
E eu:
- Quer dizer que podemos atribuir a qualquer um o direito de representar nossa tia. Mas esse qualquer um não pode ser meu primo.
- Isso mesmo, ela concordou.
Saí do cartório pensando em meu antigo mestre, Newton da Costa.
Tantos anos queimando pestanas pra desenvolver sua Teoria das Lógicas Inconsistentes. Bastaria visitar um cartório e bater um papinho com algum solícito atendente.
domingo, 28 de março de 2010
A propaganda e os SUV
Liga-se a TV e lá estão os valentes Pajeros saltando sobre dunas imensas, em uma paisagem desértica.
Aí o sujeito se empolga, compra um e cai naquilo: vai cedo para o trabalho, gastando mais de uma hora nas marginais Tietê ou Pinheiros a estonteantes velocidades inferiores a 30 km/hora. Final do dia muda o sentido dessa total falta de sentido. É a volta pra casa ouvindo a rádio que explica detalhadamente porque ele está parado há tempos no trânsito infernal de São Paulo.
Há pouco tempo, passei a implicar com esse tal de Tucson, da Hyundai. Tudo porque apertei o botão errado do controle do portão da garagem de meu prédio e consegui dar um peteleco no Tucson de um vizinho que saía. Isso me fez gastar uma nota alta pra pagar o conserto.
Diante do chilique que meu vizinho aprontou, resolvi investigar um pouquinho o tal Tucson.
Resultado:
Hoje mesmo, se você abrir a Folha de S.Paulo vai encontrar páginas e mais páginas de propaganda desse trambolho (aliás, não só hoje: todo santo dia).
Veja só o que afirma a tal propaganda:

Como você talvez não consiga ler as letrinhas miúdas, transcrevo:
O Tucson foi eleito o melhor SUV compacto entre todos os modelos de todas as marcas, no seu lançamento nos EUA, nos estudos de Qualidade Inicial (Initial Quality Study - IQS) realizados pelo J.D.Power, a maior autoridade mundial em pesquisas de satisfação do consumidor.
A J.D.Power, que o anúncio afirma ser a maior autoridade mundial em pesquisas etc e tal, pode ter chegado a essa conclusão na época do lançamento do Tucson nos EUA, mas hoje, se você for ao site da J.D.Power vai encontrar o seguinte:
Quanto ao tal de IQS:
Repare que eu classifiquei os veículos pela coluna de resultado global, em ordem CRESCENTE. Ou seja, o Tucson é o PIOR.
Quanto a um aspecto que eles chamam de Dependability (se você quiser saber do que se trata, clique na figura e pesquise no site. Eles explicam.):
Aqui o Tucson se saiu melhor: ficou em terceiro lugar (aqui, a classificação está em ordem DECRESCENTE).
Finalmente, o item APEAL (Automotive Performance Execution and Layout):
Neste quesito, o Tucson voltou ao último lugar.
Me parece que esses são os três itens de avaliação por categoria de automóvel. Se você quiser, visite o site clicando na figura abaixo:
Diga-se: não entendo bulhufas de automóvel, marcas, modelos, coisas assim.
Mas costumo sentir o cheiro de engodo quando tentam me enganar.
Mais: acho divertido apreciar a classe média paulistana correndo ao crediário para subir nos tais SUV asiáticos e gastar horas nos engarrafamentos de trânsito, sonhando com paisagens inóspitas do Saara.
terça-feira, 23 de março de 2010
Ads
Como todos os bairros de São Paulo, o meu também tem vários jornaizinhos e revistinhas de propagandas dos estabelecimentos comerciais da região.
Hoje, recebi um deles.
Dois anúncios chamaram minha atenção:
Um implora que você matricule seus filhos na escolinha de inglês:

Até aí, vá lá. Afinal, com três anos uma criança não tem obrigação de saber como se escreve Universidade.
Mas um outro quer me queimar vivo:

Aí já não gostei.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Salada russa
Lula compara dissidentes cubanos a bandidos paulistas. Glauco, o cartunista, é assassinado e a gente passa a saber que ele era bispo de uma religião centrada no tal de Santo Daime. E, parece, um pouquinho de maconha.
O novo presidente toma posse no Chile e a terra não pára de tremer. Em Pernambuco, também agora se sabe, treme sempre.
Até na minha pacata Bragança, Portugal, bateu – noite dessas – um vento de uns 140 km/h.
Em meio a tudo isso, 2.010 é – para mim – o último ano de trabalho no Brasil. É verdade que comecei a trabalhar aos 15 anos. Certo que foi só um aluno particular de matemática que me forneceu meus primeiros trocados.
Trabalhar, trabalhar, mesmo, só a partir dos dezoito. Daí pra frente não parei mais. Quase cinqüenta anos. Mas, pra contar tempo para aposentadoria, ainda preciso de mais um ano pra chegar aos trinta e cinco. Foram vários anos de trabalho sem qualquer registro. Uma carteira profissional furtada, sem que eu conseguisse recuperar todos os registros contidos nela.
Além disso, houve o tempo de prisão e o tempo imediatamente posterior. Quando fui preso, era contratado pelo Instituto de Matemática e Estatística da USP (IME). Voltei a dar aulas no IME quando saí do presídio Tiradentes. Fiquei lá um ano e meio sem que ninguém se aventurasse a solicitar à Reitoria um novo contrato para mim. Claro, quem fizesse isso ficaria imediatamente queimado. Pelo crime de pedir recontratação de ex-preso político, ainda com os direitos políticos cassados por 10 anos.
Quando pedi contagem de tempo para aposentadoria na USP, me reconheceram o tempo decorrido desde o início de meu contrato até minha prisão.
Entrei com pedido, na Reitoria, para que contassem o restante do tempo. Comprovei tudo direitinho. Disseram-me que reconheceriam o tempo em que estive preso até o final de meu contrato. Quanto ao resto, deveria solicitar à tal Comissão de Anistia.
Ou seja, reconheceram que – por ter sido preso (melhor seria dizer: seqüestrado) – era justo contar o tempo em que estive preso. Bem. Só que apenas até o final de agosto de 1.972, quando venceu meu contrato.
O fato de ter ficado preso até início de 1.973 já não é problema deles. Talvez pensem que fiquei preso por gosto. Sei lá.
E depois de sair da prisão? Dei aulas, fiz cursos de pós-graduação, passei no exame de qualificação para o mestrado, trabalhei na dissertação de mestrado.
Mas, como ninguém teve coragem de sequer pedir minha recontratação (disseram que eu ficasse vivendo de bolsa do CNPq até que viesse a anistia), a Reitoria entende que não tenho direito a nada. Ou melhor, resta-me o direito de solicitar o reconhecimento desse período à Comissão de Anistia.
Fiz isso há mais de 2 anos. Meu processo continua parado no protocolo da Comissão.
Se a tal Comissão reconhecesse o ano e meio em que trabalhei sem registro (além dos últimos meses de prisão) eu já estaria aposentado.
Como já perdi a esperança de que algo aconteça saído dessa Comissão, vou aguardar o início de março de 2.011 para ir embora desse arremedo de país.
Dia desses pensei: não faz sentido ficar angustiado, à espera de que chegue março do ano que vem. Melhor é curtir este ano de trabalho pois será o último. Imagino que, uma vez aposentado, bata vez em quando uma saudadezinha do tempo em que trabalhava. Afinal, foi o que fiz quase a vida toda. Aí, poderei lembrar deste último ano e curtir meus mixed feelings: que bom estar aposentado/que bom ter trabalhado.
Eis senão quando, do nada, nossa cadelinha, ela, a Doga, aparece arrastando as patas traseiras sem poder andar.
Diagnóstico: hérnia de disco.
Depois de alguns dias tristes, com o espectro de ter de sacrificá-la a rondar nossas cabeças, hoje uma especialista garantiu que ela volta a andar em poucos dias.
Começou a fazer acupuntura e parece já demonstrar sinais tênues de recuperação.
Pode parecer incrível, mas – diante disso – tudo mais virou pano de fundo.
Pra recuperar um pouco da alegria da Doga em movimento, lá vai mais um filminho dela a brincar na neve de Bragança:
terça-feira, 9 de março de 2010
Divertimento à vista
Como tudo no Brasil anda muito chato, sugiro uma leitura divertida:
O blogueiro de Veja, Reinaldo Azevedo, e Janer Cristaldo, parece que blogueiro sem Veja, terçam lanças por Dulcinéia.
Janer chama Reinaldo de “recórter tucanopapista hidrófobo”.
Reinaldo devolve a bola com “a Criada Juliana, a louca barbuda que tem delírios eróticos comigo”.
Ambos garantem não dar a mínima bola para o outro, mas a baba que escorre dos posts os contraria.
Só pra começar, leia isto, isto e isto.
Mas há mais. É só procurar.
A menos que você seja aquele sujeito positivo da frase:
Enquanto Dom Quixote terçava lanças por Dulcinéia, esta esquentava a cama com um cavaleiro menos andante e mais positivo.
sexta-feira, 5 de março de 2010
Nudez e transparência
De uns tempos pra cá, a subprefeita da Lapa, em São Paulo, Soninha Francine, começou a se deixar fotografar nua – ou quase – por algumas revistas.
A imprensa passou, então, a cobrir o assunto (eta expressãozinha chegada a um trocadilho), sempre roçando muito de leve a questão central.

Dois exemplos:
Na coluna de Mônica Bergamo, ontem, na Folha, lê-se a certa altura da entrevista com Soninha justamente a propósito das tais fotos:
FOLHA: O prefeito Gilberto Kassab soube dessa foto?
SONINHA: Ah, não, não. Nem me ocorreu [conversar com ele sobre isso] O prefeito é meu chefe na subprefeitura, não no que mais eu faça por aí.
FOLHA: E o governador José Serra, que é seu grande conselheiro? Você o consultou? Ele viu as fotos?
SONINHA: Ah, também não. Eu consulto os amigos várias vezes quando eu tenho dúvida. Tipo: “O que você acha que eu faço?”. [Desta vez] Eu não tinha dúvidas, não consultei ninguém
(a entrevista completa aqui, para assinantes Folha ou UOL)
Na edição de 5 de março de 2.010 de seu site na Internet, Giba Um dá a seguinte nota:
Provocação
Como a subprefeita da Lapa, em São Paulo, Soninha Francine, vai aparecer seminua na seção Mulheres que Amamos, na próxima Playboy e já disse que, se for para tirar tudo, preferiria a revista Trip, onde as fotos seriam “mais artísticas”, a publicação já está acertando com ela o ensaio, com direito a uma entrevista. Aos mais íntimos, contudo, Soninha confessa: “Ele deve estar se roendo de ciúmes”. Em toda essa novela de nudez, está incluída uma legitima vendetta feminina para provocar um romance secreto.
Junte uma nota à outra e você perceberá do que todos (não) estão falando.
terça-feira, 2 de março de 2010
Buddy Green
E por falar no gênio de Crouch, aí vai Buddy Green, outro gênio, cantando do jeito que - penso - meu pai gostaria de ouvir. Suavemente:
Andrea Crouch
Dado que falei nele, aí vai um vídeo dele com voz e outro já sem ela. Gênio faz com ou sem.
No more crying there
As tragédias se repetem nos últimos dias. Nada como cantar com Cece Winans e Andrae Crouch.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Quase
Ethel Waters é quase uma prova da existência de Deus.
Ei-la cantando His eyes is on the sparrows (Deus cuida até dos pardais):
E, depois dela, Lynda Randle, com a mesma música:
Pra terminar, Lynda Randle, a fantástica Alicia Williamson e Lillie Knauls. De novo, o cuidado de Deus com os pardais e, a fortiori, conosco.
Guardem os estilingues e curtam:
Fé é pra quem pode
Pois é. Fé não é pra quem quer. É pra quem pode.
Não tenho fé. Ao menos no sentido de crença em Deus. Ou em Jesus, como filho de Deus.
Isso não me impede de ter paixão pela música evangélica. Particularmente quando dirigida por Bill Gaither.
Vão aí algumas poucas amostras do que o homem é capaz de produzir. Seguem duas composições dele e da esposa, Gloria.
Because He lives interpretada pelo quarteto de Bill Gaither (com a formação, da esquerda pra direita: David Phelps, Guy Penrod, Marshall Hall e, claro, ele, Bill Gaither) e, depois, pela incrível Allison Durham Speer:
E The King is coming, com o quarteto (com a formação: David Phelps - reparem no alcance da voz dele -, Guy Penrod, Mark Lowry e Bill Gaither). O vídeo começa com a esposa de Billy Graham contando que sua mãe, antes de morrer, pedia sempre a ela que colocasse pra tocar essa música. Ao final Bill Gaither, que faz o baixo, chama George Younce (baixo profundo) pra reforçar os graves:
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Ainda sobre David Phelps
No post acima disse para prestarem atenção na amplitude da voz de David Phelps. Talvez não tenha dado pra preceber, no meio do quarteto.
Não custa nada mostrar David Phelps esbanjando voz no It is well with my soul, que eu - na infância - aprendi como Sou feliz com Jesus.
Sente só:
Se você quiser, a gente põe o Guy Penrod junto:
domingo, 21 de fevereiro de 2010
As rosas falam
Pois é. Luciana e Jairzinho (filhos do cantor Jair Rodrigues, que durante anos fez dupla com Elis Regina no Fino da Bossa, na TV) foram alunos do Colégio Rio Branco, em São Paulo, quando meus filhos estudavam lá. Havia (deve haver ainda) o prêmio Rotary, que premiava anualmente os melhores alunos de cada turma. Os filhos de Jair Rodrigues sempre ganhavam o prêmio. Mais: Jairzinho era, simplesmente, o melhor aluno de todo o colégio.
Por isso, e por que interpreta maravilhosamente, aí vai Luciana interpretando Cartola:
sábado, 20 de fevereiro de 2010
O mundo é um moinho
Título de uma das músicas mais fantásticas da MPB (música popular brasileira). Cartola, seu compositor, fez outras tão lindas quanto. As Rosas não Falam, por exemplo.
Isso, sendo morador de morro no Rio de Janeiro, negro, tendo trabalhado até como guardador de carros na rua.
Comecei a ouvir, no You Tube, algumas gravações de O mundo é um moinho.
A do próprio Cartola é cheia de erros de português. Ele tinha crédito. Tudo bem.
Depois, a interpretação de Cazuza. Fora alguns exageros, gostei dela. Só que ele poderia ter tido o cuidado de consultar alguém para arrumar as concordâncias da letra. Nada. Ficou tudo bastante errado. Paciência.
A interpretação de Ney Matogrosso corrige os erros de português (vá lá...). É boa.
Há, também, uma interpretação de Beth Carvalho. Convencional, como tudo mais nessa cantora/empresária-de-esquerda.
Pro meu gosto, falta uma interpretação de pai pra filha. Uma voz grave, amadurecida, que cante esse conselho de um pai a uma filha afoita e desgarrada.
Deve existir.
Alguém conhece?
Convicções
Durante muitos anos fui um cara cheio de convicções. Minha irmã mais nova dizia, com razão, que eu era missionário. Aquele que assume missões. Que procura convencer todo mundo da validade de suas idéias.
Esse tempo desmanchou-se aos poucos. Restam dele alguns retalhos.
Meu pai, esse sim, era missionário.
Centrava no fundamental e deixava o acessório de lado.
Hoje, gosto mais do acessório.
Mas me fascina lembrar de meu pai, com suas idéias inabaláveis, suas convicções invencíveis. Certo que isso custava a ele meia hora por dia de “repouso”. O médico recomendou que ficasse nu (a menos de uma pudica cueca samba-canção), deitasse na cama como Cristo pregado na cruz, com a vantagem de travesseiros de apoio ao invés dos incômodos pregos que devem ter atormentado Jesus.
Isso ele fazia com religiosa assiduidade.
Não adiantou muito. Aos 55 anos um derrame fulminante na nuca acabou com ele.
Mais valia ter tomado remédios para hipertensão com regularidade.
Quanto a mim, depois de querer ter sido Billy Graham, depois de ter tentado ser Lênin, recolhi-me à minha insignificância e já tenho quase idade para ser pai de meu pai.
Chego aos 65 anos com a firme convicção de não mais possuir convicções. Será?
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Quem viver verá
Lá pelo final da década de 50 do século passado, me lembro de presenciar a conversa de meu pai com um rapaz membro da Primeira Igreja Batista de Santos, o Américo, que foi até nossa casa para pedir sua exclusão da igreja por ter decidido tornar-se jogador profissional de futebol.
Claro que meu pai tentou dissuadi-lo. Mas ele ficou firme.
Nunca mais ouvi falar dele.
Já na década de 80 surgiram os Atletas de Cristo. Foi o primeiro passo para que, hoje, quase tudo quanto é jogador brasileiro de futebol atribua seus gols à graça de Cristo.
Agora, 2.010, surge a primeira (penso eu) escola de samba (ou bloco carnavalesco, sei lá) batista. É da Primeira Igreja Batista de São José dos Campos.
Se você clicar na figura abaixo, de uma porta-bandeira, poderá ouvir o samba do grupo.

Me pergunto se viverei o suficiente para tomar conhecimento da inauguração do primeiro puteiro evangélico no Brasil.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Nunca neste país
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Cantigas infantis
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