quarta-feira, 4 de março de 2015
Erramos
Desde o dia em que a Folha me informou - há séculos - que tartarugas não têm orelhas, gosto de ler, na página 3 do primeiro caderno, a nota Erramos. A de hoje nos conta que os japoneses não são ocidentais.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Um país que conheci
Completei 70 anos
ontem.
Antes que me esqueça,
agradeço a todos que me desejaram saúde, felicidade, paz, enfim,
tudo de bom.
Acontece que meu
aniversário não foi tão bom como eu gostaria que tivesse sido.
Graças a algo chamado
Brasil.
Eu havia escolhido uma
comemoração discreta, apenas eu e a pessoinha paciente que me atura
há anos.
Eu faria 70 na
segunda-feira, 23. Como moramos em Bragança, Portugal, fomos para o
Porto na sexta-feira. Jantamos no Chanquinhas, um restaurante
tradicional, soberbo, instalado em uma ruela de Leça da Palmeira, em
Matosinhos. Cidade grudada ao Porto. Saboreei um arroz de cabidela
insuperável. Regado a bom vinho do Douro, evidente.
Havia meses que eu
comprara ingressos para o show de António Zambujo, no Coliseu do
Porto, sábado à noite.
Para segunda-feira
havíamos reservado lugar na Casa de Chá da Boa Nova, também em
Leça da Palmeira, restaurante projetado pelo arquiteto Siza Vieira.
Ao chegarmos em casa,
vindos do Chanquinhas, minha filha Sofia, que vive em São Paulo, me
chamou pelo Skype para me dar notícia de um documento que me chegara
do Ministério da Fazenda.
Para os amigos que não
sabem, sou aposentado da Receita Federal desde Julho de 2.011. Há
quase quatro anos. Vivo dessa aposentadoria e das reservas que
consegui juntar em uns 50 anos de trabalho. Sofro as vicissitudes do
câmbio, pois recebo em reais e vivo em euros. Mas isso não me tira
o sono.
Foi atônito que –
aos poucos – dei-me conta de que o documento que minha Sofia
recebera informava que minha aposentadoria havia sido considerada
ilegal pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
A única atenuante
constante do documento era a de que eu não precisaria devolver os
valores recebidos nesses quase quatro anos pois me consideravam de
boa fé. Mas nada mais receberia a partir de então.
A sensação que tive
foi a que imagino ser a de alguém que vivencie um terremoto. O chão
passa a não inspirar confiança e não se sabe onde buscar proteção.
É evidente que nossa
programação comemorativa foi imediatamente suspensa. Voltamos a
Bragança como quem retorna ao útero materno.
Ajudado por um amigo
desses que é preciso viver várias décadas até conseguir-se um,
vivi apenas exatos três dias de pesadelo.
Passadas essas
fatídicas 72 horas, fui informado de que havia sido cometido um erro
na transcrição da informação enviada ao TCU e que tudo deverá
resolver-se em breve.
O sentimento inelutável
que me invade é o de querer distância desse país.
Mais não digo para não
ofender – involuntariamente – os meus queridos que nele vivem.
domingo, 22 de fevereiro de 2015
Recordar é viver
Tive um excelente professor, no primeiro ano da Poli-USP, cuja alcunha, por motivos que me fogem, era Bodinho.
Estávamos no início dos anos 60. A TV ainda engatinhava. Surgiu o "vídeo tape". Com isso, nas transmissões de futebol pela TV, passou a ser possível repetir os lances mais significativos.
Bodinho protestou:
- O vídeo tape trivializou o gol.
Voltemos ao pão nosso de cada dia. Segunda década do século 21.
Os petistas reclamam de que insinuemos que o PT inventou a corrupção.
Garantem que a corrupção já existia desde o reinado de FHC.
Ou desde a carta de Caminha.
Ou desde Adão e Eva.
Evidente. A corrupção sempre existiu.
O PT apenas a trivializou.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Conto de crianças
Nem tudo que Passos
Coelho, primeiro-ministro português, diz é digno de crédito.
Aliás, pode-se dizer que pouco é confiável. Mas quando disse que o
programa do Syriza – partido que assumiu o governo na Grécia – é
um conto de crianças, estava imerso em razão.
Não à toa, foram
muitos os pedidos para que se desculpasse da afirmação.
Eis que não foram
necessárias muitas semanas e o Syriza já chocou-se contra um muro
chamado realidade.
Resta agora aos “pibes”
gregos fazer sua escolha de Sofia: ou aceitam uma extensão do regime
de austeridade ou afundam com suas convicções.
O prazo é o próximo
fim de semana.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Dúvida
Ontem, ao assistir à apresentação do magnífico pianista Benjamin Grosvenor na Casa da Música, no Porto, aconteceu de sentar-me atrás de um casal jovem que irradiava desejo sexual à sua volta. Era um tal de beijinho aqui, beijinho ali, narizinho a esfregar bochecha, testa a roçar lábios etc etc.
Passou-me pela ideia que eles deveriam ter ido a um motel ao invés de irem a um concerto.
Mas logo me dei conta: o Porto - até onde sei - não possui motéis. Ao menos no sentido que essa palavra tem no Brasil.
Que Bragança não disponha de motéis vá lá. Cidade de interior, pequena, não comporta tal regalia.
Mas o Porto?!
Como fazem os jovens para satisfazerem seus desejos? Têm de ir a cantos escuros da cidade para realizá-los dentro de uma viatura?
Existirá alguma lei que proíba a exploração de motéis?
Cartas à redação, por favor!
(santos.passos@uol.com.br)
Passou-me pela ideia que eles deveriam ter ido a um motel ao invés de irem a um concerto.
Mas logo me dei conta: o Porto - até onde sei - não possui motéis. Ao menos no sentido que essa palavra tem no Brasil.
Que Bragança não disponha de motéis vá lá. Cidade de interior, pequena, não comporta tal regalia.
Mas o Porto?!
Como fazem os jovens para satisfazerem seus desejos? Têm de ir a cantos escuros da cidade para realizá-los dentro de uma viatura?
Existirá alguma lei que proíba a exploração de motéis?
Cartas à redação, por favor!
(santos.passos@uol.com.br)
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
Início de adolescência
Meu Bazar de Ideias
completa hoje onze anos.
Como os tempos são
acelerados, meu blogue chega à adolescência e já está obsoleto.
Como todos os blogues.
Quase tanto quanto eu.
Chegado aos setenta
anos, olho para trás e percebo um sem número de mundos que se
dissolveram.
Dei-me conta disso
ainda hoje, ao levar o carro à oficina para alguns ajustes.
Enumerei ao atendente
as falhas que desejava fossem analisadas e corrigidas.
Calmamente ele me
informou:
- Pode deixar. Vamos
atualizar o software a ver se as falhas desaparecem.
Há alguns anos, minha
ontologia era mais simples e bem definida. Carro era carro,
computador era computador. Os dois não tinham nem o mais remoto
parentesco.
domingo, 1 de fevereiro de 2015
Caminhos e sons
Depois de saborear um butelo e casulas em casa da prima Dora, conversar sobre Grécia e que tais amparado em um bocadinho de bagaço, voltei a casa à boleia. No caminho, pedi a Zambujo que cantasse para nós. Sou obrigado a dizer que ouvir Chamateia em tal contexto, em meio aos montes e vales que convivem com o Rabaçal, exige lágrimas que não consigo verter.
Deu no Globo
Deu no jornal O Globo:
A Petrobrás vai continuar a financiar o carnaval carioca.
A brincadeira começou no início do primeiro governo Lula.
Em uma recepção a endinheirados "petroárabes", Lula deixou de lado os tradicionais Velha Guarda da Portela e Jongo da Serrinha em favor da Gaviões da Fiel, dadas suas preferências futebolísticas.
A chiadeira foi geral.
Lula então, para acalmar os ânimos e consertar a besteira que fizera, prometeu patrocínio do carnaval carioca por meio da Petrobrás e de outras estatais.
Com o passar de alguns aninhos, ficou só a Petrobrás.
É verdade que perto do que roubaram da empresa, o que ela dá para o carnaval é dinheiro de troco. São 12 milhões a cada ano.
Este ano, dada a crise brasileira, empresas privadas que também financiavam o carnaval carioca tiraram os times de campo.
Mas a Petrobrás, empresa orgulho dos brasileiros, em situação invejável, manteve sua contribuição. Apenas vai dar metade agora e a outra metade ao longo do ano. Graças à Graça, a carnavalesca.
A Petrobrás vai continuar a financiar o carnaval carioca.
A brincadeira começou no início do primeiro governo Lula.
Em uma recepção a endinheirados "petroárabes", Lula deixou de lado os tradicionais Velha Guarda da Portela e Jongo da Serrinha em favor da Gaviões da Fiel, dadas suas preferências futebolísticas.
A chiadeira foi geral.
Lula então, para acalmar os ânimos e consertar a besteira que fizera, prometeu patrocínio do carnaval carioca por meio da Petrobrás e de outras estatais.
Com o passar de alguns aninhos, ficou só a Petrobrás.
É verdade que perto do que roubaram da empresa, o que ela dá para o carnaval é dinheiro de troco. São 12 milhões a cada ano.
Este ano, dada a crise brasileira, empresas privadas que também financiavam o carnaval carioca tiraram os times de campo.
Mas a Petrobrás, empresa orgulho dos brasileiros, em situação invejável, manteve sua contribuição. Apenas vai dar metade agora e a outra metade ao longo do ano. Graças à Graça, a carnavalesca.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Grécia - a farra continua
A Grécia vai negociar sua dívida com as instituições europeias nas mesmas condições em que um indivíduo totalmente bêbado vai pedir empréstimo em um banco.
Quer abandonar a austeridade e manter 45 jardineiros para quatro arbustos de um hospital deficitário e cinquenta motoristas para apenas um carro oficial.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Grécia - começou a farra
Medidas a serem
adotadas de imediato:
Recontratar os
funcionários públicos demitidos;
Repor o salário mínimo
em 751 euros (em Portugal, por exemplo, é de 505 euros);
Fornecer energia
elétrica a 300 mil famílias carentes;
Suspender totalmente a
privatização de portos, aeroportos e eletricidade;
Restaurar o acesso
universal ao sistema público de saúde e anular as taxas exigidas
para a prestação de cuidados médicos, receitas médicas e
medicamentos;
Tudo muito bom!
Só falta saber quem
vai pagar a conta de toda essa maravilha.
O primeiro-ministro
Tsipras afirmou:
“Temos um plano grego
para fazer reformas sem criar défice, mas sem superávits primários
asfixiantes”.
Para poder seguir em
frente com menos superavit primário, há necessidade de renegociar a
dívida.
O superavit primário é
a diferença entre o que o governo arrecada e suas despesas. É o que
permite pagar os encargos da dívida e também sua amortização.
Se a arrecadação é
menor do que as despesas tem-se défice primário.
Qual será o “plano
grego”?
O iogurte grego é
delicioso. Resta verificar se os credores acharão que sabe bem o tal
plano grego.
Virgens
O judaísmo tem um
tratamento todo especial para as virgens. Basta ler Gênesis 19.
Lá conta-se que Deus,
antes de destruir Sodoma e Gomorra, mandou dois emissários à casa
de Ló para tirá-lo da cidade. Deus havia se convencido de que Ló
merecia ser salvo da destruição.
Ló, então, hospeda os
dois emissários. Sua casa é cercada por homens da cidade que exigem
que Ló lhes entregue os dois emissários para que eles os conheçam.
“Conhecer”, aqui, é no sentido bíblico: fazer sexo com eles.
A postura de Ló diante
de tal exigência é:
“Eis
aqui, duas filhas tenho, que ainda não conheceram homens; fora
vo-las trarei, e fareis delas como bom for aos vossos olhos; somente
nada façais a estes homens, porque por isso vieram à sombra do meu
telhado.” (Gênesis [Bereshit] 19:8)
Não
é à toa que nos dias de hoje os judeus ortodoxos nem cumprimentam
as mulheres com a mão. Temem tocar em uma mulher menstruada.
Já
os muçulmanos gostam de virgens. A tal ponto que se prontificam a se
explodirem para obtê-las no paraíso. Mas durante esta vida terrena
sabemos todos como encaram e tratam as mulheres, virgens ou não.
Os
cristãos pensam que não seria adequado que uma não virgem fosse a
mãe do Cristo.
Os
católicos foram mais radicais e decidiram que Maria teria de ser
virgem toda a vida. Os protestantes permitiram que ela tivesse
relações sexuais mas apenas depois de dar a luz a Jesus.
Todos
eles ignoram os fortes indícios históricos que apontam o soldado
romano Panthera como tendo feito o papel que os cristãos atribuem ao
Espírito Santo. Só é desconhecido se a relação dele com Maria
foi consensual ou se se tratou de um estupro.
Para
mim, o curioso é que essa ojeriza pelas relações sexuais e a
consequente glorificação da virgindade convivem no cristianismo com
o forte respeito e carinho pela figura de mãe. Esquecem-se de que
não há e nunca houve mãe virgem.
Do
judaísmo ao cristianismo, passando pelo islamismo, a visão que os
adeptos têm das virgens vai do desprezo à veneração.
Quanto
a mim, sempre que tomo conhecimento, ou mesmo apenas desconfio, de
que uma mulher adulta é virgem, apiedo-me. Ela está a desperdiçar
uma das melhores emoções da vida.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Grécia - primeiras medidas do vencedor Syriza
1) Ao lhe faltarem dois
deputados para ter a maioria absoluta, escolheu fazer coligação com
o direitista Anel (Gregos Independentes).
Isso apenas confirma o
que se sabe desde sempre: os piores inimigos da esquerda são os
outros partidos de esquerda.
Diga-se que o Syriza
convidou antes o Partido Comunista para entrar na coligação. O PC
recusou.
O Syriza então,
assentado na “lógica revolucionária”, fechou acordo com o Anel
em menos de uma hora. Além de um ministro, o Anel ganhou mais quatro
postos no governo.
Teria sido benéfico se
o Syriza fizesse coligação com o centrista To Potami. Mas Tsipras
preferiu mesmo aliar-se à direita. É que a sensatez, é notório, não
é o forte da esquerda.
2) Primeira medida do novo governo: suspender todas as privatizações.
Curioso. Qualquer dono
de lojinha sabe que se a receita está abaixo dos custos, além de
baixar estes últimos ele tem de vender mais.
A Grécia deve uma
barbaridade a seus credores e resolve não vender mais nada.
Belo começo.
3) Enquanto o Anel
ficou com o Ministério da Defesa, o “ataque” vai jogar com
elementos moderados, ou seja, a Defesa fica com o líder do Anel,
Panos Kammenos e os negociadores da dívida vão negociar com os
credores com algum equilíbrio (deu-me gana de dizer que vão colocar
panos quentes...).
Percebe-se que há
medidas absurdas à mistura com decisões acertadas.
Também o Ministério
(13 ministros) e o conjunto todo de governo (40 pessoas, das quais 7
mulheres) contém figuras respeitáveis e algumas incógnitas.
Como sempre na
esquerda, há o risco de parcela do Syriza abandonar o partido,
revoltada com a coligação feita e, talvez, com a ausência imediata
de algumas medidas que julgava de necessidade premente.
Isso é apenas o
começo.
Paraísos
A humanidade começou
em um paraíso. Uns o entendem literalmente. Outros preferem ver aí
uma metáfora.
De qualquer modo, fomos
expulsos de lá.
Mas há outros
paraísos.
Os cristãos acreditam
que quando morrerem vão para um paraíso a que chamam Céu.
Descrevem o seu paraíso
como algo cheio de lindas moradas. Lá não existe o AST (Anjos Sem
Teto). Jamais vou entender por que pessoas crentes nesse paraíso
fazem de tudo para adiar sua ida para lá.
O paraíso dos
muçulmanos me parece mais animado. Nele abundam as virgens. Os que
lá chegam não têm de que reclamar. Principalmente os que
explodiram para matar vários infiéis.
Há o paraíso budista,
o Nirvana. Esse é um bocadinho mais monótono. Parece que lá nada
acontece.
Já os judeus abandonam
a temperança e têm logo sete céus. Parece que o mais sofisticado é
o Arabot, o sétimo céu.
Cá na Terra, sob a
abóboda celeste, outro paraísos existem.
Talvez o mais procurado
seja o das drogas.
Certo que é paraíso
ilusório. Aliás, tanto como os acima citados. Mas, também como os demais, agrada a muitos.
É incrível como tanta
gente se esquece que paraíso, paraíso de verdade, é a Vida.
Paraíso em que nem
tudo são anjos esvoaçantes.
Ele não é eterno. Tem
a vantagem de ser real.
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
A queda do poste
Marta Suplicy, petista de longa data e ex-ministra do governo Dilma, descobriu que tudo está errado no governo. A culpada é a "presidenta" Dilma.
Marta preferia que o candidato do PT tivesse sido Lula, o imaculado.
Mas se um poste cai e causa estragos à sua volta, a culpa é do poste ou de quem o colocou lá?
Marta preferia que o candidato do PT tivesse sido Lula, o imaculado.
Mas se um poste cai e causa estragos à sua volta, a culpa é do poste ou de quem o colocou lá?
domingo, 25 de janeiro de 2015
Enfim, a Esquerda
Na Grécia, o Syriza
chega ao poder. Com maioria absoluta ou quase.
Os gregos quiseram
assim. A nós, resta-nos acompanhar a experiência.
Cá na Europa a
Esquerda há muito clama por uma alternativa à austeridade.
Nunca disse qual sua
ideia a respeito dessa tal alternativa, a não ser suas costumeiras
trivialidades.
Finalmente teremos o
prazer ou o desprazer de conhecê-la: a decantada alternativa de
Esquerda.
Espero que o Syriza
governe como se faz com o violino: conquistado o poder pela Esquerda,
que o toque com a Direita. Ou dito de outra forma: que faça as pazes
com a realidade.
Note-se que a Grécia
tem uma peculiaridade em suas regras eleitorais: o partido que vence
as eleições ganha um bônus de 50 deputados a mais. Em um total de
300. Assim, torna-se mais provável que o vencedor tenha maioria
absoluta e possa governar sem precisar de coligação.
Isso, por um lado, facilita ao Syriza a implantação de suas ideias. Por outro diminui a possibilidade de desculpas em caso de fracasso.
Parêntese: algo
parecido com isso poderia ser adotado no Brasil, para a formação da
Câmara dos Deputados. Talvez o governo não precisasse gastar tanto
dinheiro a comprar deputados de outros partidos que não o de maior
bancada. Nem precisasse inventar tantos cargos na administração
para acomodar interesses da base aliada.
As dificuldades para se
adotar um procedimento desse tipo no Brasil decorrem, entre outras
razões, do sistema federativo e do regime presidencialista. Fecha
parêntese.
Não sou de esquerda,
amo a Europa. Desejo, portanto, que a Grécia reencontre seu rumo.
Mas não estou otimista em relação a isso.
Tomara esteja errado.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Quem será?
Tá bem. Já sei que Pepe Vargas é o Ministro das Relações Institucionais, no atual governo brasileiro.
Mas o que eu gostaria mesmo de saber é:
Qual é o Ministro das Relações Não Institucionais?
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Brasil, país com Alzheimer
No Brasil, tudo que aconteceu há - digamos - dois meses já caiu no esquecimento.
Olhem só essa nota perpetrada pela coluna do Giba Um (que se reporta a entrevista ao inefável Frei Betto).
Getúlio Vargas, parece, já não existiu.
Pra não falar em D. Pedro II...
PS:
Olhem só essa nota perpetrada pela coluna do Giba Um (que se reporta a entrevista ao inefável Frei Betto).
Getúlio Vargas, parece, já não existiu.
Pra não falar em D. Pedro II...
PS:
- Mandatos presidenciais - Getúlio Vargas: 31 de janeiro de 1951 – 24 de agosto de 1954, 3 de novembro de 1930 – 29 de outubro de 1945
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
Ítalo Tronca
Como resido em Portugal, só agora me deparo com a notícia de sua morte. Ítalo Tronca foi professor junto comigo no CAPI-Vestibulares, em 1968/69. Quando fui mandado embora de maneira injusta pelo dono do cursinho, ele foi um dos que conduziram o corpo docente a uma retirada unânime. Todos pediram demissão em solidariedade a mim. Nunca mais tive contacto com ele, mas guardei dele a melhor das recordações. A de sua imensa humanidade.
O episódio a que me refiro eu o contei aqui.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
A privatização da TAP
Parece que o acordo referendado pelo governo português prevê que ninguém seja mandado embora nos próximos cinco anos e que o nome da empresa nunca deixe de ser TAP.
Não consigo imaginar alguém a administrar bem uma empresa que se queira rentável com a obrigação de não mandar ninguém embora.
Não atinjo a compreensão da importância do nome TAP. Eu não me incomodaria em voar por empresa que se chamasse, digamos, ABóBORA. Desde que me tratassem bem, como não tem sido o caso nos vôos recentes da TAP.
Não consigo imaginar alguém a administrar bem uma empresa que se queira rentável com a obrigação de não mandar ninguém embora.
Não atinjo a compreensão da importância do nome TAP. Eu não me incomodaria em voar por empresa que se chamasse, digamos, ABóBORA. Desde que me tratassem bem, como não tem sido o caso nos vôos recentes da TAP.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
O feitiço e a feiticeira
Diante das críticas de Marta Suplicy o PT escolheu ficar em silêncio.
Podia ao menos dizer a ela:
Relaxa e goza.
Podia ao menos dizer a ela:
Relaxa e goza.
* * *
Marta entende que o PT "ou muda ou acaba".
Quanto a isso, estou com O Antagonista:
Tomara que o PT não mude.
Quanto a isso, estou com O Antagonista:
Tomara que o PT não mude.
sábado, 10 de janeiro de 2015
Adversativas
Expressões adversativas nunca foram tão significativas.
O atentado à Charlie Hebdo foi um ataque terrorista, injustificável e trágico.
Mas...
Apesar disso...
Contudo...
Veja bem...
O atentado à Charlie Hebdo foi um ataque terrorista, injustificável e trágico.
Mas...
Apesar disso...
Contudo...
Veja bem...
Levante dos Malés
O jornal O Globo traz hoje matéria sobre essa revolta de escravos muçulmanos em Salvador, Bahia, 1835.
Vale a leitura do texto integral (pag. 29). Vai aqui um excerto.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
Prendam os suspeitos de sempre
Pra não variar, os socialistas portugueses continuam no mundo da lua. A eurodeputada pelo PS (Partido Socialista) Ana Gomes garante que o terrorismo é resultado da austeridade.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
Cheio de graça
Há no Facebook, agora, uma página de um pastor (penso que batista, mas isso atualmente não interessa a quase ninguém) que se diz "cheio de graça".
Eu pensava que esse epíteto era exclusivo de Maria.
Eu preferia que ele se dissesse - para ser moderno - o primeiro gospel stand up comedian.
Isto me basta
Tinha eu meus onze ou
doze anos. Meu pai era o CEO (ou pastor, para ser mais tradicional)
de uma igreja batista, em Santos.
Havia por lá um rapaz,
o Arturzinho. Teria lá seus vinte e tal anos, criado em uma família
evangélica (não me lembro se metodista ou presbiteriana. Minha irmã
Léa certamente sabe), que queria tornar-se reverendo mas hesitava em
termos de doutrina. Tinha dúvidas entre ficar na denominação da
família ou bandear-se para os batistas.
Passou a visitar nossa
casa para discutir suas dúvidas doutrinárias com meu pai.
Passado algum tempo,
escolheu tornar-se batista.
Por que recordo essa
história?
Porque ela remonta a um
tempo em que doutrina era algo significativo.
Nestes tempos de agora,
percebo que as convicções de meus amigos batistas giram em torno de
uma experiência psicológica. E como tal, experiência individual,
solipsista.
Qualquer questão que
se levante a respeito de doutrina, a objeção é sempre do tipo:
“Tenho uma
experiência pessoal extraordinária com Jesus. E isto me basta”.
Não há como objetar
esse argumento.
Se eu afirmo que adoro
comer dióspiros (caquis), ninguém pode dizer que estou errado.
Aliás, o termo “errado” nem cabe em tal contexto. Gosto e
pronto.
O problema começa
quando quero convencer outras pessoas a gostarem de dióspiros.
Se eu disser, por
exemplo, que dióspiros curam cancro, tal afirmação passa a ser
digna de objeções e contra-argumentações. Ou dito de outra forma:
passa a necessitar de prova. De demonstração.
Quando se tenta
“converter” alguém, é necessário argumentar. O convencimento
exige alguma lógica.
Sempre se pode apelar à
emoção pura. Tentar induzir no outro aquela vivência psicológica
que afirmamos ter. Mas, nesse caso, envereda-se pelo tortuoso caminho
do charlatanismo.
Isso ganha mais
importância, me parece, quando nos referimos a crentes que se dizem
“missionários”. Ora, que missão é essa? A de trazer outros ao
rebanho.
Resta saber de que
modo.
Cada um faz sua
escolha.
sábado, 3 de janeiro de 2015
Ainda o custo da fé
Estávamos - a Léa e eu - ao lado da Catedral de Burgos.
Ao vermos essa placa, fomos à porta lateral para comprar os tais tickets.
Cada um custava sete euros. Desistimos.
Ao sairmos, diz a Léa:
- Não vou dar dinheiro a pedófilos.
E eu:
- Deixa de ser preconceituosa. Quem sabe eles gostam mais de homens maduros?
Ao vermos essa placa, fomos à porta lateral para comprar os tais tickets.
Cada um custava sete euros. Desistimos.
Ao sairmos, diz a Léa:
- Não vou dar dinheiro a pedófilos.
E eu:
- Deixa de ser preconceituosa. Quem sabe eles gostam mais de homens maduros?
Passeio de fim de ano - Burgos
Burgos é uma das cidades mais deslumbrantes que já vi.
A começar pelas luminárias da iluminação pública:
As esculturas em seus parques e jardins:
Por falar em parques e jardins:
Suas praças:
A catedral. Aqui, imagens da lateral:
Para entrar nela pagam-se sete euros por pessoa.
A inflação divina está mais ou menos como a da Dilma: a ultrapassar o topo da meta.
O jeito é continuar do lado de fora:
A frente da Catedral:
Mais imagens da cidade:
Rio Arlanzón, pertencente à bacia do Douro (Duero, em Espanha), atravessa Burgos:
Um bocadinho mais de Burgos:
Quer água?
Beba!
Aqui o moderno se harmoniza com o antigo:
Vamos ter de voltar a Burgos para aqui passar uns bons dias. Afinal, de Bragança até Burgos são apenas 325 km que podem ser percorridos tranquilamente em 3 horas.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
Banalidades
Dei-me conta, enquanto conduzia de Andorra a Burgos, que esta entrada de ano foi o meu 70º réveillon.
Desses setenta fins de ano, dois foram passados atrás das grades do Presídio Tiradentes, em São Paulo. Mas alguns dos outros 68 foram passados atrás de grades mais - ou menos - sutis.
Todos relembro com alguma emoção. Nenhum me é indiferente. Afinal, eles me compõem.
As fotos que seguem, mostram um deles. Por acaso este último. Que - espero - não tenha sido o derradeiro.
Entrada de ano passada em um hotel de Andorra a Velha (Hotel Plaza), a confraternizar com ucranianos muito simpáticos. Achei que não era o momento para perguntar se eram pró Rússia ou não.
Ainda durante o último dia do ano de 2014, não são fogos de artifício que cortam os céus de Andorra. É algum avião que irrompe do skyline e encaminha-se para o presumível infinito.
E a foto que eles gentilmente tiraram de nós.
Desses setenta fins de ano, dois foram passados atrás das grades do Presídio Tiradentes, em São Paulo. Mas alguns dos outros 68 foram passados atrás de grades mais - ou menos - sutis.
Todos relembro com alguma emoção. Nenhum me é indiferente. Afinal, eles me compõem.
As fotos que seguem, mostram um deles. Por acaso este último. Que - espero - não tenha sido o derradeiro.
Entrada de ano passada em um hotel de Andorra a Velha (Hotel Plaza), a confraternizar com ucranianos muito simpáticos. Achei que não era o momento para perguntar se eram pró Rússia ou não.
Ainda durante o último dia do ano de 2014, não são fogos de artifício que cortam os céus de Andorra. É algum avião que irrompe do skyline e encaminha-se para o presumível infinito.
Já à espera da ceia de fim de ano, registo a eficiente recepcionista e o diretor do Hotel. Os demais funcionários estavam muito ocupados para se deixarem fotografar.
O pianista era dos bons. E não deixou de lado nem Tom Jobim nem músicas portuguesas.
Leinha aguarda a ceia.
Gostaria imenso de fotografar os diversos grupos espalhados pelas várias mesas. Mas para não constranger ninguém, fiquei apenas nas imagens gerais, a mostrar o salão em seus vários recantos.
Fim da festa, Leinha - de máscara e demais adereços.
Confraternização com os vizinhos ucranianos.
E a foto que eles gentilmente tiraram de nós.
Já ao me retirar para o quarto, não resisti a pegar boleia e tirar também foto deste grupo.
Quadrilha
"O ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho (PT), deixou o posto nesta sexta-feira (2) disparando contra a oposição. "E a quem disse que perdeu a eleição para uma quadrilha, quero responder dizendo que essa é a nossa quadrilha..."
Aqui não se desmente ninguém.
Aqui não se desmente ninguém.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2015
Padrão Globo
As Organizações Globo, do Brasil, orgulharam-se sempre de seu "padrão de qualidade".
Tudo indica que o mandaram às favas no fim de 2014.
Ou talvez tenham aderido a algum padrão feminista de linguagem.
O substantivo "milhão" é masculino. Seja milhão de pessoas, de macacos, de travestis, ou seja lá o que for, teremos sempre "dois milhões de qualquer coisa".
Plim! Plim!
Tudo indica que o mandaram às favas no fim de 2014.
Ou talvez tenham aderido a algum padrão feminista de linguagem.
O substantivo "milhão" é masculino. Seja milhão de pessoas, de macacos, de travestis, ou seja lá o que for, teremos sempre "dois milhões de qualquer coisa".
Plim! Plim!
Happy New Euro
A Lituânia entra na Zona Euro. Pretende, com isso, diminuir sua dependência da Rússia.
As Esquerdas devem estar de luto. Putin, seu mais recente herói, perdeu alguns pontos.
As Esquerdas devem estar de luto. Putin, seu mais recente herói, perdeu alguns pontos.
Subscrever:
Mensagens (Atom)











