sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Blog novo


Um grande amigo meu, doutor em economia internacional, doutorado na Austrália, resolveu partilhar suas ideias, não só as que dizem respeito à economia, com o mundo da blogolândia.

Vale a leitura.




Apesar de ter vivido na Austrália durante alguns anos, ele é brasileiro e escreve em português.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O mundo


Quando o professor Giannotti, da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo, publicou sua tradução para o português do Tractatus Logico Philosophicus, de Ludwig Wittgenstein, na primavera de 1.968, contribuiu para criar, nas páginas do jornal O Estado de São Paulo, o Estadão, uma candente polémica com Vilem Flusser, na época residente em São Paulo.
Giannotti começa a tradução assim:
O mundo é tudo o que ocorre.
Flusser, por essa frase, acusou Giannotti de distorcer o pensamento de Wittgenstein, impingindo-lhe uma compreensão heraclitiana do mundo. Para Flusser, essa dinâmica sugerida pelo uso do verbo ocorrer é estranha a Wittgenstein.
Flusser sugere, então, outra tradução para a primeira frase do Tractatus:
O mundo é tudo o que é o caso.
Pode ter ficado mais fiel ao filósofo, mas seguramente tornou-se mais incompreensível.

Tão incompreensível quanto esse mundo wittgensteiniano, é o mundo do Novo Testamento.
Primeiro porque não há apenas um mundo, no Novo Testamento. Durante quase toda a vida de Jesus o mundo é algo prestes a sofrer uma enorme transformação: o estabelecimento do Reino de Deus. Reino terrestre, mesmo.
Apesar de haver interpretações diversas, parece que no final da vida Jesus passou a esperar por algo mais transcendente. O que não deixa dúvidas é que o passar do tempo sem que o tal Reino de Deus viesse levou os primeiros cristãos a jogar o Reino para um futuro incerto e sem localização terrena.

A partir de então, o mundo, já sem esperança de ser transformado em Reino de Deus na Terra, passou a ser visto tal como se lê em I João:
Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.
Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.
E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.
(1 João 2:15-17)

Por outro lado, os cristãos se deram a tarefa de evangelizar. Isto significa levar ao mundo a mensagem da salvação em Cristo.
Resta aos cristãos viver essa dialética: fugir do mundo para evitar o contágio da concupiscência, buscar o mundo para salvá-lo da ruína.

Ao que mostram os últimos muitos anos, o mundo está a ganhar essa batalha.
Afinal, é difícil resignar um mundo palpável e sensual para lançar-se a outra realidade etérea e incerta.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O presente de meu pai


Apesar de ter falecido em 1.961, meu pai continua presente na vida dos três filhos. Mas não é dessa presença que quero falar. Falo dos presentes que ele me deu ao longo de minha vida. Alguns ele deu um bocadinho sem querer. Minha primeira bicicleta, por exemplo. Ele ma havia prometido caso eu passasse no exame de admissão ao ginásio. Passei. Algo que ele entendia ser difícil para garoto tão avoado. Outros ele quis dar, mesmo. Por exemplo, um terreno no Guarujá. De algum modo ele pressentia que não conseguiria viver até me ver encaminhado na vida. O terreno serviu para que eu desse a entrada na compra de minha primeira casa. Outros ele me deu e eu não os aproveitei devidamente. Uma viagem a Poços de Caldas, por exemplo. Aos cinco anos, fui eu fazer companhia a ele, que lá estava para repousar. Apesar dos passeios de charrete, enjoei logo da monotonia daquela cidade e quis voltar. Um amigo da família, de passagem por Poços, encarregou-se de me devolver a Santos e - se ainda vive - não esqueceu da fatídica viagem de autocarro (/ônibus), na qual eu acabei com a tranquilidade de todos os passageiros ao fazer cocó nas calças.

(clique na foto para ampliá-la)


Mas o maior presente que ele me deu, ele o fez sem o saber: Deu-me a terra onde nasceu. E onde pretendo viver meus muitos últimos anos.


P.S:: Ele nasceu no dia 13 de Fevereiro de 1.906, em Passos de Lomba, Vinhais, Bragança, Portugal.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A lógica da escolha do Papa

Daqui a alguns dias, em 28 de Fevereiro, o Papa vai renunciar.
Vai, então, começar um novo processo de escolha de um novo Papa.
Diante disso, o monsenhor Darci Nicioli, bispo auxiliar da arquidiocese de Aparecida, no Brasil, disse o seguinte, em entrevista ao portal G1:

"Todos os cardeais com menos de 80 anos são candidatos e podem votar na escolha do novo Papa, mas sabemos que depende do espírito santo. Por isso, vamos rezar muito para que seja nomeado o melhor cardeal".

Vamos com calma: que eu saiba, a fé não depende da razão, mas tampouco a contraria. E não sou eu, um mísero ateu, quem o diz. O Catecismo da Igreja Católica, em sua resposta à pergunta 29 estabelece:

Pergunta 29: Por que não há contradições entre a fé e a ciência?
Embora a fé supere a razão, não poderá nunca existir contradição entre a fé e a ciência porque ambas têm origem em Deus. É o mesmo Deus que dá ao homem seja a luz da razão seja a luz da fé.
«Crê para compreender: compreende para crer» (Santo Agostinho)



Alguém consegue me explicar qual a lógica da declaração do monsenhor?

Ora, se a escolha depende do Espírito Santo (a turma do G1 já rebaixou a Divina Pomba a iniciais em minúsculas), há alguma possibilidade de não ser nomeado o melhor cardeal? Afinal, também segundo a Igreja (ao menos desde o século IV), o Espírito Santo compõe a Santíssima Trindade. Ou seja, o Espírito Santo é Deus. Convém à Sua perfeição que Ele leve os cardeais à melhor escolha.
Então, se é impossível que não seja escolhido o melhor cardeal, para que fim se prestarão nossas orações?

Se entendi o que dom Darci Nicioli disse, mesmo que o Divino Espírito Santo seja o encarregado da escolha, devemos orar para que seja escolhido o melhor cardeal, pois cautela e caldo de galinha...

Como se diz cá em Trás-os-Montes: Valha-me Deus!

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Mais Bragança


Algumas imagens obtidas do alto do Teatro Municipal.

A praça Cavaleiro Ferreira:

(clique nas fotos para ampliá-las)


Trecho inicial da avenida Sá Carneiro, interditado para o desfile dos caretos:




Um momento do desfile:




A Conservatória e o Tribunal:




Agora, uma vista da avenida das Forças Armadas:




Não podia faltar o Castelo:




Muito menos o pôr do sol:


sábado, 9 de fevereiro de 2013

Rotundas de Bragança (dia)


Vamos começar pela rotunda à qual se chega ao entrar-se em Bragança pela entrada principal, a partir da autoestrada A4:

(clique nas fotos para ampliá-las)







Agora a rotunda do Caçador, situada em uma região nova da cidade:








No alto da avenida das Forças Armadas, quase na entrada do túnel que leva à avenida Sá Carneiro e à praça Cavaleiro Ferreira (também conhecida como praça 1º de Maio), há a rotunda na qual foi erguido esse monumento ao 25 de Abril:










Quase na outra extremidade da avenida das Forças Armadas fica a rotunda do Lavrador Transmontano, mais conhecida como rotunda dos Touros:












Na avenida Cidade de Zamora, no encontro com a avenida Cidade de Leon,  fica esta rotunda dedicada à população rural, aos povos das aldeias:




A placa da Câmara Municipal de Bragança, já um bocadinho apagada, diz: Homenagem à população rural, pelo contributo para o desenvolvimento do concelho, representada neste elemento escultórico por três figuras, acompanhadas de três burros carregados com sacas de brasas e carvão, feixes de urze e produtos da terra. Seguem-se o nome do escultor e a data da inauguração do monumento.








Por fim, esta praça (que não é uma rotunda mas deveria ser, pois quase toda a gente faz manobras nela, com as viaturas, que só caberiam em uma rotunda). Fica na confluência da avenida Cidade de Leon com a avenida das Forças Armadas. As esculturas que nela se situam representam os caretos, elementos essenciais das festas de Carnaval da região transmontana.









Para breve, os mesmos monumentos fotografados à noite.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Sobre futebol

O brasileiro é um sujeito difícil de entender.

Elegeu, e reelegeu, para Presidente da República, um sujeito que se vangloria de ser quase analfabeto.
Até aí alguém pode argumentar que para o exercício do Poder Executivo basta ter boa intuição política, ideias claras sobre um programa de governo e vocação para o comando.

Mas, além disso, o brasileiro colocou no Supremo Tribunal Federal (STF), ou seja, no topo da magistratura do país, por meio da aprovação da maioria absoluta dos senadores da República, quase todos eleitos pelo povo, um cidadão que foi reprovado duas vezes no concurso para juiz (e, feliz ou infelizmente, desistiu de prestar um terceiro exame). E a Constituição da República exige que os ministros do STF tenham notável saber jurídico. Além de isso ser uma exigência do bom senso, convenhamos.

Vai daí, para compor a selecção de futebol para a próxima Copa do Mundo, o brasileiro quer que os jogadores seleccionados saibam jogar futebol.

Pode?!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Nada

Qualquer coisa é melhor que nada.
Até mesmo uma punhalada.
Nada é menos que coisa à toa,
Muito menos é coisa boa.
Nada deixa a gente arrasada,
Nada é bem pior do que nada.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

50 anos

Há dois dias este blogue completou 9 anos de existência.
Se os blogues têm características em comum com os cães, ele anda aí pelos 50 anos.

Além dessa semelhança com os cães, os blogues têm outras. Por exemplo, assim como Vinicius de Moraes dizia ser o whisky o cão engarrafado, pode ser dito que o blogue é o cão informatizado.

Meu blogue é meu melhor amigo. Quando estou triste, lá vou eu blogar melancolia.
Se alegre, divido com o blogue meu bom humor.
Indignado, desabafo no blogue.

Ele é qual o amor descrito em 1º Coríntios 13:

Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Questão de linguística

Estava eu a tentar aperfeiçoar-me no jogo de matraquilhos.
Descobri, então, que esse jogo chama-se, no Brasil, pebolim.
Desisti do tal jogo.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Mistérios

Tem acontecido, com preocupante frequência, de eu falar com as pessoas em português e ter a nítida sensação de que falei em copta. É o que me levam a crer as respostas que recebo.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Textos de baixa ajuda - 2



(clique na imagem para destacá-la)

Demissões na RTP e o Papa

Conta-se que João XXIII teria respondido assim à pergunta Quantas pessoas trabalham no Vaticano? :
- Mais ou menos a metade.

(clique na imagem para ampliá-la)


Não quero ser leviano. Nada conheço da estrutura da RTP. Mas a intuição me diz que o presidente da RTP, Alberto da Ponte, poderia muito bem guiar-se pela palavra do Sumo Pontífice.