sábado, 19 de janeiro de 2013

Passeio em Zamora

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Comecemos pelo restaurante onde saboreamos a melhor refeição dos últimos tempos. Se puder ir a Zamora, não deixe de visitar El Rincón de Antonio.






Essas árvores se unem de modo, para mim, misterioso...



Vejam aspectos do centro antigo de Zamora. É oportuno dizer que a parte moderna da cidade é ainda mais bonita.























terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O refúgio dos desejos


Meus desejos vivem no porão.
Lá, entre móveis e utensílios amontoados, moram meus desejos. Os gestos nobres de heróis de novela, a sordidez do bandido, o amor negado, o amor correspondido.
A pele muito alva da mulher inatingível.
Nos andares de cima desenrola-se a banalidade do real.
Vivo a subir e a descer a escada que une o porão ao mundo. Mas esse percurso é quase todo perpetrado no sonho.
E a indiferença da mulher de neve emudece meus desejos.
Ela, de certeza, irá desperdiçar a vida.
Quanto a mim, continuarei a alimentar meus desejos.
E a pedir que tenham paciência. Não há mais que aguardar.
Talvez, apenas talvez, a lembrança seja a única esperança.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Passeio em Toronto

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No início deste 2.013 fizemos um passeio de autocarro (/ônibus) pela região central de Toronto. A maioria das fotos foi tirada de dentro do autocarro em movimento. Umas poucas durante algumas paradas.
Meu filho e sua esposa é que saberiam legendar essas fotos.


















quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

No Lago de Sanabria (Espanha)

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Hoje fomos passear em Puebla de Sanabria, a uns 40 km de casa. Aí vão algumas fotos tiradas no lago. Hoje, em pleno inverno, tudo estava quase vazio. No verão, os espaços devem ser um tanto congestionados por lá.







sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Adeus, Canadá

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Hoje é o dia de deixar o Canadá. Triste por deixar os filhos, alegre por sabê-los felizes aqui.






Por despedida, aí vai uma foto das cataratas de Niagara, na manhã do primeiro dia do ano.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A queda

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Já na tarde do dia primeiro, ontem, com céu azul, sol e temperatura de -5ºC, fomos ver as cataratas mais de perto. Está aí uma queda nada compatível com derrota, pecado, fracasso. Aqui, queda é beleza, fartura, alegria.






Que as quedas, neste novo ano, sejam assim. Belas e alegres.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Fronteiras

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Passámos a entrada de ano junto às cataratas de Niagara. E, melhor que isso, junto a dois filhos e uma nora.

O show pirotécnico é comedido mas bastante bonito. O frio (à meia-noite de 31 de Dezembro a temperatura era de - 2ºC) e a neve acumulada por toda parte ajudavam os que haviam bebido mais do que o razoável: bastava atirar-se ao chão, deixar-se estar na neve por alguns instantes, para poder obter uma quase milagrosa recuperação. Ao menos é isso que espero ter ocorrido com um rapaz cujo périplo acompanhámos do alto de nosso quarto de hotel. Ele circulava, trôpego, por entre os veículos de um estacionamento ao ar livre, provavelmente à busca do seu. Em certo momento atirou-se a um colchão de neve, deixou-se ficar lá por instantes e, ao levantar, parecia mais equilibrado. Pouco depois o perdemos de vista.

Com as imagens abaixo, faço aqui minha homenagem a todos que acompanham este blogue há quase nove anos, aos leitores bissextos e aos que por aqui passarem por obra do acaso.

Os fogos de artifício das fotos são quase todos do lado canadense. Mas a quarta foto mostra os fogos americanos mais ao fundo. Estávamos na fronteira entre EUA e Canadá e, simultaneamente, na fronteira entre 2.012 e 2.013.

Meus votos são os de que as fronteiras - espaciais, temporais, interpessoais etc - não gerem conflitos em 2.013. Que os fogos sejam apenas de alegria e de comemoração. E, de preferência, silenciosos. Para que a Doga não se assuste (nem os outros animais).








sábado, 29 de dezembro de 2012

Morte anunciada

Quem achou que 2.012 terminaria sem boas notícias perdeu. É o meu caso.

Mas há situações em que é excelente perder.

A presidente do Brasil, aquela, que prefere ser referida como presidenta (aliás, quando éramos prisioneiros no Presídio Tiradentes, eu era detento e ela detenta), adiou para 2.016 a obrigatoriedade do tal Acordo Ortográfico.

Ou seja, como na antiga história da notícia da morte do gato, o Acordo Ortográfico subiu no telhado.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Dentro do Império

Ao chegar anteontem no salão da Imigração, no aeroporto de Newark, USA, comecei a viver emoção parecida com a de um grego ou judeu ou egípcio ou ou ou... que chegasse a Roma em época ao redor do início da Era Cristã (ou, como educadamente dizem os judeus, a Era Comum). Milhares de pessoas enfileiradas, à espera da condescendência do burocrata americano encarregado de avaliar a capacidade de cada um daqueles seres humanos para serem admitidos no Sagrado Império.

Ultrapassada a barreira, cá estamos. E o que nos contam surpreende. E surpreende pelo contraste entre a evidência de que este povo americano foi capaz de construir um país que se sobrepôs ao restante do planeta  de modo incontestável e a igual evidência de que se trata de um povo dotado de mentalidade e de comportamentos que deixam a qualquer um - que não habituado às idiossincrasias norte-americanas - de queixo caído.
Sou informado, por exemplo, que uma pacata idosa que resolveu enxugar seu gato no microondas e - óbvio -  explodiu o bichano, venceu a acção judicial para obtenção de indemnização pelo simples facto de que o manual do utente do microondas não estipulava - de modo explícito - que não se podia utilizar o microondas para enxugar gatos.
Já os pacotes de amendoins que se vendem nos mercados, além da óbvia informação que trazem sobre seu conteúdo - AMENDOINS - são obrigados a portar, logo abaixo, a informação adicional: Contém amendoim. Dado o gigantesco número de pessoas portadoras de alergia a amendoim, o que já não deixa de ser curioso, não basta colocar no pacote de amendoins que o conteúdo do pacote é de amendoins. É necessário acrescentar que o pacote contém amendoins.

Há muitos outros casos assim. Mas, para quem é dono do mundo, essas histórias são peanuts.

AVISO: Este post contém amendoim.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Do governo e da corrupção - 1

A corrupção empolga os leitores de jornais. Mas não deveria ser assim. Isso se tudo obedecesse à razão. Ocorre que a emoção, em geral, predomina.
Por que digo isso? Porque se um governante embolsa um montão de dinheiro mas faz a felicidade da nação, bem feito está. É simples: o Maluf, por exemplo, é acusado de ter embolsado centenas de milhões de dólares durante seus governos na cidade e no estado de São Paulo, Brasil. Ora, o orçamento da cidade de São Paulo, para 2.011, era de mais de 35 mil milhões (no Brasil se diz 35 bilhões) de reais. Algo da ordem de 20 mil milhões de dólares. Logo, a taxa - digamos assim - cobrada por Maluf, teria sido coisa em torno de 1 ou 2 ou 3% do orçamento anual da cidade. E olha que ele governou o estado de São Paulo todo e a cidade por vários anos. Se me perguntassem o que eu achava de pagar a alguém para gerir minha vida económico-financeira, durante vários anos, míseros 3% de minha renda de um ano, eu não teria dúvida: se ele fizer uma excelente gestão, negócio fechado!
Portanto, uma avaliação séria das gestões de Maluf à frente da prefeitura e do governo de São Paulo só depende da análise dos benefícios ou malefícios que ele trouxe à colectividade paulista durante seus períodos de mando.
Ah!, mas há o lado moral disso tudo.
Sim, no confessionário talvez Maluf tenha sido orientado no sentido de rezar um certo número de Ave-Marias. Mas, agora, já não mais estamos no terreno da política.

Política não é lugar para moralistas.

Voltaremos ao tema.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A Capadócia e eu

Segunda-feira. O céu, cá em Bragança, não sabe se quer deixar brilhar o sol ou se chama a chuva. Hesita.

Quanto a mim, preparo-me para a viagem de fim de ano. A visitar os filhos.

Abro meu gmail e me deparo com essa afirmação:

É impossível viver plenamente a Capadócia sem fazer um voo de balão

E me entupo de dúvidas.
Quero viver plenamente a Capadócia?
Aliás, onde é mesmo que fica a Capadócia? (isso é simples: vou ao Google e pronto. Estou na Turquia, em plena Capadócia).
Mas será que desejo fazer um voo de balão?
E mais: quero viver plenamente? O que será isso?!

De uma coisa tenho certeza (ou quase): de balão, jamais.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Fé e montanhas

Estávamos, a Léa e eu, a almoçar. Diante de nós a paisagem do Parque Natural de Montesinhos. Mas, com a chuva, pouco se via, graças à névoa. De repente, ela falou:
- Sei que, atrás daquela arvorezinha, fica uma montanha.
e eu:
- Isso se alguém de muita fé não a removeu.
Diz a Léa:
- Não! Essa montanha ninguém remove.

Fica, então, estabelecido:

A fé remove algumas montanhas. Não todas.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Portugal literal

Acabo de ver e ouvir no noticiário das 8 na RTP:
Em uma matéria sobre a venda de bacalhau nessa época de festas, o repórter entrevista um consumidor que acaba de comprar bacalhau:
- É para o Natal?
- Não. É pra mim.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Mais embustes com dinheiro público

Há dias em que preferia que não eliminassem partes de minha ignorância. É verdade que, dado ser ela infinita, eliminar dela um bocadinho não altera em nada sua magnitude.
Graças ao texto de Alberto Gonçalves na Sábado desta semana, fui apresentado ao conceito de crianças índigo.
É incrível como as superstições já existentes parecem não satisfazer a necessidade que grande parte das pessoas tem de acreditar em bobagens .
Já não bastavam as idiotices das religiões tradicionais, dos três monoteísmos dominantes com suas ramificações, das religiões africanas. Já não bastavam os vários ramos do espiritismo nem as seitas neopentecostais caça-níqueis.
Agora a moda é o ser quântico, a identidade quântica, a imortalidade quântica etc etc.
Para coroar esse  universo de imbecilidades e espertezas surge a criança índigo. E dá-lhe explicação sobre as cores da aura, sobre vidas anteriores e futuras.

Decididamente esta vida nossa de cada dia não parece ser suficiente para a avassaladora maioria das pessoas. É preciso acreditar que viemos de algum outro lugar. E / ou que iremos para uma nova vida no futuro.

Que seja.

Mas se quando os espertos tiram dinheiro dos crédulos eu não os condeno, porque pedem e tudo lhes é dado de bom grado pelos incautos, quando o que se subtrai é dinheiro público a coisa muda de figura.

Não gosto de pagar impostos para sustentar esses espertalhões.

É particularmente o caso, em Portugal, da Fundação Casa Índigo - Fundação para a Formação Consciencial e Cultural de Crianças Índigo, Jovens e Educadores.

Como relata Alberto Gonçalves, "o governo do eng. Sócrates reconheceu oficialmente a relevância da Casa Índigo, cujos cursos permitem aos professores do ensino público acumular créditos para progredir na carreira."

Quando alguém gasta seu rico dinheirinho para dar oferta nas igrejas de toda espécie, nada a opor. Cada um faz de seus recursos o que bem entende, desde que não transgrida as leis. Mas quando metem a mão em meu bolso sem meu consentimento já não aprecio.