O brasileiro é um sujeito difícil de entender.
Elegeu, e reelegeu, para Presidente da República, um sujeito que se vangloria de ser quase analfabeto.
Até aí alguém pode argumentar que para o exercício do Poder Executivo basta ter boa intuição política, ideias claras sobre um programa de governo e vocação para o comando.
Mas, além disso, o brasileiro colocou no Supremo Tribunal Federal (STF), ou seja, no topo da magistratura do país, por meio da aprovação da maioria absoluta dos senadores da República, quase todos eleitos pelo povo, um cidadão que foi reprovado duas vezes no concurso para juiz (e, feliz ou infelizmente, desistiu de prestar um terceiro exame). E a Constituição da República exige que os ministros do STF tenham notável saber jurídico. Além de isso ser uma exigência do bom senso, convenhamos.
Vai daí, para compor a selecção de futebol para a próxima Copa do Mundo, o brasileiro quer que os jogadores seleccionados saibam jogar futebol.
Pode?!
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Nada
Qualquer coisa é melhor que nada.
Até mesmo uma punhalada.
Nada é menos que coisa à toa,
Muito menos é coisa boa.
Nada deixa a gente arrasada,
Nada é bem pior do que nada.
Até mesmo uma punhalada.
Nada é menos que coisa à toa,
Muito menos é coisa boa.
Nada deixa a gente arrasada,
Nada é bem pior do que nada.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
50 anos
Há dois dias este blogue completou 9 anos de existência.
Se os blogues têm características em comum com os cães, ele anda aí pelos 50 anos.
Além dessa semelhança com os cães, os blogues têm outras. Por exemplo, assim como Vinicius de Moraes dizia ser o whisky o cão engarrafado, pode ser dito que o blogue é o cão informatizado.
Meu blogue é meu melhor amigo. Quando estou triste, lá vou eu blogar melancolia.
Se alegre, divido com o blogue meu bom humor.
Indignado, desabafo no blogue.
Ele é qual o amor descrito em 1º Coríntios 13:
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
Se os blogues têm características em comum com os cães, ele anda aí pelos 50 anos.
Além dessa semelhança com os cães, os blogues têm outras. Por exemplo, assim como Vinicius de Moraes dizia ser o whisky o cão engarrafado, pode ser dito que o blogue é o cão informatizado.
Meu blogue é meu melhor amigo. Quando estou triste, lá vou eu blogar melancolia.
Se alegre, divido com o blogue meu bom humor.
Indignado, desabafo no blogue.
Ele é qual o amor descrito em 1º Coríntios 13:
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Questão de linguística
Estava eu a tentar aperfeiçoar-me no jogo de matraquilhos.
Descobri, então, que esse jogo chama-se, no Brasil, pebolim.
Desisti do tal jogo.
Descobri, então, que esse jogo chama-se, no Brasil, pebolim.
Desisti do tal jogo.
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Mistérios
Tem acontecido, com preocupante frequência, de eu falar com as pessoas em português e ter a nítida sensação de que falei em copta. É o que me levam a crer as respostas que recebo.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Demissões na RTP e o Papa
Conta-se que João XXIII teria respondido assim à pergunta Quantas pessoas trabalham no Vaticano? :
- Mais ou menos a metade.
Não quero ser leviano. Nada conheço da estrutura da RTP. Mas a intuição me diz que o presidente da RTP, Alberto da Ponte, poderia muito bem guiar-se pela palavra do Sumo Pontífice.
- Mais ou menos a metade.
(clique na imagem para ampliá-la)
Não quero ser leviano. Nada conheço da estrutura da RTP. Mas a intuição me diz que o presidente da RTP, Alberto da Ponte, poderia muito bem guiar-se pela palavra do Sumo Pontífice.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
O defeito de Celina
Hoje Celina completa 100 anos. Assim, no presente do indicativo.
Celina não era perfeita. Ninguém é.
A imperfeição de Celina era o ser perdulária. Celina esbanjava Humanidade.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Eu, Souza Franco
Minha mãe era Celina Souza Franco. Aliás, Celyna Souza Franco.
Meu pai, Alberto Augusto ... de não se sabe o quê. Naquele tempo incorporava-se o sobrenome mais tarde, já na vida adulta.
Depois de vários dissabores em relação à família, meu pai adoptou o Alberto Augusto. Apenas.
Ao casar-se com minha mãe, aceitou que ela retirasse o Souza Franco. Minha mãe passou a ser, para o resto da vida, Celina Augusto.
Convivi muito com o lado materno da família.
Quase nada com o ramo paterno.
Ironia da vida, acabei por aproximar-me da vertente paterna. E a afastar-me do lado materno.
Vim conhecer a terra de meu pai e por aqui fiquei.
Agora, já faz 10 anos, Portugal é minha pátria.
Quanto aos parentes do lado materno, a religião nos afastou. Os primos com os quais mais convivi na infância fogem de mim como o diabo da cruz. São todos cristãos fervorosos, que detestam o mundo, como se diz nas igrejas baptistas. E eu, feliz ou infelizmente, vivo no mundo.
Paciência. As religiões, historicamente, foram sempre as grandes promotoras de guerras, perseguições e infâmias. Em minha família não seria diferente.
Ou é. Tenho, felizmente, uma tia que convive bem comigo, apesar de garantir em seu blogue que não gosta de incredulidades. O facto é que sei que gosta de mim, por mais incrédulo que eu seja.
Seu marido, catolicão da pesada, é uma figura fantástica, uma das melhores pessoas que já conheci.
É isso. O mundo é variado. E isso é muito bom. Desde criança gosto de drops misto.
Aos poucos, nos últimos anos, fui descobrindo que o lado materno de meu sangue não é assim tão adverso. Meu saudoso tio Vadinho, por exemplo, era alguém pra se ter no coração.
Meu tio Afrânio, lutador como poucos, me deu um primo pra lá de humano, com o qual vivo às turras pelas ideias malucas que ele acalenta. E que eu critico mas - lá no fundo - incentivo. Gosto que ele tenha todas as utopias do mundo.
E outros primos com os quais nunca convivi, mas gostaria de conhecer melhor.
Meu tio Paulo, que povoou minha infância com as delícias de seus exageros, como - por exemplo - a informação que me deu como garantida, quando eu tinha algo em torno dos 10 anos, de que no Maracanã cabiam dois milhões de pessoas.
Isso pra falar dos vivos. Dos que já morreram poderia falar bastante, também. Mas não cabe aqui.
Agora, graças ao Facebook, começo a conhecer um bocadinho de filhos e netos de meu tio Vadinho.
E vejo que é muito agradável ser um Souza Franco.
Meu pai, Alberto Augusto ... de não se sabe o quê. Naquele tempo incorporava-se o sobrenome mais tarde, já na vida adulta.
Depois de vários dissabores em relação à família, meu pai adoptou o Alberto Augusto. Apenas.
Ao casar-se com minha mãe, aceitou que ela retirasse o Souza Franco. Minha mãe passou a ser, para o resto da vida, Celina Augusto.
Convivi muito com o lado materno da família.
Quase nada com o ramo paterno.
Ironia da vida, acabei por aproximar-me da vertente paterna. E a afastar-me do lado materno.
Vim conhecer a terra de meu pai e por aqui fiquei.
Agora, já faz 10 anos, Portugal é minha pátria.
Quanto aos parentes do lado materno, a religião nos afastou. Os primos com os quais mais convivi na infância fogem de mim como o diabo da cruz. São todos cristãos fervorosos, que detestam o mundo, como se diz nas igrejas baptistas. E eu, feliz ou infelizmente, vivo no mundo.
Paciência. As religiões, historicamente, foram sempre as grandes promotoras de guerras, perseguições e infâmias. Em minha família não seria diferente.
Ou é. Tenho, felizmente, uma tia que convive bem comigo, apesar de garantir em seu blogue que não gosta de incredulidades. O facto é que sei que gosta de mim, por mais incrédulo que eu seja.
Seu marido, catolicão da pesada, é uma figura fantástica, uma das melhores pessoas que já conheci.
É isso. O mundo é variado. E isso é muito bom. Desde criança gosto de drops misto.
Aos poucos, nos últimos anos, fui descobrindo que o lado materno de meu sangue não é assim tão adverso. Meu saudoso tio Vadinho, por exemplo, era alguém pra se ter no coração.
Meu tio Afrânio, lutador como poucos, me deu um primo pra lá de humano, com o qual vivo às turras pelas ideias malucas que ele acalenta. E que eu critico mas - lá no fundo - incentivo. Gosto que ele tenha todas as utopias do mundo.
E outros primos com os quais nunca convivi, mas gostaria de conhecer melhor.
Meu tio Paulo, que povoou minha infância com as delícias de seus exageros, como - por exemplo - a informação que me deu como garantida, quando eu tinha algo em torno dos 10 anos, de que no Maracanã cabiam dois milhões de pessoas.
Isso pra falar dos vivos. Dos que já morreram poderia falar bastante, também. Mas não cabe aqui.
Agora, graças ao Facebook, começo a conhecer um bocadinho de filhos e netos de meu tio Vadinho.
E vejo que é muito agradável ser um Souza Franco.
domingo, 27 de janeiro de 2013
Nos tempos escuros
Um dia, no Presídio Tiradentes, surgiu - não sei de onde - uma vitrolinha. E, também não me lembro como, apareceu junto um LP de Nina Simone. E a interpretação dela de Ne me quitte pas.
Era tudo que eu queria ouvir, naqueles dias.
Que não me deixasse a esperança. Que não me abandonasse a alegria.
Que aquelas paredes sebosas da ala, o corredor que percorria as celas do Pavilhão 2, que aquelas paredes fossem provisórias, que o mundo voltasse a existir.
E tudo aconteceu como devia acontecer.
No início de 1.973 as portas se abriram. E retornei ao mundo.
E até hoje ouço Nina a cantar Ne me quitte pas com a emoção de alguém que foi resgatado.
sábado, 26 de janeiro de 2013
Sobre o aniversário de Santos
Hoje Santos comemora seus aninhos. Santos, a cidade brasileira em que nasci.
Não sei se gosto ou se não gosto de Santos.
Lá vivi meus primeiros 16 anos.
E, como todo mundo sabe, os primeiros 16 anos não são 16 anos quaisquer.
Fiz em Santos quase toda minha formação básica.
Lá vivi meus primeiros amores.
Lá tive de encarar a morte do pai.
Mas joguei futebol na praia, com Gilmar dos Santos Neves, Zito, Ipojucã.
Detestava o calor húmido da cidade. Frio, só com chuva. Mesmo assim, moderado.
Lá curti a bicicleta de minha vida. Por mais bicicletas que venha a ter (e, agora, tenho uma fantástica), jamais conseguirei outra com aquelas propriedades. Ou seja, jamais voltarei - eu - a ter as características que me fizeram conviver com aquela bicicleta.
As grandes e vitais experiências não se repetem.
Em Santos vivi em um lar em que eu não era o pai. Ao contrário. Eu era o menor. E isso tinha seu lado maravilhoso. É certo que era eu a ir à mercearia, à padaria, ao açougue.
Mas podia ser alegremente irresponsável.
Santos continua lá. Parece que melhor do que quando convivi com ela.
Terá alguma livraria decente? Duvido.
Terá uma escola como o Colégio Canadá da minha época? Nem pensar.
Mas sou santista. E isso não desgruda da gente assim tão fácil. É pra sempre.
Não sei se gosto ou se não gosto de Santos.
Lá vivi meus primeiros 16 anos.
E, como todo mundo sabe, os primeiros 16 anos não são 16 anos quaisquer.
Fiz em Santos quase toda minha formação básica.
Lá vivi meus primeiros amores.
Lá tive de encarar a morte do pai.
Mas joguei futebol na praia, com Gilmar dos Santos Neves, Zito, Ipojucã.
Detestava o calor húmido da cidade. Frio, só com chuva. Mesmo assim, moderado.
Lá curti a bicicleta de minha vida. Por mais bicicletas que venha a ter (e, agora, tenho uma fantástica), jamais conseguirei outra com aquelas propriedades. Ou seja, jamais voltarei - eu - a ter as características que me fizeram conviver com aquela bicicleta.
As grandes e vitais experiências não se repetem.
Em Santos vivi em um lar em que eu não era o pai. Ao contrário. Eu era o menor. E isso tinha seu lado maravilhoso. É certo que era eu a ir à mercearia, à padaria, ao açougue.
Mas podia ser alegremente irresponsável.
Santos continua lá. Parece que melhor do que quando convivi com ela.
Terá alguma livraria decente? Duvido.
Terá uma escola como o Colégio Canadá da minha época? Nem pensar.
Mas sou santista. E isso não desgruda da gente assim tão fácil. É pra sempre.
Teoria das bactérias
Antes de mais, permitam-me que confesse a autoria das ideias que seguem, para que ninguém me acuse de plágio. A Teoria das Bactérias é uma sistematização das ideias da Léa, minha mulher.
É verdade que plagiar costuma resultar. Haja vista o elevado conceito a que tem direito Martin Luther King, adicto do plágio. Mas isso é outra história.
Acontece que aprendi muito, nos últimos anos, com minha companheira, a respeito das tais bactérias.
Sem dúvida, elas preferem a cama à casa de banho. Aqui em casa, onde o responsável por arrumar a cama sou eu, sempre que um lençol é um bocadinho maior do que o desejável e fica a roçar o chão, Léa corre a dobrar as beiras das cobertas para que as bactérias não subam lençóis acima, alpinistas eméritas que são.
Em compensação, ela abandona despreocupada sua escova de dentes à beira da pia. Lá, ao que tudo indica, as bactérias ou são inofensivas ou mesmo inexistentes.
Ainda quanto à cama: não se deve deixar parte do lençol por cima da colcha que resguarda o leito. As bactérias descem qual pára-quedistas aproveitando-se - provavelmente - das partículas de pó que desgraçadamente insistem em cair por toda parte.
Sentar na cama desfeita com a roupa com a qual se foi à rua, nem pensar!
Seria o paraíso das bactérias. Milhares de milhões desses incansáveis seres aproveitariam esse pequeno descuido para transformar o momento em um verdadeiro desembarque de aliados na Normandia.
A cama tornar-se-ia presa fácil de tal exército.
Isso para não falar da cozinha. O segundo lugar mais procurado pelas bactérias, depois da cama do casal.
É verdade que, em relação às bactérias da cozinha, a Léa é um bocadinho laxista.
Quem sabe por ser território onde tem algumas responsabilidades.
Já minha filha mais nova não. Essa, lava com detergente as frutas que vai comer.
Mas parece que, nesse caso, o motivo não são as bactérias. São os agro-tóxicos.
Mas, aí, a teoria já é outra.
É verdade que plagiar costuma resultar. Haja vista o elevado conceito a que tem direito Martin Luther King, adicto do plágio. Mas isso é outra história.
Acontece que aprendi muito, nos últimos anos, com minha companheira, a respeito das tais bactérias.
Sem dúvida, elas preferem a cama à casa de banho. Aqui em casa, onde o responsável por arrumar a cama sou eu, sempre que um lençol é um bocadinho maior do que o desejável e fica a roçar o chão, Léa corre a dobrar as beiras das cobertas para que as bactérias não subam lençóis acima, alpinistas eméritas que são.
Em compensação, ela abandona despreocupada sua escova de dentes à beira da pia. Lá, ao que tudo indica, as bactérias ou são inofensivas ou mesmo inexistentes.
Ainda quanto à cama: não se deve deixar parte do lençol por cima da colcha que resguarda o leito. As bactérias descem qual pára-quedistas aproveitando-se - provavelmente - das partículas de pó que desgraçadamente insistem em cair por toda parte.
Sentar na cama desfeita com a roupa com a qual se foi à rua, nem pensar!
Seria o paraíso das bactérias. Milhares de milhões desses incansáveis seres aproveitariam esse pequeno descuido para transformar o momento em um verdadeiro desembarque de aliados na Normandia.
A cama tornar-se-ia presa fácil de tal exército.
Isso para não falar da cozinha. O segundo lugar mais procurado pelas bactérias, depois da cama do casal.
É verdade que, em relação às bactérias da cozinha, a Léa é um bocadinho laxista.
Quem sabe por ser território onde tem algumas responsabilidades.
Já minha filha mais nova não. Essa, lava com detergente as frutas que vai comer.
Mas parece que, nesse caso, o motivo não são as bactérias. São os agro-tóxicos.
Mas, aí, a teoria já é outra.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Solução à brasileira
Considerando que a Alemanha é, na actualidade, o país líder da Europa e que o Brasil lidera a América do Sul, parece-me razoável que o Brasil imite os germânicos em alguns aspectos, particularmente os políticos.
Por exemplo, penso que os líderes políticos brasileiros deveriam buscar aglutinar as forças partidárias em uma única - ou, ao menos, hegemónica - organização. Se o facto de tratar-se de partido único já agradaria suficientemente os actuais membros do Partido dos Trabalhadores, bem como de suas siglas satélites (PCdoB, PSOL etc), desde - é claro - que se insira no nome do partido a palavra democrático, alguma concessão poderia ser feita aos militantes do PSDB, DEM etc etc. Por exemplo, o uso da palavra liberal no nome da organização já seria talvez suficiente.
Tal agrupamento de forças tomaria emprestados, então, o nome e a sigla de um dos fortes partidos alemães, o Partido Democrático Liberal. Em alemão, Freie Demokratische Partei, ou mais sucintamente, FDP.
Por exemplo, penso que os líderes políticos brasileiros deveriam buscar aglutinar as forças partidárias em uma única - ou, ao menos, hegemónica - organização. Se o facto de tratar-se de partido único já agradaria suficientemente os actuais membros do Partido dos Trabalhadores, bem como de suas siglas satélites (PCdoB, PSOL etc), desde - é claro - que se insira no nome do partido a palavra democrático, alguma concessão poderia ser feita aos militantes do PSDB, DEM etc etc. Por exemplo, o uso da palavra liberal no nome da organização já seria talvez suficiente.
Tal agrupamento de forças tomaria emprestados, então, o nome e a sigla de um dos fortes partidos alemães, o Partido Democrático Liberal. Em alemão, Freie Demokratische Partei, ou mais sucintamente, FDP.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Ser mãe é só parir?
O Jornal Público, hoje, traz a seguinte matéria:
As entidades e pessoas que se mostram escandalizadas com a decisão de retirar alguns dos filhos à mulher que nada cumpriu do anteriormente combinado manterão sua devoção cívica acesa se as crianças continuarem a viver na situação em que hoje se encontram?
Os direitos humanos da mãe merecem mais respeito do que os direitos humanos das crianças que ela despejou no mundo sem maiores preocupações?
É evidente que essa história envolve questões que levam qualquer um a mixed feelings.
Mas quem tem o dever de decidir sobre a situação não pode vacilar entre sentimentos contraditórios. O Tribunal de Sintra decidiu privilegiar os direitos das crianças. E, ironicamente, a presidente de uma tal Comissão de Protecção de Crianças e Jovens revelou estar boquiaberta diante da decisão.
(clique na imagem para ampliá-la)
As entidades e pessoas que se mostram escandalizadas com a decisão de retirar alguns dos filhos à mulher que nada cumpriu do anteriormente combinado manterão sua devoção cívica acesa se as crianças continuarem a viver na situação em que hoje se encontram?
Os direitos humanos da mãe merecem mais respeito do que os direitos humanos das crianças que ela despejou no mundo sem maiores preocupações?
É evidente que essa história envolve questões que levam qualquer um a mixed feelings.
Mas quem tem o dever de decidir sobre a situação não pode vacilar entre sentimentos contraditórios. O Tribunal de Sintra decidiu privilegiar os direitos das crianças. E, ironicamente, a presidente de uma tal Comissão de Protecção de Crianças e Jovens revelou estar boquiaberta diante da decisão.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Vitórias de Pirro e falsos encantos
E, ontem, ganhei no Euromilhões. Pena que foram € 4,49. É aquele prémio para incentivar o jogador a continuar a jogar.
Da mesma forma como a vida nos dá pequenas alegrias cotidianas para que nos entusiasmemos a prosseguir.
A neve, por exemplo. Os flocos a cair e a paisagem a tornar-se branca nos transmitem a certeza de que é bom estar vivo.
Um cognac Martell Cordon Bleu, então, nem se fale. Deixa a gente de bem com a existência.
É certo que há a crise. Mas Portugal voltou aos mercados. Quem sabe haja luz no fim do túnel.
Por falar em túnel, para quando o final da construção do túnel do Marão? Certa vez ouvi José Carlos Barros a dizer, ele que é de Boticas:
- Nada funciona acima do Marão.
Quem sabe tudo passe a funcionar nestes Trás-os-Montes quando terminarem de furar o tal túnel.
Já os socialistas - leia-se António José Seguro - querem que o PSD governe com o programa do PS. Seguro desafiou Passos Coelho a pôr em prática a Agenda para o Crescimento e o Emprego, dos socialistas. Mas sossegou os credores internacionais dizendo~lhes claramente que caso o PS assuma o governo, honrará os compromissos do Estado português.
Ou seja, a bola deve ser quadrada, sem deixar de ser bola.
Nesse ponto, prefiro Lula que optou por governar, no Brasil, com o programa do governo anterior (Fernando Henrique Cardoso).
E também prefiro os comunistas e o Bloco de Esquerda (BE). A primeiríssima razão da minha preferência é que não há a mais remota hipótese de essa turma assumir o poder.
Depois, encanta-me a ingenuidade com que a jovem líder do BE, Catarina Martins, defende suas ideias. Cito o jornal Diário de Notícias, edição de hoje:
Jerónimo de Sousa, do PCP, desvalorizou o pedido do Governo. “Deslocaliza o problema para mais à frente quando o que se impunha era, de facto, uma renegociação da dívida”, disse. Catarina Martins, coordenadora do BE, defendeu que “uma renegociação dos termos do memorando não pode ser para prolongar mais a agonia da economia portuguesa”. “Tem de ser para haver uma reestruturação séria da dívida”, afirmou.
Cogito enviar a essa senhora uma senha para que consulte os jornais de São Paulo e Rio de Janeiro dos anos 80 e 90. Há neles montanhas de artigos da esquerda brasileira a defender a reestruturação séria da dívida, a renegociação da dívida, até mesmo - vamos logo ao extremo - o calote puro e simples.
A Jerónimo não mando palavra-passe nem nada. Já não tem mais idade para criar juízo.
Continuação!
Da mesma forma como a vida nos dá pequenas alegrias cotidianas para que nos entusiasmemos a prosseguir.
A neve, por exemplo. Os flocos a cair e a paisagem a tornar-se branca nos transmitem a certeza de que é bom estar vivo.
Um cognac Martell Cordon Bleu, então, nem se fale. Deixa a gente de bem com a existência.
É certo que há a crise. Mas Portugal voltou aos mercados. Quem sabe haja luz no fim do túnel.
Por falar em túnel, para quando o final da construção do túnel do Marão? Certa vez ouvi José Carlos Barros a dizer, ele que é de Boticas:
- Nada funciona acima do Marão.
Quem sabe tudo passe a funcionar nestes Trás-os-Montes quando terminarem de furar o tal túnel.
Já os socialistas - leia-se António José Seguro - querem que o PSD governe com o programa do PS. Seguro desafiou Passos Coelho a pôr em prática a Agenda para o Crescimento e o Emprego, dos socialistas. Mas sossegou os credores internacionais dizendo~lhes claramente que caso o PS assuma o governo, honrará os compromissos do Estado português.
Ou seja, a bola deve ser quadrada, sem deixar de ser bola.
Nesse ponto, prefiro Lula que optou por governar, no Brasil, com o programa do governo anterior (Fernando Henrique Cardoso).
E também prefiro os comunistas e o Bloco de Esquerda (BE). A primeiríssima razão da minha preferência é que não há a mais remota hipótese de essa turma assumir o poder.
Depois, encanta-me a ingenuidade com que a jovem líder do BE, Catarina Martins, defende suas ideias. Cito o jornal Diário de Notícias, edição de hoje:
Jerónimo de Sousa, do PCP, desvalorizou o pedido do Governo. “Deslocaliza o problema para mais à frente quando o que se impunha era, de facto, uma renegociação da dívida”, disse. Catarina Martins, coordenadora do BE, defendeu que “uma renegociação dos termos do memorando não pode ser para prolongar mais a agonia da economia portuguesa”. “Tem de ser para haver uma reestruturação séria da dívida”, afirmou.
Cogito enviar a essa senhora uma senha para que consulte os jornais de São Paulo e Rio de Janeiro dos anos 80 e 90. Há neles montanhas de artigos da esquerda brasileira a defender a reestruturação séria da dívida, a renegociação da dívida, até mesmo - vamos logo ao extremo - o calote puro e simples.
A Jerónimo não mando palavra-passe nem nada. Já não tem mais idade para criar juízo.
Continuação!
Muitos preferem a febre
O sociólogo Boaventura escreveu ontem no Público:
O artigo merece destaque: não é todo dia que se vê alguém de esquerda a pensar alternativas à política do presente governo.
Pena que as premissas que o autor impõe para que se concretize a alternativa por ele sonhada são de realização impossível: "Sim [as esquerdas poderão construir tal alternativa], mas só se se transformarem e se unirem, o que é exigir muito em pouco tempo.". Eu seria mais breve: é exigir muito. Ponto.
Dada a impossibilidade reconhecida pelo próprio articulista, chega a ser inócuo o restante do texto. Mas sejamos persistentes e vamos a ele.
"Primeiro, as esquerdas devem centrar-se no bem-estar dos portugueses e não nas possíveis reações dos credores."
Esta primeira assertiva lembra a piada dos náufragos isolados em uma ilha deserta, a discutir como abrir a lata de salsicha que lhes forneceria o único alimento disponível. Um deles, provavelmente um sociólogo de esquerda (pura maldade minha), dá a solução: Suponhamos que a lata esteja aberta.
Valha-me Deus: o problema a exigir solução é exactamente a existência de credores. Credores tão malvados que insistem em receber o que lhes devem.
O diabo que me impacienta é que passei anos e anos a ouvir, no Brasil, a esquerda - em particular o PT - a vociferar contra o pagamento da dívida brasileira, a pregar o calote etc etc. Para, nos últimos anos, ter de engolir o prestidigitador Lula a vangloriar-se de ter pago totalmente a tal dívida (o que não é facto, mas isso já é outra conversa).
"Segundo, o que historicamente une as esquerdas é a defesa do Estado social forte: educação pública obrigatória gratuita; serviço nacional de saúde tendencialmente gratuito, ou seja, taxas moderadoras, sim, co-pagamento, nunca; segurança social sustentável com sistema de pensões assente no princípio da repartição e não no de capitalização; bens estratégicos ou monopólios naturais (água, correios) nacionalizados."
Como sempre, descrever o paraíso é uma das especialidades das esquerdas...
E segue o sociólogo: a prioridade das prioridades deve ser a defesa do Estado social forte. E isto exige desenvolvimento. Desenvolvimento, por seu turno, exige investimento e criação de emprego.
Ele reconhece que para levar a cabo toda essa maravilha é preciso negociar com a troika. E sugere que as esquerdas se unam para serem duras nessa negociação.
Muito bem! Chegam os caçadores e matam o lobo mau. Não sem preservar a vovozinha que repousa serena no estômago do malvado.
Parece que nosso sociólogo é mais um a enxergar a política de austeridade como a fonte dos problemas e não como a possível - e única - solução.
O menino reclama por ter febre e precisar ficar acamado. Mas chora por não querer tomar o remédio.
(clique na imagem para ampliá-la)
O artigo merece destaque: não é todo dia que se vê alguém de esquerda a pensar alternativas à política do presente governo.
Pena que as premissas que o autor impõe para que se concretize a alternativa por ele sonhada são de realização impossível: "Sim [as esquerdas poderão construir tal alternativa], mas só se se transformarem e se unirem, o que é exigir muito em pouco tempo.". Eu seria mais breve: é exigir muito. Ponto.
Dada a impossibilidade reconhecida pelo próprio articulista, chega a ser inócuo o restante do texto. Mas sejamos persistentes e vamos a ele.
"Primeiro, as esquerdas devem centrar-se no bem-estar dos portugueses e não nas possíveis reações dos credores."
Esta primeira assertiva lembra a piada dos náufragos isolados em uma ilha deserta, a discutir como abrir a lata de salsicha que lhes forneceria o único alimento disponível. Um deles, provavelmente um sociólogo de esquerda (pura maldade minha), dá a solução: Suponhamos que a lata esteja aberta.
Valha-me Deus: o problema a exigir solução é exactamente a existência de credores. Credores tão malvados que insistem em receber o que lhes devem.
O diabo que me impacienta é que passei anos e anos a ouvir, no Brasil, a esquerda - em particular o PT - a vociferar contra o pagamento da dívida brasileira, a pregar o calote etc etc. Para, nos últimos anos, ter de engolir o prestidigitador Lula a vangloriar-se de ter pago totalmente a tal dívida (o que não é facto, mas isso já é outra conversa).
"Segundo, o que historicamente une as esquerdas é a defesa do Estado social forte: educação pública obrigatória gratuita; serviço nacional de saúde tendencialmente gratuito, ou seja, taxas moderadoras, sim, co-pagamento, nunca; segurança social sustentável com sistema de pensões assente no princípio da repartição e não no de capitalização; bens estratégicos ou monopólios naturais (água, correios) nacionalizados."
Como sempre, descrever o paraíso é uma das especialidades das esquerdas...
E segue o sociólogo: a prioridade das prioridades deve ser a defesa do Estado social forte. E isto exige desenvolvimento. Desenvolvimento, por seu turno, exige investimento e criação de emprego.
Ele reconhece que para levar a cabo toda essa maravilha é preciso negociar com a troika. E sugere que as esquerdas se unam para serem duras nessa negociação.
Muito bem! Chegam os caçadores e matam o lobo mau. Não sem preservar a vovozinha que repousa serena no estômago do malvado.
Parece que nosso sociólogo é mais um a enxergar a política de austeridade como a fonte dos problemas e não como a possível - e única - solução.
O menino reclama por ter febre e precisar ficar acamado. Mas chora por não querer tomar o remédio.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
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