sábado, 4 de agosto de 2012

Donostia (San Sebastián)

No país basco (Euskadi) fala-se espanhol mas preserva-se a língua original (Euskera).
Donostia (ou San Sebastián) é uma lindíssima cidade situada em uma pequena baía.

Algumas imagens colhidas do hotel em que ficámos, no monte Igueldo:


O mar:


A baía, lá em baixo:


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Antes da viagem

Antes de partir, fomos visitar as margens do rio Fervença, no centro de Bragança. Vão aí algumas imagens:


Há a ciclovia:



O caminho para se passear:


O rio Fervença:



A esplanada, para a gente se refrescar:


As vivendas que dão fundos para o parque:


Os equipamentos do parque:







O Centro Ciência Viva, muito bom!






Actualização (05/08/2.012): Sem dúvida estou cada vez mais velho e desmemoriado. Só agora me dei conta de que já publiquei quase essas mesmas fotos há menos de um mês. Como gostava de dizer meu pai, em latim claro, quod abundat non nocet ( o que abunda não prejudica).

Viagem

Estive alguns dias ausente do blog. É que fiz uma viagem com dois netos. Saímos de Bragança e fomos, de carro, até Paris, pernoitando em Donostia (San Sebastian, nos Países Bascos) e Limoges, já no coração da França. Depois de uma semana em Paris, voltamos por Cognac e Pamplona.

Logo, logo, coloco aqui algumas fotos da viagem.

Só pra começar, alguns detalhes da arquitectura do aeroporto Francisco Sá Carneiro, na Maia, onde fui buscar meus netos, vindos, um do Brasil, outro dos EUA. E onde os devolvi aos pais.




quinta-feira, 19 de julho de 2012

A Confraternização

Há alguns dias, ainda em Bragança, minha neta Bruna passou certo tempo a ler para mim várias dezenas de sugestões catalogadas em seu iPod para criar situações inusitadas dentro de um elevador.
Agora que estamos em Paris, mais precisamente no Hotel Concorde La Fayette, ela resolveu colocar uma delas em prática.
Acontece que esse hotel tem 34 andares. Os hóspedes são, em uma avaliação assim nada científica, 60% muçulmanos, 19% africanos, 19% orientais e, o resto, ocidentais.
Eis que entramos no elevador no térreo (rés do chão) para ir ao 7º andar, onde estamos instalados.
Elevador cheio. Dos mais variados tipos humanos.
Bruna vira-se para a parede do elevador e começa a miar.
- Miau! Miau! Miau!
Um  senhor que percebeu a brincadeira embarcou na ideia e respondeu:
- Miau!
Uma senhora resolveu imitar pato:
- Quac! Quac!
Quando saímos do elevador, no 7º andar, todos dentro dele faziam algum ruído de animal.

Penso que foi bom para todos.

domingo, 15 de julho de 2012

Prova da inexistência de Deus

Dizem que não é possível provar a inexistência de Deus. Apenas a sua existência.
Data maxima venia, eis uma prova de Sua inexistência:

Sou ateu. Um miserável ateu, com o perdão do pleonasmo.
Minha vida é, a cada dia, mais feliz. O destino me propiciou experiências muito enriquecedoras. E me cumula de alegrias a cada dia que passa.
Caso Deus existisse, tanta felicidade teria de ser creditada a Ele.
Em tal hipótese, Deus estaria a premiar um filisteu. A beneficiar um infiel.
Seria, portanto, injusto.
E um dos atributos essenciais do Divino é a Justiça.
Logo...

terça-feira, 10 de julho de 2012

Gimonde- freguesia do Concelho de Bragança

Hoje fomos almoçar em O Abel. Lá come-se uma posta de vitela que só o Abel sabe preparar. Servem uma saladinha de entrada, azeitonas e, claro, vinho. Junto com a postinha vem batata ao murro ou batata frita.

Eu disse postinha? Sim, mas dá, folgado, pra duas pessoas. Hoje, graças à presença da neta, pedimos uma posta e meia. Não sobrou nem cheiro. A neta ainda mandou ver uma baba de camelo como sobremesa.

Pra fazer a digestão, fomos dar uma voltinha junto ao rio Onor, ao pé da Ponte Romana. Aí vão algumas fotos:

Um ninho de cegonha:


A famosa Ponte Romana:


Bruna se pergunta se consegue atravessar o rio:


Hesita:


Analisa:


Finalmente, vai!


Conseguiu!



Agora a volta é mais fácil. Ao alto, mais um ninho de cegonha


Até mais!, Gimonde.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Passeio junto ao rio Fervença

Sábado, 7, chegou ao Porto a neta Bruna. No próximo sábado chega o neto Rafael. A Bruna vive em Westport, CT, USA. Rafael vive no Rio de Janeiro, BR. Ambos têm 12 anos. Iremos fazer um passeio, de carro, a Paris. Ah! Vai também a Doga.
Enquanto Rafael não chega, fomos passear ontem, domingo, às margens do rio Fervença, que atravessa Bragança. Aí vão algumas fotos:

Início de passeio. Logo após o almoço:



Eis o Fervença:



Na esplanada, pessoas aproveitam a temperatura amena desse dia de muito sol.


  Algumas vivendas junto ao parque do Fervença:


Equipamentos para crianças:




Já se avista o Centro Ciência Viva...


...com seus computadores de utilização gratuita (primeira hora), com internet, claro:


Tudo, no Centro, é interactivo. Muito bem cuidado e com instrutores excelentes.



Pra terminar, uma visão do Castelo:


Até mais!

quarta-feira, 4 de julho de 2012

As palavras eram poucas



Essa casa guarda o mistério. O jornal PÚBLICO conta um pouco da história em sua edição de hoje.
Santa Maria da Feira é uma pequena cidade do distrito de Aveiro, um tanto ao sul do Porto. Tem pouco mais de 11.000 habitantes.
A casa amarela da foto fica no seu centro histórico.
Emanuel sempre aí viveu. A família era: pai, mãe, uma irmã e ele. O pai faleceu de cancro quando Emanuel tinha lá seus 15 anos.
Fez seus estudos básicos e começou um curso superior de Economia na Universidade Portucalense. Não chegou a completar o primeiro ano. Trancou-se em casa e nunca mais ninguém o viu.
Tem, hoje, 38 anos. A mãe, funcionária do Registo Civil, agora aposentada, pedia que respeitassem a vontade do filho - a de não ser visto - sempre que os amigos dele o procuravam.
A irmã, pouco mais nova, casou-se e partiu. Emanuel não foi ao casamento nem nunca viu o cunhado.

Um primo da mãe de Emanuel insistiu em vê-lo, sem sucesso. Levou o caso à justiça, ao Ministério Público (MP) e, por fim, à Segurança Social. Foram feitas investigações que a nada levaram.

Agora, parece que alguém conseguiu falar com Emanuel:
"António Espassandim, uma das testemunhas ouvidas ontem pelo MP, contou que esteve com Emanuel no domingo. 'Está muito bem, conversa sobre tudo, política, futebol. É uma pessoa informada, um rapaz inteligente',  revelou ao PÚBLICO".

Um amigo de infância, vizinho, que cresceu quase paredes-meias, não o vê há cerca de 20 anos. “O Emanuel era uma pessoa normal, sociável, estudava, era pacato, não era de se meter em confusões”, garante. De um dia para o outro, deixou de o ver. Tal como os amigos mais próximos, tentou perceber o que se passava. Perguntava por ele à família. “Mas as palavras eram poucas”, diz. “É estranho e alguém tem de fazer alguma coisa, porque é de um ser humano de que estamos a falar.”


Diante de tudo isso, o povo cria mitos ("ele morreu e a mãe o está a velar" etc etc)  e os especialistas derramam possibilidades explicativas ("não [se] descarta a possibilidade de um quadro de esquizofrenia simples, em que se enquadram o desinteresse de experienciar relações sociais, a apatia, o isolamento social ou a incapacidade de experimentar prazer." Etc etc).


Penso que, nessa história, as palavras devem mesmo ser poucas.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

A reinvenção da roda

Quando alguém aparece com uma ideia já batida e a apresenta como novidade, costuma-se zombar do proponente com o dito
- Reinventaste a roda!

Pois, segundo um pesquisador britânico, a roda estaria a ser reintroduzida com força na Europa, em particular em Portugal. É o que informa a matéria de Helder Robalo no Diário de Notícias de hoje. Mas trata-se, aqui, da roda dos enjeitados, para a entrega à adopção de crianças indesejadas. É verdade que o pesquisador não apresenta dados concretos, prática, aliás, cada vez mais encontradiça.

Clique nas figuras para as ampliar


O que chamou mais minha atenção foi o facto de a roda dos enjeitados ter sido criação de um papa, no distante século 12.


Mesmo que se considere que a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) foi a principal causa, directa ou indirecta, dos motivos que levavam muitas mães a entregar os filhos à adopção, observo que ao menos buscou paliativo para o problema. Mesmo no Brasil, as tais rodas eram características de conventos e de outras instituições vinculadas à ICAR.

Tudo isso me leva a avaliar que, se em alguns aspectos a ICAR evoluiu (por exemplo, não sustenta mais que é o Sol que gira em torno da Terra; por exemplo, já não faz churrasco de hereges etc etc), em alguns outros temas regrediu e tornou-se cúmplice de verdadeiros genocídios, com sua política absolutamente irresponsável de combate ao métodos de prevenção da SIDA e de outras doenças sexualmente transmissíveis.

Parece que no século 12 havia um bocadinho mais de pragmatismo na Santa Madre Igreja.

Quanto ao Brasil, a roda tem sido profusamente utilizada, nas últimas décadas. Mas apenas nos motéis, para que os funcionários entreguem discretamente aos clientes as comidas e bebidas tão necessárias ao correcto desempenho das funções às quais se destinam tais estabelecimentos.

sábado, 30 de junho de 2012

Que língua é essa?

Estava, agora à tarde, a fazer umas comprinhas no Lidl, cá em Bragança. Não havia lá muita gente.
De repente, percebo uma senhora, junto ao marido, a procurar algo ou alguém nos corredores do mercado. Lá ao final de um dos corredores apareceu o que procurava: o filho - uns 13 anos - a empurrar o carrinho de compras da família. O menino apressou-se a alcançar a companhia dos pais. Mas antes que chegasse junto a eles, perguntou-lhes:

- Onde é que estáveis?

Não aplaudi. Mas me deu gana.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Sou biodegradável

Antes que me torne indesejável, anuncio: sou biodegradável.

Reforcei minha convicção agora, em meio a uma gripe daquelas. E, hoje, vou me degradar mais um bocadinho, a ponto de torcer pela selecção portuguesa contra os vizinhos espanhóis.

Aliás, a julgar pelos silêncios que tenho ouvido ao longo dos jogos dos portugueses na Euro 2012, talvez só eu esteja a preocupar-me com os destinos da selecção cá nesta terra abençoada por deus e bonita por natureza (esta sim, senhor Jorge Ben).

E já que falei em Jorge Ben, lembro-me de meu amigo Paulo Feofiloff. Começámos juntos no Instituto de Matemática e Estatística da USP. Pouco depois de ter saído da prisão, eu o convidei para ir à minha casa. Não sei se para almoçar ou jantar. Mas foi algo assim. Corria o ano de 1.973. Jorge Ben (que ainda não era Jorge Benjor), lançara seu LP de dez anos de carreira. Estava tudo lá, em um balanço inovador.

Eu, empolgado, fui mostrando a Paulo todas as faixas do disco. Ele as ouviu em silêncio.
Ao final, lá de dentro de sua formação musical erudita, típica de um oriundo da Rússia, com a honestidade intelectual que sempre foi a sua:

- Como é que você consegue gostar disso!?



Paulo, meu amigo. O pior é que continuo a gostar.

Outro grande amigo meu, o Luís, meu hermanito,  (aliás, nosso, pois também amigo de Paulo. Trocámos vasta correspondência durante o tempo em que eu estava no Brasil, Paulo em Waterloo, no Canadá, e Luís em Amesterdão.)  lembrou-me, dia desses, de um episódio de 1.970.

Levei à casa em que Luís vivia sozinho (seus pais haviam falecido havia pouco tempo), um militante do POC, o Gilberto, que tinha sido meu colega na Faculdade de Filosofia da USP. Minha intenção era que alguém, como Gilberto, tão sofisticado como era - e é - meu hermanito, pudesse convencê-lo a participar connosco da luta que entendíamos ser a única atitude possível diante da situação política brasileira.

Quando chegámos, Luís nos pediu que esperássemos um bocadinho e foi desligar a vitrola, que tocava Brahms. Gilberto comentou comigo:
- Não é saudável ouvir Brahms pela manhã.
Continuo sem saber se os médicos aconselham Brahms logo após o pequeno almoço, mas sinto saudade do Gilberto, com o qual nunca mais tive oportunidade de conviver.

Do Luís, felizmente, desfruto a companhia até hoje, apesar de, agora, existir um oceano entre nós. E, diga-se, o danado continua a ouvir Brahms de manhã. Foi, dia desses, assistir ao ensaio da OSESP na Sala São Paulo. Teve de engolir dois concertos de Brahms pela manhã. Depois não diga que não avisei...

De Brahms a Jorge, continuo a degradar-me.

E, se depender de mim, os defensores da Lusitânia, incluído aí o mestre Pepe, digno representante de Maceió, esmagam hoje os magos espanhóis.

Saravá!

PS:  Esmagar não esmagaram. Mas venderam caro a derrota. (22:50 h)

domingo, 10 de junho de 2012

Mais ignorância

Não sei como isso é possível:  minha ignorância a respeito de catolicismo é total. E, no entanto, não pára de crescer.
Um primo, mistura de cardecista* com pesquisador de ETs, me envia um powerpoint com um retrato de Nossa Senhora (como sou ateu, melhor seria dizer Vossa Senhora...). O retrato foi feito pelo pintor Vicente D'Ávila, da cidade de São Paulo, em 1.984, orientado por Chico Xavier, a quem o espírito Emmanuel ditou a imagem a ser pintada.

O que mais me surpreendeu, no resultado da empreitada, foi que Maria, lá do Oriente Médio do início da era cristã, saiu um bocadinho parecida com a Xuxa.


Já outro dia, em conversa com amiga brasileira que vive cá em Bragança, também cardecista*, ouvi do orgulho dela em reconhecer a fisionomia de Nossa Senhora de Fátima nas imagens que se vendem por aí.
- Mas todas as Nossas Senhoras não são iguais?
- Não!
- Mas não são todas elas aparições distintas da mesma Maria?
- São. Mas cada Nossa Senhora tem uma fisionomia diferente!

Muito estranho. Mas, pensando bem, para uma religião monoteísta que possui três deuses, essa variedade de fisionomias da Mãe de Deus não chega a ser o principal mistério.

(*) cardecista: discípulo de Hippolyte Léon Denizard Rivail, Allan Kardec para os íntimos.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Corpus Christi

Não entendo patavina de catolicismo. Mas, salvo engano, se entendi o significado de Eucaristia, hoje é o dia em que os católicos comemoram o facto de serem canibais e vampiros ao mesmo tempo.
Mundo estranho, este.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

domingo, 3 de junho de 2012

Oba! Ma?

Logo depois de sua eleição a presidente dos EUA eu o chamei, aqui, de pastel de vento.

É verdade que eu, em política, sou vários zeros à esquerda. Não fosse e não teria me enfiado nas besteiras em que me meti, não teria curtido um bom tempo de sol quadrado etc etc. Mas, vez ou outra, dou uma dentro.

Hoje, a julgar pelo que leio na imprensa e, principalmente, nas pesquisas para a eleição americana, Obama já deixou de ser aquela maravilha de 2.008.

Em matéria de EUA não sou nem republicano nem democrata. Sou apenas avô de uma americaninha sensacional.

sábado, 2 de junho de 2012

E mir? Sader!

Recebo diariamente os e-mails de Carta Capital. Há lá, sempre, link para o Blog do Emir.
Apesar de guardar alguma lembrança agradável da rápida convivência com ele, lá no início dos anos 70, não costumo ler o que escreve.
Até que, dia desses, um post dele chamou minha atenção: De ex a anti-esquerdistas.

Começa por referir-se a um artigo de Isaac Deustcher. Vai daí, o restante do texto fica naquele limbo: será a opinião de Deustcher ou a opinião de Emir? Penso que é a de ambos.

Trata-se de análise das diferentes formas que assume a passagem de um esquerdista a “furibundo anti-esquerdista”.

Uma dessas “passagens” começa por condenar o stalinismo para terminar “condenando a Lenin e, finalmente, a Marx e ao marxismo “.

Há os tipos padrão, os que foram de esquerda, militantes mesmo, de repente 'se arrependem', largam tudo, renegam, denunciam seu passado e seus companheiros, os ídolos em que acreditaram cegamente, para se entregar de armas, bagagens e, frequentemente, emprego, para a direita.”

Depois de citar alguns outros tipos, segundo ele – ou Deustcher – abjetos, termina:
Há ainda escritores, intelectuais, músicos, decadentes, em triste fim de carreira, que abandonam posturas rebeldes que tiveram no passado para submeter-se aos donos do poder e dos meios de comunicação em troca de espaços para escrever, prêmios, elogios, que confirmam sua perda de dignidade no fim da carreira.

Enfim: os que abandonam a esquerda ou são do tipo que denuncia companheiros, ou “ganham espaços na mídia de direita – desde direção de revistas a colunas em jornais, convites para a televisão – como prêmio pela sua adesão” ou submetem-se aos donos do poder.


Emir, não sei por que, não mencionou os que viajaram para Paris em 1.971 ao menor sinal de perigo, nem os que – ao retornar com a anistia – aceitaram convite da joia da coroa da Imprensa Golpista para comentarem política internacional na Globo News. Talvez por não terem deixado de ser esquerdistas...


De qualquer modo, fico feliz em ter saído de um país em que a discussão política ainda se dá nesses termos.


E não consigo entender como pessoas que respeito intelectualmente ainda levam a sério o pensamento de um Emir Sader.