quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

No Lago de Sanabria (Espanha)

(clique nas fotos para ampliá-las)


Hoje fomos passear em Puebla de Sanabria, a uns 40 km de casa. Aí vão algumas fotos tiradas no lago. Hoje, em pleno inverno, tudo estava quase vazio. No verão, os espaços devem ser um tanto congestionados por lá.







sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Adeus, Canadá

(clique na foto para ampliá-la)


Hoje é o dia de deixar o Canadá. Triste por deixar os filhos, alegre por sabê-los felizes aqui.






Por despedida, aí vai uma foto das cataratas de Niagara, na manhã do primeiro dia do ano.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A queda

(clique nas fotos para ampliá-las)


Já na tarde do dia primeiro, ontem, com céu azul, sol e temperatura de -5ºC, fomos ver as cataratas mais de perto. Está aí uma queda nada compatível com derrota, pecado, fracasso. Aqui, queda é beleza, fartura, alegria.






Que as quedas, neste novo ano, sejam assim. Belas e alegres.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Fronteiras

(clique nas fotos para ampliá-las)


Passámos a entrada de ano junto às cataratas de Niagara. E, melhor que isso, junto a dois filhos e uma nora.

O show pirotécnico é comedido mas bastante bonito. O frio (à meia-noite de 31 de Dezembro a temperatura era de - 2ºC) e a neve acumulada por toda parte ajudavam os que haviam bebido mais do que o razoável: bastava atirar-se ao chão, deixar-se estar na neve por alguns instantes, para poder obter uma quase milagrosa recuperação. Ao menos é isso que espero ter ocorrido com um rapaz cujo périplo acompanhámos do alto de nosso quarto de hotel. Ele circulava, trôpego, por entre os veículos de um estacionamento ao ar livre, provavelmente à busca do seu. Em certo momento atirou-se a um colchão de neve, deixou-se ficar lá por instantes e, ao levantar, parecia mais equilibrado. Pouco depois o perdemos de vista.

Com as imagens abaixo, faço aqui minha homenagem a todos que acompanham este blogue há quase nove anos, aos leitores bissextos e aos que por aqui passarem por obra do acaso.

Os fogos de artifício das fotos são quase todos do lado canadense. Mas a quarta foto mostra os fogos americanos mais ao fundo. Estávamos na fronteira entre EUA e Canadá e, simultaneamente, na fronteira entre 2.012 e 2.013.

Meus votos são os de que as fronteiras - espaciais, temporais, interpessoais etc - não gerem conflitos em 2.013. Que os fogos sejam apenas de alegria e de comemoração. E, de preferência, silenciosos. Para que a Doga não se assuste (nem os outros animais).








sábado, 29 de dezembro de 2012

Morte anunciada

Quem achou que 2.012 terminaria sem boas notícias perdeu. É o meu caso.

Mas há situações em que é excelente perder.

A presidente do Brasil, aquela, que prefere ser referida como presidenta (aliás, quando éramos prisioneiros no Presídio Tiradentes, eu era detento e ela detenta), adiou para 2.016 a obrigatoriedade do tal Acordo Ortográfico.

Ou seja, como na antiga história da notícia da morte do gato, o Acordo Ortográfico subiu no telhado.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Dentro do Império

Ao chegar anteontem no salão da Imigração, no aeroporto de Newark, USA, comecei a viver emoção parecida com a de um grego ou judeu ou egípcio ou ou ou... que chegasse a Roma em época ao redor do início da Era Cristã (ou, como educadamente dizem os judeus, a Era Comum). Milhares de pessoas enfileiradas, à espera da condescendência do burocrata americano encarregado de avaliar a capacidade de cada um daqueles seres humanos para serem admitidos no Sagrado Império.

Ultrapassada a barreira, cá estamos. E o que nos contam surpreende. E surpreende pelo contraste entre a evidência de que este povo americano foi capaz de construir um país que se sobrepôs ao restante do planeta  de modo incontestável e a igual evidência de que se trata de um povo dotado de mentalidade e de comportamentos que deixam a qualquer um - que não habituado às idiossincrasias norte-americanas - de queixo caído.
Sou informado, por exemplo, que uma pacata idosa que resolveu enxugar seu gato no microondas e - óbvio -  explodiu o bichano, venceu a acção judicial para obtenção de indemnização pelo simples facto de que o manual do utente do microondas não estipulava - de modo explícito - que não se podia utilizar o microondas para enxugar gatos.
Já os pacotes de amendoins que se vendem nos mercados, além da óbvia informação que trazem sobre seu conteúdo - AMENDOINS - são obrigados a portar, logo abaixo, a informação adicional: Contém amendoim. Dado o gigantesco número de pessoas portadoras de alergia a amendoim, o que já não deixa de ser curioso, não basta colocar no pacote de amendoins que o conteúdo do pacote é de amendoins. É necessário acrescentar que o pacote contém amendoins.

Há muitos outros casos assim. Mas, para quem é dono do mundo, essas histórias são peanuts.

AVISO: Este post contém amendoim.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Do governo e da corrupção - 1

A corrupção empolga os leitores de jornais. Mas não deveria ser assim. Isso se tudo obedecesse à razão. Ocorre que a emoção, em geral, predomina.
Por que digo isso? Porque se um governante embolsa um montão de dinheiro mas faz a felicidade da nação, bem feito está. É simples: o Maluf, por exemplo, é acusado de ter embolsado centenas de milhões de dólares durante seus governos na cidade e no estado de São Paulo, Brasil. Ora, o orçamento da cidade de São Paulo, para 2.011, era de mais de 35 mil milhões (no Brasil se diz 35 bilhões) de reais. Algo da ordem de 20 mil milhões de dólares. Logo, a taxa - digamos assim - cobrada por Maluf, teria sido coisa em torno de 1 ou 2 ou 3% do orçamento anual da cidade. E olha que ele governou o estado de São Paulo todo e a cidade por vários anos. Se me perguntassem o que eu achava de pagar a alguém para gerir minha vida económico-financeira, durante vários anos, míseros 3% de minha renda de um ano, eu não teria dúvida: se ele fizer uma excelente gestão, negócio fechado!
Portanto, uma avaliação séria das gestões de Maluf à frente da prefeitura e do governo de São Paulo só depende da análise dos benefícios ou malefícios que ele trouxe à colectividade paulista durante seus períodos de mando.
Ah!, mas há o lado moral disso tudo.
Sim, no confessionário talvez Maluf tenha sido orientado no sentido de rezar um certo número de Ave-Marias. Mas, agora, já não mais estamos no terreno da política.

Política não é lugar para moralistas.

Voltaremos ao tema.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A Capadócia e eu

Segunda-feira. O céu, cá em Bragança, não sabe se quer deixar brilhar o sol ou se chama a chuva. Hesita.

Quanto a mim, preparo-me para a viagem de fim de ano. A visitar os filhos.

Abro meu gmail e me deparo com essa afirmação:

É impossível viver plenamente a Capadócia sem fazer um voo de balão

E me entupo de dúvidas.
Quero viver plenamente a Capadócia?
Aliás, onde é mesmo que fica a Capadócia? (isso é simples: vou ao Google e pronto. Estou na Turquia, em plena Capadócia).
Mas será que desejo fazer um voo de balão?
E mais: quero viver plenamente? O que será isso?!

De uma coisa tenho certeza (ou quase): de balão, jamais.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Fé e montanhas

Estávamos, a Léa e eu, a almoçar. Diante de nós a paisagem do Parque Natural de Montesinhos. Mas, com a chuva, pouco se via, graças à névoa. De repente, ela falou:
- Sei que, atrás daquela arvorezinha, fica uma montanha.
e eu:
- Isso se alguém de muita fé não a removeu.
Diz a Léa:
- Não! Essa montanha ninguém remove.

Fica, então, estabelecido:

A fé remove algumas montanhas. Não todas.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Portugal literal

Acabo de ver e ouvir no noticiário das 8 na RTP:
Em uma matéria sobre a venda de bacalhau nessa época de festas, o repórter entrevista um consumidor que acaba de comprar bacalhau:
- É para o Natal?
- Não. É pra mim.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Mais embustes com dinheiro público

Há dias em que preferia que não eliminassem partes de minha ignorância. É verdade que, dado ser ela infinita, eliminar dela um bocadinho não altera em nada sua magnitude.
Graças ao texto de Alberto Gonçalves na Sábado desta semana, fui apresentado ao conceito de crianças índigo.
É incrível como as superstições já existentes parecem não satisfazer a necessidade que grande parte das pessoas tem de acreditar em bobagens .
Já não bastavam as idiotices das religiões tradicionais, dos três monoteísmos dominantes com suas ramificações, das religiões africanas. Já não bastavam os vários ramos do espiritismo nem as seitas neopentecostais caça-níqueis.
Agora a moda é o ser quântico, a identidade quântica, a imortalidade quântica etc etc.
Para coroar esse  universo de imbecilidades e espertezas surge a criança índigo. E dá-lhe explicação sobre as cores da aura, sobre vidas anteriores e futuras.

Decididamente esta vida nossa de cada dia não parece ser suficiente para a avassaladora maioria das pessoas. É preciso acreditar que viemos de algum outro lugar. E / ou que iremos para uma nova vida no futuro.

Que seja.

Mas se quando os espertos tiram dinheiro dos crédulos eu não os condeno, porque pedem e tudo lhes é dado de bom grado pelos incautos, quando o que se subtrai é dinheiro público a coisa muda de figura.

Não gosto de pagar impostos para sustentar esses espertalhões.

É particularmente o caso, em Portugal, da Fundação Casa Índigo - Fundação para a Formação Consciencial e Cultural de Crianças Índigo, Jovens e Educadores.

Como relata Alberto Gonçalves, "o governo do eng. Sócrates reconheceu oficialmente a relevância da Casa Índigo, cujos cursos permitem aos professores do ensino público acumular créditos para progredir na carreira."

Quando alguém gasta seu rico dinheirinho para dar oferta nas igrejas de toda espécie, nada a opor. Cada um faz de seus recursos o que bem entende, desde que não transgrida as leis. Mas quando metem a mão em meu bolso sem meu consentimento já não aprecio.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Lições da literatura de auto-ajuda

Uma das coisas que gostaria de entender - e são tantas! - é o porquê da literatura de auto-ajuda ser tão apreciada por milhões de pessoas.
Claro. Há explicações simples, tais como:
A grande maioria das pessoas é simplória.
É verdade. Mas uma explicação dessas serve para a literatura de auto-ajuda, para grande parte dos programas de TV, para os gigantescos shows de música pop etc etc.

Eu procuro uma explicação mais específica. Quero entender por que multidões se enternecem com a literatura de auto-ajuda, mesmo quando essa vem por atacado, em livros de várias centenas de páginas.

Uma das maiores - talvez a maior - das minhas dificuldades para decifrar esse enigma seja meu fraquíssimo conhecimento dessa literatura. Conheço muito pouco da literatura de auto-ajuda. Pior: não gostaria de conhecer mais. Mas, feliz ou infelizmente, o Facebook e os powerpoints que me mandam por e-mail me fazem travar contacto com ela.

Então, vamos lá.
Partamos de um exemplo:


O texto começa com a constatação de que pássaros comem formigas, mas depois de mortos são comidos por elas. Nem sei se isso é verdade, mas deve ser. Nunca fiquei a observar um pássaro até o sublime instante de ele saborear algumas formigas. Quanto ao tal fenómeno inverso, é verdade que já vi formigas a devorar baratas. Com um bocadinho de esforço posso imaginá-las a comer um pássaro.
O que interessa aqui é que parece que os textos de auto-ajuda começam sempre por alguma constatação factual dificilmente questionável. É uma forma de ganhar, logo de início, a concordância do leitor.
Se eu começo por dizer algo como: a chuva molha, quem me lê já estará a concordar comigo desde o começo. Um bom começo.
Como consegui a simpatia inicial de meu leitor, vou agora pegá-lo desprevenido:
Tempo e circunstâncias podem mudar a qualquer minuto.
Beleza. Joguei uma segunda frase em cima de um leitor já despido de resistências.
Mas, como estamos atrás de um entendimento da mecânica da auto-ajuda, vamos parar um bocadinho nessa frase.
Quer ela dizer que duas coisas podem mudar a qualquer minuto. Quais são elas? Ora, o tempo e as circunstâncias.
Alto lá! Quer dizer que o tempo pode mudar a qualquer minuto? Eu diria que não só pode como não tem outra alternativa. Afinal, minuto é uma das medidas do decorrer do tempo. O tempo não só pode como, digamos assim, é obrigado a mudar a cada minuto. A menos que se trate, aqui, do tempo climático. O texto que vem lá pra frente indica que não.
Quanto às circunstâncias, seje lá o que seje isso, podem mudar ou não. Depende das circunstâncias.

Mas voltemos ao nosso leitor ávido de ensinamentos simplórios: como já foi agarrado pela primeira frase, bastante factual, ele engole a segunda sem parar pra pensar.

A partir daí o autor do texto, seguro de ter o leitor a seu favor, toma coragem e parte para a conclusão:
Por isso, não desvalorize ou machuque ninguém e nenhuma coisa à sua volta.
Por isso é - aqui - o elo de ligação lógico entre as premissas e a conclusão.
Quer dizer que já que formigas e pássaros se devoram mutuamente eu não devo machucar ninguém? A conclusão lógica não deveria ser exactamente o contrário?
Se formigas e passarinhos, seres tão valorizados em relação a, por exemplo, cigarras e ratos, fazem toda essa maldade uns com os outros, por que diabos eu não devo machucar ninguém?!
Nem desvalorizar?
Quer dizer que porque formigas e pássaros se devoram mutuamente eu nem posso dizer, de alguém:
- Esse sujeito não é lá essas coisas que dizem...

Continuemos.
Você pode ter poder hoje, mas, lembre-se:  o tempo é muito mais poderoso do que qualquer um de nós.

Vou deixar de lado o facto de que o (a) autor(a) do texto distribui vírgulas como quem joga queijo ralado em espaguete. Só quero assinalar que essa mania parece permear todos os textos de auto-ajuda.

Quanto ao conteúdo: agora que você já foi dominado pelo texto, o autor deita e rola. Se ele dissesse algo como o infinito é mais poderoso do que qualquer vassoura, daria no mesmo.

Porra! Qual é o significado de o tempo é muito mais poderoso do que qualquer um de nós ?!?!
Mas o leitor, já inebriado pelas assertivas anteriores, pensa logo: É verdade. Estou a tornar-me velho. E isso é inevitável.
Diga-se, a bem da precisão, que não é inevitável. Pode-se morrer jovem.
Mas o leitor, que ao que tudo indica ainda não partiu desta para melhor, está a ser vencido - mesmo - pelo poderoso tempo. Ou, mais ainda, pelo poderoso texto.

Agora, à guisa de fecho, vem mais um facto:
Saiba que uma árvore faz um milhão de fósforos, mas basta um fósforo para queimar milhões de árvores.

Lindo! É certo que se trata de uma metáfora. Afinal, fósforos - que eu saiba - não nascem em árvores. Mas a essa altura o (a) autor(a) já se pode conceder certas liberdades poéticas. O leitor já está de quatro.

E vamos a mais uma conclusão lógica:
Portanto, seja bom! Faça o bem!

Não sei como os tais fósforos levam inevitavelmente ao preceito de que se deva ser bom e fazer o bem.
Mas se a conclusão é boa, vale tudo.

Seria mais curto dizer:

Seja bom e faça o bem. Isso é bom e faz bem.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O devorador de livros

Parece que a expressão devorar livros já teve seus momentos de literalidade.

O profeta Ezequiel que - tudo indica - era louquinho de pedra, protagonizou um desses instantes.
Aliás, o facto de ele precisar de um bom tratamento psiquiátrico não invalida a veracidade de suas palavras, por constarem do livro totalmente inspirado por Deus, a Bíblia.
O relato dele:

Mas tu, ó filho do homem, ouve o que eu te falo, não sejas rebelde como a casa rebelde; abre a tua boca, e come o que eu te dou.
Então vi, e eis que uma mão se estendia para mim, e eis que nela havia um rolo de livro.
E estendeu-o diante de mim, e ele estava escrito por dentro e por fora; e nele estavam escritas lamentações, e suspiros e ais.
Depois me disse: Filho do homem, come o que achares; come este rolo, e vai, fala à casa de Israel.
Então abri a minha boca, e me deu a comer o rolo.
E disse-me: Filho do homem, dá de comer ao teu ventre, e enche as tuas entranhas deste rolo que eu te dou. Então o comi, e era na minha boca doce como o mel.

(Ezequiel 2:8-10 e 3:1-3)

Advertência: vá com calma. Talvez nem todo livro tenha esse sabor.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Graças a Deus?





O vídeo acima procura mostrar a pessoas que vivem no bem bom de países desenvolvidos como são ridículas suas queixas quando comparadas à situação de crianças de países como a Somália.

Até aí tudo bem, ainda que não me agradem tais aulas de Felicidade Comparada. Mas isso já é questão de gosto.

O que me irrita nisso tudo é que, ao final, o vídeo ensina que se deve dar graças a Deus por tudo de bom que se tem, haja vista que há os que nada têm do tudo que temos.




Então ficamos assim: Deus é aquele Todo Poderoso que resolveu nos dar um monte de regalias e deixar na mais absoluta merda outros seres humanos tão criados por Ele quanto nós.

Sei que as explicações já estão prontas há milénios, mas não resistem à lógica mais elementar. Os desígnios divinos são insondáveis etc etc.

Quero ver explicar isso a um somali faminto.

sábado, 24 de novembro de 2012

A presepada do Papa

Quando eu era garoto, meu pai costumava lembrar a piada do português morador do Rio de Janeiro. Parado junto à estação das barcas que levavam a Niterói, olhava calmamente as águas da baía de Guanabara quando alguém se aproximou dele, com ar de preocupação:
- Joaquim! corre pra Niterói que tua mulher está a passar muito mal.
Mais que depressa, o português comprou bilhete e embarcou.
Ao longo da travessia, começou a colocar as ideias em ordem:
- Ora pois! Eu não me chamo Joaquim, não moro em Niterói e não sou casado. Que diabos estou a fazer?!

Lembrei-me mais uma vez dessa história a propósito do papa Bento 16. Ele acaba de escrever, em seu livro sobre a infância de Jesus, que no local de nascimento do Cristo não havia animais. O presépio tem de ser alterado, com a retirada da vaca e do burro.

Ora pois, diria o falso Joaquim.  Jesus não nasceu em Belém, nasceu em Nazaré; não houve recenseamento algum na época, muito menos matança de crianças ordenada por Herodes ou por quem quer que seja. Tampouco houve fuga da família de Jesus para o Egipto.

E o gajo está a querer dispensar a vaca e o burro!

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Novo desejo

Diante da revelação de hoje (que os portugueses sentir-se-iam desconfortáveis com um presidente homossexual e, em segundo lugar, com um presidente acima dos 75 anos), passei a desejar ser Presidente da República daqui a oito anos, quando então terei 75 anos e me tornarei paneleiro.

Os grandes machos que governaram Portugal até agora conseguiram reduzi-lo ao estado actual.

Ser jovem, ao que me conste, também não chega a ser virtude. Talvez privilégio. Talvez.

Com tanta asneira que já fiz, em política, quem sabe ao tornar-me ancião e viado consiga produzir algo de bom.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Minha segunda bicicleta

Quando me preparava para o exame de admissão ao Ginásio (na época, no Brasil, fazia-se o Curso Primário dos 7 aos 10 anos e depois o Ginásio, dos 11 ao 14) meu pai, absolutamente descrente de minha possibilidade de aprovação, provocou-me com a promessa de uma bicicleta, caso fosse aprovado.
Uma vez aprovado, cobrei dele a promessa. E recebi minha maior companheira de infância e parte da adolescência.
A bicicleta me permitiu uma liberdade com a qual pouco sonhara.
Santos era cidade plana. Possuir uma bicicleta dava a seu proprietário a possibilidade de percorrer praticamente toda a cidade a bordo da magrela.

O tempo passou. Voltei a ter uma bicicleta aos 38 anos. Morava, então, em São Paulo, perto do Parque do Ibirapuera. E ia lá passear sempre que o trabalho me permitia. Mas, por uma série de razões, essa bicicleta dos anos 80 foi paixão fugaz.

Chegado a Portugal comprei uma nova bicicleta. Com marchas, coisa que jamais experimentara. Ocorre que, além de já estar em meus 67 anos, tenho a aorta dilatada. O que não me recomenda esforços excessivos.

Essas duas últimas, portanto, não contam.

Hoje adquiri minha segunda bicicleta, uma ebike Smart.


É cara pra burro, mas minha aorta merece. Você pedala o tempo todo mas - quando necessário - com a ajuda do motor eléctrico.

As ciclovias de Bragança ganharam mais um utente!

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Cinquenta tons de idiotice

Assisti, no noticiário das 20 horas na RTP1, a uma matéria a respeito do livro As Cinquenta sombras de Grey (ou Cinquenta tons de Cinza, no Brasil).
É bom ir dizendo logo que não gosto de best sellers.
Como costuma afirmar Janer Cristaldo, se um livro agrada a milhões de pessoas, não pode ser bom. Afinal, não existem milhões de pessoas inteligentes no mundo  (vamos deixar de lado os livros que foram feitos para usar no sovaco, como a Bíblia. São os livros-desodorantes).
No caso do 50 tons, trata-se de livro que já vendeu dezenas de milhões de exemplares em dezenas de países.
E, diga-se, é uma porcaria de centenas de páginas.
Qual o mérito de ler um livro desses?
É por essa e por outras que não tenho lá grande simpatia por páginas na Internet (no Facebook, por exemplo) do tipo Eu amo ler.
Depende do que se lê.
Ler, assim, verbo intransitivo, não significa nada para mim. Há muito hipocondríaco que adora ler bula de remédio.
Para ver como é relativa essa paixão pela leitura, basta lembrar da quantidade de livros de auto-ajuda que as pessoas devoram.
Pior: lêem e publicam partes no Facebook e em blogues.
Daí que tanto faz: Eu amo ler ou Eu detesto ler. 
Tudo depende do que se coloca debaixo do nariz.