sábado, 5 de novembro de 2011

Quase


Estive hoje em uma livraria, no centro comercial de Bragança. Fora alguma ficção de Rentes de Carvalho, nada - ou quase nada - a aproveitar.
Vou ter de visitar o Porto com maior freqüência...
Nada é perfeito. Nem Bragança.
Mas quase, quase.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Mistérios


A árvore abaixo é uma oliveira. Até aí, tudo bem.

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Ora, a laranjeira dá laranja, a bananeira dá banana, por que raios a oliveira dá azeitona?!

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As vagas para os veículos foram cuidadosamente demarcadas. Por que diabos a segunda faixa ficou menor que as demais?!

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domingo, 30 de outubro de 2011

Portugal é comer bacalhau em Lisboa


Para a grande maioria dos brasileiros, Portugal resume-se a Lisboa. O surpreendente é que para boa parte dos portugueses também.
Se tal simplificação (um antigo professor de Física já dizia a nós, seus alunos: não confundam simplificação com amputação!) é - ou deveria ser - inaceitável, há outra igualmente lastimável, espero que - neste caso - só cometida pelos brasileiros: a de que a comida, em Portugal, restringe-se a variações em torno do bacalhau.
Não conheço brasileiro (dos que nunca vieram a Portugal, ao menos) que não pergunte a quem visitou Portugal:
- Comeste muito bacalhau por lá?
Preocupado que sou com o nível cultural do povo brasileiro, enumero a seguir alguns pratos encontradiços no cotidiano deste retângulo ocidental da Europa, no qual come-se melhor e de modo mais variado que em quase toda parte do planeta.
Como não sou nenhum erudito no assunto, limito-me a copiar nomes de pratos servidos em restaurantes de Portugal e constantes do guia de restaurantes de 2.011, publicado pela revista Sábado (copiei alguns, ao acaso):
Arroz de cabidela, Cavala fumada com caviar, Sopa de tomate, Frango com alheira e polenta de sarrabulho, Perdiz estufada com grelos e castanhas (essa come-se aqui ao pé de casa, no Geadas de Bragança), Arroz de lebre, Leitão confitado e puré de batata-doce, Bife tártaro com alcaparras, Terrina de rabo de polvo das bruxas, Tortellini de massa de algas com lavagante, batata-doce e emulsão de champanhe e cebolinho, Arroz de entrecosto, Bochecha de bísaro guisada em verde tinto, acompanhada com canela e leite-creme com louro, limão e rojões, Capão recheado com enchidos, Pombo com chila e folhado de foie gras, Arroz de pato com passas e pinhões, Cabrito ao vinho do Porto com favas e alheira de caça, Pitéu de safio (um estufado do peixe com ervilhas), Anho assado, Sarrabulho e rojões, Vitela assada, Arroz de fumeiro etc etc.

Ah! Há bacalhau preparado das mais variadas maneiras.

sábado, 29 de outubro de 2011

O cuidado com as fontes


Não me parece necessário ler José Honório Rodrigues (História da História do Brasil ou Teoria da História do Brasil, por exemplo), ainda que seja desejável, para se perceber a importância de bem avaliar as fontes das quais se bebe informação.

Essa observação vem a propósito da enxurrada de e-mails que invade minha caixa postal a propósito dos mais variados assuntos, sempre com tons de final-de-mundo, ora a elogiar os dons curativos da limonada, ora a alertar para o uso de sandálias made in China.
Hoje, por exemplo, estava eu a ler os e-mails recebidos enquanto a Baixinha descongelava uns filetes de peixe-gato para nosso almoço.
De repente, leio horrores sobre os tais pangas. Para uns, peixes criados em pântanos fétidos do Vietname; para outros, peixes alimentados por rações recheadas de substâncias altamente tóxicas.
Corro à cozinha, relato tudo à Baixinha e resolvemos devolver os filetes ao congelador até pesquisas mais conclusivas.
Feitas algumas pesquisas no Google, logo descubro que tudo não passa de alarmismo ou interesseiro ou muito ingênuo.

Saboreamos filetes de pangas no almoço, acompanhados de um delicioso vinho alentejano, claro, claro.

Seria tão bom se as pessoas, antes de saírem a repassar todo e qualquer lixo electrónico que recebem, fizessem umas rápidas pesquisas via Google ou outro qualquer programa de busca disponível na internet.

Ora, ora. Há tanta coisa que seria "tão bom"...

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Humor de Estado


Há tempos não me interesso quase nada pelos assuntos brasileiros, particularmente os políticos.
Contudo, hoje, resolvi ler alguns jornais brasileiros.
Na coluna Panorama Político (de Brasília), publicada sempre à página 2 do jornal O Globo, do Rio de Janeiro, leio:

Despacho roubado


O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), determinou a abertura de investigação, pela Polícia Legislativa, para averiguar o roubo de um pé de arruda do hall do apartamento do deputado Paulo Magalhães (PSD-BA). "Esta Casa está obrigada a adotar um posicionamento firme para apurar o desaparecimento desse vaso de arruda, que nós colocamos com o objetivo de nos proteger dos maus-olhados e trazer alguns benefícios", disse Magalhães, na tribuna.


Ponto final.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Conversa de barbeiro


- Você é brasileiro, não?
- Sou português, mas vivi sempre no Brasil.
- Percebe-se, pelo sotaque.
- Pois é. Até tento imitar o português, mas é difícil.
- Nós aqui também tentamos imitar o brasileiro...
- E também não conseguem...

- É verdade que no Brasil barbeiro também significa o que conduz mal?
- Sim, é. E barbeiragem é o que faz o condutor do veículo ao executar mal uma manobra.

- Certa vez esteve cá um brasileiro e pediu-me que lhe cortasse as costeletas. Fiquei sem entender... Depois é que entendi que ele queria que lhe fizesse as patilhas.
Pensei mas não disse:
- E por que não lhe perguntou se as queria bem ou mal passadas?

sábado, 22 de outubro de 2011

Amarelas


No início, achava estranho que houvesse tantas vivendas amarelas em Bragança. E, diga-se, trata-se de um amarelo forte, intenso. Pra lá de gema de ovo.
Parecia-me um bocadinho de mau gosto.
Agora que vivo cá meu primeiro outono, começo a perceber que faz algum sentido pintá-las assim.
Devo essa mudança de apreciação ao convívio diário com multidões de folhas amarelas caídas ao chão.
Ainda bem que não as varrem.
Fazê-lo seria desonrar o outono.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Chantagem de mãe


Estava eu a passear o cão, no Parque da Braguinha, lá pelas 11 horas da manhã. Passa por mim uma senhora vestida em tons escuros, enormes botas em pele, pretas, daquelas de salto-agulha que cá em Bragança as mulheres utilizam para ir ao talho. Enquanto caminha fala ao telemóvel.
Os fragmentos de conversa que me chegam indicam que fala com a filha e a chama a almoçar. Parece que, do outro lado, a filha recusa o convite.
Diz então a mãe:
- Mas já comprei o frango...
E logo encerra a conversa, de certeza com o convite já aceito.
Fico a pensar: por que a mãe não telefonou à filha antes de comprar o frango?
E a resposta é óbvia:
Porque é mãe.

sábado, 15 de outubro de 2011

Formas


Se as montanhas, vales, planaltos, planícies, colinas e que tais fossem pirâmides, paralelepípedos, cones e demais formas ditas geométricas, talvez o ensino da matemática devesse ser alterado.
Começar-se-ia por complexas equações que descrevessem formas repletas de ondulações, de pequenas concavidades, de grandes abismos.
Só mais tarde, em cursos de matemática avançada, chegar-se-ia a fórmulas descritivas de cubos, esferas, dodecaedros.
Um mundo geométrico seria simples, mais compreensível.
Do modo como está, fica-se às voltas com superfícies não planeadas, irregulares, assimétricas, quase aleatórias.
Ainda bem que sobre tudo isso paira uma lua esférica, impecável:

Clique para chegar à lua

Maria João


Como português fajuto que sou, não conhecia Maria João, a cantora.
Hoje, no Teatro Municipal de Bragança, pude ouvi-la, acompanhada pela Orquestra de Jazz de Matosinhos.
Dona de extensão vocal enorme, de emoção quase infinita, Maria João levou o espetáculo ao ápice ao interpretar Baden e Vinicius (Canto de Ossanha), Tom (Lígia) e - maravilha! - Edu e Chico (Beatriz).
Só pra ilustrar, aí vai uma amostra do balanço da cantora:

sábado, 8 de outubro de 2011

A Cópia


E havia um deus todo poderoso que morria de inveja de outro deus, um deus todo criativo, muito engenhoso e jeitoso.
Vai daí, o todo-criativo teve a ideia de criar um mundo.
E começou por iluminá-lo de modo deslumbrante.

Roído pela inveja, o todo-poderoso pôs-se a imitar o rival.
Por desgraça, seu projeto de iluminação foi mal calculado. A energia programada não permitia intensa iluminação ininterruptamente.
Havia blecaute todo santo dia. Os áulicos, para disfarçar, pediram ao marqueteiro do todo-poderoso que imaginasse algo para amenizar o fracasso.O marqueteiro começou por chamar os blecautes de noites. Muda-se o nome, muda-se a imagem, como todo publicitário sabe. E, em meio à escuridão, conseguiu – com um quase nada de gasto energético – que algumas luzinhas piscassem. Construiu até uma luminária de luz branca (para economizar energia) que se acende durante a tal noite, é verdade que nem sempre por inteiro.

Em uma segunda etapa, o todo-jeitoso separou as águas da terra das águas dos céus.
Já o poderosão se atrapalhou todo para imitar essa separação e terminou por inventar a chuva e seus derivados menos amistosos: granizo, nevasca etc etc. Em compensação, tornou-se o patrono da indústria de chapéus-de-chuva, capas impermeáveis e que tais.

Na terceira fase, aquela em que o todo-faceiro criou as ervas dos campos, as árvores e tudo aquilo que faz a alegria dos vegetarianos, o grosseirão, o outro, até que não fez tão feio. É certo que andou a criar as urtigas. Mas nada que se compare às bobagens posteriores.

Por ter o deus-artista-plástico dado uma paradinha pra repor energias, o omnisciente (mais tarde conhecido por Google) resolveu gastar a quarta etapa a tentar convencer toda a gente que essa história de dia e noite, sol e lua, estiagem e chuva, era o supra sumo.

Na quinta fase a lambança foi total. Enquanto o primeiro-designer criava pavões, pássaros deslumbrantes em sua plumagem, peixes coloridos etc etc, o todo-invejoso começou por criar o rato ao tentar construir um pássaro. Na segunda tentativa saiu-se pouco melhor: criou o morcego. E dá-lhe moscas, pernilongos, gafanhotos etc etc. Isso pra não falar em uns bichos totalmente desengonçados que Ele mesmo percebeu que haviam saído fora de esquadro e lançou-os ao fundo do mar, pra evitar maior vexame.

É ocioso enumerar a quantidade de asneiras produzidas pelo todo-imitador. O cúmulo ele o atingiu ao criar o homem.
Mal havia construído o cidadão, se deu conta de que não o havia dotado de forma alguma de reprodução.
Toca a construir um complemento que – ao ser-lhe acoplado – permita a perpetuação da espécie. Aliás, isso era necessário porque o homem foi criado com data de validade.

Uma digressão: tive um mestre que ensinava: quando algo começa errado, não tente consertar, desista.
Pois o omnipresente parece ter faltado a essa aula. A cada erro, uma tentativa de correção.

Para sanar as lacunas na construção do homem, criou a mulher.

Levou-os a habitar um Paraíso que paraíso não era. Ao menos a pedagogia moderna ensina que não há paraíso onde há qualquer proibição.
Sabe-se lá por quais motivos, o todo-atabalhoado inventou um paraíso em que uma fruta era para não ser comida.
Ainda por cima, quando Adão e Eva resolveram valer-se da melhor coisa que o todo-desastrado criara – o sexo – chutou-os do tal Paraíso e rogou-lhes várias pragas (trabalho, dor de parto etc etc).

Enfim, um desastre.

Já o Universo do todo-engenhoso ficou uma graça.
Não à toa, cada vez é maior o número de indivíduos nesse nosso mundo imperfeito que cultuam o deus todo-criativo.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A República, o Douro, o Jazz


Anteontem foi feriado da República aqui em Portugal (5 de outubro) e, só pra contrariar, fomos almoçar na monárquica Espanha.

Fomos à cidade de Zamora, que fica a 100 km aqui de casa.

A cidade é muito bonita. Além de guardar muita história: a independência de Portugal, com o reconhecimento do Reino de Portugal, deu-se pelo Tratado de Zamora, lá no ano de 1.143. Por incrível que pareça, eu ainda não havia nascido.

Almoçamos no restaurante Mirador, às margens do Duero, aquele mesmo que depois que entra em Portugal passa a ser chamado de rio Douro. Depois de uma deliciosa entrada de morcilla, parti para um arroz zamorano, uma espécie de paella com chouriças e outras maravilhas suínas no lugar dos ingredientes da paella.


O Mirador fica na parte histórica de Zamora
Vista desde o salão de refeições do Mirador

E por falar em Douro, ontem à noite fomos a uma apresentação de jazz, no contexto do Douro Jazz. Aqui em Bragança são quatro noites. A de ontem foi com uma cantora de origem portuguesa mas nascida na Austrália, chamada Melissa Oliveira. Ela compõe suas próprias músicas, ou ao menos escreve as letras para melodias que interpreta. Ela foi acompanhada por quatro músicos: o americano Jason Palmer (trompete), o russo radicado nos EUA Alexei Tsiganov (piano/vibrafone), João Artur Moreira (bateria) e João Cação (contrabaixo).

Espetáculo de rara perfeição técnica. Melissa faz o que quer com a voz. Os demais músicos são - para usar imagem do mundo automóvel - topo de gama. Do baterista o grupo interpretou duas composições lindas. Os improvisos foram fantásticos, particularmente os de trompete (Jason Palmer) e os de voz (Melissa).

Jazz de gente grande.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Minhas lições de Espanhol


Não faz muito tempo, cheguei a Madrid, vindo do Brasil, e pretendia visitar Salamanca. A Baixinha foi acometida de uma violenta crise de sei-lá-o-quê. Espirrava sem parar. Pediu, então, que eu parasse em alguma farmácia para comprar lenços de papel.
Entrei na primeira cidadezinha espanhola que apareceu, parei diante de uma farmácia e lá fui eu.
Como pedir lenço de papel? Consegui explicar-me de algum modo. Já de posse da caixa de lenços de papel, perguntei à simpática atendente como se dizia lenços de papel em espanhol.
Candidamente, ela me elucidou:
- Kleenex.

CLIQUE PARA ASSOAR O NARIZ

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O amor em Portugal


As diferenças entre o Português praticado em Portugal e o usual no Brasil são muitas.
No Brasil alguma ação ou providência pode vir a dar resultado. Em Portugal, pode resultar.
Lá a indústria que monta os carros é a indústria automobilística. Cá as viaturas são produzidas pela indústria automóvel.
No Brasil, restauração é o ato ou efeito de restaurar. Em Portugal também. Mas aqui pode ser, por influência do francês, o conjunto de atividades vinculadas a restaurantes e similares.
No Brasil as pessoas educadas falam por favor. Em Portugal diz-se faz favor ou se faz favor (que até se abrevia, na escrita, sff).

Não sei se o amor, em Portugal, é mais intenso. Mas seguramente os amantes, aqui, são melhores na colocação pronominal:

Por discrição, omito o nome da amada

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O Vinho


Esta tarde, sem razão aparente, resolvemos ir a Passos.
Lá chegados, encontrámos as primas vindas das vindimas. Ou seja, haviam colhido as uvas, tínham-nas já esmagado com a máquina eléctrica (o que não exime de completar o esmagamento com os pés) e deixado o resultado a repousar, melhor dito, a ferver.
Ao aproximar o ouvido dessa grande cuba de plástico na qual repousam as uvas esmagadas, ouve-se o ruído da fermentação, ruído grave, proveniente de séculos de tradição do cultivo do vinho.

AO CLICAR, INFELIZMENTE NÃO OUVIRÁ O RUÍDO DA FERMENTAÇÃO
Fiquei a imaginar (obviamente sem sucesso) o caminho percorrido pela humanidade até o domínio do processo completo da produção do vinho a partir da uva.
Essa massa fervente deve, ainda, passar por alguns tratamentos: tem de ser mexida periodicamente com a pá de madeira que aparece, discreta, no alto da foto. E outros detalhes que aqui não cabem (mesmo porque não os domino).
Tudo isso se origina dessas frutas aí embaixo:

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Cada cacho desses é composto de uvas com nome próprio, como nós, humanos.

Ao contemplar parte do processo de fabricação do vinho, quase me sinto obrigado a ajoelhar-me e agradecer à humanidade essa dádiva.

Maravilhoso, o vinho.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Chuva usa chapéu?


Se no Brasil CPI não emplaca mais e os jornais continuam com o mesmo número de páginas, dá-lhe inovação. Nos jornais, nas rádios e na TV a ordem, agora, é correr atrás do lucro pra não incidir em risco de morte.
Desde que o Latim pariu o Português as pessoas normais correm risco de vida. Já nossos bravos jornalistas não.
Correr atrás do prejuízo, então, nem pensar. Deve-se correr atrás do lucro. Só pode ser influência do tal evangelho da prosperidade, aquele do pessoal que esconde dólar em bíblia.

CLIQUE PRA CORRER ATRÁS DO PREJUÍZO

Pois sugiro mais aos doutos jornalistas: parem de falar guarda-chuva. Cá em Portugal prefere-se chapéu-de-chuva. Afinal, o bicho não foi feito para guardar a água da chuva. Caso contrário seria balde.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Para o rol das histórias incríveis


Já há muito tempo tínhamos nós (a Baixinha e eu) telemóveis pré-pagos, da tmn. Por não morarmos ainda em Portugal, não era conveniente termos pós-pagos.
Durante o tempo em que ficávamos no Brasil (a maior parte do tempo) mantinha meu telemóvel ligado para receber chamadas. Raramente recebia alguma. Mas, quando consultava meu saldo verificava que ele definhava como se tivesse sido acometido de alguma anemia. É verdade que recebia, com bastante freqüência, mensagens de uma entidade chamada Movilisto, a presentear-me com créditos para não sei qual finalidade.
Logo que viemos definitivamente para Portugal, fomos a uma loja tmn e convertemos nossos telemóveis em pós-pagos. Os créditos restantes de carregamentos anteriores - foi-nos informado - serviriam para abater débitos futuros. O telemóvel da Baixinha (que no Brasil permanecia desligado) tinha em torno de 70 euros de saldo. O meu, como já disse, sofria de algum mal que lhe furtava as energias.
Hoje fomos à Bluestore (é assim que se intitulam as lojas tmn/meo/sapo) para reclamar nossos saldos remanescentes da época dos pré-pagos, não considerados na primeira factura que recebemos.

Descobrimos que cada mensagem da tal Movilisto nos arranca 2 €.

A jovem que nos atendeu nos ensinou a mandar às favas a tal Movilisto: manda-se uma mensagem para 62226, com o texto: Sair
Recebe-se, em seguida, mensagem a informar que fomos desligados da tal Movilisto, perdemos todos os créditos que nos haviam sido outorgados e - caso nos arrependamos - basta enviar mensagem com o texto: Voltar

A ver se esse procedimento resulta.

Pelo que leio na Internet, essa maluquice já vem de longe. Há vários anos esse furto descarado ocorre.

Vou pedir ao Alberto João Jardim, da Madeira, que me ajude.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Lá se vai o verão,
lá vêm as dúvidas


A temperatura, cá em Bragança, ainda é um bocadinho alta: são 23:30 e lá fora está um tempo aprazível, 21,5 ºC.
Há pouco fomos deitar fora o lixo. A Doga regalou-se com o passeio extra.
Será nosso primeiro outono totalmente passado em Bragança.

Deixo de lado essa conversa de elevador e falo de minha experiência inicial com o sistema de médico de família, neste estado europeu que - segundo os americanos do norte - é praticamente comunista.

A princípio gostei da ideia: ter um médico que te acompanha e orienta a consulta a especialistas, indica os exames básicos a fazer etc etc.

Quando visitei meu primeiro médico de família descobri a inevitável falha de qualquer sistema que envolva seres humanos: se eles falham, o sistema falha.

Meu primeiro médico de família era terrivelmente ruim. A experiência da primeira (e, felizmente, única) consulta foi traumática, jamais a esquecerei.

Percebi, então, que se o cidadão cai nas mãos (quase escrevia garras) de um médico ruim ele está em maus lençois.

Em meu caso, consegui mudar de médico por ter sido inaugurado um novo posto de saúde praticamente ao lado de casa. Meu novo médico de família é excelente.

Hoje me dei conta de um segundo defeito no sistema: ao ser cuidado pelo Estado, o cidadão passa a ser refém do mesmo. O médico determina que o indivíduo proceda assim ou assado, tome tais ou quais vacinas etc etc. Se o indivíduo não seguir as recomendações médicas sujeita-se a perder suas regalias (as consultas e remédios são praticamente gratuitos).

Minha vivência ainda não permite saber se existem - de facto - punições para os omissos. Talvez não as haja. Quanto a mim, diga-se, gosto de ser tutelado quanto à questão de saúde.

Levanto, aqui, uma questão de princípio, não uma reivindicação pessoal.

E se o indivíduo preferir contrariar as orientações médicas? Qual será a "reação" do sistema?

De bicicletas


Já contei, neste blog, como ganhei minha primeira bicicleta. Foi às vésperas de completar 11 anos.
Com ela vivi experiências fascinantes (ao menos para um guri de 11 anos).
Ao partir de Santos rumo a São Paulo, lá ficou minha bicicleta. Tinha eu, então, 16.

Chegado aos 37 anos, 21 anos depois, portanto, comprei nova bicicleta. Essa segunda não chegou a tornar-se companheira íntima. Tivemos uma relação efêmera, como, aliás, foram todas as minhas relações nessa época. Pra dizer a verdade, nem me lembro de como me desfiz dela. Mas deve ter sido por volta de 1.986, quando eu já somava 41 anos de idade.

Pois bem. Hoje, tomado de coragem, adquiri minha terceira bicicleta.


Faz algo como 25 anos que tive a segunda.

Ao levá-la a casa (ou a ser levado por ela, sei lá) senti uma emoção difícil de descrever. Algo parecido com um reatamento com a infância.

Diga-se: quando era garoto, conduzia muito melhor.

Pretendo aprimorar-me na condução da bicicleta. Quem sabe consigo chegar a ser tão bom quanto era aos 11, 12 anos.

Já seria qualquer coisa. Nisso e em tudo mais.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Para emagrecer


Ontem a Baixinha foi a Vinhais arrumar cabelo e unhas. Voltou curiosa por saber o quanto de verdade existiria em uma história de pílulas de ovo de solitária que provocam o emagrecimento.
Passei um bom tempo a fuçar no Google à cata de informações a respeito.
Teria Maria Callas utilizado tal método para baixar de seus 90 kg para míseros 57 kg?
Parece ser lenda. Já a venda das tais pílulas nos Estados Unidos, inícios do século XX, tem jeito de ter ocorrido. É verdade que não se tem como saber se as pílulas que eram vendidas como contendo ovos de solitária portavam de facto tais ovos.


As informações passadas boca a boca no salão dão conta de que seria possível, nos dias de hoje, comprar tais pílulas pela Internet.

Mas é sabido que na atmosfera de um cabeleireiro realidade e fantasia são indistinguíveis.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A volta dos comentários


Dia desses retirei o recurso que permitia comentários no Blog. Expliquei que o sistema de comentários que eu estava a utilizar havia dado sinais de não estar a funcionar direito.
Minha irmã caçula passou por cima de minhas explicações e protestou contra a ausência do recurso.
Como (quase) tudo que minha irmã diz eu acato, voltei a permitir a inserção de comentários no Blog, só que - agora - com o sistema de comentários do próprio Blogger.
E segue o jogo!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Promessa cumprida


Antes de sair do Brasil (São Paulo), tive a ideia:
Quando estiver em casa, em Bragança, Portugal, vou sentar-me à varanda, diante do IP4 (estrada que leva do Porto a Bragança e daí à Espanha), lá pelas onze horas da noite, quando no Brasil são apenas sete horas da noite, vou ligar o portátil (que no Brasil é chamado de notebook), entrar na Internet e escolher a rádio Sulamérica Trânsito, rádio especializada em informações sobre o trânsito em São Paulo.
Enquanto contemplo o IP4, com o seu movimento de alguns poucos automóveis por minuto, ficarei a ouvir as informações que dão conta de que há congestionamento na Marginal Tietê, de que a Marginal Pinheiros está parada, no sentido de Interlagos, pelo atropelamento de um motoqueiro, que a ligação Norte-Sul está insuportável pelo excesso de veículos etc etc. E vou usufruir da delícia de estar aqui. E não parado em meio a uma balbúrdia daquelas, como tantas vezes já estive.

Hoje cumpri a promessa.

Pagano Sobrinho


Fioravante Pagano Sobrinho parece que nasceu em São Paulo, em 23 de outubro de 1.910. Fez muito sucesso como humorista, principalmente nas décadas de 50 e 60 e morreu em 1.972. Esse ano, aliás, foi o único na minha vida que atravessei inteirinho atrás das grades, no Presídio Tiradentes.
Ano passado ele completaria 100 anos. Não vi, não li, não ouvi nenhuma palavra sobre ele na imprensa brasileira.
É assim mesmo. Não está na moda, pas de espaço na media.
Mas me lembro bem de Pagano a retratar as mulheres da alta sociedade:
- Era uma mulher muito viajada, muito percorrida.

Até o que existe sobre ele no You Tube é fraco. Paciência.
Adeus, Pagano.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A força motriz sexual


Como todo mundo, tenho direito a desenvolver teorias. E percebo, cada vez com mais nitidez, que a força motriz da sociedade é o sexo.
Grande novidade, dirão quase todos. Já Freud fez disso seu ganha pão.
Mas não. Calma lá.
As teorias freudianas são mais sofisticadas.
Quanto à minha, é de uma simplicidade alvar:
Digo, com toda a clareza: o Zé Dirceu, aquele o do mensalão brasileiro, aquele que não se deve cutucar com vara curta pois pode ser fatal, é um belo exemplo. Entrou para a política estudantil por perceber que era o jeito mais fácil e rápido de papar todas as menininhas deslumbradas que circulavam pelas universidades paulistas.
Depois de um desastrado congresso da UNE em Ibiúna, e outras estrepolias do gênero, foi preso. Uns gabeiras e franklins martins o pediram em troca do embaixador americano que haviam seqüestrado e ei-lo a tomar aulas de tiro e coisas que tais em Cuba.
Daí a criar o PT e dar invólucro eleitoral a Lula foi um passo.
Por falar em Lula, é evidente que só entrou para a militância sindical para papar viúvas de operários que iam ao sindicato para inteirar-se de seus direitos trabalhistas.
E por aí vai.Qualquer dia desses desenvolvo mais pormenorizadamente essa ideia.
Por hora, vou até ali, bem, fazer algo mais importante.

domingo, 4 de setembro de 2011

O rústico e o urbano


Neste fim de semana experimentámos dois extremos muito agradáveis.
No sábado, fomos almoçar na casa de minha prima Zelinda, em Passos de Lomba.
Como decidimos que eu conduzia na ida e a Baixinha na volta, pude começar com um bagacinho. A comida, regada a vinho da aldeia, estava soberba: um cordeiro na panela, com batatas.

Hoje, domingo, fomos a Mirandela conhecer o Flor de Sal:

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À entrada já se anuncia:

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O interior do restaurante é sóbrio:

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À guisa de entrada, enquanto a Baixinha pedia foie gras, fui de míscaros com alheira de caça. Imperdível. Aliás, imperdíveis, pois não deixei de experimentar o que a Baixinha pediu.
Regado a um vinho Quinta de Sobreiró de Cima Colheita 2004 (de Valpaços), saboreámos um arroz de peixe e gambas.
Completei com um gelado de azeite.

Fomos, então, apreciar o salão de baixo, sobre o rio Tua.

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Pode-se sentar e conversar:

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Ou passear pelo relvado ao lado do restaurante:

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Ficou a dúvida: qual o melhor? O rústico ou o urbano?
Prefiro ambos.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Sem comentários


Penso que será melhor tirar os comentários. Comecei a pensar nisso quando eu mesmo não consegui meter um comentário em meu próprio blog.
Além do mais, são poucos amigos que inserem comentários. Poderão enviar-me seus pontos de vista por e-mail.
Há leitores fieis que jamais comentam nada.
Fazem o que mais me importa: lêem.

Estimulo a todos os que me lêem a fazerem seus comentários. Mas por e-mail.
Sempre que for cabível, responderei no próprio blog ou por e-mail.

Combinado?

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Fim de feira


Hoje parece final de feira, em Bragança. Talvez o mesmo se possa dizer em relação a quase todo Portugal. Os emigrantes já se vão. E os comerciantes daqui, em particular os da restauração, fecham suas casas e partem para vinte dias de descanso.
O que havia a facturar, o foi.
Lá para o dia 12 começa o ano lectivo.
Só então, lá para a segunda quinzena de setembro, reinicia-se a actividade em geral.

Quanto a mim, amanhã recebo meu primeiro salário de reformado.

Em Romanos 6:23 consta que o salário do pecado é a morte. Espero que o salário da reforma seja algo menos radical.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A Falência da Educação


Não percebo o porquê de ninguém se preocupar para valer com o descalabro da educação nos dias de hoje.
Fico horrorizado ao constatar que há alunos já chegados aos 12 anos de idade e que não sabem nem sequer demonstrar o Teorema de Gödel.
Pior: muitos nem sequer leram a Crítica da Razão Pura, de Kant.
Pergunto-me onde iremos parar se adolescentes mergulham na mais total ignorância do que seja um imperativo categórico.
Mesmo naquelas matérias que os conduzirão a boas colocações no mercado, o desconhecimento é gravíssimo. Muitos rapazitos, já com alguns pelos a despontar no rosto, ignoram solenemente as quatro equações fundamentais do electromagnetismo.
Poderia estender-me em exemplos tenebrosos.
Mas fico por aqui, antes que minha irritação atinja limites indesejáveis.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Abel e Olivier


Hoje fomos almoçar ao Abel, em Gimonde. São menos de 5 minutos de carro até lá.
Durante o almoço, a Baixinha teve o insight: isto aqui é como o L'Entrecôte de Ma Tante, do Olivier Anquier.
É verdade.
O restaurante da Mário Ferraz, em São Paulo, oferece apenas um prato: o entrecôte acompanhado de batatas fritas. Antes servem uma salada verde. Há alguns doces à sobremesa.
No Abel, pode-se escolher entre costeletas de vitela ou de cordeiro e posta de vitela. Tudo na brasa. Tudo feito pelo próprio Sr. Abel.
Servem antes uma salada verde e batatas fritas ou ao murro acompanham a carne.
Há também doces para a sobremesa.

Nos dois restaurantes a comida é excelente. A diferença está no preço. No Olivier a refeição sai R$ 53,00 por pessoa, sem bebida. Uma garrafa de vinho tinto não deve custar menos de R$ 50,00. Um casal gastará, no mínimo, uns R$ 150,00. Ou 65 euros.

Hoje, no Abel, comemos uma posta de vitela dos deuses, tomámos um delicioso vinho da casa. Deixámos lá 13,25 euros.

sábado, 27 de agosto de 2011

Lá se vai o verão


Dizem, cá em Bragança, que o verão acaba aquando da festa da Nossa Senhora da Serra, no início de setembro.
Parece, contudo, que o final do calor antecipou-se, este ano.
Depois de dois dias tórridos, quarta e quinta da semana passada, a temperatura começou a cair e ontem à noite, quando resolvemos sair para deitar fora o lixo, fazia um frio terrível na rua.
Lembrei-me dos versos populares que me ensinou o primo Alípio:

Focinho de cão
e cu de mulher
Não conhecem v'rão

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A Luta de Classes, quem diria,
acabou em Boletim Meteorológico


Avacalharam de uma vez por todas as ideologias.
Matéria de Filomena Naves publicada hoje no Diário de Notícias resume as conclusões de uma pesquisa divulgada pela revista Nature: existe uma correlação clara entre o fenómeno climático El Niño e o surgimento de guerras civis nos 90 países que sofrem a influência dele. Explica Filomena: “El Niño é um fenómeno periódico de aquecimento das águas do Pacífico, que ocorre a cada três a sete anos, e que tem repercussões à escala global, afectando os padrões meteorológicos em quase todo o continente africano, no Médio Oriente, Índia, sudoeste asiático, Austrália e Américas, onde vive metade da população do planeta. Nesses anos, a temperatura do solo sobe e as chuvas diminuem muito. No anos de La Niña, em que as águas do Pacífico arrefecem, acontece o contrário.”

Os pesquisadores chegaram mesmo a quantificar a tal influência:
“No estudo hoje publicado na revista Nature – que faz capa do artigo –, a equipa coordenada por Solomon Hsiang, da universidade de Columbia, escreve que os dados ‘ mostram que a probabilidade de surgirem novos conflitos civis nos países tropicais duplica nos anos de El Niño ’. “

Os mesmos pesquisadores fazem uma óbvia ressalva:
“Com prudência, a equipa sublinha que não é o clima apenas que desencadeia as guerras civis. Um mundo de problemas sociais e humanos conjuga-se sempre para que os conflitos aconteçam. Mas o estudo, dizem, mostra que o papel do clima é real e também mensurável. Em tempos de grande tensão, a meteorologia desfavorável pode ser o rastilho que ninguém queria. “

Mas a ressalva chega quando a vaca já se dirigiu ao brejo.

Ouso sugerir aos inefáveis cientistas políticos que passem a dedicar um tempo adicional ao estudo das previsões do tempo.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O viúvo


- Como vai essa força?!

Há muito tempo não o via. Talvez por isso, cumprimentou o velho amigo com misto de prazer e surpresa.

Recebeu a resposta habitual para essas situações, a menos do final:

- Minha mulher faleceu há um ano.

Vestiu a expressão de consternado e retrucou:

- Meus pêsames, amigo.

E veio a surpresa:

- Pêsames o caralho!!! Tirei a sorte grande!

E pôs-se a contar como sua vida passara por uma revolução. Como se tornara alegre, feliz mesmo.

Despediram-se pouco depois, não sem que o amigo o convidasse para acompanhá-lo em algumas aventuras. Agradeceu o convite de modo protocolar.

Antes de voltar para casa, sem que isso fosse hábito seu, passou na florista e comprou flores para a mulher.

Ida ao Porto


A viagem de Bragança ao Porto fazia-se em 2 horas e alguns 15 minutos. IP4 de Bragança a Amarante, A4 daí ao Porto.
Com a construção da A4 até a divisa com Espanha, o tempo pulou para 3 horas. Há muitos desvios. Por um lado, é bom: esses desvios passam por pequenas vilas e revelam paisagens lindas. Por outro, fica-se cansado pelo que se assemelha a corrida de obstáculos.
Fomos e voltámos quase que sempre à luz do dia. Pudera: no verão, o dia - aqui - tem 15 horas. A noite nos envolveu já próximos de Bragança, às 21 horas.
Problemas burocráticos resolvidos, fomos revisitar a Adega e Presuntaria Transmontana 2, em Vila Nova de Gaia.
Decepção. O vinho tinto, um Cabeça de Burro, Reserva, 2009, estava excelente, ainda que em temperatura acima da desejável. A comida, contudo, sofrível. Para quem já saboreou um javali ou um polvo nessa casa, ambos decepcionaram. É pena.

Depois de algumas compritas em El Corte Inglés, o retorno a Bragança.

Doga nos recebeu com a cauda a abanar. Seu típico sinal exterior de felicidade.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Castanhas à vista!


Daqui a pouco, em outubro, virá a colheita das castanhas.
Hoje fomos a Passos visitar as primas.
Por já não ser turista, senti-me sem pressa.
Ficámos um bom tempo a jogar conversa fora com a Dora. Maria Tereza não estava em casa (como quase sempre), mas encontrámos Fernanda, que ruminava algum ócio na varanda da casa de amigos. Durante algum tempo conversámos na rua. Por fim, fomos à Zelinda. Por não estar a conduzir, pude tomar algumas pinguinhas. Vinho tinto delicioso preparado na aldeia.
O castanheiro abaixo é mesmo ao pé da casa do Alípio e da Zelinda.

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Também são do mesmo sítio as uvas que comporão futuro vinho.

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Saúde!

domingo, 21 de agosto de 2011

Restaurante Chefe Ruca


Na mesa ao lado, casal com dois filhos de algo como 8 e 10 anos. Crianças civilizadas, raridade nos dias de hoje.
Em mesa próxima, crianças nem tanto.
Restaurante rapidamente lotado. Assim é agosto em Portugal.
Comemos uma excelente posta de vitela, acompanhada de arroz, fritas e batatas ao murro. Estas últimas, deliciosas.
Vinho da casa, tinto. Por estar a uma temperatura um bocadinho alta, foi trocado pelo mesmo vinho, mas fresco.
Toda essa festa custou-nos 15 euros (R$ 34,50).
7,5 euros por pessoa. Nada mau.
Boa semana a todos. Semana que, aliás, começa com feriado em Bragança.

sábado, 20 de agosto de 2011

Salazar e eu


Dia desses fui à Conservatória de Bragança para obter uma via de minha Certidão de Nascimento.
Tenho a mania de querer falar como todo português legítimo. E - óbvio - não consigo.
Ao ser atendido pedi uma via de meu assento de nascimento. Errei. Tinha de ter falado:
- Quero uma via de meu assento de naximento.
É preciso, para ser português legítimo, ou quase, saber que sc pronuncia-se x.
Mas esse não é o ponto.
Acontece que todo português que nasceu (naxeu) fora de Portugal tem sua certidão de nascimento nas Conservatórias Centrais, em Lisboa.
Melhor: tinha.
Um processo de digitalização dos assentos de nascimento foi desenvolvido. Sabe-se lá qual foi o critério. Mas segundo algum critério, os assentos de nascimento foram distribuídos pelas Conservatórias do país para serem digitalizados.
E aconteceu que o meu assento de nascimento foi parar em... Santa Comba Dão!
Alô, meu amigo virtual António Neves. Passei a ser teu conterrâneo!
Mais ainda: passei a ser conterrâneo do Salazar. Que foi eleito recentemente o camarada mais querido (ou algo semelhante) de Portugal.
Nada contra. Pelo menos quanto a meu amigo da Voz do Seven.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Portanto


Na primeira vez em que cheguei a Viana [do Castelo], por ter reservado quarto na Pousada do Monte de Santa Luzia, parei junto ao carro de um taxista e perguntei-lhe:
- Como chego à Pousada do Monte de Santa Luzia?
O homem colocou a mão a segurar o queixo e mergulhou em seu GPS interno.
Nada.
Depois de alguns instantes, pausadamente:
- Monte de Santa Luzia... Portanto...
E prosseguiu, sem saída:
- Portanto...
Mais algumas repetições e - finalmente - veio-lhe à cabeça o caminho.
Agradeci e rumei para a pousada.
Mas portanto passou a ser, para mim, um pedido de tempo para o download de alguma ideia, de algum texto armazenado em lugar recôndito da mente.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Diálogos bragançanos


Na loja PT (tmn, meo, sapo), como é praxe em Portugal, funcionários solícitos dão toda a atenção possível ao cliente que estão a atender. A contrapartida de toda essa gentileza é que os demais clientes aguardam um tempo infindável o doce momento de serem tão amavelmente tratados.
Chegara minha vez. Estava a explicar ao funcionário uma por uma de minhas pendências com a PT quando aproxima-se do balcão uma senhora, lá pelos cinqüenta anos, a carregar uma caixa de papelão.
- Por favor, diz ela ao funcionário, só quero devolver este equipamento.
- A senhora precisa pegar uma senha e aguardar a sua vez.
- Não posso deixá-lo cá em um canto?
- Não! Se fizer isso, vamos deitá-lo ao lixo.
- Então posso eu deitá-lo ao lixo?
- Não, senhora. É preciso devolver o equipamento e levar um recibo. Pegue uma senha e aguarde.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Coração em festa


Chego a Bragança no domingo, 14. Portugal está em festa. Há portugueses aos montes. Explico-me: como se sabe, há mais portugueses no exterior que em Portugal. E quase todos vêm, em agosto, passar férias com os que aqui ficaram. Restaurantes lotados de portugueses, em geral a falar francês.
O sol exagera.
O calor nos envolve.
A paisagem do Parque Natural de Montesinho combina com Rumor, o novo livro de poemas de José Carlos Barros que encontrei na caixa de correio, ao chegar.

Tomei um porre. Pudera. Merecido.

Hoje, 15, dia da assunção da Virgem, quem sobe aos céus sou eu.

Nada virgem. Totalmente vivo.

sábado, 13 de agosto de 2011

Brasil: ame-o e deixe-o


O Brasil, do modo como eu o vejo, resume-se assim: o Artigo 252, inciso I, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece:
Art. 252. Dirigir o veículo:
I - com o braço do lado de fora;
[...]
Infração - média;
Penalidade - multa.

Dia desses eu dirigia na Av. João Dias, São Paulo, capital. A meu lado ia um professor de auto-escola (em Portugal, escola de condução).
Vejam a forma como conduzia o professor.

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Desse Brasil, despeço-me, despacho-me.

Adeus.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

(D)evolução


Há ritos a cumprir quando se chega à reforma.
Há que se devolver a carteira funcional, o notebook, o crachá.
Pode-se ver tudo isso como rito de passagem.
Da obrigação ao prazer.
Do labor ao ócio.

É possível que tudo isso não seja devolução, mas avanço.

Que venha o futuro.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Reforma


Em Portugal e no Brasil os termos são muitos para denotar essa sensação de final de pagamento de longa dívida, de ter concluído o dever-de-casa: aposentação, aposentamento, aposentadoria, reforma.
Prefiro o último, não só por ser o que mais se usa em Portugal mas por trazer embutida nele a ideia de refazimento, de reconstrução.

O dia de hoje, em São Paulo, aparenta ser dia de outono. Em maio é que São Paulo costuma apresentar seus mais lindos dias: céu com poucas nuvens, muito sol, temperatura amena. Este ano esses ares outonais migraram para julho. E se tornaram cenário perfeito para o início de minha reforma.

Mãos à obra.

P.S.: O Diário Oficial da União publica, hoje, a portaria de concessão de minha reforma. Justamente no dia em que minha irmã caçula completa mais um ano de vida.
Pé quente, essa minha mana.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Conde de Sarzedas - 2


Os três: Fusco, Brandão e eu, estávamos sempre entre os melhores alunos do Di Tullio. Quando foi se aproximando o final do ano, o Fusco – que se apaixonara infinitamente por uma colega de curso colegial – levou o fora da dita cuja.
Passou a chorar em tempo integral.
O pior de tudo era a incongruência da situação. O Fusco era um camarada enorme, cara de mau, integrante da seleção paulista de judô. Com todo esse physique du role, ele se sentava para assistir às aulas, abria o caderno sobre a carteira e o deixava molhado pelas lágrimas que não paravam de cair sobre as páginas em branco. Páginas e cérebro em branco, diga-se. Não conseguia prestar a mínima atenção a aula alguma.
Resultado: Brandão e eu passámos no vestibular da Poli. O Fusco não.
Ano seguinte criou-se a rotina: aos sábados, dia de provinha no Di Tullio, lá íamos nós, Brandão e eu, esperar o Fusco sair do cursinho para consolá-lo e... ir comer croquetes de carne no alemão da rua Teodoro Sampaio.
Nunca mais na vida comi ou comerei croquetes iguais àqueles.
E o velho alemão nos servia, para acompanhar os croquetes, uma cerveja preta que lembrava os gênios de lâmpadas maravilhosas: a garrafa era sempre trazida à mesa com cuidado para que não fosse muito agitada. Ao abri-la, o velho apressava-se em encher nossos três copos. A pressão da cerveja era tanta que dificilmente nada se perdia sobre a mesa.
Cheguei a voltar nesse restaurante alemão alguns anos depois. O velho morrera, o restaurante era tocado pelos filhos. Os croquetes ainda eram bons, a cerveja ainda teimava em derramar-se pela mesa.
Eu é que – certamente – já não era o mesmo.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Conde de Sarzedas - 1


Para todos, título nobiliárquico. Para mim, rua próxima à Praça João Mendes, São Paulo, na qual reinava o Curso Di Tullio, no qual me preparei para entrar na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
Foi lá que conheci Vitorino, filho de cantora de ópera. Vez em quando cabulávamos alguma aula e íamos ouvir ópera em alguma loja de discos. Feliz ou infelizmente, ele não conseguiu elevar-me ao nível operístico.
No dia em que Di Tullio, irritado por Vitorino estar sussurrando a um aluno chamado à lousa a resposta a uma pergunta qualquer, jogou o caderno de Vitorino pela janela da sala de aula, percebi a profunda relação de afeto que havia entre os dois. Vitorino levantou-se calmamente e foi buscar seu caderno no meio da rua. Ao voltar, sentou-se e continuou a tomar notas da aula. Nossa sala, diga-se, ficava no segundo andar do prédio.

Como já contei em algum lugar deste blog aqui, inaugurei o hábito de fazer cursinho já no segundo colegial. Fiz, portanto, dois anos de Di Tullio.
Se no primeiro ano convivi com Vitorino e com Imre Simon, uma das pessoas mais inteligentes que já conheci, no segundo estabeleci – junto com dois outros alunos do curso – um trio de amizade que perdurou por algumas décadas.
Éramos o Fusco, o Brandão e eu.
Francisco Brasiliense Fusco Júnior já morreu. A amizade com Brandão tornou-se fraternidade, mantida até hoje e para sempre.
Disputávamos palmo a palmo os primeiros lugares nas provinhas de sábado.
No dia a dia, gostávamos de aproveitar os intervalos entre aulas para irmos até a pastelaria dos chineses e pedir três pastéis e três Crushs (refrigerante sabor laranja). O chinês gritava para a cozinha:
- Tlês pastéis e tlês Clushs!
Isso valia como contrapartida da gordura que comeríamos.

(continua)

terça-feira, 19 de julho de 2011

Ainda mais comemoração


Hirondino da Paixão Fernandes vive, atualmente, em Bragança, Portugal. Antes, vivia em Coimbra.
É considerado «o estudioso e erudito que mais tem contribuído, no nosso tempo, para a salvaguarda da memória escrita desta terra [Bragança], oferecendo-lhe o seu labor incansável de investigador, continuando na senda da pesquisa histórica, a tradição dos grandes vultos da nossa referência cultural».

Tenho a alegria de ser seu primo, ainda que não o conheça pessoalmente. Na verdade, ele é primo de meu pai. Portanto primo meu, em segundo grau.
Hirondino completou, em 07 de junho deste ano, 80 anos.


Clique para ler sobre ele

Parabéns!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Critérios


O jogador de futebol entra no restaurante sofisticado.
Ao fazer o pedido, o garçom lhe sugere:
- Temos um vinho espanhol muito bom. Reserva!
- Tá bom. Mas traz aí o titular.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Mais comemoração


Quinta-feira próxima o professor Hélio Guerra completa 81 anos.
Helinho, como nós, seus alunos, o chamávamos (apenas entre nós, claro), era diretor (penso que o cargo era esse) do Departamento de Engenharia Elétrica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) na época em que eu terminava meu sofrido curso de engenharia eletrônica.
Corria o ano de 1.967.
Nas férias do meio de ano eu já estava convencido de nada ter a ver com engenharia e começara a estudar para o vestibular de Filosofia na mesma Universidade (USP).
Pensei seriamente em abandonar o curso. Colegas mais sensatos (naquela época, não era nada difícil ser mais sensato do que eu.) (Eu disse naquela época?!) me lembraram de que não fazia sentido abandonar quatro anos e meio de esforços quando faltava apenas um semestre para obter o diploma de engenheiro.
Continuei o curso, tendo de – para isso – fazer um esforço enorme.
Ao final, passados todos os exames, restou um exame oral de Televisão, no qual eu precisava tirar 2 ou 2,5 (num total de 10), não me lembro exatamente.
Percebi que não me restavam forças para estudar para esse exame.

Lá por agosto ou setembro, na Poli-USP, costumava-se dar pindura nos professores. Tudo muito civilizado, combinado previamente com eles. Pequenos grupos (5 ou 6) de alunos elegiam um professor e se ofereciam para um jantar na casa do dito cujo.
Alguns colegas e eu escolhemos o Helinho.
Tudo combinado, fomos recebidos – nós e as namoradas – de modo soberbo por ele e esposa, em uma aconchegante casa no Morumbi, São Paulo.
Essa experiência nos aproximou um tantinho do mestre.

Quando me debatia com minha incapacidade de enfrentar aquele exame oral de TV lembrei-me do professor Hélio Guerra. Quem aplicaria o exame era o professor Barradas. Mas Helinho era o chefe. Liguei para ele e solicitei um papo. Convidou-me a visitá-lo. Lá fui eu.

Já instalado em confortável sofá na sala de estar da residência do mestre, expliquei a ele minha situação e propus:

- Professor, preciso de 2( ou 2,5) no exame de TV para terminar meu curso. Minha proposta é: vocês me dão essa nota e eu prometo – solenemente – jamais exercer a profissão de engenheiro eletrônico. Quero apenas um diploma de curso superior.

Hélio Guerra sorriu e sapecou-me uma inevitável lição de moral. Algo na linha:
- Um homem tem de enfrentar os desafios que a vida coloca em seu caminho.

Não consigo reproduzir tudo que ele me disse. Até para não ser injusto com ele.
Apenas me recordo que foi uma repreensão suave mas firme.

Felizmente, a vida me presenteou com amigos incríveis. Sílvio Ursic foi um deles.
Sílvio já havia terminado o curso, com folga. Ofereceu-se para me ensinar as matérias do curso de TV.
Na véspera do exame oral, varámos a madrugada – ele e eu. Ele a ensinar, eu a aprender. Ou melhor, a registar tudo em arquivos temporários que seriam deletados logo obtivesse a nota almejada.

Prova feita, 8,5.

No ano seguinte, em meu aniversário (fevereiro), tocaram a campainha de meu apartamento do Edifício Canadá, rua Maria Antonia, São Paulo. Olhei pelo olho mágico e vi uma imagem colorida.
Ao abrir a porta me deparei com Sílvio Ursic a segurar com os dois braços uma enorme bola de plástico colorido. Era meu presente de aniversário.

Quanto ao professor Antonio Hélio Guerra Vieira, que depois foi até reitor da USP, meus parabéns pelo aniversário, meus votos de longa vida ( o Brasil não pode dar-se ao luxo de perder pessoas da estirpe dele) e a informação:
- Caro professor: apesar de não ter sido brindado com a outorga de uma nota imerecida no exame de TV, continuei firme em minha promessa: jamais me aventurei a exercer a profissão de engenheiro eletrônico.

Clique para ler sobre ele

domingo, 10 de julho de 2011

Comemoração


Enquanto no Brasil imprensa e povo em geral festejam seus ronaldinhos, seus lulas, vou ao Rio hoje comemorar o aniversário de Maurício Matos Peixoto.
Um dos maiores matemáticos que esse país já teve, engenheiro, presidente da Academia Brasileira de Ciências por dez anos, Maurício completou noventa anos em 15 de abril passado em plena atividade mundo afora. A comemoração ficou para hoje por ser a época em que seus filhos e netos têm oportunidade de vir ao Brasil.

Taí um belo motivo de alegria pra compensar minha tristeza por não ter podido, ainda, partir de vez para Portugal.

Clique para ler sobre Maurício, por ele mesmo


Parabéns, Maurício!

sábado, 9 de julho de 2011

Despedida


Despeço-me, aos poucos, deste país complexo. Grande em território, pequeno em qualidade humana.
A política atingiu, nos últimos tempos, o nível inimaginável da desfaçatez total. A política, que traduz o povo numa democracia.
O povo tem em seus representantes sua imagem e semelhança. O Congresso Nacional é o espelho da nação. E é o que é.
A educação chegou ao nível zero.
É o salve-se quem puder.

Torço para que alguma coisa mude para melhor, pois deixo aqui parentes queridos: filhos, irmãs, netos, sobrinhos, tios, primos.

E poucos, mas excelentes, amigos.

Mas não vejo luz em final de túnel algum.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Perfil


Nos moldes da tradição oriental, dedicou-se sem limites ao marido. Deu-lhe tudo, até o sustento, quando ele já não mostrava disposição para obtê-lo.
Foi mulher, mãe, mantenedora.
Do lar só lhe cabia esperar encargos.
Restou-lhe o prazer do trabalho.
A submissão caseira tornou-se em mandonismo na empresa.
Recusava objeções, retaliava os discordantes.
Como resultado de seus esforços profissionais, atingiu o mais alto grau da hierarquia.
Morreu a lavar – em um sábado, ao cair da tarde – uma cueca do marido.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Ventiladores


No Brasil, quando se quer dizer que alguém, em hospital, está a receber ajuda de equipamentos para respirar, diz-se que respira por aparelhos.
Descobri agora, com o episódio da morte do cantor e ator Angélico, que em Portugal diz-se que o indivíduo está ligado ao ventilador.
Para alguém criado no Brasil, estar ligado ao ventilador só evoca a cena de alguém amarrado a um ventilador, daqueles de pé ou daqueles de mesa.

Como se vê, o cão está ligadão no ventilador

domingo, 26 de junho de 2011

50 anos sem pai


Há exatos 50 anos morria meu pai. Sem mais nem menos.
Deixou-me, de início, uma sensação de liberdade, de alívio.
Por ser pai de muitas ordens, ao partir propiciou-me a desordem.
Aos poucos sua morte trouxe-me dúvidas: como teriam sido nossas relações futuras? Poderíamos ser amigos? Ou romperíamos relações logo, logo?
Veio depois a certeza da inutilidade de tais questões. A morte interrompe a vida e arrebata expectativas.
Hoje, quando ele me parece quase um garoto, comparadas nossas idades, a minha de hoje, a dele de quando se foi, avalio suas fraquezas e suas forças.
E sorrio por suas ingenuidades. E me orgulho de sua grandeza.

Nada me resta, além da memória e da imaginação, que me reponha em seus braços.

Pergunta


Se o tabaco, o álcool e a religião já estão liberados, por que não liberar as demais drogas (aliás,na prática, já liberadas)?

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O totalitarismo da dor


A dor, dor de dente, dor de amor traído, dor pra valer, quando se instala, não cede espaço a mais nada.
Absoluta, domina o sofredor por inteiro.
Pra sempre, ao menos naquele instante.

As artimanhas da covardia


Ficou famoso na família de minha mãe o episódio em que um tio qualquer, casado com Dona Mariquinha, em debate com desafeto, gritava:
- Me segura, Mariquinha, me segura! Senão eu mato esse cara!
E se deixava apoiar na dita cuja, tal qual um atacante, no futebol, se derrama sobre o zagueiro pra cavar uma falta.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Brasil: um país invertido


Já começa pelo mapa. Quase qualquer coisa, pra ter estabilidade e firmeza, precisa ter uma base ampla. O mapa do Brasil é de cabeça pra baixo. Largo em cima e estreito na base. Sem falar que o sonho da base - o Rio Grande do Sul - sempre foi o de se livrar do resto do país.

Mas, até aí, é tudo metafórico.

No duro, no duro, na real, a instituição brasileira mais confiável é a do jogo do bicho.
De resto, quanto mais nobre o setor, mais corrupto.
Outro dia contei aqui minha aventura no mundo da cardiologia. Minha cara blogueira Regina disse que não entendeu a história que contei.
Vou tentar ser mais claro e sucinto:
Cardiologistas de uma Clínica me recomendaram um exame para verificar o aumento do diâmetro de minha aorta.
Os especialistas (nem todos, felizmente) costumam dizer que se a dilatação chega a 50 mm é preciso operar.
As imagens do exame apontaram diâmetro máximo de 46,3 mm. Isso foi registado em uma das imagens com caracteres bem grandes.
O médico que preparou o Laudo baseado nas imagens escreveu que a dilatação atingira 50 mm.
Levei os resultados do exame ao cirurgião. Ele olhou o Laudo, examinou as imagens e afirmou que, como a dilatação alcançara o "número mágico de 50 mm" (expressão dele), era preciso operar. E operar o quanto antes.

Resumindo um pouquinho mais: o resultado do exame, contido nas imagens, foi falsificado no Laudo (ou por negligência ou por má-fé). O cirurgião, mesmo tendo visto as imagens, preferiu ficar com o número do Laudo, para faturar mais uma cirurgia ou por algum dogma da numerologia.

Para sorte minha, nem todos os médicos são criminosos. Ao consultar outro cardiologista tudo ficou esclarecido. Inclusivamente a desnecessidade da cirurgia. Cirurgia essa, diga-se, de altíssimo risco.

Vários amigos me perguntam por que não processo o hospital onde foi realizado o exame e o cirurgião que recomendou a cirurgia.

Simples: eles vão ganhar; eu vou perder. Estamos no país do avesso. Reparem que nem publico o nome do hospital nem o nome do cirurgião. Caso o fizesse, quase certamente seria processado por eles, com as conseqüências imagináveis. Mesmo tendo as provas da tramóia.

Consegui esclarecer?

segunda-feira, 20 de junho de 2011

René e Erich Fromm


No final do curso primário, lá pelo longínquo ano de 1.954, meus colegas de Colégio Marçal, Santos, São Paulo, combinámos de aproveitar o último dia de aulas para fazer um torneio de futebol de botão na casa de um dos alunos, o René.
Terminado o curso, lá fomos nós para a casa do René, mais precisamente para a garagem da casa do René. No chão da garagem é que funcionava o campo de futebol de botão.
Enquanto acompanhava as primeiras partidas, fui notando que uma vontade de fazer xixi aumentava paulatinamente. Como era uma criança bastante tímida, fiquei na minha. Claro que, a certa altura, mijei nas calças.
Foi um pega pra capar. Ligaram pra minha casa, a Júlia, que era meio empregada meio membro da família, foi até a casa do René pra levar roupas secas pra mim.
O vexame foi minha despedida da turma do primário.

Alguns poucos anos depois, no curso ginasial, Colégio Canadá, o mesmo René protagonizou cena hilária – pra todos, menos pra ele – em um exame final de francês. O professor Sólon era o terror do Canadá.
René colava durante o exame, o professor Sólon percebeu, foi até a carteira dele e recolheu a prova.
Voltou à mesa de professor e sapecou um sonoro Zero na prova. René procurou explicar:
- Professor, eu estava estudando!
- Esse não era mais o momento de estudar, respondeu Sólon didaticamente.

Anos mais tarde, mais exatamente 1.968, eu era um engenheiro recém formado, aluno do curso de filosofia da USP.
Morava na lendária Rua Maria Antônia. Mais precisamente no quarto andar do Edifício Canadá. Mera coincidência.
Num dia qualquer, encontro na rua o René.
Atualizámos nossas informações e o convidei a subir a meu apartamento para continuarmos a conversa.
Já lá dentro de meu reduto, René encantou-se com minha biblioteca. Em particular, gostou dos livros de Erich Fromm, que estavam na moda.
Deixei que levasse, por empréstimo, uns dois ou três dos livros do dito cujo.

Nunca mais vi o René.

Hoje me parece que fiz uma troca: dois ou três livrinhos de Erich Fromm por uma mijada na garagem da casa dele.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Koldeway Feitosa Chaves


Ele nasceu na Bahia mas foi registado em Santos, São Paulo, Brasil, em 02 de dezembro de 1.939.
Muito cedo na vida, ele e minha irmã se reconheceram como partes indissolúveis de uma unidade.
Não houve nada que conseguisse separá-los.
Casaram, tiveram dois filhos, três netas e iam completar 50 anos de vida em comum agora, no dia 4 de julho próximo.
A vida não quis assim.
Sábado ele se foi.
Enquanto viver, guardarei a lembrança de sua bondade.
Ele foi - sem dúvida - a pessoa mais generosa que conheci.
Como era dono de um nome invulgar, do qual tinha enorme orgulho, tive de ensinar a meus filhos um apelido que ele adquirira na infância: Cócó. Mais tarde, aprendi que, em Portugal, essa alcunha não soa bem. Mas era tarde: meus filhos e netos o conhecem como o tio Cócó.
Ele que, de família nordestina, começou como Cóldévai (oxítona), transformou-se mais adiante em Côlduêi (proparoxítona). Para minha irmã era o Codinho.

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Vamos todos sentir muita saudade de ti, meu irmão.

sábado, 11 de junho de 2011

Partir não é fácil


Bastava ser concedida minha aposentadoria e pronto.
Lá iria eu para Bragança de uma vez por todas.

Trabalhei durante os últimos cinqüenta anos. Para aposentar-me do serviço público me bastaria comprovar 35 anos de contribuição à Previdência. Mas era preciso que desses 35 anos, ao menos 20 fossem dedicados ao serviço público.
Parecia fácil.
Para os 15 anos de trabalho em empresas privadas sobravam-me comprovantes.
Os 20 anos de serviço público inteiravam-se em 12 de abril deste ano.
Nesse mesmo dia entrei com meu pedido de aposentadoria.
Jogaram os meus dados em um sistema (ou seja, um programa de computador) e receberam a informação de que ainda me faltavam alguns meses. Tudo graças a um período de 3 meses de serviço público que o tal sistema não considerou como tal.

O curioso é que todos concordam que o tal período de exatos 88 dias deveria ser computado como de serviço público.

Diagnóstico: o sistema está errado.

Até aí, nada demais. Trabalhei muitos anos com sistemas computacionais e sei bem que todos eles – por mais testados que sejam – apresentam erros.

O nó está em que nenhum burocrata pode contrariar o sistema. Daí que tudo leva a crer que o sistema terá de ser corrigido para que esses fatídicos 3 meses possam ser contados a meu favor. Até lá, já não precisarei deles...

Quem já assistiu ao filme Ardil 22 sabe do que se trata.

Agravante: dos 20 anos de serviço público, 2 e meio são do período em que trabalhei na USP (Universidade de São Paulo). Ocorre que lá trabalhei durante 4 anos. Esse 1 ano e meio que deixou de ser computado eu precisei solicitar à bendita Comissão de Anistia lá de Brasília. Entrei com pedido de reconhecimento desse tempo no remoto ano de 2.006.
Atualmente o processo já está no Setor de Julgamento, depois de feitas todas as análises julgadas necessárias pela Comissão. O tal Setor de Julgamento mantém meu processo em alguma gaveta desde o ano passado.

Tudo indica que só conseguirei minha aposentadoria lá pra 9 de julho. Isso se até lá alguma dor de barriga não provocar o afastamento do burocrata responsável por meu processo.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Médicos S.A.


Vou detalhar o caso de minha aorta sob o risco de ser impertinente. Penso que minha experiência pode ser útil a meus leitores.
Em 1.989 tomei ciência de que tinha uma dilatação na aorta. Isso ao tirar um raio X do tórax em função de uma pneumonia. Desde então passei a tratar minha hipertensão com mais cuidado. Até aquela data ia às vezes a um médico, por qualquer outro motivo, ele me informava de que minha pressão arterial estava um tanto alta e me receitava um remédio. Eu, do alto de meus trinta e tantos anos de (irresponsabil)idade, comprava uma caixa do dito remédio, tomava até o fim e pronto. Esquecia do assunto.
O problema em relação a coisas como hipertensão, dilatação de aorta, diabetes etc etc, é que são, quase sempre, assintomáticas. Dilatações da aorta, por exemplo, são normalmente descobertas por acaso.
Vai daí que, prestes a mudar para Portugal, resolvi verificar como estava o diâmetro da minha artéria preferida.
O cardiologista me recomendou uma angiotomografia e um ecocardiograma com stress farmacológico.
A angiotomografia, que te presenteia com irradiação equivalente a 500 chapas de raio X, é um procedimento simples: te enfiam naquele tubo e te esquadrinham o interior antes de te injetar o contraste. O tal contraste – dobutamina – é injetado na veia e dá um calorzinho durante alguns segundos. Pra mim, quase imperceptível. Voltam a te enterrar naquele tubo e fotografar todo o teu interior novamente. No total, o ritual dura uns 10 minutos.
O eco com stress farmacológico é um tanto desagradável. Vão te aplicando uma substância na veia para provocar aceleração das batidas do coração. Como uma simulação de corrida em esteira/passadeira. Só que você está deitado...
Resumo: se o diâmetro da aorta for superior a 39 mm você é o feliz possuidor de uma dilatação na aorta. Se a dilatação chega aos 50 mm você é informado de que chegou ao limite, ao número mágico. Chegou a hora da cirurgia.
Ora, há uns 7 anos fiz um ecocardiograma comum, que dá uma medida aproximada do tal diâmetro. Deu 42 ou 43 mm.
A angiotomografia é bastante mais precisa.
Ao sair da angiotomografia, antes de ir para o eco com stress, os médicos responsáveis pelos dois exames conversam pra saber se é possível fazer o eco. Logo ao final da angiotomografia, as imagens ainda não trabalhadas em computador, só é possível ter um resultado aproximado. Foi dito a mim que a dilatação da aorta estava em 48 mm. Mas que ficasse tranqüilo e aguardasse o resultado final do exame, alguns dias depois.
Quando fui buscar o resultado dos exames, claro que não olhei as imagens. Não entendo nada do assunto e olhar as imagens me pareceu inútil. Li o Laudo preparado a partir das imagens. Está registrado lá: dilatação de 50 mm.
Levei os exames ao cirurgião. Fui informado de que chegara a hora da cirurgia. Mais: se a dilatação da minha aorta fosse na parte descendente da dita cuja, a cirurgia seria aquela menos invasiva, com stent. Metem um stent pela virilha do pobre diabo. Com emprego de algum engenho e arte fazem o tal stent encaixar-se no lugar abaulado. O stent passará a ser, digamos assim, a nova parede da aorta naquela região.
No meu caso, dilatação da aorta ascendente, infelizmente – meu senhor – é preciso apelar para a ignorância. Ou seja: rasgam o peito do cidadão de alto a baixo, serram o osso (esterno), fazem um desvio do sangue por fora do coração que fica parado e geladinho durante uma hora, tempo suficiente pro açougueiro, ou melhor, o cirurgião cortar o pedaço dilatado da aorta e costurar um tubo no lugar do trecho estragado. A cereja do bolo é que há uma boa chance de ser preciso trocar também a valva aórtica. Se necessário, ela será trocada por uma válvula metálica ou por outra, dita biológica.
Tudo isso é descrito pelo amável cirurgião de forma quase cativante.

O cenário acima descrito me parece extremamente anti-intuitivo: o indivíduo não sente nada de anormal, não tem dor, não tem falta de ar, não tem dormência nos braços, nada, nadica de nada. Nesse clima de absoluta normalidade recebe a notícia de que tem de ser aberto, serrado etc etc.

Uma dúvida começou a insinuar-se em mim: quando, antes do ecocardiograma com stress, o médico responsável pela angiotomografia informou ao colega que a dilatação era de uns 48 mm, ele deve ter dado esse número jogando a favor da segurança. Portanto, feita depois a medição exata, o esperado seria que surgisse um número menor do que 48 mm. O Laudo final, contudo, cravou 50 mm.

Minha formação de engenheiro, apesar de já perdida na névoa do passado, desconfiou não só desse aumento como do número redondo e fatídico: 50.

Aconselhado por um amigo de bom currículo na área (dois infartos, três stents instalados), fui consultar um outro cardiologista.

Depois de exatos 80 minutos de consulta, ele não só garantiu que meu caso não é de cirurgia, como – depois de analisar com atenção as imagens – afirmou: o que consta aí é uma dilatação de 46,3 mm.

Ao chegar em casa, depois da devida comemoração com a Baixinha, fui examinar as imagens. Lá está, em uma das lâminas (aliás, duplicada, não sei a razão), um segmento de reta a marcar o maior diâmetro da aorta e, em caracteres bem grandes: 46,3 mm.

Vamos às conclusões:
1. Entendo natural – ou seja, não necessariamente de má-fé – que um cirurgião torácico tenha uma propensão a recomendar cirurgia. Afinal, ele confia nos métodos de que se utiliza.
2. Não consigo é compreender como é que ele analisa as imagens e não enxerga que o que lá consta é 46,3 mm.
3. Não consigo igualmente entender por qual motivo o médico que produziu o Laudo relativo à angiotomografia viu lá 46,3 mm e escreveu no Laudo: 50 mm.

Minha intenção com o relato um tanto prolixo que fiz não é a de culpar ninguém por nada. Afinal, no Brasil isso não adiantaria mesmo. Isto aqui deixou de ser país decente há muito tempo. Se é que o foi alguma vez.

Deixo apenas minha experiência como alerta.

sábado, 14 de maio de 2011

Problema adiado,
problema resolvido


Pronto.
O dr. José, cirurgião cardiovascular, concordou com minha ideia de acompanhar por algum tempo a evolução do expansionismo da minha aorta. Só não aceitou minha sugestão de aguardar um ano. Disse que não aconselhava que eu deixasse de fazer a cirurgia ainda neste ano.
Fechámos negócio: a operação fica para janeiro de 2.012, caso – claro – haja 2.012.
A aorta, pensando bem, devia chamar-se USA, como o país, aquele. Não só é, de longe, a mais importante artéria do planeta Corpo Humano. Tem também uma tendência inata a uma atitude imperialista. Gosta de expandir-se e ocupar espaços que não deveriam ser seus. Até eu já sei que aneurismas não diminuem. Na melhor das hipóteses não aumentam.
Logo que sair minha aposentadoria (deve sair ainda este mês) levo minha aorta espaçosa para passear em Bragança. Junto com a Baixinha e a Doga.
Lá, vou passear minha ociosidade pelos caminhos do Parque Natural de Montesinhos no qual a palavra recessão – que invadiu Portugal nos últimos tempos – não é conhecida.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Medicina - a falência de dogmas


Faz pouco tempo a imprensa noticiou que havia sido constatado que ovo não aumenta o colesterol (ou, como diz o povo em Passos de Lomba: o costrol). Nunca tive problema com colesterol e adoro ovo. Fiquei a imaginar a cara daqueles médicos que passaram anos a enfatizar o mal que o ovo representava para o aumento do colesterol. Tudo cultura do ouvir dizer. Como a nossa, os leigos.

Hoje a Folha de S.Paulo informa:

Consumir mais sal não aumenta a pressão, diz estudo

DA REUTERS - Pessoas que consomem muito sal não têm mais risco de desenvolver hipertensão e morrer do coração do que as que comem poucas quantidades do alimento, segundo um estudo feito pela Universidade de Leuven (Bélgica).
A pesquisa, com 3.700 europeus, contraria as atuais recomendações de limitar o consumo de sal para prevenir essas doenças. Elas se baseiam em trabalhos anteriores, que indicam o benefício cardiovascular de uma dieta com pouco sal. Porém, o autor do novo estudo, Jan Staessen, diz que a recomendação é baseada em pesquisas de curta duração, enquanto a sua acompanhou as pessoas por oito anos.


É verdade que essa pesquisa aí do belga pode muito bem estar errada, também.
Afinal, ninguém sabe muito.
Mas os doutores pontificam.

sábado, 30 de abril de 2011

Dia nada monótono


Justo no dia em que mais de 2 mil milhões de seres humanos se entretinham com o casamento de um príncipe inglês, dia em que Delúbio Soares (o tesoureiro do mensalão) voltava triunfalmente ao PT (Partido dos Trabalhadores [risos]), dia em que alguns milhões de brasileiros quebravam a cabeça para declarar seu Imposto de Renda, dia em que os Estados Unidos choravam por mais de três centenas de mortos no Alabama vítimas de tornados, dia em que mais de 60 pessoas morriam na Síria vítimas da repressão aos movimentos populares contra a ditadura, dia em que Lisboa sofria por inundações devidas a chuva de granizo, eu me preocupava com... minha aorta.
Levei meus exames ao clínico. A dilatação da aorta ascendente já chegou aos fatídicos 50 mm que recomendam cirurgia. Candidamente, o clínico me informou que aquela história de cirurgia pouco invasiva, com stent, provavelmente está descartada. Quase que certo que vai ter de ser na base de abrir tudo, serrar as costelas e resolver na porrada, ou seja, na ignorância.
Sutilezas descartadas, encaminhou-me a uma especialista em aneurisma da aorta e stent.
Acho isso curioso, ainda que não de todo mau: o clínico te manda fazer alguns exames; analisados os exames te encaminha para uma analista que vai recomendar a oportunidade ou não de cirurgia, o tipo de cirurgia etc etc.
Mas – surpresa! – a especialista determina o tipo de intervenção. Mas não a realiza. Encaminha o pobre coitado a um cirurgião. Este vai carregar o piano, ou seja, vai fazer a cirurgia. Sempre de acordo com as recomendações da especialista em aneurisma de aorta.
Haja especialização!
Depois dessas notícias não tão maravilhosas assim, fomos – a Baixinha e eu – descontrair um pouco no Bendito Bar, não sem antes dar os parabéns á filha australiana, que completa hoje 33 aninhos. Eu disse hoje? Sei lá. Quando conseguimos falar com ela pelo Skype, lá já era 30 de abril. Penso que o aniversário dela deve ser comemorado pelo horário de Brasília. Afinal, foi aqui que ela nasceu.
Vou resolver essa dúvida depois de consertar minha aorta.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Combate às drogas


O que você acha pior:

Collor ou Logan

FHC ou um baseado

Lula ou 51

Aécio ou uma carreira de pó

Dilma ou grana

Escolha.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Ditados impopulares


Os cães ladram e a caravana passa. Com todo esse barulho não consigo pegar no sono.

Depois da tempestade vem a bonança. Mas aí já está tudo destruído.

A fé remove montanhas. Mas é preciso solicitar antes licença ambiental.

domingo, 24 de abril de 2011

Semana Santíssima


Na terça, depois de sair de uma angiotomografia com contraste e de um ecocardiograma com stress farmacológico, fomos – a Baixinha e eu – jantar bife de tira no Rubaiyat.
Carne dos deuses.
Na quinta fomos ao La Marie. Salada de foie gras, maravilhosa, seguida de risoto de frutos do mar para a Baixinha e de suflê de camarão para mim. Pratos inesquecíveis, acompanhados de um Cartuxa.
Sexta, dita da paixão, entrecôte com fritas no Anquier, antecedido por salada deliciosa e acompanhado por vinho do Douro.
Hoje, sábado de aleluia, polpettone no Jardim de Napoli, regado a vinho do Alentejo.
Para amanhã, Páscoa, teremos de programar comida à altura das anteriores.
Decididamente, sou adepto da Igreja Estomacal do Reino de Deus.

sábado, 23 de abril de 2011

Não serei novo Moisés


Moisés levou o povo judeu através do deserto mas não entrou na Terra Prometida.
Às vésperas de mudar definitivamente para Bragança, Portugal, vejo-me às voltas com uma cirurgia de aorta. Justo eu, que nada tenho de vegetariano (concordo, o trocadilho é infame).
Mas tenho certeza: passo por essa e me mando pra Bragança.
Afinal, não sou judeu, não guio povo algum, persigo apenas minha própria felicidade.
Minhas irmãs oram por mim. Talvez oração não ajude, mas certamene não atrapalha.
E vamo qui vamo.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Imitando Millôr


Comportadornotebook que tem quem o carregue

Auto-falante – indivíduo que fala sozinho

Golta – problema nas articulações de centroavantes

iLustre – candelabro fabricado pela Apple

Tolomóvel – indivíduo que apesar de não ser inteligente se movimenta.

Méximo – o balido mais forte da cabra

Múnimo – o mugido mais fraco da vaca

Portugol – gol de Cristiano Ronaldo

Alfaçanha – lisboeta que realizou uma proeza

Grotosco – indivíduo ridículo e grosseiro

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A mosca


A mosca é um animal muito mal avaliado pelos humanos. O que é virtude pra todo mundo, na mosca considera-se defeito: a persistência.
Poucos reparam que maldizer as moscas é negar a perfeição divina. Deus as criou tendo em mente alguma finalidade. Talvez a única falha do Criador, quanto à mosca, tenha sido a de não se aperceber da sua quase infinita capacidade de reprodução.
O gênio humano tem inventado formas cruéis de acabar com as pobres moscas, desde raquetes elétricas a papéis grudentos que as matam demorada e impiedosamente. Era de esperar-se que – nestes nossos tempos politicamente corretos – várias ONG já tivessem sido criadas para lutar contra essa forma de barbárie.
Reclamamos muitíssimo dos mosquitos, que nos perturbam o sono na escuridão da noite. Ninguém, contudo, lembra-se de elogiar as moscas por não voarem no escuro.
Mas ninguém jamais viu mosca a voar no escuro. Das duas uma: ou elas não voam em tais condições ou não as vemos justamente por estar escuro.
As moscas são, ao menos parcialmente, responsáveis por outra criação divina de rara beleza, pelo menos se esquecermos do porco: o rabo. Que seria da decantada graça do cavalo, não fora o rabo? Mesmo quanto ao porco, se o rabo não é propriamente belo ao menos é saboroso. O que poderia ser dito de outras espécies, acrescente-se. Não fossem as moscas, o rabo perderia muito de sua utilidade.
No livro de Gênesis, no qual é narrada a criação do mundo, nenhuma menção é feita à criação das moscas. Alguém lembrará que as aves foram criadas no quinto dia. Dirá, até, que o escritor do Gênesis fala em criação de “toda ave de asas conforme a sua espécie” talvez já a pensar nas moscas.
Data venia, permito discordar de tal interpretação. Primeiro, jamais ouvi alguém referir-se a moscas como aves.
Segundo, duvido que alguém dotado de um mínimo de senso crítico chamasse um lugar habitado por moscas de Paraíso, como ficou conhecido o jardim do Éden.
Terceiro: Deus não conseguiria descansar no sétimo dia a menos que apagasse as luzes do Universo.
Talvez as moscas tenham sido criadas em um duvidoso oitavo dia, sei lá.
De qualquer modo, se a mosca está mesmo incluída entre os seres criados no quinto dia, nenhuma ave levou tão a sério a ordem do Criador quanto ela: “E as aves se multipliquem na terra”.
Porque coelho – aí sim – não é ave.

domingo, 10 de abril de 2011

Uma decepção e outra nem tanto


Estava hoje sem a Baixinha. Ela foi ao Rio cumprimentar o filho por mais um ano de vida e conhecer a nova neta, a Isabel, que já começou sua carreira de Electra ao nascer no dia do aniversário do pai.
Resolvi almoçar no Gigetto. restaurante tradicional de São Paulo (fundado em 1.938 e no mesmo endereço da Rua Avanhandava desde 1.969). Há tempos não saboreava o estrogonofe de frango dele, preparado com carne escura.
Pois o dito cujo estrogonofe veio com carne de peito... Mesmo assim, bem saboroso. Pedi, para acompanhá-lo, um malbec argentino Familia Barberis, 2.008. Muito bom. O preço, como já é praxe nos restaurantes de São Paulo, uma exorbitância: R$ 82,00. Quando veio a conta ele aumentou para R$ 152,00. Reclamação feita, desculpas pedidas pelo garçom, paguei a conta e fui embora.
Não me cobraram nada por ter me sentado na mesa vizinha à da ex-prefeita Luiza Erundina, acompanhada de outra senhora. Ambas já com algum excesso de idade e de peso.
Mas Erundina ainda é dos poucos políticos brasileiros que merecem respeito.
Eu disse poucos? Pouquíssimos!

sábado, 2 de abril de 2011

Inacreditável


Já há muito não mais me surpreende o tratamento dispensado a Portugal pelos media brasileiros. Quase nada se noticia a respeito da terrinha. Quando se noticia algo, é coisa ruim. Da política ao futebol, o desprezo pelas coisas portuguesas é total.
Mesmo assim, quando assisti, na coluna de Claudio Humberto, a pequeno trecho da entrevista de Dilma a Miguel Souza Tavares, não pude acreditar que aquilo a que assistia pudesse ser verdadeiro. Certamente era resultado de alguma montagem. Fui, então, procurar em sítios portugueses o vídeo completo da entrevista. E lá estava a entrevista apresentada pela SIC (TV).
Não se trata de alguma piada sobre algum brasileiro comum, algum matuto do sertão ou coisa que o valha. Trata-se da - vá lá - presidenta do Brasil.
O ridículo começa aos 11:26 minutos. Dura pouco tempo. Quem quiser pode assistir à entrevista completa.
Meus deuses! A que ponto chegámos!
Melhor: a que ponto chegaram.
Quanto a mim, tô fora.



Se preferir, aí vai um vídeo com o trecho da piada de brasileiro (ops! brasileira)