sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Minhas lições de Espanhol


Não faz muito tempo, cheguei a Madrid, vindo do Brasil, e pretendia visitar Salamanca. A Baixinha foi acometida de uma violenta crise de sei-lá-o-quê. Espirrava sem parar. Pediu, então, que eu parasse em alguma farmácia para comprar lenços de papel.
Entrei na primeira cidadezinha espanhola que apareceu, parei diante de uma farmácia e lá fui eu.
Como pedir lenço de papel? Consegui explicar-me de algum modo. Já de posse da caixa de lenços de papel, perguntei à simpática atendente como se dizia lenços de papel em espanhol.
Candidamente, ela me elucidou:
- Kleenex.

CLIQUE PARA ASSOAR O NARIZ

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O amor em Portugal


As diferenças entre o Português praticado em Portugal e o usual no Brasil são muitas.
No Brasil alguma ação ou providência pode vir a dar resultado. Em Portugal, pode resultar.
Lá a indústria que monta os carros é a indústria automobilística. Cá as viaturas são produzidas pela indústria automóvel.
No Brasil, restauração é o ato ou efeito de restaurar. Em Portugal também. Mas aqui pode ser, por influência do francês, o conjunto de atividades vinculadas a restaurantes e similares.
No Brasil as pessoas educadas falam por favor. Em Portugal diz-se faz favor ou se faz favor (que até se abrevia, na escrita, sff).

Não sei se o amor, em Portugal, é mais intenso. Mas seguramente os amantes, aqui, são melhores na colocação pronominal:

Por discrição, omito o nome da amada

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O Vinho


Esta tarde, sem razão aparente, resolvemos ir a Passos.
Lá chegados, encontrámos as primas vindas das vindimas. Ou seja, haviam colhido as uvas, tínham-nas já esmagado com a máquina eléctrica (o que não exime de completar o esmagamento com os pés) e deixado o resultado a repousar, melhor dito, a ferver.
Ao aproximar o ouvido dessa grande cuba de plástico na qual repousam as uvas esmagadas, ouve-se o ruído da fermentação, ruído grave, proveniente de séculos de tradição do cultivo do vinho.

AO CLICAR, INFELIZMENTE NÃO OUVIRÁ O RUÍDO DA FERMENTAÇÃO
Fiquei a imaginar (obviamente sem sucesso) o caminho percorrido pela humanidade até o domínio do processo completo da produção do vinho a partir da uva.
Essa massa fervente deve, ainda, passar por alguns tratamentos: tem de ser mexida periodicamente com a pá de madeira que aparece, discreta, no alto da foto. E outros detalhes que aqui não cabem (mesmo porque não os domino).
Tudo isso se origina dessas frutas aí embaixo:

CLIQUE PARA AMPLIAR
Cada cacho desses é composto de uvas com nome próprio, como nós, humanos.

Ao contemplar parte do processo de fabricação do vinho, quase me sinto obrigado a ajoelhar-me e agradecer à humanidade essa dádiva.

Maravilhoso, o vinho.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Chuva usa chapéu?


Se no Brasil CPI não emplaca mais e os jornais continuam com o mesmo número de páginas, dá-lhe inovação. Nos jornais, nas rádios e na TV a ordem, agora, é correr atrás do lucro pra não incidir em risco de morte.
Desde que o Latim pariu o Português as pessoas normais correm risco de vida. Já nossos bravos jornalistas não.
Correr atrás do prejuízo, então, nem pensar. Deve-se correr atrás do lucro. Só pode ser influência do tal evangelho da prosperidade, aquele do pessoal que esconde dólar em bíblia.

CLIQUE PRA CORRER ATRÁS DO PREJUÍZO

Pois sugiro mais aos doutos jornalistas: parem de falar guarda-chuva. Cá em Portugal prefere-se chapéu-de-chuva. Afinal, o bicho não foi feito para guardar a água da chuva. Caso contrário seria balde.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Para o rol das histórias incríveis


Já há muito tempo tínhamos nós (a Baixinha e eu) telemóveis pré-pagos, da tmn. Por não morarmos ainda em Portugal, não era conveniente termos pós-pagos.
Durante o tempo em que ficávamos no Brasil (a maior parte do tempo) mantinha meu telemóvel ligado para receber chamadas. Raramente recebia alguma. Mas, quando consultava meu saldo verificava que ele definhava como se tivesse sido acometido de alguma anemia. É verdade que recebia, com bastante freqüência, mensagens de uma entidade chamada Movilisto, a presentear-me com créditos para não sei qual finalidade.
Logo que viemos definitivamente para Portugal, fomos a uma loja tmn e convertemos nossos telemóveis em pós-pagos. Os créditos restantes de carregamentos anteriores - foi-nos informado - serviriam para abater débitos futuros. O telemóvel da Baixinha (que no Brasil permanecia desligado) tinha em torno de 70 euros de saldo. O meu, como já disse, sofria de algum mal que lhe furtava as energias.
Hoje fomos à Bluestore (é assim que se intitulam as lojas tmn/meo/sapo) para reclamar nossos saldos remanescentes da época dos pré-pagos, não considerados na primeira factura que recebemos.

Descobrimos que cada mensagem da tal Movilisto nos arranca 2 €.

A jovem que nos atendeu nos ensinou a mandar às favas a tal Movilisto: manda-se uma mensagem para 62226, com o texto: Sair
Recebe-se, em seguida, mensagem a informar que fomos desligados da tal Movilisto, perdemos todos os créditos que nos haviam sido outorgados e - caso nos arrependamos - basta enviar mensagem com o texto: Voltar

A ver se esse procedimento resulta.

Pelo que leio na Internet, essa maluquice já vem de longe. Há vários anos esse furto descarado ocorre.

Vou pedir ao Alberto João Jardim, da Madeira, que me ajude.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Lá se vai o verão,
lá vêm as dúvidas


A temperatura, cá em Bragança, ainda é um bocadinho alta: são 23:30 e lá fora está um tempo aprazível, 21,5 ºC.
Há pouco fomos deitar fora o lixo. A Doga regalou-se com o passeio extra.
Será nosso primeiro outono totalmente passado em Bragança.

Deixo de lado essa conversa de elevador e falo de minha experiência inicial com o sistema de médico de família, neste estado europeu que - segundo os americanos do norte - é praticamente comunista.

A princípio gostei da ideia: ter um médico que te acompanha e orienta a consulta a especialistas, indica os exames básicos a fazer etc etc.

Quando visitei meu primeiro médico de família descobri a inevitável falha de qualquer sistema que envolva seres humanos: se eles falham, o sistema falha.

Meu primeiro médico de família era terrivelmente ruim. A experiência da primeira (e, felizmente, única) consulta foi traumática, jamais a esquecerei.

Percebi, então, que se o cidadão cai nas mãos (quase escrevia garras) de um médico ruim ele está em maus lençois.

Em meu caso, consegui mudar de médico por ter sido inaugurado um novo posto de saúde praticamente ao lado de casa. Meu novo médico de família é excelente.

Hoje me dei conta de um segundo defeito no sistema: ao ser cuidado pelo Estado, o cidadão passa a ser refém do mesmo. O médico determina que o indivíduo proceda assim ou assado, tome tais ou quais vacinas etc etc. Se o indivíduo não seguir as recomendações médicas sujeita-se a perder suas regalias (as consultas e remédios são praticamente gratuitos).

Minha vivência ainda não permite saber se existem - de facto - punições para os omissos. Talvez não as haja. Quanto a mim, diga-se, gosto de ser tutelado quanto à questão de saúde.

Levanto, aqui, uma questão de princípio, não uma reivindicação pessoal.

E se o indivíduo preferir contrariar as orientações médicas? Qual será a "reação" do sistema?

De bicicletas


Já contei, neste blog, como ganhei minha primeira bicicleta. Foi às vésperas de completar 11 anos.
Com ela vivi experiências fascinantes (ao menos para um guri de 11 anos).
Ao partir de Santos rumo a São Paulo, lá ficou minha bicicleta. Tinha eu, então, 16.

Chegado aos 37 anos, 21 anos depois, portanto, comprei nova bicicleta. Essa segunda não chegou a tornar-se companheira íntima. Tivemos uma relação efêmera, como, aliás, foram todas as minhas relações nessa época. Pra dizer a verdade, nem me lembro de como me desfiz dela. Mas deve ter sido por volta de 1.986, quando eu já somava 41 anos de idade.

Pois bem. Hoje, tomado de coragem, adquiri minha terceira bicicleta.


Faz algo como 25 anos que tive a segunda.

Ao levá-la a casa (ou a ser levado por ela, sei lá) senti uma emoção difícil de descrever. Algo parecido com um reatamento com a infância.

Diga-se: quando era garoto, conduzia muito melhor.

Pretendo aprimorar-me na condução da bicicleta. Quem sabe consigo chegar a ser tão bom quanto era aos 11, 12 anos.

Já seria qualquer coisa. Nisso e em tudo mais.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Para emagrecer


Ontem a Baixinha foi a Vinhais arrumar cabelo e unhas. Voltou curiosa por saber o quanto de verdade existiria em uma história de pílulas de ovo de solitária que provocam o emagrecimento.
Passei um bom tempo a fuçar no Google à cata de informações a respeito.
Teria Maria Callas utilizado tal método para baixar de seus 90 kg para míseros 57 kg?
Parece ser lenda. Já a venda das tais pílulas nos Estados Unidos, inícios do século XX, tem jeito de ter ocorrido. É verdade que não se tem como saber se as pílulas que eram vendidas como contendo ovos de solitária portavam de facto tais ovos.


As informações passadas boca a boca no salão dão conta de que seria possível, nos dias de hoje, comprar tais pílulas pela Internet.

Mas é sabido que na atmosfera de um cabeleireiro realidade e fantasia são indistinguíveis.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A volta dos comentários


Dia desses retirei o recurso que permitia comentários no Blog. Expliquei que o sistema de comentários que eu estava a utilizar havia dado sinais de não estar a funcionar direito.
Minha irmã caçula passou por cima de minhas explicações e protestou contra a ausência do recurso.
Como (quase) tudo que minha irmã diz eu acato, voltei a permitir a inserção de comentários no Blog, só que - agora - com o sistema de comentários do próprio Blogger.
E segue o jogo!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Promessa cumprida


Antes de sair do Brasil (São Paulo), tive a ideia:
Quando estiver em casa, em Bragança, Portugal, vou sentar-me à varanda, diante do IP4 (estrada que leva do Porto a Bragança e daí à Espanha), lá pelas onze horas da noite, quando no Brasil são apenas sete horas da noite, vou ligar o portátil (que no Brasil é chamado de notebook), entrar na Internet e escolher a rádio Sulamérica Trânsito, rádio especializada em informações sobre o trânsito em São Paulo.
Enquanto contemplo o IP4, com o seu movimento de alguns poucos automóveis por minuto, ficarei a ouvir as informações que dão conta de que há congestionamento na Marginal Tietê, de que a Marginal Pinheiros está parada, no sentido de Interlagos, pelo atropelamento de um motoqueiro, que a ligação Norte-Sul está insuportável pelo excesso de veículos etc etc. E vou usufruir da delícia de estar aqui. E não parado em meio a uma balbúrdia daquelas, como tantas vezes já estive.

Hoje cumpri a promessa.

Pagano Sobrinho


Fioravante Pagano Sobrinho parece que nasceu em São Paulo, em 23 de outubro de 1.910. Fez muito sucesso como humorista, principalmente nas décadas de 50 e 60 e morreu em 1.972. Esse ano, aliás, foi o único na minha vida que atravessei inteirinho atrás das grades, no Presídio Tiradentes.
Ano passado ele completaria 100 anos. Não vi, não li, não ouvi nenhuma palavra sobre ele na imprensa brasileira.
É assim mesmo. Não está na moda, pas de espaço na media.
Mas me lembro bem de Pagano a retratar as mulheres da alta sociedade:
- Era uma mulher muito viajada, muito percorrida.

Até o que existe sobre ele no You Tube é fraco. Paciência.
Adeus, Pagano.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A força motriz sexual


Como todo mundo, tenho direito a desenvolver teorias. E percebo, cada vez com mais nitidez, que a força motriz da sociedade é o sexo.
Grande novidade, dirão quase todos. Já Freud fez disso seu ganha pão.
Mas não. Calma lá.
As teorias freudianas são mais sofisticadas.
Quanto à minha, é de uma simplicidade alvar:
Digo, com toda a clareza: o Zé Dirceu, aquele o do mensalão brasileiro, aquele que não se deve cutucar com vara curta pois pode ser fatal, é um belo exemplo. Entrou para a política estudantil por perceber que era o jeito mais fácil e rápido de papar todas as menininhas deslumbradas que circulavam pelas universidades paulistas.
Depois de um desastrado congresso da UNE em Ibiúna, e outras estrepolias do gênero, foi preso. Uns gabeiras e franklins martins o pediram em troca do embaixador americano que haviam seqüestrado e ei-lo a tomar aulas de tiro e coisas que tais em Cuba.
Daí a criar o PT e dar invólucro eleitoral a Lula foi um passo.
Por falar em Lula, é evidente que só entrou para a militância sindical para papar viúvas de operários que iam ao sindicato para inteirar-se de seus direitos trabalhistas.
E por aí vai.Qualquer dia desses desenvolvo mais pormenorizadamente essa ideia.
Por hora, vou até ali, bem, fazer algo mais importante.

domingo, 4 de setembro de 2011

O rústico e o urbano


Neste fim de semana experimentámos dois extremos muito agradáveis.
No sábado, fomos almoçar na casa de minha prima Zelinda, em Passos de Lomba.
Como decidimos que eu conduzia na ida e a Baixinha na volta, pude começar com um bagacinho. A comida, regada a vinho da aldeia, estava soberba: um cordeiro na panela, com batatas.

Hoje, domingo, fomos a Mirandela conhecer o Flor de Sal:

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À entrada já se anuncia:

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O interior do restaurante é sóbrio:

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À guisa de entrada, enquanto a Baixinha pedia foie gras, fui de míscaros com alheira de caça. Imperdível. Aliás, imperdíveis, pois não deixei de experimentar o que a Baixinha pediu.
Regado a um vinho Quinta de Sobreiró de Cima Colheita 2004 (de Valpaços), saboreámos um arroz de peixe e gambas.
Completei com um gelado de azeite.

Fomos, então, apreciar o salão de baixo, sobre o rio Tua.

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Pode-se sentar e conversar:

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Ou passear pelo relvado ao lado do restaurante:

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Ficou a dúvida: qual o melhor? O rústico ou o urbano?
Prefiro ambos.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Sem comentários


Penso que será melhor tirar os comentários. Comecei a pensar nisso quando eu mesmo não consegui meter um comentário em meu próprio blog.
Além do mais, são poucos amigos que inserem comentários. Poderão enviar-me seus pontos de vista por e-mail.
Há leitores fieis que jamais comentam nada.
Fazem o que mais me importa: lêem.

Estimulo a todos os que me lêem a fazerem seus comentários. Mas por e-mail.
Sempre que for cabível, responderei no próprio blog ou por e-mail.

Combinado?

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Fim de feira


Hoje parece final de feira, em Bragança. Talvez o mesmo se possa dizer em relação a quase todo Portugal. Os emigrantes já se vão. E os comerciantes daqui, em particular os da restauração, fecham suas casas e partem para vinte dias de descanso.
O que havia a facturar, o foi.
Lá para o dia 12 começa o ano lectivo.
Só então, lá para a segunda quinzena de setembro, reinicia-se a actividade em geral.

Quanto a mim, amanhã recebo meu primeiro salário de reformado.

Em Romanos 6:23 consta que o salário do pecado é a morte. Espero que o salário da reforma seja algo menos radical.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A Falência da Educação


Não percebo o porquê de ninguém se preocupar para valer com o descalabro da educação nos dias de hoje.
Fico horrorizado ao constatar que há alunos já chegados aos 12 anos de idade e que não sabem nem sequer demonstrar o Teorema de Gödel.
Pior: muitos nem sequer leram a Crítica da Razão Pura, de Kant.
Pergunto-me onde iremos parar se adolescentes mergulham na mais total ignorância do que seja um imperativo categórico.
Mesmo naquelas matérias que os conduzirão a boas colocações no mercado, o desconhecimento é gravíssimo. Muitos rapazitos, já com alguns pelos a despontar no rosto, ignoram solenemente as quatro equações fundamentais do electromagnetismo.
Poderia estender-me em exemplos tenebrosos.
Mas fico por aqui, antes que minha irritação atinja limites indesejáveis.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Abel e Olivier


Hoje fomos almoçar ao Abel, em Gimonde. São menos de 5 minutos de carro até lá.
Durante o almoço, a Baixinha teve o insight: isto aqui é como o L'Entrecôte de Ma Tante, do Olivier Anquier.
É verdade.
O restaurante da Mário Ferraz, em São Paulo, oferece apenas um prato: o entrecôte acompanhado de batatas fritas. Antes servem uma salada verde. Há alguns doces à sobremesa.
No Abel, pode-se escolher entre costeletas de vitela ou de cordeiro e posta de vitela. Tudo na brasa. Tudo feito pelo próprio Sr. Abel.
Servem antes uma salada verde e batatas fritas ou ao murro acompanham a carne.
Há também doces para a sobremesa.

Nos dois restaurantes a comida é excelente. A diferença está no preço. No Olivier a refeição sai R$ 53,00 por pessoa, sem bebida. Uma garrafa de vinho tinto não deve custar menos de R$ 50,00. Um casal gastará, no mínimo, uns R$ 150,00. Ou 65 euros.

Hoje, no Abel, comemos uma posta de vitela dos deuses, tomámos um delicioso vinho da casa. Deixámos lá 13,25 euros.

sábado, 27 de agosto de 2011

Lá se vai o verão


Dizem, cá em Bragança, que o verão acaba aquando da festa da Nossa Senhora da Serra, no início de setembro.
Parece, contudo, que o final do calor antecipou-se, este ano.
Depois de dois dias tórridos, quarta e quinta da semana passada, a temperatura começou a cair e ontem à noite, quando resolvemos sair para deitar fora o lixo, fazia um frio terrível na rua.
Lembrei-me dos versos populares que me ensinou o primo Alípio:

Focinho de cão
e cu de mulher
Não conhecem v'rão

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A Luta de Classes, quem diria,
acabou em Boletim Meteorológico


Avacalharam de uma vez por todas as ideologias.
Matéria de Filomena Naves publicada hoje no Diário de Notícias resume as conclusões de uma pesquisa divulgada pela revista Nature: existe uma correlação clara entre o fenómeno climático El Niño e o surgimento de guerras civis nos 90 países que sofrem a influência dele. Explica Filomena: “El Niño é um fenómeno periódico de aquecimento das águas do Pacífico, que ocorre a cada três a sete anos, e que tem repercussões à escala global, afectando os padrões meteorológicos em quase todo o continente africano, no Médio Oriente, Índia, sudoeste asiático, Austrália e Américas, onde vive metade da população do planeta. Nesses anos, a temperatura do solo sobe e as chuvas diminuem muito. No anos de La Niña, em que as águas do Pacífico arrefecem, acontece o contrário.”

Os pesquisadores chegaram mesmo a quantificar a tal influência:
“No estudo hoje publicado na revista Nature – que faz capa do artigo –, a equipa coordenada por Solomon Hsiang, da universidade de Columbia, escreve que os dados ‘ mostram que a probabilidade de surgirem novos conflitos civis nos países tropicais duplica nos anos de El Niño ’. “

Os mesmos pesquisadores fazem uma óbvia ressalva:
“Com prudência, a equipa sublinha que não é o clima apenas que desencadeia as guerras civis. Um mundo de problemas sociais e humanos conjuga-se sempre para que os conflitos aconteçam. Mas o estudo, dizem, mostra que o papel do clima é real e também mensurável. Em tempos de grande tensão, a meteorologia desfavorável pode ser o rastilho que ninguém queria. “

Mas a ressalva chega quando a vaca já se dirigiu ao brejo.

Ouso sugerir aos inefáveis cientistas políticos que passem a dedicar um tempo adicional ao estudo das previsões do tempo.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O viúvo


- Como vai essa força?!

Há muito tempo não o via. Talvez por isso, cumprimentou o velho amigo com misto de prazer e surpresa.

Recebeu a resposta habitual para essas situações, a menos do final:

- Minha mulher faleceu há um ano.

Vestiu a expressão de consternado e retrucou:

- Meus pêsames, amigo.

E veio a surpresa:

- Pêsames o caralho!!! Tirei a sorte grande!

E pôs-se a contar como sua vida passara por uma revolução. Como se tornara alegre, feliz mesmo.

Despediram-se pouco depois, não sem que o amigo o convidasse para acompanhá-lo em algumas aventuras. Agradeceu o convite de modo protocolar.

Antes de voltar para casa, sem que isso fosse hábito seu, passou na florista e comprou flores para a mulher.