sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Final de ano em Bragança


Pois é. Lá pra 20 ou 21 de dezembro vão começar a chegar a Bragança irmã, filhos, netos e sogra de um filho.
Vamos comemorar Natal e Ano Novo, ali, ao pé do Parque Natural de Montesinho, com neve ou sem neve. E já com os móveis que acabam de sair daqui de São Paulo rumo ao Velho Mundo.

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Vamos conhecer - pessoalmente - a Isabella, nossa segunda neta, que irá pra lá, a partir de New York.
Vamos conhecer Allana, nossa terceira neta, recém nascida na Austrália.
E vamos poder brincar na neve (se houver) com o Taj e a Bruna, os demais netos.
Ficará faltando o Rafael, primeiro neto, que não poderá ir.

Não nos esqueçamos da Doga, que ficaria ressentida se fosse deixada de lado.

E que tudo seja inesquecível. Por ser maravilhoso.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Comunicado imprescindível


Dia desses, penso que 15 de setembro (ou terá sido 16? esses fusos horários complicam minha vida) nasceu Allana, primeira neta australiana.
Nós ainda não a vimos. Dizem ser mais bonita que o irmão Taj. Se isso for verdade, preparem-se para uma nova Miss Australia 2.028.
A mãe, Lu, está super bem.
Bola pra frente.
Enquanto nós mandamos nossos móveis para Bragança, Allana traz suas esperanças para o planeta Terra.

Caos


Mudança é assim. O caos.
Mas, se é para o bem...

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Gostaria de ir já, dentro de uma dessas caixas. Mas ainda não é possível.
Esperemos por abril do próximo ano, se houver próximo ano...

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Velório de Romeu


(escrito em 9/10 de agosto de 1.975)

O café não está dos piores, quero ver é acordar às sete pra pegar aquela papelada toda e botar em ordem. Mas não havia jeito, Romeu era subordinado seu e se ele não aparecesse no velório iria ser uma falação dos diabos entre os colegas de trabalho.
Pois é, meu senhor, basta estar vivo, a-vida-é-assim-mesmo, ainda por cima essa velha carpideira resolver despejar sua catarata de lugares comuns justo em cima de mim, parece que hoje não é o meu dia. Convenceu-se logo de que não era mesmo pois a velha a seu lado atraiu para aquele canto da sala um animado grupo de matronas, todas muito seguras em seus papéis, verdadeiras profissionais naquele ambiente de lágrimas & condolências. E foi o dilúvio. O senhor era chefe do Romeu, não era?, pobrezinho, tão jovem, ainda ontem tão sadio, tão disposto. Quem diria!... Distribuía para as velhotas expressões que o constrangimento devia tornar estúpidas, mas de qualquer forma sobrevivia. O fato é que o molenga do Romeu nunca esteve muito vivo, o prazo para entregarem aquele projeto já se estava esgotando e o homem sempre no mesmo ritmo, incapaz de dar duro e resolver logo a coisa. Aceita um café? Parece que adivinhava que a bomba iria estourar na minha mão, o vidente. Virou o café aproveitando para examinar a sala, a televisão do outro lado dominando a cena, mesmo desligada, embutida em um móvel sobre o qual estava uma bandeja com xícaras e uma garrafa térmica. Aquele montão de cadeiras certamente tinha sido trazido pela vizinhança, normalmente as poltronas e o sofá também não deveriam ficar todos assim, ao longo das paredes, tudo devia girar em torno da televisão, os móveis e a família. Pensou, por falta de idéia melhor, que afinal a morte talvez fosse o único evento capaz de romper a mania das novelas e dos shows de TV. Ou talvez não, porque a mulherada que o cercava parecia estar em pleno debate a respeito de capítulos mais recentes das novelas preferidas. Pensou na viúva, sentada ao lado de pessoas da família, menos por pena, mais para não ouvir a conversa à sua volta. Não era uma mulher totalmente feia, ou melhor, nela a questão se situava em outros termos, não era bonita nem feia, parecia simplesmente um pouco mais medíocre que o normal das esposas-de-funcionários-de-nível-médio. Que era a morte do Romeu para ela? Provavelmente volta a morar com os pais. Uma vez por ano leva flores ao túmulo, talvez mais, sei lá. O terrível é que me parece que nada é capaz de abalar nela essa atmosfera de cotidiano, romper esse bloco de bom senso. Não vai passar por nenhuma reorientação essencial, apenas leves alterações de rotinas diárias. No entanto, morrera o homem com o qual construira todos os orgasmos de sua vida, para o qual cozinhara durante uns vinte anos, entra-dia-sai-dia, um lava-passa de cuecas, camisas, meias e o diabo! Mediocridades compartilhadas, ainda mais que a falta de filhos os deixara todos esses anos cara a cara, sem biombos, interfaces protetoras, que coisa linda que os filhos são!, como é que podia associar essas coisas todas com Vinicius, velório é isso, a gente começa a revirar memória, esforço pra não dar aqueles bocejos indelicados... de repente, não mais que de repente, a gente desenterra poemas, amigos esquecidos, mortos pra gente, cujas mortes - dessas sem velórios, enterros, mais efetivas porque menos rituais - ajudaram a alterar nossos rumos, de um jeito ou de outro nos arrastaram até aqui, ou teriam nos empurrado mais pra lá se não tivessem sido, se os amigos (se os poemas) tivessem vivido mais, se suas forças de gravidade nos tivessem por mais tempo segurado em órbitas passadas, mortas agora. O senhor está acompanhando também? O último capítulo estava apaixonante! Claro, claro, ainda bem que essas madames não exigem muito das respostas, não são como Isabel, que queria tudo explicadinho, espoleta a Isabel, só sossegava na cama, mas antes!, veja a ironia. Que bicho terá comido a danada, sumiu. Naquele tempo as pessoas iam e vinham sem muitas cerimônias, sem batizados nem velórios, passavam. A fase das grandes amizades já havia passado, ainda não surgira a época das amizades formais, de conveniência, era o vazio-de-final-de-adolescência. Qualquer dia teorizo isso. Estará fazendo o quê, a Isabel, certamente ouvindo explicações de algum outro, será que já aprendeu a trepar?, vai ver pensa que a culpa era minha. De qualquer jeito, outro mundo, de qualquer modo, morta, mais talvez do que o Romeu. Biscoito? Obrigado. A questão é que Isabel não lhe dizia mais nada, agora que ausente. Outros vazios doíam mais, amizades nas quais esgotara imprudentemente toda a sinceridade e paixão que deveria ter espalhado mais de modo homogêneo pela vida inteira. Caso do Gomes. Porra, o Gomes! Houve época em que não podia imaginar um dia sem um papo com o Gomes. Sofreram juntos os dramas seus e os do mundo, discutiram em detalhes intermináveis os absurdos da vida, tudo com muito conhaque (o Gomes sabia beber conhaque) e muita música pra catalisar tristeza. Pensando nisso, será que pega mal se eu pedir um conhaque aí pra alguma responsável pelos comes-e-bebes?, seria até um jeito de sair desta roda de galinhas estéreis. Com licença.
Conseguiu seu conhaque sem muita dificuldade, esgueirou-se para o jardim da frente da casa e aboletou-se no murinho que o separava da calçada já deserta. O conhaque era de quinta categoria, mas a noite estava soberba. Estivesse com o Gomes, estaria bebendo um Macieira, no mínimo. Mas não teríamos nada pra dizer. Aqueles planos de largar tudo, sair por aí escrevendo poemas, hoje isso soaria como uma proposta de sair da Via Láctea à procura da origem do cosmos. Agora que tudo era farsa, já não sabia estabelecer até que ponto falavam sério naqueles papos de antes. antes do quê, afinal. Gozado como não houve nenhum ponto de ruptura bem delimitado, essas coisas só existem nas teorias. Certamente o Gomes era mais sincero, parecia falar sempre mais de dentro, mais pra valer. Ele sempre puxava os temas, as variantes do mesmo Tema. A partir do terceiro copo os dois já estavam mergulhados vitalmente naquele mundo de projetos e desespero, mas no início era o Gomes que os arrastava para aqueles ódios sem objeto, aquela nostalgia sem passado. A viúva, lá dentro, começava a chorar mais alto. Olhou o céu pintadinho de estrelas, pra que canto teria ido o Romeu, pra que lado teria ido o Gomes, foram se encontrando cada vez menos, o Gomes muito preocupado com desigualdades sociais, exploração capitalista, sua fase política - como ele mesmo costumava dizer. Eu sempre achei esse tipo de coisa meio paranóica. Mas ele insistia que agora sim, que agora tinha conseguido abordar os problemas pelo lado certo, pobre Gomes, precisava mesmo era de mulher. Tentou ainda discutir com o Gomes, mas já não se acertavam mais, os pontos de referência distintos, uma bagunça. Tudo que ele dizia o Gomes classificava de ideológico. Porra, Gomes, mulher é ideológico!? Bebiam mais um conhaque num silêncio meio embasbacante, depois era aquela despedida murcha, aparece cara, nada como antes, ou com aquelas lágrimas inexplicáveis borrando os olhos, levantava em silêncio, um silêncio todo expressivo, dava uns tapinhas nas costas do Gomes imóvel, olhos no chão, no nada, saía lento, um tempo já perdido pela frente. Depois foi a vida profissional pra mim, a revolução pro Gomes, nossas órbitas foram se descolando, morremos mutuamente. Serei para o Gomes hoje uma encarnação da classe média, exemplo de conceito, abstração. De certo modo Romeu está mais vivo, sua ausência me dará um trabalhão amanhã. Morto ou não, terei de dar um jeito naquela papelada. Nenhum de nós dois dava a mínima pelo mundo, sentíamos tudo como massa indiferente, achávamos sem sentido que alguém corresse atrás de objetivos nesse universo absurdo. Não sabíamos (eu acho que já sabia) que fazíamos a crítica de nosso futuro. Que puta incoerência. E pensar que aquela adolescência foi a nossa, que deve haver algo daquilo tudo sedimentado em algum canto cinicamente escondido dessa minha cabeça oca. O Gomes tentando mudar tudo, debatendo-se contra o estabelecido, vai ver está com a razão, sempre ele mais perto do certo, sei lá, pelo menos deve ter pra onde ir, pra onde olhar, sem sentir-se nesse ciclo interminável que só faz girar pra nos dar a sensação de movimento. Serviços urgentes, menos urgentes, filmes melhores, piores, livros chatos, outros bons, mulheres loiras, morenas, pintas que se espalham diferentemente pelos corpos pra criar uma sensação de diferença, de variação, de surpresa. Mas Aquiles não alcança mesmo a tartaruga, não é mesmo?, Gomes, continuemos inertes, parados na adolescência, ir à frente é ilusório, tanto é que fomos e estamos mortos. Despeja aí um conhaque e vamos ficar parados no antes, antes que você subverta o mundo, antes que eu me acabe de tédio. Que idéia idiota foi essa de matar nossas convicções, enterrar a perplexidade, descobrir certezas. Veja só, até já consigo borrar de novo os olhos daquela maneira estúpida de antes, sem que nada seja dito, nem mesmo pensado. Onde está você, Gomes, pra gente partilhar esse sofrimento feliz.
Foi virar mais um gole, copo vazio. Ainda esticou maquinalmente a mão para pegar a garrafa, pegou foi a lembrança do velório, viúva chorando, velhas carpideiras de mortes reais e televisionadas, o Romeu, caramba!, a papelada amanhã... Já é tarde, hora de cumprir o ingrato dever das despedidas cheias de pêsames e silêncios constrangidos. Entrou na sala, aproximou-se da viúva. Ao abraçá-la pensou - satisfeito - que suas lágrimas vinham bem a calhar, dariam a impressão de estar realmente triste.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Lição de puericultura


(texto sem data, escrito em um dia qualquer do segundo semestre de 1.975. Por algum motivo de que não me lembro, quase todo o texto está em minúsculas)

conseguiu acalmar o guri sabe lá como, tantos os truques que tentou, tudo misturado, quem tem tempo nessas horas pra ficar isolando causas metodicamente, o que importa é o efeito. correu ao livro recém adquirido, Manual do Petiz, coisa do gênero, o nome não recomendava mas a inexperiência sim, de repente tendo de cuidar daquela miudice de exigências inadiáveis. procurou choro no índice remissivo e foi enviado a umas poucas tautologias do tipo "o choro do lactente indica frio ou calor ou cólicas ou febre ou fome ou ...". folheou mais um pouco aquele amontoado de frases vazias e desistiu, mesmo porque o guri já recomeçara o berreiro.
lembrou do pediatra que procurara na semana passada. já teria voltado de férias? afinal, se o médico examinasse a criança talvez pudesse dizer alguma coisa além das generalidades daquele livro inútil. onde estava com a cabeça quando comprara aquilo? a finalidade óbvia daquela geringonça era a de capitalizar a preocupação de pais inexperientes e reunir para o autor uns restos de salários esquecidos aqui e ali pela indústria do entupa-seu-bebê-com-os-produtos-da-mais-avançada-techologia. enrolou bem aqueles cinqüenta centímetros barulhentos e arrancou para o pediatra.
ficou pouco tempo no consultório de ar condicionado e bichinhos disney. o suficiente pra responder um questionário genérico, ver o moleque ser profissionalmente apalpado pelo médico e receber umas três receitas cheias de nomes horrorosos. ao sair pagou um dinheirão a uma secretária estrategicamente situada em uma mesa cercada de mamães aflitas e/ou aparvalhadas.
chegou a pensar em tomar o rumo da farmácia mais próxima mas estava assustado diante daquele ciclo interminável: um livro caça-níqueis que recomenda os produtos Vamos&Venhamos que causam problemas que só o pediatra pode resolver - ou melhor - pode encaminhar aos remédios dos laboratórios especializados em introduzir o recém nascido na rotina dos produtos e ante-produtos e metaprodutos. ainda tentou desculpar o pediatra: se todos procuravam lucrar ao máximo, não era culpa dele se o objeto de seu trabalho eram crianças doentes. Além disso, ele até que ficava com uma fatia pequena nesse rendoso negócio que faziam com a saúde das pessoas... Também, que podia fazer o pediatra se a pediatria continuava na estaca zero? Se nada se sabe com um mínimo de segurança a respeito de crianças recém nascidas, já que essa estória de conhecimento e ciência também é controlada pela indústria das doenças, por uma indústria doente, também precisando de remédios?... e desculpou o livro via pediatra e este através da indústria e esta graças à sociedade. voltou pra casa furioso e descontrolado, se bem que era o guri que gritava sem parar.
aquele sem fim de conexões impessoais e opressoras o agitava. pensava um pouco em tudo sem conseguir fixar-se em nada. os livros, médicos, indústrias, ciências, sociedade, tudo girava num turbilhão gigante. Pensou em lançar tudo fora e começou pelo livro. O Manual do Petiz foi minuciosamente picado e lançado janela afora. Jogou fora o pediatra, os pediatras, os remédios, as indústrias de remédios. Foi preso e condenado a cinco anos de reclusão quando tentava jogar fora a sociedade.

domingo, 12 de setembro de 2010

Escritos antigos


Isso é que dá, ter de arrumar tudo para a mudança. Encontram-se escritos esquecidos, soterrados por pastas, papéis...
Lá vai um poema de janeiro de 1.983:

Escrevo sobre força
E uma fraqueza ronda.
Os feitos que quero
Não quero.
Os fatos que posso
Não quero.
Quero o que escapa,
derrapa.
A dúvida solapa
toda certeza.

domingo, 5 de setembro de 2010

Alegrias globais e locais


Não há como negar. Hoje, para mim, foi um dia triste.
Amanhã vou ao Porto aguardar o embarque para o Brasil, na terça.
Mas dois acontecimentos deram um colorido alegre a esse domingo.
Primeiro é o que leio no Público on line: a ETA apresentou à BBC um vídeo com declaração de cessar-fogo.
Tomara seja pra valer e seja definitivo.
Segundo: estava esta manhã sentado diante do computador quando reparei que um passarinho havia entrado na varanda de casa.
Como as proteções da varanda são de vidro, o passarinho tentava sair e batia com o bico no vidro. Andava de um lado a outro, quase em desespero.
Fiquei com receio de lançá-lo para fora e ele se esborrachar lá no chão, pois tudo indicava que ele não conseguia voar.
Resolvi deixá-lo ali até depois do almoço.
No começo da tarde, ao voltar, percebi que o passarinho continuava no chão da varanda, já agora quietinho, parado.
Resolvi arriscar.
Peguei-o com algum esforço pois minha aproximação o assustava muito e ele corria de um lado para outro.
Com uma dúvida enorme, lancei-o ao ar.

Foi o vôo mais lindo que já vi um pássaro dar.

sábado, 4 de setembro de 2010

Mais uma despedida


Hoje fui a Passos despedir-me dos parentes. Ou seja, de todos.
Passei na casa de Maria Tereza, conversámos um bocadinho. Ela reclamava do calor. Pudera, com toda aquela indumentária preta, de viúva, há de sentir muito calor.
Da próxima vez, vou propor-lhe que lance a moda de roupas brancas para as viúvas.
Ficará indignada, claro. Mas que seria bom, seria.
Fui, depois, à Dora. Descansava na parte de baixo da casa, onde antes eram guardadas as vacas. É fresquinho, lá. Brinquei com ela que as vacas eram tão saudáveis porque viviam na melhor parte da casa. Dora transformou aquilo em uma agradável sala de estar.
Dali fui ao Café do Otávio. Encontrei o Irineu, da Gestosa, filho do Zindo. Aproveitámos o Café para tomar um fino. Gostei do brinde dele:
- Que nossas esposas não fiquem viúvas!
Andei à casa da Zelinda. Ela limpava feijão, enquanto o Alípio exercitava sua habilidade em matar moscas, munido daquela espécie de espátula de plástico, própria para esse tipo de assassinato.
Jogámos meia hora de conversa fora.
Voltei ao Café, na esperança de encontrar o Marciano, que anda por aqui. É mais fácil nos encontrarmos na aldeia do que em São Paulo, onde moramos em bairros vizinhos. Mas não houve hipótese. Parece que estava pra Vinhais. Se não terá sido ele que quase me abalroou, na estrada de Passos a Vinhais, quando de meu retorno a Bragança.
Antes de partir, encontrei o Kiko, que me prometera um garrafão de vinho e um pouco de bagaço. Pedi a ele que mos dê aquando do Natal, quando estiverem cá meus filhos e netos.
No retorno a Bragança, não resisti a uma paradinha e a esta foto.

Verão na Lomba

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O sumo da cultura


Quando criança, lia nos livros aquilo de donzela de lábios cor de romã. E ficava a imaginar que diabo de cor seria essa. Nunca vira uma romã.
Hoje, tomo sumo de romã e gosto de ver a Baixinha comer romã de verdade, com um prazer indisfarçável (e por que raios ela deveria disfarçar?).
Agora, decepção mesmo foi quando li na caixinha Tetra Pak do sumo de romã que, em espanhol, romã é granada.
Isso lá é cor pra lábios românticos?
Será (vou investigar) que nos romances em espanhol o mocinho comenta que a donzela tem lábios cor de granada?

Hoje saí às compras. Ou talvez seja mais correto dizer que saí à compra. Fui comprar apenas uma coisa: uma escada. A Baixinha pediu-me, na conversa de ontem pelo Skype, que comprasse uma escada maior do que a que já temos. Ela havia comprado uma de dois degraus. E se deu conta, agora, de que é necessária uma de cinco degraus. Não só por ela ser baixinha, mas para que eu, que não sou nenhum gigante mas sou bem maior que ela, possa alcançar livros na prateleira mais alta do escritório.
Entrei na loja, dei aquela volta de reconhecimento, vi que não havia escada alguma à venda. Por via das dúvidas, perguntei a uma atendente:
- Não têm escadas?
Que belo mico!
Para azar meu, a loja até tem uma escada mais ou menos no meio do salão, por ser este de dois níveis distintos.
Com um sorriso levemente irônico, a mocinha fulminou:
- Escadotes? Não, não temos.
Os dicionários trazem escadote sem nenhuma observação de ser termo usado em Portugal e não no Brasil. Mas, no Brasil, nunca ouvi ninguém utilizá-lo.
Sou, agora, o feliz proprietário de dois escadotes. O último dos quais paguei com pequena parte de minha inesgotável ignorância.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Calma e paixão


Estava ontem a reler o texto de uma caixinha de sumo de maracujá (observação: intelectual brasileiro jamais . Ele sempre relê) quando me surpreendi com o nome dessa fruta em um monte de outras línguas: passion fruit (inglês), fruit de la passion (francês), passievrucht (holandês), passionfrucht (alemão), passionfrukt (sueco).

CLIQUE PARA BEBER (um dia ainda será possível)

Em primeiro lugar, apesar de eu ser o primeiro a reconhecer uma caixinha de sumo de frutas como fonte importante de cultura (e de um monte de outras coisas, a julgar pela Informação Nutricional), não se deve concluir do que foi dito acima que quem sabe alemão consegue falar tranqüilamente holandês e sueco. Devagar com o andor.

Mas o importante, a meu ver, é a brutal discrepância do nome da fruta em tudo quanto é língua (não consultei o mirandês, é verdade) e o nome da dita cuja em português.

Mais: os dicionários e a vida ensinam que a paixão nada tem de calma. E eu vivi uma já longa existência a ouvir que o maracujá é excelente calmante. Na TV brasileira já houve até um comercial, protagonizado por Juca de Oliveira, notável ator e autor teatral (na TV todos são a lesma lerda), em que ele afirmava:
- Beba Maracujina e fique calmiiiinho, calminho.
Se esse bendito comercial devesse ser vertido para, digamos, o sueco, teria de ser assim (em sueco, mas vai em português que eu não sou o Janer Cristaldo):
- Beba Paixãozina e fique arrebatado e exaltado.
(talvez em sueco até soe melhor)

O Houaiss diz que maracujá vem do tupi moroku'ya. Vá lá.
Mas por que diabos as outras línguas chamam de fruta da paixão a uma fruta que acalma?!

Algo errado


Logo ao acordar verifico que Internet, TV e telefone, viva!, funcionam.

Vou até a cozinha e o frigorífico de época que consegui comprar me arrasta para o início da década de 60, quando minha mãe me emprestou a geladeira que nos acompanhara durante anos, em Santos. Ela ia morar com minha irmã no Rio e eu instalei a geladeira no quarto da república de estudantes em que morava, em São Paulo. Como era bom, chegar à noite a meu quarto e poder fazer uma vitamina de frutas com leite fresco. Era meu jantar. Quanto aos frigoríficos, há diferenças: este é vermelho, aquele era branco. Este é Bosch, aquele era Frigidaire, se não me falha a memória (e como falha). Mas eu também mudei. E quanto.

CLIQUE NELE PARA ABRI-LO

Volto ao computador. E aprecio Diana Krall no Bic Laranja.
Ainda hoje duvido um bocadinho da existência dessa mulher. O que não me impede de apreciar sua música.

A luz do céu de Bragança está simplesmente maravilhosa.

É aí que me parece haver algo de errado em tudo isso.

Afinal, segundas-feiras não foram feitas pra deixar ninguém tão feliz.

domingo, 29 de agosto de 2010

Um domingo de mixed feelings


Fui a Passos, hoje. Almocei com Zelinda, Alípio, sua filha, genro e neta.
Não poderia ter sido melhor. Não a comida, que foi boa, mas o convívio.
Depois, fui ver Maria Tereza, fui ao café do Otavio e voltei à Zelinda, depois do Kiko me empurrar uma rifa de 20 euros para uma finalidade pra lá de nobre: um centro de convívio que será construído no terreno da escola (desativada), para permitir que os idosos façam suas refeições (pequeno almoço, almoço e jantar) lá, ou que recebam tudo isso em casa, se a locomoção já for difícil.
É a aldeia a preparar-se para o tempo final dos velhos habitantes.
Quando é que alguém vai acordar pra reavivar esses paraísos que são as aldeias trasmontanas?
Fiquei também a saber que morreu minha tia Juventina, no Brasil. Meia-irmã de meu pai. Nenhum de seus filhos ou sobrinhos dignou-se a avisar-me.
Paciência.
Voltei a Bragança e fiquei a saber que a Baixinha está com pneumonia. Já tive esse dissabor. Basta uma semana de repouso absoluto e pronto. Tudo resolvido. Só duvido que ela tenha capacidade de manter repouso absoluto por um dia que seja.
Mas tudo se resolve. Ou não.

sábado, 28 de agosto de 2010

Ainda sobre a Albufeira do Azibo


Dia destes, escrevi, aqui, sobre as praias fluviais da barragem do Azibo.
Eu não as conhecia. Aproveitei este sábado, de muito sol e calor, para ir até lá. É certo que deixei pra ir lá pras cinco da tarde. Mesmo assim, tratei de passar protetor solar nos antebraços e no rosto (o resto, devidamente coberto. Já chega minha neta, que se queimou toda, lá em Westport, e está de molho, à espera de melhoras).
De Bragança até lá são uns 25 km, pelo IP4. Mas isso é contado a partir de Bragança Sul. Como resido no extremo norte da cidade, de minha casa até lá são 40 km.Isso se faz em 20 ou 25 minutos, já que a velocidade permitida nos IP é de 110 km/h.
Vai-se pelo IP4 até encontrar-se a placa para Azibo. Entra-se, então, em uma estrada secundária bem cuidada, como podem constatar nas duas fotos abaixo:

Foto tirada na ida
Foto tirada na volta
Mas não se empolgue: vai andar apenas uns 200 metros nela e já está no Azibo.
O restante as fotos contam:








Casal Sombra e Sol

E agora, esta


Estava eu a ler a Sábado e encontro isto:
Diz ele que eram usados [blusões que tinham gola em pelúcia] pelos betos que tinham mota e provocavam tremenda inveja nos outros [...].
(Sábado, nº 330, pag. 19, in crônica de Nuno Markl)

Meu apelido de infância é Beto.
Fui ao dicionário:

beto
nome masculino e adjectivo
coloquial jovem bem comportado, geralmente um pouco presumido


presumido
adjectivo
1. vaidoso; presunçoso
2. afectado
3. que é uma hipótese; suposto; conjecturado

nome masculino
indivíduo com presunção ou vaidade



Ainda bem que pouca gente me trata por Beto.
Parece que, aqui em Portugal, Beto é o mesmo que Mauricinho, no Brasil.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Minha Luta (contra a PT)


Não. Este post não se refere, a não ser como blague, ao livrinho do Adolf.
Acontece que cheguei ao Porto na quarta de manhã, depois de vôo tranqüilo (às favas, a reforma ortográfica), a não ser por uma freada um tanto abrupta na aterrissagem no aeroporto da Maia. Sozinho. A Baixinha e a Doga ficaram em São Paulo.
Duas horas e meia até Bragança. Sol a todo vapor (essa expressão faz sentido?).
Já perto de Mirandela percebi que meus antebraços estavam vermelhos. Passei a dirigir tentando deixar os braços à sombra. Ainda bem que a Baixinha meteu em minha bagagem um protetor solar que vai me socorrer. Mas só depois de chegar em casa e abrir a mala.
Por falar em casa, estava por aqui tudo direitinho. Ou melhor, quase tudo.
A TV, a Internet e o telefone (que algum dia, pra provar que sou português, vou conseguir chamar de tulufone) não funcionavam.
Ocorre que contratei a MEO, da PT. E como isto aqui é a parte mais atrasada de Portugal, nada de fibra. Isso de fibra ainda é requinte de alfacinhas. Pra deixar tudo mais claro: a qualidade da Internet, cá em Bragança, talvez seja a pior de Portugal. E é equivalente (ou pouco superior) à melhor de que se dispõe no Brasil.
Como se percebe, nós, os brasileiros, temos toda a razão quando ridicularizamos a nós, os portugueses. Segue o jogo.
Ligo, então, à PT. Isto ainda na quarta-feira. Descobrem, sabe-se lá de que modo, que o problema é externo à minha morada. Por via das dúvidas (e nem Descartes conseguiu ter tantas dúvidas), fazem o agendamento (detesto essa palavra) de uma visita técnica para o caso de o problema persistir depois da intervenção na parte externa de minha residência: será na quinta, entre 14 e 18 horas. Isso significa que ficarei preso a meu apartamento durante toda a tarde de quinta-feira. Para quem passou um bom tempo (ou terá sido mau?) em uma cela de prisão, isso não deveria constituir nenhum drama. Acontece que vim até Bragança pra resolver uma porção de probleminhas. Uma tarde trancado em casa não era exatamente o que eu tinha pedido aos deuses. E, last but not least, eu tinha de 26 a 28 anos quando fiquei sob tranca no presídio Tiradentes. Agora, sou um ancião de 65 anos que não dispõe de muito tempo pra ver a banda passar.
Como todo mundo já adivinhou, o problema não foi resolvido e a visita não deu as caras. E nem satisfação.
Toca a ligar pro tal 16200 da PT, que - registe-se - é gratuito [alô pessoal do horário eleitoral da TV brasileira: é gratúito e não gratuíto] só pra quem liga de um telefone da PT. Mas justamente por eu estar a ligar por causa da falência múltipla de órgãos de meu sistema MEO, inclua-se aí o tulufone, tive de ligar do meu telemóvel TMN. E gastei, acreditem, DEZENAS de euros. É um tal de transferir a sua ligação (muito importante para nós) para outro lugar, que chego a pensar que a ideia era promover algum tipo de gincana, com prêmios ao final.
Que foi feito? Ora, claro!, agendou-se outra visita técnica para hoje, sexta-feira, entre 14 e 18 horas.
Penso que, afinal, a PT entende não ser justo eu ter ficado dois anos trancafiado no Brasil e - cá em Portugal - passar todo o tempo livre e solto. É preciso um certo equilíbrio.
Quase às 16 horas, recebo uma simpática ligação no telemóvel. Trata-se do visitante PT. Quer vir à minha residência. Fico à beira de sentir-me lisonjeado.
Logo muda de ideia. Diz que, se calhar (os portugueses adoram essa expressão), pode resolver o problema remotamente. Pena. Quase já havia aberto o vinho com que o receberia. Para respirar.
De facto, a TV e a Internet voltam ao meu convívio.
O tulufone é que insiste em não fazer ligações.
Meu quase futuro visitante diz que vai resolver também isso.
E desaparece de cena.
Ligo à PT, reporto o problema do tulufone e me dizem que vou ser contatado para as devidas providências.
Ainda bem que amanhã é sábado. Vou passear e deixar o tulufone pra segunda.
Que me encontrem no telemóvel.
A batalha continua na segunda-feira. Ainda de manhã, vou procurar um representante Zon.

sábado, 14 de agosto de 2010

O anti-herói de Salgueirais


Li sobre ele no Diário de Notícias de hoje.
Jorge, é o nome dele.
Foi detido pela segunda vez por conduzir com uma taxa de álcool acima do permitido.
Conduzir uma carroça atrelada por um burro, diga-se.
O que dele contam seus vizinhos de aldeia é que é digno de nota:
Tem 34 anos, não sabe ler nem escrever e de leis pouco percebe.
Jorge nasceu na Velosa, uma aldeia do outro lado da serra e foi viver para os Salgueirais com uma mulher mais velha que ficou viúva e tem uma pequena pensão.
O casal são uns pilha-galinhas. Deitam a mão a tudo quanto podem.
Chega a dizer um tal de Pedro Santos:
Uma ocasião vim a casa e vou dar com ele deitado na minha cama. Veio para roubar e adormeceu.
Outros ressaltam o tanto que sofrem os animais do casal:
Têm uma cadela que é pele e osso.
O burro leva cada enxerto de porrada que mete dó
.
Mas Jorge é homem de princípios rígidos:
Posso deixar de conduzir o burro, mas o vinho não deixo.

Íntegra aqui.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Da série Mordam-se de inveja


A Albufeira do Azibo, no nordeste trasmontano, que tem uma praia com o maior número de bandeiras azuis na Europa, fica a menos de 30 km de casa.

E isso porque moro longe do mar.

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Atualização: E, vai daí, até campeonato nacional de volei de praia vai haver lá neste final de semana.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Fragmentos de um discurso escatológico - 2


Em 1.968, recém formado em Engenharia, mas estudando para o vestibular de Filosofia, na USP, fui morar no centro do movimento estudantil daquela época: a R. Maria Antonia, em São Paulo. Ainda lá funcionava a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo.
Ao prestar vestibular, conheci o Eliandro, um rapaz que havia abandonado o ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), considerado uma das três melhores escolas de engenharia do país (as três eram: POLI-USP, onde me formei, o ITA e o IME - Instituto Militar de Engenharia, no Rio de Janeiro). Era um excelente aluno no ITA, o Eliandro, mas abandonara a escola por considerá-la uma fábrica de loucos. E, como eu, resolvera fazer Filosofia na USP. Procurava um lugar para morar. Claro, convidei-o a dividir comigo o apartamento que acabara de alugar. A família dele era de Vitória, no Espírito Santo.
Graças a ele, recebíamos, nos finais de semana, a visita de vários alunos do ITA. Alguns deles tinham um hábito digno de nota. Vamos a ele:

É preciso começar por lembrar que, naquela época, (quase) todo mundo fumava. Logo, (quase) todo mundo carregava consigo um isqueiro.
Não sei o que o pessoal comia lá no ITA. O fato é que a turma peidava com uma freqüência assustadora.
Para eliminar os terríveis odores resultantes da reiterada prática, usavam o isqueiro. Bastava o indivíduo querer peidar, sacava o isqueiro, colocava-o próximo ao próprio rabo, e - ao eliminar os gases - acionava o isqueiro.
Dois eram os resultados benéficos:
1. Eliminavam-se os maus odores;
2. Provocavam-se chamas de beleza às vezes surpreendente.

Caso você ainda guarde aquele velho isqueiro, experimente.

Fragmentos de um discurso escatológico


Não sou o Barthes, mas lanço meus fragmentos.

Quando você começar a sair com aquela pessoa, não espere demais: as soon as possible, coloque a questão:
- A gente pode peidar sem problema?
Talvez a pessoa fique um tanto desconcertada. Talvez até proteste pela sua falta de romantismo.
Deixe claro:
- Meu bem, se pergunto isso é porque pretendo uma relação duradoura. E - você há de convir - não há relação duradoura sem flatulência liberada.
Pronto. Ganhou a parada.
E nunca mais use flatulência. É peido, mesmo. Se quiser ser um tanto erudito(a), prefira peidorrada.
É vernáculo.
Ah! E nada de xixi, cocô, bumbum, pum etc etc (etc pode).
Isso é linguagem de criança. Você está iniciando uma relação adulta.
Portanto, mije, cague, peide. De preferência pela bunda. Ou, como dizem os portugueses, usuários da (pen)última flor do Lácio há muito mais tempo, pelo cu.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

De casamentos, educação e sangue de galinha


Hoje a Folha de S.Paulo traz várias matérias um tanto curiosas, como a que apresenta o resultado de pesquisa que demonstrou: a religião das pessoas (ou a ausência dela) não influencia a decisão pelo dissolução do casamento. Católicos, evangélicos, neo-pentecostais etc etc apresentam percentuais semelhantes de separações.
Isso no Brasil.
Aliás, ainda sobre o Brasil, há a estarrecedora constatação de que dos 135,8 milhões de eleitores, nada menos que 8 milhões são analfabetos e 19 milhões declararam saber ler e escrever mas nunca freqüentaram escolas. No total, 27 milhões.

Mas a matéria que mais atraiu minha atenção foi - de longe - a que noticia o fim do frango ao molho pardo nos restaurantes de São Paulo.

Tudo por que não se consegue facilmente o sangue de galinha para preparar o molho.

Bons tempos, aqueles em que minha mãe comprava a galinha na feira de terça, deixava a inocente solta no quintal até domingo. Aí, ao voltar da Escola Dominical para casa, para o almoço, minha cândida mamãezinha armava-se de uma faca afiada e de um prato fundo, ia pro quintal, segurava a vítima, esticava-lhe o pescoço um tanto, raspava as penas do dito cujo e - com ar banal - cortava o pescoço da protagonista do almoço, devagar.
Não fosse o sangue escapar do prato colocado logo ali embaixo.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Uma Eurocidade?


Na última vez em que estive em Bragança, assisti a um programa na TV Galícia a respeito das relações entre os povos fronteiriços nas regiões norte de Portugal e sul da Galícia. As inúmeras entrevistas apresentadas deixavam claro que o intercâmbio era saudável para ambos os lados da fronteira.
Vejo agora, no Diário de Trás-os-Montes, matéria a respeito do projeto de Eurocidade aproximando ainda mais Chaves de Verin.
Há algum tempo, estive em Chaves e visitei um quase parente que tem lá duas pastelarias. Ele me contou que os flavienses vão a Verin com muita freqüência e a propósito de um quase tudo.
Sobre Verin quase nada sei dizer. Lembro que nos idos de 2.000, quando fui à aldeia de Passos pela segunda vez, proveniente de Santiago de Compostela, ouvi de meu primo Alípio a pergunta:
- Viestes por Vrin?
Como não percebi que Vrin era o mesmo que Verin, respondi que não.
- Então por onde viestes?!
Sim. Havíamos chegado a Passos por Verin.
Pra quem não conhece a região, aí vão dois mapinhas:

Chaves e Verin situados na Península Ibérica
As duas cidades vistas mais de perto, e - claro - Passos e Bragança

Tomara a ideia frutifique.
Ao menos é o que desejo, eu, que vou morar a 15 km da Galícia.

sábado, 10 de julho de 2010

Ambiente do futebol brasileiro


Algumas pessoas ficaram chocadas ao saber que o goleiro Bruno conheceu Eliza Samudio em uma orgia. Mais: segundo ele, orgias são comuns no meio freqüentado por jogadores de futebol.

Ao dizer isso, Bruno apenas confirmou algo que muita gente sabe mas a imprensa prefere minimizar para não atrapalhar os negócios que o futebol proporciona.

Já lá em meados da década de 80, fui trabalhar no Banco Multiplic, na área de Sistemas. Um novo diretor de informática montara uma equipe nova e me contratou para fazer parte dela.

O pessoal dessa nova equipe incluía gente mineira, de Belzonte, alguns cariocas e muitos paulistas.

Como parte do processo de integração, resolvemos marcar uns jogos semanais de futebol society, logo após o expediente. Eu sempre fui um jogador medíocre mas dava conta do recado nessas peladas, desde os tempos de futebol de praia, em Santos.

Por isso mesmo, fiquei surpreso ao constatar a dificuldade de me sair bem no primeiro jogo com meus novos colegas de trabalho. Ao final da partida, como costuma acontecer nesses eventos, fomos todos tomar cerveja no bar do clube. Fiquei então sabendo que vários de meus colegas tinham passagem por grandes clubes de São Paulo e Rio de Janeiro. Todos na época do futebol juvenil. Um tinha jogado no São Paulo, dois outros no Flamengo. Isso explicava minha dificuldade durante o jogo. Estava diante de jogadores acima da média.

Todos contaram que tiveram propostas para profissionalização e - todos - não aceitaram e foram seguir suas vidas na área de informática.

Motivo alegado por todos: o ambiente no mundo do futebol é de banditismo puro.

Nesses mais de 25 anos, de lá para cá, claro que muita coisa mudou. Por exemplo, o surgimento, em grande número, dos Atletas de Cristo. Até onde sei, os jogadores evangélicos só se entregam a orgias espirituais.

Mas a baixaria continua a ser predominante.

O pior, a meu ver, é que esse ambiente podre fornece à juventude brasileira os seus ídolos.

Bola pra frente.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Melhor momento da Copa


Pra mim, o melhor momento dessa Copa foi protagonizado pelo técnico da Alemanha.
Sob a mira das câmeras, ele enfiou o dedo no nariz, cavucou bem, retirou um fragmento, enrolou-o com os dedos e... engoliu a bolinha resultante.
Como diria minha caçula:
- Eca!
Isso diz (quase) tudo sobre esse mundo do futebol.
O quase vai por conta do que ocorre cá no Brasil em torno do goleiro do Flamengo.
Até quando os heróis da humanidade serão esses seres que pensam com os pés?

sábado, 3 de julho de 2010

Ainda sobre a Copa


Minha relação com a propaganda foi sempre conflituosa. Ainda criança, lá pelos nove ou dez anos talvez, perguntei a minha mãe por que a mercearia da esquina (Mercearia Carioca, esquina de Oswaldo Cruz com Epitácio Pessoa, em Santos) só vendia manteiga de 1ª qualidade.
Naquele tempo (não sei se ainda é assim) todas as embalagens de manteiga vinham com essa inscrição: Manteiga de Primeira Qualidade. E eu, ainda engatinhando nos mistérios do marketing, achava que se tratava de uma classificação.

Depois de alguns aninhos, cheguei à óbvia conclusão: a propaganda é a arte de embelezar a mentira.



Durante esta Copa, as TVs e as rádios foram inundadas por mensagens dos patrocinadores do Brasil. Ou melhor, dos patrocinadores da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Sim, porque essa reunião de jogadores para disputar esse torneio chamado Copa do Mundo não é a seleção brasileira. É a seleção da CBF.
E a CBF é aquele bicho híbrido, que sempre ao ser questionado por malversação de recursos alega tratar-se de entidade de direito privado que não deve satisfações a ninguém. E, quando resolve disputar qualquer torneio, passa a ser a representante da pátria.
Mas voltemos à vaca fria.
Tivemos de engolir, durante quase um mês, exaltações ao espírito guerreiro do brasileiro que bebe Brahma ou Coca-Cola.
Nos comerciais dessas empresas, o Brasil era invencível, insuperável etc etc.

Pois bem. Mal terminou o jogo com a Holanda e surgiram comerciais, tanto da Brahma quanto da Coca-Cola, lamentando a derrota.

Estavam já gravados com antecedência.

Afinal, patriotismo é mercadoria a ser vendida aos trouxas.
Brahma e Coca-Cola - assim como todos os outros patrocinadores da CBF - querem mais é levar a turma no bico e faturar.

São todos manteiga de 1ª qualidade.

Atualização: Pouco depois de publicar este post, li no Kibe Loco que o caderno Copa, da Folha de S.Paulo, de 29/06/2010, dia seguinte ao da vitória do Brasil sobre o Chile, publicou - por engano - a versão-em-caso-de-derrota do anúncio do Extra, outro patrocinador da CBF.
Fui conferir. Foi isso mesmo. Olha aí:

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Curiosidade


Eu só queria saber o que foi que o tal de Dunga falou para os jogadores do Brasil durante o intervalo do jogo.

O que se viu foi o time brasileiro dominando o jogo no primeiro tempo, tendo quase decidido tudo já nesse início. E, depois, ao voltar para o segundo tempo, mostrar-se um time nervoso, histérico mesmo, e sucumbir diante da inteligência do adversário.

Só recomendo aos diretores de empresas que pensem duas ou três vezes antes de contratar o Dunga para palestras motivacionais com seus empregados.

Ao menos vamos mudar de assunto, tanto aqui no Brasil quanto em Portugal.

Até que enfim.

domingo, 27 de junho de 2010

O prato frio da vingança


Em 1.966 a Copa do Mundo de futebol foi na Inglaterra. O Brasil teve uma participação pífia e foi eliminado pelo time português de Eusébio. Eu, aos 21 anos, ainda ficava chateado com essas coisas.
Na final, Alemanha e Inglaterra disputaram o primeiro lugar de modo muito equilibrado. Por fim, a Inglaterra mandou uma bola no travessão do gol alemão, a bola caprichosamente bateu no travessão, bateu no chão - em cima da linha do gol (o que, pelas regras do futebol, não configura gol) - e o juiz deu gol para a Inglaterra. Com isso a Inglaterra foi campeã.
Hoje, 44 aninhos depois, a Inglaterra foi eliminada da Copa pela Alemanha, depois de ter empatado o jogo ao final do primeiro tempo com um chute no travessão do gol alemão. A bola caprichosamente bateu no travessão, bateu no chão - 33 cm após a linha do gol - e o juiz não deu o gol para a Inglaterra. Com isso a Inglaterra foi eliminada da Copa.
Se eu ainda tivesse 21 anos, talvez passasse a acreditar em algum tipo de justiça cósmica.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Par ou ímpar


Quase todo mundo já sabe que a equipe da Costa do Marfim precisa golear a Coreia do Norte e esperar que Portugal perca para o Brasil para poder continuar na Copa.
Mas há algumas situações que trarão a necessidade de decidir qual dos dois - Portugal ou Costa do Marfim - continua na Copa por meio de sorteio.
Basta, por exemplo, que o Brasil vença Portugal por 3 a zero e que a Costa do Marfim consiga passar pela Coreia do Norte por 6 a zero.
Pronto. Tudo terá de ser decidido no par ou ímpar.

Classe A, nível Z


Caetano Veloso é que disse algo assim durante um programa de auditório transmitido pela TV, no qual ele foi vaiado:
- Não há coisa mais Z do que um público classe A.

Os moradores do apartamento acima do meu são um casal em torno dos sessenta anos. Ele é, ao que parece, dono de uma construtora ou coisa parecida.
Quando estavam reformando o apartamento, antes de mudarem para ele, deram de meter uma britadeira para tirar o piso da cozinha. Quase colocam a minha cozinha abaixo. Não fosse o zelador correr lá para que parassem com aquilo e não sobraria nenhum copo nos armários aqui de casa. Isso tudo por se tratar de alguém do ramo. Imagine se fosse um leigo.
Nos últimos tempos, deram de orientar a empregada a arrastar a cama do casal para facilitar a limpeza ou lá o que seja. Mas tiveram o bom senso de dizer a ela que fizesse isso sempre depois das 9 horas da manhã.
Pois ontem, pouco depois das 8, a moça resolveu adiantar o serviço e toca a arrastar a cama. A Baixinha, que passara mal durante a noite graças a um almoço fora de casa, resolveu pedir à portaria que solicitasse aos vizinhos que aguardassem as 9 horas para arrastar a cama.

Pra quê.

A vizinha virou fera e foi aos gritos admoestar o porteiro. Gritava coisas do tipo:
- Sou eu que lhe pago o salário!
- Só por causa de uma cama arrastada tenho de ser advertida. Justo eu, que tenho de aturar as brigas e a gritaria do casal do andar de baixo! (eu e a Baixinha)
- Cala a boca! (esse era o estribilho)

Tudo dito de modo discreto, claro, claro. Aqui do alto podia-se escutar tudo nitidamente. Os prédios vizinhos também tiveram a ventura de acompanhar os detalhes do discurso da Casa Grande contra a Senzala.

A Baixinha desculpou-se com o porteiro por tê-lo metido nessa enrascada e eu esperei que o marido da fera chegasse, à noite, para explicar a ele que apenas havíamos pedido que a limpeza fosse postergada por uma hora, já que a Baixinha não estava bem. Sem falar que isso significa simplesmente pedir que respeitem o regulamento do condomínio. Além disso, queria saber dele o que eram as tais “brigas e gritaria” nossas.
Ele desconversou e alegou que tudo que conversávamos no quarto, à noite, ele ouvia nitidamente. Deu como exemplo, uma discussão nossa, na noite anterior, “a respeito do cachorro”.

Evidente: não tinha havido nenhuma “discussão sobre o cachorro” nem naquela noite nem em nenhuma outra. Ele estava blefando.

Demos por encerrado o “caso” e fomos dormir.

Acordei, agora de manhã, com uma ideia:

Não fosse falsa a afirmação dele de que ouve nossas conversas, faria algo assim:

Lá pelas 11 e meia, meia-noite, diria em tom de voz que ele pudesse ouvir:

- Amorzinho, já pedi a você que não deixe seu olho de vidro neste copo. Costumo fazer gargarejo com ele e vou acabar engolindo seu olho por engano.

Ou então:

- Querida, não esvazie essa garrafa de vômito. Vou levá-la ao laboratório pela manhã.

Talvez meu vizinho passasse a usar uns tapa-ouvidos para dormir.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

De volta a São Paulo


O final das férias foi tumultuado. A casa de pernas pro ar, graças às mudanças que resolvemos promover.
No feriado que em Portugal é conhecido como "Corpo de Deus" e no Brasil, como todo mundo fala latim, é chamado de "Corpus Christi" deveríamos ter ido a Passos. Não houve energia para tanto.
Na sexta partimos para o Porto, para embarcar no sábado em direção ao Brasil.

Nesta terça-feira, 8 de junho, aniversário da Baixinha, almoçámos em um restaurante português no Tatuapé, o Bacalhoeiro. Simplesmente perfeito. É verdade que fica um bocadinho longe de minha casa. Demorámos pouco mais de uma hora para chegar lá, de carro, com pouco trânsito. Mas talvez isso seja um defeito meu, ou de minha casa, e não do restaurante.

Agora, bola pra frente. Aliás, durante o próximo mês não se vai falar de outra coisa: Copa do Mundo.

A todos, continuação.

domingo, 30 de maio de 2010

Salada de frutas


Portugal está em crise. Aí o primeiro ministro (aqui se escreve PM) Zezinho Sócrates vai ao Brasil e pede pra conversar com quem? Com Chico Buarque.

Talves ele quisesse ouvir aqueles versos:

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia.


Já o polêmico Diogo Mainard se queixa, na revista Veja, de que Caetano Velloso tenha se tornado colunista.

E eu, sem querer conversar com Chico ou com Caetano ou com Mainard, passei este sábado às voltas com o pessoal que veio instalar uma nova lareira aqui em casa, com o moço que veio instalar uma ducha higiênica na casa de banho etc etc.

No final das contas, sobrou-me o domingo, pra ir a Passos, visitar quem ainda não foi visitado.

E o sábado, que foi lindo nesta Bragança dos deuses, tornou-se prosaico pela contingência das reformas mas manteve sua dignidade ao fornecer temperatura amena, na faixa dos 22ºC.

E, pra vocês, continuação.

Continuação é dessas palavras que abreviam uma frase.

Começou-se, sabe deus quando, a dizer:

Continuação de bom ano
Continuação de bom final de semana
Continuação de boas férias
Continuação de boas festas

E por aí vai.

Tudo isso foi substituído – sinteticamente – por

CONTINUAÇÃO

É como nosso OBRIGADO, expressão igualmente sintética que correu mundo e transmudou-se em ARIGATÔ, em japonês (ao menos é o que dizem).

terça-feira, 25 de maio de 2010

Dora e Arnaldo


Pois bem. Hoje é o aniversário de minha prima Dora e anteontem foi o de seu marido Arnaldo, que nasceram e vivem em Passos de Lomba. São tão unidos que nasceram quase no mesmo dia (faltaria saber em que ano nasceu cada um. Isso fica pra lá)
Tiveram um filho, o José Carlos, que vive no Alentejo mas que vem ao Norte todos os anos para ajudar os pais na colheita das castanhas. O "meu Carlos", como sempre diz a Dora, é casado com Utília, mulher de cabeça feita, e têm uma filha de nome encantador: Sofia.
Só agora me dei conta de que tenho apenas fotos sofríveis dos dois.
Esta, abaixo, subtraí de uma foto mais ampla, de um almoço em casa de Zelinda, irmã de Dora.

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E aqui está Dora, em roupa caprichada (apesar da pose de Vai encarar?, Dora é a pessoa mais doce que conheci em toda minha vida):

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Por fim, o casal, também extraído de foto mais ampla. Ainda pego os dois de surpresa, para foto melhor (escondidinhos, estão Zelinda e seu marido, o incrível Alípio).

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Maria Branca dos Santos


Semana passada, ao ler Visão, dei de cara com entrevista do ex-ministro das finanças de Portugal, Campos e Cunha (apesar do nome, ele é um só). Dizia ele que “o Estado vive há anos num esquema parecido com o da D. Branca”.
Fiquei na mesma.
Hoje, ao ler o Diário de Notícias, deparei-me com o texto de Pedro Tadeu: “Uma crise provocada por os grandes banqueiros e os seus amigos negociarem dinheiro de poupanças e investimentos como se fossem a versão premium da dona Branca.”
Alto lá!
Não sou um português tão ignorante assim. Já sei até quem foi o soldado Milhões!
Mas, afinal, quem terá sido dona Branca?!?
Percebo, então, que minha ignorância não tem fim.
Dona Branca já foi, até, protagonista de novela.
Prometo que vou estudar-lhe a vida até aos mínimos detalhes.
Vai que isso ajude Portugal a sair de seu atoleiro.

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domingo, 23 de maio de 2010

Flores e Festa


As fotos a seguir eu as tirei em Bragança, sexta-feira, 21.

A primeira é tirada da praça da Sé. Vê-se ao fundo, no alto, o castelo de Bragança.

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Esta outra realça as flores da praça, além da Baixinha e da Doga, recuperada depois de uns remédios chineses e algumas sessões de acupuntura.

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Esse jardim é um dos muitos que embelezam a primavera bragançana. Fica a meio caminho entre o IPB (Instituto Politécnico de Bragança) e a Zona Industrial.

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No sábado, fomos a Passos, para a festa de Nossa Senhora da Caridade. Lá pelo meio-dia há missa, seguida de procissão. Não vimos nada disso pois minha família é religiosa mas dá prioridade ao estômago, o que muito me agrada. Ficámos na casa da Zelinda (minha prima) e almoçámos leitão e cordeiro, mais batatas ao murro, legumes etc e tal.
Vejam só como a primavera, em Passos, não poupa nem as pedras à beira dos caminhos e as povoa de flores:

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Consegui obter esta foto da Doga em desabalada carreira, o rabo empinado a denotar inequívoca felicidade. Contudo, maior é a minha, a ver a pequena a correr, livre.

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O altar abaixo fica ao pé do café do Otávio Marcelo. Não sei se reverencia a Nossa Senhora da Caridade ou o quê.
Sou mais ignorante a respeito de símbolos católicos do que a candidata a presidente do Brasil, Dilma Roussef. Perguntada pelo jornalista (vá lá) Datena sobre suas convicções religiosas, em entrevista na TV, enrolou-se toda na referência a Nossa Senhora. O tal Datena, querendo ajudá-la, criou a Nossa Senhora de Forma Geral. Penso que esse altar poderia bem homenageá-la.

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Próximo ao altar, preparava-se o carro de som para a festa da noite. A Doga apavorou-se com o alto volume do som e fugiu. Mostrou mais bom senso que a juventude atual, afundada em toneladas de decibéis.

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De volta à casa da Zelinda, quis fotografar o burro pertencente a meu primo Alípio (cuidado lá com o que dizes, homem!). Ele estava à sombra e a foto não sairia lá essas coisas. Penso que ao perceber isso, aproximou-se de mim, colocando-se ao sol.
Lembrei-me da expressão Pôr o burro na sombra. Acabei por fazer o contrário.

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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Ainda Bruna Real


Fiz um post, ontem, sobre a professora de Mirandela que saiu na Playboy.
Pensei que a notícia passaria um tanto em branco: os assuntos do nordeste trasmontano não interessam aos portugueses das metrópoles.
Ledo engano. Hoje, ao ler as revistas que saíram ontem, constatei:
Os dois articulistas de que mais gosto, Ricardo Araújo Pereira (revista Visão) e Alberto Gonçalves (revista Sábado) não conseguiram escapar dos encantos da docente.

É certo que Alberto Gonçalves, além de meu xará (Renato é apenas um pseudônimo), parece ser morador de Bragança. Mas é inegável a atração que o evento provoca em qualquer um que tenha freqüentado os bancos escolares.

Voltei a meus tempos de Colégio Marçal, em Santos. Fiz lá os 3º e 4º anos do curso primário. No 3º, tinha eu meus 9 anos, a professora acabara de ter filho ou estava grávida, não me lembro ao certo. Tinha jeito de mãezona e não me inspirava fantasias sexuais. Ao chegar ao 4º ano, fui entregue aos cuidados da irmã da primeira professora.
Dona Cidinha.
Encantadora.
Preencheu meus dez anos de idade com fantasias incríveis.

Não consigo, simplesmente não consigo, imaginar o que seria de mim se tivesse acesso, na época, a fotos de dona Cidinha inteiramente nua.

Teria eu sobrevivido?

quinta-feira, 20 de maio de 2010

É fogo!


A fogosa cidadã - Bruna Real - de cuja excelência vai aí uma amostra era professora em uma freguesia de Mirandela, cidade próxima aqui de Bragança. Professora de Expressão Musical, diga-se.

CLIQUE PARA UMA IMAGEM MAIS REVELADORA
Deixou-se fotografar pela Playboy e causou previsível alvoroço.

Agora pretende voltar às aulas, pois foi transferida para o Arquivo Municipal em função de sua aparição na revista masculina.

Se conseguir seu intento, penso que o Arquivo Municipal verá o número de seus freqüentadores sensivelmente diminuído. O interesse pela pesquisa deve ter aumentado muito em Mirandela desde sua transferência para o Arquivo.

O que mais me chamou a atenção, logo após a exuberância da mestra, claro, claro, foi o nome da freguesia na qual ela ministrava suas aulas: Torre de Dona Chama.

Os alunos, por certo, viviam a pegar fogo.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

É primavera


Saí, agora de manhã, pra dar umas voltas com a Doga. Céu sem nuvens, 22,4 ºC, quase nenhum vento.
Em um terreno baldio havia flores lindas. Catei algumas e vou ganhar alguns pontos com a Baixinha.

O arranjo está sofrível, mas penso que vai agradar

domingo, 16 de maio de 2010

sexta-feira, 7 de maio de 2010

7 de abril de 2.011


Então. Depois de fazer as contas concluí: meu último dia de trabalho será o dia 7 de abril do ano que vem.

Essa história vem de longe. Aos 15 anos de idade consegui meu primeiro aluno particular de matemática. Ele era aluno de minha mãe no Colégio Canadá, em Santos. Terceira série do Ginásio. Quanto a mim, cursava o primeiro Científico.
O pai do garoto procurou minha mãe pra pedir aulas particulares. Minha mãe não podia dar aulas particulares a seu próprio aluno no Colégio. Sugeriu que eu desse as aulas. Engraçado, isso. Hoje em dia dirão que isso era errado. Eu, filho da professora, dando aulas pro aluno dela?! Naquela época, isso soava normal. Ninguém imaginaria qualquer irregularidade. Simples: o normal era que as pessoas fossem honestas. E minha mãe era. O pai do garoto também. Jamais me passou pela cabeça perguntar a ela o que cairia em uma prova que meu aluno faria. E se eu perguntasse, nem sei o castigo que receberia.
Mas isso foi no tempo em que os animais falavam e as pessoas eram – em regra – honestas.
Meu aluno era filho de um cidadão aposentado, de nível elevado. Não me lembro qual era sua profissão. Desembargador? Médico? Acho que era médico legista. Sei lá. Esqueci.Vivia só, com o filho, em um apartamento na Epitácio Pessoa, Santos, rua paralela à praia, uma quadra de distância do oceano. Era obcecado pelo temor de que sua ex-mulher viesse seqüestrar o filho. Só saía sozinho de casa quando eu chegava para a aula. Recomendava que eu não abrisse a porta do apartamento para ninguém. Aproveitava, então, para dar umas voltinhas enquanto eu servia de cão de guarda e de professor de matemática.
Comecei minha primeira aula, como não poderia deixar de ser, tremendo como vara verde (era como se dizia naquele tempo). Poucos minutos depois de ter começado a aula, o pai – que naquele primeiro dia ainda não se aventurara a sair pra passear – veio me perguntar se podia gravar a aula. Podia, claro. Só não disse a ele o que isso significava para meu sistema nervoso.
Aos poucos, constatei que meu aluno não precisava de aulas particulares. Era excelente aluno. Penso que era o pai que necessitava de um guardião que lhe desse uma hora de folga durante três dias da semana. Cumpri meu papel. Ganhei meus primeiros trocados.

Ao começar a cursar a Escola Politécnica, já órfão de pai, já em São Paulo, já com 18 anos, percebi que viver às custas de minha irmã – que passara a bancar a família – não era lá coisa tão respeitável. Tinha de fazer o que sabia: dar aulas particulares de matemática. Fiz isso ao longo de todo o curso de engenharia. Pelo menos, já não pesava tanto na contabilidade da mana. No último ano, consegui uma promoção: comecei a dar aulas em cursinho para vestibulares.
Fiquei algum tempo nisso. Até querer casar e procurar emprego mais aceitável pelos pais da namorada. Um estagiozinho na Light e pronto: desemboquei no Instituto de Matemática da USP, recém constituído.
Preso, perdi a condição de acadêmico. Virei subversivo recolhido à prisão.
Voltei à USP depois de solto, em condicional.
Por querer ter filhos, resolvi correr pra iniciativa privada, onde se ganhava mais.
Lá fiquei quase 20 anos.
Fui bem sucedido. Tive meus altos e baixos, como quase todo mundo.
Por me perceber sem vocação para empresário, o que seria a evolução natural, refugiei-me no serviço público.
Chego ao final. Que – pra mim – é um início.
Jamais vou me esquecer do dia em que saí de uma aula particular ali perto do Parque do Ibirapuera. Tinha ainda 18 anos. Dirigia o Fusquinha de minha mãe de volta pra casa quando tive o insight. Por ironia, em frente à Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo:
Vou ter de trabalhar a vida toda se quiser comer.
Senti um calafrio percorrer minha espinha.

Fiz exatamente isso durante 50 anos, mais ou menos.
Houve momentos, quando trabalhava na Promon Engenharia, por exemplo, em que levantava de minha mesa, me refugiava no banheiro e chorava violentamente até descarregar toda minha frustração.
Mas, de choro em choro, de riso em riso, criei três filhos maravilhosos e quase transformo esse post em texto de auto-ajuda.

Vou pra Portugal perder meu lugar.

Perder meu lugar e ganhar uma vida sem trabalho, na mais pura vagabundagem.
Falta pouco.

domingo, 2 de maio de 2010

Joia rara


Há muito esperava a publicação do livro sobre Passos, de meu primo Orlando.
Imaginava eu que seria um detalhamento dos parentescos dos habitantes de nossa aldeia.
Acabo de ler o livro finalmente publicado.
É bem mais do que eu imaginava.
Orlando descreve a Passos dos anos trinta do século passado, período em que ele - nascido no Brasil - lá viveu. É incrível que ele, mesmo sendo criança de menos de 8 anos na época, lembre de tantos detalhes da vida aldeã.
Nos últimos capítulos, enumera as alterações que foi constatando em suas viagens posteriores à Zona da Lomba.
O livro acaba por ser uma fotografia fantástica de um Portugal afastado dos roteiros turísticos.

Clique para ver Passos. Não sei quem fez esse pequeno filme

P.S.: Vou perguntar a ele como se deve fazer para adquirir o livro. Explico depois.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Arca de Noé

Arca de Noé - reprodução
Quem procura acha. No caso, acha que achou.

O Diário de Notícias relata, hoje, que exploradores (ops!) evangélicos chineses encontraram a Arca de Noé.

Mais uma.

Um tal de O Pesquisador Cristão relata vários outras descobertas do gênero.

Se pudéssemos juntar todos os pedaços da Arca de Noé presumivelmente encontrados, seria possível construir dezenas delas.

É mais ou menos o que acontece com a cruz de Cristo ou com pedaços do Santo Sudário ou com pregos da cruz. Com as relíquias de modo geral.

Santo Sudário - um deles
Prego da Cruz

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Notas clericais


Agora vai!

O problema da pedofilia na ICAR chegou ao bolso. Agora o vice-deus vai ter de agir.

Piada pronta

Um padre siciliano criou, há 14 anos, uma associação para combater a pedofilia. O Papa elogiou o trabalho da tal associação.
O nome da associação: Associação Meter.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O fim do mundo


Em 1.974, fiz uma aposta com um colega de trabalho:
Ele garantia que o mundo iria acabar em 20 anos.
Quanto a mim, já era de opinião que o mundo acaba quando eu morrer. E, naquela época, não planejava morrer nos 20 anos seguintes. Aliás, continuo assim.
Quando chegamos a 1.994 pensei em procurar o antigo colega mas não consegui reunir entusiasmo suficiente para isso.
Esse colega era (ou é, sei lá) estudioso de textos apocalípticos. Pertencia a uma denominação evangélica com nome pouco expressivo (Igreja Cristã ou algo assim), bem ao contrário das seitas neopentecostais dos dias de hoje: Igreja Universal, Igreja Mundial, Igreja Planetária, Igreja da Via Láctea etc etc.

Lembrei-me dele a propósito desse vulcão da Islândia que já começa por situar-se em geleira com nome impronunciável.
Fui ao Apocalipse e encontrei:

Apocalipse 9:2 – E abriu o poço do abismo, e subiu fumaça do poço, como a fumaça de uma grande fornalha; e com a fumaça do poço escureceram-se o sol e o ar.


Bingo!

Não sei (na verdade, não tive paciência para me informar) a quantos anos do final dos tempos está essa fumaça. Mas, no versículo seguinte pode-se ler:

Apocalipse 9:3 – Da fumaça saíram gafanhotos sobre a terra; e foi-lhes dado poder, como o que têm os escorpiões da terra.


É fácil imaginar a quantidade quase infinita de interpretações as mais malucas pra essa história dos gafanhotos. Afinal, a turma da Teologia anda meio sem ter o que fazer já faz um bom tempo.

Gostei mais desta, veja só:

Outros pensam tratar-se de algum papa ou bispo, ou mesmo de algum concílio eclesiástico que contribuiu para “obscurecer as doutrinas cristãs” ou “distorcer as escrituras”
[Russel Norman Champlin in O Novo Testamento Interpretado, vol 6]

Considerando a seqüência de besteiras que o Vaticano vem perpetrando, acho que os que bolaram essa interpretação acertaram na mosca.

Ou no gafanhoto.

Capivara no rio Pinheiros

Clique para saber mais sobre capivaras
Uma sugestão para quando você - que (sobre)vive em São Paulo - estiver parado em congestionamento em uma das Marginais: fotografe capivaras.
Ajuda a passar o tempo.

Ora, as leis

Clique para ampliar
No Brasil é assim: a placa avisa que ônibus e caminhões não podem fazer retorno nesse local. O ônibus faz e pronto. Fica tudo por isso mesmo.
E se alguém resolver advertir o motorista do ônibus corre o risco de levar um tiro.

Que país maravilhoso!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Progressos


Em relação a Portugal, não posso ainda afirmar que esteja a progredir em meus conhecimentos. Estou, isto sim, na fase de tomada de consciência de minha ignorância, o que é um bocadinho diferente.
Minha última descoberta vem a propósito das comemorações do centenário da República: a existência do Soldado Milhões.

Clique para ler sobre as homenagens ao herói transmotano
Gostei imenso de saber que o nome dele era, na verdade, Aníbal Augusto Milhais. Mas a saudação que lhe teria feito um comandante português ampliou a série de trocadilhos patrióticos. Teria dito o emocionado comandante:

- Tu és Milhais mas vales Milhões!

Só não percebi se foi o Milhões que salvou das águas o tal médico escocês ou se foi o contrário.
O relato da Novopress afirma:
Quatro dias depois da batalha, encontrou um médico escocês que o salvou de morrer afogado num pântano.
Já a Wikipédia inverte:
Quatro dias depois do início da batalha, encontrou um médico escocês, salvando-o de morrer afogado num pântano.

Quanto a mim, prefiro a primeira versão por uma razão muito simples: empatia.
Explico: eu – tal qual o soldado Milhões - costumo ser salvo das águas por um escocês de, no mínimo, 12 anos.
On the rocks.

domingo, 18 de abril de 2010

Copa do Mundo de Futebol



Dia desses, um empresário que conheço me disse que iria participar de um seminário sobre temas de sua área de atuação. Local do encontro: Cidade do Cabo, África do Sul.

Disse mais: que foi aconselhado a não sair nunca do hotel em que ficaria hospedado e onde se daria o evento. Isso graças ao hábito dos assaltantes da Cidade do Cabo de estuprar suas vítimas, além de aliviá-las de seus pertences. Passou então pela minha cabeça a ideia de que o nome da cidade poderia resultar de um trocadilho infame, caso a língua nativa fosse o português.

Clique para ler a respeito da Cidade do Cabo
Depois de seu retorno, contou-me:
Certo dia, por ter se prolongado até o meio da tarde a reunião da manhã, resolveu – junto com outros participantes do seminário – sair do hotel para comer alguma coisa nas proximidades. Por estarem em grupo, nada de anormal (para eles) aconteceu.
Quando regressavam ao hotel, em torno das seis da tarde, notaram que todas as lojas já estavam fechadas e com barricadas em frente a elas.

Agora que já contei, podem ir assistir à Copa do Mundo sossegadinhos.
Boa sorte.

Que lobby é esse?


Li, ontem, que o ex-cirurgião plástico Farah foi solto menos de dois anos depois de ter sido condenado a 13 anos de prisão pelo assassinato e esquartejamento da amante.
Eu disse es-quar-te-ja-men-to.
Não sei se ele realmente fez isso ou não. Sei que ele foi condenado por isso.
Por que só menos de dois anos de prisão?
Diga-se que esse tempo é grande. Sei disso por ter passado tempo semelhante na cadeia. Não é fácil.
Mas se a justiça estipula 13 anos, por que soltar o cidadão com menos de 15% de cumprimento da pena?
E o caso do cidadão solto em Goiás, que logo em seguida violentou e matou seis jovens?
É notório que a avassaladora maioria da população brasileira é radicalmente contrária a esse sistemático abrandamento das penas. Ao contrário, o povo clama por penas mais pesadas para a maioria dos crimes.
Mas há um incrível lobby que impede que essa vontade da maioria se torne eficaz.
Que lobby é esse?
Quais os interesses que lhe dão força?
Para mim, mistério.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Os responsáveis somos todos


A tragédia do Morro do Bumba, Niterói, na qual – dizem – morreram mais de 200 pessoas, resultou de conluio entre população e autoridades.
Em 2.004 já especialistas alertavam para o problema: as casas estavam sendo construídas sobre um lixão. Na época, parece que eram apenas 14 casas.
Teria sido mais fácil removê-las de lá. Mas, se algum político resolvesse promover essa desocupação, seria contestado por movimentos sociais e perderia votos.
Por isso, a situação foi se agravando.
Até explodir. Literalmente.

A grande visibilidade que essa tragédia obteve é resultado de ter ocorrido de repente. De uma vez só.
Em São Paulo, a negligência das autoridades diante da proliferação de motoboys provoca muito mais mortes. Mas, como a coisa se dá ao longo do tempo – e não numa tacada só – a população se acostuma e se acomoda.
Morrem quase 400 motoqueiros todo ano no trânsito de São Paulo. São dois morros do Bumba todo ano. Morrem por que não respeitam leis de trânsito, trabalham pressionados pelos prazos de entregas de encomendas, não têm formação adequada para conduzir as motos etc etc. Mas, a essa altura, já são um enorme contingente de eleitores. Os políticos, ao invés de acabar com esse absurdo, freqüentam o sindicato dos motoboys em vésperas de eleições e fazem de conta que se trata de categoria profissional normalíssima.

As leis, para os brasileiros, servem às vezes. Se a legislação não nos atrapalha, somos legalistas.

E as tragédias vão continuar. Como na anedota do escorpião, é da nossa natureza.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Presidiário generoso


Estava eu aqui, trabalhando, quando meu celular acusa o recebimento de um torpedo.
Constato que o torpedo vem de um telefone de Rondônia (55 69 84640139).
E diz:

REDE RECORD INF>
PARABENS VOCE GANHOU
UM CITROEN C 4 PALLAS +
5 MIL REAIS. SUPER
LEILAO 2010. INF>LIGUE
GRATIS DO SEU TEL FIXO/
0 31 85 9644 9563
.SENHA. (6886).


O telefone para o qual ele sugere que eu ligue é de Fortaleza ou de alguma outra cidade do Ceará.
É o que dá preso não ter o que fazer.

domingo, 4 de abril de 2010

Fado do saloio ensandecido


Sergio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, mostrou - com o Samba do Crioulo Doido - até onde pode chegar a loucura provocada pelo excesso de informação engolida sem critério. Por referir-se ao Brasil, situou seu personagem no carnaval carioca, resumo do país.




Já Portugal, que tem no catolicismo um de seus pilares, situa sua loucura na religião. Uma socióloga do Porto fez pesquisa e concluiu que um quarto dos portugueses não crê na vida eterna. Até aí, um ateu como eu poderia ficar feliz: muita gente em Portugal está a abrir os olhos. Ledo engano. Desse um quarto, 10% são de católicos que vão com freqüência à missa. Ou seja, comem a embalagem e jogam o doce fora.
Chamei a isso, por analogia, Fado do Saloio Ensandecido.

sábado, 3 de abril de 2010

De padres pedófilos

Sou do tempo em que os comunistas é que comiam criancinhas.


* * *


Parece que os padres fizeram uma leitura no mínimo discutível de Lucas 18:16, aquele versículo em que Jesus diz: Deixai vir a mim as crianças...

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Artur do Rio


Ontem foi um dia triste. Para mim e para muitos parentes meus. Morreu meu primo Artur, aos 72 anos. Primo por afinidade, diga-se. Na verdade, primo de meus primos.
Português, da Zona da Lomba, Vinhais, Bragança, vivia há muitos anos em São Paulo.
Como típico lusitano, tinha padaria. No Ipiranga.
De vez em quando, convidava-me para uma caldeirada com fado. Compareci a uma delas.
Durante o velório conversei com sua esposa, Maria.
Contou-me que Artur arrumou-se, de manhã, para ir à padaria. Nessa altura ela já saíra às compras de mantimentos.
Ele, quase ao sair, sentiu-se mal. Telefonou a um dos filhos, que mora perto.
Disse que não estava bem. O filho foi apressado à casa do pai.
Ao lá chegar já o encontrou estendido no chão, com o cão a protegê-lo.
Faleceu pouco depois, apesar dos cuidados de bombeiros e policiais que acorreram a sua casa.

Maria contou-me que poucos dias antes Artur fizera seu check up anual. Nas vésperas, levara o resultado tranqüilizador ao médico.
Tudo corria no melhor dos mundos.

Contudo...