quarta-feira, 25 de maio de 2011

Médicos S.A.


Vou detalhar o caso de minha aorta sob o risco de ser impertinente. Penso que minha experiência pode ser útil a meus leitores.
Em 1.989 tomei ciência de que tinha uma dilatação na aorta. Isso ao tirar um raio X do tórax em função de uma pneumonia. Desde então passei a tratar minha hipertensão com mais cuidado. Até aquela data ia às vezes a um médico, por qualquer outro motivo, ele me informava de que minha pressão arterial estava um tanto alta e me receitava um remédio. Eu, do alto de meus trinta e tantos anos de (irresponsabil)idade, comprava uma caixa do dito remédio, tomava até o fim e pronto. Esquecia do assunto.
O problema em relação a coisas como hipertensão, dilatação de aorta, diabetes etc etc, é que são, quase sempre, assintomáticas. Dilatações da aorta, por exemplo, são normalmente descobertas por acaso.
Vai daí que, prestes a mudar para Portugal, resolvi verificar como estava o diâmetro da minha artéria preferida.
O cardiologista me recomendou uma angiotomografia e um ecocardiograma com stress farmacológico.
A angiotomografia, que te presenteia com irradiação equivalente a 500 chapas de raio X, é um procedimento simples: te enfiam naquele tubo e te esquadrinham o interior antes de te injetar o contraste. O tal contraste – dobutamina – é injetado na veia e dá um calorzinho durante alguns segundos. Pra mim, quase imperceptível. Voltam a te enterrar naquele tubo e fotografar todo o teu interior novamente. No total, o ritual dura uns 10 minutos.
O eco com stress farmacológico é um tanto desagradável. Vão te aplicando uma substância na veia para provocar aceleração das batidas do coração. Como uma simulação de corrida em esteira/passadeira. Só que você está deitado...
Resumo: se o diâmetro da aorta for superior a 39 mm você é o feliz possuidor de uma dilatação na aorta. Se a dilatação chega aos 50 mm você é informado de que chegou ao limite, ao número mágico. Chegou a hora da cirurgia.
Ora, há uns 7 anos fiz um ecocardiograma comum, que dá uma medida aproximada do tal diâmetro. Deu 42 ou 43 mm.
A angiotomografia é bastante mais precisa.
Ao sair da angiotomografia, antes de ir para o eco com stress, os médicos responsáveis pelos dois exames conversam pra saber se é possível fazer o eco. Logo ao final da angiotomografia, as imagens ainda não trabalhadas em computador, só é possível ter um resultado aproximado. Foi dito a mim que a dilatação da aorta estava em 48 mm. Mas que ficasse tranqüilo e aguardasse o resultado final do exame, alguns dias depois.
Quando fui buscar o resultado dos exames, claro que não olhei as imagens. Não entendo nada do assunto e olhar as imagens me pareceu inútil. Li o Laudo preparado a partir das imagens. Está registrado lá: dilatação de 50 mm.
Levei os exames ao cirurgião. Fui informado de que chegara a hora da cirurgia. Mais: se a dilatação da minha aorta fosse na parte descendente da dita cuja, a cirurgia seria aquela menos invasiva, com stent. Metem um stent pela virilha do pobre diabo. Com emprego de algum engenho e arte fazem o tal stent encaixar-se no lugar abaulado. O stent passará a ser, digamos assim, a nova parede da aorta naquela região.
No meu caso, dilatação da aorta ascendente, infelizmente – meu senhor – é preciso apelar para a ignorância. Ou seja: rasgam o peito do cidadão de alto a baixo, serram o osso (esterno), fazem um desvio do sangue por fora do coração que fica parado e geladinho durante uma hora, tempo suficiente pro açougueiro, ou melhor, o cirurgião cortar o pedaço dilatado da aorta e costurar um tubo no lugar do trecho estragado. A cereja do bolo é que há uma boa chance de ser preciso trocar também a valva aórtica. Se necessário, ela será trocada por uma válvula metálica ou por outra, dita biológica.
Tudo isso é descrito pelo amável cirurgião de forma quase cativante.

O cenário acima descrito me parece extremamente anti-intuitivo: o indivíduo não sente nada de anormal, não tem dor, não tem falta de ar, não tem dormência nos braços, nada, nadica de nada. Nesse clima de absoluta normalidade recebe a notícia de que tem de ser aberto, serrado etc etc.

Uma dúvida começou a insinuar-se em mim: quando, antes do ecocardiograma com stress, o médico responsável pela angiotomografia informou ao colega que a dilatação era de uns 48 mm, ele deve ter dado esse número jogando a favor da segurança. Portanto, feita depois a medição exata, o esperado seria que surgisse um número menor do que 48 mm. O Laudo final, contudo, cravou 50 mm.

Minha formação de engenheiro, apesar de já perdida na névoa do passado, desconfiou não só desse aumento como do número redondo e fatídico: 50.

Aconselhado por um amigo de bom currículo na área (dois infartos, três stents instalados), fui consultar um outro cardiologista.

Depois de exatos 80 minutos de consulta, ele não só garantiu que meu caso não é de cirurgia, como – depois de analisar com atenção as imagens – afirmou: o que consta aí é uma dilatação de 46,3 mm.

Ao chegar em casa, depois da devida comemoração com a Baixinha, fui examinar as imagens. Lá está, em uma das lâminas (aliás, duplicada, não sei a razão), um segmento de reta a marcar o maior diâmetro da aorta e, em caracteres bem grandes: 46,3 mm.

Vamos às conclusões:
1. Entendo natural – ou seja, não necessariamente de má-fé – que um cirurgião torácico tenha uma propensão a recomendar cirurgia. Afinal, ele confia nos métodos de que se utiliza.
2. Não consigo é compreender como é que ele analisa as imagens e não enxerga que o que lá consta é 46,3 mm.
3. Não consigo igualmente entender por qual motivo o médico que produziu o Laudo relativo à angiotomografia viu lá 46,3 mm e escreveu no Laudo: 50 mm.

Minha intenção com o relato um tanto prolixo que fiz não é a de culpar ninguém por nada. Afinal, no Brasil isso não adiantaria mesmo. Isto aqui deixou de ser país decente há muito tempo. Se é que o foi alguma vez.

Deixo apenas minha experiência como alerta.

sábado, 14 de maio de 2011

Problema adiado,
problema resolvido


Pronto.
O dr. José, cirurgião cardiovascular, concordou com minha ideia de acompanhar por algum tempo a evolução do expansionismo da minha aorta. Só não aceitou minha sugestão de aguardar um ano. Disse que não aconselhava que eu deixasse de fazer a cirurgia ainda neste ano.
Fechámos negócio: a operação fica para janeiro de 2.012, caso – claro – haja 2.012.
A aorta, pensando bem, devia chamar-se USA, como o país, aquele. Não só é, de longe, a mais importante artéria do planeta Corpo Humano. Tem também uma tendência inata a uma atitude imperialista. Gosta de expandir-se e ocupar espaços que não deveriam ser seus. Até eu já sei que aneurismas não diminuem. Na melhor das hipóteses não aumentam.
Logo que sair minha aposentadoria (deve sair ainda este mês) levo minha aorta espaçosa para passear em Bragança. Junto com a Baixinha e a Doga.
Lá, vou passear minha ociosidade pelos caminhos do Parque Natural de Montesinhos no qual a palavra recessão – que invadiu Portugal nos últimos tempos – não é conhecida.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Medicina - a falência de dogmas


Faz pouco tempo a imprensa noticiou que havia sido constatado que ovo não aumenta o colesterol (ou, como diz o povo em Passos de Lomba: o costrol). Nunca tive problema com colesterol e adoro ovo. Fiquei a imaginar a cara daqueles médicos que passaram anos a enfatizar o mal que o ovo representava para o aumento do colesterol. Tudo cultura do ouvir dizer. Como a nossa, os leigos.

Hoje a Folha de S.Paulo informa:

Consumir mais sal não aumenta a pressão, diz estudo

DA REUTERS - Pessoas que consomem muito sal não têm mais risco de desenvolver hipertensão e morrer do coração do que as que comem poucas quantidades do alimento, segundo um estudo feito pela Universidade de Leuven (Bélgica).
A pesquisa, com 3.700 europeus, contraria as atuais recomendações de limitar o consumo de sal para prevenir essas doenças. Elas se baseiam em trabalhos anteriores, que indicam o benefício cardiovascular de uma dieta com pouco sal. Porém, o autor do novo estudo, Jan Staessen, diz que a recomendação é baseada em pesquisas de curta duração, enquanto a sua acompanhou as pessoas por oito anos.


É verdade que essa pesquisa aí do belga pode muito bem estar errada, também.
Afinal, ninguém sabe muito.
Mas os doutores pontificam.

sábado, 30 de abril de 2011

Dia nada monótono


Justo no dia em que mais de 2 mil milhões de seres humanos se entretinham com o casamento de um príncipe inglês, dia em que Delúbio Soares (o tesoureiro do mensalão) voltava triunfalmente ao PT (Partido dos Trabalhadores [risos]), dia em que alguns milhões de brasileiros quebravam a cabeça para declarar seu Imposto de Renda, dia em que os Estados Unidos choravam por mais de três centenas de mortos no Alabama vítimas de tornados, dia em que mais de 60 pessoas morriam na Síria vítimas da repressão aos movimentos populares contra a ditadura, dia em que Lisboa sofria por inundações devidas a chuva de granizo, eu me preocupava com... minha aorta.
Levei meus exames ao clínico. A dilatação da aorta ascendente já chegou aos fatídicos 50 mm que recomendam cirurgia. Candidamente, o clínico me informou que aquela história de cirurgia pouco invasiva, com stent, provavelmente está descartada. Quase que certo que vai ter de ser na base de abrir tudo, serrar as costelas e resolver na porrada, ou seja, na ignorância.
Sutilezas descartadas, encaminhou-me a uma especialista em aneurisma da aorta e stent.
Acho isso curioso, ainda que não de todo mau: o clínico te manda fazer alguns exames; analisados os exames te encaminha para uma analista que vai recomendar a oportunidade ou não de cirurgia, o tipo de cirurgia etc etc.
Mas – surpresa! – a especialista determina o tipo de intervenção. Mas não a realiza. Encaminha o pobre coitado a um cirurgião. Este vai carregar o piano, ou seja, vai fazer a cirurgia. Sempre de acordo com as recomendações da especialista em aneurisma de aorta.
Haja especialização!
Depois dessas notícias não tão maravilhosas assim, fomos – a Baixinha e eu – descontrair um pouco no Bendito Bar, não sem antes dar os parabéns á filha australiana, que completa hoje 33 aninhos. Eu disse hoje? Sei lá. Quando conseguimos falar com ela pelo Skype, lá já era 30 de abril. Penso que o aniversário dela deve ser comemorado pelo horário de Brasília. Afinal, foi aqui que ela nasceu.
Vou resolver essa dúvida depois de consertar minha aorta.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Combate às drogas


O que você acha pior:

Collor ou Logan

FHC ou um baseado

Lula ou 51

Aécio ou uma carreira de pó

Dilma ou grana

Escolha.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Ditados impopulares


Os cães ladram e a caravana passa. Com todo esse barulho não consigo pegar no sono.

Depois da tempestade vem a bonança. Mas aí já está tudo destruído.

A fé remove montanhas. Mas é preciso solicitar antes licença ambiental.

domingo, 24 de abril de 2011

Semana Santíssima


Na terça, depois de sair de uma angiotomografia com contraste e de um ecocardiograma com stress farmacológico, fomos – a Baixinha e eu – jantar bife de tira no Rubaiyat.
Carne dos deuses.
Na quinta fomos ao La Marie. Salada de foie gras, maravilhosa, seguida de risoto de frutos do mar para a Baixinha e de suflê de camarão para mim. Pratos inesquecíveis, acompanhados de um Cartuxa.
Sexta, dita da paixão, entrecôte com fritas no Anquier, antecedido por salada deliciosa e acompanhado por vinho do Douro.
Hoje, sábado de aleluia, polpettone no Jardim de Napoli, regado a vinho do Alentejo.
Para amanhã, Páscoa, teremos de programar comida à altura das anteriores.
Decididamente, sou adepto da Igreja Estomacal do Reino de Deus.

sábado, 23 de abril de 2011

Não serei novo Moisés


Moisés levou o povo judeu através do deserto mas não entrou na Terra Prometida.
Às vésperas de mudar definitivamente para Bragança, Portugal, vejo-me às voltas com uma cirurgia de aorta. Justo eu, que nada tenho de vegetariano (concordo, o trocadilho é infame).
Mas tenho certeza: passo por essa e me mando pra Bragança.
Afinal, não sou judeu, não guio povo algum, persigo apenas minha própria felicidade.
Minhas irmãs oram por mim. Talvez oração não ajude, mas certamene não atrapalha.
E vamo qui vamo.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Imitando Millôr


Comportadornotebook que tem quem o carregue

Auto-falante – indivíduo que fala sozinho

Golta – problema nas articulações de centroavantes

iLustre – candelabro fabricado pela Apple

Tolomóvel – indivíduo que apesar de não ser inteligente se movimenta.

Méximo – o balido mais forte da cabra

Múnimo – o mugido mais fraco da vaca

Portugol – gol de Cristiano Ronaldo

Alfaçanha – lisboeta que realizou uma proeza

Grotosco – indivíduo ridículo e grosseiro

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A mosca


A mosca é um animal muito mal avaliado pelos humanos. O que é virtude pra todo mundo, na mosca considera-se defeito: a persistência.
Poucos reparam que maldizer as moscas é negar a perfeição divina. Deus as criou tendo em mente alguma finalidade. Talvez a única falha do Criador, quanto à mosca, tenha sido a de não se aperceber da sua quase infinita capacidade de reprodução.
O gênio humano tem inventado formas cruéis de acabar com as pobres moscas, desde raquetes elétricas a papéis grudentos que as matam demorada e impiedosamente. Era de esperar-se que – nestes nossos tempos politicamente corretos – várias ONG já tivessem sido criadas para lutar contra essa forma de barbárie.
Reclamamos muitíssimo dos mosquitos, que nos perturbam o sono na escuridão da noite. Ninguém, contudo, lembra-se de elogiar as moscas por não voarem no escuro.
Mas ninguém jamais viu mosca a voar no escuro. Das duas uma: ou elas não voam em tais condições ou não as vemos justamente por estar escuro.
As moscas são, ao menos parcialmente, responsáveis por outra criação divina de rara beleza, pelo menos se esquecermos do porco: o rabo. Que seria da decantada graça do cavalo, não fora o rabo? Mesmo quanto ao porco, se o rabo não é propriamente belo ao menos é saboroso. O que poderia ser dito de outras espécies, acrescente-se. Não fossem as moscas, o rabo perderia muito de sua utilidade.
No livro de Gênesis, no qual é narrada a criação do mundo, nenhuma menção é feita à criação das moscas. Alguém lembrará que as aves foram criadas no quinto dia. Dirá, até, que o escritor do Gênesis fala em criação de “toda ave de asas conforme a sua espécie” talvez já a pensar nas moscas.
Data venia, permito discordar de tal interpretação. Primeiro, jamais ouvi alguém referir-se a moscas como aves.
Segundo, duvido que alguém dotado de um mínimo de senso crítico chamasse um lugar habitado por moscas de Paraíso, como ficou conhecido o jardim do Éden.
Terceiro: Deus não conseguiria descansar no sétimo dia a menos que apagasse as luzes do Universo.
Talvez as moscas tenham sido criadas em um duvidoso oitavo dia, sei lá.
De qualquer modo, se a mosca está mesmo incluída entre os seres criados no quinto dia, nenhuma ave levou tão a sério a ordem do Criador quanto ela: “E as aves se multipliquem na terra”.
Porque coelho – aí sim – não é ave.

domingo, 10 de abril de 2011

Uma decepção e outra nem tanto


Estava hoje sem a Baixinha. Ela foi ao Rio cumprimentar o filho por mais um ano de vida e conhecer a nova neta, a Isabel, que já começou sua carreira de Electra ao nascer no dia do aniversário do pai.
Resolvi almoçar no Gigetto. restaurante tradicional de São Paulo (fundado em 1.938 e no mesmo endereço da Rua Avanhandava desde 1.969). Há tempos não saboreava o estrogonofe de frango dele, preparado com carne escura.
Pois o dito cujo estrogonofe veio com carne de peito... Mesmo assim, bem saboroso. Pedi, para acompanhá-lo, um malbec argentino Familia Barberis, 2.008. Muito bom. O preço, como já é praxe nos restaurantes de São Paulo, uma exorbitância: R$ 82,00. Quando veio a conta ele aumentou para R$ 152,00. Reclamação feita, desculpas pedidas pelo garçom, paguei a conta e fui embora.
Não me cobraram nada por ter me sentado na mesa vizinha à da ex-prefeita Luiza Erundina, acompanhada de outra senhora. Ambas já com algum excesso de idade e de peso.
Mas Erundina ainda é dos poucos políticos brasileiros que merecem respeito.
Eu disse poucos? Pouquíssimos!

sábado, 2 de abril de 2011

Inacreditável


Já há muito não mais me surpreende o tratamento dispensado a Portugal pelos media brasileiros. Quase nada se noticia a respeito da terrinha. Quando se noticia algo, é coisa ruim. Da política ao futebol, o desprezo pelas coisas portuguesas é total.
Mesmo assim, quando assisti, na coluna de Claudio Humberto, a pequeno trecho da entrevista de Dilma a Miguel Souza Tavares, não pude acreditar que aquilo a que assistia pudesse ser verdadeiro. Certamente era resultado de alguma montagem. Fui, então, procurar em sítios portugueses o vídeo completo da entrevista. E lá estava a entrevista apresentada pela SIC (TV).
Não se trata de alguma piada sobre algum brasileiro comum, algum matuto do sertão ou coisa que o valha. Trata-se da - vá lá - presidenta do Brasil.
O ridículo começa aos 11:26 minutos. Dura pouco tempo. Quem quiser pode assistir à entrevista completa.
Meus deuses! A que ponto chegámos!
Melhor: a que ponto chegaram.
Quanto a mim, tô fora.



Se preferir, aí vai um vídeo com o trecho da piada de brasileiro (ops! brasileira)

segunda-feira, 21 de março de 2011

Está a chegar o dia


Falta pouco para que me vá a Bragança. De vez. Para sempre.
Esta semana que entra, minha caçula faz 32 aninhos. Vamos almoçar na quarta feira, na Casa da Fazenda, aqui no Morumbi, São Paulo.

Essa pequenina, já com seus 32 anos, ficará aqui em São Paulo,. O outro filho, com minha fantástica nora, irá morar em Toronto, Canadá, por uns dois anos.

Minha primogênita vive em Connecticut e trabalha em New York.

Eu, coçarei o saco em Bragança.

E, assim, segue a vida.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Fotos de Bragança


Neste período em que aguardo minha aposentadoria para ir definitivamente para Bragança não tenho tido disposição para escrever.
Ontem, ao apreciar fotos tiradas pelos familiares durante os dias em que lá estiveram para comemorar o Natal e a entrada do novo ano, selecionei algumas das fotos de autoria de minha nora para postar.
Comecemos pelo Castelo, símbolo maior de Bragança. A seqüência abaixo mostra o anoitecer no Castelo:

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Outro local importante, em Bragança, é a Praça Prof. Cavaleiro Ferreira.
Nela estão vários edifícios de órgãos públicos.
Como quase toda praça que se preza, ela tem seu chafariz:

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Nela está o Teatro Municipal:

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Próximo a ela fica o Shopping:

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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A Austrália não existe


A Austrália foi vítima, esta semana, do maior ciclone tropical que já passou por seu território (cobertura 24 horas, aqui).

A edição de hoje da Folha de S.Paulo, jornal que cobra R$ 52,90 (23 euros) por mês pela assinatura, não traz uma palavra sobre o assunto. Nada.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

As eleições presidenciais em Portugal


Como tinha nossa volta a São Paulo marcada para dia 22 de janeiro, sabia que não poderia votar nas eleições presidenciais de 23, domingo.
Em função disso, acompanhei as notícias sobre os candidatos com certo desinteresse.
Quando, graças à Doga (ou melhor, graças à minha falha de memória), percebi que ficaria em Portugal no domingo, 23, percebi também que não sabia em quem votar. Sabia, quando muito, em quem não votar.
O presidente atual (e, agora se sabe, reeleito) não me agrada. Só o ouço a proferir obviedades com ar grave.
No Alegre não voto. Simplesmente por ser - ou dizer-se - socialista. Mesmo depois de meu neto de 3 anos ter achado que era eu que lá estava, em um outdoor do Alegre. Já esgotei minha paciência com as esquerdas. Portanto, fica excluído - mais ainda - o candidato do Partido Comunista. Aliás, é surrealista que ainda haja partido comunista em país democrático. E, salvo engano, em Portugal há dois!
Quanto ao Defensor, prestei relativa atenção a uma entrevista que ele concedeu à RTP. A única coisa que consegui saber dele é que tem caspa. Quem manda ir à TV de paletó preto?
Quanto ao Coelho, o Tiririca português, não acho graça em suas arengas. O Tiririca original, brasileiro, é incomparavelmente mais engraçado. E mesmo assim não votei nele.
Sobrou o Nobre. Quanto a esse, acabei por ficar sem saber de quem se trata. Por culpa minha, diga-se.
Daqui a 5 anos talvez eu esteja um pouco mais esclarecido a respeito da política portuguesa.
Talvez. Ou, como repetem constantemente os portugueses: se calhar...

domingo, 23 de janeiro de 2011

Pequeno detalhe


Anteontem, sexta, 21, alugámos um carro e partimos para o Porto. Claro que, antes disso, verificámos exaustivamente se estávamos a levar todo o necessário.
Deixámos Bragança com um céu impecavelmente azul, sol a brilhar e um frio danado, com muito vento. Vento gelado.
Nosso voo para o Brasil partia às 10:15 do sábado, 22. Por isso, preferimos ir ao Porto na véspera, caso contrário teríamos de sair muito cedo de Bragança no próprio dia do voo.
Ficámos hospedados no Hotel Castelo de Santa Catarina. Aceitam cães, desde que aceitemos ficar em quarto do jardim e não em quarto do castelo. O preço é bom: € 43 com pequeno-almoço incluído.
À noite, deixámos a Doga no quarto e fomos à pé jantar no Majestic. Fica na mesma rua Santa Catarina.
Jantar magnífico seguido de caminhada ladeira acima.
Tínhamos de acordar às 7 e pouco, o que - para nós - é bastante cedo.
Bem antes disso, exatamente às 4:08, acordei e me dei conta de que deixáramos toda a documentação da Doga guardadinha em Bragança.
Já devolvêramos o carro. Não havia forma de retornar a Bragança e voltar a tempo de embarcar.
Depois do pequeno-almoço fomos de táxi ao aeroporto, alterámos nossas reservas para o próximo voo - terço, 25, mesmo horário, alugámos outro carro e... de volta a Bragança.
O envelope com os documentos da Doga - agora - já está na mala.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Uma coisa ou outra


As festas de final de ano, em casa, foram movimentadas. Afinal, eram 16 pessoas com idades entre 0 e 65 anos.
Graças às atuais facilidades de captação e transmissão de imagens e - é preciso dizer - graças também à influência de minha nora de origem nipônica, foram milhares de fotos tiradas durante pouco mais de 10 dias.
Houve momentos em que todos tiravam fotos de todos:

Fora os fotógrafos que não aparecem

Os compreensivos leitores deste blog sabem que não é recomendável publicar fotos familiares em um blog de acesso irrestrito.
Mas alguma coisa pode ser posta aqui.
Por exemplo, esta cena do banho do neto australiano Taj. Enquanto se limpa, aproveita para gastar parte de sua infindável energia:



Já o neto carioca Rafael enfrentou a chuva, em Rio de Onor, para colocar o pé direito em Portugal enquanto o esquerdo se apóia em Espanha:

A Península Ibérica sob os pés

Por fim, um arroz de bogavante, saboreado avidamente por todos no restaurante La Rua, em Zamora:

Hummmmm!

sábado, 8 de janeiro de 2011

O primeiro ano de minha nova vida


É verdade que ainda há alguns meses de trabalho pela frente.
Mas a partir de algo como início de junho o ócio poderá ser total.
E, para iniciar tão auspicioso ano, passei de 31 de dezembro a primeiro de janeiro deitadinho na cama, enquanto a família festejava o novo ano na sala.
Acontece que o antibiótico que tomei errou o alvo. E a infecção voltou com força total.
Comecei o dia primeiro com nova visita à Urgência. E como não há males que não venham pra bem, pude conhecer o dr. Raul Mora, que é - mais que médico - sacerdote. Fica claro que sacerdote no antigo sentido da palavra, no tempo em que ela se dava ao respeito.
Corrigidos os rumos do tratamento, chego amanhã ao último dia de antibiótico. E já quase pronto pra outra.
Enquanto isso, em Brasília, parece que a turma lá da Comissão de Anistia passou a interessar-se por meu processo, no qual reivindico o reconhecimento de ano e meio em que trabalhei na USP sem contrato, por razões políticas.
Caso esse tempo seja reconhecido, terei já tempo de folga para a aposentadoria.
Bom demais para ser verdade? Pode ser, pode ser.

Cá em Bragança, chuva, chuva e mais chuva.
É o tempo delas, as chuvas.
Vez em quando, como agora, um tímido solzinho ilumina alguma colina próxima.
Agora que todos se foram, restam-nos duas semanas para aproveitar este paraíso, antes de retornar a São Paulo.
Vou aproveitar esse tempo para visitar meu médico de família.
É aquela velha história:
Dos 20 aos 30 anos:
- Nem te conto as mulheres que tenho conhecido! [no sentido bíblico de conhecer]
Dos 30 aos 50:
- Não sabes o restaurante a que fui ontem!
A partir dos 60:
- Conheci um médico que nem te conto!

Pois é. É hora de conhecer o meu. Mesmo porque um remédio que custa - digamos - € 55, passa a custar € 5 caso comprado com a receita do médico de família.

Continuação de bom ano!