sábado, 30 de abril de 2011
Dia nada monótono
Justo no dia em que mais de 2 mil milhões de seres humanos se entretinham com o casamento de um príncipe inglês, dia em que Delúbio Soares (o tesoureiro do mensalão) voltava triunfalmente ao PT (Partido dos Trabalhadores [risos]), dia em que alguns milhões de brasileiros quebravam a cabeça para declarar seu Imposto de Renda, dia em que os Estados Unidos choravam por mais de três centenas de mortos no Alabama vítimas de tornados, dia em que mais de 60 pessoas morriam na Síria vítimas da repressão aos movimentos populares contra a ditadura, dia em que Lisboa sofria por inundações devidas a chuva de granizo, eu me preocupava com... minha aorta.
Levei meus exames ao clínico. A dilatação da aorta ascendente já chegou aos fatídicos 50 mm que recomendam cirurgia. Candidamente, o clínico me informou que aquela história de cirurgia pouco invasiva, com stent, provavelmente está descartada. Quase que certo que vai ter de ser na base de abrir tudo, serrar as costelas e resolver na porrada, ou seja, na ignorância.
Sutilezas descartadas, encaminhou-me a uma especialista em aneurisma da aorta e stent.
Acho isso curioso, ainda que não de todo mau: o clínico te manda fazer alguns exames; analisados os exames te encaminha para uma analista que vai recomendar a oportunidade ou não de cirurgia, o tipo de cirurgia etc etc.
Mas – surpresa! – a especialista determina o tipo de intervenção. Mas não a realiza. Encaminha o pobre coitado a um cirurgião. Este vai carregar o piano, ou seja, vai fazer a cirurgia. Sempre de acordo com as recomendações da especialista em aneurisma de aorta.
Haja especialização!
Depois dessas notícias não tão maravilhosas assim, fomos – a Baixinha e eu – descontrair um pouco no Bendito Bar, não sem antes dar os parabéns á filha australiana, que completa hoje 33 aninhos. Eu disse hoje? Sei lá. Quando conseguimos falar com ela pelo Skype, lá já era 30 de abril. Penso que o aniversário dela deve ser comemorado pelo horário de Brasília. Afinal, foi aqui que ela nasceu.
Vou resolver essa dúvida depois de consertar minha aorta.
terça-feira, 26 de abril de 2011
Combate às drogas
O que você acha pior:
Collor ou Logan
FHC ou um baseado
Lula ou 51
Aécio ou uma carreira de pó
Dilma ou grana
Escolha.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Ditados impopulares
Os cães ladram e a caravana passa. Com todo esse barulho não consigo pegar no sono.
Depois da tempestade vem a bonança. Mas aí já está tudo destruído.
A fé remove montanhas. Mas é preciso solicitar antes licença ambiental.
domingo, 24 de abril de 2011
Semana Santíssima
Na terça, depois de sair de uma angiotomografia com contraste e de um ecocardiograma com stress farmacológico, fomos – a Baixinha e eu – jantar bife de tira no Rubaiyat.
Carne dos deuses.
Na quinta fomos ao La Marie. Salada de foie gras, maravilhosa, seguida de risoto de frutos do mar para a Baixinha e de suflê de camarão para mim. Pratos inesquecíveis, acompanhados de um Cartuxa.
Sexta, dita da paixão, entrecôte com fritas no Anquier, antecedido por salada deliciosa e acompanhado por vinho do Douro.
Hoje, sábado de aleluia, polpettone no Jardim de Napoli, regado a vinho do Alentejo.
Para amanhã, Páscoa, teremos de programar comida à altura das anteriores.
Decididamente, sou adepto da Igreja Estomacal do Reino de Deus.
sábado, 23 de abril de 2011
Não serei novo Moisés
Moisés levou o povo judeu através do deserto mas não entrou na Terra Prometida.
Às vésperas de mudar definitivamente para Bragança, Portugal, vejo-me às voltas com uma cirurgia de aorta. Justo eu, que nada tenho de vegetariano (concordo, o trocadilho é infame).
Mas tenho certeza: passo por essa e me mando pra Bragança.
Afinal, não sou judeu, não guio povo algum, persigo apenas minha própria felicidade.
Minhas irmãs oram por mim. Talvez oração não ajude, mas certamene não atrapalha.
E vamo qui vamo.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Imitando Millôr
Comportador – notebook que tem quem o carregue
Auto-falante – indivíduo que fala sozinho
Golta – problema nas articulações de centroavantes
iLustre – candelabro fabricado pela Apple
Tolomóvel – indivíduo que apesar de não ser inteligente se movimenta.
Méximo – o balido mais forte da cabra
Múnimo – o mugido mais fraco da vaca
Portugol – gol de Cristiano Ronaldo
Alfaçanha – lisboeta que realizou uma proeza
Grotosco – indivíduo ridículo e grosseiro
quarta-feira, 20 de abril de 2011
A mosca
A mosca é um animal muito mal avaliado pelos humanos. O que é virtude pra todo mundo, na mosca considera-se defeito: a persistência.
Poucos reparam que maldizer as moscas é negar a perfeição divina. Deus as criou tendo em mente alguma finalidade. Talvez a única falha do Criador, quanto à mosca, tenha sido a de não se aperceber da sua quase infinita capacidade de reprodução.
O gênio humano tem inventado formas cruéis de acabar com as pobres moscas, desde raquetes elétricas a papéis grudentos que as matam demorada e impiedosamente. Era de esperar-se que – nestes nossos tempos politicamente corretos – várias ONG já tivessem sido criadas para lutar contra essa forma de barbárie.
Reclamamos muitíssimo dos mosquitos, que nos perturbam o sono na escuridão da noite. Ninguém, contudo, lembra-se de elogiar as moscas por não voarem no escuro.
Mas ninguém jamais viu mosca a voar no escuro. Das duas uma: ou elas não voam em tais condições ou não as vemos justamente por estar escuro.
As moscas são, ao menos parcialmente, responsáveis por outra criação divina de rara beleza, pelo menos se esquecermos do porco: o rabo. Que seria da decantada graça do cavalo, não fora o rabo? Mesmo quanto ao porco, se o rabo não é propriamente belo ao menos é saboroso. O que poderia ser dito de outras espécies, acrescente-se. Não fossem as moscas, o rabo perderia muito de sua utilidade.
No livro de Gênesis, no qual é narrada a criação do mundo, nenhuma menção é feita à criação das moscas. Alguém lembrará que as aves foram criadas no quinto dia. Dirá, até, que o escritor do Gênesis fala em criação de “toda ave de asas conforme a sua espécie” talvez já a pensar nas moscas.
Data venia, permito discordar de tal interpretação. Primeiro, jamais ouvi alguém referir-se a moscas como aves.
Segundo, duvido que alguém dotado de um mínimo de senso crítico chamasse um lugar habitado por moscas de Paraíso, como ficou conhecido o jardim do Éden.
Terceiro: Deus não conseguiria descansar no sétimo dia a menos que apagasse as luzes do Universo.
Talvez as moscas tenham sido criadas em um duvidoso oitavo dia, sei lá.
De qualquer modo, se a mosca está mesmo incluída entre os seres criados no quinto dia, nenhuma ave levou tão a sério a ordem do Criador quanto ela: “E as aves se multipliquem na terra”.
Porque coelho – aí sim – não é ave.
domingo, 10 de abril de 2011
Uma decepção e outra nem tanto
Estava hoje sem a Baixinha. Ela foi ao Rio cumprimentar o filho por mais um ano de vida e conhecer a nova neta, a Isabel, que já começou sua carreira de Electra ao nascer no dia do aniversário do pai.
Resolvi almoçar no Gigetto. restaurante tradicional de São Paulo (fundado em 1.938 e no mesmo endereço da Rua Avanhandava desde 1.969). Há tempos não saboreava o estrogonofe de frango dele, preparado com carne escura.
Pois o dito cujo estrogonofe veio com carne de peito... Mesmo assim, bem saboroso. Pedi, para acompanhá-lo, um malbec argentino Familia Barberis, 2.008. Muito bom. O preço, como já é praxe nos restaurantes de São Paulo, uma exorbitância: R$ 82,00. Quando veio a conta ele aumentou para R$ 152,00. Reclamação feita, desculpas pedidas pelo garçom, paguei a conta e fui embora.
Não me cobraram nada por ter me sentado na mesa vizinha à da ex-prefeita Luiza Erundina, acompanhada de outra senhora. Ambas já com algum excesso de idade e de peso.
Mas Erundina ainda é dos poucos políticos brasileiros que merecem respeito.
Eu disse poucos? Pouquíssimos!
sábado, 2 de abril de 2011
Inacreditável
Já há muito não mais me surpreende o tratamento dispensado a Portugal pelos media brasileiros. Quase nada se noticia a respeito da terrinha. Quando se noticia algo, é coisa ruim. Da política ao futebol, o desprezo pelas coisas portuguesas é total.
Mesmo assim, quando assisti, na coluna de Claudio Humberto, a pequeno trecho da entrevista de Dilma a Miguel Souza Tavares, não pude acreditar que aquilo a que assistia pudesse ser verdadeiro. Certamente era resultado de alguma montagem. Fui, então, procurar em sítios portugueses o vídeo completo da entrevista. E lá estava a entrevista apresentada pela SIC (TV).
Não se trata de alguma piada sobre algum brasileiro comum, algum matuto do sertão ou coisa que o valha. Trata-se da - vá lá - presidenta do Brasil.
O ridículo começa aos 11:26 minutos. Dura pouco tempo. Quem quiser pode assistir à entrevista completa.
Meus deuses! A que ponto chegámos!
Melhor: a que ponto chegaram.
Quanto a mim, tô fora.
Se preferir, aí vai um vídeo com o trecho da piada de brasileiro (ops! brasileira)
segunda-feira, 21 de março de 2011
Está a chegar o dia
Falta pouco para que me vá a Bragança. De vez. Para sempre.
Esta semana que entra, minha caçula faz 32 aninhos. Vamos almoçar na quarta feira, na Casa da Fazenda, aqui no Morumbi, São Paulo.
Essa pequenina, já com seus 32 anos, ficará aqui em São Paulo,. O outro filho, com minha fantástica nora, irá morar em Toronto, Canadá, por uns dois anos.
Minha primogênita vive em Connecticut e trabalha em New York.
Eu, coçarei o saco em Bragança.
E, assim, segue a vida.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Fotos de Bragança
Neste período em que aguardo minha aposentadoria para ir definitivamente para Bragança não tenho tido disposição para escrever.
Ontem, ao apreciar fotos tiradas pelos familiares durante os dias em que lá estiveram para comemorar o Natal e a entrada do novo ano, selecionei algumas das fotos de autoria de minha nora para postar.
Comecemos pelo Castelo, símbolo maior de Bragança. A seqüência abaixo mostra o anoitecer no Castelo:






Outro local importante, em Bragança, é a Praça Prof. Cavaleiro Ferreira.
Nela estão vários edifícios de órgãos públicos.
Como quase toda praça que se preza, ela tem seu chafariz:

Nela está o Teatro Municipal:

Próximo a ela fica o Shopping:
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
A Austrália não existe
A Austrália foi vítima, esta semana, do maior ciclone tropical que já passou por seu território (cobertura 24 horas, aqui).
A edição de hoje da Folha de S.Paulo, jornal que cobra R$ 52,90 (23 euros) por mês pela assinatura, não traz uma palavra sobre o assunto. Nada.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
As eleições presidenciais em Portugal
Como tinha nossa volta a São Paulo marcada para dia 22 de janeiro, sabia que não poderia votar nas eleições presidenciais de 23, domingo.
Em função disso, acompanhei as notícias sobre os candidatos com certo desinteresse.
Quando, graças à Doga (ou melhor, graças à minha falha de memória), percebi que ficaria em Portugal no domingo, 23, percebi também que não sabia em quem votar. Sabia, quando muito, em quem não votar.
O presidente atual (e, agora se sabe, reeleito) não me agrada. Só o ouço a proferir obviedades com ar grave.
No Alegre não voto. Simplesmente por ser - ou dizer-se - socialista. Mesmo depois de meu neto de 3 anos ter achado que era eu que lá estava, em um outdoor do Alegre. Já esgotei minha paciência com as esquerdas. Portanto, fica excluído - mais ainda - o candidato do Partido Comunista. Aliás, é surrealista que ainda haja partido comunista em país democrático. E, salvo engano, em Portugal há dois!
Quanto ao Defensor, prestei relativa atenção a uma entrevista que ele concedeu à RTP. A única coisa que consegui saber dele é que tem caspa. Quem manda ir à TV de paletó preto?
Quanto ao Coelho, o Tiririca português, não acho graça em suas arengas. O Tiririca original, brasileiro, é incomparavelmente mais engraçado. E mesmo assim não votei nele.
Sobrou o Nobre. Quanto a esse, acabei por ficar sem saber de quem se trata. Por culpa minha, diga-se.
Daqui a 5 anos talvez eu esteja um pouco mais esclarecido a respeito da política portuguesa.
Talvez. Ou, como repetem constantemente os portugueses: se calhar...
domingo, 23 de janeiro de 2011
Pequeno detalhe
Anteontem, sexta, 21, alugámos um carro e partimos para o Porto. Claro que, antes disso, verificámos exaustivamente se estávamos a levar todo o necessário.
Deixámos Bragança com um céu impecavelmente azul, sol a brilhar e um frio danado, com muito vento. Vento gelado.
Nosso voo para o Brasil partia às 10:15 do sábado, 22. Por isso, preferimos ir ao Porto na véspera, caso contrário teríamos de sair muito cedo de Bragança no próprio dia do voo.
Ficámos hospedados no Hotel Castelo de Santa Catarina. Aceitam cães, desde que aceitemos ficar em quarto do jardim e não em quarto do castelo. O preço é bom: € 43 com pequeno-almoço incluído.
À noite, deixámos a Doga no quarto e fomos à pé jantar no Majestic. Fica na mesma rua Santa Catarina.
Jantar magnífico seguido de caminhada ladeira acima.
Tínhamos de acordar às 7 e pouco, o que - para nós - é bastante cedo.
Bem antes disso, exatamente às 4:08, acordei e me dei conta de que deixáramos toda a documentação da Doga guardadinha em Bragança.
Já devolvêramos o carro. Não havia forma de retornar a Bragança e voltar a tempo de embarcar.
Depois do pequeno-almoço fomos de táxi ao aeroporto, alterámos nossas reservas para o próximo voo - terço, 25, mesmo horário, alugámos outro carro e... de volta a Bragança.
O envelope com os documentos da Doga - agora - já está na mala.
domingo, 9 de janeiro de 2011
Uma coisa ou outra
As festas de final de ano, em casa, foram movimentadas. Afinal, eram 16 pessoas com idades entre 0 e 65 anos.
Graças às atuais facilidades de captação e transmissão de imagens e - é preciso dizer - graças também à influência de minha nora de origem nipônica, foram milhares de fotos tiradas durante pouco mais de 10 dias.
Houve momentos em que todos tiravam fotos de todos:

Os compreensivos leitores deste blog sabem que não é recomendável publicar fotos familiares em um blog de acesso irrestrito.
Mas alguma coisa pode ser posta aqui.
Por exemplo, esta cena do banho do neto australiano Taj. Enquanto se limpa, aproveita para gastar parte de sua infindável energia:

Já o neto carioca Rafael enfrentou a chuva, em Rio de Onor, para colocar o pé direito em Portugal enquanto o esquerdo se apóia em Espanha:

Por fim, um arroz de bogavante, saboreado avidamente por todos no restaurante La Rua, em Zamora:
sábado, 8 de janeiro de 2011
O primeiro ano de minha nova vida
É verdade que ainda há alguns meses de trabalho pela frente.
Mas a partir de algo como início de junho o ócio poderá ser total.
E, para iniciar tão auspicioso ano, passei de 31 de dezembro a primeiro de janeiro deitadinho na cama, enquanto a família festejava o novo ano na sala.
Acontece que o antibiótico que tomei errou o alvo. E a infecção voltou com força total.
Comecei o dia primeiro com nova visita à Urgência. E como não há males que não venham pra bem, pude conhecer o dr. Raul Mora, que é - mais que médico - sacerdote. Fica claro que sacerdote no antigo sentido da palavra, no tempo em que ela se dava ao respeito.
Corrigidos os rumos do tratamento, chego amanhã ao último dia de antibiótico. E já quase pronto pra outra.
Enquanto isso, em Brasília, parece que a turma lá da Comissão de Anistia passou a interessar-se por meu processo, no qual reivindico o reconhecimento de ano e meio em que trabalhei na USP sem contrato, por razões políticas.
Caso esse tempo seja reconhecido, terei já tempo de folga para a aposentadoria.
Bom demais para ser verdade? Pode ser, pode ser.
Cá em Bragança, chuva, chuva e mais chuva.
É o tempo delas, as chuvas.
Vez em quando, como agora, um tímido solzinho ilumina alguma colina próxima.
Agora que todos se foram, restam-nos duas semanas para aproveitar este paraíso, antes de retornar a São Paulo.
Vou aproveitar esse tempo para visitar meu médico de família.
É aquela velha história:
Dos 20 aos 30 anos:
- Nem te conto as mulheres que tenho conhecido! [no sentido bíblico de conhecer]
Dos 30 aos 50:
- Não sabes o restaurante a que fui ontem!
A partir dos 60:
- Conheci um médico que nem te conto!
Pois é. É hora de conhecer o meu. Mesmo porque um remédio que custa - digamos - € 55, passa a custar € 5 caso comprado com a receita do médico de família.
Continuação de bom ano!
domingo, 26 de dezembro de 2010
E 2.011 promete ser inigualável
Faz algum tempinho que cá não venho.
Pudera!
Saí de São Paulo no sábado, 11 de dezembro, com uma terrível infecção urinária e uma gripe monumental.
Como não há mal que não traga algum benefício (será?), pude começar a testar os serviços de saúde cá de Bragança.
Fui maravilhosamente bem atendido, queriam até que me internasse no hospital, mas consegui autorização para ir recuperar-me em casa.
Entre consulta médica, exames de urina, exame de sangue, aplicação de soro, tive que pagar a fortuna de €7,75.
Preciso agora ir ao médico de família para consolidar os tratamentos recomendados.
E começaram a chegar filhos e netos. Da Austrália, dos USA, do Brasil. Ao todo, 16 pessoas: 11 adultos, dois quase adolescentes (10 anos), um garoto de 3 anos, uma menina de quase 2 anos e um bebé de 3 meses.
Fomos a Passos de Lomba para que a maioria conhecesse os parentes que lá vivem. As crianças se encantaram com porcos, patos e galinhas.
Eu me encantei - mais uma vez - com o vinho feito por meus primos, sem conservantes, nem acidulantes, nem civilizantes.
A consoada foi cá em casa. O almoço de hoje, 25, também. O bobó de camarão estava ótimo.
Amanhã, 26, começa a debandada. Afinal, todos os filhos fizeram sacrifícios profissionais para virem cá, juntar-se a nós.
Alguns partem para Madrid, outros para o Porto.
Restam ainda outros que ficarão até inícios de Janeiro.
O presente que me deram, com a presença, foi maior do que o que eu poderia almejar.
Meus filhos, genros e noras são maravilhosos. Os netos são encantadores.
Que mais poderia eu pedir ao destino?
Talvez um derradeiro gole de cognac.
sábado, 4 de dezembro de 2010
Predestinado
Sou da turma da POLI-USP de 1.967.
Ontem à noite fui visitar um colega de turma. Visita muito agradável e cheia de histórias antigas, do pessoal de nossa turma.
E até de turmas anteriores.
Eu não sabia que Luiz Carlos Mendonça de Barros fora da turma anterior à nossa, a que se formou em 1.966.
Se quiser saber um pouco mais sobre ele, clique no nome do rapaz. Verá que logo em 1.967 ele já se enfronhou no mundo financeiro e foi em frente.
O que eu também não sabia é que ele foi presidente da Equipe de Recepção aos Bichos (não sei se o nome era exatamente esse) da minha turma, que chegou à POLI em 1.963.
Vai daí, o pessoal da minha turma costumava jogar partidas de futebol de salão (hoje se diz futsal). E um problema recorrente era conseguir bola.
Mendonção, como hoje é conhecido, soube da carência e não hesitou: comprou uma bola e passou a alugá-la para os bichos que jogavam futsal.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Um tipo inesquecível
Quando era criança, eu costumava ler vários artigos em Seleções. Meu pai era assinante.
Uma seção permanente da revista era o “Meu tipo inesquecível”.
Vai daí, lembrei-me, hoje, de uma figura gravada em minha memória para sempre.
Tratava-se de um goês radicado em Santos. Constava que fora alto funcionário sei lá do quê. A bebida o levou à ruína.
Hoje sei que a bebida não leva ninguém à ruína. É a ruína que às vezes leva o indivíduo à bebida.
Mas vamos adiante.
Não lembro o nome dele. Minha irmã mais nova talvez lembre.
Tinha aquela cor cinza característica dos indianos. Vivia a mendigar e, a partir de uma certa época, passou a fazer da entrada da Primeira Igreja Batista de Santos a sua residência.
Era aquele mendigo que sempre usa um paletó. Imundo, mas paletó.
A despeito de seu estado lastimável, transmitia uma imagem altiva, quase imponente, ao menos para crianças como eu, lá pelos nove ou dez anos.
Volta e meia abordava a mim e a meus amigos da Igreja com perguntas sobre gramática, aritmética, coisas assim. E distribuía balas.
Meu pai, é óbvio, presenteou-o com alguns livros de catequese.
Lia-os e os comentava ao reencontrar meu pai. Sempre com a ressalva de que lera com atenção mas – infelizmente – sem os confortos que uma verdadeira casa poderia oferecer.
Lembro-me, em particular, de um dia em que o tesoureiro da Igreja, o Nestor, lhe deu uma nota de dois cruzeiros (se não me falha a memória era uma nota amarela), que mal dava para pagar um cafezinho.
Preocupado com a utilização que dela faria o goês, o tesoureiro advertiu:
- Veja lá o que vai fazer com esse dinheiro!
Como calhou que eu estivesse por perto, pude perceber o que murmurou o goês ao retirar-se:
- Dá-me dois cruzeiros e me diz para não esbanjar!
De pessoas assim, tenho saudade.
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