segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Calma e paixão


Estava ontem a reler o texto de uma caixinha de sumo de maracujá (observação: intelectual brasileiro jamais . Ele sempre relê) quando me surpreendi com o nome dessa fruta em um monte de outras línguas: passion fruit (inglês), fruit de la passion (francês), passievrucht (holandês), passionfrucht (alemão), passionfrukt (sueco).

CLIQUE PARA BEBER (um dia ainda será possível)

Em primeiro lugar, apesar de eu ser o primeiro a reconhecer uma caixinha de sumo de frutas como fonte importante de cultura (e de um monte de outras coisas, a julgar pela Informação Nutricional), não se deve concluir do que foi dito acima que quem sabe alemão consegue falar tranqüilamente holandês e sueco. Devagar com o andor.

Mas o importante, a meu ver, é a brutal discrepância do nome da fruta em tudo quanto é língua (não consultei o mirandês, é verdade) e o nome da dita cuja em português.

Mais: os dicionários e a vida ensinam que a paixão nada tem de calma. E eu vivi uma já longa existência a ouvir que o maracujá é excelente calmante. Na TV brasileira já houve até um comercial, protagonizado por Juca de Oliveira, notável ator e autor teatral (na TV todos são a lesma lerda), em que ele afirmava:
- Beba Maracujina e fique calmiiiinho, calminho.
Se esse bendito comercial devesse ser vertido para, digamos, o sueco, teria de ser assim (em sueco, mas vai em português que eu não sou o Janer Cristaldo):
- Beba Paixãozina e fique arrebatado e exaltado.
(talvez em sueco até soe melhor)

O Houaiss diz que maracujá vem do tupi moroku'ya. Vá lá.
Mas por que diabos as outras línguas chamam de fruta da paixão a uma fruta que acalma?!

Algo errado


Logo ao acordar verifico que Internet, TV e telefone, viva!, funcionam.

Vou até a cozinha e o frigorífico de época que consegui comprar me arrasta para o início da década de 60, quando minha mãe me emprestou a geladeira que nos acompanhara durante anos, em Santos. Ela ia morar com minha irmã no Rio e eu instalei a geladeira no quarto da república de estudantes em que morava, em São Paulo. Como era bom, chegar à noite a meu quarto e poder fazer uma vitamina de frutas com leite fresco. Era meu jantar. Quanto aos frigoríficos, há diferenças: este é vermelho, aquele era branco. Este é Bosch, aquele era Frigidaire, se não me falha a memória (e como falha). Mas eu também mudei. E quanto.

CLIQUE NELE PARA ABRI-LO

Volto ao computador. E aprecio Diana Krall no Bic Laranja.
Ainda hoje duvido um bocadinho da existência dessa mulher. O que não me impede de apreciar sua música.

A luz do céu de Bragança está simplesmente maravilhosa.

É aí que me parece haver algo de errado em tudo isso.

Afinal, segundas-feiras não foram feitas pra deixar ninguém tão feliz.

domingo, 29 de agosto de 2010

Um domingo de mixed feelings


Fui a Passos, hoje. Almocei com Zelinda, Alípio, sua filha, genro e neta.
Não poderia ter sido melhor. Não a comida, que foi boa, mas o convívio.
Depois, fui ver Maria Tereza, fui ao café do Otavio e voltei à Zelinda, depois do Kiko me empurrar uma rifa de 20 euros para uma finalidade pra lá de nobre: um centro de convívio que será construído no terreno da escola (desativada), para permitir que os idosos façam suas refeições (pequeno almoço, almoço e jantar) lá, ou que recebam tudo isso em casa, se a locomoção já for difícil.
É a aldeia a preparar-se para o tempo final dos velhos habitantes.
Quando é que alguém vai acordar pra reavivar esses paraísos que são as aldeias trasmontanas?
Fiquei também a saber que morreu minha tia Juventina, no Brasil. Meia-irmã de meu pai. Nenhum de seus filhos ou sobrinhos dignou-se a avisar-me.
Paciência.
Voltei a Bragança e fiquei a saber que a Baixinha está com pneumonia. Já tive esse dissabor. Basta uma semana de repouso absoluto e pronto. Tudo resolvido. Só duvido que ela tenha capacidade de manter repouso absoluto por um dia que seja.
Mas tudo se resolve. Ou não.

sábado, 28 de agosto de 2010

Ainda sobre a Albufeira do Azibo


Dia destes, escrevi, aqui, sobre as praias fluviais da barragem do Azibo.
Eu não as conhecia. Aproveitei este sábado, de muito sol e calor, para ir até lá. É certo que deixei pra ir lá pras cinco da tarde. Mesmo assim, tratei de passar protetor solar nos antebraços e no rosto (o resto, devidamente coberto. Já chega minha neta, que se queimou toda, lá em Westport, e está de molho, à espera de melhoras).
De Bragança até lá são uns 25 km, pelo IP4. Mas isso é contado a partir de Bragança Sul. Como resido no extremo norte da cidade, de minha casa até lá são 40 km.Isso se faz em 20 ou 25 minutos, já que a velocidade permitida nos IP é de 110 km/h.
Vai-se pelo IP4 até encontrar-se a placa para Azibo. Entra-se, então, em uma estrada secundária bem cuidada, como podem constatar nas duas fotos abaixo:

Foto tirada na ida
Foto tirada na volta
Mas não se empolgue: vai andar apenas uns 200 metros nela e já está no Azibo.
O restante as fotos contam:








Casal Sombra e Sol

E agora, esta


Estava eu a ler a Sábado e encontro isto:
Diz ele que eram usados [blusões que tinham gola em pelúcia] pelos betos que tinham mota e provocavam tremenda inveja nos outros [...].
(Sábado, nº 330, pag. 19, in crônica de Nuno Markl)

Meu apelido de infância é Beto.
Fui ao dicionário:

beto
nome masculino e adjectivo
coloquial jovem bem comportado, geralmente um pouco presumido


presumido
adjectivo
1. vaidoso; presunçoso
2. afectado
3. que é uma hipótese; suposto; conjecturado

nome masculino
indivíduo com presunção ou vaidade



Ainda bem que pouca gente me trata por Beto.
Parece que, aqui em Portugal, Beto é o mesmo que Mauricinho, no Brasil.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Minha Luta (contra a PT)


Não. Este post não se refere, a não ser como blague, ao livrinho do Adolf.
Acontece que cheguei ao Porto na quarta de manhã, depois de vôo tranqüilo (às favas, a reforma ortográfica), a não ser por uma freada um tanto abrupta na aterrissagem no aeroporto da Maia. Sozinho. A Baixinha e a Doga ficaram em São Paulo.
Duas horas e meia até Bragança. Sol a todo vapor (essa expressão faz sentido?).
Já perto de Mirandela percebi que meus antebraços estavam vermelhos. Passei a dirigir tentando deixar os braços à sombra. Ainda bem que a Baixinha meteu em minha bagagem um protetor solar que vai me socorrer. Mas só depois de chegar em casa e abrir a mala.
Por falar em casa, estava por aqui tudo direitinho. Ou melhor, quase tudo.
A TV, a Internet e o telefone (que algum dia, pra provar que sou português, vou conseguir chamar de tulufone) não funcionavam.
Ocorre que contratei a MEO, da PT. E como isto aqui é a parte mais atrasada de Portugal, nada de fibra. Isso de fibra ainda é requinte de alfacinhas. Pra deixar tudo mais claro: a qualidade da Internet, cá em Bragança, talvez seja a pior de Portugal. E é equivalente (ou pouco superior) à melhor de que se dispõe no Brasil.
Como se percebe, nós, os brasileiros, temos toda a razão quando ridicularizamos a nós, os portugueses. Segue o jogo.
Ligo, então, à PT. Isto ainda na quarta-feira. Descobrem, sabe-se lá de que modo, que o problema é externo à minha morada. Por via das dúvidas (e nem Descartes conseguiu ter tantas dúvidas), fazem o agendamento (detesto essa palavra) de uma visita técnica para o caso de o problema persistir depois da intervenção na parte externa de minha residência: será na quinta, entre 14 e 18 horas. Isso significa que ficarei preso a meu apartamento durante toda a tarde de quinta-feira. Para quem passou um bom tempo (ou terá sido mau?) em uma cela de prisão, isso não deveria constituir nenhum drama. Acontece que vim até Bragança pra resolver uma porção de probleminhas. Uma tarde trancado em casa não era exatamente o que eu tinha pedido aos deuses. E, last but not least, eu tinha de 26 a 28 anos quando fiquei sob tranca no presídio Tiradentes. Agora, sou um ancião de 65 anos que não dispõe de muito tempo pra ver a banda passar.
Como todo mundo já adivinhou, o problema não foi resolvido e a visita não deu as caras. E nem satisfação.
Toca a ligar pro tal 16200 da PT, que - registe-se - é gratuito [alô pessoal do horário eleitoral da TV brasileira: é gratúito e não gratuíto] só pra quem liga de um telefone da PT. Mas justamente por eu estar a ligar por causa da falência múltipla de órgãos de meu sistema MEO, inclua-se aí o tulufone, tive de ligar do meu telemóvel TMN. E gastei, acreditem, DEZENAS de euros. É um tal de transferir a sua ligação (muito importante para nós) para outro lugar, que chego a pensar que a ideia era promover algum tipo de gincana, com prêmios ao final.
Que foi feito? Ora, claro!, agendou-se outra visita técnica para hoje, sexta-feira, entre 14 e 18 horas.
Penso que, afinal, a PT entende não ser justo eu ter ficado dois anos trancafiado no Brasil e - cá em Portugal - passar todo o tempo livre e solto. É preciso um certo equilíbrio.
Quase às 16 horas, recebo uma simpática ligação no telemóvel. Trata-se do visitante PT. Quer vir à minha residência. Fico à beira de sentir-me lisonjeado.
Logo muda de ideia. Diz que, se calhar (os portugueses adoram essa expressão), pode resolver o problema remotamente. Pena. Quase já havia aberto o vinho com que o receberia. Para respirar.
De facto, a TV e a Internet voltam ao meu convívio.
O tulufone é que insiste em não fazer ligações.
Meu quase futuro visitante diz que vai resolver também isso.
E desaparece de cena.
Ligo à PT, reporto o problema do tulufone e me dizem que vou ser contatado para as devidas providências.
Ainda bem que amanhã é sábado. Vou passear e deixar o tulufone pra segunda.
Que me encontrem no telemóvel.
A batalha continua na segunda-feira. Ainda de manhã, vou procurar um representante Zon.

sábado, 14 de agosto de 2010

O anti-herói de Salgueirais


Li sobre ele no Diário de Notícias de hoje.
Jorge, é o nome dele.
Foi detido pela segunda vez por conduzir com uma taxa de álcool acima do permitido.
Conduzir uma carroça atrelada por um burro, diga-se.
O que dele contam seus vizinhos de aldeia é que é digno de nota:
Tem 34 anos, não sabe ler nem escrever e de leis pouco percebe.
Jorge nasceu na Velosa, uma aldeia do outro lado da serra e foi viver para os Salgueirais com uma mulher mais velha que ficou viúva e tem uma pequena pensão.
O casal são uns pilha-galinhas. Deitam a mão a tudo quanto podem.
Chega a dizer um tal de Pedro Santos:
Uma ocasião vim a casa e vou dar com ele deitado na minha cama. Veio para roubar e adormeceu.
Outros ressaltam o tanto que sofrem os animais do casal:
Têm uma cadela que é pele e osso.
O burro leva cada enxerto de porrada que mete dó
.
Mas Jorge é homem de princípios rígidos:
Posso deixar de conduzir o burro, mas o vinho não deixo.

Íntegra aqui.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Da série Mordam-se de inveja


A Albufeira do Azibo, no nordeste trasmontano, que tem uma praia com o maior número de bandeiras azuis na Europa, fica a menos de 30 km de casa.

E isso porque moro longe do mar.

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Atualização: E, vai daí, até campeonato nacional de volei de praia vai haver lá neste final de semana.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Fragmentos de um discurso escatológico - 2


Em 1.968, recém formado em Engenharia, mas estudando para o vestibular de Filosofia, na USP, fui morar no centro do movimento estudantil daquela época: a R. Maria Antonia, em São Paulo. Ainda lá funcionava a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo.
Ao prestar vestibular, conheci o Eliandro, um rapaz que havia abandonado o ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), considerado uma das três melhores escolas de engenharia do país (as três eram: POLI-USP, onde me formei, o ITA e o IME - Instituto Militar de Engenharia, no Rio de Janeiro). Era um excelente aluno no ITA, o Eliandro, mas abandonara a escola por considerá-la uma fábrica de loucos. E, como eu, resolvera fazer Filosofia na USP. Procurava um lugar para morar. Claro, convidei-o a dividir comigo o apartamento que acabara de alugar. A família dele era de Vitória, no Espírito Santo.
Graças a ele, recebíamos, nos finais de semana, a visita de vários alunos do ITA. Alguns deles tinham um hábito digno de nota. Vamos a ele:

É preciso começar por lembrar que, naquela época, (quase) todo mundo fumava. Logo, (quase) todo mundo carregava consigo um isqueiro.
Não sei o que o pessoal comia lá no ITA. O fato é que a turma peidava com uma freqüência assustadora.
Para eliminar os terríveis odores resultantes da reiterada prática, usavam o isqueiro. Bastava o indivíduo querer peidar, sacava o isqueiro, colocava-o próximo ao próprio rabo, e - ao eliminar os gases - acionava o isqueiro.
Dois eram os resultados benéficos:
1. Eliminavam-se os maus odores;
2. Provocavam-se chamas de beleza às vezes surpreendente.

Caso você ainda guarde aquele velho isqueiro, experimente.

Fragmentos de um discurso escatológico


Não sou o Barthes, mas lanço meus fragmentos.

Quando você começar a sair com aquela pessoa, não espere demais: as soon as possible, coloque a questão:
- A gente pode peidar sem problema?
Talvez a pessoa fique um tanto desconcertada. Talvez até proteste pela sua falta de romantismo.
Deixe claro:
- Meu bem, se pergunto isso é porque pretendo uma relação duradoura. E - você há de convir - não há relação duradoura sem flatulência liberada.
Pronto. Ganhou a parada.
E nunca mais use flatulência. É peido, mesmo. Se quiser ser um tanto erudito(a), prefira peidorrada.
É vernáculo.
Ah! E nada de xixi, cocô, bumbum, pum etc etc (etc pode).
Isso é linguagem de criança. Você está iniciando uma relação adulta.
Portanto, mije, cague, peide. De preferência pela bunda. Ou, como dizem os portugueses, usuários da (pen)última flor do Lácio há muito mais tempo, pelo cu.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

De casamentos, educação e sangue de galinha


Hoje a Folha de S.Paulo traz várias matérias um tanto curiosas, como a que apresenta o resultado de pesquisa que demonstrou: a religião das pessoas (ou a ausência dela) não influencia a decisão pelo dissolução do casamento. Católicos, evangélicos, neo-pentecostais etc etc apresentam percentuais semelhantes de separações.
Isso no Brasil.
Aliás, ainda sobre o Brasil, há a estarrecedora constatação de que dos 135,8 milhões de eleitores, nada menos que 8 milhões são analfabetos e 19 milhões declararam saber ler e escrever mas nunca freqüentaram escolas. No total, 27 milhões.

Mas a matéria que mais atraiu minha atenção foi - de longe - a que noticia o fim do frango ao molho pardo nos restaurantes de São Paulo.

Tudo por que não se consegue facilmente o sangue de galinha para preparar o molho.

Bons tempos, aqueles em que minha mãe comprava a galinha na feira de terça, deixava a inocente solta no quintal até domingo. Aí, ao voltar da Escola Dominical para casa, para o almoço, minha cândida mamãezinha armava-se de uma faca afiada e de um prato fundo, ia pro quintal, segurava a vítima, esticava-lhe o pescoço um tanto, raspava as penas do dito cujo e - com ar banal - cortava o pescoço da protagonista do almoço, devagar.
Não fosse o sangue escapar do prato colocado logo ali embaixo.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Uma Eurocidade?


Na última vez em que estive em Bragança, assisti a um programa na TV Galícia a respeito das relações entre os povos fronteiriços nas regiões norte de Portugal e sul da Galícia. As inúmeras entrevistas apresentadas deixavam claro que o intercâmbio era saudável para ambos os lados da fronteira.
Vejo agora, no Diário de Trás-os-Montes, matéria a respeito do projeto de Eurocidade aproximando ainda mais Chaves de Verin.
Há algum tempo, estive em Chaves e visitei um quase parente que tem lá duas pastelarias. Ele me contou que os flavienses vão a Verin com muita freqüência e a propósito de um quase tudo.
Sobre Verin quase nada sei dizer. Lembro que nos idos de 2.000, quando fui à aldeia de Passos pela segunda vez, proveniente de Santiago de Compostela, ouvi de meu primo Alípio a pergunta:
- Viestes por Vrin?
Como não percebi que Vrin era o mesmo que Verin, respondi que não.
- Então por onde viestes?!
Sim. Havíamos chegado a Passos por Verin.
Pra quem não conhece a região, aí vão dois mapinhas:

Chaves e Verin situados na Península Ibérica
As duas cidades vistas mais de perto, e - claro - Passos e Bragança

Tomara a ideia frutifique.
Ao menos é o que desejo, eu, que vou morar a 15 km da Galícia.

sábado, 10 de julho de 2010

Ambiente do futebol brasileiro


Algumas pessoas ficaram chocadas ao saber que o goleiro Bruno conheceu Eliza Samudio em uma orgia. Mais: segundo ele, orgias são comuns no meio freqüentado por jogadores de futebol.

Ao dizer isso, Bruno apenas confirmou algo que muita gente sabe mas a imprensa prefere minimizar para não atrapalhar os negócios que o futebol proporciona.

Já lá em meados da década de 80, fui trabalhar no Banco Multiplic, na área de Sistemas. Um novo diretor de informática montara uma equipe nova e me contratou para fazer parte dela.

O pessoal dessa nova equipe incluía gente mineira, de Belzonte, alguns cariocas e muitos paulistas.

Como parte do processo de integração, resolvemos marcar uns jogos semanais de futebol society, logo após o expediente. Eu sempre fui um jogador medíocre mas dava conta do recado nessas peladas, desde os tempos de futebol de praia, em Santos.

Por isso mesmo, fiquei surpreso ao constatar a dificuldade de me sair bem no primeiro jogo com meus novos colegas de trabalho. Ao final da partida, como costuma acontecer nesses eventos, fomos todos tomar cerveja no bar do clube. Fiquei então sabendo que vários de meus colegas tinham passagem por grandes clubes de São Paulo e Rio de Janeiro. Todos na época do futebol juvenil. Um tinha jogado no São Paulo, dois outros no Flamengo. Isso explicava minha dificuldade durante o jogo. Estava diante de jogadores acima da média.

Todos contaram que tiveram propostas para profissionalização e - todos - não aceitaram e foram seguir suas vidas na área de informática.

Motivo alegado por todos: o ambiente no mundo do futebol é de banditismo puro.

Nesses mais de 25 anos, de lá para cá, claro que muita coisa mudou. Por exemplo, o surgimento, em grande número, dos Atletas de Cristo. Até onde sei, os jogadores evangélicos só se entregam a orgias espirituais.

Mas a baixaria continua a ser predominante.

O pior, a meu ver, é que esse ambiente podre fornece à juventude brasileira os seus ídolos.

Bola pra frente.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Melhor momento da Copa


Pra mim, o melhor momento dessa Copa foi protagonizado pelo técnico da Alemanha.
Sob a mira das câmeras, ele enfiou o dedo no nariz, cavucou bem, retirou um fragmento, enrolou-o com os dedos e... engoliu a bolinha resultante.
Como diria minha caçula:
- Eca!
Isso diz (quase) tudo sobre esse mundo do futebol.
O quase vai por conta do que ocorre cá no Brasil em torno do goleiro do Flamengo.
Até quando os heróis da humanidade serão esses seres que pensam com os pés?

sábado, 3 de julho de 2010

Ainda sobre a Copa


Minha relação com a propaganda foi sempre conflituosa. Ainda criança, lá pelos nove ou dez anos talvez, perguntei a minha mãe por que a mercearia da esquina (Mercearia Carioca, esquina de Oswaldo Cruz com Epitácio Pessoa, em Santos) só vendia manteiga de 1ª qualidade.
Naquele tempo (não sei se ainda é assim) todas as embalagens de manteiga vinham com essa inscrição: Manteiga de Primeira Qualidade. E eu, ainda engatinhando nos mistérios do marketing, achava que se tratava de uma classificação.

Depois de alguns aninhos, cheguei à óbvia conclusão: a propaganda é a arte de embelezar a mentira.



Durante esta Copa, as TVs e as rádios foram inundadas por mensagens dos patrocinadores do Brasil. Ou melhor, dos patrocinadores da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Sim, porque essa reunião de jogadores para disputar esse torneio chamado Copa do Mundo não é a seleção brasileira. É a seleção da CBF.
E a CBF é aquele bicho híbrido, que sempre ao ser questionado por malversação de recursos alega tratar-se de entidade de direito privado que não deve satisfações a ninguém. E, quando resolve disputar qualquer torneio, passa a ser a representante da pátria.
Mas voltemos à vaca fria.
Tivemos de engolir, durante quase um mês, exaltações ao espírito guerreiro do brasileiro que bebe Brahma ou Coca-Cola.
Nos comerciais dessas empresas, o Brasil era invencível, insuperável etc etc.

Pois bem. Mal terminou o jogo com a Holanda e surgiram comerciais, tanto da Brahma quanto da Coca-Cola, lamentando a derrota.

Estavam já gravados com antecedência.

Afinal, patriotismo é mercadoria a ser vendida aos trouxas.
Brahma e Coca-Cola - assim como todos os outros patrocinadores da CBF - querem mais é levar a turma no bico e faturar.

São todos manteiga de 1ª qualidade.

Atualização: Pouco depois de publicar este post, li no Kibe Loco que o caderno Copa, da Folha de S.Paulo, de 29/06/2010, dia seguinte ao da vitória do Brasil sobre o Chile, publicou - por engano - a versão-em-caso-de-derrota do anúncio do Extra, outro patrocinador da CBF.
Fui conferir. Foi isso mesmo. Olha aí:

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Curiosidade


Eu só queria saber o que foi que o tal de Dunga falou para os jogadores do Brasil durante o intervalo do jogo.

O que se viu foi o time brasileiro dominando o jogo no primeiro tempo, tendo quase decidido tudo já nesse início. E, depois, ao voltar para o segundo tempo, mostrar-se um time nervoso, histérico mesmo, e sucumbir diante da inteligência do adversário.

Só recomendo aos diretores de empresas que pensem duas ou três vezes antes de contratar o Dunga para palestras motivacionais com seus empregados.

Ao menos vamos mudar de assunto, tanto aqui no Brasil quanto em Portugal.

Até que enfim.

domingo, 27 de junho de 2010

O prato frio da vingança


Em 1.966 a Copa do Mundo de futebol foi na Inglaterra. O Brasil teve uma participação pífia e foi eliminado pelo time português de Eusébio. Eu, aos 21 anos, ainda ficava chateado com essas coisas.
Na final, Alemanha e Inglaterra disputaram o primeiro lugar de modo muito equilibrado. Por fim, a Inglaterra mandou uma bola no travessão do gol alemão, a bola caprichosamente bateu no travessão, bateu no chão - em cima da linha do gol (o que, pelas regras do futebol, não configura gol) - e o juiz deu gol para a Inglaterra. Com isso a Inglaterra foi campeã.
Hoje, 44 aninhos depois, a Inglaterra foi eliminada da Copa pela Alemanha, depois de ter empatado o jogo ao final do primeiro tempo com um chute no travessão do gol alemão. A bola caprichosamente bateu no travessão, bateu no chão - 33 cm após a linha do gol - e o juiz não deu o gol para a Inglaterra. Com isso a Inglaterra foi eliminada da Copa.
Se eu ainda tivesse 21 anos, talvez passasse a acreditar em algum tipo de justiça cósmica.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Par ou ímpar


Quase todo mundo já sabe que a equipe da Costa do Marfim precisa golear a Coreia do Norte e esperar que Portugal perca para o Brasil para poder continuar na Copa.
Mas há algumas situações que trarão a necessidade de decidir qual dos dois - Portugal ou Costa do Marfim - continua na Copa por meio de sorteio.
Basta, por exemplo, que o Brasil vença Portugal por 3 a zero e que a Costa do Marfim consiga passar pela Coreia do Norte por 6 a zero.
Pronto. Tudo terá de ser decidido no par ou ímpar.