Em 1.974, fiz uma aposta com um colega de trabalho: Ele garantia que o mundo iria acabar em 20 anos. Quanto a mim, já era de opinião que o mundo acaba quando eu morrer. E, naquela época, não planejava morrer nos 20 anos seguintes. Aliás, continuo assim. Quando chegamos a 1.994 pensei em procurar o antigo colega mas não consegui reunir entusiasmo suficiente para isso. Esse colega era (ou é, sei lá) estudioso de textos apocalípticos. Pertencia a uma denominação evangélica com nome pouco expressivo (Igreja Cristã ou algo assim), bem ao contrário das seitas neopentecostais dos dias de hoje: Igreja Universal, Igreja Mundial, Igreja Planetária, Igreja da Via Láctea etc etc.
Lembrei-me dele a propósito desse vulcão da Islândia que já começa por situar-se em geleira com nome impronunciável. Fui ao Apocalipse e encontrei: Apocalipse 9:2 – E abriu o poço do abismo, e subiu fumaça do poço, como a fumaça de uma grande fornalha; e com a fumaça do poço escureceram-se o sol e o ar.
Bingo!
Não sei (na verdade, não tive paciência para me informar) a quantos anos do final dos tempos está essa fumaça. Mas, no versículo seguinte pode-se ler: Apocalipse 9:3 – Da fumaça saíram gafanhotos sobre a terra; e foi-lhes dado poder, como o que têm os escorpiões da terra.
É fácil imaginar a quantidade quase infinita de interpretações as mais malucas pra essa história dos gafanhotos. Afinal, a turma da Teologia anda meio sem ter o que fazer já faz um bom tempo.
Gostei mais desta, veja só: Outros pensam tratar-se de algum papa ou bispo, ou mesmo de algum concílio eclesiástico que contribuiu para “obscurecer as doutrinas cristãs” ou “distorcer as escrituras” [Russel Norman Champlin in O Novo Testamento Interpretado, vol 6]
Considerando a seqüência de besteiras que o Vaticano vem perpetrando, acho que os que bolaram essa interpretação acertaram na mosca.
Uma sugestão para quando você - que (sobre)vive em São Paulo - estiver parado em congestionamento em uma das Marginais: fotografe capivaras. Ajuda a passar o tempo.
No Brasil é assim: a placa avisa que ônibus e caminhões não podem fazer retorno nesse local. O ônibus faz e pronto. Fica tudo por isso mesmo. E se alguém resolver advertir o motorista do ônibus corre o risco de levar um tiro.
Em relação a Portugal, não posso ainda afirmar que esteja a progredir em meus conhecimentos. Estou, isto sim, na fase de tomada de consciência de minha ignorância, o que é um bocadinho diferente. Minha última descoberta vem a propósito das comemorações do centenário da República: a existência do Soldado Milhões.
Gostei imenso de saber que o nome dele era, na verdade, Aníbal Augusto Milhais. Mas a saudação que lhe teria feito um comandante português ampliou a série de trocadilhos patrióticos. Teria dito o emocionado comandante:
Só não percebi se foi o Milhões que salvou das águas o tal médico escocês ou se foi o contrário. O relato da Novopress afirma: Quatro dias depois da batalha, encontrou um médico escocês que o salvou de morrer afogado num pântano. Já a Wikipédia inverte: Quatro dias depois do início da batalha, encontrou um médico escocês, salvando-o de morrer afogado num pântano.
Quanto a mim, prefiro a primeira versão por uma razão muito simples: empatia. Explico: eu – tal qual o soldado Milhões - costumo ser salvo das águas por um escocês de, no mínimo, 12 anos. On the rocks.
Dia desses, um empresário que conheço me disse que iria participar de um seminário sobre temas de sua área de atuação. Local do encontro: Cidade do Cabo, África do Sul.
Disse mais: que foi aconselhado a não sair nunca do hotel em que ficaria hospedado e onde se daria o evento. Isso graças ao hábito dos assaltantes da Cidade do Cabo de estuprar suas vítimas, além de aliviá-las de seus pertences. Passou então pela minha cabeça a ideia de que o nome da cidade poderia resultar de um trocadilho infame, caso a língua nativa fosse o português.
Depois de seu retorno, contou-me: Certo dia, por ter se prolongado até o meio da tarde a reunião da manhã, resolveu – junto com outros participantes do seminário – sair do hotel para comer alguma coisa nas proximidades. Por estarem em grupo, nada de anormal (para eles) aconteceu. Quando regressavam ao hotel, em torno das seis da tarde, notaram que todas as lojas já estavam fechadas e com barricadas em frente a elas.
Agora que já contei, podem ir assistir à Copa do Mundo sossegadinhos. Boa sorte.
Li, ontem, que o ex-cirurgião plástico Farah foi solto menos de dois anos depois de ter sido condenado a 13 anos de prisão pelo assassinato e esquartejamento da amante. Eu disse es-quar-te-ja-men-to. Não sei se ele realmente fez isso ou não. Sei que ele foi condenado por isso. Por que só menos de dois anos de prisão? Diga-se que esse tempo é grande. Sei disso por ter passado tempo semelhante na cadeia. Não é fácil. Mas se a justiça estipula 13 anos, por que soltar o cidadão com menos de 15% de cumprimento da pena? E o caso do cidadão solto em Goiás, que logo em seguida violentou e matou seis jovens? É notório que a avassaladora maioria da população brasileira é radicalmente contrária a esse sistemático abrandamento das penas. Ao contrário, o povo clama por penas mais pesadas para a maioria dos crimes. Mas há um incrível lobby que impede que essa vontade da maioria se torne eficaz. Que lobby é esse? Quais os interesses que lhe dão força? Para mim, mistério.
A tragédia do Morro do Bumba, Niterói, na qual – dizem – morreram mais de 200 pessoas, resultou de conluio entre população e autoridades. Em 2.004 já especialistas alertavam para o problema: as casas estavam sendo construídas sobre um lixão. Na época, parece que eram apenas 14 casas. Teria sido mais fácil removê-las de lá. Mas, se algum político resolvesse promover essa desocupação, seria contestado por movimentos sociais e perderia votos. Por isso, a situação foi se agravando. Até explodir. Literalmente.
A grande visibilidade que essa tragédia obteve é resultado de ter ocorrido de repente. De uma vez só. Em São Paulo, a negligência das autoridades diante da proliferação de motoboys provoca muito mais mortes. Mas, como a coisa se dá ao longo do tempo – e não numa tacada só – a população se acostuma e se acomoda. Morrem quase 400 motoqueiros todo ano no trânsito de São Paulo. São dois morros do Bumba todo ano. Morrem por que não respeitam leis de trânsito, trabalham pressionados pelos prazos de entregas de encomendas, não têm formação adequada para conduzir as motos etc etc. Mas, a essa altura, já são um enorme contingente de eleitores. Os políticos, ao invés de acabar com esse absurdo, freqüentam o sindicato dos motoboys em vésperas de eleições e fazem de conta que se trata de categoria profissional normalíssima.
As leis, para os brasileiros, servem às vezes. Se a legislação não nos atrapalha, somos legalistas.
E as tragédias vão continuar. Como na anedota do escorpião, é da nossa natureza.
Estava eu aqui, trabalhando, quando meu celular acusa o recebimento de um torpedo. Constato que o torpedo vem de um telefone de Rondônia (55 69 84640139). E diz:
REDE RECORD INF> PARABENS VOCE GANHOU UM CITROEN C 4 PALLAS + 5 MIL REAIS. SUPER LEILAO 2010. INF>LIGUE GRATIS DO SEU TEL FIXO/ 0 31 85 9644 9563 .SENHA. (6886).
O telefone para o qual ele sugere que eu ligue é de Fortaleza ou de alguma outra cidade do Ceará. É o que dá preso não ter o que fazer.
Sergio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, mostrou - com o Samba do Crioulo Doido - até onde pode chegar a loucura provocada pelo excesso de informação engolida sem critério. Por referir-se ao Brasil, situou seu personagem no carnaval carioca, resumo do país.
Já Portugal, que tem no catolicismo um de seus pilares, situa sua loucura na religião. Uma socióloga do Porto fez pesquisa e concluiu que um quarto dos portugueses não crê na vida eterna. Até aí, um ateu como eu poderia ficar feliz: muita gente em Portugal está a abrir os olhos. Ledo engano. Desse um quarto, 10% são de católicos que vão com freqüência à missa. Ou seja, comem a embalagem e jogam o doce fora. Chamei a isso, por analogia, Fado do Saloio Ensandecido.
Ontem foi um dia triste. Para mim e para muitos parentes meus. Morreu meu primo Artur, aos 72 anos. Primo por afinidade, diga-se. Na verdade, primo de meus primos. Português, da Zona da Lomba, Vinhais, Bragança, vivia há muitos anos em São Paulo. Como típico lusitano, tinha padaria. No Ipiranga. De vez em quando, convidava-me para uma caldeirada com fado. Compareci a uma delas. Durante o velório conversei com sua esposa, Maria. Contou-me que Artur arrumou-se, de manhã, para ir à padaria. Nessa altura ela já saíra às compras de mantimentos. Ele, quase ao sair, sentiu-se mal. Telefonou a um dos filhos, que mora perto. Disse que não estava bem. O filho foi apressado à casa do pai. Ao lá chegar já o encontrou estendido no chão, com o cão a protegê-lo. Faleceu pouco depois, apesar dos cuidados de bombeiros e policiais que acorreram a sua casa.
Maria contou-me que poucos dias antes Artur fizera seu check up anual. Nas vésperas, levara o resultado tranqüilizador ao médico. Tudo corria no melhor dos mundos.
Vinicius de Moraes que me perdoe a paródia. É que hoje vivenciei algo, para mim, enigmático. Uma tia minha, sem filhos, solteira, começou - há uns poucos anos - a apresentar sinais de demência. Um primo meu, também sobrinho dela, foi com ela e comigo a um cartório para que ela nos outorgasse uma procuração para cuidarmos dos bens dela. Não nos demos conta, na ocasião, de que a procuração nos foi dada para agirmos em conjunto. Dia desses, meu primo foi ao banco para acertar a senha da conta bancária de nossa tia e foi alertado para o detalhe: era preciso que nós dois fôssemos juntos ao banco para podermos alterar a senha. Ele, então, me pediu que eu fizesse uma procuração para que ele pudesse me representar nos atos referentes a nossa tia. Fui a um cartório hoje de manhã, expliquei a situação e fui informado de que não era possível fazer a tal procuração. - Minha senhora, disse eu, tentando ser o mais educado possível, se minha mulher e eu quisermos vender um imóvel, os dois têm de assinar a escritura, não é verdade? Se eu quiser, posso passar uma procuração para minha mulher e ela poderá passar a escritura assinando por ambos, perfeito? A atendente concordou. - Então, continuei, se meu primo e eu temos de praticar juntos qualquer ato referente a nossa tia, não posso passar uma procuração para que meu primo assine por ambos? Não é a mesma situação do exemplo que dei antes? E ela, impassível: - Não. É completamente diferente. Não satisfeita, a atendente ainda acrescentou: - O senhor e seu primo podem subestabelecer para uma terceira pessoa. E eu: - Quer dizer que podemos atribuir a qualquer um o direito de representar nossa tia. Mas esse qualquer um não pode ser meu primo. - Isso mesmo, ela concordou.
Saí do cartório pensando em meu antigo mestre, Newton da Costa. Tantos anos queimando pestanas pra desenvolver sua Teoria das Lógicas Inconsistentes. Bastaria visitar um cartório e bater um papinho com algum solícito atendente.
Liga-se a TV e lá estão os valentes Pajeros saltando sobre dunas imensas, em uma paisagem desértica. Aí o sujeito se empolga, compra um e cai naquilo: vai cedo para o trabalho, gastando mais de uma hora nas marginais Tietê ou Pinheiros a estonteantes velocidades inferiores a 30 km/hora. Final do dia muda o sentido dessa total falta de sentido. É a volta pra casa ouvindo a rádio que explica detalhadamente porque ele está parado há tempos no trânsito infernal de São Paulo.
Há pouco tempo, passei a implicar com esse tal de Tucson, da Hyundai. Tudo porque apertei o botão errado do controle do portão da garagem de meu prédio e consegui dar um peteleco no Tucson de um vizinho que saía. Isso me fez gastar uma nota alta pra pagar o conserto. Diante do chilique que meu vizinho aprontou, resolvi investigar um pouquinho o tal Tucson.
Resultado:
Hoje mesmo, se você abrir a Folha de S.Paulo vai encontrar páginas e mais páginas de propaganda desse trambolho (aliás, não só hoje: todo santo dia).
Veja só o que afirma a tal propaganda:
Como você talvez não consiga ler as letrinhas miúdas, transcrevo: O Tucson foi eleito o melhor SUV compacto entre todos os modelos de todas as marcas, no seu lançamento nos EUA, nos estudos de Qualidade Inicial (Initial Quality Study - IQS) realizados pelo J.D.Power, a maior autoridade mundial em pesquisas de satisfação do consumidor.
A J.D.Power, que o anúncio afirma ser a maior autoridade mundial em pesquisas etc e tal, pode ter chegado a essa conclusão na época do lançamento do Tucson nos EUA, mas hoje, se você for ao site da J.D.Power vai encontrar o seguinte:
Quanto ao tal de IQS:
Repare que eu classifiquei os veículos pela coluna de resultado global, em ordem CRESCENTE. Ou seja, o Tucson é o PIOR.
Quanto a um aspecto que eles chamam de Dependability (se você quiser saber do que se trata, clique na figura e pesquise no site. Eles explicam.):
Aqui o Tucson se saiu melhor: ficou em terceiro lugar (aqui, a classificação está em ordem DECRESCENTE).
Finalmente, o item APEAL (Automotive Performance Execution and Layout):
Neste quesito, o Tucson voltou ao último lugar.
Me parece que esses são os três itens de avaliação por categoria de automóvel. Se você quiser, visite o site clicando na figura abaixo:
Diga-se: não entendo bulhufas de automóvel, marcas, modelos, coisas assim. Mas costumo sentir o cheiro de engodo quando tentam me enganar. Mais: acho divertido apreciar a classe média paulistana correndo ao crediário para subir nos tais SUV asiáticos e gastar horas nos engarrafamentos de trânsito, sonhando com paisagens inóspitas do Saara.
Como todos os bairros de São Paulo, o meu também tem vários jornaizinhos e revistinhas de propagandas dos estabelecimentos comerciais da região. Hoje, recebi um deles. Dois anúncios chamaram minha atenção: Um implora que você matricule seus filhos na escolinha de inglês:
Até aí, vá lá. Afinal, com três anos uma criança não tem obrigação de saber como se escreve Universidade. Mas um outro quer me queimar vivo:
Lula compara dissidentes cubanos a bandidos paulistas. Glauco, o cartunista, é assassinado e a gente passa a saber que ele era bispo de uma religião centrada no tal de Santo Daime. E, parece, um pouquinho de maconha. O novo presidente toma posse no Chile e a terra não pára de tremer. Em Pernambuco, também agora se sabe, treme sempre. Até na minha pacata Bragança, Portugal, bateu – noite dessas – um vento de uns 140 km/h. Em meio a tudo isso, 2.010 é – para mim – o último ano de trabalho no Brasil. É verdade que comecei a trabalhar aos 15 anos. Certo que foi só um aluno particular de matemática que me forneceu meus primeiros trocados. Trabalhar, trabalhar, mesmo, só a partir dos dezoito. Daí pra frente não parei mais. Quase cinqüenta anos. Mas, pra contar tempo para aposentadoria, ainda preciso de mais um ano pra chegar aos trinta e cinco. Foram vários anos de trabalho sem qualquer registro. Uma carteira profissional furtada, sem que eu conseguisse recuperar todos os registros contidos nela. Além disso, houve o tempo de prisão e o tempo imediatamente posterior. Quando fui preso, era contratado pelo Instituto de Matemática e Estatística da USP (IME). Voltei a dar aulas no IME quando saí do presídio Tiradentes. Fiquei lá um ano e meio sem que ninguém se aventurasse a solicitar à Reitoria um novo contrato para mim. Claro, quem fizesse isso ficaria imediatamente queimado. Pelo crime de pedir recontratação de ex-preso político, ainda com os direitos políticos cassados por 10 anos. Quando pedi contagem de tempo para aposentadoria na USP, me reconheceram o tempo decorrido desde o início de meu contrato até minha prisão. Entrei com pedido, na Reitoria, para que contassem o restante do tempo. Comprovei tudo direitinho. Disseram-me que reconheceriam o tempo em que estive preso até o final de meu contrato. Quanto ao resto, deveria solicitar à tal Comissão de Anistia. Ou seja, reconheceram que – por ter sido preso (melhor seria dizer: seqüestrado) – era justo contar o tempo em que estive preso. Bem. Só que apenas até o final de agosto de 1.972, quando venceu meu contrato. O fato de ter ficado preso até início de 1.973 já não é problema deles. Talvez pensem que fiquei preso por gosto. Sei lá. E depois de sair da prisão? Dei aulas, fiz cursos de pós-graduação, passei no exame de qualificação para o mestrado, trabalhei na dissertação de mestrado. Mas, como ninguém teve coragem de sequer pedir minha recontratação (disseram que eu ficasse vivendo de bolsa do CNPq até que viesse a anistia), a Reitoria entende que não tenho direito a nada. Ou melhor, resta-me o direito de solicitar o reconhecimento desse período à Comissão de Anistia. Fiz isso há mais de 2 anos. Meu processo continua parado no protocolo da Comissão. Se a tal Comissão reconhecesse o ano e meio em que trabalhei sem registro (além dos últimos meses de prisão) eu já estaria aposentado. Como já perdi a esperança de que algo aconteça saído dessa Comissão, vou aguardar o início de março de 2.011 para ir embora desse arremedo de país.
Dia desses pensei: não faz sentido ficar angustiado, à espera de que chegue março do ano que vem. Melhor é curtir este ano de trabalho pois será o último. Imagino que, uma vez aposentado, bata vez em quando uma saudadezinha do tempo em que trabalhava. Afinal, foi o que fiz quase a vida toda. Aí, poderei lembrar deste último ano e curtir meus mixed feelings: que bom estar aposentado/que bom ter trabalhado.
Eis senão quando, do nada, nossa cadelinha, ela, a Doga, aparece arrastando as patas traseiras sem poder andar. Diagnóstico: hérnia de disco. Depois de alguns dias tristes, com o espectro de ter de sacrificá-la a rondar nossas cabeças, hoje uma especialista garantiu que ela volta a andar em poucos dias. Começou a fazer acupuntura e parece já demonstrar sinais tênues de recuperação.
Pode parecer incrível, mas – diante disso – tudo mais virou pano de fundo.
Pra recuperar um pouco da alegria da Doga em movimento, lá vai mais um filminho dela a brincar na neve de Bragança:
Como tudo no Brasil anda muito chato, sugiro uma leitura divertida: O blogueiro de Veja, Reinaldo Azevedo, e Janer Cristaldo, parece que blogueiro sem Veja, terçam lanças por Dulcinéia. Janer chama Reinaldo de “recórter tucanopapista hidrófobo”. Reinaldo devolve a bola com “a Criada Juliana, a louca barbuda que tem delírios eróticos comigo”. Ambos garantem não dar a mínima bola para o outro, mas a baba que escorre dos posts os contraria. Só pra começar, leia isto, isto e isto.
Mas há mais. É só procurar.
A menos que você seja aquele sujeito positivo da frase: Enquanto Dom Quixote terçava lanças por Dulcinéia, esta esquentava a cama com um cavaleiro menos andante e mais positivo.
De uns tempos pra cá, a subprefeita da Lapa, em São Paulo, Soninha Francine, começou a se deixar fotografar nua – ou quase – por algumas revistas. A imprensa passou, então, a cobrir o assunto (eta expressãozinha chegada a um trocadilho), sempre roçando muito de leve a questão central.
Dois exemplos:
Na coluna de Mônica Bergamo, ontem, na Folha, lê-se a certa altura da entrevista com Soninha justamente a propósito das tais fotos:
FOLHA: O prefeito Gilberto Kassab soube dessa foto? SONINHA: Ah, não, não. Nem me ocorreu [conversar com ele sobre isso] O prefeito é meu chefe na subprefeitura, não no que mais eu faça por aí. FOLHA: E o governador José Serra, que é seu grande conselheiro? Você o consultou? Ele viu as fotos? SONINHA: Ah, também não. Eu consulto os amigos várias vezes quando eu tenho dúvida. Tipo: “O que você acha que eu faço?”. [Desta vez] Eu não tinha dúvidas, não consultei ninguém
(a entrevista completa aqui, para assinantes Folha ou UOL)
Na edição de 5 de março de 2.010 de seu site na Internet, Giba Um dá a seguinte nota:
Provocação Como a subprefeita da Lapa, em São Paulo, Soninha Francine, vai aparecer seminua na seção Mulheres que Amamos, na próxima Playboy e já disse que, se for para tirar tudo, preferiria a revista Trip, onde as fotos seriam “mais artísticas”, a publicação já está acertando com ela o ensaio, com direito a uma entrevista. Aos mais íntimos, contudo, Soninha confessa: “Ele deve estar se roendo de ciúmes”. Em toda essa novela de nudez, está incluída uma legitima vendetta feminina para provocar um romance secreto.
Junte uma nota à outra e você perceberá do que todos (não) estão falando.