sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Uma dica (talvez) útil


Sempre me vali de legendas nas fotos que coloco aqui no Bazar. Coisas como mostrado abaixo:

Olha a legenda aqui também
Você coloca o mouse/(rato) sobre a foto e pronto: aparece a legenda por alguns instantes.
No meu desktop começou a acontecer que as legendas não apareciam. E isso só ocorria em meu blog. Se visitava outro blog lá estavam as legendas nas fotos.
Abri meu blog em outros computadores e, neles, as legendas reapareciam.

Terminei por descobrir, depois de alguma procura, que tudo pode ser resolvido com um clique.
Acontece que meu desktop está com o Internet Explorer 8 (IE8). Nele, há um botão justamente para adequar aos padrões do IE8 páginas construídas em versões anteriores:

CLIQUE PARA AMPLIAR
Foi só clicar nele e as legendas voltaram a aparecer.

Portanto, se você usa o IE8 (para verificar qual sua versão do Internet Explorer, clique em Ajuda (Help), lá em cima, na barra de menus, e em Sobre o Internet Explorer (about Internet Explorer)) e não vê legendas quando pára o mouse/(rato) sobre fotos, clique naquele botão lá do alto, indicado na figura acima.

É outono. Portanto...


Época de castanhas e de níscaros, na minha terra.

ao clicar, chega à origem da foto
ao clicar, chega à origem da foto

ATUALIZAÇÃO (26/10/2009): Como alguns amigos lembraram a forma "míscaros", registro (ou registo, como se usa em Portugal) que ambas são possíveis.

domingo, 18 de outubro de 2009

Cosmogonias


Em La Creación y P.H.Gosse (Otras inquisiciones, pág. 37, Emecé Editores, 1ª edição, 1.960), Jorge Luis Borges discorre sobre a relação entre Criação e o problema do tempo.
Não vou, é claro, reproduzir aqui o texto de Borges.
É preciso, e delicioso, lê-lo.
Borges começa pela aparentemente desimportante questão de se Adão tinha umbigo para enveredar pela causalidade temporal e sua incompatibilidade com a idéia de Criação.
Incompatibilidade que não existe, ao menos na visão de Gosse.
Gosse aceita que o estado do universo em um determinado instante é conseqüência de seu estado em um instante imediatamente anterior.
Assim, ao estado f sucede o estado g, a este sucede o estado h etc etc. Mas antes do, digamos, estado r, uma catástrofe divina pode aniquilar o planeta.
Como diz Borges:
O futuro é inevitável, preciso, mas pode não acontecer.
Da mesma forma, esse tempo causal, infinito para diante e para trás, pode ter sido interrompido em algum ponto no passado pelo evento da Criação.
Mais uma vez Borges (explicando Gosse):
O primeiro instante do tempo coincide com o instante da Criação, como dita Santo Agostinho, mas esse instante comporta não só um infinito futuro mas também um infinito passado. Um passado hipotético, é claro, mas minucioso e fatal. Surge Adão e seus dentes e esqueleto contam 33 anos; surge Adão e ostenta um umbigo, ainda que nenhum cordão umbilical o tenha atado a uma mãe.

Ao final do texto, Borges menciona, ainda, a versão moderna dessas idéias de Gosse, versão proveniente da imaginação de Bertrand Russell:
O planeta foi criado há poucos minutos, provido de uma humanidade que “recorda” um passado ilusório.

Quanto a mim, sempre me intrigou a aparente contradição entre um deus onipotente, onisciente, onipresente, e um deus que zela por minhas dores de cabeça ou me ajuda a marcar um gol em uma partida de futebol entre solteiros e casados.

Talvez da aflição oriunda dessa antinomia, surgiu minha versão da Criação:

Na Cidade dos Deuses, em uma casa assobradada de um bairro da periferia, no amplo quintal dotado de algumas árvores frutíferas, um pé de girassol e algumas galinhas à procura de minhocas, dois deusezinhos brincam a brincadeira predileta da maioria da gurizada da cidade: a criação de mundos.

E bolam um mundo cheio de galáxias. Chegam a detalhar uma Via Láctea, com miríades de estrelas, entre elas um insignificante Sol.
Num dos planetas do Sistema Solar, a Terra, instalam fauna, flora e coroam tudo isso com o Ser Humano.
Quando a brincadeira está a atingir seu ponto melhor, a mãe grita lá do interior da casa:
- Crianças, venham lavar as mãos! O almoço está na mesa.
Os dois deusezinhos largam tudo e correm a matar a fome.
E lá ficamos nós, à mercê das intempéries.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Evolução


Quando eu fazia o Ginásio, o livro de Geografia que quase todo colégio adotava era o do Haroldo de Azevedo.
Por ser filho temporão, recebi como herança um livro que havia sido usado por minhas irmãs vários anos antes (hoje em dia elas são mais novas do que eu, mas isso é outra história).
Nele, havia um capítulo sobre a curvatura da Terra.
Além disso, acabei por ter acesso a edição mais recente do mesmo livro.
Continuava lá o capítulo sobre as provas da redondeza da Terra.

Sim.

No meu tempo de escola, era preciso provar que a Terra era redonda.

Na edição que herdei das irmãs, havia uma foto tirada do interior de um avião e que mostrava o horizonte. Por sobre a foto, traçaram uma linha reta para mostrar que ela não coincidia com a linha do horizonte, que – portanto – era curva.

Já na edição mais contemporânea de minha época ginasial, a foto apresentada era a tirada de um satelitezinho afastado da Terra o suficiente para dispensar a linha reta sobre a foto. A curvatura era mais evidente.

Vocês podem não acreditar, mas não conheci Pedro Álvares Cabral pessoalmente.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Caprichos da natureza
ou
Se inveja matasse


Faz onze aninhos que moramos no mesmo apartamento. Nele, ao longo das janelas da sala, há uma jardineira.
Já tentámos de tudo. Não tem jeito. É praga atrás de praga. De vez em quando nascem umas florzinhas muito mixurucas e olhe lá.
De repente, do nada, um vizinho do prédio em frente enche a jardineira do apartamento dele de flores e as pragas nem-te-ligo.
Olha só:

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O jeito é pensar como a Baixinha:
- Melhor assim. As flores na jardineira dele a gente vê melhor do que se estivessem na nossa.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O vídeo de Maitê Proença



Um brasileiro ridicularizando Portugal nem deveria ser notícia. Trata-se de um dos esportes favoritos dos brasileiros.
Sabe-se que é freqüente um povo colonizado gostar de ridicularizar o colonizador.

No caso, a surpresa parece ter sido apenas dos portugueses.

Os portugueses têm o hábito de endeusar tudo que chega do Brasil. Como brasileiro que vai morar em Portugal, isso me favorece. Mas na qualidade de português que conhece razoavelmente o Brasil, isso me deixa irritado. Essa adoração por tudo que é brasileiro só pode ser ignorância ou masoquismo.
Dizer que se trata de amor por um filho é de um reducionismo insustentável.

Então, fiquemos assim: que os portugueses tratem bem os brasileiros que lá vão, tudo bem. Mas nunca esquecendo que, no Brasil, quando alguém fala que vai morar em Portugal, é obrigado a ouvir:
- Mas lá naquele fim de mundo?!

É que o centro do mundo, para grande parte dos brasileiros, é o próprio umbigo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Fim de feira


E o pastel de vento ganhou o Nobel da Paz.

Em matéria de estadistas, o mundo parece viver clima de fim de feira. Só tem tomate amassado, tangerina seca e muita mosca na barraca de peixe.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Gato escaldado...


Dia desses, um amigo de colega meu guiava seu carro ali na Av. Cidade Jardim, em São Paulo, quando um outro automóvel (acho que um Audi) deu-lhe uma leve batida na traseira.
O cidadão desceu e foi reclamar com o motorista do carro "agressor". Eis senão quando, tratava-se de ninguém mais nem menos que Ronaldo, o Fenômeno.
O dito cujo não discutiu. Sentou em seu carro, preencheu um cheque e entregou-o ao amigo de meu colega:
- Isso é suficiente?
Sim. Era suficiente.
Tratava-se de um cheque de trinta mil reais.
O abalroado agradeceu e foi embora.

Ronaldo deve ter pensado:
Se eu tivesse feito isso com aqueles travestis, não teria dado aquela confusão toda.

Parece que aprendeu. Só não precisava exagerar.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Um dia como outro qualquer


Hoje, logo ao acordar, soube da morte de um amigo meu.
A Folha até publicou um resumo biográfico dele.
Tá certo que eu não o via há uns 15 anos. Mas, pra mim, freqüência de encontros nunca determinou grau de amizade.
Fosse assim e meu melhor amigo seria o porteiro do prédio em que moro.

Na hora do almoço vi, na TV, imagens do quebra-quebra de trens no Rio.
Lembrei que os operários, nos tempos iniciais do capitalismo, quebravam as máquinas para protestar contra a exploração de que eram vítimas.
Quando será que os brasileiros sairão do século XVIII?

Tomei um cafezinho e voltei ao trabalho.
Afinal, a única coisa que costumo quebrar é a rotina.

sábado, 3 de outubro de 2009

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Novidade antiga


Pra mim, novidade. Nunca ouvi falar da existência de letra na introdução do Hino Nacional Brasileiro.
Recebi esse vídeo por e-mail. Ele está no You Tube. Basta pesquisar lá por "introdução HNB".
Mais interessante, ao menos pra mim: quem me mandou o e-mail foi antigo membro da Primeira Igreja Batista de Santos que informa: a senhora do vídeo é a sra. Ana Baraçal, também membro da PIBS no meu tempo de criança. Eu a conheci. Agora, não a reconheço.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Profecias


Há pouco mais de dois meses a Folha publicou essas previsões:

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(a íntegra aqui, para assinantes UOL ou Folha)

Agora, segundo a Organização Mundial de Saúde, o quadro é o que segue:

CLIQUE PARA LER A ÍNTEGRA
É certo que a matéria de dois meses atrás fazia ressalvas.
É certo que os dados da OMS são considerados subestimados.

Mas de menos de 150.000 nas Américas para mais de 35 milhões no Brasil, a distância não é desprezível.

Na imprensa, nem uma linha sobre, que eu saiba. A não ser a carta do leitor Marcos Kirst, na Folha de ontem (que chamou minha atenção para a "barriga" da Folha).

domingo, 20 de setembro de 2009

Aeródromo de Bragança


Pois é. Aqui, a despedida de Bragança. Resolvemos, desta vez, ao invés de ir ao Porto para tomar o vôo para São Paulo, voar de Bragança a Lisboa (escala em Vila Real) para, de lá, voar ao Brasil.
Ficámos conhecendo o aeródromo de Bragança.
Sua fachada:

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O hangar:

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O teco-teco (ou quase isso) que nos levaria a Lisboa:

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Os tanques de combustível:

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Uma homenagem ao avião desconhecido (ou algo assim, sei lá):

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Ele, o grande herói. Voa bem. Desde que o tempo esteja perfeito, com céu de brigadeiro. Quaisquer nuvens já o fazem balançar. Uma moça sentada pouco atrás de nós passou toda a viagem a vomitar. Não sei como não perdeu partes do aparelho digestivo.

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Ao chegar a Lisboa, tentei fotografar a ponte Vasco da Gama e o Parque das Nações. Como o teco-teco balançava bastante, o que vai abaixo foi o que de melhor consegui. Com algum esforço, vê-se à esquerda o início da magnífica ponte.

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Até dezembro, Portugal.

Vinhais e frutas em Passos


Primeiro uma vista de Vinhais, aquando de nosso almoço no Vasco da Gama. Esta é a visão que se tem quando se está na entrada do restaurante.

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Aqui, as peras e pavias que Arnaldo e Dora nos deram. Foram devidamente devoradas.

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E, por fim, uma melancia nascida das sementes que meu cunhado levou para Passos no ano passado:

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Piscinas e Pavilhão Municipal


Aí vão três fotos do Pavilhão Municipal de Bragança, com suas piscinas:

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Como já postei fotos da Câmara Municipal e do Estádio Municipal, nada melhor do que mostrar o mapa de Bragança que situa as três construções:

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Estádio Municipal de Bragança


O estádio é simples mas à altura do GDB, que disputa a 3ª divisão do futebol português.

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Mais Puebla de Sanabria


Fotos do caminho que leva de Bragança a Puebla de Sanabria (a mancha à esquerda da primeira foto é devida a um ticket de estacionamento no painel do carro. Sim, as fotos foram tiradas de dentro do carro):

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E, no caminho, rebanhos a pastar:

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Esta é a estação ferroviária de Puebla de Sanabria. Aliás, queríamos conhecer Puebla pois é lá que vai parar o trem bala espanhol (TGV) que nos poderá levar a Madrid em algo em torno de uma hora.

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A cidade...

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...e seus telhados pretos:

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Câmara Municipal de Bragança


Aí vão dez fotos da Câmara Municipal de Bragança e de seus jardins. Em Portugal, a Câmara Municipal faz também o papel da Prefeitura, aqui no Brasil.

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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

E deus criou a mulher.
O diabo, a burocracia


É preciso correr atrás de papéis e mais papéis. Ou melhor, hoje já são mais cartões que papéis. Desta vez, consegui tirar o Cartão do Cidadão. Documento único, engloba o Bilhete de Identidade (o RG brasileiro), o Cartão do Contribuinte (o CPF brasileiro), o cartão de Utente (no Brasil diz-se "usuário") da Saúde, o registo na Seguridade Social (deste nada entendo porque não o possuo) e sei lá mais o quê. Digo isso porque ainda deve-se ter o título de eleitor (que ainda não tenho), a carta de condução (neste caso também só disponho da carteira de habilitação brasileira e da internacional. Aliás, daS internacionaIS, haja vista que na Espanha exige-se modelo diferente do exigido em Portugal. Já tratei disto aqui.).
Felizmente, o início da semana foi produtivo, do ponto de vista burocrático. Corremos da Conservatória para as Finanças, desta para o Notário e, finalmente, fomos ao setor de estrangeiros da Polícia, atrás de visto permanente para a Baixinha.

Ufa. Hoje, enfim, vamos receber chez nous Octávia e Orlando, primos queridos que moram na Moóca, em São Paulo, mas esticam férias por estas bandas onde nasceram e/ou foram criados.

Como se vê, nem tudo é horror burocrático. Aliás, os dois programas iniciais sobre as eleições do Gato Fedorento foram excelentes. E o de ontem teve mais audiência do que o jogo do Porto contra o Chelsea.

Até breve que vou receber as visitas.

domingo, 13 de setembro de 2009

Puebla de Sanabria


Hoje, domingo, resolvemos ir a Puebla de Sanabria. Sai-se de Bragança pela saída Norte, que leva a Portelo. São 15 km até a fronteira e mais 20 km em Espanha, até Puebla de Sanabria. No caminho há algumas aldeias (Rabal, por exemplo) e vários restaurantes que ainda teremos de visitar, com o tempo. A estrada é bastante sinuosa mas bem sinalizada, com bom piso e bem segura. Não é recomendável percorrê-la em velocidade média acima dos 50 ou 60 km/hora. Assim, leva-se uns 40 minutos até lá.

Lugarzinho adorável, Puebla de Sanabria. Cheio de turistas, tem vários hotéis, restaurantes, cafés e bares.

As fotos mostro depois, quando voltar a São Paulo. Aqui vão umas poucas, tiradas com o telemóvel.

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Sábado de verão em Passos


Neste sábado acordei tarde e com uma preguiça do tamanho do mundo. Era tal, a preguiça, que, depois do pequeno almoço, passámos na farmácia para medir minha pressão arterial. Eu sempre trago comigo o aparelho para medir pressão. Como nunca o utilizo, não o trouxe, desta vez.
O resultado foi uma pressão um tantinho acima do normal mas nada alarmante.
E lá fomos nós, em direção a Vinhais.
Não quis ir ao restaurante do primo Isaías. O Rossio, na saída para Chaves. Se lá vou, não me deixa pagar.
Fomos ao Vasco da Gama, o melhor restaurante de Vinhais logo depois do Rossio, claro, claro.
A posta de vitela que lá comemos foi a melhor carne que já comi nos últimos tempos.
Lá, além de comermos, conversámos com um casal que tem um filho piloto da TAP e um genro que é o bam bam bam da engenharia: além de ter trabalhado na construção do metro do Porto, participou da construção do metro de Tel Aviv e participa, agora, do projeto do TGV de Lisboa-Madrid. É pouco?

Daí, depois de uma visita rápida ao Isaías, fomos a Passos.

Primeiro, casa de Zelinda (minha prima) e Alípio. Ambos de jeito ríspido e um tanto seco, mas doces como os tomates daqui. Alípio estava às voltas com a perseguição a uma toupeira que lhe arrasa a plantação. De Zelinda, ouvimos as últimas notícias do povo da aldeia.

Encontrámos o Kico, irmão da Fernanda, recém operado do coração. Colocaram-lhe umas peças novas no motor e tem toda a aparência de estar ótimo, do alto de seus 77 anos.

Em casa da Dora, minha outra prima, tomámos mais uma pinguinha (vinho tinto feito por eles), comemos presuntos, peras e pavias (espécie de pêssego. O termo parece derivar do galego).

Dora é pessoa rara. Criada no duro trabalho do campo, é de uma delicadeza que contrasta com suas mãos ásperas. Dela ouvi, há tempos, a afirmação de que gostaria de morrer após algum tempo de doença. Isso porque sabe que a morte súbita é mais doída para os que ficam. E ela prefere sofrer a que eles sofram.

Tenha certeza: ela não disse isso por demagogia. Tal categoria não habita seu mundo.

De lá, depois de a Baixinha insistir com o Arnaldo que só queria CINCO peras, fomos à casa de Maria Tereza.

Comi uvas, enquanto a Baixinha sorvia um chá bem quente.

Maria Tereza (Treza, pela pronúncia portuguesa) é uma típica viúva trasmontana. Veste-se sempre de preto, tem o rosto enrugado. Ao vê-la, assim, de relance, tem-se a impressão de tratar-se de alguém que só aguarda a morte. Apreciada com mais vagar, percebe-se uma pessoa de um amor à vida discreto mas intenso.

De volta à casa de Dora e Arnaldo, lá estava o saco plástico com as peras, a esperar-nos. Contei: eram dez.

Despedimo-nos deles, também de Alípio e Zelinda, que já jantavam e voltámos a Bragança.

Deixei para o final o melhor: estávamos a ver os porcos da Dora. São três. Dois ainda pequeninos, um já grande. Será este o sacrificado em dezembro, quando das matanças.

Sim, as matanças que horrorizam os politicamente corretos.

Chegou um casal que não conhecíamos. Dora apresentou-me à mulher do casal. A Baixinha se aproximava. A mulher perguntou-me, referindo-se à Baixinha:

- É sua filha?

Quer elogio maior?

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Esquecimento, calor e incêndios


Ontem aproveitei um tempinho livre pra fotografar a Câmara Municipal e outras coisinhas mais.
Já em casa, constatei ter esquecido em São Paulo o cabo que permite passar as fotos para o computador. Só quando voltarmos ao Brasil é que poderei postar fotos. É verdade que posso postar fotos tiradas com o celular/telemóvel. Mas a qualidade é inferior.
Enquanto isso, cabe informar que o calor, por estas bandas, está forte.
Graças a isso, agora há pouco, bem ao meio-dia, passou por aqui um helicóptero com uma enorme bolsa de água pendurada. Tudo indica que iria ajudar a apagar algum incêndio.
Ainda hoje quero ver se mostro aqui algumas fotos tiradas com o telemóvel.

Até já.

sábado, 5 de setembro de 2009

Bragança - setembro 2.009


Lá vamos nós. Bragança não nos espera. Aliás, Bragança nem sabe que existimos. Mas, desta vez, espero deixar registadas aqui várias fotos de Bragança. São só duas semanas de permanência. São fantásticas duas semanas de permanência.
Nós sempre aparecemos por lá em épocas erradas. Inverno, fim de férias, coisas assim.
Não vamos a turismo. Vamos providenciar a mudança.
Mudança que deve ocorrer no final do próximo ano.
Os emigrantes já se foram. Passearam bastante por lá em agosto.
Agora vamos chegar.
E, se você quiser conhecer melhor Bragança, fique de olho.