domingo, 20 de setembro de 2009

Aeródromo de Bragança


Pois é. Aqui, a despedida de Bragança. Resolvemos, desta vez, ao invés de ir ao Porto para tomar o vôo para São Paulo, voar de Bragança a Lisboa (escala em Vila Real) para, de lá, voar ao Brasil.
Ficámos conhecendo o aeródromo de Bragança.
Sua fachada:

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O hangar:

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O teco-teco (ou quase isso) que nos levaria a Lisboa:

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Os tanques de combustível:

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Uma homenagem ao avião desconhecido (ou algo assim, sei lá):

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Ele, o grande herói. Voa bem. Desde que o tempo esteja perfeito, com céu de brigadeiro. Quaisquer nuvens já o fazem balançar. Uma moça sentada pouco atrás de nós passou toda a viagem a vomitar. Não sei como não perdeu partes do aparelho digestivo.

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Ao chegar a Lisboa, tentei fotografar a ponte Vasco da Gama e o Parque das Nações. Como o teco-teco balançava bastante, o que vai abaixo foi o que de melhor consegui. Com algum esforço, vê-se à esquerda o início da magnífica ponte.

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Até dezembro, Portugal.

Vinhais e frutas em Passos


Primeiro uma vista de Vinhais, aquando de nosso almoço no Vasco da Gama. Esta é a visão que se tem quando se está na entrada do restaurante.

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Aqui, as peras e pavias que Arnaldo e Dora nos deram. Foram devidamente devoradas.

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E, por fim, uma melancia nascida das sementes que meu cunhado levou para Passos no ano passado:

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Piscinas e Pavilhão Municipal


Aí vão três fotos do Pavilhão Municipal de Bragança, com suas piscinas:

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Como já postei fotos da Câmara Municipal e do Estádio Municipal, nada melhor do que mostrar o mapa de Bragança que situa as três construções:

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Estádio Municipal de Bragança


O estádio é simples mas à altura do GDB, que disputa a 3ª divisão do futebol português.

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Mais Puebla de Sanabria


Fotos do caminho que leva de Bragança a Puebla de Sanabria (a mancha à esquerda da primeira foto é devida a um ticket de estacionamento no painel do carro. Sim, as fotos foram tiradas de dentro do carro):

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E, no caminho, rebanhos a pastar:

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Esta é a estação ferroviária de Puebla de Sanabria. Aliás, queríamos conhecer Puebla pois é lá que vai parar o trem bala espanhol (TGV) que nos poderá levar a Madrid em algo em torno de uma hora.

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A cidade...

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...e seus telhados pretos:

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Câmara Municipal de Bragança


Aí vão dez fotos da Câmara Municipal de Bragança e de seus jardins. Em Portugal, a Câmara Municipal faz também o papel da Prefeitura, aqui no Brasil.

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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

E deus criou a mulher.
O diabo, a burocracia


É preciso correr atrás de papéis e mais papéis. Ou melhor, hoje já são mais cartões que papéis. Desta vez, consegui tirar o Cartão do Cidadão. Documento único, engloba o Bilhete de Identidade (o RG brasileiro), o Cartão do Contribuinte (o CPF brasileiro), o cartão de Utente (no Brasil diz-se "usuário") da Saúde, o registo na Seguridade Social (deste nada entendo porque não o possuo) e sei lá mais o quê. Digo isso porque ainda deve-se ter o título de eleitor (que ainda não tenho), a carta de condução (neste caso também só disponho da carteira de habilitação brasileira e da internacional. Aliás, daS internacionaIS, haja vista que na Espanha exige-se modelo diferente do exigido em Portugal. Já tratei disto aqui.).
Felizmente, o início da semana foi produtivo, do ponto de vista burocrático. Corremos da Conservatória para as Finanças, desta para o Notário e, finalmente, fomos ao setor de estrangeiros da Polícia, atrás de visto permanente para a Baixinha.

Ufa. Hoje, enfim, vamos receber chez nous Octávia e Orlando, primos queridos que moram na Moóca, em São Paulo, mas esticam férias por estas bandas onde nasceram e/ou foram criados.

Como se vê, nem tudo é horror burocrático. Aliás, os dois programas iniciais sobre as eleições do Gato Fedorento foram excelentes. E o de ontem teve mais audiência do que o jogo do Porto contra o Chelsea.

Até breve que vou receber as visitas.

domingo, 13 de setembro de 2009

Puebla de Sanabria


Hoje, domingo, resolvemos ir a Puebla de Sanabria. Sai-se de Bragança pela saída Norte, que leva a Portelo. São 15 km até a fronteira e mais 20 km em Espanha, até Puebla de Sanabria. No caminho há algumas aldeias (Rabal, por exemplo) e vários restaurantes que ainda teremos de visitar, com o tempo. A estrada é bastante sinuosa mas bem sinalizada, com bom piso e bem segura. Não é recomendável percorrê-la em velocidade média acima dos 50 ou 60 km/hora. Assim, leva-se uns 40 minutos até lá.

Lugarzinho adorável, Puebla de Sanabria. Cheio de turistas, tem vários hotéis, restaurantes, cafés e bares.

As fotos mostro depois, quando voltar a São Paulo. Aqui vão umas poucas, tiradas com o telemóvel.

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Sábado de verão em Passos


Neste sábado acordei tarde e com uma preguiça do tamanho do mundo. Era tal, a preguiça, que, depois do pequeno almoço, passámos na farmácia para medir minha pressão arterial. Eu sempre trago comigo o aparelho para medir pressão. Como nunca o utilizo, não o trouxe, desta vez.
O resultado foi uma pressão um tantinho acima do normal mas nada alarmante.
E lá fomos nós, em direção a Vinhais.
Não quis ir ao restaurante do primo Isaías. O Rossio, na saída para Chaves. Se lá vou, não me deixa pagar.
Fomos ao Vasco da Gama, o melhor restaurante de Vinhais logo depois do Rossio, claro, claro.
A posta de vitela que lá comemos foi a melhor carne que já comi nos últimos tempos.
Lá, além de comermos, conversámos com um casal que tem um filho piloto da TAP e um genro que é o bam bam bam da engenharia: além de ter trabalhado na construção do metro do Porto, participou da construção do metro de Tel Aviv e participa, agora, do projeto do TGV de Lisboa-Madrid. É pouco?

Daí, depois de uma visita rápida ao Isaías, fomos a Passos.

Primeiro, casa de Zelinda (minha prima) e Alípio. Ambos de jeito ríspido e um tanto seco, mas doces como os tomates daqui. Alípio estava às voltas com a perseguição a uma toupeira que lhe arrasa a plantação. De Zelinda, ouvimos as últimas notícias do povo da aldeia.

Encontrámos o Kico, irmão da Fernanda, recém operado do coração. Colocaram-lhe umas peças novas no motor e tem toda a aparência de estar ótimo, do alto de seus 77 anos.

Em casa da Dora, minha outra prima, tomámos mais uma pinguinha (vinho tinto feito por eles), comemos presuntos, peras e pavias (espécie de pêssego. O termo parece derivar do galego).

Dora é pessoa rara. Criada no duro trabalho do campo, é de uma delicadeza que contrasta com suas mãos ásperas. Dela ouvi, há tempos, a afirmação de que gostaria de morrer após algum tempo de doença. Isso porque sabe que a morte súbita é mais doída para os que ficam. E ela prefere sofrer a que eles sofram.

Tenha certeza: ela não disse isso por demagogia. Tal categoria não habita seu mundo.

De lá, depois de a Baixinha insistir com o Arnaldo que só queria CINCO peras, fomos à casa de Maria Tereza.

Comi uvas, enquanto a Baixinha sorvia um chá bem quente.

Maria Tereza (Treza, pela pronúncia portuguesa) é uma típica viúva trasmontana. Veste-se sempre de preto, tem o rosto enrugado. Ao vê-la, assim, de relance, tem-se a impressão de tratar-se de alguém que só aguarda a morte. Apreciada com mais vagar, percebe-se uma pessoa de um amor à vida discreto mas intenso.

De volta à casa de Dora e Arnaldo, lá estava o saco plástico com as peras, a esperar-nos. Contei: eram dez.

Despedimo-nos deles, também de Alípio e Zelinda, que já jantavam e voltámos a Bragança.

Deixei para o final o melhor: estávamos a ver os porcos da Dora. São três. Dois ainda pequeninos, um já grande. Será este o sacrificado em dezembro, quando das matanças.

Sim, as matanças que horrorizam os politicamente corretos.

Chegou um casal que não conhecíamos. Dora apresentou-me à mulher do casal. A Baixinha se aproximava. A mulher perguntou-me, referindo-se à Baixinha:

- É sua filha?

Quer elogio maior?

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Esquecimento, calor e incêndios


Ontem aproveitei um tempinho livre pra fotografar a Câmara Municipal e outras coisinhas mais.
Já em casa, constatei ter esquecido em São Paulo o cabo que permite passar as fotos para o computador. Só quando voltarmos ao Brasil é que poderei postar fotos. É verdade que posso postar fotos tiradas com o celular/telemóvel. Mas a qualidade é inferior.
Enquanto isso, cabe informar que o calor, por estas bandas, está forte.
Graças a isso, agora há pouco, bem ao meio-dia, passou por aqui um helicóptero com uma enorme bolsa de água pendurada. Tudo indica que iria ajudar a apagar algum incêndio.
Ainda hoje quero ver se mostro aqui algumas fotos tiradas com o telemóvel.

Até já.

sábado, 5 de setembro de 2009

Bragança - setembro 2.009


Lá vamos nós. Bragança não nos espera. Aliás, Bragança nem sabe que existimos. Mas, desta vez, espero deixar registadas aqui várias fotos de Bragança. São só duas semanas de permanência. São fantásticas duas semanas de permanência.
Nós sempre aparecemos por lá em épocas erradas. Inverno, fim de férias, coisas assim.
Não vamos a turismo. Vamos providenciar a mudança.
Mudança que deve ocorrer no final do próximo ano.
Os emigrantes já se foram. Passearam bastante por lá em agosto.
Agora vamos chegar.
E, se você quiser conhecer melhor Bragança, fique de olho.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A doação e seus mistérios


Aconteceu com um colega de trabalho.
Ele foi ficando doente dos rins. Começou a fazer hemodiálise diariamente.
Enfim, os rins pifaram totalmente.
Uma irmã propôs-se a doar-lhe um rim.

O transplante foi feito.

Deixe que eu diga que sempre achei esse tipo de doação de uma beleza sem igual. Você deixar que tirem de você um pedaço importante para que alguém possa reviver.

Pouco tempo depois, a descoberta: o rim transplantado continha um tumor maligno.

Não sei detalhes do caso. Além de ser totalmente ignorante nessa matéria.

Mas gosto de pensar que o tumor já existia no rim enquanto ele estava no corpo da irmã. E me agrada, também, imaginar que estava prestes a produzir metástase.

A doação livrou-a do câncer.

O irmão doou-lhe a saúde.

Retribuição de generosidade. Tudo casual, como deve ser – e é – a vida.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Cabeça serve pra separar orelhas


O médico Roger Abdelmassih está preso sob a acusação de ter estuprado mais de 50 pacientes.
É claro que até o trânsito em julgado de sentença condenatória ele deve ser considerado inocente.
Isso significa, entre outras coisas, que nós não devemos cuspir nele, nem xingá-lo em público, nem ofender a mamãezinha dele, coisas assim.
Agora: precisa marcar consulta com ele?!
O agendamento de consultas, na clínica dele, continua normal. Só há data disponível para consulta com ele no dia 31 de agosto. Hoje é 19.
Que será que esses casais que ainda ligam pra marcar consulta têm no interior do crâneo?

terça-feira, 18 de agosto de 2009

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Arrumando a casa

extraído de www.fotosdahora.com.br

[extraído de www.fotosdahora.com.br]



Estou organizando os relatos de viagens. Todos eles vão ser indexados aí à direita da tela, logo abaixo do índice de Topologia Trivial.
Como isso dá um trabalho danado, vou devagar. Mas já há, lá, várias viagens.
Divirtam-se.

domingo, 9 de agosto de 2009

Futurriculum vitae


Elio Gaspari comenta hoje, na Folha (só para assinantes Folha ou UOL), que a expressão "doutoranda", constante do currículo de dona Dilma Rousseff, foi traduzida para o inglês, dada a inexistência naquela língua de correspondente para o termo (assim como não existe correspondente para "despachante", por exemplo), por "atualmente ela está buscando um grau de doutora em economia monetária e financeira na Unicamp".
No gênero, é o segundo caso de que tenho notícia.
O primeiro ocorreu lá na longínqua década de 80. Eu gerenciava a área de sistemas de uma empresa. Precisava contratar um coordenador de suporte técnico. A empresa colocou anúncios em jornais e choveram currículos.
Um deles, no quesito Línguas, informava que o cidadão conhecia o Português, o Inglês e FUTURAMENTE o alemão.

E eu, pra cúmulo dos cúmulos, contratei o indivíduo.
Talvez nem precisasse dizer, mas não deu certo.

sábado, 1 de agosto de 2009

Ainda Portugal


Não tenho escrito muito neste blog. Aliás, em lugar nenhum.
Por um lado, é fácil explicar: o que acontece aqui, no Brasil, me enche de tédio. Não me sinto inclinado a escrever sobre Sarney, Lula e companhia bela. É tudo tão previsível, tudo tão melancólico.
Sobre o que acontece em Portugal, particularmente sobre o que acontece em Bragança, gostaria de escrever. E tento. Acontece que ainda estou muito longe dos acontecimentos de lá. É difícil escrever à distância.
Quando estiver morando lá, a situação será outra.

Por enquanto, só gostaria de deixar registado um protesto:

É incrível como, na imprensa brasileira, existe um descaso absoluto a respeito de Portugal. Nos últimos tempos, a única notícia relacionada a Portugal foi a de que quase metade da população gostaria que Portugal se unisse à Espanha. E, mesmo essa informação só chegou aos jornais daqui porque foi noticiada em El Pais, jornal madrilenho. E foi resultado de uma pesquisa conduzida pela Universidade de Salamanca. O jornal El Pais é referência para a imprensa brasileira a respeito da Europa. Jornais como o Público, revistas como Sábado, são ignorados pela imprensa tupiniquim. Imprensa, aliás, constituída – salvo as honrosas exceções de sempre – por analfabetos funcionais.
Músicos populares brasileiros deitam e rolam em Portugal. Portugal, para eles, é um pouco como a Bahia, para os artistas baianos: eles adoram a Bahia, mas moram – todos – no Rio de Janeiro ou em São Paulo e têm apartamentos em Manhattan ou em Paris, à beira do Sena. Aparecer na Bahia, só em época de carnaval (pra faturar com os trios elétricos) ou quando morre a mãe.
Os portugueses adoram o Brasil, idolatram os brasileiros e tudo o que eles produzem, sem saber (ou desprezando) o quanto são ignorados e ridicularizados cá nos tristes trópicos.
Portugal, no Brasil, não existe. Ou é o bobo da corte.
O Brasil, em Portugal, se esbalda.
Paciência.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Antes que seja obrigatório


Há um e-mail que circula pela Internet sobre as etapas históricas – digamos assim – do homossexualismo: primeiro era o amor que não ousa dizer seu nome (Oscar Wilde), depois chegou a fase de ele sair gritando por aí (Millor) e é bom sair logo do país antes que se torne obrigatório.
Pois bem. Parece que a terceira etapa está chegando.

Uma psicóloga, Rozângela Alves Justino, corre o risco de ter seu registro profissional cassado (para assinantes Folha ou UOL) por oferecer tratamento para que homossexuais passem a ser heterossexuais.

Ela tem um blog. Além disso, expõe suas ideias neste artigo (no qual, aliás, afirma preferir o termo homossexualidade em vez de homossexualismo por entender que este último sugere doença).

Tenho pouquíssima afinidade com as ideias dela.

Mas acho um tremendo absurdo querer impedi-la de oferecer o tal tratamento.

Várias entidades do movimento gay defendem a cassação da psicóloga por considerar que homossexualismo não é doença e, portanto, não comporta tratamento.

Pois bem. Isso me parece levar à conclusão de que as cirurgias plásticas de embelezamento, as lipoesculturas etc etc apontam para a feiúra como sendo doença.

Eu, como feio assumido, exijo a cassação da licença de todos os pitanguis do país.

E você? Concorda?

domingo, 12 de julho de 2009

Pasmem, senhores leitores!


Um amigo de um amigo, com o qual cheguei a jogar alguma sinuca, há tempos, ficou marcado por uma carta que resolveu enviar, se não me engano, ao Estadão.
Melhor, ficou marcado por uma expressão que usou na tal carta.
O sujeito era – e suponho que ainda seja – de muito bom humor. Engraçado, mesmo.
Mas mergulhou de cabeça no espírito do leitor-que-escreve-pra-jornais e perpetrou esse “pasmem, senhores leitores!” do título do post.
Pra quê.
Toda vez, nas conversas com amigos, quando alguém queria salientar qualquer coisa, lá vinha o “pasmem, senhores leitores!”.
Lembro dele sempre que leio os painéis dos leitores dos jornais.
Invariavelmente, o leitor-que-escreve-pra-jornais é um indignado. Vocifera contra tudo e contra todos.
Pra ele, o mundo não passa da semana que vem. A ruína moral chegou a seu limite.

Atualmente, a bola da vez, no Brasil, é o Sarney.
Tá certo que o homem exagerou. Privatizou o Maranhão, privatizou o Senado Federal, arrumou empreguinhos e empregões para um monte de apaniguados.
Quando foi presidente da República, eu passava boa parte de meu tempo em Brasília, em gabinetes de políticos, em repartições públicas, em escritórios de lobistas etc etc.
Apesar de, naquela época, a bandalheira correr soltíssima, o que mais me incomodava era a cafonice da turma. O Sarney, por exemplo, não recebia em audiência nenhum indivíduo que estivesse enfiado em um terno marrom.
A nata da brasilidade é de uma superstição irritante. A ignorância geral é assustadora. O brega é a marca registada de nossos homens públicos, com seus cabelos indecorosa e horrorosamente pintados.
Pra voltar a Sarney, ele é daqueles que em Nova Iorque circula de limusine branca.

Perto de tudo isso, o leitor-que-escreve-pra-jornais se preocupa com superfaturamento, falta de licitação, desvio de verba, bobagens assim.

A não ser, vez ou outra, um texto do Nelson Motta, ninguém reclama da cafonália geral.

Acho que vou escrever um protesto e mandar pra tudo quanto é jornal.
Ainda mais agora, que fizeram transbordar minha paciência com panegíricos ao tal Michael Jackson, com detalhes intermináveis do casamento do Pato, do casamento do Robinho, do primeiro aniversário do filho do Kaká etc etc etc.

E, claro, não deixarei de usar o Pasmem, senhores leitores!.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Quem disse que Bragança não tem?


Está bem. Você não gosta de montanhas. Prefere praia?

Bragança tem.

Não só é uma praia de qualidade como fica em um lugar cujo nome já é uma atração: Freixo de Espada à Cinta.

Estamos ainda no distrito de Bragança. A distância da cidade de Bragança até a praia da Congida não chega a 60 km.

Mais ou menos à mesma distância fica Zamora, cidade espanhola que não tem praias mas é encantadora.

Escolha.

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(e há mais praias, claro, claro)

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Dúvida


Como sabem meus amigos portugueses que freqüentam este blog, sou um português à distância, desinformado dos detalhes da política portuguesa.
Vai daí, peço que me esclareçam: quando o ministro da Economia fez o gesto de chifres dirigido ao lider do PCP, Bernardino Soares, estava a insinuar que Soares era o Diabo ou era um cornudo?

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Sistema de vendas inovador


Claro que para alguém que ainda mora em São Paulo (eu), a notícia lida no Mensageiro de Bragança a respeito de apreensão de drogas soa como brincadeira de criança.
Basta reparar na quantidade de drogas apreendidas: 124 doses de heroína, 16 de cocaína e 353 de haxixe.
Agora: o que mais me chamou a atenção foi que, no meio das demais apreensões (algum dinheiro vivo, carros, telemóveis, umas duas ou três armas mixurucas etc) figurava uma matraca.
Fui até consultar um dicionário de Portugal pra ver se matraca tem, lá, o mesmo significado que no Brasil. Tem.

Será que era pra anunciar os produtos?

domingo, 14 de junho de 2009

Ideias do Meu Bazar

* * *


A Folha de S.Paulo, hoje, destaca em primeira página:

Mais de 90% dos analfabetos não vão a aulas


E explica: "Mais de 90% dos analfabetos absolutos do país não freqüentam classes de alfabetização".

Penso que a notícia relevante seria:

Mais de 90% dos estudantes, no Brasil, são analfabetos.


E nem adianta explicar.

* * *


Pouca gente dos tempos da militância de esquerda nos anos 60 e 70 gosta de reconhecer: o movimento estudantil (M.E.) era profundamente desprezado por nós, os da chamada Esquerda Revolucionária (maneira disfarçada de excluir o Partidão). Eu mesmo, quando fui escalado pelo POC para presidir o centrinho da Filosofia da USP, encarei a tarefa quase como castigo.
A utilidade que se enxergava no M.E. era a de fornecedor de quadros para a militância. Para falar em uspianês, o M.E., enquanto movimento de massas, era até ridicularizado, dentro das organizações (ALN, VAR, POC et caterva).
A atual greve na USP só confirma que o M.E. soube utilizar bem o clima democrático das últimas décadas: melhorou pra pior.

* * *

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Dúvidas em torno da tragédia


A queda do avião da Air France me deixou bastante perturbado. Afinal, percorro mais ou menos essa rota com certa regularidade.
Contudo, minha perplexidade não impede que eu pense. E há certos aspectos periféricos nessa tragédia que minha compreensão não alcança.

1. A Air France reservou mais de uma centena de quartos em hotel no Rio de Janeiro para hospedar as famílias das vítimas. Beleza. Gesto louvável.
Mas já me parece um pouco estranho, o fato. Afinal, penso que a grande maioria das famílias das vítimas era do próprio Rio de Janeiro. Eu, caso estivesse na situação de parente de alguma vítima, preferiria aguardar as notícias em minha casa, lugar - por definição - onde me sinto mais... em casa, aconchegado.
Além disso, sempre que um repórter, de rádio ou de TV, se refere ao pessoal hospedado no tal hotel, informa que estão lá "parentes e amigos" das vítimas. A partir daí, decididamente não entendo mais nada. Amigos também se mudam para o hotel para aguardar notícias?!

2. Amanhã deve ser divulgada a lista dos passageiros do fatídico vôo. Pelo que ouço, sempre em rádio ou TV, algumas famílias pediram que não sejam divulgados os nomes de seus parentes vitimados pela tragédia. Por que?!
Entendo que seja deprimente e injusto, para uma família, ver um parente algemado e metido em camburão diante das câmeras de TV, quando das já famosas operações da Polícia Federal. Afinal, até que se prove a culpa deles, são inocentes.
Mas não querer que se divulgue o nome de um parente que morreu em acidente aéreo me parece pra lá de excesso de zelo.

De qualquer forma, o fato de eu ter tais dúvidas não quer dizer muita coisa. Afinal, o que mais tenho são dúvidas.
E se alguém souber esclarecer algum desses pontos acima, fico agradecido.

De resto, são questões sem importância, que servem - quando muito - para distrair-me do espanto diante do horror do evento.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

AF447


Junto com a vida de 228 pessoas, lá se vai uma de minhas últimas crenças: a de que o perigo nas viagens aéreas está sempre na decolagem ou na aterrizagem.
O avião da Air France já estava em altitude e velocidade de cruzeiro. As primeiras avaliações apontam para, talvez, um raio em meio a turbulência, sobre o Atlântico.

Começa muito mal, a semana.

domingo, 31 de maio de 2009

Minha homenagem a um belo domingo de maio







Paolo Conte - Wonderfull...


Via Con Me :

Via, via, vieni via di qui,
niente più ti lega a questi luoghi,
neanche questi fiori azzurri…
via, via, neache questo tempo grigio
pieno di musiche e di uomini che ti son piaciuti,

It’s wonderfoul, it’s wonderfoul, it’s wonderfoul
good luck my babe, it’s wonderfoul,
it’s wonderfoul, it’s wonderfoul, I dream of you…

chips, chips, du-du-du-du-du

Via, via, vieni via con me
entra in questo anore buio, non perderti per niente al mondo…
via, via, non perderti per niente al mondo
Lo spettacolo d’ arte varia di uno innamorato di te,
it’s wonderfoul, it’s wonderfoul……

...

Via, via, vieni via con me,
entra in questo amore buio pieno di uomini
via, via, entra e fatti un bagno caldo
c’è un accappatoio azzurro, fuori piove un mondo freddo,

it’s wonderfoul, it’s wonderfoul…

sexta-feira, 29 de maio de 2009

For here or to go


Em qualquer lanchonete de Nova Iorque, depois que você faz o pedido, lá vem a pergunta:
- Vai comer aqui ou vai levar.

Já faz algum tempo, percebi que dilema semelhante ocorre na leitura de blogs.
posts que a gente lê e pronto. Acabou.
Uns poucos a gente leva na memória e saboreia mais tarde, devagar.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Bragança: paraíso no interior do país


Desde que comecei a pensar na possibilidade de viver em Bragança, Portugal, venho matutando a ideia de atrair para lá pessoas interessadas em desenvolver empreendimentos dos quais possam tirar seu sustento e gerar empregos.
Eis que descubro, agora, já haver projeto nesse sentido: Novos Povoadores.

Continuo sem saber como colaborar para tornar realidade essa ideia. Mas qualquer pessoa que desejar informações sobre essa possibilidade pode entrar em contato comigo. No que puder, comprometo-me a ajudar. Ao menos com informações.

Bragança (a cidade e todo o distrito) é região maravilhosa, dotada de infra-estrutura invejável, e – surpresa: está ficando deserta.

É possível ver-se, em tal contradição, um nicho de oportunidades.

Atualização (29/05/2009): Ainda sobre a infra-estrutura da região, leia isto.

sábado, 23 de maio de 2009

Romances e e-mails


Não satisfeito em ser filho de Sophia de Mello Breyner Andresen, Miguel Sousa Tavares resolveu ainda ser advogado, jornalista e magnífico escritor.

Faz pouco, terminei de ler seus dois romances: Equador e Rio das Flores.

Não sei o que mais admirar neles: se o enredo envolvente ou a pesquisa detalhada.

Em Rio das Flores, que é o segundo romance de Tavares mas foi o primeiro que li, as mais de 600 páginas contam parte da história da primeira metade do século XX por meio do protagonista que nasce em 1.900 e é acompanhado até 1.945 (por acaso, o ano em que nasci). História contada da perspectiva das planícies do Alentejo, mas incluindo desde minúcias do mundo das touradas espanholas do início do século até detalhes da vida em Lisboa ou Rio de Janeiro.
Não à toa, a elaboração de Rio das Flores custou a Tavares três longos anos.

Equador foi seu primeiro romance. Um pouco menor, algo além de 500 páginas, abrange também período mais curto – os anos de 1.905 a 1.908 – mas é dotado de um enredo mais denso, mais dramático, talvez até por seu cenário: as ilhas de São Tomé e Príncipe, na costa africana , junto à linha do equador. Nele a pesquisa já impressiona. Tudo é descrito à perfeição, no detalhe.

Um desses detalhes chamou particularmente minha atenção. A certa altura, mais exatamente à página 507 da 1ª edição da Editora Nova Fronteira, o autor coloca seu protagonista na seguinte situação:
Passou um algodão com água oxigenada na ferida, que fez espuma e lhe ardeu.
Ora. Essa cena se dá no início de 1.908.
Circula na Internet um e-mail (você já deve ter recebido o dito cujo, provavelmente várias vezes) que situa a invenção da água oxigenada em 1.920. Nem coloco link. Basta ir ao Google e consultar água oxigenada. Milhares de blogs já reproduziram o tal e-mail.

Resultado: ou Tavares comeu bola ou o tal e-mail é mentiroso.

Claro que até os gênios cometem suas batatadas, vez em quando. Mas, no caso, fico com a segunda hipótese.
É inacreditável a quantidade de besteiras passadas e repassadas na Internet, via e-mails e blogs etc. Essa, a da invenção da água oxigenada, seria apenas mais uma.

Aliás, por falar em Google, se você pesquisar Miguel Sousa Tavares vai descobrir que o homem é polêmico. Há na Internet um sem número de textos desancando o coitado. Não o conheço a não ser pela leitura dos seus dois romances. Desse ponto de vista, é muito bom. Além do mais, parece que é adepto do FC Porto.

Talvez seu maior defeito, involuntário, é verdade, seja ter um nome cuja sigla é MST.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

sábado, 16 de maio de 2009

Solar Bragançano


De tanto irmos ao Solar, a Baixinha iniciou uma amizade com a proprietária, sra. Ana.
Quando se aproximava o dia do retorno a São Paulo ela nos disse:
Venham cá na quinta-feira [nosso último dia em Bragança]. Quero servir-vos perdiz, que considero o melhor prato da casa.
Na hora do almoço, na quinta-feira, lá estávamos nós.
Ela, um tanto sem graça, nos informou que esperava que fôssemos jantar.
Dissemos, então, que voltaríamos para jantar.
Já nos preparávamos para ir embora quando ela insistiu para que comêssemos alguma coisa.
Serviu-nos um peixe, delicioso.
A certa altura do almoço, ela – discretamente – chegou-se à nossa mesa e nos mostrou, em um saco plástico – as duas perdizes que fariam nossa delícia ao jantar. Estavam lá, quietinhas (sejamos claros: mortinhas), com suas penas e tudo mais que compõe uma perdiz.

À noite, além do magnífico prato de perdiz, revisitámos a famosa musse de castanhas de autoria da sra. Ana.
Deveria ser compulsório, o saboreá-la de joelhos, em posição de prece.

Corroboração


Ronaldo, em sua entrevista à Folha de S.Paulo, disse que prefere que seu filho seja educado na Espanha. Prefere que seu filho tenha amigos europeus. Que a meninada brasileira é malandra. Etc etc.

É simples: quem pode, cai fora do Brasil.

Quem quiser que se escandalize.

Coloque a culpa da paisagem na janela.

Mas até a primeira-dama quis ter cidadania italiana.
Quem sabe ela venha a me ser útil, disse ela, com raro lampejo de perspicácia.