quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A doação e seus mistérios


Aconteceu com um colega de trabalho.
Ele foi ficando doente dos rins. Começou a fazer hemodiálise diariamente.
Enfim, os rins pifaram totalmente.
Uma irmã propôs-se a doar-lhe um rim.

O transplante foi feito.

Deixe que eu diga que sempre achei esse tipo de doação de uma beleza sem igual. Você deixar que tirem de você um pedaço importante para que alguém possa reviver.

Pouco tempo depois, a descoberta: o rim transplantado continha um tumor maligno.

Não sei detalhes do caso. Além de ser totalmente ignorante nessa matéria.

Mas gosto de pensar que o tumor já existia no rim enquanto ele estava no corpo da irmã. E me agrada, também, imaginar que estava prestes a produzir metástase.

A doação livrou-a do câncer.

O irmão doou-lhe a saúde.

Retribuição de generosidade. Tudo casual, como deve ser – e é – a vida.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Cabeça serve pra separar orelhas


O médico Roger Abdelmassih está preso sob a acusação de ter estuprado mais de 50 pacientes.
É claro que até o trânsito em julgado de sentença condenatória ele deve ser considerado inocente.
Isso significa, entre outras coisas, que nós não devemos cuspir nele, nem xingá-lo em público, nem ofender a mamãezinha dele, coisas assim.
Agora: precisa marcar consulta com ele?!
O agendamento de consultas, na clínica dele, continua normal. Só há data disponível para consulta com ele no dia 31 de agosto. Hoje é 19.
Que será que esses casais que ainda ligam pra marcar consulta têm no interior do crâneo?

terça-feira, 18 de agosto de 2009

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Arrumando a casa

extraído de www.fotosdahora.com.br

[extraído de www.fotosdahora.com.br]



Estou organizando os relatos de viagens. Todos eles vão ser indexados aí à direita da tela, logo abaixo do índice de Topologia Trivial.
Como isso dá um trabalho danado, vou devagar. Mas já há, lá, várias viagens.
Divirtam-se.

domingo, 9 de agosto de 2009

Futurriculum vitae


Elio Gaspari comenta hoje, na Folha (só para assinantes Folha ou UOL), que a expressão "doutoranda", constante do currículo de dona Dilma Rousseff, foi traduzida para o inglês, dada a inexistência naquela língua de correspondente para o termo (assim como não existe correspondente para "despachante", por exemplo), por "atualmente ela está buscando um grau de doutora em economia monetária e financeira na Unicamp".
No gênero, é o segundo caso de que tenho notícia.
O primeiro ocorreu lá na longínqua década de 80. Eu gerenciava a área de sistemas de uma empresa. Precisava contratar um coordenador de suporte técnico. A empresa colocou anúncios em jornais e choveram currículos.
Um deles, no quesito Línguas, informava que o cidadão conhecia o Português, o Inglês e FUTURAMENTE o alemão.

E eu, pra cúmulo dos cúmulos, contratei o indivíduo.
Talvez nem precisasse dizer, mas não deu certo.

sábado, 1 de agosto de 2009

Ainda Portugal


Não tenho escrito muito neste blog. Aliás, em lugar nenhum.
Por um lado, é fácil explicar: o que acontece aqui, no Brasil, me enche de tédio. Não me sinto inclinado a escrever sobre Sarney, Lula e companhia bela. É tudo tão previsível, tudo tão melancólico.
Sobre o que acontece em Portugal, particularmente sobre o que acontece em Bragança, gostaria de escrever. E tento. Acontece que ainda estou muito longe dos acontecimentos de lá. É difícil escrever à distância.
Quando estiver morando lá, a situação será outra.

Por enquanto, só gostaria de deixar registado um protesto:

É incrível como, na imprensa brasileira, existe um descaso absoluto a respeito de Portugal. Nos últimos tempos, a única notícia relacionada a Portugal foi a de que quase metade da população gostaria que Portugal se unisse à Espanha. E, mesmo essa informação só chegou aos jornais daqui porque foi noticiada em El Pais, jornal madrilenho. E foi resultado de uma pesquisa conduzida pela Universidade de Salamanca. O jornal El Pais é referência para a imprensa brasileira a respeito da Europa. Jornais como o Público, revistas como Sábado, são ignorados pela imprensa tupiniquim. Imprensa, aliás, constituída – salvo as honrosas exceções de sempre – por analfabetos funcionais.
Músicos populares brasileiros deitam e rolam em Portugal. Portugal, para eles, é um pouco como a Bahia, para os artistas baianos: eles adoram a Bahia, mas moram – todos – no Rio de Janeiro ou em São Paulo e têm apartamentos em Manhattan ou em Paris, à beira do Sena. Aparecer na Bahia, só em época de carnaval (pra faturar com os trios elétricos) ou quando morre a mãe.
Os portugueses adoram o Brasil, idolatram os brasileiros e tudo o que eles produzem, sem saber (ou desprezando) o quanto são ignorados e ridicularizados cá nos tristes trópicos.
Portugal, no Brasil, não existe. Ou é o bobo da corte.
O Brasil, em Portugal, se esbalda.
Paciência.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Antes que seja obrigatório


Há um e-mail que circula pela Internet sobre as etapas históricas – digamos assim – do homossexualismo: primeiro era o amor que não ousa dizer seu nome (Oscar Wilde), depois chegou a fase de ele sair gritando por aí (Millor) e é bom sair logo do país antes que se torne obrigatório.
Pois bem. Parece que a terceira etapa está chegando.

Uma psicóloga, Rozângela Alves Justino, corre o risco de ter seu registro profissional cassado (para assinantes Folha ou UOL) por oferecer tratamento para que homossexuais passem a ser heterossexuais.

Ela tem um blog. Além disso, expõe suas ideias neste artigo (no qual, aliás, afirma preferir o termo homossexualidade em vez de homossexualismo por entender que este último sugere doença).

Tenho pouquíssima afinidade com as ideias dela.

Mas acho um tremendo absurdo querer impedi-la de oferecer o tal tratamento.

Várias entidades do movimento gay defendem a cassação da psicóloga por considerar que homossexualismo não é doença e, portanto, não comporta tratamento.

Pois bem. Isso me parece levar à conclusão de que as cirurgias plásticas de embelezamento, as lipoesculturas etc etc apontam para a feiúra como sendo doença.

Eu, como feio assumido, exijo a cassação da licença de todos os pitanguis do país.

E você? Concorda?

domingo, 12 de julho de 2009

Pasmem, senhores leitores!


Um amigo de um amigo, com o qual cheguei a jogar alguma sinuca, há tempos, ficou marcado por uma carta que resolveu enviar, se não me engano, ao Estadão.
Melhor, ficou marcado por uma expressão que usou na tal carta.
O sujeito era – e suponho que ainda seja – de muito bom humor. Engraçado, mesmo.
Mas mergulhou de cabeça no espírito do leitor-que-escreve-pra-jornais e perpetrou esse “pasmem, senhores leitores!” do título do post.
Pra quê.
Toda vez, nas conversas com amigos, quando alguém queria salientar qualquer coisa, lá vinha o “pasmem, senhores leitores!”.
Lembro dele sempre que leio os painéis dos leitores dos jornais.
Invariavelmente, o leitor-que-escreve-pra-jornais é um indignado. Vocifera contra tudo e contra todos.
Pra ele, o mundo não passa da semana que vem. A ruína moral chegou a seu limite.

Atualmente, a bola da vez, no Brasil, é o Sarney.
Tá certo que o homem exagerou. Privatizou o Maranhão, privatizou o Senado Federal, arrumou empreguinhos e empregões para um monte de apaniguados.
Quando foi presidente da República, eu passava boa parte de meu tempo em Brasília, em gabinetes de políticos, em repartições públicas, em escritórios de lobistas etc etc.
Apesar de, naquela época, a bandalheira correr soltíssima, o que mais me incomodava era a cafonice da turma. O Sarney, por exemplo, não recebia em audiência nenhum indivíduo que estivesse enfiado em um terno marrom.
A nata da brasilidade é de uma superstição irritante. A ignorância geral é assustadora. O brega é a marca registada de nossos homens públicos, com seus cabelos indecorosa e horrorosamente pintados.
Pra voltar a Sarney, ele é daqueles que em Nova Iorque circula de limusine branca.

Perto de tudo isso, o leitor-que-escreve-pra-jornais se preocupa com superfaturamento, falta de licitação, desvio de verba, bobagens assim.

A não ser, vez ou outra, um texto do Nelson Motta, ninguém reclama da cafonália geral.

Acho que vou escrever um protesto e mandar pra tudo quanto é jornal.
Ainda mais agora, que fizeram transbordar minha paciência com panegíricos ao tal Michael Jackson, com detalhes intermináveis do casamento do Pato, do casamento do Robinho, do primeiro aniversário do filho do Kaká etc etc etc.

E, claro, não deixarei de usar o Pasmem, senhores leitores!.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Quem disse que Bragança não tem?


Está bem. Você não gosta de montanhas. Prefere praia?

Bragança tem.

Não só é uma praia de qualidade como fica em um lugar cujo nome já é uma atração: Freixo de Espada à Cinta.

Estamos ainda no distrito de Bragança. A distância da cidade de Bragança até a praia da Congida não chega a 60 km.

Mais ou menos à mesma distância fica Zamora, cidade espanhola que não tem praias mas é encantadora.

Escolha.

CLIQUE PARA AMPLIAR

(e há mais praias, claro, claro)

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Dúvida


Como sabem meus amigos portugueses que freqüentam este blog, sou um português à distância, desinformado dos detalhes da política portuguesa.
Vai daí, peço que me esclareçam: quando o ministro da Economia fez o gesto de chifres dirigido ao lider do PCP, Bernardino Soares, estava a insinuar que Soares era o Diabo ou era um cornudo?

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Sistema de vendas inovador


Claro que para alguém que ainda mora em São Paulo (eu), a notícia lida no Mensageiro de Bragança a respeito de apreensão de drogas soa como brincadeira de criança.
Basta reparar na quantidade de drogas apreendidas: 124 doses de heroína, 16 de cocaína e 353 de haxixe.
Agora: o que mais me chamou a atenção foi que, no meio das demais apreensões (algum dinheiro vivo, carros, telemóveis, umas duas ou três armas mixurucas etc) figurava uma matraca.
Fui até consultar um dicionário de Portugal pra ver se matraca tem, lá, o mesmo significado que no Brasil. Tem.

Será que era pra anunciar os produtos?

domingo, 14 de junho de 2009

Ideias do Meu Bazar

* * *


A Folha de S.Paulo, hoje, destaca em primeira página:

Mais de 90% dos analfabetos não vão a aulas


E explica: "Mais de 90% dos analfabetos absolutos do país não freqüentam classes de alfabetização".

Penso que a notícia relevante seria:

Mais de 90% dos estudantes, no Brasil, são analfabetos.


E nem adianta explicar.

* * *


Pouca gente dos tempos da militância de esquerda nos anos 60 e 70 gosta de reconhecer: o movimento estudantil (M.E.) era profundamente desprezado por nós, os da chamada Esquerda Revolucionária (maneira disfarçada de excluir o Partidão). Eu mesmo, quando fui escalado pelo POC para presidir o centrinho da Filosofia da USP, encarei a tarefa quase como castigo.
A utilidade que se enxergava no M.E. era a de fornecedor de quadros para a militância. Para falar em uspianês, o M.E., enquanto movimento de massas, era até ridicularizado, dentro das organizações (ALN, VAR, POC et caterva).
A atual greve na USP só confirma que o M.E. soube utilizar bem o clima democrático das últimas décadas: melhorou pra pior.

* * *

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Dúvidas em torno da tragédia


A queda do avião da Air France me deixou bastante perturbado. Afinal, percorro mais ou menos essa rota com certa regularidade.
Contudo, minha perplexidade não impede que eu pense. E há certos aspectos periféricos nessa tragédia que minha compreensão não alcança.

1. A Air France reservou mais de uma centena de quartos em hotel no Rio de Janeiro para hospedar as famílias das vítimas. Beleza. Gesto louvável.
Mas já me parece um pouco estranho, o fato. Afinal, penso que a grande maioria das famílias das vítimas era do próprio Rio de Janeiro. Eu, caso estivesse na situação de parente de alguma vítima, preferiria aguardar as notícias em minha casa, lugar - por definição - onde me sinto mais... em casa, aconchegado.
Além disso, sempre que um repórter, de rádio ou de TV, se refere ao pessoal hospedado no tal hotel, informa que estão lá "parentes e amigos" das vítimas. A partir daí, decididamente não entendo mais nada. Amigos também se mudam para o hotel para aguardar notícias?!

2. Amanhã deve ser divulgada a lista dos passageiros do fatídico vôo. Pelo que ouço, sempre em rádio ou TV, algumas famílias pediram que não sejam divulgados os nomes de seus parentes vitimados pela tragédia. Por que?!
Entendo que seja deprimente e injusto, para uma família, ver um parente algemado e metido em camburão diante das câmeras de TV, quando das já famosas operações da Polícia Federal. Afinal, até que se prove a culpa deles, são inocentes.
Mas não querer que se divulgue o nome de um parente que morreu em acidente aéreo me parece pra lá de excesso de zelo.

De qualquer forma, o fato de eu ter tais dúvidas não quer dizer muita coisa. Afinal, o que mais tenho são dúvidas.
E se alguém souber esclarecer algum desses pontos acima, fico agradecido.

De resto, são questões sem importância, que servem - quando muito - para distrair-me do espanto diante do horror do evento.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

AF447


Junto com a vida de 228 pessoas, lá se vai uma de minhas últimas crenças: a de que o perigo nas viagens aéreas está sempre na decolagem ou na aterrizagem.
O avião da Air France já estava em altitude e velocidade de cruzeiro. As primeiras avaliações apontam para, talvez, um raio em meio a turbulência, sobre o Atlântico.

Começa muito mal, a semana.

domingo, 31 de maio de 2009

Minha homenagem a um belo domingo de maio







Paolo Conte - Wonderfull...


Via Con Me :

Via, via, vieni via di qui,
niente più ti lega a questi luoghi,
neanche questi fiori azzurri…
via, via, neache questo tempo grigio
pieno di musiche e di uomini che ti son piaciuti,

It’s wonderfoul, it’s wonderfoul, it’s wonderfoul
good luck my babe, it’s wonderfoul,
it’s wonderfoul, it’s wonderfoul, I dream of you…

chips, chips, du-du-du-du-du

Via, via, vieni via con me
entra in questo anore buio, non perderti per niente al mondo…
via, via, non perderti per niente al mondo
Lo spettacolo d’ arte varia di uno innamorato di te,
it’s wonderfoul, it’s wonderfoul……

...

Via, via, vieni via con me,
entra in questo amore buio pieno di uomini
via, via, entra e fatti un bagno caldo
c’è un accappatoio azzurro, fuori piove un mondo freddo,

it’s wonderfoul, it’s wonderfoul…