quarta-feira, 29 de julho de 2009
terça-feira, 28 de julho de 2009
sexta-feira, 17 de julho de 2009
terça-feira, 14 de julho de 2009
Antes que seja obrigatório
Há um e-mail que circula pela Internet sobre as etapas históricas – digamos assim – do homossexualismo: primeiro era o amor que não ousa dizer seu nome (Oscar Wilde), depois chegou a fase de ele sair gritando por aí (Millor) e é bom sair logo do país antes que se torne obrigatório.
Pois bem. Parece que a terceira etapa está chegando.
Uma psicóloga, Rozângela Alves Justino, corre o risco de ter seu registro profissional cassado (para assinantes Folha ou UOL) por oferecer tratamento para que homossexuais passem a ser heterossexuais.
Ela tem um blog. Além disso, expõe suas ideias neste artigo (no qual, aliás, afirma preferir o termo homossexualidade em vez de homossexualismo por entender que este último sugere doença).
Tenho pouquíssima afinidade com as ideias dela.
Mas acho um tremendo absurdo querer impedi-la de oferecer o tal tratamento.
Várias entidades do movimento gay defendem a cassação da psicóloga por considerar que homossexualismo não é doença e, portanto, não comporta tratamento.
Pois bem. Isso me parece levar à conclusão de que as cirurgias plásticas de embelezamento, as lipoesculturas etc etc apontam para a feiúra como sendo doença.
Eu, como feio assumido, exijo a cassação da licença de todos os pitanguis do país.
E você? Concorda?
domingo, 12 de julho de 2009
Pasmem, senhores leitores!
Um amigo de um amigo, com o qual cheguei a jogar alguma sinuca, há tempos, ficou marcado por uma carta que resolveu enviar, se não me engano, ao Estadão.
Melhor, ficou marcado por uma expressão que usou na tal carta.
O sujeito era – e suponho que ainda seja – de muito bom humor. Engraçado, mesmo.
Mas mergulhou de cabeça no espírito do leitor-que-escreve-pra-jornais e perpetrou esse “pasmem, senhores leitores!” do título do post.
Pra quê.
Toda vez, nas conversas com amigos, quando alguém queria salientar qualquer coisa, lá vinha o “pasmem, senhores leitores!”.
Lembro dele sempre que leio os painéis dos leitores dos jornais.
Invariavelmente, o leitor-que-escreve-pra-jornais é um indignado. Vocifera contra tudo e contra todos.
Pra ele, o mundo não passa da semana que vem. A ruína moral chegou a seu limite.
Atualmente, a bola da vez, no Brasil, é o Sarney.
Tá certo que o homem exagerou. Privatizou o Maranhão, privatizou o Senado Federal, arrumou empreguinhos e empregões para um monte de apaniguados.
Quando foi presidente da República, eu passava boa parte de meu tempo em Brasília, em gabinetes de políticos, em repartições públicas, em escritórios de lobistas etc etc.
Apesar de, naquela época, a bandalheira correr soltíssima, o que mais me incomodava era a cafonice da turma. O Sarney, por exemplo, não recebia em audiência nenhum indivíduo que estivesse enfiado em um terno marrom.
A nata da brasilidade é de uma superstição irritante. A ignorância geral é assustadora. O brega é a marca registada de nossos homens públicos, com seus cabelos indecorosa e horrorosamente pintados.
Pra voltar a Sarney, ele é daqueles que em Nova Iorque circula de limusine branca.
Perto de tudo isso, o leitor-que-escreve-pra-jornais se preocupa com superfaturamento, falta de licitação, desvio de verba, bobagens assim.
A não ser, vez ou outra, um texto do Nelson Motta, ninguém reclama da cafonália geral.
Acho que vou escrever um protesto e mandar pra tudo quanto é jornal.
Ainda mais agora, que fizeram transbordar minha paciência com panegíricos ao tal Michael Jackson, com detalhes intermináveis do casamento do Pato, do casamento do Robinho, do primeiro aniversário do filho do Kaká etc etc etc.
E, claro, não deixarei de usar o Pasmem, senhores leitores!.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Quem disse que Bragança não tem?
Está bem. Você não gosta de montanhas. Prefere praia?
Bragança tem.
Não só é uma praia de qualidade como fica em um lugar cujo nome já é uma atração: Freixo de Espada à Cinta.
Estamos ainda no distrito de Bragança. A distância da cidade de Bragança até a praia da Congida não chega a 60 km.
Mais ou menos à mesma distância fica Zamora, cidade espanhola que não tem praias mas é encantadora.
Escolha.
(e há mais praias, claro, claro)
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Dúvida
Como sabem meus amigos portugueses que freqüentam este blog, sou um português à distância, desinformado dos detalhes da política portuguesa.
Vai daí, peço que me esclareçam: quando o ministro da Economia fez o gesto de chifres dirigido ao lider do PCP, Bernardino Soares, estava a insinuar que Soares era o Diabo ou era um cornudo?
domingo, 28 de junho de 2009
Lembra?
Que fim levou o caso da brasileira que se disse atacada por nazistas na Suíça e depois se descobriu que era tudo simulado?
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Sistema de vendas inovador
Claro que para alguém que ainda mora em São Paulo (eu), a notícia lida no Mensageiro de Bragança a respeito de apreensão de drogas soa como brincadeira de criança.
Basta reparar na quantidade de drogas apreendidas: 124 doses de heroína, 16 de cocaína e 353 de haxixe.
Agora: o que mais me chamou a atenção foi que, no meio das demais apreensões (algum dinheiro vivo, carros, telemóveis, umas duas ou três armas mixurucas etc) figurava uma matraca.
Fui até consultar um dicionário de Portugal pra ver se matraca tem, lá, o mesmo significado que no Brasil. Tem.
Será que era pra anunciar os produtos?
domingo, 14 de junho de 2009
Ideias do Meu Bazar
* * *
A Folha de S.Paulo, hoje, destaca em primeira página:
Mais de 90% dos analfabetos não vão a aulas
E explica: "Mais de 90% dos analfabetos absolutos do país não freqüentam classes de alfabetização".
Penso que a notícia relevante seria:
Mais de 90% dos estudantes, no Brasil, são analfabetos.
E nem adianta explicar.
* * *
Pouca gente dos tempos da militância de esquerda nos anos 60 e 70 gosta de reconhecer: o movimento estudantil (M.E.) era profundamente desprezado por nós, os da chamada Esquerda Revolucionária (maneira disfarçada de excluir o Partidão). Eu mesmo, quando fui escalado pelo POC para presidir o centrinho da Filosofia da USP, encarei a tarefa quase como castigo.
A utilidade que se enxergava no M.E. era a de fornecedor de quadros para a militância. Para falar em uspianês, o M.E., enquanto movimento de massas, era até ridicularizado, dentro das organizações (ALN, VAR, POC et caterva).
A atual greve na USP só confirma que o M.E. soube utilizar bem o clima democrático das últimas décadas: melhorou pra pior.
* * *
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Dúvidas em torno da tragédia
A queda do avião da Air France me deixou bastante perturbado. Afinal, percorro mais ou menos essa rota com certa regularidade.
Contudo, minha perplexidade não impede que eu pense. E há certos aspectos periféricos nessa tragédia que minha compreensão não alcança.
1. A Air France reservou mais de uma centena de quartos em hotel no Rio de Janeiro para hospedar as famílias das vítimas. Beleza. Gesto louvável.
Mas já me parece um pouco estranho, o fato. Afinal, penso que a grande maioria das famílias das vítimas era do próprio Rio de Janeiro. Eu, caso estivesse na situação de parente de alguma vítima, preferiria aguardar as notícias em minha casa, lugar - por definição - onde me sinto mais... em casa, aconchegado.
Além disso, sempre que um repórter, de rádio ou de TV, se refere ao pessoal hospedado no tal hotel, informa que estão lá "parentes e amigos" das vítimas. A partir daí, decididamente não entendo mais nada. Amigos também se mudam para o hotel para aguardar notícias?!
2. Amanhã deve ser divulgada a lista dos passageiros do fatídico vôo. Pelo que ouço, sempre em rádio ou TV, algumas famílias pediram que não sejam divulgados os nomes de seus parentes vitimados pela tragédia. Por que?!
Entendo que seja deprimente e injusto, para uma família, ver um parente algemado e metido em camburão diante das câmeras de TV, quando das já famosas operações da Polícia Federal. Afinal, até que se prove a culpa deles, são inocentes.
Mas não querer que se divulgue o nome de um parente que morreu em acidente aéreo me parece pra lá de excesso de zelo.
De qualquer forma, o fato de eu ter tais dúvidas não quer dizer muita coisa. Afinal, o que mais tenho são dúvidas.
E se alguém souber esclarecer algum desses pontos acima, fico agradecido.
De resto, são questões sem importância, que servem - quando muito - para distrair-me do espanto diante do horror do evento.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
AF447
Junto com a vida de 228 pessoas, lá se vai uma de minhas últimas crenças: a de que o perigo nas viagens aéreas está sempre na decolagem ou na aterrizagem.
O avião da Air France já estava em altitude e velocidade de cruzeiro. As primeiras avaliações apontam para, talvez, um raio em meio a turbulência, sobre o Atlântico.
Começa muito mal, a semana.
domingo, 31 de maio de 2009
Minha homenagem a um belo domingo de maio





Via Con Me :
Via, via, vieni via di qui,
niente più ti lega a questi luoghi,
neanche questi fiori azzurri…
via, via, neache questo tempo grigio
pieno di musiche e di uomini che ti son piaciuti,
It’s wonderfoul, it’s wonderfoul, it’s wonderfoul
good luck my babe, it’s wonderfoul,
it’s wonderfoul, it’s wonderfoul, I dream of you…
chips, chips, du-du-du-du-du
Via, via, vieni via con me
entra in questo anore buio, non perderti per niente al mondo…
via, via, non perderti per niente al mondo
Lo spettacolo d’ arte varia di uno innamorato di te,
it’s wonderfoul, it’s wonderfoul……
...
Via, via, vieni via con me,
entra in questo amore buio pieno di uomini
via, via, entra e fatti un bagno caldo
c’è un accappatoio azzurro, fuori piove un mondo freddo,
it’s wonderfoul, it’s wonderfoul…
sexta-feira, 29 de maio de 2009
For here or to go
Em qualquer lanchonete de Nova Iorque, depois que você faz o pedido, lá vem a pergunta:
- Vai comer aqui ou vai levar.
Já faz algum tempo, percebi que dilema semelhante ocorre na leitura de blogs.
Há posts que a gente lê e pronto. Acabou.
Uns poucos a gente leva na memória e saboreia mais tarde, devagar.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Bragança: paraíso no interior do país
Desde que comecei a pensar na possibilidade de viver em Bragança, Portugal, venho matutando a ideia de atrair para lá pessoas interessadas em desenvolver empreendimentos dos quais possam tirar seu sustento e gerar empregos.
Eis que descubro, agora, já haver projeto nesse sentido: Novos Povoadores.
Continuo sem saber como colaborar para tornar realidade essa ideia. Mas qualquer pessoa que desejar informações sobre essa possibilidade pode entrar em contato comigo. No que puder, comprometo-me a ajudar. Ao menos com informações.
Bragança (a cidade e todo o distrito) é região maravilhosa, dotada de infra-estrutura invejável, e – surpresa: está ficando deserta.
É possível ver-se, em tal contradição, um nicho de oportunidades.
Atualização (29/05/2009): Ainda sobre a infra-estrutura da região, leia isto.
sábado, 23 de maio de 2009
Romances e e-mails
Não satisfeito em ser filho de Sophia de Mello Breyner Andresen, Miguel Sousa Tavares resolveu ainda ser advogado, jornalista e magnífico escritor.
Faz pouco, terminei de ler seus dois romances: Equador e Rio das Flores.
Não sei o que mais admirar neles: se o enredo envolvente ou a pesquisa detalhada.
Em Rio das Flores, que é o segundo romance de Tavares mas foi o primeiro que li, as mais de 600 páginas contam parte da história da primeira metade do século XX por meio do protagonista que nasce em 1.900 e é acompanhado até 1.945 (por acaso, o ano em que nasci). História contada da perspectiva das planícies do Alentejo, mas incluindo desde minúcias do mundo das touradas espanholas do início do século até detalhes da vida em Lisboa ou Rio de Janeiro.
Não à toa, a elaboração de Rio das Flores custou a Tavares três longos anos.
Equador foi seu primeiro romance. Um pouco menor, algo além de 500 páginas, abrange também período mais curto – os anos de 1.905 a 1.908 – mas é dotado de um enredo mais denso, mais dramático, talvez até por seu cenário: as ilhas de São Tomé e Príncipe, na costa africana , junto à linha do equador. Nele a pesquisa já impressiona. Tudo é descrito à perfeição, no detalhe.
Um desses detalhes chamou particularmente minha atenção. A certa altura, mais exatamente à página 507 da 1ª edição da Editora Nova Fronteira, o autor coloca seu protagonista na seguinte situação:
Passou um algodão com água oxigenada na ferida, que fez espuma e lhe ardeu.
Ora. Essa cena se dá no início de 1.908.
Circula na Internet um e-mail (você já deve ter recebido o dito cujo, provavelmente várias vezes) que situa a invenção da água oxigenada em 1.920. Nem coloco link. Basta ir ao Google e consultar água oxigenada. Milhares de blogs já reproduziram o tal e-mail.
Resultado: ou Tavares comeu bola ou o tal e-mail é mentiroso.
Claro que até os gênios cometem suas batatadas, vez em quando. Mas, no caso, fico com a segunda hipótese.
É inacreditável a quantidade de besteiras passadas e repassadas na Internet, via e-mails e blogs etc. Essa, a da invenção da água oxigenada, seria apenas mais uma.
Aliás, por falar em Google, se você pesquisar Miguel Sousa Tavares vai descobrir que o homem é polêmico. Há na Internet um sem número de textos desancando o coitado. Não o conheço a não ser pela leitura dos seus dois romances. Desse ponto de vista, é muito bom. Além do mais, parece que é adepto do FC Porto.
Talvez seu maior defeito, involuntário, é verdade, seja ter um nome cuja sigla é MST.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Downhill em Bragança
Não vejo a hora de subir em uma bicicleta e descer ladeira abaixo.
Sempre fiel ao lema Pra baixo todo santo ajuda.
sábado, 16 de maio de 2009
Solar Bragançano
De tanto irmos ao Solar, a Baixinha iniciou uma amizade com a proprietária, sra. Ana.
Quando se aproximava o dia do retorno a São Paulo ela nos disse:
Venham cá na quinta-feira [nosso último dia em Bragança]. Quero servir-vos perdiz, que considero o melhor prato da casa.
Na hora do almoço, na quinta-feira, lá estávamos nós.
Ela, um tanto sem graça, nos informou que esperava que fôssemos jantar.
Dissemos, então, que voltaríamos para jantar.
Já nos preparávamos para ir embora quando ela insistiu para que comêssemos alguma coisa.
Serviu-nos um peixe, delicioso.
A certa altura do almoço, ela – discretamente – chegou-se à nossa mesa e nos mostrou, em um saco plástico – as duas perdizes que fariam nossa delícia ao jantar. Estavam lá, quietinhas (sejamos claros: mortinhas), com suas penas e tudo mais que compõe uma perdiz.
À noite, além do magnífico prato de perdiz, revisitámos a famosa musse de castanhas de autoria da sra. Ana.
Deveria ser compulsório, o saboreá-la de joelhos, em posição de prece.
Corroboração
Ronaldo, em sua entrevista à Folha de S.Paulo, disse que prefere que seu filho seja educado na Espanha. Prefere que seu filho tenha amigos europeus. Que a meninada brasileira é malandra. Etc etc.
É simples: quem pode, cai fora do Brasil.
Quem quiser que se escandalize.
Coloque a culpa da paisagem na janela.
Mas até a primeira-dama quis ter cidadania italiana.
Quem sabe ela venha a me ser útil, disse ela, com raro lampejo de perspicácia.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Explicação
Quando era criança, não via graça em ganhar qualquer competição (por exemplo, uma partida de botão) se não fosse de forma honesta.
Eu era assim. Fazer o quê.
Utilizei bons anos de minha juventude a lutar pelo que entendia ser a saída honrosa para o Brasil.
Fui torpedeado. Não me refiro ao óbvio: prisão, tortura etc.
O pior – para mim – foi a oposição de todos. Familiares, amigos, conhecidos. Todo mundo.
Claro que meus familiares sempre me seguraram a barra. Mas foi sempre apesar de.
Ninguém achava que eu estivesse certo.
Ao contrário: todo mundo queria que eu partisse pra outra. Que saísse dessa enrascada.
Enfim, saí.
Hoje sei que o caminho que tentei trilhar estava redondamente errado.
Passados muitos anos, consegui entender que o Brasil quer outra coisa de você. Quer que você seja esperto.
Pois bem. É isso que querem?
Fui esperto.
E me dei bem.
Mas não sou feliz por isso.
Divirto-me com os moralistas que reclamam da falta de ética de políticos etc.
São incompetentes.
Se tivessem um mínimo de capacidade, tirariam proveito.
É assim que funciona.
Meu sentimento em relação ao Brasil não poderia ser outro:
Tenho nojo deste país.
Nojo.
Aqui vivi mais de sessenta anos, lutei para que isto aqui fosse um lugar mais decente, fui massacrado por ter tido tal pretensão, cansei-me de ver a sacanagem prevalecer.
Por causa disso, vou embora, tão logo me seja possível.
Voltarei aqui com freqüência porque cá residem minhas irmãs e alguns de meus filhos e netos. Muitos de meus tios e tias. E primos e primas. Alguns pouquíssimos amigos. Enfim, porque – quer queira quer não – aqui estão minhas raízes.
Continuarei a sentir um frio na espinha ao assobiar o Hino Nacional.
Mas sei, a essa altura da vida, que isso é coisa de imbecil que não caiu na real.
Estamos nas mãos dos sindicalistas espertos, dos apóstolos e bispas sacanas, dos espertalhões da política, dos financistas malandros.
Adeus, pessoal. Tô fora.
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