quarta-feira, 22 de abril de 2009
A ida dos que ficaram
Pois bem. Nào tendo sido possível viajar na sexta, embarcámos no domingo.
Já na sexta, em Guarulhos, o atendente da TAP me dissera que eu teria de pagar uma multa de 100 euros para trocar a data das passagens de sábado para segunda. As passagens de Madrid ao Porto, diga-se. Mas o dito atendente informou que a multa poderia ser paga em Madrid, na segunda-feira. Eu, submisso ao princípio de que problema adiado é problema resolvido, deixei a multa para ser paga em Madrid. Até porque não senti firmeza no atendente, que encarava o monitor do computador dele com olhar de quem vislumbra um ET.
Partimos de São Paulo quase no horário. Sei lá por que ventos, chegámos a Madrid uns 45 minutos depois da hora prevista. Até aí tudo bem. Afinal, teríamos de fazer hora até o embarque para o Porto, às 12:40. E eram, apenas, 7:30.
Feita a alfândega (e eu, que temia a alfândega espanhola por minha mulher, dadas as notícias recentes sobre maus tratos a passageiros brasileiros, tive de ser esperado por ela, liberada que foi, instantaneamente, por um sonolento vigilante espanhol) fomos ao check in da TAP (depois de uns passeios por Barajas, claro, claro).
Como eu já esperava, a atendente disse-me para ir à loja da TAP, pagar a tal multa.
Para minha consternação, um muy amable rapaz informou-me: há a multa (100 euros), mais a diferença de tarifas: por insondáveis desígnios divinos, a passagem no vôo da segunda, no qual embarcaríamos, era sensivelmente mais cara que aquela de que não havíamos desfrutado no sábado, graças ao pecado original da perda do vôo São Paulo – Madrid. Resumo: havia que desembolsar 240 euros. Com o coração a sangrar, entreguei meu cartão de crédito para ser guilhotinado (debitado, para ser moderno).
Como quem vai às batatas, o dito rapaz pergunta ao funcionário a seu lado:
- Houve mesmo o vôo Madrid - Porto de sábado, 9:50?
- Não. Foi cancelado.
O muy amable devolve meu cartão de crédito e explica:
- Como o vôo que o senhor perdeu não houve, não há que cobrar multa nem diferença de tarifas. Pode embarcar.
E lá fomos nós, rumo a um ... –adivinhe! Embraer ERJ 145. Pura engenharia brasileira a serviço de nossas férias.
Eu jamais voara em um Embraer. Posso dizer que gostei. Só achei ridícula a divisão entre classe econômica e classe executiva: todos os assentos são iguais. O que separa as duas classes é uma cortininha. E, para gáudio dos que advogam facilidades para a mobilidade entre as classes, a base de sustentação da cortininha é móvel. A comissária de bordo pode colocá-la mais para a frente (e restringir os lugares disponíveis para os protegidos da sorte) ou pode deslocá-la para trás, diminuindo as desigualdades sociais. Bisbilhotando a classe executiva, constatei que as duas pessoas lá aboletadas, um ancião de ar esnobe e sua presumível esposa, sósia da rainha da Inglaterra, consumiam o mesmo sanduíche horrendo que matava a fome de nós, pobres mortais da fileira 6 em diante. Apenas o faziam em pratos de louca, enquanto nós o atacávamos a partir de bandejinhas de isopor.
Tudo isso parece apontar para o Brasil como o berço de um futuro e promissor socialismo. No bojo do qual todos lembrar-se-ào da Embraer e de seu papel preponderante na edificação da sociedade sem classes a partir da cortina flutuante de seus ERJ 145.
sábado, 18 de abril de 2009
A volta dos que não foram
Ontem, 17, era dia de partir para Bragança, no nordeste trasmontano. Desta vez, o roteiro era: Guarulhos – Madrid (pela Iberia), Madrid – Porto (pela TAP), e Porto – Bragança (de carro, alugado na Europcar).
Tudo organizadinho, bonitinho.
Apenas a dupla aqui (a Baixinha e eu) não considerou devidamente o tremendo trânsito paulistano de uma tarde de sexta-feira de um feriadão enorme (terça é feriado). E perdeu o vôo para Madrid.
Quando conseguimos que o táxi nos deixasse no embarque do aeroporto de Guarulhos já encontrámos o check in encerrado.
Toca a entrar em fila de espera para o vôo seguinte. Em vão. Tudo lotado.
Hoje, sábado: tudo igualmente lotado. Deve ser a crise.
Resultado: só poderemos partir amanhã, domingo.
E passámos a tarde de sexta-feira correndo da loja da Iberia para a loja da TAP e vice-versa. Com a enorme vantagem de fazer excelente exercício físico. Talvez propositalmente, as duas lojas ficam nos extremos opostos do aeroporto.
Finalmente, conseguimos transferir o vôo da TAP para segunda-feira, só que no vôo das 12:40 (o de hoje sairia às 9:50). Para quem tem chegada prevista a Madrid lá pelas 6:45 será uma bela oportunidade de conhecer todos os meandros do Barajas.
Ao entrar em contato agora pela manhã (pra ser exato, agora de madrugada, horário de São Paulo) com o pessoal da Europcar no Porto para explicar que precisava alterar a reserva do carro para segunda-feira, fui informado de que minha reserva continuaria viva. Não sei exatamente o que isso significa. Só espero que a tal reserva não morda.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Adriano, o Imperador
Imperador, o Nero também era.
Preparem-se. Depois da entrevista que o moço deu na tarde de hoje, a quantidade de bobagens que vamos ler/ouvir a respeito vai bater recordes.
Então, por que não colocar aqui algumas bobagens de minha autoria?
Adriano é da estirpe de Ronaldo, Ronaldinho, Robinho, Viola etc etc.
Viola, por exemplo, foi viver na Espanha e não se habituou à comida local. Chegou a alimentar-se apenas de biscoitos. Para um atleta profissional isso deve ser excelente. Aliás, pra qualquer um.
Viola sentia falta do arroz-feijão-mistura de seus tempos de favela.
Maravilha. A comida espanhola não chega aos pés de uma gororoba dessas.
Adriano vivia à beira do lago Cuomo.
Tem, com a Inter de Milão, contrato de 5 milhões de euros anuais.
Tudo bobagem. O bom é curtir os amigos em uma favela carioca.
Quando ainda não havia o fatídico politicamente correto, se alguém dizia que um fulano era louco, logo se perguntava:
- Rasga dinheiro?
Outro dito popular que me ocorre:
- Dinheiro não aceita desaforo.
Quando acabar a grana, o Imperador ficará também sem os amigos de agora.
E sentirá saudades destas paisagens do lago Cuomo:
Sobre corrupção - 3
A corrupção também nos dá suas lições. Por exemplo, ela ensina que branco e preto só tabuleiro de xadrez. De resto, há sempre zonas cinzentas. No caso, entre o legal e o ilegal. Ou, se preferir, entre o legal e o legal!
Veja o caso do auxílio moradia para os parlamentares brasileiros. Na atual avalanche de denúncias contra nossos valorosos representantes, surgiu a questão do uso do auxílio moradia (que deveria cobrir aluguel de imóvel para o parlamentar em Brasília) para pagamento de leasing de flat em hotel sofisticado.
Fui buscar no Google links sobre o assunto e encontrei vários: quase todos do início do século. A coisa é mais velha que andar pra frente.
Um deles termina citando o comentário de Gilberto Kassab, na época deputado federal, hoje prefeito de São Paulo:
"Fiz um negócio legal. Não tenho nada a esconder", afirma ele. O imóvel está registrado em nome da empresa RK Engenharia – que pertence ao próprio deputado Gilberto Kassab. Escondeu só um pouquinho.
Ora, o parlamentar recebe R$ 3.800,00 por mês para pagar aluguel de um imóvel. Em vez disso, usa o auxílio para pagar prestação do flat em que se hospeda e depois de algum tempo é dono do tal flat. Todo mundo saiu ganhando. Ou, ao menos, ninguém perdeu: o auxílio iria ser pago de qualquer forma; o parlamentar iria morar de graça mesmo; quando abandonasse o imóvel simplesmente devolveria as chaves e até logo. Ao fazer o leasing ganha o imóvel. Não é interessante?
quinta-feira, 2 de abril de 2009
De marolinhas e tsunamis
Andam querendo assustar a gente. Talvez sem intenção. Talvez apenas porque assim vendam mais jornais.
Mas, nesse aspecto, sou mais Lula: a situação está mais pra marolinha.
As manchetes são sempre do tipo:
INDÚSTRIA DA GOIABADA NÃO DEMITIA TANTOS DESDE 2.001
Os olhos do leitor se arregalam. Já se sente desempregado, apesar de não trabalhar em nada parecido com fábrica de goiabada.
Ocorre que, bem lida, essa frase pode ser reescrita assim:
AGORINHA MESMO, EM 2.001, INDÚSTRIA DA GOIABADA DEMITIU TANTO OU MAIS QUE ESTA SEMANA.
Ora, se sobrevivi a 2.001, até com alguma galhardia, qual o problema? Sobreviverei também a 2.009. Se não eu, ao menos a indústria da goiabada.
É verdade que, volta e meia, surge alguma manchete um tanto mais assustadora:
PRODUÇÃO DE PICOLÉS DE COCO ATINGE SEU NÍVEL MAIS BAIXO DESDE 1.944.
Epa! Agora complicou um pouco. Nasci em 1.945. De sorte que acabo de ser informado de que jamais, durante a minha já exageradamente longa existência, produziram-se tão poucos picolés de coco. Aqueles que na minha infância a Kibon chamava de Jajá.
Mas, pensando bem, nem essa manchete é tão terrível. Mesmo com uma oferta pequena de Jajás, sob o calorão reinante em Santos, meu pai e minha mãe não desistiram de me fabricar.
E cá estou eu. Com ou sem picolés de coco.
Sobre corrupção - 2
Como vimos na primeira lição, a corrupção não é pra qualquer um. É pra quem tem talento.
Mas o povão se esforça pra se mostrar digno dela.
Você conhece alguém que passe escritura de imóvel pelo valor real da transação?
Eu conheci um: meu pai.
Ele cometeu esse deslize e pagou caro por isso. Os fiscais passaram lá em casa e descobriram alguns pelos em ovo para multá-lo (década de 50, século passado).
Quem mandou querer ser diferente, não é mesmo?
Outro dia, em entrevista a Marília Gabriela, Eduardo Giannetti lembrou episódio vivido por ele: alunos seus participaram de passeata exigindo ética na política. Dias depois, durante prova, tentaram colar adoidado.
Pois é.
Como costumava dizer minha mãe:
- Todo mundo é muito honesto mas meu capote sumiu.
Nossos políticos são corruptos? Claro.
Mas continuarão a ser eleitos porque o pessoal prefere votar em corrupto. O eleitor raciocina: quem sabe esse cara me descola alguma boquinha.
Aliás, esse raciocínio já é tão generalizado que gente honesta (ou cagona) nem se candidata.
Com isso, podemos unir estas novas reflexões às da primeira lição:
Todo mundo procura ser corrupto. Se só consegue praticar as pequenas corrupções do cotidiano, paciência. Fica nisso. Omite alguns rendimentos na declaração de imposto de renda. Se é um mísero assalariado e essa omissão não é possível, trata de inflar as despesas médicas, incluir dependentes inexistentes ou não permitidos etc etc.
Chateado por não poder praticar corrupções de vulto, vota em camaradas que façam isso por ele.
Em resumo, concluímos que todo mundo comete seus pecadilhos. Os talentosos partem pra pecados capitais. Os demais ou se contentam em admirar os bem sucedidos ou desabafam fazendo a apologia da virtude.
Qualquer hora destas, terceira aula.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Sobre corrupção - 1
É. Começo com “1” porque acho que vou escrever vários posts sobre isso.
Mas vamos devagar.
Por enquanto, vou ressaltar apenas um aspecto da corrupção:
A corrupção exige talento do corrupto.
Pode reparar. Todo mundo (todo mundo, em termos. Só o pessoal pequeno burguês ressentido que escreve pra jornais, faz comentários em blogs, manda e-mails pra meio mundo etc), todo mundo, como eu dizia, fala cobras e lagartos contra a corrupção. É sempre aquilo de “assim não é possível”, “que falta de vergonha” etc etc.
Acontece que – esses mesmos caras – se pudessem, seriam corruptos. Com uma honrosa exceção: a dos cagões. É.
Há muita gente que não pratica corrupção porque se caga de medo.
Então, chegamos a uma brilhante taxonomia: há os corruptos, os cagões e alguns poucos loucos desvairados.
Entre os corruptos, há toda uma subdivisão. Mas, por hora, ficaremos com os cagões.
Esses, ou realmente têm um medo imenso de serem repreendidos pelo sistema ou – simplesmente – não se corrompem por falta de talento para tanto.
Pois é isso: ser corrupto não é pra qualquer um. Tem gente que, ao criticar algum corrupto exposto à execração pública, afirma coisas tais como:
- Assim até eu! Roubando desse jeito!
Acontece que se você conseguisse colocar o tal crítico em situação de poder corromper-se, na grande maioria dos casos ele não conseguiria consumar o ato de corrupção.
Corromper-se exige engenho e arte.
E isso, essa verdade simples e elementar, jamais será acatada por um moralista.
A primeira lição acaba aqui. O aprendizado tem de ser lento. Afinal, a contra informação é gigantesca e esmagadora.
terça-feira, 31 de março de 2009
Há esperança
O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta em cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima a baixo! Toda a vida espiritual, intelectual, parada. O tédio invadiu todas as almas. A mocidade arrasta-se envelhecida das mesas das secretarias para as mesas dos cafés. A ruína económica cresce, cresce, cresce. As quebras sucedem-se. O pequeno comércio definha. A indústria enfraquece. A sorte dos operários é lamentável. O salário diminui. A renda também diminui. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como inimigo.
Poucos discordarão dessa descrição dos dias atuais.
Ocorre que este trecho faz parte do primeiro número de As Farpas, de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão. É de maio de 1.871 mas começou a ser vendido em Lisboa no mês de junho.
Então, viva!
Se tudo já era assim há 138 anos, talvez não piore antes de 2.147.
quarta-feira, 11 de março de 2009
Reflexões quase teológicas

Se houvesse um Código de Defesa do Consumidor quando Deus criou o mundo, ele teria sido obrigado - depois do primeiro pecado de Adão e Eva - a providenciar recall do ser humano.
* * * * *
Do jeito como anda deteriorada a humanidade, é capaz de já estar vencido seu prazo de validade.
domingo, 8 de março de 2009
Dia da mulher
1° Coríntios 14, 34-35: Conservem-se as mulheres caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar; mas estejam submissas como também a lei o determina. Se porém, querem aprender alguma cousa, interroguem, em casa, a seus próprios maridos, porque para a mulher é vergonhoso falar na igreja.
sábado, 7 de março de 2009
Para minha neta Bruna
És a primeira filha de minha primeira filha.
Amo meus demais filhos tanto quanto amo minha primogênita.
Mas primeiro filho é primeiro filho.
Quando saí da Maternidade São Paulo, na Frei Caneca, em São Paulo, pra ir buscar em casa algumas roupas pra minha mulher logo depois de minha primogênita ter nascido e ouvi no rádio o locutor dizer:
- 28 de novembro de 1.975,
senti alguma coisa dentro de mim que jamais se reproduziu.
Não há sentimento comparável àquele que se tem com o nascimento do primeiro filho.
Vai daí, sei que tua mãe vai amar tua irmã, Isabella, tanto quanto te ama.
Mas jamais qualquer coisa poderá suplantar o teu surgimento.
Dito isso, quero que ouças esse DVD que te envio.

Ele serve pra duas coisas, ao menos:
Em primeiro lugar, as músicas que vais ouvir são – quase todas – as que passei minha infância a cantar.
Isso servirá, me parece, para que conheças melhor teu avô.
Em segundo lugar, poderás conhecer melhor a cultura do país em que vives. Essas músicas fazem parte da formação de quase todas as crianças americanas.
Teu avô é ateu. Mas, se puderes crer na mensagem que essas músicas transmitem, melhor pra ti.
Se não, se não precisares dessa muleta, enfrenta as dificuldades por tua conta, mas ouvindo boa música gospel, como eu.
Beijinhos trasmontanos do
grampa Beto
sexta-feira, 6 de março de 2009
Se crês em lúfrios,
eu te abranizo!
Acabo de criar uma religião. A Igreja Carólica da Goiabada Azeda.
Ela consiste na adoração de alguns poucos deuses, a saber: Paterson, Sonson e Holyspirson (por serem deuses brasileiros e de origem popular, seus nomes tinham de terminar em son).
Quem quiser aderir, basta acreditar neles, depositar neles toda sua esperança e fé.
Só não podes acreditar em lúfrios.
Caso incorras nesse grave pecado, eu te abranizo!
Ser abranizado é o pior castigo que se pode infligir a um fiel, na Carólica.
É óbvio que só vai ficar chateado com a abranização de quem quer que seja o sujeito que se deixar seduzir pela minha conversa mole, ou melhor, carólica.
Vai daí, não sei por que todo esse alvoroço só porque um arcebispo, ou algo assim, excomungou a mãe e a equipe médica que fez o aborto da menina de nove anos estuprada pelo padrasto.
Mesmo quando ele, o arcebispo, colocou a cereja no bolo ao afirmar que o padrasto não pode ser excomungado porque o que ele fez não permite a excomunhão, continuo sem saber para que tanto alarido.
Só é prejudicado pela tal excomunhão aquele que leva essa entidade abjeta que é a igreja católica romana a sério. E, agora digo eu, se o cidadão se sente diminuído pela excomunhão é porque a merece.
Aliás, além de excomungados, considerem-se também abranizados pela Igreja Carólica da Goiabada Azeda.
domingo, 1 de março de 2009
Questão de qualidade
Se não me engano, a Bíblia diz que quem crê recebe a vida eterna. Quem não crê, a morte.
Ao menos é o que parecem dizer estes versículos:
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3:16)
Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor. (Romanos 6:23)
Penso não ser bem assim (blogueiro dá palpite em tudo).
Apesar das diferentes maneiras de se entender a palavra inferno, aprendi desde criança que inferno é um lugar quente pra burro onde a gente sofre muito. Acho até que vem daí meu pouco apreço pelo verão.
Pra sofrer como o diabo (sem trocadilho) é preciso estar vivo.
Portanto, a questão da salvação não se coloca como dilema entre a vida e a morte.
É tão somente uma questão de qualidade de vida.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
domingo, 22 de fevereiro de 2009
sábado, 21 de fevereiro de 2009
A formação de José Serra
Tenho lido alguns artigos que questionam a trajetória política de José Serra, governador de São Paulo que quer ser presidente da República do Brasil.
Questiona-se sua pretensa condição de economista.
Pergunta-se de que modo conseguiu o estudante de origem humilde sobreviver no exterior, primeiro no Chile, depois nos Estados Unidos.
Quanto à questão do diploma, me parece uma questão burocrática. A formação dele, no exterior, não foi validada no Brasil.
Já quanto aos recursos para sobreviver no exterior, tenho uma história pra contar:
Lá pelos idos de 1.991, fui convidado por um amigo a almoçar com ele e com seu sócio. Acontece que o tal sócio era colega nosso de Escola Politécnica. Nós três havíamo-nos formado no mesmo ano, ainda que em modalidades diferentes.
Claro que a conversa durante o almoço girou em torno da época de faculdade e dos colegas dos quais fomos nos lembrando.
O sócio de meu amigo, falecido tragicamente poucos anos depois, era conhecido por suas posições políticas mais à direita.
A certa altura, começou a revelar que na década de 60 os Estados Unidos haviam assediado vários líderes estudantis brasileiros para que fossem para lá, fazer alguns estudos, conhecer outros pontos de vista etc etc.
Citou o Serra como exemplo de um que topou.
Diga-se: o depoimento desse colega me pareceu, desde o primeiro momento, autêntico. Principalmente porque ele nos contou essa história para lamentar-se de – à época – não ter aceitado o convite.
Segundo a conclusão dele: todos os que aceitaram se deram muito bem.
A julgar pelo Serra, parece que sim.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Bem-vinda, Isabella
Nasceu ontem, no hospital de Norwalk, Connecticut, USA, minha segunda neta, Isabella.
Ela ainda não sabe o tamanho da fria em que entrou. Mas espero que colabore pra que esse mundo se torne menos insuportável.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
A dificuldade de ser original
Na década de 70, século passado, já lá se vão uns trinta anos, meu colega de trabalho João Gutierrez (às vezes também chefe) chegou à empresa em uma segunda-feira pós final de semana prolongado com a seguinte história:
Passara o final de semana, com a família (mulher e filhos pequenos), em alguma praia do litoral norte de São Paulo. No domingo, ficou matutando: qual a melhor hora pra voltar a São Paulo?
Conclusão: resolveu voltar de madrugada. Acordou a família lá pelas 3 da manhã, colocou tudo no carro e preparou-se para percorrer uma estrada vazia.
Quando chegou à estrada, tudo parado. Uma multidão de carros deslocava-se vagarosamente.
Demorou horas pra chegar em casa.
Deduziu: em São Paulo, quando você tem uma ideia qualquer, pode ter certeza de que um milhão de pessoas está tendo a mesma ideia ao mesmo tempo.
Isso há trinta anos.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Reflexões quase econômicas
Portugal tem 2,4 carros por habitante.
Como será que fazem os portugueses para conduzir mais de 2 veículos ao mesmo tempo?
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Feira do Fumeiro em Vinhais
Já, já, em agosto, completam-se dez anos desde quando conheci Vinhais.
E - incrível - nunca lá estive na época da Feira do Fumeiro.
A Saltapocinhas me questiona, em comentário:
Tens uma feira de fumeiro e enchidos na tua terra e andas por aí a ouvir discursos de políticos?? ai, ai...
A censura dela esquece que não se faz tudo que se quer (além de ser apenas uma brincadeira).
Quando estiver a morar em Bragança não perderei nenhuma Feira do Fumeiro. A menos que haja neve o bastante para impedir que se chegue a Vinhais.
Mas, para isso, é preciso que a tal Comissão de Anistia dê andamento ao processo em que solicito o reconhecimento de um ano e meio de trabalho na USP. Período esse que a Reitoria da USP não quis reconhecer.
A questão é essa: para ir morar em Bragança é preciso, antes, tratar da aposentadoria/reforma.
Ocorre que trabalhei alguns anos na USP. Preciso que esse tempo de trabalho seja contado para completar meus 35 anos de trabalho comprovado.
Comecei a trabalhar na USP no início de 1.970, com a criação do Instituto de Matemática e Estatística (IME-USP).
No final de julho de 1.971 fui preso.
Meu contrato com a USP durou até meados de 1.972 e não foi renovado porque eu continuava em cana.
Saí em liberdade condicional no início de 1.973. O IME-USP me chamou para continuar a trabalhar lá, mas não havia condições políticas para a recontratação. Sugeriram, então, que eu ficasse recebendo bolsa de estudos até que se fizesse uma anistia que permitisse minha nova contratação.
Fiquei mais um ano e meio.
Como a anistia não aparecia no final do túnel, arrumei emprego em empresa e fui embora da USP.
Inicialmente, a USP só reconhecia o tempo de trabalho até a data da prisão.
Recorri administrativamente e consegui que a USP reconhecesse o período em que estive preso.
Quanto ao ano e meio posterior à prisão, disseram que só a Comissão de Anistia poderia reconhecer.
Entrei com processo há dois anos e meio. Ele continua parado no protocolo.
Caso a Comissão reconheça meu ano e meio final na USP, posso me aposentar ainda este ano. Caso contrário, só no final de 2.010.
Como leio nos jornais que a Comissão de Anistia pretende analisar todos os processos até o final de 2.010, já imagino o final dessa novela: no final de 2.010, quando eu não precisar mais desse tempo para completar os 35 anos de trabalho, eles - alegremente - me reconhecerão o tal ano e meio.
(e pensar que toda essa conversa começou graças a alheiras e chouriças)
As armadilhas dos idiomas
Um mexicano procurado pela Espanha por liderar tráfico de cocaína para a Europa foi localizado em presídio de São Paulo, dizendo-se natural de Minas Gerais.
Ele acabou por trair-se ao mencionar ter um niño (em vez de dizer que tinha um filho).
Claro. Pra se passar por mineiro, ele tinha de dizer:
- Tenho um niño, uai.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Bacalhau basta
Hoje, segunda-feira, dia 2 de fevereiro, é dia de Iemanjá.
Sei disso desde garoto, graças aos versos de Caymmi, na canção Dois de Fevereiro:
Dia 2 de fevereiro
Dia de festa no mar.
Eu quero ser o primeiro
a saudar Iemanjá.
Hoje, segunda-feira, dia 2 de fevereiro, faz 5 anos que este blog começou.
Uma coisa nada tem a ver com a outra.
Coincidência, apenas.
Aliás, hoje é dia de eleições no Congresso brasileiro.
Sarney foi eleito presidente do Senado. Enquanto eu almoçava, ele começou seu discurso de posse. Quase perdi o apetite ao verificar como o homem se leva a sério. Mencionou o número de livros que já perpetrou, não esqueceu de dizer que alguns foram traduzidos para outras línguas. Lembrou que faz parte de várias associações literárias mundo afora. É o decano da Academia Brasileira de Letras.
Os demais elogios que ele outorgou à sua modesta pessoa não tive o desprazer de ouvir. Desliguei a TV.
Na Câmara dos Deputados o presidente eleito foi Michel Temer.
Enquanto o primeiro dedicava boa parte de seu tempo a maltratar a Língua Portuguesa, o segundo usava seu tempo livre, poucos anos atrás, batendo em algo menos intangível.
Outra pura coincidência.
O fato é que esses serão os sucessores de Lula e José Alencar pelos próximos dois anos.
E você queria que eu produzisse um blog melhor?
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Sempre os mesmos
O advogado de Battisti é Luiz Eduardo Greenhalgh.
Fui ao blog do Favre para ver o que ele tem dito a propósito do Cesare Battisti. Surpresa: nadica de nada.
O Favre (e o irmão dele) eram os encarregados, lá pelas décadas de 70, 80, de trazerem pro Brasil a grana da IV Internacional, pra dar pros trotskistas daqui. Quem recebia o dinheiro era o Jorge Mattoso, aquele que se queimou porque entregou ao Palocci os extratos bancários do caseiro Francenildo (aliás, foi assim que o Mattoso acabou conhecendo a Marta, quando ela se enamorou do Favre, e passou a ser assessor próximo dela e, por fim, presidente da Caixa).
Eu achava que ele, o Favre, faria uma veemente defesa do - como diz o Zé Dirceu - escritor italiano Battisti. Ou não, sei lá.
Nada. Afinal, quem tem, tem medo. O cônjuge da dona Marta ficou na muda.
Em boca fechada não entra tiro, não é mesmo?, Celso Daniel.
sábado, 24 de janeiro de 2009
Sobre a OSESP
Não sou nenhum insider em relação à OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo). Apenas assisto aos concertos semanais desde 1900 e qualquer coisa. Nos primeiros anos, ia toda semana (ou seja, assinava as quatro séries). A partir de 2.001, com a chegada dos netos e os conseqüentes apelos dos pais para que tomasse conta deles, passei a assinar uma única série (ou seja, freqüentar a Sala São Paulo apenas uma vez por mês).
Tenho grandes amigos que adoram a orquestra e simplesmente odeiam o Neschling.
Parece que a maioria dos freqüentadores dos concertos semanais está feliz com a saída do cidadão. Eu, apesar de não ter nenhuma simpatia especial por ele (nem o contrário) e desconfiar que ele deve ser mesmo insuportável pessoalmente, me pergunto como ficará a OSESP no pós-Neschling.
O fato é que as orquestras, no Brasil, sempre foram bem brasileiras, ou seja: músicos sofríveis, recebendo salários miseráveis, fingindo que se dedicam, fazendo um monte de bicos pra sobreviver etc etc. Resultado: muitas obras não podiam ser executadas pois sua complexidade ficava acima da competência dos integrantes da orquestra.
Será que a OSESP voltará a esse nível?
Será que meus amigos que tanto malham o Neschling gostarão do que vão ouvir daqui em diante?
É esperar pra ver.
Apenas me assusta o fato de o Neschling ter sido demitido pelo... Fernando Henrique Cardoso. Aquele.
Durante oito anos ele azucrinou o país como presidente.
Não confiaria nesse camarada para síndico do prédio em que moro.
Será que ele saberá conduzir o processo de escolha do substituto do Neschling?
Por fim: parece que o grande pecado do Neschling é a soberba. Ora, o Vilem Flusser, há muitos anos, já mostrou que – entre os sete pecados capitais – a Arte é a Soberba.
Irão escolher um maestro humilde, bonzinho, que deixe os músicos à vontade etc e tal?
Hmmm. Veremos, veremos. Mas que sinto cheiro de queimado, isso é verdade.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Ainda sobre Obama
Pra não dizer que não falei de...
...assuntos do dia, da semana: Obama, Faixa de Gaza, decisão do Tarso Genro de dar abrigo ao italianinho assassino etc etc.
Pra mim, o Reinaldo Azevedo combina com o - como é mesmo? - Marcelo Coelho de os dois se atacarem pra dar audiência. Por que não?
Vai daí, que eu prefiro falar de neve em Bragança.
De calor em São Paulo. Aliás, nem tanto. Hoje.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Desabar em Cristo
Sempre me impressionei com a enorme quantidade de acidentes em estradas brasileiras envolvendo romeiros (aqui, aqui etc etc). Enfim, os peregrinos acabam por ir direto ao céu sem precisar passar por Aparecida.
Agora foi o teto da sede da Renascer em Cristo que veio abaixo (aqui).
Parece que o apóstolo burlão e sua incrível bispa descobriram uma forma mais rápida de colocar os fiéis em contato com o Criador.
Sei que alguns hão de me criticar por não me condoer com a desgraça dos fiéis.
Estão enganados.
Considero qualquer templo da Renascer (e de outras falcatruas do gênero) uma tragédia, principalmente enquanto o teto não desaba.
domingo, 18 de janeiro de 2009
8.000 km
oje fiz cocozinhos brancos.
Não. Não fui eu.
Esse é o início da descrição de um dia qualquer de algum mês de um ano genérico no diário de Salvador Dali.
Jamais fiz ou farei cocozinhos brancos. De mesmo que jamais pintarei qualquer coisa longinquamente parecida com a obra do gênio.
Melhor: jamais pintarei qualquer coisa.
Mas meu sábado, vivido sobre o Atlântico, entre Porto e São Paulo, permitiu-me ver Vicky Cristina Barcelona, de Allen.
E, já em São Paulo, assisti a vídeo sobre a relação de Elvis Presley com a música Gospel.
Não sei se Allen ou Presley fizeram, alguma vez, cocozinhos brancos.
Talvez isso nem seja significativo.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Até qualquer dia destes, Portugal
São cinco da tarde e estou a saborear um fino, imperial, chopp, como queiram.
Ah! no majestoso Majestic, no Porto.
No Brasil ainda são 3 da tarde. Aqui, logo baixa a noite.
Deixamos Braganca ainda com alguma neve. Cá no Porto não. Aqui a temperatura estará por volta dos 12 graus.
O pianista comecou a tocar. Como (quase) todo pianista de bar, sofrível.
Volto a postar em São Paulo, com seu calor de mais de 30 graus centígrados.
E com seus pianistas sofríveis, a buscar sobrevivência nos bares, restaurantes, churrascarias.
Até breve, Portugal.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Sobre israelenses e palestinos
ou Sobre israelitas e palestinianos, como preferem os portugueses (lembra a Saltapocinhas)
Quem sou eu para dar palpites sobre o conflito no Oriente Médio.
Apenas vos deixo um trecho do livro de Ester, do Velho Testamento:
Ester 8
1 Naquele mesmo dia deu o rei Assuero à rainha Ester a casa de Hamã, inimigo dos judeus; e Mardoqueu veio perante o rei, porque Ester tinha declarado quem ele era.
2 E tirou o rei o seu anel, que tinha tomado de Hamã e o deu a Mardoqueu. E Ester encarregou Mardoqueu da casa de Hamã.
3 Falou mais Ester perante o rei, e se lhe lançou aos seus pés; e chorou, e lhe suplicou que revogasse a maldade de Hamã, o agagita, e o intento que tinha projetado contra os judeus.
4 E estendeu o rei para Ester o cetro de ouro. Então Ester se levantou, e pôs-se em pé perante o rei,
5 E disse: Se bem parecer ao rei, e se eu achei graça perante ele, e se este negócio é reto diante do rei, e se eu lhe agrado aos seus olhos, escreva-se que se revoguem as cartas concebidas por Hamã filho de Hamedata, o agagita, as quais ele escreveu para aniquilar os judeus, que estão em todas as províncias do rei.
6 Pois como poderei ver o mal que sobrevirá ao meu povo? E como poderei ver a destruição da minha parentela?
7 Então disse o rei Assuero à rainha Ester e ao judeu Mardoqueu: Eis que dei a Ester a casa de Hamã, e a ele penduraram numa forca, porquanto estendera as mãos contra os judeus.
8 Escrevei, pois, aos judeus, como parecer bem aos vossos olhos, em nome do rei, e selai-o com o anel do rei; porque o documento que se escreve em nome do rei, e que se sela com o anel do rei, não se pode revogar.
9 Então foram chamados os escrivães do rei, naquele mesmo tempo, no terceiro mês (que é o mês de Sivã), aos vinte e três dias; e se escreveu conforme a tudo quanto ordenou Mardoqueu aos judeus, como também aos sátrapas, e aos governadores, e aos líderes das províncias, que se estendem da índia até Etiópia, cento e vinte e sete províncias, a cada província segundo o seu modo de escrever, e a cada povo conforme a sua língua; como também aos judeus segundo o seu modo de escrever, e conforme a sua língua.
10 E escreveu-se em nome do rei Assuero e, selando-as com o anel do rei, enviaram as cartas pela mão de correios a cavalo, que cavalgavam sobre ginetes, que eram das cavalariças do rei.
11 Nelas o rei concedia aos judeus, que havia em cada cidade, que se reunissem, e se dispusessem para defenderem as suas vidas, e para destruírem, matarem e aniquilarem todas as forças do povo e da província que viessem contra eles, crianças e mulheres, e que se saqueassem os seus bens,
12 Num mesmo dia, em todas as províncias do rei Assuero, no dia treze do duodécimo mês, que é o mês de Adar;
13 E uma cópia da carta seria divulgada como decreto em todas as províncias, e publicada entre todos os povos, para que os judeus estivessem preparados para aquele dia, para se vingarem dos seus inimigos.
14 Os correios, sobre ginetes velozes, saíram apressuradamente, impelidos pela palavra do rei; e esta ordem foi publicada na fortaleza de Susã.
15 Então Mardoqueu saiu da presença do rei com veste real azul-celeste e branco, como também com uma grande coroa de ouro, e com uma capa de linho fino e púrpura, e a cidade de Susã exultou e se alegrou.
16 E para os judeus houve luz, e alegria, e gozo, e honra.
17 Também em toda a província, e em toda a cidade, aonde chegava a palavra do rei e a sua ordem, havia entre os judeus alegria e gozo, banquetes e dias de folguedo; e muitos, dos povos da terra, se fizeram judeus, porque o temor dos judeus tinha caído sobre eles.
Ester 9
1 E, no duodécimo mês, que é o mês de Adar, no dia treze do mesmo mês em que chegou a palavra do rei e a sua ordem para se executar, no dia em que os inimigos dos judeus esperavam assenhorear-se deles, sucedeu o contrário, porque os judeus foram os que se assenhorearam dos que os odiavam.
2 Porque os judeus nas suas cidades, em todas as províncias do rei Assuero, se ajuntaram para pôr as mãos naqueles que procuravam o seu mal; e ninguém podia resistir-lhes, porque o medo deles caíra sobre todos aqueles povos.
3 E todos os líderes das províncias, e os sátrapas, e os governadores, e os que faziam a obra do rei, auxiliavam os judeus porque tinha caído sobre eles o temor de Mardoqueu.
4 Porque Mardoqueu era grande na casa do rei, e a sua fama crescia por todas as províncias, porque o homem Mardoqueu ia sendo engrandecido.
5 Feriram, pois, os judeus a todos os seus inimigos, a golpes de espada, com matança e com destruição; e fizeram dos seus inimigos o que quiseram.
6 E na fortaleza de Susã os judeus mataram e destruíram quinhentos homens;
7 Como também a Parsandata, e a Dalfom e a Aspata,
8 E a Porata, e a Adalia, e a Aridata,
9 E a Farmasta, e a Arisai, e a Aridai, e a Vaisata;
10 Os dez filhos de Hamã, filho de Hamedata, o inimigo dos judeus, mataram, porém ao despojo não estenderam a sua mão.
11 No mesmo dia foi comunicado ao rei o número dos mortos na fortaleza de Susã.
12 E disse o rei à rainha Ester: Na fortaleza de Susã os judeus mataram e destruíram quinhentos homens, e os dez filhos de Hamã; nas mais províncias do rei que teriam feito? Qual é, pois, a tua petição? E dar-se-te-á. Ou qual é ainda o teu requerimento? E far-se-á.
13 Então disse Ester: Se bem parecer ao rei, conceda-se aos judeus que se acham em Susã que também façam amanhã conforme ao mandado de hoje; e pendurem numa forca os dez filhos de Hamã.
14 Então disse o rei que assim se fizesse; e publicou-se um edito em Susã, e enforcaram os dez filhos de Hamã.
15 E reuniram-se os judeus que se achavam em Susã também no dia catorze do mês de Adar, e mataram em Susã trezentos homens; porém ao despojo não estenderam a sua mão.
16 Também os demais judeus que se achavam nas províncias do rei se reuniram e se dispuseram em defesa das suas vidas, e tiveram descanso dos seus inimigos; e mataram dos seus inimigos setenta e cinco mil; porém ao despojo não estenderam a sua mão.
17 Sucedeu isto no dia treze do mês de Adar; e descansaram no dia catorze, e fizeram, daquele dia, dia de banquetes e de alegria.
18 Também os judeus, que se achavam em Susã se ajuntaram nos dias treze e catorze do mesmo; e descansaram no dia quinze, e fizeram, daquele dia, dia de banquetes e de alegria.
19 Os judeus, porém, das aldeias, que habitavam nas vilas, fizeram do dia catorze do mês de Adar dia de alegria e de banquetes, e dia de folguedo, e de mandarem presentes uns aos outros.
20 E Mardoqueu escreveu estas coisas, e enviou cartas a todos os judeus que se achavam em todas as províncias do rei Assuero, aos de perto, e aos de longe,
21 Ordenando-lhes que guardassem o dia catorze do mês de Adar, e o dia quinze do mesmo, todos os anos,
22 Como os dias em que os judeus tiveram repouso dos seus inimigos, e o mês que se lhes mudou de tristeza em alegria, e de luto em dia de festa, para que os fizessem dias de banquetes e de alegria, e de mandarem presentes uns aos outros, e dádivas aos pobres.
23 E os judeus encarregaram-se de fazer o que já tinham começado, como também o que Mardoqueu lhes tinha escrito.
24 Porque Hamã, filho de Hamedata, o agagita, inimigo de todos os judeus, tinha intentado destruir os judeus, e tinha lançado Pur, isto é, a sorte, para os assolar e destruir.
25 Mas, vindo isto perante o rei, mandou ele por cartas que o mau intento que Hamã formara contra os judeus, se tornasse sobre a sua cabeça; pelo que penduraram a ele e a seus filhos numa forca.
26 Por isso aqueles dias chamam Purim, do nome Pur; assim também por causa de todas as palavras daquela carta, e do que viram sobre isso, e do que lhes tinha sucedido,
27 Confirmaram os judeus, e tomaram sobre si, e sobre a sua descendência, e sobre todos os que se achegassem a eles, que não se deixaria de guardar estes dois dias conforme ao que se escrevera deles, e segundo o seu tempo determinado, todos os anos.
28 E que estes dias seriam lembrados e guardados em cada geração, família, província e cidade, e que esses dias de Purim não fossem revogados entre os judeus, e que a memória deles nunca teria fim entre os de sua descendência.
29 Então a rainha Ester, filha de Abiail, e Mardoqueu, o judeu, escreveram com toda autoridade uma segunda vez, para confirmar a carta a respeito de Purim.
30 E mandaram cartas a todos os judeus, às cento e vinte e sete províncias do reino de Assuero, com palavras de paz e verdade.
31 Para confirmarem estes dias de Purim nos seus tempos determinados, como Mardoqueu, o judeu, e a rainha Ester lhes tinham estabelecido, e como eles mesmos já o tinham estabelecido sobre si e sobre a sua descendência, acerca do jejum e do seu clamor.
32 E o mandado de Ester estabeleceu os sucessos daquele Purim; e escreveu-se no livro.
Ester 10
1 Depois disto impôs o rei Assuero tributo sobre a terra, e sobre as ilhas do mar.
2 E todos os atos do seu poder e do seu valor, e o relato da grandeza de Mardoqueu, a quem o rei exaltou, porventura não estão escritos no livro das crônicas dos reis da Média e da Pérsia?
3 Porque o judeu Mardoqueu foi o segundo depois do rei Assuero, e grande entre os judeus, e estimado pela multidão de seus irmãos, procurando o bem do seu povo, e proclamando a prosperidade de toda a sua descendência.
Quem sou eu para dar palpites sobre o conflito no Oriente Médio.
Apenas vos deixo um trecho do livro de Ester, do Velho Testamento:
Ester 8
1 Naquele mesmo dia deu o rei Assuero à rainha Ester a casa de Hamã, inimigo dos judeus; e Mardoqueu veio perante o rei, porque Ester tinha declarado quem ele era.
2 E tirou o rei o seu anel, que tinha tomado de Hamã e o deu a Mardoqueu. E Ester encarregou Mardoqueu da casa de Hamã.
3 Falou mais Ester perante o rei, e se lhe lançou aos seus pés; e chorou, e lhe suplicou que revogasse a maldade de Hamã, o agagita, e o intento que tinha projetado contra os judeus.
4 E estendeu o rei para Ester o cetro de ouro. Então Ester se levantou, e pôs-se em pé perante o rei,
5 E disse: Se bem parecer ao rei, e se eu achei graça perante ele, e se este negócio é reto diante do rei, e se eu lhe agrado aos seus olhos, escreva-se que se revoguem as cartas concebidas por Hamã filho de Hamedata, o agagita, as quais ele escreveu para aniquilar os judeus, que estão em todas as províncias do rei.
6 Pois como poderei ver o mal que sobrevirá ao meu povo? E como poderei ver a destruição da minha parentela?
7 Então disse o rei Assuero à rainha Ester e ao judeu Mardoqueu: Eis que dei a Ester a casa de Hamã, e a ele penduraram numa forca, porquanto estendera as mãos contra os judeus.
8 Escrevei, pois, aos judeus, como parecer bem aos vossos olhos, em nome do rei, e selai-o com o anel do rei; porque o documento que se escreve em nome do rei, e que se sela com o anel do rei, não se pode revogar.
9 Então foram chamados os escrivães do rei, naquele mesmo tempo, no terceiro mês (que é o mês de Sivã), aos vinte e três dias; e se escreveu conforme a tudo quanto ordenou Mardoqueu aos judeus, como também aos sátrapas, e aos governadores, e aos líderes das províncias, que se estendem da índia até Etiópia, cento e vinte e sete províncias, a cada província segundo o seu modo de escrever, e a cada povo conforme a sua língua; como também aos judeus segundo o seu modo de escrever, e conforme a sua língua.
10 E escreveu-se em nome do rei Assuero e, selando-as com o anel do rei, enviaram as cartas pela mão de correios a cavalo, que cavalgavam sobre ginetes, que eram das cavalariças do rei.
11 Nelas o rei concedia aos judeus, que havia em cada cidade, que se reunissem, e se dispusessem para defenderem as suas vidas, e para destruírem, matarem e aniquilarem todas as forças do povo e da província que viessem contra eles, crianças e mulheres, e que se saqueassem os seus bens,
12 Num mesmo dia, em todas as províncias do rei Assuero, no dia treze do duodécimo mês, que é o mês de Adar;
13 E uma cópia da carta seria divulgada como decreto em todas as províncias, e publicada entre todos os povos, para que os judeus estivessem preparados para aquele dia, para se vingarem dos seus inimigos.
14 Os correios, sobre ginetes velozes, saíram apressuradamente, impelidos pela palavra do rei; e esta ordem foi publicada na fortaleza de Susã.
15 Então Mardoqueu saiu da presença do rei com veste real azul-celeste e branco, como também com uma grande coroa de ouro, e com uma capa de linho fino e púrpura, e a cidade de Susã exultou e se alegrou.
16 E para os judeus houve luz, e alegria, e gozo, e honra.
17 Também em toda a província, e em toda a cidade, aonde chegava a palavra do rei e a sua ordem, havia entre os judeus alegria e gozo, banquetes e dias de folguedo; e muitos, dos povos da terra, se fizeram judeus, porque o temor dos judeus tinha caído sobre eles.
Ester 9
1 E, no duodécimo mês, que é o mês de Adar, no dia treze do mesmo mês em que chegou a palavra do rei e a sua ordem para se executar, no dia em que os inimigos dos judeus esperavam assenhorear-se deles, sucedeu o contrário, porque os judeus foram os que se assenhorearam dos que os odiavam.
2 Porque os judeus nas suas cidades, em todas as províncias do rei Assuero, se ajuntaram para pôr as mãos naqueles que procuravam o seu mal; e ninguém podia resistir-lhes, porque o medo deles caíra sobre todos aqueles povos.
3 E todos os líderes das províncias, e os sátrapas, e os governadores, e os que faziam a obra do rei, auxiliavam os judeus porque tinha caído sobre eles o temor de Mardoqueu.
4 Porque Mardoqueu era grande na casa do rei, e a sua fama crescia por todas as províncias, porque o homem Mardoqueu ia sendo engrandecido.
5 Feriram, pois, os judeus a todos os seus inimigos, a golpes de espada, com matança e com destruição; e fizeram dos seus inimigos o que quiseram.
6 E na fortaleza de Susã os judeus mataram e destruíram quinhentos homens;
7 Como também a Parsandata, e a Dalfom e a Aspata,
8 E a Porata, e a Adalia, e a Aridata,
9 E a Farmasta, e a Arisai, e a Aridai, e a Vaisata;
10 Os dez filhos de Hamã, filho de Hamedata, o inimigo dos judeus, mataram, porém ao despojo não estenderam a sua mão.
11 No mesmo dia foi comunicado ao rei o número dos mortos na fortaleza de Susã.
12 E disse o rei à rainha Ester: Na fortaleza de Susã os judeus mataram e destruíram quinhentos homens, e os dez filhos de Hamã; nas mais províncias do rei que teriam feito? Qual é, pois, a tua petição? E dar-se-te-á. Ou qual é ainda o teu requerimento? E far-se-á.
13 Então disse Ester: Se bem parecer ao rei, conceda-se aos judeus que se acham em Susã que também façam amanhã conforme ao mandado de hoje; e pendurem numa forca os dez filhos de Hamã.
14 Então disse o rei que assim se fizesse; e publicou-se um edito em Susã, e enforcaram os dez filhos de Hamã.
15 E reuniram-se os judeus que se achavam em Susã também no dia catorze do mês de Adar, e mataram em Susã trezentos homens; porém ao despojo não estenderam a sua mão.
16 Também os demais judeus que se achavam nas províncias do rei se reuniram e se dispuseram em defesa das suas vidas, e tiveram descanso dos seus inimigos; e mataram dos seus inimigos setenta e cinco mil; porém ao despojo não estenderam a sua mão.
17 Sucedeu isto no dia treze do mês de Adar; e descansaram no dia catorze, e fizeram, daquele dia, dia de banquetes e de alegria.
18 Também os judeus, que se achavam em Susã se ajuntaram nos dias treze e catorze do mesmo; e descansaram no dia quinze, e fizeram, daquele dia, dia de banquetes e de alegria.
19 Os judeus, porém, das aldeias, que habitavam nas vilas, fizeram do dia catorze do mês de Adar dia de alegria e de banquetes, e dia de folguedo, e de mandarem presentes uns aos outros.
20 E Mardoqueu escreveu estas coisas, e enviou cartas a todos os judeus que se achavam em todas as províncias do rei Assuero, aos de perto, e aos de longe,
21 Ordenando-lhes que guardassem o dia catorze do mês de Adar, e o dia quinze do mesmo, todos os anos,
22 Como os dias em que os judeus tiveram repouso dos seus inimigos, e o mês que se lhes mudou de tristeza em alegria, e de luto em dia de festa, para que os fizessem dias de banquetes e de alegria, e de mandarem presentes uns aos outros, e dádivas aos pobres.
23 E os judeus encarregaram-se de fazer o que já tinham começado, como também o que Mardoqueu lhes tinha escrito.
24 Porque Hamã, filho de Hamedata, o agagita, inimigo de todos os judeus, tinha intentado destruir os judeus, e tinha lançado Pur, isto é, a sorte, para os assolar e destruir.
25 Mas, vindo isto perante o rei, mandou ele por cartas que o mau intento que Hamã formara contra os judeus, se tornasse sobre a sua cabeça; pelo que penduraram a ele e a seus filhos numa forca.
26 Por isso aqueles dias chamam Purim, do nome Pur; assim também por causa de todas as palavras daquela carta, e do que viram sobre isso, e do que lhes tinha sucedido,
27 Confirmaram os judeus, e tomaram sobre si, e sobre a sua descendência, e sobre todos os que se achegassem a eles, que não se deixaria de guardar estes dois dias conforme ao que se escrevera deles, e segundo o seu tempo determinado, todos os anos.
28 E que estes dias seriam lembrados e guardados em cada geração, família, província e cidade, e que esses dias de Purim não fossem revogados entre os judeus, e que a memória deles nunca teria fim entre os de sua descendência.
29 Então a rainha Ester, filha de Abiail, e Mardoqueu, o judeu, escreveram com toda autoridade uma segunda vez, para confirmar a carta a respeito de Purim.
30 E mandaram cartas a todos os judeus, às cento e vinte e sete províncias do reino de Assuero, com palavras de paz e verdade.
31 Para confirmarem estes dias de Purim nos seus tempos determinados, como Mardoqueu, o judeu, e a rainha Ester lhes tinham estabelecido, e como eles mesmos já o tinham estabelecido sobre si e sobre a sua descendência, acerca do jejum e do seu clamor.
32 E o mandado de Ester estabeleceu os sucessos daquele Purim; e escreveu-se no livro.
Ester 10
1 Depois disto impôs o rei Assuero tributo sobre a terra, e sobre as ilhas do mar.
2 E todos os atos do seu poder e do seu valor, e o relato da grandeza de Mardoqueu, a quem o rei exaltou, porventura não estão escritos no livro das crônicas dos reis da Média e da Pérsia?
3 Porque o judeu Mardoqueu foi o segundo depois do rei Assuero, e grande entre os judeus, e estimado pela multidão de seus irmãos, procurando o bem do seu povo, e proclamando a prosperidade de toda a sua descendência.
Neve em Bragança
Bragança amanheceu um tanto coberta de neve. Reparem que meu pequeno filme tem um final com nítida influência bergmaniana (hehehe):
Boas notícias
O ano comecou mal, com a guerra entre israelenses e o Hamas.
Mas eis que surge uma notícia excelente, pra compensar: o nascimento da menina inglesa com menor tendência a câncer de mama e de ovário.
Como sempre, a ciência precisa, para progredir, lutar contra a turma dos escrúpulos éticos.
Os adeptos dessa turma “criticam o tratamento de embriões humanos como material descartável e afirmam que, no longo prazo, a popularização desse tipo de técnica pode levar à criação de ‘bebês por encomenda’, apenas com as características genéticas desejadas pelos pais.”
E daí?!?
Se, ao invés de ficar torcendo para que meu filho não nasça autista ou algo assim, eu puder contar com técnicas que eliminem essas possibilidades, qual o problema?
Ou será que essa turma do contra torce para ter filhos mongolóides?
Se eu tiver um filho mongolóide vou amá-lo infinitamente. Mas se puder evitar que meu filho nasça com essa doença acharei ótimo.
Mesmo que pais frívolos “encomendem” – digamos – uma filha loira, qual o problema?!
Por sorte, a ciência avança sempre, a despeito desses imbecis.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Sabor Brasil e Som Brasil
Com o termômetro abaixo de zero, fomos jantar no Sabor Brasil, aqui na Av. Amália Rodrigues. Por ficar pertinho de casa fomos a pé. Como não congelámos, pudemos comer um feijão com arroz, bife e batata frita dos mais honestos.
Já não se pode chamar de honesto o show a que assistimos por DVD.
O cantor Daniel, "viúvo" da dupla pop-sertaneja João Paulo e Daniel, entra no palco cantando Imagine.
Diga-se: jamais havia ouvido esse camarada cantar. A simpática atendente de nossa mesa, ao notar minha aversão ao tal show propos-se a ir desligar a TV. Pedi que não o fizesse. Era preciso ouvir um pouco mais para acreditar que aquilo pudesse empolgar multidões de adolescentes e jovens.
Voz afinada, sim, mas timbre insípido e alcance vocal nada mais que medíocre. Interpretacões ridículas.
O tal Daniel joga sobre a plateia de garotas de vida melancólica e cabeca vazia o mel da promessa de um amor maravilhoso e libertador.
Não tenho dúvida: quando eu chegar a ditador do planeta, vou cobrar desses vendedores de ilusões pesado imposto a cada parto de uma dessas meninas de 15 ou 16 anos que - por não poderem realizar o sonho de uma noite com o Daniel de plantão - satisfazem o desejo do primeiro desafinado que lhes aparece.
Se o Daniel de que fala a Bíblia e que passa incólume pela jaula dos leões cantasse tão mal quanto o pop-sertanejo a que hoje assisti, eu passaria a entender melhor o desinteresse dos leões por ele.
Sai! Daniel. Nem leão te aguenta.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Que venga 2.009!
O ano que hoje comeca é aguardado por (quase) todos mais ou menos da forma como o toureiro aguarda o touro.
Pois: Que vengan los toros!
Uma das melhores ideias que 2.008 nos legou talvez tenha sido a criação da agência Neogama para o Bradesco:
Agora, se não der pra inovar vá de rotina mesmo. Refaça tudo igual.
Que mal há nisso?
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Os portugueses e o rigor na linguagem
Hoje foi dia, entre outras coisas, de comprar uma televisão. Uma prima que mora em Braganca nos indicou uma loja no centro da cidade e lá fomos nós.
Ao entrarmos na loja - cheia de televisores - fomos logo atendidos por um senhor bastante simpático e solícito.
Disse eu:
- Quero comprar uma televisão.
E ele, para minha surpresa:
- Não trabalhamos mais com televisões. Agora só com LCD [pronúncia: élcedê, nada de élecedê].
Noves fora esse pequeno contratempo, conseguimos comprar a televisão (perdão, o LCD), não sem antes aumentarmos nossa cultura com uma completíssima aula sobre LCDs, plasmas e quejandos.
sábado, 27 de dezembro de 2008
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Consoada feliz
Hoje, dia de Consoada, fomos às compras. O apartamento ainda precisa de um tudo: vassoura, detergente pra máquina de lavar loucas (é pra lavar pratos, coisas assim. Não pra lavar dementes do sexo feminino. Lembre que este mini-mini-computador não dispõe de c cedilha).
Mas, antes de mais nada, uma foto tirada da varanda da sala: meio dia e meia, muito sol, temperatura amena, uns 12 graus centígrados. Ao fundo, lá na Espanha, as serras da zona da Sanábria, cobertas de neve.
Passamos em casa de primos em Braganca e em seguida fomos à aldeia (Passos, claro), à casa da prima Zelinda. Um delicioso presunto, uma pinguinha (vinho feito em casa) e uma boa conversa. Mas não ficamos para a consoada por medo de que, à noite, a estrada ficasse coberta de gelo.
Amanhã voltaremos à aldeia para o almoco de Natal.
Alguns comentários:
1. O Asulado adverte: o correto não é "o aeroporto fica em Maia"; o certo é "o aeroporto fica na Maia". É assim que vou aprendendo.
2. O Bic Laranja lembra: sobre estradas de Portugal o especialista é o Manuel Campos Vilhena. Eu já tinha pensado nele quando escrevi. Mas já era tarde, estava com sono e fiquei com preguica de fazer a referência. Faco-a agora.
3. Aliás, já é tarde de novo. Agorinha mesmo tive de interromper a redacão deste post porque a Baixinha me pediu para ajudá-la a empurrar um móvel de um quarto até a cozinha, local que ela considera mais apropriado para o dito cujo. Isso lá é coisa que se faca à primeira hora do dia de Natal?!?!
Acho bom ir dormir.
Bom Natal a todos.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Braganca - o início
O vôo, sábado à noite, saiu de Guarulhos - acredite quem quiser - rigorosamente no horário. E chegou ao Porto 35 minutos antes do previsto. A temperatura da manhã de domingo estava acima dos 10 graus centígrados e o sol magnífico. Céu sem uma nuvem. Foi entrar no carro e partir para Braganca. Ao longo do percurso (pela A4, depois pelo IP4), ainda alguma neve na beira da estrada. A temperatura chegou a bater em zero, mas - felizmente - nada de gelo na pista.
Já em Braganca, check-in no hotel e almoco no Gôndola.
Uma soneca à tarde, que ninguém é de ferro e jantar no - vejam só - Sabor Brasil.
Hoje, segunda-feira, tomar posse da nova morada e partir para as providências básicas: comprar talheres, alguns pratos, poucos copos, uma infinidade de pequenas necessidades em uma residência. Cama, mesa e algumas cadeiras o antigo proprietário teve a bondade de deixar para nosso uso.
Hoje ainda dormiremos no hotel. Amanhã inauguramos a nova residência.
Fica o registro feito às 11 e pouco da manhã de hoje, da janela do hotel: o céu azul, uns fiapos de névoa em vale próximo.
Observacões irrelevantes:
1. Desta vez, trouxe comigo meu computador minúsculo. Não consigo achar nele o c cedilha.
2. O aeroporto de São Paulo não fica em São Paulo. Fica em Guarulhos. O aeroporto do Porto não fica no Porto. Fica em Maia.
3. As estradas, em Portugal, são classificadas em hierarquia que não domino. Há, em primeiro lugar, as Auto Estradas, as "A"s. Penso que, em seguida vêm os "IP"s, Itinerários Principais. Há, ainda, os "IC"s, Itinerários Complementares, as "EN"s, Estradas Nacionais e sabe-se mais o que.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Segue o enterro
Outro dia, minha chefe (sim, eu tenho uma chefe. Maravilhosa, por sinal [ela lê o blog].) falava ao telefone e usou essa expressão, em substituição a algo do tipo paciência, vamos em frente.
Gostei.
E, dada a crise global que se abate sobre todos nós (ou quase todos, sejamos rigorosos), nada como repetir aos quatro ventos:
- Segue o enterro.
Em assim sendo, logo depois de chegar à minha terra (pra quem não sabe: Bragança, Portugal) vou começar a disparar fotos e comentários sobre o inverno mais rigoroso dos últimos 20 anos.
Pra quem, como eu, já passou dos 60, esse negócio de o mais qualquer coisa dos últimos vinte anos não impressiona. É pouco.
Aguardem.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Bush escapou de boa
Se fosse a bezerra de Rondonópolis no lugar do jornalista iraquiano seriam sete tentativas e não duas apenas.
domingo, 14 de dezembro de 2008
Rumo à Terra Prometida
Próximo sábado, a esta hora, estarei começando a voar para o Porto. Dia seguinte, Bragança.
Começa neste finalzinho de ano um período de transição que, espero, deve durar uns dois aninhos. Ou seja, um pé aqui, outro lá.
Sabe aquela piada do português preso numa cela em frente à cela de um leproso?
O hanseniano (esse é o termo politicamente correto) cada dia jogava fora um dedo.
O português foi ao diretor do presídio e denunciou:
- Meu vizinho está a fugir aos poucos.
Pois é isso: vou aos poucos fugindo deste Egito em busca da Terra Prometida.
É certo que lá não jorra leite e mel. Mas o bagacinho é garantido.
Moisés não entrou na Terra Prometida. Hoje a garotada diria que morreu na praia. Mas foi no deserto, mesmo.
Jeová, em quem não acredito – mas sabe-se lá – me concederá alguns aninhos a curtir meu nordeste trasmontano.
Como dizia aquela paródia:
Segura na mão de deus e vamo que vamo.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Da série O Brasil acabou - XI
Quando saio de casa de manhã posso escolher entre dois caminhos para ir ao trabalho. O mais curto é mais sujeito a congestionamentos. O outro, mais longo, raramente apresenta problemas de tráfego.
Hoje de manhã, como o caminho mais curto estivesse todo parado, resolvi ir pelo outro. Nele, ando boa parte em sentido contrário ao do trânsito intenso. Aliás, é por isso que ele é mais desimpedido.
Entrei em uma rua de duas mãos, rua estreita, de prédios residenciais. No sentido em que eu ia tudo estava livre. No sentido contrário, uma fila interminável de carros, deslocando-se lentamente.
Vai daí, um automóvel resolveu sair da fila e vir em minha direção pela contra-mão.
Eu poderia ter deslocado meu carro bem para a direita para dar passagem ao malandro. Mas achei aquilo um desaforo (não só comigo mas principalmente com os demais carros que iam no sentido contrário ao meu). Parei, ele parou em frente a meu carro e assim ficamos durante uma fração de minuto.
Do automóvel transgressor não se via nada dentro. Como já tornou-se regra de poucas exceções, em São Paulo, os vidros eram todos negros, opacos.
Lembrei-me de alguns casos recentes de motoristas que mataram a tiros outros motoristas, até mesmo pelo banal motivo de um ter reclamado do outro piscando os faróis.
Pensei que, em pouco tempo, estarei livre desta barbárie que aqui se instalou.
Desviei o carro e fui em frente. O outro, triunfante, acelerou na contra-mão.
Mais tarde, durante o almoço, fiquei sabendo, pela TV, da invasão de um Pronto-Socorro por estudantes de medicina bêbados.
Não tenho mais dúvidas. Nós, os brasileiros, perdemos a capacidade de conviver em sociedade.
Daqui pra frente, salve-se quem puder.
Espero poder.
domingo, 7 de dezembro de 2008
Japonês impecável
O pecador acaba sendo você. Pecado da gula, claro. Trata-se do restaurante japonês que começou a funcionar há coisa de menos de dois meses, em São Paulo.
Fica em lugar distante dos centros gastronômicos mas - sorte minha! - pertinho de minha casa.

Se eles mantiverem o nível inicial, já já não se consegue mais lugar pra jantar. Isso apesar de serem três os ambientes disponíveis: terraço externo (mas coberto com vidro), salão principal e mezanino.
Que fique claro que não ganhei nem um mísero sashimi pra falar bem do Tadashii. Aliás, eles nem sabem que eu existo, apesar de já ter estado lá duas maravilhosas vezes. Mas você pode entrar de cabeça no rodízio (o preço varia conforme o dia da semana e entre almoço e jantar, mas é algo tipo 40 reais, pouco mais pouco menos). O único arrependimento possível será o de ter comido demais.
Fica longe da sua casa?
A Esfiha Juventus também fica longe da minha e eu costumo ir até lá.
Comer bem não mede distâncias.
sábado, 6 de dezembro de 2008
Mordam-se de inveja
A coluna de hoje da Mônica Bergamo , na Folha de S.Paulo, tem duas notas assim, ó:
DÁ UM TEMPO
Acendeu a luz amarela entre executivos da Telemar que negociam a compra da Brasil Telecom. Um dos conselheiros da Anatel já avisou informalmente que pode pedir vistas do processo que autoriza a negociação entre as duas empresas, em reunião que deve acontecer até o dia 18.
NO BOLSO
Se isso acontecer, a Telemar terá que pagar R$ 490 milhões aos acionistas da Brasil Telecom. A multa foi estipulada para o caso de o negócio não fechar até o fim de dezembro.
Recapitulando: a Anatel tem cinco conselheiros (veja aqui).
Se qualquer um deles pedir vistas do processo, vão 490 milhões de reais pelo ralo.
Não é que os conselheiros tenham de fazer nada irregular. Simplesmente pedir vistas do processo, atitude a que eles têm direito.
Ora, arredondando, 1% de 490 milhões costuma ser 5 milhões.
Dado o número de conselheiros, estamos falando de 5% para salvar os 100%.
Tudo limpo, redondinho.
Um dos conselheiros, segundo a coluna, já avisou informalmente que vai pedir vistas.
Humm, humm.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Mais especulações
Não sou praça de cidade do interior mas tenho cá minhas fontes luminosas.
Uma delas, mais por dentro que unha encravada, confidenciou-me:
Não. Esse mandato 69 não emplaca. Por que?
Na época do mensalão, Lula safou-se graças a uma negociação com a oposição, capitaneada por FHC. Não lhe cassariam o mandato, permitiriam sua reeleição mas o preço a pagar seria abrir caminho para Serra-2.010.
Lula aceitou de bom grado. Além de não ter alternativa, Lula sabia que depois da bonança vem a tempestade, ou seja, mais cedo ou mais tarde viria a crise financeira e econômica.
Ficará para Serra a carne de pescoço da crise. Na eleição de 2.014, Lula terá a faca e o queijo nas mãos, com comparações entre os números de seu governo e os do governo Serra. Eleito, encontrará o país com economia saneada.
A partir do acordo, Lula começou o processo de destruição pró-Serra em São Paulo: eliminou Mercadante, agora eliminou Marta.
Dilma? Receberá alguma recompensa por se prestar ao papel de fantoche.
A conferir.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Mandato 69
A ideia de José Alencar, atual vice-presidente, candidatar-se a presidente em 2.010 tendo Lula como vice, ou seja, uma espécie de candidatura 69, me parece uma excelente ideia.
Logo depois da posse, Alencar se afastaria por motivo de saúde (todo mundo sabe que ele tem doença grave) e pronto: Lulla lá, de novo.
Gosto da ideia por alguns motivos:
1° - É engenhosa;
2° - O Brasil se livra de ter a Dilma como Presidente;
3° - O Brasil se livra de ter o José Serra como Presidente;
4° - O Brasil se livra de ter o Aécio Neves como Pósidente;
5° - Espero já não residir no país quando tudo isso acontecer.
Uma dúvida: algum constitucionalista pode me dizer se, além de tudo, esse arranjo não poderia incluir, em 2.014, a reeleição do Lulla?
terça-feira, 25 de novembro de 2008
De perdas
Agora à noite sentei-me pra terminar uma dose de Grappa e me dei conta: deixei meu dente lá.
Lá, no caso, é o consultório do meu dentista. Fui extrair um dente, hoje à tarde.
Terminado o trabalho, o dentista mostrou-me o dente, ensangüentado. Disse qualquer coisa sobre ter ele mais raízes do que o normal, algo assim (meu dentista é japonês de pouquíssimas palavras).
Meu deus. Quantas coisas fui perdendo ao longo da vida. Bibliotecas, uma levada pelos militares que me prenderam, outra dividida com ex-mulher, na separação.
Discos, nem se fala. Quantos foram distribuídos em razão de mudanças, ou sem razão.
Móveis, até automóveis. Perdi um sem número de coisas.
E também amigos, empregos, lugares que me eram caros.
Como fui deixar meu dente lá?!
Devia tê-lo trazido comigo. Arranjaria para ele um cantinho aconchegante, aqui em casa. Afinal, ele convive comigo (conviveu, devo dizer agora) desde a infância.
De vez em quando, ao passar por ele, daria uma piscadela cúmplice:
- E aí, companheiro?
E ele me retribuiria do alto de suas raízes já sem função, aposentadas.
Poderíamos trocar ideias. Quem sabe ele clareasse as minhas.
Prepararia para ele um lugar especial. Um nicho. Assim como fazem as pessoas com as nossas (delas) senhoras. Com os santos.
Não. Deixei-o lá. Ao abandono. Com certeza foi ao lixo. Parte de mim.
Antes de mim.
sábado, 22 de novembro de 2008
Os trapalhões

foto tirada daqui.
A já famosa Operação Satiagraha, da Polícia Federal (ou talvez seja melhor dizer: de uma das facções da Polícia Federal), envolve personagens tais como o juiz De Sanctis e o promotor De Grandis.
Com esses nomes e com as confusões que gerou, teria sido melhor chamá-la Operação Mussum.
domingo, 16 de novembro de 2008
Estatísticas indiscutíveis
Para cada motorista flagrado bêbado pelo bafômetro, em São Paulo, pouco mais de 1.000 pessoas fogem de suas casas, na Califórnia, por causa de incêndios florestais.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Avaliação profissional
Em 1.974, depois de curtir um tempinho de tranca (como inquilino no Presídio Tiradentes) e depois de voltar à docência na USP e perceber que o mar ainda não estava pra peixe, resolvi – finalmente – curvar-me diante da dura realidade: fui trabalhar em empresa, em computação, única coisa que eu conhecia e que dava algum dinheiro. Foi difícil encontrar uma empresa que desse emprego a um cassado político, mas alguma coisa sempre se salva: a Promon Engenharia me contratou.
Trabalhar em empresa, como quase todo mundo sabe, tem como efeito colateral ser avaliado de tempos em tempos pelo chefe de plantão.
O meu, na época, era daquele tipo que se recebesse um memorando de um superior mandando que ele pulasse da janela do décimo andar não titubeava: pulava.
Vai daí, o sistema de avaliação adotado pela empresa naquelas priscas eras consistia em cada um – subordinado e chefe – responder a um mesmo questionário a respeito das qualidades ou defeitos do subordinado. A segunda etapa era uma reunião dos dois para comparar os resultados.
Sentei-me diante do DFL (era a sigla do meu chefe) e começamos a comparar as notas dadas por nós dois em cada quesito.
Surpreendentemente, as notas coincidiam em quase todos os itens.
A exceção era no capítulo “Capacidade de vender ideias aos outros”.
Ele me dera nota alta. Eu me atribuíra nota bem baixa.
Começamos a discutir sobre a discrepância. Por meio de alguns exemplos factuais, foi fácil convencê-lo de que eu estava certo: tinha baixa capacidade de vender ideias aos outros.
Mais do que depressa ele tratou de alterar para baixo a nota alta que me concedera.
Foi aí que observei:
- Acabamos de passar por uma situação em que demonstrei forte capacidade de convencimento do outro. Você comprou minha ideia integralmente.
A reunião acabou por aí. Até hoje não sei que nota ele finalmente adotou para esse item da minha avaliação.
domingo, 9 de novembro de 2008
A ilha engraçada
Circula na Internet um áudio, supostamente de programa ao vivo em uma rádio de São Paulo, no qual o locutor pergunta a um ouvinte, por telefone:
- Vamos ver se você acerta: nome de país com duas sílabas; uma delas se refere a algo bom para comer.
E o gaiato responde:
- Cuba!
O locutor, meio sem graça:
- Parabéns pela criatividade. Mas aqui na minha ficha consta como resposta certa “Japão”.
Pois é. Cuba permite piadas sem fim.
É verdade que tem gente que chora, quando vai lá. Tipo Zé Dirceu, por exemplo.
É verdade, também, que se o povo, lá, vive parcamente, há espertos, aqui, ganhando algum dinheirinho com o tema. Fernando Morais, por exemplo.
Agora, início da Era Obama, muita gente ressalta a presumível importância da atitude do novo presidente em relação à ilha de Fidel.
Isso me lembra um episódio lá do final da década de 80. Uma amiga minha, esquerdista habitante de Higienópolis (*), visitou Cuba. Na volta, levei-a à casa de minha mãe, que a conhecia desde pequena.
Minha família sempre teve, em política, uma queda pela direita. Afinal, são quase todos batistas. Minha amiga sabia disso.
Na conversa com minha mãe e o restante da família não parou um instante de ressaltar as virtudes de Cuba. Aquela história de sempre: saúde, educação etc etc.
No caminho de volta à casa dela, segredou:
- Elogiei bastante Cuba porque tua família é de direita. Mas a verdade é que aquilo é um favelão.
(*)tradução, para os leitores portugueses: Higienópolis está para São Paulo assim como Cascais para Portugal.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
De máquinas
Alguém já disse que o italiano é que é feliz: pode chamar qualquer calhambeque de macchina.
Também me parece que o italiano é o único povo que sabe torcer, na Fórmula 1: torce pela Ferrari, não pelo piloto. Ainda que o campeonato seja principalmente de pilotos.
Não entendo bulhufas de automobilismo, mas os que entendem afirmam que o carro é algo como 70 ou 80 por cento do resultado. Ao piloto, sobram parcos 20 ou 30 por cento.
Pode-se discutir esse percentual, mas todos concordam em que o determinante é a macchina.
Talvez por mera coincidência, 2008 ficará marcado pelas vitórias quase concomitantes de dois negros: Lewis Hamilton, na F-1, e Barack Obama, para a presidência dos USA.
Em ambos os casos, exaltam-se as personalidades.
Em ambos os casos, o determinante é a máquina.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Deu(s) Obama
domingo, 2 de novembro de 2008
Avô coruja
Minha neta, que acaba de completar 8 anos, me manda - lá de Westport, CT, USA - uma historinha escrita por ela: A casa mal-assombrada. Tudo a propósito do Halloween.
Comecei a traduzir. Desisti logo de saída, quando me dei conta de que não conseguia encontrar, em português, uma expressão equivalente a bumpy street.
Vai em inglês, mesmo.
Ela é ótima. A história? Sim, também. Mas, claro, refiro-me à minha neta.
Confiram:
The Creepy House
By: Bruna Augusto Silvestre
(October, 2008)
“Hey Clare!” I yelled. “Hey!” She yelled back. I raced down the bumpy street to her. “Do you want to explore the old house down the street? You know, the one with the vines growing up of it,” She asked me. “I don’t know,” I whisper. I thought for a moment or two. “Ok,” I finally decided. “But it will be rough,” I told her. We scampered up the street. When we reached the house it became suddenly dark. Lightning struck. All the houses disappeared, except the old haunted one. We glared at the old creepy vines. We glanced at the green roof. “Bad color for a roof, don’t you think?” Asked Clare. “That roof is colored wood, that green thing is moss,” I answered. Soon it started to rain. We pulled on our hoods and hurried to the porch of the house. Over the porch was a wooden shield. The old, cracked doors slowly opened behind us. When we turned around shaking there was no one that could have opened the door. We looked at each other. “No turning back now,” I said in a low voice. We slowly walked in the wooden house and glanced around the dark, shadowy room. There was a cracked window in the corner, a chair was in the middle of the room, next to it was a wooden coffee table, and a staircase was in the far left hand corner. It looked about ready to fall. Next to it was a fancy doorway that led to the kitchen. We walked closer to the stair case. BOOM!!!! We jumped. The door slammed shut and startled us. We went up two steps. Creeeeeaaaaaak. The stairs creaked. Creeeeaaaaak. We were finally up there. “Ahhhh!” I screamed. “What” Clare said frightened. “Ahhhhhhhhhhhhhhhhh!” She screeched with me. Right in front of us was a ghost, a witch, and a green goblin!!! “Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!” We ran down the creaky stairs, past the coffee table, and out the door. Still screaming we ran all the way to Clare’s house. We were so frightened we flopped on the couch. “Bruna!” I opened my eyes, and found myself in my bed with my mom. “You scared me,” She whispered. “It was just a bad dream,” I said after I stopped screaming. So I closed my eyes again, and Mom left my room.
Happy Halloween
Deixem-me ir pegar um lenço. Estou babando.
:)
sábado, 1 de novembro de 2008
Ao pó voltarás
Pois é. Dizem que um dos presidenciáveis para 2.010, no Brasil, cheira adoidado.
Isso é o tipo da coisa que circula à boca pequena, jamais na grande imprensa. Também, há que se notar, não é possível denunciar sem provas. E as provas, nesses casos, são de difícil concretização.
Da mesma forma, já faz tempo que sei - de fonte pra lá de fidedigna - que um antigo governador da província de São Paulo era traficante de drogas. Digo era porque ele já morreu. E olha que o falecido é tido, até hoje, como paradigma de político.
E daí?
A vida segue. Afinal, do pó viemos.
As coisas acontecem lá
Há muitos anos, em conversa com uma colega professora, na USP, ouvi dela o seguinte comentário:
- Adoro viajar! A mim me parece que as coisas sempre acontecem lá.
Para muitos é assim: o dia-a-dia ocorre tedioso, insípido. É preciso correr para lá, para desfrutar da vida.
Pois bem. Por razões que nada têm a ver com tédio, preparo-me para ir viver em Bragança.
Vai daí que, dia destes, ao percorrer no computador fotos de meu apartamento aqui em São Paulo, no qual já moro há 10 anos, percebi que sentirei enorme saudade dele.
Paciência. Nada se ganha sem que algo se perca.
Ou não.
sábado, 25 de outubro de 2008
Domingo do riso
Amanhã é o dia da grande piada. Ao menos em um bom número de grandes cidades brasileiras. É o dia do 2° turno das eleições para prefeito.
A democracia representativa é uma antiga anedota que continua a ser contada à falta de algo mais engraçado.
Quer algo mais engraçado do que uma dondoca paulistana preocupadíssima com o pessoal das favelas?
E o maridão argentino, então? Uma graça.
O Gabeira, cujo grande pecado foi ter contribuído pra soltar o Zé Dirceu, periga vencer no Rio. Se isso acontecer, vai ser muito engraçado. Parece que ele nunca levou a sério essa possibilidade. Deve estar se perguntando: como será que se administra essa bagunça?!
O único lugar em que se leva eleição a sério é no Rio Grande do Sul. Gaúcho é mesmo um bicho esquisito. E talvez reeleja um cara chamado Fogaça. Deve ser por ser lá a terra natal do churrasco.
Já o eleitor mineiro – ao menos o de Belzonte – está mais pra Garrincha e seus dribles desconcertantes. Uma hora o candidato do PMDB está 10 pontos na frente, três dias depois é o filho bastardo do governador Aécio e do prefeito Pimentel quem ameaça vencer.

De tudo isso, o mais engraçado – pra mim – é aquela fala de um apóstolo, dirigindo-se a Jesus:
- A Marta mandou perguntar se o senhor é casado, tem filhos.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Sugestão para a campanha da Marta
Ao ler sobre a relação entre Jörg Haider e Stefan Petzner (veja aqui ou, se for assinante Folha ou UOL, pode ser aqui) tive uma ideia que ofereço com todo carinho à candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, para que ela a utilize no debate de hoje à noite na Globo:
Pergunte ao Kassab quem é o Petzner dele.
É só uma pergunta, né? Sem nenhuma conotação preconceituosa.
E mais: essa sim, é a pergunta certa. Afinal, o Haider era casado. Tinha filhas.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Acaso
Uma filha de casal de classe média alta combina com o namoradinho o assassinato dos próprios pais.
Os tais pais são trucidados a pauladas.
Depois de algum tempo fica-se sabendo que o pai era algo assim como o fiel depositário do caixa 2 de um partido político avícola. E depositava a tal grana 2 em conta da filha.
Claro que ninguém tinha interesse em esticar o assunto. Portanto, ponto final.
Acaso? Coincidência?
Um rapaz e sua esposa espancam a filha dele e ele a joga da janela do apartamento. O pai dele, pressuroso advogado tributarista, esboça um plano para o casal: alguém entrou no apartamento e jogou a menina pela janela. No meu tempo de criança, esse tipo de criminoso era chamado de mentor.
Um rapaz não se sente impedido de jogar a própria filha pela janela.
Afinal, é filho de alguém que não se sente impedido de usar a própria criatividade para ocultar um crime.
Acaso? Coincidência?
Uma menina de 15 anos é assassinada pelo ex-namorado depois de longo seqüestro.
Pouco depois fica-se sabendo que o pai da menina era procurado pela polícia há uns 17 anos. Fizera parte de uma milícia que assassinou muita gente em um estado do nordeste brasileiro.
Assim como costuma acontecer de meninas filhas de alcoólatras-que-espancam-a-mulher procurarem alcoólatras-que-espancam-a-mulher para casar, a menina resolveu namorar um garoto que se revelou assassino frio, tal qual o pai.
Acaso? Coincidência?
Sei lá. Apenas tenho a convicção – que não tenho como provar verdadeira – de que filhos de pais razoavelmente normais – seje lá o que seje isso – não saem por aí dando pauladas em pais adormecidos. Nem pais normais, ainda que bastante (d)espertos, usam sua experiência de vida para encobrir os crimes dos filhos. Do mesmo modo, filhos de pais razoavelmente normais não saem por aí a namorar seqüestradores assassinos.
Podem me xingar. É o que penso.
domingo, 19 de outubro de 2008
Futsal: campeonato mundial?!
Sou do tempo em que esse esporte era chamado de futebol de salão.
Esse negócio de futsal já é de um mau gosto horroroso.
Agora: que diabo de campeonato mundial é esse, em que 35 jogadores são brasileiros?
E com uma seleção brasileira em que quase todo mundo joga na Espanha (8 dos 14 selecionados)?
sábado, 18 de outubro de 2008
E$tado$ da matéria
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Horário de progresso
Pronto. Taí um jeito de o Brasil aproximar-se de Portugal: dia 19, cá em Pindorama, entraremos no horário de verão. A diferença em relação a Portugal, que era de 4 horas, cairá para 3.
No último domingo do mês, dia 26, Portugal sairá do horário de verão. A diferença cairá para 2 horas, apenas.
Dessa maneira, vamos nos aproximando do tal de 1° mundo.
Não deixa de ser um progresso.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Só bebo Brahma
O blogueiro Reinaldo Azevedo afirma hoje em um de seus posts (não dou o link do post porque o blog dele está com problemas e não fornece o link de cada post):
O tucano que não perceber que seu adversário fundamental é o PT está com a cabeça nas nuvens.
Essa afirmação me lembra aquela turma que fazia questão de só tomar Brahma (ou só Antarctica).
Quando as duas empresas se fundiram, viram suas convicções abaladas.
Parece que é o que acontecerá em breve com o chamado tio Rei.
domingo, 12 de outubro de 2008
Que venha o fim do mundo
Acabo de ler, no hilário blog Uma dama não comenta,uma versão do Atirei um pau no gato ensinado nas escolas do Brasil zil zil:
Não atire o pau no gato
porque isso não se faz
o gatinho é nosso amigo
não maltrate os animais.
Será que essa montanha de energúmenos que orientam a educação no Brasil zil zil nunca ouviu falar de Bruno Bettelheim, em particular de seu livro The Uses of Enchantment: The Meaning and Importance of Fairy Tales, 1976 (em português, Psicanálise dos contos de fadas)?!
A criança PRECISA da, digamos, violência dos contos infantis (e das cantigas também).
Isso é importante exatamente para fazer dela um adulto equilibrado.
E mais não digo por preguiça.
Procurem alfabetizar-se, pedagogos do Brasil zil zil.
(diga-se, parece que em Portugal a situação não é significativamente melhor).
Diante desse quadro devastador, talvez seja mesmo melhor que o mundo acabe.
A crise atual podia providenciar esse final caridoso.
sábado, 11 de outubro de 2008
A crise está brava
Parece que agora o pessoal, na saída do trabalho, sexta-feira, não deseja bom fim de semana: agora é
- Bom circuit breaker pra você.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
E dá-lhe eleições
Não sei por que o Obama ainda não adotou a bandeira da Marta: internet grátis pra todo mundo. Com essa promessa ele enterrava de vez o McCain.
Quanto à Marta, vai ter de inventar novas maluquices para o segundo turno. A internet grátis não funcionou a contento.
E os Institutos de Pesquisa (DataFolha, Ibope etc) não perdem a pose. Erraram tudo. Mas continuam imponentes.
Em São Paulo, elegeram vereador um dos três que apontei aí embaixo como candidatos Spam: o Trípoli.
São Paulo merece. Vejam como ele fica bonitinho com seus animais de estimação:

No cachorro eu talvez votasse.
E dá-lhe crise
Finalmente acontece alguma coisa que não acontecia desde que nasci. Acabou a monotonia. Crise igual só daqui a mais oitenta anos. Aproveitem.
Eu que imaginava passar a entrada de ano em Bragança, curtindo o friozinho de lá, já tenho dúvidas. Afinal, nenhum economista de respeito se arrisca a afirmar que haverá 2.009.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Candidatos SPAM- 3
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Candidatos SPAM
Tenho recebido uma quantidade grande de e-mails de candidatos a vereador. O indivíduo quer legislar por nós e começa por mandar spam.
Belo começo.
Peguei esse aí pra cristo. Não vote nesse cara. Quem não respeita nem sua caixa de e-mails não vai respeitar mais nada.
Pau neles!
Em tempo: guardei o e-mail pro caso do meliante querer me processar.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Voltei
E encontrei uma campanha eleitoral em fase final, com propostas que não são jabuticaba mas – me parece – apontam para realizações que ninguém no resto do mundo implementou.
Não sei de quem é a afirmação de que se alguma coisa só existe no Brasil e não é jabuticaba, não presta. Mas faz sentido.
A candidata que lidera as pesquisas em São Paulo afirma categoricamente que irá providenciar Internet banda larga pra todo mundo na cidade.
Ela, tão viajada, tão percorrida (como costumava dizer o grande Pagano Sobrinho, humorista já há muito falecido), deveria parar pra pensar: por que New York, Paris, Roma, Londres etc etc não implementaram essa maravilha ainda?!
Quanto a mim, espero que ela cumpra a promessa. Poderei economizar os setenta reais que pago à NET por mês para ter banda larga em casa.
Tudo isso me faz lastimar a quantidade de horas que já gastei na vida ouvindo abobrinhas dos políticos. Desde os debates sobre se salário era ou não era inflacionário, debates que esquentaram programas de TV no início da década de 60, até a discussão sobre a tampa de concreto que o higiênico Paulo Maluf pretende utilizar para cobrir os rios Pinheiros e Tietê.
E digo higiênico porque, afinal, ele lava até o dinheiro que usa.
Observação: Quanto ao restante da viagem, fantástico. Apenas pessoal demais para publicar aqui.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Vinhais e tais
Minha irmã fez anos logo no dia seguinte ao de nossa chegada a Vinhais. O Isaías, do restaurante Rossio, preparou uma festa inesquecível.

Vinte e poucos parentes compareceram. Foi a chegada triunfal de minhas irmãs e cunhados à terra de nosso pai.
A figura central da festa foi o Sr. Francisco, viúvo de nossa prima Idalina. Ele, que hoje vive em Vinhais, é o último habitante da aldeia de Passos de Lomba que conheceu pessoalmente meu pai.

Para coroar tudo isso, deixo-vos com a lua cheia sobre o Parque Natural de Montesinho, no entardecer da segunda-feira, 15.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Da série o Brasil acabou - X
Parece que estamos em mais uma semana em que o prêmio acumulado da Mega-sena sairá para algo assim como Roraima, Acre, Rondônia etc etc.
Nem jogo dá pra levar a sério nesse país.
Atualização (18/09/2008): E saiu o prêmio para alguém do Estado do Rio de Janeiro. Talvez porque acumulou pouco... Sabe-se lá.
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