domingo, 31 de maio de 2009

Minha homenagem a um belo domingo de maio







Paolo Conte - Wonderfull...


Via Con Me :

Via, via, vieni via di qui,
niente più ti lega a questi luoghi,
neanche questi fiori azzurri…
via, via, neache questo tempo grigio
pieno di musiche e di uomini che ti son piaciuti,

It’s wonderfoul, it’s wonderfoul, it’s wonderfoul
good luck my babe, it’s wonderfoul,
it’s wonderfoul, it’s wonderfoul, I dream of you…

chips, chips, du-du-du-du-du

Via, via, vieni via con me
entra in questo anore buio, non perderti per niente al mondo…
via, via, non perderti per niente al mondo
Lo spettacolo d’ arte varia di uno innamorato di te,
it’s wonderfoul, it’s wonderfoul……

...

Via, via, vieni via con me,
entra in questo amore buio pieno di uomini
via, via, entra e fatti un bagno caldo
c’è un accappatoio azzurro, fuori piove un mondo freddo,

it’s wonderfoul, it’s wonderfoul…

sexta-feira, 29 de maio de 2009

For here or to go


Em qualquer lanchonete de Nova Iorque, depois que você faz o pedido, lá vem a pergunta:
- Vai comer aqui ou vai levar.

Já faz algum tempo, percebi que dilema semelhante ocorre na leitura de blogs.
posts que a gente lê e pronto. Acabou.
Uns poucos a gente leva na memória e saboreia mais tarde, devagar.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Bragança: paraíso no interior do país


Desde que comecei a pensar na possibilidade de viver em Bragança, Portugal, venho matutando a ideia de atrair para lá pessoas interessadas em desenvolver empreendimentos dos quais possam tirar seu sustento e gerar empregos.
Eis que descubro, agora, já haver projeto nesse sentido: Novos Povoadores.

Continuo sem saber como colaborar para tornar realidade essa ideia. Mas qualquer pessoa que desejar informações sobre essa possibilidade pode entrar em contato comigo. No que puder, comprometo-me a ajudar. Ao menos com informações.

Bragança (a cidade e todo o distrito) é região maravilhosa, dotada de infra-estrutura invejável, e – surpresa: está ficando deserta.

É possível ver-se, em tal contradição, um nicho de oportunidades.

Atualização (29/05/2009): Ainda sobre a infra-estrutura da região, leia isto.

sábado, 23 de maio de 2009

Romances e e-mails


Não satisfeito em ser filho de Sophia de Mello Breyner Andresen, Miguel Sousa Tavares resolveu ainda ser advogado, jornalista e magnífico escritor.

Faz pouco, terminei de ler seus dois romances: Equador e Rio das Flores.

Não sei o que mais admirar neles: se o enredo envolvente ou a pesquisa detalhada.

Em Rio das Flores, que é o segundo romance de Tavares mas foi o primeiro que li, as mais de 600 páginas contam parte da história da primeira metade do século XX por meio do protagonista que nasce em 1.900 e é acompanhado até 1.945 (por acaso, o ano em que nasci). História contada da perspectiva das planícies do Alentejo, mas incluindo desde minúcias do mundo das touradas espanholas do início do século até detalhes da vida em Lisboa ou Rio de Janeiro.
Não à toa, a elaboração de Rio das Flores custou a Tavares três longos anos.

Equador foi seu primeiro romance. Um pouco menor, algo além de 500 páginas, abrange também período mais curto – os anos de 1.905 a 1.908 – mas é dotado de um enredo mais denso, mais dramático, talvez até por seu cenário: as ilhas de São Tomé e Príncipe, na costa africana , junto à linha do equador. Nele a pesquisa já impressiona. Tudo é descrito à perfeição, no detalhe.

Um desses detalhes chamou particularmente minha atenção. A certa altura, mais exatamente à página 507 da 1ª edição da Editora Nova Fronteira, o autor coloca seu protagonista na seguinte situação:
Passou um algodão com água oxigenada na ferida, que fez espuma e lhe ardeu.
Ora. Essa cena se dá no início de 1.908.
Circula na Internet um e-mail (você já deve ter recebido o dito cujo, provavelmente várias vezes) que situa a invenção da água oxigenada em 1.920. Nem coloco link. Basta ir ao Google e consultar água oxigenada. Milhares de blogs já reproduziram o tal e-mail.

Resultado: ou Tavares comeu bola ou o tal e-mail é mentiroso.

Claro que até os gênios cometem suas batatadas, vez em quando. Mas, no caso, fico com a segunda hipótese.
É inacreditável a quantidade de besteiras passadas e repassadas na Internet, via e-mails e blogs etc. Essa, a da invenção da água oxigenada, seria apenas mais uma.

Aliás, por falar em Google, se você pesquisar Miguel Sousa Tavares vai descobrir que o homem é polêmico. Há na Internet um sem número de textos desancando o coitado. Não o conheço a não ser pela leitura dos seus dois romances. Desse ponto de vista, é muito bom. Além do mais, parece que é adepto do FC Porto.

Talvez seu maior defeito, involuntário, é verdade, seja ter um nome cuja sigla é MST.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

sábado, 16 de maio de 2009

Solar Bragançano


De tanto irmos ao Solar, a Baixinha iniciou uma amizade com a proprietária, sra. Ana.
Quando se aproximava o dia do retorno a São Paulo ela nos disse:
Venham cá na quinta-feira [nosso último dia em Bragança]. Quero servir-vos perdiz, que considero o melhor prato da casa.
Na hora do almoço, na quinta-feira, lá estávamos nós.
Ela, um tanto sem graça, nos informou que esperava que fôssemos jantar.
Dissemos, então, que voltaríamos para jantar.
Já nos preparávamos para ir embora quando ela insistiu para que comêssemos alguma coisa.
Serviu-nos um peixe, delicioso.
A certa altura do almoço, ela – discretamente – chegou-se à nossa mesa e nos mostrou, em um saco plástico – as duas perdizes que fariam nossa delícia ao jantar. Estavam lá, quietinhas (sejamos claros: mortinhas), com suas penas e tudo mais que compõe uma perdiz.

À noite, além do magnífico prato de perdiz, revisitámos a famosa musse de castanhas de autoria da sra. Ana.
Deveria ser compulsório, o saboreá-la de joelhos, em posição de prece.

Corroboração


Ronaldo, em sua entrevista à Folha de S.Paulo, disse que prefere que seu filho seja educado na Espanha. Prefere que seu filho tenha amigos europeus. Que a meninada brasileira é malandra. Etc etc.

É simples: quem pode, cai fora do Brasil.

Quem quiser que se escandalize.

Coloque a culpa da paisagem na janela.

Mas até a primeira-dama quis ter cidadania italiana.
Quem sabe ela venha a me ser útil, disse ela, com raro lampejo de perspicácia.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Explicação


Quando era criança, não via graça em ganhar qualquer competição (por exemplo, uma partida de botão) se não fosse de forma honesta.
Eu era assim. Fazer o quê.
Utilizei bons anos de minha juventude a lutar pelo que entendia ser a saída honrosa para o Brasil.
Fui torpedeado. Não me refiro ao óbvio: prisão, tortura etc.
O pior – para mim – foi a oposição de todos. Familiares, amigos, conhecidos. Todo mundo.
Claro que meus familiares sempre me seguraram a barra. Mas foi sempre apesar de.
Ninguém achava que eu estivesse certo.
Ao contrário: todo mundo queria que eu partisse pra outra. Que saísse dessa enrascada.
Enfim, saí.
Hoje sei que o caminho que tentei trilhar estava redondamente errado.
Passados muitos anos, consegui entender que o Brasil quer outra coisa de você. Quer que você seja esperto.
Pois bem. É isso que querem?
Fui esperto.
E me dei bem.
Mas não sou feliz por isso.
Divirto-me com os moralistas que reclamam da falta de ética de políticos etc.
São incompetentes.
Se tivessem um mínimo de capacidade, tirariam proveito.
É assim que funciona.

Meu sentimento em relação ao Brasil não poderia ser outro:
Tenho nojo deste país.
Nojo.

Aqui vivi mais de sessenta anos, lutei para que isto aqui fosse um lugar mais decente, fui massacrado por ter tido tal pretensão, cansei-me de ver a sacanagem prevalecer.

Por causa disso, vou embora, tão logo me seja possível.

Voltarei aqui com freqüência porque cá residem minhas irmãs e alguns de meus filhos e netos. Muitos de meus tios e tias. E primos e primas. Alguns pouquíssimos amigos. Enfim, porque – quer queira quer não – aqui estão minhas raízes.

Continuarei a sentir um frio na espinha ao assobiar o Hino Nacional.

Mas sei, a essa altura da vida, que isso é coisa de imbecil que não caiu na real.

Estamos nas mãos dos sindicalistas espertos, dos apóstolos e bispas sacanas, dos espertalhões da política, dos financistas malandros.

Adeus, pessoal. Tô fora.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Pergunta


Qual é o trunfo que o tal Cesare Battisti tem nas mãos para que o governo brasileiro se comprometa tanto em defendê-lo?
Essa corja só se movimenta quando pressionada.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Deus


Minha chefe me passou hoje, por e-mail, um artigo que saiu na revista Viver Brasil.
A matéria trata do preconceito de que são vítimas os ateus, no Brasil e mundo afora.
Mas se refere, principalmente, ao caso brasileiro.
Só uma parcela ínfima da população brasileira é constituída de ateus (1,4%).
Pesquisa sobre o sentimento das pessoas a respeito de diferentes grupos revela:
Os ateus ficam em primeiro lugar – empatados com os usuários de drogas – no quesito ódio/repulsa: 17% dos entrevistados sentem ódio dos ateus. O segundo lugar fica para os garotos de programa, com 10%.
Na categoria antipatia os ateus também lideram: 25%.

A matéria está aqui.

Deve ser graças ao fato de a avassaladora maioria dos brasileiros ser temente a Deus que vivemos nesse verdadeiro paraíso de ética, moral e bons costumes.

Amém.

domingo, 10 de maio de 2009

Loas à incompetência


Estou há um mês a aguardar que a NET resolva o problema de intermitência do sinal do Virtua e do NET Fone.
Os técnicos vêm, dizem que – desta vez – tudo está resolvido e... o problema persiste.

Isso é apenas a ponta de imenso iceberg.

Somos todos incompetentes, inclusive – senão principalmente – eu.

Aliás, esse é, quase, o título de um livro de administração lá da década de 70 do século passado. Mas, agora, a situação é menos conceitual e mais prática.

Eu, na minha profissão, exercida já pra lá de 15 anos, me considero incompetente. Mas, ao menos, tento não dar grandes vexames.

O mesmo não é possível afirmar a respeito dos técnicos da NET (e de outras operadoras, claro, claro). Nem a respeito de – por exemplo – médicos.

Vamos a um caso concreto:

Faz uns 15 anos, um ortopedista descobriu que eu tinha gota. Cheguei à clínica, em que ele trabalhava, com o pé submetido a intensa dor. Dedão do pé. Eu achava que a dor era resultado de algum choque no jogo de futebol. Naquele tempo eu ainda jogava futebol.
Não. Era gota.
Se você não sabe eu explico: gota é o resultado do acúmulo de excesso de ácido úrico nas juntas. Os cristaizinhos ficam ali e – de repente – resolvem inflamar a região. A dor é tamanha que o contato de lençóis é doloroso.
Pois bem. O tal médico (não vou citar nomes. Seria injusto acusar alguns quando tantos são incompetentes) receitou-me um tratamento tão complicado quanto inútil: deixar o pé mergulhado em solução de permanganato de não sei o quê durante não sei quanto tempo. A coisa toda implicava manter o pé mergulhado naquele líquido roxo, dentro de um balde, depois enxugar o pé em toalha que ficava obviamente toda roxa etc etc.
O resultado era rigorosamente nulo.
Fora a sujeira, eu ficava sem poder sair de casa durante alguns dias. Isso atrapalhava a vida toda, como se pode depreender.
Até que um colega de trabalho me deu a dica da injeção de Voltaren. Ele, aliás, disse mais: mandava o farmacêutico misturar Voltaren com não sei o que e ficava bom imediatamente.
Eu preferi me restringir ao Voltaren. Meia hora depois da picada na bunda eu estava pronto para outra crise.
E a vida ganhou nova dinâmica.
Como quase todo mundo sabe, Voltaren não é flor que se cheire. É preciso não abusar.
Vai daí, na primeira crise de gota que surgiu, procurei uma médica que me receitou Zyloric.
Tomei e ... piorei.
Quando li a bula (que não havia lido até então porque, afinal, o remédio tinha sido receitado por uma médica), percebi que a dita cuja bula trazia – destacada em letras vermelhas – a advertência: não tome este remédio durante crise de gota.
Beleza.
Conversando com um cunhado que também padecia de gota, fui advertido:
Verifique se seu remédio de pressão não retém ácido úrico.
Não deu outra. Li a bula e verifiquei que o remédio que tomava, para equilibrar a pressão, retinha ácido úrico no organismo (Tenoretic).
Falei sobre isso ao médico que freqüentava à época. Era, diga-se um medalhão. Cobrava os tubos.
Displicentemente, o dito cujo concordou em trocar o remédio de pressão por outro (Atenol). Se eu não tivesse dito nada, tudo ficaria como estava. Claro que nunca mais voltei ao consultório do imbecil.
Mais adiante, o dr. Mistrorigo (esse é dos bons) ensinou-me a controlar a crise com doses cavalares (de hora em hora) de colchicina. A coisa funciona assim: quando você percebe o início da crise, começa a tomar colchicina (comprimidos) de hora em hora. Depois de uns cinco ou seis comprimidos você começa a sentir enjôo e é acometido de intensa diarréia. Aí você interrompe a ingestão de colchicina.
A crise de gota vai embora. Mas o processo é um tanto desagradável...
Por recomendação de vários médicos, passei a tomar colchicina diariamente.
Um belo dia, a dúvida me assaltou (aliás, em São Paulo, a melhor coisa é ser assaltado por dúvidas. Os outros tipos de assaltos são muito piores):
Diabos. A colchicina impede as crises de gota. Mas o ácido úrico continua a ser produzido por meu organismo em excesso.
Resolvi – por minha conta – passar a tomar Zyloric. Com isso, baixei a níveis normais o ácido úrico em meu organismo.
Quando fui a um urologista, ano passado, fazer o exame de próstata, ouvi dele – que se disse também vítima de gota – a recomendação de que continuasse com o Zyloric mas interrompesse a Colchicina.
Foi a maior besteira. Mergulhei em crise forte de gota.
Descobri, a duras penas, que é preciso manter os dois remédios.
Hoje, passados 15 anos da primeira crise, consigo administrar a gota. Não tenho crises, reduzi a Colchicina e o Zyloric às doses mínimas que garantem a sanidade.
Apesar de um bando de médicos incompetentes que me fizeram sofrer um bocado.
Viva a incompetência geral.

sábado, 2 de maio de 2009

Mais uma despedida de Bragança


O mês de maio começou com muito sol, em Bragança. Como era dia de viagem, tratámos de acordar cedo (nem tanto: 8 horas). Foi abrir a janela e vislumbrar o balão a sobrevoar o IP4 lentamente:




Últimos preparativos, desligar o aquecimento, desligar a água e lá vamos nós, num Fiat alugado, até o Porto. Ou melhor, até o aeroporto do Porto, que como aprendi recentemente fica na Maia.

Desta vez, ao contrário da viagem de ida, tudo se encaixou perfeitamente: chegámos ao aeroporto com tempo de folga. Foi devolver o carro, fazer o check in para o vôo até Madrid, almoçar no próprio aeroporto (comida horrorosa, em um tal de La Pausa). Depois entrar no avião (que não era um Embraer, mas também separava a classe econômica da executiva por meio de uma pequena cortina no corredor), sair com quase nenhum atraso, chegar a Barajas, e... bem, Barajas parece ter sido construído para que se brinque de esconde-esconde.
Para quem, como foi nosso caso, desce em um dos terminais 1, 2 ou 3, e precisa embarcar no terminal 4 (vôos internacionais), brinca-se assim: pega-se o autobus para o terminal 4. O dito cujo percorre trechos de auto-estradas e, depois de uns cinco minutos chega ao terminal 4.
Faz-se o check in, passa-se pelo controle de bagagem e verifica-se, no cartão de embarque, se seu portão de embarque é o M, o R, o S, o U ou um monte de outras letras. O nosso era RSU. É, não pense que você fica sabendo logo qual das letras é a sua. Isso vai aparecer nos painéis de informação mais tarde, quando estiver na hora do embarque.
Seja lá qual seja sua letra, há que embarcar em um trem. Isso: um trem. O citado veículo roda durante alguns minutos e pára em uma estação, tipo metrô.
Não se esqueça de descer. Aliás, eles insistem - por um alto-falante estridente, em espanhol e em inglês, que se faça isso.
Esqueci de mencionar que para embarcar no malfadado trem desce-se uma infinidade de escadas rolantes. Depois, quando se desembarca, sobe-se tudo de novo.
Bem. Ao chegar à região dos portões de embarque, percebe-se que U (nosso caso) subdivide-se em váááários Us. A coisa vai de U31 (algo assim. Começar do 1 é que não começa. Seria muito óbvio) até - digamos - U64. Isso, decerto, repete-se para todas as demais letras.
Depois de algum tempo de espera, começa a aparecer nos muitos vídeos espalhados pela imensidão dessa casa maluca que é Barajas a letra que será a de seu vôo. No nosso caso, o RSU que constava do cartão de embarque definiu-se como U.
Quase no momento do embarque vem a informação conclusiva: U 59.
É verdade que você apanha um bocado para encontrar o tal U 59. Por qualquer razão que minha mente não atinge, todas as placas indicativas apontam para portões de U 31 a U 51. Perguntados sobre onde ficará o abençoado U 59, os funcionários respondem candidamente que é só ir em frente, contra todas as indicações de que aquele corredor de comprimento aparentemente infinito leva apenas até o U 51.
Concluo que a aritmética espanhola deve ter lá suas peculiaridades.
Mas confie! Você chegará ao U 59.
Uma vez embarcados, voámos praticamente no horário.
São Paulo nos aguardava com temperatura amena (19 °C), às 6 da manhã.

P.S.: Só pra vocês não pensarem que eu exagero ao falar do labirinto que é Barajas, vejam só:
Quando estávamos já dentro do avião, o comandante informou que íamos demorar um pouquinho mais para decolar porque era preciso retirar do compartimento de bagagem as malas de pessoas que tinham feito check in, embarcado, portanto, suas bagagens, mas não haviam aparecido para o embarque.
Não tenho dúvidas: ficaram perdidas dentro do Barajas.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Renascer em Bragança

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Diferentemente do que se conhece no Brasil, este negócio, em Bragança, tem toda probabilidade de tratar-se de empreendimento honesto.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

À beira da estrada


Li, dia desses, que a esposa de um apresentador de TV foi baleada à beira da Avenida Brasil, Rio de Janeiro. Tudo por que o casal parou para comprar uma garrafa de água de um vendedor ambulante.

Ontem, saímos de Bragança em direção ao Porto para comprar alguns móveis de varanda em Lordelo, junto a Paços de Ferreira (o lugar perfeito para se comprar móveis em Portugal. Fica a menos de 20 km do Porto e dispõe de uma infinidade de fábricas de móveis.). No caminho, parámos em uma estação de serviço à beira da auto-estrada A4, junto a Penafiel, para comermos um lanche que leváramos de casa.

O lugar é lindo e muito bem cuidado. Mesas e bancos de madeira ficam espalhados por um relvado. Como estamos na Primavera, há flores por toda parte. As casas de banho (banheiros) estão sempre impecavelmente limpas. Há restaurante e uma lanchonete na qual se toma um café delicioso.

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Enquanto devorava meu sanduíche acompanhado de um iogurte, comentei com a Baixinha: se estivéssemos no Brasil, não pararia em um lugar assim por nada.

Aqui, a Baixinha esqueceu uma caixa de lenços na casa de banho. Ao voltarmos, várias horas depois, parámos lá mais uma vez e ela recuperou a caixa de lenços, que a aguardava – intacta.

domingo, 26 de abril de 2009

Minha filha, minhas filhas


Hoje, cá de Bragança, conversei com minha filha primogênita, que mora em Westport, Connecticut, USA. Via Skype.

Contou-me que minha neta recém nascida, Isabella, está bem, mas não ganha peso como as estatísticas recomendam. Contou-me, também, que comprou uma balança e que pesa até as fraldas da pequena, para ter certeza de que a pequerrucha está a fazer todo o xixi programado pelos levantamentos estatísticos.

Lembrei a ela que, quando ela era dessa mesma idade, eu a pesava antes e depois de cada mamada. E registrava tudo em gráfico, para visualizar melhor o desenvolvimento dela. E que ela jamais ultrapassava o limite mínimo de peso. Da mesma forma que Isabella. E que deu no que deu: uma mulher maravilhosa.

Sei que tudo se repetirá, eterno retorno, e Isabella será quase tão fantástica quanto a mãe.

Igual é difícil.

sábado, 25 de abril de 2009

Problemas de fronteira


Bragança fica a uns 20 km da Espanha. Por isso mesmo, muito do que aqui se consome vem das terras espanholas. Mesmo alimentos produzidos em França têm seus rótulos escritos em espanhol e em português.
Vai daí, estava eu a beber um iogurte espanhol e resolvi ler o rótulo bilíngüe.

Além da lista de ingredientes e coisas assim, próprias de embalagens de produtos desse gênero, esbarrei na seguinte informação, primeiro em espanhol, depois em português:

Conservar entre O˚C y 8˚C

Conservar entre O˚C e 6˚C

Já não basta a esdrúxula diferença de fuso horário, que coloca sempre a Espanha uma hora adiante, mesmo em longitudes idênticas?

Temos agora um fuso térmico?

Socorro, professor Pasquale


Desde que comecei a freqüentar Portugal (já lá se vão muitos anos), chamou-me a atenção o modo de o português pronunciar a dupla “sc”. Por exemplo, “piscina”, em Portugal, é “pixina”. "Adolescente” é "adolexente” etc etc. A lista é grande. Parte dela vai aqui:

abscesso, abscissa, acrescentar, acrescer, acréscimo, adolescente, apascentar, aquiescência, aquiescer, ascender, ascensão, asceta, condescendência, consciência, cônscio, convalescer, crescente, crescer, descendência, descender, descentralização, descer, descerrar, descida, discente (que aprende), discernimento, disciplina(r), discípulo, efervescência, fascículo, fascismo, florescer, imisção (mistura), imiscível, imprescindível, intumescer, irascível, isóscele(s), miscelânea, miscigenação, nascença, nascer, néscio, obsceno, onisciência, oscilar, oscilação, piscicultura, piscina, plebiscito, prescindir, recrudescer, remanescente, reminiscência, renascença, rescindir, rescisão, ressuscitar, seiscentésimo, seiscentos, suscetível, suscitar, transcendência, víscera.

Ora. Desde quando constatei tal pronúncia, gostei. No Brasil, não há distinção de pronúncia entre “piscina” e “passeio”, por exemplo. Entendi que tal distinção era importante. “Piscina”, por exemplo, vem do latim “piscis”, peixe, e – portanto - a pronúncia diferenciada enfatiza a origem constituinte do termo.

Muito bem. Acontece que, hoje, ao saborear uma lasanha de mariscos no Gôndola, ouvi um vizinho de mesa pronunciar “seixentos”.
A partir de então, fiquei embasbacado. Afinal, seiscentos é a justaposiçào de seis e de cento. Não penso que se deveria pronunciar daquela maneira. O s e o c não formam um conjunto. O s pertence ao seis. O c a cento.

E agora?

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Diferenças entre países desenvolvidos e repúblicas bananeiras


Chegados a Bragança, fui buscar o Smart que comprámos. O funcionário da concessionária levou-me à empresa de seguros. Até aí, nada de extraordinário. Em São Paulo, sempre que compro um carro, só o retiro da concessionária depois de feito o seguro.
A pequena diferença é que – aqui – essa providência é obrigatória.
Não só é necessário circular levando consigo a Carta Verde (que faz as vezes da apólice de seguro) como há que se ter colado ao pára-brisas um pequeno selo (destacado da Carta verde) com os dados básicos do seguro.
No Brasil, fica a critério do dono do veículo fazer ou não seguro do mesmo. É pra lá de comum a pessoa levar um esbarrão de outro automóvel e ouvir a confissào do condutor desastrado:
- Não tenho como pagar.
E fica por isso.
O outro detalhe diferenciador exige uma digressão:
Há muitos anos, quando eu respondia pela área administrativa de uma empresa de insumos agrícolas, na qual os seguros eram importantes (nem tanto os de veículos; mais os relativos às fazendas da empresa) aprendi com um corretor de seguros que nos prestava serviços que, ao se fazer um seguro de automóvel, é recomendável estipular valores altos para os danos contra terceiros. No Brasil, tais danos são divididos em danos pessoais (DP) e danos materiais (DM).
Por um lado, aumentos significativos em DP e DM não implicam aumentos sensíveis no prêmio a se pagar. Por outro lado, imagine você abalroar uma Mercedes último modelo. Quanto não sairá o conserto. Pior: imagine o condutor do outro veículo (aquele que você arrebentou) ter de ficar uns 15 dias em uma UTI.
Pois bem: há anos que estipulo DM e DP em R$ 100.000,00 cada. Sempre que mudo de corretora sou obrigado a orientá-la quanto a isso. Porque a praxe, no Brasil, é qualquer coisa – no máximo – igual a R$ 10.000,00.

Pois bem. Voltemos à apólice de meu carrinho. O funcionário que me preparou os papéis do seguro foi mostrando os valores. Todos dentro do esperado. Ao chegar aos danos contra terceiros, a surpresa:
Seguro contra terceiros (e isso – disse-me – é a praxe em Portugal): 1.800.000,00 euros.

É preciso dizer mais alguma coisa?

quarta-feira, 22 de abril de 2009

A ida dos que ficaram


Pois bem. Nào tendo sido possível viajar na sexta, embarcámos no domingo.

Já na sexta, em Guarulhos, o atendente da TAP me dissera que eu teria de pagar uma multa de 100 euros para trocar a data das passagens de sábado para segunda. As passagens de Madrid ao Porto, diga-se. Mas o dito atendente informou que a multa poderia ser paga em Madrid, na segunda-feira. Eu, submisso ao princípio de que problema adiado é problema resolvido, deixei a multa para ser paga em Madrid. Até porque não senti firmeza no atendente, que encarava o monitor do computador dele com olhar de quem vislumbra um ET.

Partimos de São Paulo quase no horário. Sei lá por que ventos, chegámos a Madrid uns 45 minutos depois da hora prevista. Até aí tudo bem. Afinal, teríamos de fazer hora até o embarque para o Porto, às 12:40. E eram, apenas, 7:30.

Feita a alfândega (e eu, que temia a alfândega espanhola por minha mulher, dadas as notícias recentes sobre maus tratos a passageiros brasileiros, tive de ser esperado por ela, liberada que foi, instantaneamente, por um sonolento vigilante espanhol) fomos ao check in da TAP (depois de uns passeios por Barajas, claro, claro).
Como eu já esperava, a atendente disse-me para ir à loja da TAP, pagar a tal multa.

Para minha consternação, um muy amable rapaz informou-me: há a multa (100 euros), mais a diferença de tarifas: por insondáveis desígnios divinos, a passagem no vôo da segunda, no qual embarcaríamos, era sensivelmente mais cara que aquela de que não havíamos desfrutado no sábado, graças ao pecado original da perda do vôo São Paulo – Madrid. Resumo: havia que desembolsar 240 euros. Com o coração a sangrar, entreguei meu cartão de crédito para ser guilhotinado (debitado, para ser moderno).

Como quem vai às batatas, o dito rapaz pergunta ao funcionário a seu lado:
- Houve mesmo o vôo Madrid - Porto de sábado, 9:50?
- Não. Foi cancelado.
O muy amable devolve meu cartão de crédito e explica:
- Como o vôo que o senhor perdeu não houve, não há que cobrar multa nem diferença de tarifas. Pode embarcar.

E lá fomos nós, rumo a um ... –adivinhe! Embraer ERJ 145. Pura engenharia brasileira a serviço de nossas férias.

Eu jamais voara em um Embraer. Posso dizer que gostei. Só achei ridícula a divisão entre classe econômica e classe executiva: todos os assentos são iguais. O que separa as duas classes é uma cortininha. E, para gáudio dos que advogam facilidades para a mobilidade entre as classes, a base de sustentação da cortininha é móvel. A comissária de bordo pode colocá-la mais para a frente (e restringir os lugares disponíveis para os protegidos da sorte) ou pode deslocá-la para trás, diminuindo as desigualdades sociais. Bisbilhotando a classe executiva, constatei que as duas pessoas lá aboletadas, um ancião de ar esnobe e sua presumível esposa, sósia da rainha da Inglaterra, consumiam o mesmo sanduíche horrendo que matava a fome de nós, pobres mortais da fileira 6 em diante. Apenas o faziam em pratos de louca, enquanto nós o atacávamos a partir de bandejinhas de isopor.

Tudo isso parece apontar para o Brasil como o berço de um futuro e promissor socialismo. No bojo do qual todos lembrar-se-ào da Embraer e de seu papel preponderante na edificação da sociedade sem classes a partir da cortina flutuante de seus ERJ 145.

sábado, 18 de abril de 2009

A volta dos que não foram


Ontem, 17, era dia de partir para Bragança, no nordeste trasmontano. Desta vez, o roteiro era: Guarulhos – Madrid (pela Iberia), Madrid – Porto (pela TAP), e Porto – Bragança (de carro, alugado na Europcar).
Tudo organizadinho, bonitinho.
Apenas a dupla aqui (a Baixinha e eu) não considerou devidamente o tremendo trânsito paulistano de uma tarde de sexta-feira de um feriadão enorme (terça é feriado). E perdeu o vôo para Madrid.
Quando conseguimos que o táxi nos deixasse no embarque do aeroporto de Guarulhos já encontrámos o check in encerrado.
Toca a entrar em fila de espera para o vôo seguinte. Em vão. Tudo lotado.
Hoje, sábado: tudo igualmente lotado. Deve ser a crise.
Resultado: só poderemos partir amanhã, domingo.
E passámos a tarde de sexta-feira correndo da loja da Iberia para a loja da TAP e vice-versa. Com a enorme vantagem de fazer excelente exercício físico. Talvez propositalmente, as duas lojas ficam nos extremos opostos do aeroporto.
Finalmente, conseguimos transferir o vôo da TAP para segunda-feira, só que no vôo das 12:40 (o de hoje sairia às 9:50). Para quem tem chegada prevista a Madrid lá pelas 6:45 será uma bela oportunidade de conhecer todos os meandros do Barajas.
Ao entrar em contato agora pela manhã (pra ser exato, agora de madrugada, horário de São Paulo) com o pessoal da Europcar no Porto para explicar que precisava alterar a reserva do carro para segunda-feira, fui informado de que minha reserva continuaria viva. Não sei exatamente o que isso significa. Só espero que a tal reserva não morda.