domingo, 1 de março de 2009
Questão de qualidade
Se não me engano, a Bíblia diz que quem crê recebe a vida eterna. Quem não crê, a morte.
Ao menos é o que parecem dizer estes versículos:
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3:16)
Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor. (Romanos 6:23)
Penso não ser bem assim (blogueiro dá palpite em tudo).
Apesar das diferentes maneiras de se entender a palavra inferno, aprendi desde criança que inferno é um lugar quente pra burro onde a gente sofre muito. Acho até que vem daí meu pouco apreço pelo verão.
Pra sofrer como o diabo (sem trocadilho) é preciso estar vivo.
Portanto, a questão da salvação não se coloca como dilema entre a vida e a morte.
É tão somente uma questão de qualidade de vida.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
domingo, 22 de fevereiro de 2009
sábado, 21 de fevereiro de 2009
A formação de José Serra
Tenho lido alguns artigos que questionam a trajetória política de José Serra, governador de São Paulo que quer ser presidente da República do Brasil.
Questiona-se sua pretensa condição de economista.
Pergunta-se de que modo conseguiu o estudante de origem humilde sobreviver no exterior, primeiro no Chile, depois nos Estados Unidos.
Quanto à questão do diploma, me parece uma questão burocrática. A formação dele, no exterior, não foi validada no Brasil.
Já quanto aos recursos para sobreviver no exterior, tenho uma história pra contar:
Lá pelos idos de 1.991, fui convidado por um amigo a almoçar com ele e com seu sócio. Acontece que o tal sócio era colega nosso de Escola Politécnica. Nós três havíamo-nos formado no mesmo ano, ainda que em modalidades diferentes.
Claro que a conversa durante o almoço girou em torno da época de faculdade e dos colegas dos quais fomos nos lembrando.
O sócio de meu amigo, falecido tragicamente poucos anos depois, era conhecido por suas posições políticas mais à direita.
A certa altura, começou a revelar que na década de 60 os Estados Unidos haviam assediado vários líderes estudantis brasileiros para que fossem para lá, fazer alguns estudos, conhecer outros pontos de vista etc etc.
Citou o Serra como exemplo de um que topou.
Diga-se: o depoimento desse colega me pareceu, desde o primeiro momento, autêntico. Principalmente porque ele nos contou essa história para lamentar-se de – à época – não ter aceitado o convite.
Segundo a conclusão dele: todos os que aceitaram se deram muito bem.
A julgar pelo Serra, parece que sim.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Bem-vinda, Isabella
Nasceu ontem, no hospital de Norwalk, Connecticut, USA, minha segunda neta, Isabella.
Ela ainda não sabe o tamanho da fria em que entrou. Mas espero que colabore pra que esse mundo se torne menos insuportável.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
A dificuldade de ser original
Na década de 70, século passado, já lá se vão uns trinta anos, meu colega de trabalho João Gutierrez (às vezes também chefe) chegou à empresa em uma segunda-feira pós final de semana prolongado com a seguinte história:
Passara o final de semana, com a família (mulher e filhos pequenos), em alguma praia do litoral norte de São Paulo. No domingo, ficou matutando: qual a melhor hora pra voltar a São Paulo?
Conclusão: resolveu voltar de madrugada. Acordou a família lá pelas 3 da manhã, colocou tudo no carro e preparou-se para percorrer uma estrada vazia.
Quando chegou à estrada, tudo parado. Uma multidão de carros deslocava-se vagarosamente.
Demorou horas pra chegar em casa.
Deduziu: em São Paulo, quando você tem uma ideia qualquer, pode ter certeza de que um milhão de pessoas está tendo a mesma ideia ao mesmo tempo.
Isso há trinta anos.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Reflexões quase econômicas
Portugal tem 2,4 carros por habitante.
Como será que fazem os portugueses para conduzir mais de 2 veículos ao mesmo tempo?
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Feira do Fumeiro em Vinhais
Já, já, em agosto, completam-se dez anos desde quando conheci Vinhais.
E - incrível - nunca lá estive na época da Feira do Fumeiro.
A Saltapocinhas me questiona, em comentário:
Tens uma feira de fumeiro e enchidos na tua terra e andas por aí a ouvir discursos de políticos?? ai, ai...
A censura dela esquece que não se faz tudo que se quer (além de ser apenas uma brincadeira).
Quando estiver a morar em Bragança não perderei nenhuma Feira do Fumeiro. A menos que haja neve o bastante para impedir que se chegue a Vinhais.
Mas, para isso, é preciso que a tal Comissão de Anistia dê andamento ao processo em que solicito o reconhecimento de um ano e meio de trabalho na USP. Período esse que a Reitoria da USP não quis reconhecer.
A questão é essa: para ir morar em Bragança é preciso, antes, tratar da aposentadoria/reforma.
Ocorre que trabalhei alguns anos na USP. Preciso que esse tempo de trabalho seja contado para completar meus 35 anos de trabalho comprovado.
Comecei a trabalhar na USP no início de 1.970, com a criação do Instituto de Matemática e Estatística (IME-USP).
No final de julho de 1.971 fui preso.
Meu contrato com a USP durou até meados de 1.972 e não foi renovado porque eu continuava em cana.
Saí em liberdade condicional no início de 1.973. O IME-USP me chamou para continuar a trabalhar lá, mas não havia condições políticas para a recontratação. Sugeriram, então, que eu ficasse recebendo bolsa de estudos até que se fizesse uma anistia que permitisse minha nova contratação.
Fiquei mais um ano e meio.
Como a anistia não aparecia no final do túnel, arrumei emprego em empresa e fui embora da USP.
Inicialmente, a USP só reconhecia o tempo de trabalho até a data da prisão.
Recorri administrativamente e consegui que a USP reconhecesse o período em que estive preso.
Quanto ao ano e meio posterior à prisão, disseram que só a Comissão de Anistia poderia reconhecer.
Entrei com processo há dois anos e meio. Ele continua parado no protocolo.
Caso a Comissão reconheça meu ano e meio final na USP, posso me aposentar ainda este ano. Caso contrário, só no final de 2.010.
Como leio nos jornais que a Comissão de Anistia pretende analisar todos os processos até o final de 2.010, já imagino o final dessa novela: no final de 2.010, quando eu não precisar mais desse tempo para completar os 35 anos de trabalho, eles - alegremente - me reconhecerão o tal ano e meio.
(e pensar que toda essa conversa começou graças a alheiras e chouriças)
As armadilhas dos idiomas
Um mexicano procurado pela Espanha por liderar tráfico de cocaína para a Europa foi localizado em presídio de São Paulo, dizendo-se natural de Minas Gerais.
Ele acabou por trair-se ao mencionar ter um niño (em vez de dizer que tinha um filho).
Claro. Pra se passar por mineiro, ele tinha de dizer:
- Tenho um niño, uai.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Bacalhau basta
Hoje, segunda-feira, dia 2 de fevereiro, é dia de Iemanjá.
Sei disso desde garoto, graças aos versos de Caymmi, na canção Dois de Fevereiro:
Dia 2 de fevereiro
Dia de festa no mar.
Eu quero ser o primeiro
a saudar Iemanjá.
Hoje, segunda-feira, dia 2 de fevereiro, faz 5 anos que este blog começou.
Uma coisa nada tem a ver com a outra.
Coincidência, apenas.
Aliás, hoje é dia de eleições no Congresso brasileiro.
Sarney foi eleito presidente do Senado. Enquanto eu almoçava, ele começou seu discurso de posse. Quase perdi o apetite ao verificar como o homem se leva a sério. Mencionou o número de livros que já perpetrou, não esqueceu de dizer que alguns foram traduzidos para outras línguas. Lembrou que faz parte de várias associações literárias mundo afora. É o decano da Academia Brasileira de Letras.
Os demais elogios que ele outorgou à sua modesta pessoa não tive o desprazer de ouvir. Desliguei a TV.
Na Câmara dos Deputados o presidente eleito foi Michel Temer.
Enquanto o primeiro dedicava boa parte de seu tempo a maltratar a Língua Portuguesa, o segundo usava seu tempo livre, poucos anos atrás, batendo em algo menos intangível.
Outra pura coincidência.
O fato é que esses serão os sucessores de Lula e José Alencar pelos próximos dois anos.
E você queria que eu produzisse um blog melhor?
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Sempre os mesmos
O advogado de Battisti é Luiz Eduardo Greenhalgh.
Fui ao blog do Favre para ver o que ele tem dito a propósito do Cesare Battisti. Surpresa: nadica de nada.
O Favre (e o irmão dele) eram os encarregados, lá pelas décadas de 70, 80, de trazerem pro Brasil a grana da IV Internacional, pra dar pros trotskistas daqui. Quem recebia o dinheiro era o Jorge Mattoso, aquele que se queimou porque entregou ao Palocci os extratos bancários do caseiro Francenildo (aliás, foi assim que o Mattoso acabou conhecendo a Marta, quando ela se enamorou do Favre, e passou a ser assessor próximo dela e, por fim, presidente da Caixa).
Eu achava que ele, o Favre, faria uma veemente defesa do - como diz o Zé Dirceu - escritor italiano Battisti. Ou não, sei lá.
Nada. Afinal, quem tem, tem medo. O cônjuge da dona Marta ficou na muda.
Em boca fechada não entra tiro, não é mesmo?, Celso Daniel.
sábado, 24 de janeiro de 2009
Sobre a OSESP
Não sou nenhum insider em relação à OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo). Apenas assisto aos concertos semanais desde 1900 e qualquer coisa. Nos primeiros anos, ia toda semana (ou seja, assinava as quatro séries). A partir de 2.001, com a chegada dos netos e os conseqüentes apelos dos pais para que tomasse conta deles, passei a assinar uma única série (ou seja, freqüentar a Sala São Paulo apenas uma vez por mês).
Tenho grandes amigos que adoram a orquestra e simplesmente odeiam o Neschling.
Parece que a maioria dos freqüentadores dos concertos semanais está feliz com a saída do cidadão. Eu, apesar de não ter nenhuma simpatia especial por ele (nem o contrário) e desconfiar que ele deve ser mesmo insuportável pessoalmente, me pergunto como ficará a OSESP no pós-Neschling.
O fato é que as orquestras, no Brasil, sempre foram bem brasileiras, ou seja: músicos sofríveis, recebendo salários miseráveis, fingindo que se dedicam, fazendo um monte de bicos pra sobreviver etc etc. Resultado: muitas obras não podiam ser executadas pois sua complexidade ficava acima da competência dos integrantes da orquestra.
Será que a OSESP voltará a esse nível?
Será que meus amigos que tanto malham o Neschling gostarão do que vão ouvir daqui em diante?
É esperar pra ver.
Apenas me assusta o fato de o Neschling ter sido demitido pelo... Fernando Henrique Cardoso. Aquele.
Durante oito anos ele azucrinou o país como presidente.
Não confiaria nesse camarada para síndico do prédio em que moro.
Será que ele saberá conduzir o processo de escolha do substituto do Neschling?
Por fim: parece que o grande pecado do Neschling é a soberba. Ora, o Vilem Flusser, há muitos anos, já mostrou que – entre os sete pecados capitais – a Arte é a Soberba.
Irão escolher um maestro humilde, bonzinho, que deixe os músicos à vontade etc e tal?
Hmmm. Veremos, veremos. Mas que sinto cheiro de queimado, isso é verdade.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Ainda sobre Obama
Pra não dizer que não falei de...
...assuntos do dia, da semana: Obama, Faixa de Gaza, decisão do Tarso Genro de dar abrigo ao italianinho assassino etc etc.
Pra mim, o Reinaldo Azevedo combina com o - como é mesmo? - Marcelo Coelho de os dois se atacarem pra dar audiência. Por que não?
Vai daí, que eu prefiro falar de neve em Bragança.
De calor em São Paulo. Aliás, nem tanto. Hoje.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Desabar em Cristo
Sempre me impressionei com a enorme quantidade de acidentes em estradas brasileiras envolvendo romeiros (aqui, aqui etc etc). Enfim, os peregrinos acabam por ir direto ao céu sem precisar passar por Aparecida.
Agora foi o teto da sede da Renascer em Cristo que veio abaixo (aqui).
Parece que o apóstolo burlão e sua incrível bispa descobriram uma forma mais rápida de colocar os fiéis em contato com o Criador.
Sei que alguns hão de me criticar por não me condoer com a desgraça dos fiéis.
Estão enganados.
Considero qualquer templo da Renascer (e de outras falcatruas do gênero) uma tragédia, principalmente enquanto o teto não desaba.
domingo, 18 de janeiro de 2009
8.000 km
oje fiz cocozinhos brancos.
Não. Não fui eu.
Esse é o início da descrição de um dia qualquer de algum mês de um ano genérico no diário de Salvador Dali.
Jamais fiz ou farei cocozinhos brancos. De mesmo que jamais pintarei qualquer coisa longinquamente parecida com a obra do gênio.
Melhor: jamais pintarei qualquer coisa.
Mas meu sábado, vivido sobre o Atlântico, entre Porto e São Paulo, permitiu-me ver Vicky Cristina Barcelona, de Allen.
E, já em São Paulo, assisti a vídeo sobre a relação de Elvis Presley com a música Gospel.
Não sei se Allen ou Presley fizeram, alguma vez, cocozinhos brancos.
Talvez isso nem seja significativo.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Até qualquer dia destes, Portugal
São cinco da tarde e estou a saborear um fino, imperial, chopp, como queiram.
Ah! no majestoso Majestic, no Porto.
No Brasil ainda são 3 da tarde. Aqui, logo baixa a noite.
Deixamos Braganca ainda com alguma neve. Cá no Porto não. Aqui a temperatura estará por volta dos 12 graus.
O pianista comecou a tocar. Como (quase) todo pianista de bar, sofrível.
Volto a postar em São Paulo, com seu calor de mais de 30 graus centígrados.
E com seus pianistas sofríveis, a buscar sobrevivência nos bares, restaurantes, churrascarias.
Até breve, Portugal.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Sobre israelenses e palestinos
ou Sobre israelitas e palestinianos, como preferem os portugueses (lembra a Saltapocinhas)
Quem sou eu para dar palpites sobre o conflito no Oriente Médio.
Apenas vos deixo um trecho do livro de Ester, do Velho Testamento:
Ester 8
1 Naquele mesmo dia deu o rei Assuero à rainha Ester a casa de Hamã, inimigo dos judeus; e Mardoqueu veio perante o rei, porque Ester tinha declarado quem ele era.
2 E tirou o rei o seu anel, que tinha tomado de Hamã e o deu a Mardoqueu. E Ester encarregou Mardoqueu da casa de Hamã.
3 Falou mais Ester perante o rei, e se lhe lançou aos seus pés; e chorou, e lhe suplicou que revogasse a maldade de Hamã, o agagita, e o intento que tinha projetado contra os judeus.
4 E estendeu o rei para Ester o cetro de ouro. Então Ester se levantou, e pôs-se em pé perante o rei,
5 E disse: Se bem parecer ao rei, e se eu achei graça perante ele, e se este negócio é reto diante do rei, e se eu lhe agrado aos seus olhos, escreva-se que se revoguem as cartas concebidas por Hamã filho de Hamedata, o agagita, as quais ele escreveu para aniquilar os judeus, que estão em todas as províncias do rei.
6 Pois como poderei ver o mal que sobrevirá ao meu povo? E como poderei ver a destruição da minha parentela?
7 Então disse o rei Assuero à rainha Ester e ao judeu Mardoqueu: Eis que dei a Ester a casa de Hamã, e a ele penduraram numa forca, porquanto estendera as mãos contra os judeus.
8 Escrevei, pois, aos judeus, como parecer bem aos vossos olhos, em nome do rei, e selai-o com o anel do rei; porque o documento que se escreve em nome do rei, e que se sela com o anel do rei, não se pode revogar.
9 Então foram chamados os escrivães do rei, naquele mesmo tempo, no terceiro mês (que é o mês de Sivã), aos vinte e três dias; e se escreveu conforme a tudo quanto ordenou Mardoqueu aos judeus, como também aos sátrapas, e aos governadores, e aos líderes das províncias, que se estendem da índia até Etiópia, cento e vinte e sete províncias, a cada província segundo o seu modo de escrever, e a cada povo conforme a sua língua; como também aos judeus segundo o seu modo de escrever, e conforme a sua língua.
10 E escreveu-se em nome do rei Assuero e, selando-as com o anel do rei, enviaram as cartas pela mão de correios a cavalo, que cavalgavam sobre ginetes, que eram das cavalariças do rei.
11 Nelas o rei concedia aos judeus, que havia em cada cidade, que se reunissem, e se dispusessem para defenderem as suas vidas, e para destruírem, matarem e aniquilarem todas as forças do povo e da província que viessem contra eles, crianças e mulheres, e que se saqueassem os seus bens,
12 Num mesmo dia, em todas as províncias do rei Assuero, no dia treze do duodécimo mês, que é o mês de Adar;
13 E uma cópia da carta seria divulgada como decreto em todas as províncias, e publicada entre todos os povos, para que os judeus estivessem preparados para aquele dia, para se vingarem dos seus inimigos.
14 Os correios, sobre ginetes velozes, saíram apressuradamente, impelidos pela palavra do rei; e esta ordem foi publicada na fortaleza de Susã.
15 Então Mardoqueu saiu da presença do rei com veste real azul-celeste e branco, como também com uma grande coroa de ouro, e com uma capa de linho fino e púrpura, e a cidade de Susã exultou e se alegrou.
16 E para os judeus houve luz, e alegria, e gozo, e honra.
17 Também em toda a província, e em toda a cidade, aonde chegava a palavra do rei e a sua ordem, havia entre os judeus alegria e gozo, banquetes e dias de folguedo; e muitos, dos povos da terra, se fizeram judeus, porque o temor dos judeus tinha caído sobre eles.
Ester 9
1 E, no duodécimo mês, que é o mês de Adar, no dia treze do mesmo mês em que chegou a palavra do rei e a sua ordem para se executar, no dia em que os inimigos dos judeus esperavam assenhorear-se deles, sucedeu o contrário, porque os judeus foram os que se assenhorearam dos que os odiavam.
2 Porque os judeus nas suas cidades, em todas as províncias do rei Assuero, se ajuntaram para pôr as mãos naqueles que procuravam o seu mal; e ninguém podia resistir-lhes, porque o medo deles caíra sobre todos aqueles povos.
3 E todos os líderes das províncias, e os sátrapas, e os governadores, e os que faziam a obra do rei, auxiliavam os judeus porque tinha caído sobre eles o temor de Mardoqueu.
4 Porque Mardoqueu era grande na casa do rei, e a sua fama crescia por todas as províncias, porque o homem Mardoqueu ia sendo engrandecido.
5 Feriram, pois, os judeus a todos os seus inimigos, a golpes de espada, com matança e com destruição; e fizeram dos seus inimigos o que quiseram.
6 E na fortaleza de Susã os judeus mataram e destruíram quinhentos homens;
7 Como também a Parsandata, e a Dalfom e a Aspata,
8 E a Porata, e a Adalia, e a Aridata,
9 E a Farmasta, e a Arisai, e a Aridai, e a Vaisata;
10 Os dez filhos de Hamã, filho de Hamedata, o inimigo dos judeus, mataram, porém ao despojo não estenderam a sua mão.
11 No mesmo dia foi comunicado ao rei o número dos mortos na fortaleza de Susã.
12 E disse o rei à rainha Ester: Na fortaleza de Susã os judeus mataram e destruíram quinhentos homens, e os dez filhos de Hamã; nas mais províncias do rei que teriam feito? Qual é, pois, a tua petição? E dar-se-te-á. Ou qual é ainda o teu requerimento? E far-se-á.
13 Então disse Ester: Se bem parecer ao rei, conceda-se aos judeus que se acham em Susã que também façam amanhã conforme ao mandado de hoje; e pendurem numa forca os dez filhos de Hamã.
14 Então disse o rei que assim se fizesse; e publicou-se um edito em Susã, e enforcaram os dez filhos de Hamã.
15 E reuniram-se os judeus que se achavam em Susã também no dia catorze do mês de Adar, e mataram em Susã trezentos homens; porém ao despojo não estenderam a sua mão.
16 Também os demais judeus que se achavam nas províncias do rei se reuniram e se dispuseram em defesa das suas vidas, e tiveram descanso dos seus inimigos; e mataram dos seus inimigos setenta e cinco mil; porém ao despojo não estenderam a sua mão.
17 Sucedeu isto no dia treze do mês de Adar; e descansaram no dia catorze, e fizeram, daquele dia, dia de banquetes e de alegria.
18 Também os judeus, que se achavam em Susã se ajuntaram nos dias treze e catorze do mesmo; e descansaram no dia quinze, e fizeram, daquele dia, dia de banquetes e de alegria.
19 Os judeus, porém, das aldeias, que habitavam nas vilas, fizeram do dia catorze do mês de Adar dia de alegria e de banquetes, e dia de folguedo, e de mandarem presentes uns aos outros.
20 E Mardoqueu escreveu estas coisas, e enviou cartas a todos os judeus que se achavam em todas as províncias do rei Assuero, aos de perto, e aos de longe,
21 Ordenando-lhes que guardassem o dia catorze do mês de Adar, e o dia quinze do mesmo, todos os anos,
22 Como os dias em que os judeus tiveram repouso dos seus inimigos, e o mês que se lhes mudou de tristeza em alegria, e de luto em dia de festa, para que os fizessem dias de banquetes e de alegria, e de mandarem presentes uns aos outros, e dádivas aos pobres.
23 E os judeus encarregaram-se de fazer o que já tinham começado, como também o que Mardoqueu lhes tinha escrito.
24 Porque Hamã, filho de Hamedata, o agagita, inimigo de todos os judeus, tinha intentado destruir os judeus, e tinha lançado Pur, isto é, a sorte, para os assolar e destruir.
25 Mas, vindo isto perante o rei, mandou ele por cartas que o mau intento que Hamã formara contra os judeus, se tornasse sobre a sua cabeça; pelo que penduraram a ele e a seus filhos numa forca.
26 Por isso aqueles dias chamam Purim, do nome Pur; assim também por causa de todas as palavras daquela carta, e do que viram sobre isso, e do que lhes tinha sucedido,
27 Confirmaram os judeus, e tomaram sobre si, e sobre a sua descendência, e sobre todos os que se achegassem a eles, que não se deixaria de guardar estes dois dias conforme ao que se escrevera deles, e segundo o seu tempo determinado, todos os anos.
28 E que estes dias seriam lembrados e guardados em cada geração, família, província e cidade, e que esses dias de Purim não fossem revogados entre os judeus, e que a memória deles nunca teria fim entre os de sua descendência.
29 Então a rainha Ester, filha de Abiail, e Mardoqueu, o judeu, escreveram com toda autoridade uma segunda vez, para confirmar a carta a respeito de Purim.
30 E mandaram cartas a todos os judeus, às cento e vinte e sete províncias do reino de Assuero, com palavras de paz e verdade.
31 Para confirmarem estes dias de Purim nos seus tempos determinados, como Mardoqueu, o judeu, e a rainha Ester lhes tinham estabelecido, e como eles mesmos já o tinham estabelecido sobre si e sobre a sua descendência, acerca do jejum e do seu clamor.
32 E o mandado de Ester estabeleceu os sucessos daquele Purim; e escreveu-se no livro.
Ester 10
1 Depois disto impôs o rei Assuero tributo sobre a terra, e sobre as ilhas do mar.
2 E todos os atos do seu poder e do seu valor, e o relato da grandeza de Mardoqueu, a quem o rei exaltou, porventura não estão escritos no livro das crônicas dos reis da Média e da Pérsia?
3 Porque o judeu Mardoqueu foi o segundo depois do rei Assuero, e grande entre os judeus, e estimado pela multidão de seus irmãos, procurando o bem do seu povo, e proclamando a prosperidade de toda a sua descendência.
Quem sou eu para dar palpites sobre o conflito no Oriente Médio.
Apenas vos deixo um trecho do livro de Ester, do Velho Testamento:
Ester 8
1 Naquele mesmo dia deu o rei Assuero à rainha Ester a casa de Hamã, inimigo dos judeus; e Mardoqueu veio perante o rei, porque Ester tinha declarado quem ele era.
2 E tirou o rei o seu anel, que tinha tomado de Hamã e o deu a Mardoqueu. E Ester encarregou Mardoqueu da casa de Hamã.
3 Falou mais Ester perante o rei, e se lhe lançou aos seus pés; e chorou, e lhe suplicou que revogasse a maldade de Hamã, o agagita, e o intento que tinha projetado contra os judeus.
4 E estendeu o rei para Ester o cetro de ouro. Então Ester se levantou, e pôs-se em pé perante o rei,
5 E disse: Se bem parecer ao rei, e se eu achei graça perante ele, e se este negócio é reto diante do rei, e se eu lhe agrado aos seus olhos, escreva-se que se revoguem as cartas concebidas por Hamã filho de Hamedata, o agagita, as quais ele escreveu para aniquilar os judeus, que estão em todas as províncias do rei.
6 Pois como poderei ver o mal que sobrevirá ao meu povo? E como poderei ver a destruição da minha parentela?
7 Então disse o rei Assuero à rainha Ester e ao judeu Mardoqueu: Eis que dei a Ester a casa de Hamã, e a ele penduraram numa forca, porquanto estendera as mãos contra os judeus.
8 Escrevei, pois, aos judeus, como parecer bem aos vossos olhos, em nome do rei, e selai-o com o anel do rei; porque o documento que se escreve em nome do rei, e que se sela com o anel do rei, não se pode revogar.
9 Então foram chamados os escrivães do rei, naquele mesmo tempo, no terceiro mês (que é o mês de Sivã), aos vinte e três dias; e se escreveu conforme a tudo quanto ordenou Mardoqueu aos judeus, como também aos sátrapas, e aos governadores, e aos líderes das províncias, que se estendem da índia até Etiópia, cento e vinte e sete províncias, a cada província segundo o seu modo de escrever, e a cada povo conforme a sua língua; como também aos judeus segundo o seu modo de escrever, e conforme a sua língua.
10 E escreveu-se em nome do rei Assuero e, selando-as com o anel do rei, enviaram as cartas pela mão de correios a cavalo, que cavalgavam sobre ginetes, que eram das cavalariças do rei.
11 Nelas o rei concedia aos judeus, que havia em cada cidade, que se reunissem, e se dispusessem para defenderem as suas vidas, e para destruírem, matarem e aniquilarem todas as forças do povo e da província que viessem contra eles, crianças e mulheres, e que se saqueassem os seus bens,
12 Num mesmo dia, em todas as províncias do rei Assuero, no dia treze do duodécimo mês, que é o mês de Adar;
13 E uma cópia da carta seria divulgada como decreto em todas as províncias, e publicada entre todos os povos, para que os judeus estivessem preparados para aquele dia, para se vingarem dos seus inimigos.
14 Os correios, sobre ginetes velozes, saíram apressuradamente, impelidos pela palavra do rei; e esta ordem foi publicada na fortaleza de Susã.
15 Então Mardoqueu saiu da presença do rei com veste real azul-celeste e branco, como também com uma grande coroa de ouro, e com uma capa de linho fino e púrpura, e a cidade de Susã exultou e se alegrou.
16 E para os judeus houve luz, e alegria, e gozo, e honra.
17 Também em toda a província, e em toda a cidade, aonde chegava a palavra do rei e a sua ordem, havia entre os judeus alegria e gozo, banquetes e dias de folguedo; e muitos, dos povos da terra, se fizeram judeus, porque o temor dos judeus tinha caído sobre eles.
Ester 9
1 E, no duodécimo mês, que é o mês de Adar, no dia treze do mesmo mês em que chegou a palavra do rei e a sua ordem para se executar, no dia em que os inimigos dos judeus esperavam assenhorear-se deles, sucedeu o contrário, porque os judeus foram os que se assenhorearam dos que os odiavam.
2 Porque os judeus nas suas cidades, em todas as províncias do rei Assuero, se ajuntaram para pôr as mãos naqueles que procuravam o seu mal; e ninguém podia resistir-lhes, porque o medo deles caíra sobre todos aqueles povos.
3 E todos os líderes das províncias, e os sátrapas, e os governadores, e os que faziam a obra do rei, auxiliavam os judeus porque tinha caído sobre eles o temor de Mardoqueu.
4 Porque Mardoqueu era grande na casa do rei, e a sua fama crescia por todas as províncias, porque o homem Mardoqueu ia sendo engrandecido.
5 Feriram, pois, os judeus a todos os seus inimigos, a golpes de espada, com matança e com destruição; e fizeram dos seus inimigos o que quiseram.
6 E na fortaleza de Susã os judeus mataram e destruíram quinhentos homens;
7 Como também a Parsandata, e a Dalfom e a Aspata,
8 E a Porata, e a Adalia, e a Aridata,
9 E a Farmasta, e a Arisai, e a Aridai, e a Vaisata;
10 Os dez filhos de Hamã, filho de Hamedata, o inimigo dos judeus, mataram, porém ao despojo não estenderam a sua mão.
11 No mesmo dia foi comunicado ao rei o número dos mortos na fortaleza de Susã.
12 E disse o rei à rainha Ester: Na fortaleza de Susã os judeus mataram e destruíram quinhentos homens, e os dez filhos de Hamã; nas mais províncias do rei que teriam feito? Qual é, pois, a tua petição? E dar-se-te-á. Ou qual é ainda o teu requerimento? E far-se-á.
13 Então disse Ester: Se bem parecer ao rei, conceda-se aos judeus que se acham em Susã que também façam amanhã conforme ao mandado de hoje; e pendurem numa forca os dez filhos de Hamã.
14 Então disse o rei que assim se fizesse; e publicou-se um edito em Susã, e enforcaram os dez filhos de Hamã.
15 E reuniram-se os judeus que se achavam em Susã também no dia catorze do mês de Adar, e mataram em Susã trezentos homens; porém ao despojo não estenderam a sua mão.
16 Também os demais judeus que se achavam nas províncias do rei se reuniram e se dispuseram em defesa das suas vidas, e tiveram descanso dos seus inimigos; e mataram dos seus inimigos setenta e cinco mil; porém ao despojo não estenderam a sua mão.
17 Sucedeu isto no dia treze do mês de Adar; e descansaram no dia catorze, e fizeram, daquele dia, dia de banquetes e de alegria.
18 Também os judeus, que se achavam em Susã se ajuntaram nos dias treze e catorze do mesmo; e descansaram no dia quinze, e fizeram, daquele dia, dia de banquetes e de alegria.
19 Os judeus, porém, das aldeias, que habitavam nas vilas, fizeram do dia catorze do mês de Adar dia de alegria e de banquetes, e dia de folguedo, e de mandarem presentes uns aos outros.
20 E Mardoqueu escreveu estas coisas, e enviou cartas a todos os judeus que se achavam em todas as províncias do rei Assuero, aos de perto, e aos de longe,
21 Ordenando-lhes que guardassem o dia catorze do mês de Adar, e o dia quinze do mesmo, todos os anos,
22 Como os dias em que os judeus tiveram repouso dos seus inimigos, e o mês que se lhes mudou de tristeza em alegria, e de luto em dia de festa, para que os fizessem dias de banquetes e de alegria, e de mandarem presentes uns aos outros, e dádivas aos pobres.
23 E os judeus encarregaram-se de fazer o que já tinham começado, como também o que Mardoqueu lhes tinha escrito.
24 Porque Hamã, filho de Hamedata, o agagita, inimigo de todos os judeus, tinha intentado destruir os judeus, e tinha lançado Pur, isto é, a sorte, para os assolar e destruir.
25 Mas, vindo isto perante o rei, mandou ele por cartas que o mau intento que Hamã formara contra os judeus, se tornasse sobre a sua cabeça; pelo que penduraram a ele e a seus filhos numa forca.
26 Por isso aqueles dias chamam Purim, do nome Pur; assim também por causa de todas as palavras daquela carta, e do que viram sobre isso, e do que lhes tinha sucedido,
27 Confirmaram os judeus, e tomaram sobre si, e sobre a sua descendência, e sobre todos os que se achegassem a eles, que não se deixaria de guardar estes dois dias conforme ao que se escrevera deles, e segundo o seu tempo determinado, todos os anos.
28 E que estes dias seriam lembrados e guardados em cada geração, família, província e cidade, e que esses dias de Purim não fossem revogados entre os judeus, e que a memória deles nunca teria fim entre os de sua descendência.
29 Então a rainha Ester, filha de Abiail, e Mardoqueu, o judeu, escreveram com toda autoridade uma segunda vez, para confirmar a carta a respeito de Purim.
30 E mandaram cartas a todos os judeus, às cento e vinte e sete províncias do reino de Assuero, com palavras de paz e verdade.
31 Para confirmarem estes dias de Purim nos seus tempos determinados, como Mardoqueu, o judeu, e a rainha Ester lhes tinham estabelecido, e como eles mesmos já o tinham estabelecido sobre si e sobre a sua descendência, acerca do jejum e do seu clamor.
32 E o mandado de Ester estabeleceu os sucessos daquele Purim; e escreveu-se no livro.
Ester 10
1 Depois disto impôs o rei Assuero tributo sobre a terra, e sobre as ilhas do mar.
2 E todos os atos do seu poder e do seu valor, e o relato da grandeza de Mardoqueu, a quem o rei exaltou, porventura não estão escritos no livro das crônicas dos reis da Média e da Pérsia?
3 Porque o judeu Mardoqueu foi o segundo depois do rei Assuero, e grande entre os judeus, e estimado pela multidão de seus irmãos, procurando o bem do seu povo, e proclamando a prosperidade de toda a sua descendência.
Neve em Bragança
Bragança amanheceu um tanto coberta de neve. Reparem que meu pequeno filme tem um final com nítida influência bergmaniana (hehehe):
Boas notícias
O ano comecou mal, com a guerra entre israelenses e o Hamas.
Mas eis que surge uma notícia excelente, pra compensar: o nascimento da menina inglesa com menor tendência a câncer de mama e de ovário.
Como sempre, a ciência precisa, para progredir, lutar contra a turma dos escrúpulos éticos.
Os adeptos dessa turma “criticam o tratamento de embriões humanos como material descartável e afirmam que, no longo prazo, a popularização desse tipo de técnica pode levar à criação de ‘bebês por encomenda’, apenas com as características genéticas desejadas pelos pais.”
E daí?!?
Se, ao invés de ficar torcendo para que meu filho não nasça autista ou algo assim, eu puder contar com técnicas que eliminem essas possibilidades, qual o problema?
Ou será que essa turma do contra torce para ter filhos mongolóides?
Se eu tiver um filho mongolóide vou amá-lo infinitamente. Mas se puder evitar que meu filho nasça com essa doença acharei ótimo.
Mesmo que pais frívolos “encomendem” – digamos – uma filha loira, qual o problema?!
Por sorte, a ciência avança sempre, a despeito desses imbecis.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Sabor Brasil e Som Brasil
Com o termômetro abaixo de zero, fomos jantar no Sabor Brasil, aqui na Av. Amália Rodrigues. Por ficar pertinho de casa fomos a pé. Como não congelámos, pudemos comer um feijão com arroz, bife e batata frita dos mais honestos.
Já não se pode chamar de honesto o show a que assistimos por DVD.
O cantor Daniel, "viúvo" da dupla pop-sertaneja João Paulo e Daniel, entra no palco cantando Imagine.
Diga-se: jamais havia ouvido esse camarada cantar. A simpática atendente de nossa mesa, ao notar minha aversão ao tal show propos-se a ir desligar a TV. Pedi que não o fizesse. Era preciso ouvir um pouco mais para acreditar que aquilo pudesse empolgar multidões de adolescentes e jovens.
Voz afinada, sim, mas timbre insípido e alcance vocal nada mais que medíocre. Interpretacões ridículas.
O tal Daniel joga sobre a plateia de garotas de vida melancólica e cabeca vazia o mel da promessa de um amor maravilhoso e libertador.
Não tenho dúvida: quando eu chegar a ditador do planeta, vou cobrar desses vendedores de ilusões pesado imposto a cada parto de uma dessas meninas de 15 ou 16 anos que - por não poderem realizar o sonho de uma noite com o Daniel de plantão - satisfazem o desejo do primeiro desafinado que lhes aparece.
Se o Daniel de que fala a Bíblia e que passa incólume pela jaula dos leões cantasse tão mal quanto o pop-sertanejo a que hoje assisti, eu passaria a entender melhor o desinteresse dos leões por ele.
Sai! Daniel. Nem leão te aguenta.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Que venga 2.009!
O ano que hoje comeca é aguardado por (quase) todos mais ou menos da forma como o toureiro aguarda o touro.
Pois: Que vengan los toros!
Uma das melhores ideias que 2.008 nos legou talvez tenha sido a criação da agência Neogama para o Bradesco:
Agora, se não der pra inovar vá de rotina mesmo. Refaça tudo igual.
Que mal há nisso?
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Os portugueses e o rigor na linguagem
Hoje foi dia, entre outras coisas, de comprar uma televisão. Uma prima que mora em Braganca nos indicou uma loja no centro da cidade e lá fomos nós.
Ao entrarmos na loja - cheia de televisores - fomos logo atendidos por um senhor bastante simpático e solícito.
Disse eu:
- Quero comprar uma televisão.
E ele, para minha surpresa:
- Não trabalhamos mais com televisões. Agora só com LCD [pronúncia: élcedê, nada de élecedê].
Noves fora esse pequeno contratempo, conseguimos comprar a televisão (perdão, o LCD), não sem antes aumentarmos nossa cultura com uma completíssima aula sobre LCDs, plasmas e quejandos.
sábado, 27 de dezembro de 2008
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Consoada feliz
Hoje, dia de Consoada, fomos às compras. O apartamento ainda precisa de um tudo: vassoura, detergente pra máquina de lavar loucas (é pra lavar pratos, coisas assim. Não pra lavar dementes do sexo feminino. Lembre que este mini-mini-computador não dispõe de c cedilha).
Mas, antes de mais nada, uma foto tirada da varanda da sala: meio dia e meia, muito sol, temperatura amena, uns 12 graus centígrados. Ao fundo, lá na Espanha, as serras da zona da Sanábria, cobertas de neve.
Passamos em casa de primos em Braganca e em seguida fomos à aldeia (Passos, claro), à casa da prima Zelinda. Um delicioso presunto, uma pinguinha (vinho feito em casa) e uma boa conversa. Mas não ficamos para a consoada por medo de que, à noite, a estrada ficasse coberta de gelo.
Amanhã voltaremos à aldeia para o almoco de Natal.
Alguns comentários:
1. O Asulado adverte: o correto não é "o aeroporto fica em Maia"; o certo é "o aeroporto fica na Maia". É assim que vou aprendendo.
2. O Bic Laranja lembra: sobre estradas de Portugal o especialista é o Manuel Campos Vilhena. Eu já tinha pensado nele quando escrevi. Mas já era tarde, estava com sono e fiquei com preguica de fazer a referência. Faco-a agora.
3. Aliás, já é tarde de novo. Agorinha mesmo tive de interromper a redacão deste post porque a Baixinha me pediu para ajudá-la a empurrar um móvel de um quarto até a cozinha, local que ela considera mais apropriado para o dito cujo. Isso lá é coisa que se faca à primeira hora do dia de Natal?!?!
Acho bom ir dormir.
Bom Natal a todos.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Braganca - o início
O vôo, sábado à noite, saiu de Guarulhos - acredite quem quiser - rigorosamente no horário. E chegou ao Porto 35 minutos antes do previsto. A temperatura da manhã de domingo estava acima dos 10 graus centígrados e o sol magnífico. Céu sem uma nuvem. Foi entrar no carro e partir para Braganca. Ao longo do percurso (pela A4, depois pelo IP4), ainda alguma neve na beira da estrada. A temperatura chegou a bater em zero, mas - felizmente - nada de gelo na pista.
Já em Braganca, check-in no hotel e almoco no Gôndola.
Uma soneca à tarde, que ninguém é de ferro e jantar no - vejam só - Sabor Brasil.
Hoje, segunda-feira, tomar posse da nova morada e partir para as providências básicas: comprar talheres, alguns pratos, poucos copos, uma infinidade de pequenas necessidades em uma residência. Cama, mesa e algumas cadeiras o antigo proprietário teve a bondade de deixar para nosso uso.
Hoje ainda dormiremos no hotel. Amanhã inauguramos a nova residência.
Fica o registro feito às 11 e pouco da manhã de hoje, da janela do hotel: o céu azul, uns fiapos de névoa em vale próximo.
Observacões irrelevantes:
1. Desta vez, trouxe comigo meu computador minúsculo. Não consigo achar nele o c cedilha.
2. O aeroporto de São Paulo não fica em São Paulo. Fica em Guarulhos. O aeroporto do Porto não fica no Porto. Fica em Maia.
3. As estradas, em Portugal, são classificadas em hierarquia que não domino. Há, em primeiro lugar, as Auto Estradas, as "A"s. Penso que, em seguida vêm os "IP"s, Itinerários Principais. Há, ainda, os "IC"s, Itinerários Complementares, as "EN"s, Estradas Nacionais e sabe-se mais o que.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Segue o enterro
Outro dia, minha chefe (sim, eu tenho uma chefe. Maravilhosa, por sinal [ela lê o blog].) falava ao telefone e usou essa expressão, em substituição a algo do tipo paciência, vamos em frente.
Gostei.
E, dada a crise global que se abate sobre todos nós (ou quase todos, sejamos rigorosos), nada como repetir aos quatro ventos:
- Segue o enterro.
Em assim sendo, logo depois de chegar à minha terra (pra quem não sabe: Bragança, Portugal) vou começar a disparar fotos e comentários sobre o inverno mais rigoroso dos últimos 20 anos.
Pra quem, como eu, já passou dos 60, esse negócio de o mais qualquer coisa dos últimos vinte anos não impressiona. É pouco.
Aguardem.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Bush escapou de boa
Se fosse a bezerra de Rondonópolis no lugar do jornalista iraquiano seriam sete tentativas e não duas apenas.
domingo, 14 de dezembro de 2008
Rumo à Terra Prometida
Próximo sábado, a esta hora, estarei começando a voar para o Porto. Dia seguinte, Bragança.
Começa neste finalzinho de ano um período de transição que, espero, deve durar uns dois aninhos. Ou seja, um pé aqui, outro lá.
Sabe aquela piada do português preso numa cela em frente à cela de um leproso?
O hanseniano (esse é o termo politicamente correto) cada dia jogava fora um dedo.
O português foi ao diretor do presídio e denunciou:
- Meu vizinho está a fugir aos poucos.
Pois é isso: vou aos poucos fugindo deste Egito em busca da Terra Prometida.
É certo que lá não jorra leite e mel. Mas o bagacinho é garantido.
Moisés não entrou na Terra Prometida. Hoje a garotada diria que morreu na praia. Mas foi no deserto, mesmo.
Jeová, em quem não acredito – mas sabe-se lá – me concederá alguns aninhos a curtir meu nordeste trasmontano.
Como dizia aquela paródia:
Segura na mão de deus e vamo que vamo.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Da série O Brasil acabou - XI
Quando saio de casa de manhã posso escolher entre dois caminhos para ir ao trabalho. O mais curto é mais sujeito a congestionamentos. O outro, mais longo, raramente apresenta problemas de tráfego.
Hoje de manhã, como o caminho mais curto estivesse todo parado, resolvi ir pelo outro. Nele, ando boa parte em sentido contrário ao do trânsito intenso. Aliás, é por isso que ele é mais desimpedido.
Entrei em uma rua de duas mãos, rua estreita, de prédios residenciais. No sentido em que eu ia tudo estava livre. No sentido contrário, uma fila interminável de carros, deslocando-se lentamente.
Vai daí, um automóvel resolveu sair da fila e vir em minha direção pela contra-mão.
Eu poderia ter deslocado meu carro bem para a direita para dar passagem ao malandro. Mas achei aquilo um desaforo (não só comigo mas principalmente com os demais carros que iam no sentido contrário ao meu). Parei, ele parou em frente a meu carro e assim ficamos durante uma fração de minuto.
Do automóvel transgressor não se via nada dentro. Como já tornou-se regra de poucas exceções, em São Paulo, os vidros eram todos negros, opacos.
Lembrei-me de alguns casos recentes de motoristas que mataram a tiros outros motoristas, até mesmo pelo banal motivo de um ter reclamado do outro piscando os faróis.
Pensei que, em pouco tempo, estarei livre desta barbárie que aqui se instalou.
Desviei o carro e fui em frente. O outro, triunfante, acelerou na contra-mão.
Mais tarde, durante o almoço, fiquei sabendo, pela TV, da invasão de um Pronto-Socorro por estudantes de medicina bêbados.
Não tenho mais dúvidas. Nós, os brasileiros, perdemos a capacidade de conviver em sociedade.
Daqui pra frente, salve-se quem puder.
Espero poder.
domingo, 7 de dezembro de 2008
Japonês impecável
O pecador acaba sendo você. Pecado da gula, claro. Trata-se do restaurante japonês que começou a funcionar há coisa de menos de dois meses, em São Paulo.
Fica em lugar distante dos centros gastronômicos mas - sorte minha! - pertinho de minha casa.

Se eles mantiverem o nível inicial, já já não se consegue mais lugar pra jantar. Isso apesar de serem três os ambientes disponíveis: terraço externo (mas coberto com vidro), salão principal e mezanino.
Que fique claro que não ganhei nem um mísero sashimi pra falar bem do Tadashii. Aliás, eles nem sabem que eu existo, apesar de já ter estado lá duas maravilhosas vezes. Mas você pode entrar de cabeça no rodízio (o preço varia conforme o dia da semana e entre almoço e jantar, mas é algo tipo 40 reais, pouco mais pouco menos). O único arrependimento possível será o de ter comido demais.
Fica longe da sua casa?
A Esfiha Juventus também fica longe da minha e eu costumo ir até lá.
Comer bem não mede distâncias.
sábado, 6 de dezembro de 2008
Mordam-se de inveja
A coluna de hoje da Mônica Bergamo , na Folha de S.Paulo, tem duas notas assim, ó:
DÁ UM TEMPO
Acendeu a luz amarela entre executivos da Telemar que negociam a compra da Brasil Telecom. Um dos conselheiros da Anatel já avisou informalmente que pode pedir vistas do processo que autoriza a negociação entre as duas empresas, em reunião que deve acontecer até o dia 18.
NO BOLSO
Se isso acontecer, a Telemar terá que pagar R$ 490 milhões aos acionistas da Brasil Telecom. A multa foi estipulada para o caso de o negócio não fechar até o fim de dezembro.
Recapitulando: a Anatel tem cinco conselheiros (veja aqui).
Se qualquer um deles pedir vistas do processo, vão 490 milhões de reais pelo ralo.
Não é que os conselheiros tenham de fazer nada irregular. Simplesmente pedir vistas do processo, atitude a que eles têm direito.
Ora, arredondando, 1% de 490 milhões costuma ser 5 milhões.
Dado o número de conselheiros, estamos falando de 5% para salvar os 100%.
Tudo limpo, redondinho.
Um dos conselheiros, segundo a coluna, já avisou informalmente que vai pedir vistas.
Humm, humm.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Mais especulações
Não sou praça de cidade do interior mas tenho cá minhas fontes luminosas.
Uma delas, mais por dentro que unha encravada, confidenciou-me:
Não. Esse mandato 69 não emplaca. Por que?
Na época do mensalão, Lula safou-se graças a uma negociação com a oposição, capitaneada por FHC. Não lhe cassariam o mandato, permitiriam sua reeleição mas o preço a pagar seria abrir caminho para Serra-2.010.
Lula aceitou de bom grado. Além de não ter alternativa, Lula sabia que depois da bonança vem a tempestade, ou seja, mais cedo ou mais tarde viria a crise financeira e econômica.
Ficará para Serra a carne de pescoço da crise. Na eleição de 2.014, Lula terá a faca e o queijo nas mãos, com comparações entre os números de seu governo e os do governo Serra. Eleito, encontrará o país com economia saneada.
A partir do acordo, Lula começou o processo de destruição pró-Serra em São Paulo: eliminou Mercadante, agora eliminou Marta.
Dilma? Receberá alguma recompensa por se prestar ao papel de fantoche.
A conferir.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Mandato 69
A ideia de José Alencar, atual vice-presidente, candidatar-se a presidente em 2.010 tendo Lula como vice, ou seja, uma espécie de candidatura 69, me parece uma excelente ideia.
Logo depois da posse, Alencar se afastaria por motivo de saúde (todo mundo sabe que ele tem doença grave) e pronto: Lulla lá, de novo.
Gosto da ideia por alguns motivos:
1° - É engenhosa;
2° - O Brasil se livra de ter a Dilma como Presidente;
3° - O Brasil se livra de ter o José Serra como Presidente;
4° - O Brasil se livra de ter o Aécio Neves como Pósidente;
5° - Espero já não residir no país quando tudo isso acontecer.
Uma dúvida: algum constitucionalista pode me dizer se, além de tudo, esse arranjo não poderia incluir, em 2.014, a reeleição do Lulla?
terça-feira, 25 de novembro de 2008
De perdas
Agora à noite sentei-me pra terminar uma dose de Grappa e me dei conta: deixei meu dente lá.
Lá, no caso, é o consultório do meu dentista. Fui extrair um dente, hoje à tarde.
Terminado o trabalho, o dentista mostrou-me o dente, ensangüentado. Disse qualquer coisa sobre ter ele mais raízes do que o normal, algo assim (meu dentista é japonês de pouquíssimas palavras).
Meu deus. Quantas coisas fui perdendo ao longo da vida. Bibliotecas, uma levada pelos militares que me prenderam, outra dividida com ex-mulher, na separação.
Discos, nem se fala. Quantos foram distribuídos em razão de mudanças, ou sem razão.
Móveis, até automóveis. Perdi um sem número de coisas.
E também amigos, empregos, lugares que me eram caros.
Como fui deixar meu dente lá?!
Devia tê-lo trazido comigo. Arranjaria para ele um cantinho aconchegante, aqui em casa. Afinal, ele convive comigo (conviveu, devo dizer agora) desde a infância.
De vez em quando, ao passar por ele, daria uma piscadela cúmplice:
- E aí, companheiro?
E ele me retribuiria do alto de suas raízes já sem função, aposentadas.
Poderíamos trocar ideias. Quem sabe ele clareasse as minhas.
Prepararia para ele um lugar especial. Um nicho. Assim como fazem as pessoas com as nossas (delas) senhoras. Com os santos.
Não. Deixei-o lá. Ao abandono. Com certeza foi ao lixo. Parte de mim.
Antes de mim.
sábado, 22 de novembro de 2008
Os trapalhões

foto tirada daqui.
A já famosa Operação Satiagraha, da Polícia Federal (ou talvez seja melhor dizer: de uma das facções da Polícia Federal), envolve personagens tais como o juiz De Sanctis e o promotor De Grandis.
Com esses nomes e com as confusões que gerou, teria sido melhor chamá-la Operação Mussum.
domingo, 16 de novembro de 2008
Estatísticas indiscutíveis
Para cada motorista flagrado bêbado pelo bafômetro, em São Paulo, pouco mais de 1.000 pessoas fogem de suas casas, na Califórnia, por causa de incêndios florestais.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Avaliação profissional
Em 1.974, depois de curtir um tempinho de tranca (como inquilino no Presídio Tiradentes) e depois de voltar à docência na USP e perceber que o mar ainda não estava pra peixe, resolvi – finalmente – curvar-me diante da dura realidade: fui trabalhar em empresa, em computação, única coisa que eu conhecia e que dava algum dinheiro. Foi difícil encontrar uma empresa que desse emprego a um cassado político, mas alguma coisa sempre se salva: a Promon Engenharia me contratou.
Trabalhar em empresa, como quase todo mundo sabe, tem como efeito colateral ser avaliado de tempos em tempos pelo chefe de plantão.
O meu, na época, era daquele tipo que se recebesse um memorando de um superior mandando que ele pulasse da janela do décimo andar não titubeava: pulava.
Vai daí, o sistema de avaliação adotado pela empresa naquelas priscas eras consistia em cada um – subordinado e chefe – responder a um mesmo questionário a respeito das qualidades ou defeitos do subordinado. A segunda etapa era uma reunião dos dois para comparar os resultados.
Sentei-me diante do DFL (era a sigla do meu chefe) e começamos a comparar as notas dadas por nós dois em cada quesito.
Surpreendentemente, as notas coincidiam em quase todos os itens.
A exceção era no capítulo “Capacidade de vender ideias aos outros”.
Ele me dera nota alta. Eu me atribuíra nota bem baixa.
Começamos a discutir sobre a discrepância. Por meio de alguns exemplos factuais, foi fácil convencê-lo de que eu estava certo: tinha baixa capacidade de vender ideias aos outros.
Mais do que depressa ele tratou de alterar para baixo a nota alta que me concedera.
Foi aí que observei:
- Acabamos de passar por uma situação em que demonstrei forte capacidade de convencimento do outro. Você comprou minha ideia integralmente.
A reunião acabou por aí. Até hoje não sei que nota ele finalmente adotou para esse item da minha avaliação.
domingo, 9 de novembro de 2008
A ilha engraçada
Circula na Internet um áudio, supostamente de programa ao vivo em uma rádio de São Paulo, no qual o locutor pergunta a um ouvinte, por telefone:
- Vamos ver se você acerta: nome de país com duas sílabas; uma delas se refere a algo bom para comer.
E o gaiato responde:
- Cuba!
O locutor, meio sem graça:
- Parabéns pela criatividade. Mas aqui na minha ficha consta como resposta certa “Japão”.
Pois é. Cuba permite piadas sem fim.
É verdade que tem gente que chora, quando vai lá. Tipo Zé Dirceu, por exemplo.
É verdade, também, que se o povo, lá, vive parcamente, há espertos, aqui, ganhando algum dinheirinho com o tema. Fernando Morais, por exemplo.
Agora, início da Era Obama, muita gente ressalta a presumível importância da atitude do novo presidente em relação à ilha de Fidel.
Isso me lembra um episódio lá do final da década de 80. Uma amiga minha, esquerdista habitante de Higienópolis (*), visitou Cuba. Na volta, levei-a à casa de minha mãe, que a conhecia desde pequena.
Minha família sempre teve, em política, uma queda pela direita. Afinal, são quase todos batistas. Minha amiga sabia disso.
Na conversa com minha mãe e o restante da família não parou um instante de ressaltar as virtudes de Cuba. Aquela história de sempre: saúde, educação etc etc.
No caminho de volta à casa dela, segredou:
- Elogiei bastante Cuba porque tua família é de direita. Mas a verdade é que aquilo é um favelão.
(*)tradução, para os leitores portugueses: Higienópolis está para São Paulo assim como Cascais para Portugal.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
De máquinas
Alguém já disse que o italiano é que é feliz: pode chamar qualquer calhambeque de macchina.
Também me parece que o italiano é o único povo que sabe torcer, na Fórmula 1: torce pela Ferrari, não pelo piloto. Ainda que o campeonato seja principalmente de pilotos.
Não entendo bulhufas de automobilismo, mas os que entendem afirmam que o carro é algo como 70 ou 80 por cento do resultado. Ao piloto, sobram parcos 20 ou 30 por cento.
Pode-se discutir esse percentual, mas todos concordam em que o determinante é a macchina.
Talvez por mera coincidência, 2008 ficará marcado pelas vitórias quase concomitantes de dois negros: Lewis Hamilton, na F-1, e Barack Obama, para a presidência dos USA.
Em ambos os casos, exaltam-se as personalidades.
Em ambos os casos, o determinante é a máquina.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Deu(s) Obama
domingo, 2 de novembro de 2008
Avô coruja
Minha neta, que acaba de completar 8 anos, me manda - lá de Westport, CT, USA - uma historinha escrita por ela: A casa mal-assombrada. Tudo a propósito do Halloween.
Comecei a traduzir. Desisti logo de saída, quando me dei conta de que não conseguia encontrar, em português, uma expressão equivalente a bumpy street.
Vai em inglês, mesmo.
Ela é ótima. A história? Sim, também. Mas, claro, refiro-me à minha neta.
Confiram:
The Creepy House
By: Bruna Augusto Silvestre
(October, 2008)
“Hey Clare!” I yelled. “Hey!” She yelled back. I raced down the bumpy street to her. “Do you want to explore the old house down the street? You know, the one with the vines growing up of it,” She asked me. “I don’t know,” I whisper. I thought for a moment or two. “Ok,” I finally decided. “But it will be rough,” I told her. We scampered up the street. When we reached the house it became suddenly dark. Lightning struck. All the houses disappeared, except the old haunted one. We glared at the old creepy vines. We glanced at the green roof. “Bad color for a roof, don’t you think?” Asked Clare. “That roof is colored wood, that green thing is moss,” I answered. Soon it started to rain. We pulled on our hoods and hurried to the porch of the house. Over the porch was a wooden shield. The old, cracked doors slowly opened behind us. When we turned around shaking there was no one that could have opened the door. We looked at each other. “No turning back now,” I said in a low voice. We slowly walked in the wooden house and glanced around the dark, shadowy room. There was a cracked window in the corner, a chair was in the middle of the room, next to it was a wooden coffee table, and a staircase was in the far left hand corner. It looked about ready to fall. Next to it was a fancy doorway that led to the kitchen. We walked closer to the stair case. BOOM!!!! We jumped. The door slammed shut and startled us. We went up two steps. Creeeeeaaaaaak. The stairs creaked. Creeeeaaaaak. We were finally up there. “Ahhhh!” I screamed. “What” Clare said frightened. “Ahhhhhhhhhhhhhhhhh!” She screeched with me. Right in front of us was a ghost, a witch, and a green goblin!!! “Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!” We ran down the creaky stairs, past the coffee table, and out the door. Still screaming we ran all the way to Clare’s house. We were so frightened we flopped on the couch. “Bruna!” I opened my eyes, and found myself in my bed with my mom. “You scared me,” She whispered. “It was just a bad dream,” I said after I stopped screaming. So I closed my eyes again, and Mom left my room.
Happy Halloween
Deixem-me ir pegar um lenço. Estou babando.
:)
sábado, 1 de novembro de 2008
Ao pó voltarás
Pois é. Dizem que um dos presidenciáveis para 2.010, no Brasil, cheira adoidado.
Isso é o tipo da coisa que circula à boca pequena, jamais na grande imprensa. Também, há que se notar, não é possível denunciar sem provas. E as provas, nesses casos, são de difícil concretização.
Da mesma forma, já faz tempo que sei - de fonte pra lá de fidedigna - que um antigo governador da província de São Paulo era traficante de drogas. Digo era porque ele já morreu. E olha que o falecido é tido, até hoje, como paradigma de político.
E daí?
A vida segue. Afinal, do pó viemos.
As coisas acontecem lá
Há muitos anos, em conversa com uma colega professora, na USP, ouvi dela o seguinte comentário:
- Adoro viajar! A mim me parece que as coisas sempre acontecem lá.
Para muitos é assim: o dia-a-dia ocorre tedioso, insípido. É preciso correr para lá, para desfrutar da vida.
Pois bem. Por razões que nada têm a ver com tédio, preparo-me para ir viver em Bragança.
Vai daí que, dia destes, ao percorrer no computador fotos de meu apartamento aqui em São Paulo, no qual já moro há 10 anos, percebi que sentirei enorme saudade dele.
Paciência. Nada se ganha sem que algo se perca.
Ou não.
sábado, 25 de outubro de 2008
Domingo do riso
Amanhã é o dia da grande piada. Ao menos em um bom número de grandes cidades brasileiras. É o dia do 2° turno das eleições para prefeito.
A democracia representativa é uma antiga anedota que continua a ser contada à falta de algo mais engraçado.
Quer algo mais engraçado do que uma dondoca paulistana preocupadíssima com o pessoal das favelas?
E o maridão argentino, então? Uma graça.
O Gabeira, cujo grande pecado foi ter contribuído pra soltar o Zé Dirceu, periga vencer no Rio. Se isso acontecer, vai ser muito engraçado. Parece que ele nunca levou a sério essa possibilidade. Deve estar se perguntando: como será que se administra essa bagunça?!
O único lugar em que se leva eleição a sério é no Rio Grande do Sul. Gaúcho é mesmo um bicho esquisito. E talvez reeleja um cara chamado Fogaça. Deve ser por ser lá a terra natal do churrasco.
Já o eleitor mineiro – ao menos o de Belzonte – está mais pra Garrincha e seus dribles desconcertantes. Uma hora o candidato do PMDB está 10 pontos na frente, três dias depois é o filho bastardo do governador Aécio e do prefeito Pimentel quem ameaça vencer.

De tudo isso, o mais engraçado – pra mim – é aquela fala de um apóstolo, dirigindo-se a Jesus:
- A Marta mandou perguntar se o senhor é casado, tem filhos.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Sugestão para a campanha da Marta
Ao ler sobre a relação entre Jörg Haider e Stefan Petzner (veja aqui ou, se for assinante Folha ou UOL, pode ser aqui) tive uma ideia que ofereço com todo carinho à candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, para que ela a utilize no debate de hoje à noite na Globo:
Pergunte ao Kassab quem é o Petzner dele.
É só uma pergunta, né? Sem nenhuma conotação preconceituosa.
E mais: essa sim, é a pergunta certa. Afinal, o Haider era casado. Tinha filhas.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Acaso
Uma filha de casal de classe média alta combina com o namoradinho o assassinato dos próprios pais.
Os tais pais são trucidados a pauladas.
Depois de algum tempo fica-se sabendo que o pai era algo assim como o fiel depositário do caixa 2 de um partido político avícola. E depositava a tal grana 2 em conta da filha.
Claro que ninguém tinha interesse em esticar o assunto. Portanto, ponto final.
Acaso? Coincidência?
Um rapaz e sua esposa espancam a filha dele e ele a joga da janela do apartamento. O pai dele, pressuroso advogado tributarista, esboça um plano para o casal: alguém entrou no apartamento e jogou a menina pela janela. No meu tempo de criança, esse tipo de criminoso era chamado de mentor.
Um rapaz não se sente impedido de jogar a própria filha pela janela.
Afinal, é filho de alguém que não se sente impedido de usar a própria criatividade para ocultar um crime.
Acaso? Coincidência?
Uma menina de 15 anos é assassinada pelo ex-namorado depois de longo seqüestro.
Pouco depois fica-se sabendo que o pai da menina era procurado pela polícia há uns 17 anos. Fizera parte de uma milícia que assassinou muita gente em um estado do nordeste brasileiro.
Assim como costuma acontecer de meninas filhas de alcoólatras-que-espancam-a-mulher procurarem alcoólatras-que-espancam-a-mulher para casar, a menina resolveu namorar um garoto que se revelou assassino frio, tal qual o pai.
Acaso? Coincidência?
Sei lá. Apenas tenho a convicção – que não tenho como provar verdadeira – de que filhos de pais razoavelmente normais – seje lá o que seje isso – não saem por aí dando pauladas em pais adormecidos. Nem pais normais, ainda que bastante (d)espertos, usam sua experiência de vida para encobrir os crimes dos filhos. Do mesmo modo, filhos de pais razoavelmente normais não saem por aí a namorar seqüestradores assassinos.
Podem me xingar. É o que penso.
domingo, 19 de outubro de 2008
Futsal: campeonato mundial?!
Sou do tempo em que esse esporte era chamado de futebol de salão.
Esse negócio de futsal já é de um mau gosto horroroso.
Agora: que diabo de campeonato mundial é esse, em que 35 jogadores são brasileiros?
E com uma seleção brasileira em que quase todo mundo joga na Espanha (8 dos 14 selecionados)?
sábado, 18 de outubro de 2008
E$tado$ da matéria
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Horário de progresso
Pronto. Taí um jeito de o Brasil aproximar-se de Portugal: dia 19, cá em Pindorama, entraremos no horário de verão. A diferença em relação a Portugal, que era de 4 horas, cairá para 3.
No último domingo do mês, dia 26, Portugal sairá do horário de verão. A diferença cairá para 2 horas, apenas.
Dessa maneira, vamos nos aproximando do tal de 1° mundo.
Não deixa de ser um progresso.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Só bebo Brahma
O blogueiro Reinaldo Azevedo afirma hoje em um de seus posts (não dou o link do post porque o blog dele está com problemas e não fornece o link de cada post):
O tucano que não perceber que seu adversário fundamental é o PT está com a cabeça nas nuvens.
Essa afirmação me lembra aquela turma que fazia questão de só tomar Brahma (ou só Antarctica).
Quando as duas empresas se fundiram, viram suas convicções abaladas.
Parece que é o que acontecerá em breve com o chamado tio Rei.
domingo, 12 de outubro de 2008
Que venha o fim do mundo
Acabo de ler, no hilário blog Uma dama não comenta,uma versão do Atirei um pau no gato ensinado nas escolas do Brasil zil zil:
Não atire o pau no gato
porque isso não se faz
o gatinho é nosso amigo
não maltrate os animais.
Será que essa montanha de energúmenos que orientam a educação no Brasil zil zil nunca ouviu falar de Bruno Bettelheim, em particular de seu livro The Uses of Enchantment: The Meaning and Importance of Fairy Tales, 1976 (em português, Psicanálise dos contos de fadas)?!
A criança PRECISA da, digamos, violência dos contos infantis (e das cantigas também).
Isso é importante exatamente para fazer dela um adulto equilibrado.
E mais não digo por preguiça.
Procurem alfabetizar-se, pedagogos do Brasil zil zil.
(diga-se, parece que em Portugal a situação não é significativamente melhor).
Diante desse quadro devastador, talvez seja mesmo melhor que o mundo acabe.
A crise atual podia providenciar esse final caridoso.
sábado, 11 de outubro de 2008
A crise está brava
Parece que agora o pessoal, na saída do trabalho, sexta-feira, não deseja bom fim de semana: agora é
- Bom circuit breaker pra você.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
E dá-lhe eleições
Não sei por que o Obama ainda não adotou a bandeira da Marta: internet grátis pra todo mundo. Com essa promessa ele enterrava de vez o McCain.
Quanto à Marta, vai ter de inventar novas maluquices para o segundo turno. A internet grátis não funcionou a contento.
E os Institutos de Pesquisa (DataFolha, Ibope etc) não perdem a pose. Erraram tudo. Mas continuam imponentes.
Em São Paulo, elegeram vereador um dos três que apontei aí embaixo como candidatos Spam: o Trípoli.
São Paulo merece. Vejam como ele fica bonitinho com seus animais de estimação:

No cachorro eu talvez votasse.
E dá-lhe crise
Finalmente acontece alguma coisa que não acontecia desde que nasci. Acabou a monotonia. Crise igual só daqui a mais oitenta anos. Aproveitem.
Eu que imaginava passar a entrada de ano em Bragança, curtindo o friozinho de lá, já tenho dúvidas. Afinal, nenhum economista de respeito se arrisca a afirmar que haverá 2.009.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Candidatos SPAM- 3
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Candidatos SPAM
Tenho recebido uma quantidade grande de e-mails de candidatos a vereador. O indivíduo quer legislar por nós e começa por mandar spam.
Belo começo.
Peguei esse aí pra cristo. Não vote nesse cara. Quem não respeita nem sua caixa de e-mails não vai respeitar mais nada.
Pau neles!
Em tempo: guardei o e-mail pro caso do meliante querer me processar.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Voltei
E encontrei uma campanha eleitoral em fase final, com propostas que não são jabuticaba mas – me parece – apontam para realizações que ninguém no resto do mundo implementou.
Não sei de quem é a afirmação de que se alguma coisa só existe no Brasil e não é jabuticaba, não presta. Mas faz sentido.
A candidata que lidera as pesquisas em São Paulo afirma categoricamente que irá providenciar Internet banda larga pra todo mundo na cidade.
Ela, tão viajada, tão percorrida (como costumava dizer o grande Pagano Sobrinho, humorista já há muito falecido), deveria parar pra pensar: por que New York, Paris, Roma, Londres etc etc não implementaram essa maravilha ainda?!
Quanto a mim, espero que ela cumpra a promessa. Poderei economizar os setenta reais que pago à NET por mês para ter banda larga em casa.
Tudo isso me faz lastimar a quantidade de horas que já gastei na vida ouvindo abobrinhas dos políticos. Desde os debates sobre se salário era ou não era inflacionário, debates que esquentaram programas de TV no início da década de 60, até a discussão sobre a tampa de concreto que o higiênico Paulo Maluf pretende utilizar para cobrir os rios Pinheiros e Tietê.
E digo higiênico porque, afinal, ele lava até o dinheiro que usa.
Observação: Quanto ao restante da viagem, fantástico. Apenas pessoal demais para publicar aqui.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Vinhais e tais
Minha irmã fez anos logo no dia seguinte ao de nossa chegada a Vinhais. O Isaías, do restaurante Rossio, preparou uma festa inesquecível.

Vinte e poucos parentes compareceram. Foi a chegada triunfal de minhas irmãs e cunhados à terra de nosso pai.
A figura central da festa foi o Sr. Francisco, viúvo de nossa prima Idalina. Ele, que hoje vive em Vinhais, é o último habitante da aldeia de Passos de Lomba que conheceu pessoalmente meu pai.

Para coroar tudo isso, deixo-vos com a lua cheia sobre o Parque Natural de Montesinho, no entardecer da segunda-feira, 15.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Da série o Brasil acabou - X
Parece que estamos em mais uma semana em que o prêmio acumulado da Mega-sena sairá para algo assim como Roraima, Acre, Rondônia etc etc.
Nem jogo dá pra levar a sério nesse país.
Atualização (18/09/2008): E saiu o prêmio para alguém do Estado do Rio de Janeiro. Talvez porque acumulou pouco... Sabe-se lá.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Porto - verão de 2.008
Dizia-se que o verão de 2.008, em Portugal, seria dos mais quentes e secos.
Pois choveu bastante e as temperaturas foram das mais amenas.
Claro que, com a nossa chegada ao Porto, a chuva só ocorreu durante a madrugada. Os dias foram de sol.
Chegamos na quarta-feira, 10, e ficamos hospedados no Hotel Boa Vista, na Foz do Douro, até sábado, 13.
Do quarto, tínhamos esta vista:


Já no dia 10 fomos almoçar na imperdível Adega e Presuntaria Transmontana. Fica em Vila Nova de Gaia, do outro lado do Douro.
Continua excelente ou talvez melhor.
Dia 11 fomos do lado de cá do Douro, em um dos muitos restaurantes da Ribeira, o Chez Lapin. Tínhamos lá estado em anos anteriores. Agora está muito fraquinho. É aquela síndrome-do-restaurante-em-lugar-privilegiado. Como há freguesia garantida, a comida vai piorando, piorando...
Em resumo, uma merda.
Em compensação, no dia 12 fomos almoçar no Cafeína. Maravilha. Fica na rua Padrão, 100. Na região da Foz. Se for ao Porto, não deixe de visitá-lo. O garçom errou ao trazer vinho branco ao invés de tinto, errou novamente ao dizer que borrego era caça (borrego é carneirinho novo), mas a simpatia dele sobrepujava os erros e a comida, ah! a comida.
Não deixe de pedir entrada, prato principal e sobremesa. Não perca nada.
Antes do Cafeína fizemos um rápido passeio pelo Douro (menos de uma hora). Depois do almoço fomos à Livraria Lello, uma das mais bonitas do mundo:




Ainda houve tempo para ver os tubos do órgão da Igreja de Nossa Senhora do Carmo:

Sábado, 13, pela manhã, partida para Braga. Não sem dar uma paradinha para fotografar essa escultura:
domingo, 7 de setembro de 2008
Sou pequeno-burguês:
tanto faz quanto tanto fez
As eleições para prefeitos e vereadores, em todo o Brasil, não me dizem respeito.
Por ser um camarada de classe média, nenhum político tem interesse por mim.
Todas as atenções são voltadas para os pobres.
É um tal de prometer postos de saúde, escolas públicas em que o que mais se alardeia não é o nível do ensino mas a excelência do leite, transporte público de qualidade etc etc.
Quanto a mim, continuarei a pagar plano de saúde, escola privada para os filhos, combustível, manutenção e IPVA de meu carro.
Os políticos estão certos: preocupação com pobre confere maior dignidade ao candidato. Além do mais, pobre é maioria. Dá mais voto.
A única coisa que eles tomam cuidado pra que não aconteça: pobre deixar de ser pobre.
Isso seria uma desgraça.
sábado, 6 de setembro de 2008
Vou a Portugal.
Infelizmente, volto.
Eu havia marcado férias para outubro. Mas uma de minhas irmãs contou-me que ela e o marido iriam a um Encontro de Matemática em Braga, no mês de setembro. Antecipei as férias, convenci minha outra irmã a ir conosco e pronto: vamos os três irmãos, com respectivos e respectiva, passar alguns dias em Portugal.
Aliás, minha irmã e o marido, ambos matemáticos, já lá estão. O Encontro vai de 8 a 12 de setembro (segunda a sexta da próxima semana). Só há pouco tempo minha irmã deixou escapar que o tal Encontro era em homenagem ao marido dela e a outro matemático.
Como ele não é jogador de futebol, quase ninguém no Brasil sabe que ele existe.
É o país que temos.
Ficaremos, minha mulher, minha outra irmã, meu outro cunhado e eu, no Porto, de 10 a 13, sábado. Aí, então, passaremos por Braga para recolher o outro casal e desfrutar um almoço no Restaurante Panorâmico, em Bom Jesus do Monte.
Saciada a fome, seguiremos para minha terra, Vinhais, distrito de Bragança.
Lá ficaremos hospedados em um apartamento do Isaías (primo).
Como felicidade pouca é bobagem, dia seguinte, domingo, 14 de setembro, é aniversário de minha irmã mais velha.
A comemoração será no restaurante do Isaías, com a presença de vários familiares (dos quais, diga-se, minhas irmãs e cunhados conhecem apenas dois que já visitaram o Brasil, há muitos anos).
A partir de segunda, 15, sei lá o que iremos fazer.
Mas contarei tudo aqui, em detalhes.
Desejem boa viagem a nós.
Vantagem adicional dessa viagem a Portugal: ficarei um mês quase inteiro livre da propaganda eleitoral. Aliás, por falar nisso, não poderia deixar de reproduzir aqui a foto genial que o repórter fotográfico Lalo de Almeida (Folha Imagem) conseguiu da candidata Marta Suplicy. Ganhou primeira página com todos os méritos.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Lícitas ações
No tempo em que os animais falavam e eu ainda era dotado de alguma ingenuidade, tive uma conversa com um colega de trabalho durante a qual ele mencionou certo detalhe referente a uma licitação forjada.
Eu, admirado, exclamei:
- Ah! Essa licitação foi forjada?!
E ele, me olhando espantado, como se contemplasse um extraterrestre:
- T-o-d-a-s as licitações são forjadas.
Diga-se que essa conversa já tem quase vinte anos de idade. Mas nossos intrépidos jornalistas continuam a farejar irregularidades em licitações.
Ficou famoso o truque utilizado por Jânio de Freitas para denunciar o fato de os vencedores de uma licitação terem sido escolhidos com antecedência: alguns dias antes da dita licitação, Jânio publicou um anúncio nos Classificados com o resultado da licitação. Tudo devidamente abreviado para garantir que passasse desapercebido.
Depois de proclamado o resultado da licitação, ele mostrou o anúncio publicado com antecedência.
Agora a turma da Folha Online resolveu requintar o truque: espalhou o resultado de uma licitação futura ao longo de texto sobre ópera.
Dois comentários:
1.Daqui em diante, sempre que eu estiver lendo algum artigo da Folha, não poderei saber se o texto é pra valer ou se é simples disfarce de denúncia de alguma irregularidade. Ou seja, pra variar fizeram o leitor de bobo. A pretensa análise da obra de Strauss era, na verdade, uma denúncia contra o governo paulista e contra a empreiteira Camargo Correia.
2.Quem me garante que outros artigos espalhados pelo site da Folha Online não ocultavam denúncia contra as demais empresas concorrentes? Assim, qualquer que fosse o resultado da licitação, haveria um texto para denunciar a falcatrua: vencesse a Andrade Gutierrez, mostrariam ao distinto público uma crítica de romance de Gabriel Garcia Márquez com a vitória da Gutierrez nas entrelinhas; ganhasse a OAS, uma crônica do Cony desmascararia o resultado previamente combinado; etc etc.
Como costuma dizer Mino Carta, é do conhecimento do mundo mineral que as licitações são forjadas. Mas nossos valorosos jornalistas não são muito mais legítimos que elas.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Ciência desvairada
A página de ciência da Folha de S.Paulo, hoje, é – de longe – a melhor produção do jornalismo nos últimos tempos (o tamanho desse “últimos” fica por sua conta).
Primeiro, uma nota sobre o fato de que cientistas estão começando a desconfiar que não se deve chamar os neandertais de estúpidos. Parece que eram apenas diferentes.
Aliás, nestes tempos politicamente corretos, eu diria (vá lá, digo e pronto) que não se deve chamar ninguém de estúpido.
Acontece que a ciência afirmava, até agora, que os neandertais desapareceram porque sua habilidade para construir ferramentas era inferior à do Homo sapiens. Vai daí, um bando de cientistas dedicou anos à análise das ferramentas de uns e de outros e chegou à conclusão: eram equivalentes.
Vejam só: os neandertais viveram aproximadamente 300 mil anos antes de desaparecerem completamente. Não é pouca porcaria. São 150 eras cristãs. Parece que conviveram com o homem moderno, na Europa, por uns 10 mil anos. Sumiram há uns 25 mil aninhos.
Pra mim, que não sou cientista, fica tudo muito claro: eles desapareceram porque já estavam de saco cheio. Afinal, conviver com o homem moderno durante cinco eras cristãs é osso duro de roer. Eu convivo com os ditos-cujos faz pouco mais de 60 anos e já estou porraqui.
Mas essa não é a única matéria interessante, na página de ciência do Folhão. Só que, como eles tinham de encaixar uma enorme publicidade de um automóvel na dita página, sobrou espaço apenas pra uma foto de macaquinhos (crédito da foto: Universidade Emory), com a legenda: Macacos-pregos nos EUA; estudo mostra que espécie fica mais satisfeita ao receber comida e ver amigos ganharem também do que só receber, hábito ligado à formação de redes sociais.
Desde o governo do presidente Sarney, o imortal, cujo lema – pra quem não lembra – era “tudo pelo social” (1.985-1.989), eu não via tanta preocupação com o próximo. Claro que até surgir o insuperável presidente Lulla. Esse ganha até de macaco-prego.
Deixei para o fim a melhor matéria. Ela se espreme entre a propaganda do tal automóvel e a beirada da página. Mas é notável.
Cientistas – sempre eles! – descobriram que as vacas, ao pastar, costumam posicionar-se na direção do norte magnético. Falta descobrir o porquê e, claro, o como.
Dou minhas singelas sugestões: o motivo deve ser alguma superstição. Afinal, tem gente que entende que deve dormir com a cama virada pra não sei onde, começar qualquer caminhada com o pé direito e evitar roupas de cor marrom (olha lá o Zé Sarney novamente!).
Se o Homo Sapiens pode ter essas manias, por que as vacas não?!
De resto, falta descobrir onde fica a bússola, dentro daquele corpanzil.
Vou pensar um pouco e conto pra vocês as minhas conclusões.
Sugestões são – óbvio – bem-vindas.
Ah! Assinantes Folha ou UOL saboreiam tudo isso aqui e aqui(menos a foto dos macaquinhos).
domingo, 24 de agosto de 2008
Quadro final de medalhas - Olimpíadas Pequim 2008
Aqui vai a classificação final das Olimpíadas Pequim 2008.
O critério, claro, foi sempre o de medalhas-por-100 milhões de habitantes.
Clique sobre o quadro para ampliar:
87 países conseguiram alguma medalha. Outros 118 países nada obtiveram.
A JAMAICA FOI A VENCEDORA. Pelo menos até descobrirem o que foi que os atletas jamaicanos fumaram antes das competições.
Portugal ficou em 39° lugar.
O Brasil na 51ª posição.
E não se fala mais nisso.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Padrão Globo de Qualidade
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Era uma vez XXXVI -
Dilma Rousseff, odores e cores
Neste domingo fui a uma feijoada de comemoração do aniversário de minha nora. Lá, encontrei minha ex-mulher e ex-companheira de presídio de Dilma Rousseff.
O ambiente festivo não permitia muita conversa, mas consegui ouvir dela, sobre Dilma, duas coisas interessantes:
Aos 25 anos, Dilma já demonstrava claramente sua vocação para a vida política. O mesmo não era possível dizer quanto a suas habilidades com as tintas: resolvida a pintar as camas da cela em que vivia de cor-de-abóbora ou laranja, pensou que conseguiria a cor desejada misturando vermelho com branco. Resultado: as camas ficaram cor-de-rosa.
Quando da famosa greve de fome do pessoal da ALN, sobre a qual já falei aqui, as meninas que não aderiram à greve estavam um tanto acanhadas ao preparar as refeições. Algumas propuseram que não utilizassem ingredientes com cheiros fortes. As meninas que estavam em greve de fome sentiriam o cheiro e ficaria mais difícil agüentar o sacrifício.
Dilma não titubeou: nada disso. Vamos utilizar os ingredientes de sempre. Elas estão em greve de fome porque querem. Não temos nada a ver com isso.
E assim foi feito.
Prata Portuguesa
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Ainda sobre Olimpíadas
Vou aproveitar enquanto os chineses dormem pra voltar ao tema do critério de classificação:
Arredondando, digamos que o Brasil tem 200 milhões de habitantes e que Portugal tem 10 milhões.
Se o Brasil ganha, digamos, quatro medalhas, isso vale 2 medalhas para cada 100 milhões.
Se Portugal ganha 1 medalha, isso vale 10 medalhas para cada 100 milhões.
E é assim que eu acho que se devam classificar os países nas Olimpíadas.
Por falar nisso, a classificação do dia de ontem em Pequim (dia 14, que acaba de terminar, lá pra eles) ficou assim, no meu critério de medalhas-por-100 milhões:
Medalhas per capita
Tá bom. Já que todo mundo só fala em Olimpíadas, vamos falar também.
Entendo como totalmente injusto o critério de classificação dos países por quantidade de medalhas conquistadas.
A classificação deveria ser por medalhas per capita.
Não tem sentido comparar X medalhas ganhas pela China com as mesmas X medalhas ganhas por, digamos, a Finlandia.
Ora, a China tem mais de 1.300.000.000 habitantes. Já a Finlandia tem pouco mais de 5.000.000. São 260 chineses para cada finlandês.
Vai daí, até agora, início do dia 14 de agosto aqui em São Paulo, a classificação correta seria:
1° - Georgia
2° - Australia
3° - República Tcheca
4° - Finlandia
5° - Eslovaquia
6° - Suiça
7° - Azerbaijão
8° - Coréia do Sul
9° - Alemanha
10°- Itália
Onde estão os gigantes China e Estados Unidos?
Respectivamente, 21° e 15°.
Pra mim não faz diferença. Mas pra quem liga pra isso, deveria fazer.
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