quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Deu(s) Obama

(foto AP, no portal G1)
Enfim, os americanos elegeram o pastel de vento.

Passadas as inevitáveis e entusiásticas comemorações, todos voltaremos à vida real.
Fico com a recorrente pergunta da Mafalda:

(imagem retirada do blog de Reinaldo Azevedo e modificada)

domingo, 2 de novembro de 2008

Avô coruja


Minha neta, que acaba de completar 8 anos, me manda - lá de Westport, CT, USA - uma historinha escrita por ela: A casa mal-assombrada. Tudo a propósito do Halloween.
Comecei a traduzir. Desisti logo de saída, quando me dei conta de que não conseguia encontrar, em português, uma expressão equivalente a bumpy street.
Vai em inglês, mesmo.
Ela é ótima. A história? Sim, também. Mas, claro, refiro-me à minha neta.
Confiram:

The Creepy House

By: Bruna Augusto Silvestre

(October, 2008)



“Hey Clare!” I yelled. “Hey!” She yelled back. I raced down the bumpy street to her. “Do you want to explore the old house down the street? You know, the one with the vines growing up of it,” She asked me. “I don’t know,” I whisper. I thought for a moment or two. “Ok,” I finally decided. “But it will be rough,” I told her. We scampered up the street. When we reached the house it became suddenly dark. Lightning struck. All the houses disappeared, except the old haunted one. We glared at the old creepy vines. We glanced at the green roof. “Bad color for a roof, don’t you think?” Asked Clare. “That roof is colored wood, that green thing is moss,” I answered. Soon it started to rain. We pulled on our hoods and hurried to the porch of the house. Over the porch was a wooden shield. The old, cracked doors slowly opened behind us. When we turned around shaking there was no one that could have opened the door. We looked at each other. “No turning back now,” I said in a low voice. We slowly walked in the wooden house and glanced around the dark, shadowy room. There was a cracked window in the corner, a chair was in the middle of the room, next to it was a wooden coffee table, and a staircase was in the far left hand corner. It looked about ready to fall. Next to it was a fancy doorway that led to the kitchen. We walked closer to the stair case. BOOM!!!! We jumped. The door slammed shut and startled us. We went up two steps. Creeeeeaaaaaak. The stairs creaked. Creeeeaaaaak. We were finally up there. “Ahhhh!” I screamed. “What” Clare said frightened. “Ahhhhhhhhhhhhhhhhh!” She screeched with me. Right in front of us was a ghost, a witch, and a green goblin!!! “Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!” We ran down the creaky stairs, past the coffee table, and out the door. Still screaming we ran all the way to Clare’s house. We were so frightened we flopped on the couch. “Bruna!” I opened my eyes, and found myself in my bed with my mom. “You scared me,” She whispered. “It was just a bad dream,” I said after I stopped screaming. So I closed my eyes again, and Mom left my room.
Happy Halloween


Deixem-me ir pegar um lenço. Estou babando.
:)

sábado, 1 de novembro de 2008

Ao pó voltarás


Pois é. Dizem que um dos presidenciáveis para 2.010, no Brasil, cheira adoidado.
Isso é o tipo da coisa que circula à boca pequena, jamais na grande imprensa. Também, há que se notar, não é possível denunciar sem provas. E as provas, nesses casos, são de difícil concretização.
Da mesma forma, já faz tempo que sei - de fonte pra lá de fidedigna - que um antigo governador da província de São Paulo era traficante de drogas. Digo era porque ele já morreu. E olha que o falecido é tido, até hoje, como paradigma de político.
E daí?
A vida segue. Afinal, do pó viemos.

As coisas acontecem


Há muitos anos, em conversa com uma colega professora, na USP, ouvi dela o seguinte comentário:

- Adoro viajar! A mim me parece que as coisas sempre acontecem .

Para muitos é assim: o dia-a-dia ocorre tedioso, insípido. É preciso correr para , para desfrutar da vida.

Pois bem. Por razões que nada têm a ver com tédio, preparo-me para ir viver em Bragança.

Vai daí que, dia destes, ao percorrer no computador fotos de meu apartamento aqui em São Paulo, no qual já moro há 10 anos, percebi que sentirei enorme saudade dele.

Paciência. Nada se ganha sem que algo se perca.

Ou não.

sábado, 25 de outubro de 2008

Domingo do riso


Amanhã é o dia da grande piada. Ao menos em um bom número de grandes cidades brasileiras. É o dia do 2° turno das eleições para prefeito.
A democracia representativa é uma antiga anedota que continua a ser contada à falta de algo mais engraçado.
Quer algo mais engraçado do que uma dondoca paulistana preocupadíssima com o pessoal das favelas?
E o maridão argentino, então? Uma graça.
O Gabeira, cujo grande pecado foi ter contribuído pra soltar o Zé Dirceu, periga vencer no Rio. Se isso acontecer, vai ser muito engraçado. Parece que ele nunca levou a sério essa possibilidade. Deve estar se perguntando: como será que se administra essa bagunça?!
O único lugar em que se leva eleição a sério é no Rio Grande do Sul. Gaúcho é mesmo um bicho esquisito. E talvez reeleja um cara chamado Fogaça. Deve ser por ser lá a terra natal do churrasco.
Já o eleitor mineiro – ao menos o de Belzonte – está mais pra Garrincha e seus dribles desconcertantes. Uma hora o candidato do PMDB está 10 pontos na frente, três dias depois é o filho bastardo do governador Aécio e do prefeito Pimentel quem ameaça vencer.


Repara só: pra governar a igreja, Cristo escolheu o mais hipócrita dos apóstolos: Pedro. Ele sabia das coisas da política
De tudo isso, o mais engraçado – pra mim – é aquela fala de um apóstolo, dirigindo-se a Jesus:
- A Marta mandou perguntar se o senhor é casado, tem filhos.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Sugestão para a campanha da Marta


CLIQUE PARA AMPLIAR
Ao ler sobre a relação entre Jörg Haider e Stefan Petzner (veja aqui ou, se for assinante Folha ou UOL, pode ser aqui) tive uma ideia que ofereço com todo carinho à candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, para que ela a utilize no debate de hoje à noite na Globo:

Pergunte ao Kassab quem é o Petzner dele.

É só uma pergunta, né? Sem nenhuma conotação preconceituosa.

E mais: essa sim, é a pergunta certa. Afinal, o Haider era casado. Tinha filhas.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Enfim: algo para elogiar


Campanha ateísta em Londres:

CLIQUE PARA LER SOBRE A CAMPANHA

Acaso


Uma filha de casal de classe média alta combina com o namoradinho o assassinato dos próprios pais.
Os tais pais são trucidados a pauladas.
Depois de algum tempo fica-se sabendo que o pai era algo assim como o fiel depositário do caixa 2 de um partido político avícola. E depositava a tal grana 2 em conta da filha.
Claro que ninguém tinha interesse em esticar o assunto. Portanto, ponto final.
Acaso? Coincidência?

Um rapaz e sua esposa espancam a filha dele e ele a joga da janela do apartamento. O pai dele, pressuroso advogado tributarista, esboça um plano para o casal: alguém entrou no apartamento e jogou a menina pela janela. No meu tempo de criança, esse tipo de criminoso era chamado de mentor.
Um rapaz não se sente impedido de jogar a própria filha pela janela.
Afinal, é filho de alguém que não se sente impedido de usar a própria criatividade para ocultar um crime.
Acaso? Coincidência?

Uma menina de 15 anos é assassinada pelo ex-namorado depois de longo seqüestro.
Pouco depois fica-se sabendo que o pai da menina era procurado pela polícia há uns 17 anos. Fizera parte de uma milícia que assassinou muita gente em um estado do nordeste brasileiro.
Assim como costuma acontecer de meninas filhas de alcoólatras-que-espancam-a-mulher procurarem alcoólatras-que-espancam-a-mulher para casar, a menina resolveu namorar um garoto que se revelou assassino frio, tal qual o pai.
Acaso? Coincidência?

Sei lá. Apenas tenho a convicção – que não tenho como provar verdadeira – de que filhos de pais razoavelmente normais – seje lá o que seje isso – não saem por aí dando pauladas em pais adormecidos. Nem pais normais, ainda que bastante (d)espertos, usam sua experiência de vida para encobrir os crimes dos filhos. Do mesmo modo, filhos de pais razoavelmente normais não saem por aí a namorar seqüestradores assassinos.

Podem me xingar. É o que penso.

domingo, 19 de outubro de 2008

Futsal: campeonato mundial?!


Sou do tempo em que esse esporte era chamado de futebol de salão.
Esse negócio de futsal já é de um mau gosto horroroso.

Agora: que diabo de campeonato mundial é esse, em que 35 jogadores são brasileiros?

E com uma seleção brasileira em que quase todo mundo joga na Espanha (8 dos 14 selecionados)?

sábado, 18 de outubro de 2008

E$tado$ da matéria


A Folha de S.Paulo traz, hoje, uma propaganda de banco assim, ó:



E eu, que pensava que o grande orgulho de um banco deveria ser o de ser líquido.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Horário de progresso


Pronto. Taí um jeito de o Brasil aproximar-se de Portugal: dia 19, cá em Pindorama, entraremos no horário de verão. A diferença em relação a Portugal, que era de 4 horas, cairá para 3.
No último domingo do mês, dia 26, Portugal sairá do horário de verão. A diferença cairá para 2 horas, apenas.
Dessa maneira, vamos nos aproximando do tal de 1° mundo.
Não deixa de ser um progresso.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Só bebo Brahma


O blogueiro Reinaldo Azevedo afirma hoje em um de seus posts (não dou o link do post porque o blog dele está com problemas e não fornece o link de cada post):

O tucano que não perceber que seu adversário fundamental é o PT está com a cabeça nas nuvens.

Essa afirmação me lembra aquela turma que fazia questão de só tomar Brahma (ou só Antarctica).
Quando as duas empresas se fundiram, viram suas convicções abaladas.

Parece que é o que acontecerá em breve com o chamado tio Rei.

domingo, 12 de outubro de 2008

Que venha o fim do mundo


Acabo de ler, no hilário blog Uma dama não comenta,uma versão do Atirei um pau no gato ensinado nas escolas do Brasil zil zil:

Não atire o pau no gato
porque isso não se faz
o gatinho é nosso amigo
não maltrate os animais.


Será que essa montanha de energúmenos que orientam a educação no Brasil zil zil nunca ouviu falar de Bruno Bettelheim, em particular de seu livro The Uses of Enchantment: The Meaning and Importance of Fairy Tales, 1976 (em português, Psicanálise dos contos de fadas)?!

A criança PRECISA da, digamos, violência dos contos infantis (e das cantigas também).
Isso é importante exatamente para fazer dela um adulto equilibrado.
E mais não digo por preguiça.
Procurem alfabetizar-se, pedagogos do Brasil zil zil.
(diga-se, parece que em Portugal a situação não é significativamente melhor).

Diante desse quadro devastador, talvez seja mesmo melhor que o mundo acabe.
A crise atual podia providenciar esse final caridoso.

sábado, 11 de outubro de 2008

A crise está brava


Parece que agora o pessoal, na saída do trabalho, sexta-feira, não deseja bom fim de semana: agora é
- Bom circuit breaker pra você.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

E dá-lhe eleições


Não sei por que o Obama ainda não adotou a bandeira da Marta: internet grátis pra todo mundo. Com essa promessa ele enterrava de vez o McCain.
Quanto à Marta, vai ter de inventar novas maluquices para o segundo turno. A internet grátis não funcionou a contento.
E os Institutos de Pesquisa (DataFolha, Ibope etc) não perdem a pose. Erraram tudo. Mas continuam imponentes.
Em São Paulo, elegeram vereador um dos três que apontei aí embaixo como candidatos Spam: o Trípoli.
São Paulo merece. Vejam como ele fica bonitinho com seus animais de estimação:


Ele entope sua caixa de e-mails

No cachorro eu talvez votasse.

E dá-lhe crise


Finalmente acontece alguma coisa que não acontecia desde que nasci. Acabou a monotonia. Crise igual só daqui a mais oitenta anos. Aproveitem.
Eu que imaginava passar a entrada de ano em Bragança, curtindo o friozinho de lá, já tenho dúvidas. Afinal, nenhum economista de respeito se arrisca a afirmar que haverá 2.009.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Candidatos SPAM- 3


Outro picareta.

PAU NELE!

Aliás, candidato picareta é o que não falta.
Esse, além de mandar spam, usou cadastro antigo: o spam veio para um e-mail que já não utilizo mais.
Deve ter sido por falta de grana: o cadastro antigo era mais barato.

Candidatos SPAM- 2


Esse aí é outro que não respeita nem caixa de e-mails:

NÃO VOTE NELE!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Candidatos SPAM


Tenho recebido uma quantidade grande de e-mails de candidatos a vereador. O indivíduo quer legislar por nós e começa por mandar spam.
Belo começo.

NÃO VOTE NESSE CARA!
Peguei esse aí pra cristo. Não vote nesse cara. Quem não respeita nem sua caixa de e-mails não vai respeitar mais nada.
Pau neles!

Em tempo: guardei o e-mail pro caso do meliante querer me processar.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Voltei


E encontrei uma campanha eleitoral em fase final, com propostas que não são jabuticaba mas – me parece – apontam para realizações que ninguém no resto do mundo implementou.
Não sei de quem é a afirmação de que se alguma coisa só existe no Brasil e não é jabuticaba, não presta. Mas faz sentido.
A candidata que lidera as pesquisas em São Paulo afirma categoricamente que irá providenciar Internet banda larga pra todo mundo na cidade.
Ela, tão viajada, tão percorrida (como costumava dizer o grande Pagano Sobrinho, humorista já há muito falecido), deveria parar pra pensar: por que New York, Paris, Roma, Londres etc etc não implementaram essa maravilha ainda?!
Quanto a mim, espero que ela cumpra a promessa. Poderei economizar os setenta reais que pago à NET por mês para ter banda larga em casa.

Tudo isso me faz lastimar a quantidade de horas que já gastei na vida ouvindo abobrinhas dos políticos. Desde os debates sobre se salário era ou não era inflacionário, debates que esquentaram programas de TV no início da década de 60, até a discussão sobre a tampa de concreto que o higiênico Paulo Maluf pretende utilizar para cobrir os rios Pinheiros e Tietê.

E digo higiênico porque, afinal, ele lava até o dinheiro que usa.

Observação: Quanto ao restante da viagem, fantástico. Apenas pessoal demais para publicar aqui.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Vinhais e tais


Minha irmã fez anos logo no dia seguinte ao de nossa chegada a Vinhais. O Isaías, do restaurante Rossio, preparou uma festa inesquecível.


Vinte e poucos parentes compareceram. Foi a chegada triunfal de minhas irmãs e cunhados à terra de nosso pai.
A figura central da festa foi o Sr. Francisco, viúvo de nossa prima Idalina. Ele, que hoje vive em Vinhais, é o último habitante da aldeia de Passos de Lomba que conheceu pessoalmente meu pai.

Aos 94 anos, faz duas caminhadas ao dia por Vinhais
Para coroar tudo isso, deixo-vos com a lua cheia sobre o Parque Natural de Montesinho, no entardecer da segunda-feira, 15.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Da série o Brasil acabou - X



Parece que estamos em mais uma semana em que o prêmio acumulado da Mega-sena sairá para algo assim como Roraima, Acre, Rondônia etc etc.

Nem jogo dá pra levar a sério nesse país.

Atualização (18/09/2008): E saiu o prêmio para alguém do Estado do Rio de Janeiro. Talvez porque acumulou pouco... Sabe-se lá.

Braga - Restaurante Panorâmico


Essa é Braga, vista do Restaurante Panorâmico do Hotel do Elevador em Bom Jesus do Monte:

A comida? Sofrível

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Porto - verão de 2.008


Dizia-se que o verão de 2.008, em Portugal, seria dos mais quentes e secos.
Pois choveu bastante e as temperaturas foram das mais amenas.
Claro que, com a nossa chegada ao Porto, a chuva só ocorreu durante a madrugada. Os dias foram de sol.
Chegamos na quarta-feira, 10, e ficamos hospedados no Hotel Boa Vista, na Foz do Douro, até sábado, 13.
Do quarto, tínhamos esta vista:



Já no dia 10 fomos almoçar na imperdível Adega e Presuntaria Transmontana. Fica em Vila Nova de Gaia, do outro lado do Douro.
Continua excelente ou talvez melhor.
Dia 11 fomos do lado de cá do Douro, em um dos muitos restaurantes da Ribeira, o Chez Lapin. Tínhamos lá estado em anos anteriores. Agora está muito fraquinho. É aquela síndrome-do-restaurante-em-lugar-privilegiado. Como há freguesia garantida, a comida vai piorando, piorando...
Em resumo, uma merda.
Em compensação, no dia 12 fomos almoçar no Cafeína. Maravilha. Fica na rua Padrão, 100. Na região da Foz. Se for ao Porto, não deixe de visitá-lo. O garçom errou ao trazer vinho branco ao invés de tinto, errou novamente ao dizer que borrego era caça (borrego é carneirinho novo), mas a simpatia dele sobrepujava os erros e a comida, ah! a comida.
Não deixe de pedir entrada, prato principal e sobremesa. Não perca nada.
Antes do Cafeína fizemos um rápido passeio pelo Douro (menos de uma hora). Depois do almoço fomos à Livraria Lello, uma das mais bonitas do mundo:





Ainda houve tempo para ver os tubos do órgão da Igreja de Nossa Senhora do Carmo:


Sábado, 13, pela manhã, partida para Braga. Não sem dar uma paradinha para fotografar essa escultura:

domingo, 7 de setembro de 2008

Sou pequeno-burguês:
tanto faz quanto tanto fez


As eleições para prefeitos e vereadores, em todo o Brasil, não me dizem respeito.
Por ser um camarada de classe média, nenhum político tem interesse por mim.
Todas as atenções são voltadas para os pobres.
É um tal de prometer postos de saúde, escolas públicas em que o que mais se alardeia não é o nível do ensino mas a excelência do leite, transporte público de qualidade etc etc.
Quanto a mim, continuarei a pagar plano de saúde, escola privada para os filhos, combustível, manutenção e IPVA de meu carro.
Os políticos estão certos: preocupação com pobre confere maior dignidade ao candidato. Além do mais, pobre é maioria. Dá mais voto.
A única coisa que eles tomam cuidado pra que não aconteça: pobre deixar de ser pobre.
Isso seria uma desgraça.

sábado, 6 de setembro de 2008

Vou a Portugal.
Infelizmente, volto.


Eu havia marcado férias para outubro. Mas uma de minhas irmãs contou-me que ela e o marido iriam a um Encontro de Matemática em Braga, no mês de setembro. Antecipei as férias, convenci minha outra irmã a ir conosco e pronto: vamos os três irmãos, com respectivos e respectiva, passar alguns dias em Portugal.
Aliás, minha irmã e o marido, ambos matemáticos, já lá estão. O Encontro vai de 8 a 12 de setembro (segunda a sexta da próxima semana). Só há pouco tempo minha irmã deixou escapar que o tal Encontro era em homenagem ao marido dela e a outro matemático.
Como ele não é jogador de futebol, quase ninguém no Brasil sabe que ele existe.
É o país que temos.

CLIQUE PARA SABER UM POUCO SOBRE MAURICIO PEIXOTO
Ficaremos, minha mulher, minha outra irmã, meu outro cunhado e eu, no Porto, de 10 a 13, sábado. Aí, então, passaremos por Braga para recolher o outro casal e desfrutar um almoço no Restaurante Panorâmico, em Bom Jesus do Monte.
Saciada a fome, seguiremos para minha terra, Vinhais, distrito de Bragança.
Lá ficaremos hospedados em um apartamento do Isaías (primo).
Como felicidade pouca é bobagem, dia seguinte, domingo, 14 de setembro, é aniversário de minha irmã mais velha.
A comemoração será no restaurante do Isaías, com a presença de vários familiares (dos quais, diga-se, minhas irmãs e cunhados conhecem apenas dois que já visitaram o Brasil, há muitos anos).
A partir de segunda, 15, sei lá o que iremos fazer.
Mas contarei tudo aqui, em detalhes.
Desejem boa viagem a nós.

Vantagem adicional dessa viagem a Portugal: ficarei um mês quase inteiro livre da propaganda eleitoral. Aliás, por falar nisso, não poderia deixar de reproduzir aqui a foto genial que o repórter fotográfico Lalo de Almeida (Folha Imagem) conseguiu da candidata Marta Suplicy. Ganhou primeira página com todos os méritos.

Essa foto merece prêmio. Clique para ampliar

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Lícitas ações


No tempo em que os animais falavam e eu ainda era dotado de alguma ingenuidade, tive uma conversa com um colega de trabalho durante a qual ele mencionou certo detalhe referente a uma licitação forjada.
Eu, admirado, exclamei:
- Ah! Essa licitação foi forjada?!
E ele, me olhando espantado, como se contemplasse um extraterrestre:
- T-o-d-a-s as licitações são forjadas.

Diga-se que essa conversa já tem quase vinte anos de idade. Mas nossos intrépidos jornalistas continuam a farejar irregularidades em licitações.
Ficou famoso o truque utilizado por Jânio de Freitas para denunciar o fato de os vencedores de uma licitação terem sido escolhidos com antecedência: alguns dias antes da dita licitação, Jânio publicou um anúncio nos Classificados com o resultado da licitação. Tudo devidamente abreviado para garantir que passasse desapercebido.
Depois de proclamado o resultado da licitação, ele mostrou o anúncio publicado com antecedência.

Agora a turma da Folha Online resolveu requintar o truque: espalhou o resultado de uma licitação futura ao longo de texto sobre ópera.

Dois comentários:

1.Daqui em diante, sempre que eu estiver lendo algum artigo da Folha, não poderei saber se o texto é pra valer ou se é simples disfarce de denúncia de alguma irregularidade. Ou seja, pra variar fizeram o leitor de bobo. A pretensa análise da obra de Strauss era, na verdade, uma denúncia contra o governo paulista e contra a empreiteira Camargo Correia.

2.Quem me garante que outros artigos espalhados pelo site da Folha Online não ocultavam denúncia contra as demais empresas concorrentes? Assim, qualquer que fosse o resultado da licitação, haveria um texto para denunciar a falcatrua: vencesse a Andrade Gutierrez, mostrariam ao distinto público uma crítica de romance de Gabriel Garcia Márquez com a vitória da Gutierrez nas entrelinhas; ganhasse a OAS, uma crônica do Cony desmascararia o resultado previamente combinado; etc etc.

Como costuma dizer Mino Carta, é do conhecimento do mundo mineral que as licitações são forjadas. Mas nossos valorosos jornalistas não são muito mais legítimos que elas.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Ciência desvairada


A página de ciência da Folha de S.Paulo, hoje, é – de longe – a melhor produção do jornalismo nos últimos tempos (o tamanho desse “últimos” fica por sua conta).
Primeiro, uma nota sobre o fato de que cientistas estão começando a desconfiar que não se deve chamar os neandertais de estúpidos. Parece que eram apenas diferentes.
Aliás, nestes tempos politicamente corretos, eu diria (vá lá, digo e pronto) que não se deve chamar ninguém de estúpido.
Acontece que a ciência afirmava, até agora, que os neandertais desapareceram porque sua habilidade para construir ferramentas era inferior à do Homo sapiens. Vai daí, um bando de cientistas dedicou anos à análise das ferramentas de uns e de outros e chegou à conclusão: eram equivalentes.
Vejam só: os neandertais viveram aproximadamente 300 mil anos antes de desaparecerem completamente. Não é pouca porcaria. São 150 eras cristãs. Parece que conviveram com o homem moderno, na Europa, por uns 10 mil anos. Sumiram há uns 25 mil aninhos.
Pra mim, que não sou cientista, fica tudo muito claro: eles desapareceram porque já estavam de saco cheio. Afinal, conviver com o homem moderno durante cinco eras cristãs é osso duro de roer. Eu convivo com os ditos-cujos faz pouco mais de 60 anos e já estou porraqui.

Mas essa não é a única matéria interessante, na página de ciência do Folhão. Só que, como eles tinham de encaixar uma enorme publicidade de um automóvel na dita página, sobrou espaço apenas pra uma foto de macaquinhos (crédito da foto: Universidade Emory), com a legenda: Macacos-pregos nos EUA; estudo mostra que espécie fica mais satisfeita ao receber comida e ver amigos ganharem também do que só receber, hábito ligado à formação de redes sociais.
Desde o governo do presidente Sarney, o imortal, cujo lema – pra quem não lembra – era “tudo pelo social” (1.985-1.989), eu não via tanta preocupação com o próximo. Claro que até surgir o insuperável presidente Lulla. Esse ganha até de macaco-prego.

Deixei para o fim a melhor matéria. Ela se espreme entre a propaganda do tal automóvel e a beirada da página. Mas é notável.
Cientistas – sempre eles! – descobriram que as vacas, ao pastar, costumam posicionar-se na direção do norte magnético. Falta descobrir o porquê e, claro, o como.
Dou minhas singelas sugestões: o motivo deve ser alguma superstição. Afinal, tem gente que entende que deve dormir com a cama virada pra não sei onde, começar qualquer caminhada com o pé direito e evitar roupas de cor marrom (olha lá o Zé Sarney novamente!).
Se o Homo Sapiens pode ter essas manias, por que as vacas não?!
De resto, falta descobrir onde fica a bússola, dentro daquele corpanzil.
Vou pensar um pouco e conto pra vocês as minhas conclusões.
Sugestões são – óbvio – bem-vindas.

Ah! Assinantes Folha ou UOL saboreiam tudo isso aqui e aqui(menos a foto dos macaquinhos).

domingo, 24 de agosto de 2008

Quadro final de medalhas - Olimpíadas Pequim 2008


Aqui vai a classificação final das Olimpíadas Pequim 2008.
O critério, claro, foi sempre o de medalhas-por-100 milhões de habitantes.
Clique sobre o quadro para ampliar:

CLASSIFICAÇÃO FINAL
87 países conseguiram alguma medalha. Outros 118 países nada obtiveram.
A JAMAICA FOI A VENCEDORA. Pelo menos até descobrirem o que foi que os atletas jamaicanos fumaram antes das competições.
Portugal ficou em 39° lugar.
O Brasil na 51ª posição.
E não se fala mais nisso.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Padrão Globo de Qualidade


Essa manchete está, pelo menos até esta hora, na página principal do G1, o Portal de Notícias da Globo:

CLIQUE PARA LER A NOTÍCIA, ou eu deveria dizer AS NOTÍCIAS?
Está certo: afinal foram presos vários indivíduos, em três Estados, por roubarem muitos veículos.
Tudo bastante plural.

Ouro Português


CLIQUE PARA LER A MATÉRIA DO PÚBLICO

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Era uma vez XXXVI -
Dilma Rousseff, odores e cores


Neste domingo fui a uma feijoada de comemoração do aniversário de minha nora. Lá, encontrei minha ex-mulher e ex-companheira de presídio de Dilma Rousseff.
O ambiente festivo não permitia muita conversa, mas consegui ouvir dela, sobre Dilma, duas coisas interessantes:
Aos 25 anos, Dilma já demonstrava claramente sua vocação para a vida política. O mesmo não era possível dizer quanto a suas habilidades com as tintas: resolvida a pintar as camas da cela em que vivia de cor-de-abóbora ou laranja, pensou que conseguiria a cor desejada misturando vermelho com branco. Resultado: as camas ficaram cor-de-rosa.
Quando da famosa greve de fome do pessoal da ALN, sobre a qual já falei aqui, as meninas que não aderiram à greve estavam um tanto acanhadas ao preparar as refeições. Algumas propuseram que não utilizassem ingredientes com cheiros fortes. As meninas que estavam em greve de fome sentiriam o cheiro e ficaria mais difícil agüentar o sacrifício.
Dilma não titubeou: nada disso. Vamos utilizar os ingredientes de sempre. Elas estão em greve de fome porque querem. Não temos nada a ver com isso.
E assim foi feito.

Prata Portuguesa

VANESSA FERNANDES

Vanessa Fernandes exibe a medalha de prata conquistada hoje em Pequim, a primeira de Portugal nestes Jogos [foto Reuters, obtida no site do Público]

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Ainda sobre Olimpíadas


Vou aproveitar enquanto os chineses dormem pra voltar ao tema do critério de classificação:
Arredondando, digamos que o Brasil tem 200 milhões de habitantes e que Portugal tem 10 milhões.
Se o Brasil ganha, digamos, quatro medalhas, isso vale 2 medalhas para cada 100 milhões.
Se Portugal ganha 1 medalha, isso vale 10 medalhas para cada 100 milhões.
E é assim que eu acho que se devam classificar os países nas Olimpíadas.
Por falar nisso, a classificação do dia de ontem em Pequim (dia 14, que acaba de terminar, lá pra eles) ficou assim, no meu critério de medalhas-por-100 milhões:

Clique para ampliar

Medalhas per capita


Tá bom. Já que todo mundo só fala em Olimpíadas, vamos falar também.

Entendo como totalmente injusto o critério de classificação dos países por quantidade de medalhas conquistadas.

A classificação deveria ser por medalhas per capita.
Não tem sentido comparar X medalhas ganhas pela China com as mesmas X medalhas ganhas por, digamos, a Finlandia.
Ora, a China tem mais de 1.300.000.000 habitantes. Já a Finlandia tem pouco mais de 5.000.000. São 260 chineses para cada finlandês.

Vai daí, até agora, início do dia 14 de agosto aqui em São Paulo, a classificação correta seria:

1° - Georgia
2° - Australia
3° - República Tcheca
4° - Finlandia
5° - Eslovaquia
6° - Suiça
7° - Azerbaijão
8° - Coréia do Sul
9° - Alemanha
10°- Itália

Onde estão os gigantes China e Estados Unidos?

Respectivamente, 21° e 15°.

Pra mim não faz diferença. Mas pra quem liga pra isso, deveria fazer.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Rainhas do Telemarketing


Tenho um celular português. Ou seja, tenho um telemóvel. Pré-pago.
Vai daí que costumo utilizá-lo, cá do Brasil, de vez em quando, para ligar para Portugal. Ele funciona, então, em roaming. Por meio da operadora TIM.
De ontem para cá, deixou de funcionar. Sempre que ligava para algum número, ouvia a mensagem, falada por voz feminina e brasileira:
- O número chamado não existe. Por favor, verifique o número discado e tente novamente.
Entrei em contato com a TIM. Expliquei à moça que me atendeu qual era o problema.
Pediu-me o número do celular português, fez-me esperar alguns minutos para verificar e retornou:
- Não consigo saber nada sobre seu celular. O senhor terá de ligar prazEuropa.
Foi o que fiz.
Liguei prazEuropa.

domingo, 27 de julho de 2008

Entrar no céu não é fácil


Ainda no assunto Hinos do Cantor Cristão, há um outro hino – o n° 257 – que continha a seguinte estrofe (a 3ª), que foi posteriormente modificada:

Quem vai debalde querer entrar
Lá no céu? Lá no céu?
Pois se dirá: “Não há mais lugar”
Vais tu? Vou eu?
Quem vai parar na miséria atroz,
Sem mais ouvir a celeste voz?
Vai, por desgraça, qualquer de nós?
Vais tu? Vou eu?


Clique para ver como era o hino, originalmente
Ora, o advérbio debalde significa em vão, inutilmente.
Quase não é utilizado.

Contudo para nós, garotada da igreja, essa estrofe evocava mais ou menos este quadro:

Assim ninguém entra

P.S: Se existir algo que se pareça com o que imaginamos ser o céu, é lá que ficará - felizmente daqui a muuuuito tempo - minha irmã caçula. Ela teve a paciência de escanear esses hinos a partir do Cantor Cristão antigo que ela guarda.
Justo hoje, dia em que ela completa mais um aninho. Beijinhos, mana.

sábado, 26 de julho de 2008

Problemas com a censura


Ontem, nem sei por que, lembrei vagamente de uma piada que minha irmã contava, quando eu era garoto, piada inspirada em um hino do Cantor Cristão.
O Cantor Cristão reúne hinos a serem cantados nas igrejas batistas. Não sei se outras denominações o utilizam. Os hinos têm títulos mas os fiéis costumam conhecê-los pelo número de ordem deles no Cantor Cristão.
Vai daí, pedi a minha irmã que me dissesse qual o número do hino da piada.
Ela, por sorte, mandou-me, além do número, a partitura escaneada do Cantor Cristão dela.
Digo por sorte porque, logo que vi qual era o número, ao invés de abrir o anexo do e-mail com a partitura, peguei o Cantor Cristão da Baixinha (presente de minha outra irmã, de edição bem mais recente do que aquele do qual minha irmã escaneou a partitura) e procurei o dito cujo: hino 472.
Li, reli, nada.
Não sei se vocês sabem, mas os hinos evangélicos são compostos, em geral, de algumas estrofes e um estribilho. Canta-se a primeira estrofe, seguida do estribilho. Em seguida, a segunda estrofe, também seguida do estribilho. Etc etc.
Fui então ao anexo do e-mail. Constatei, surpreso, que o hino 472, que no Cantor da Baixinha tinha quatro estrofes, no Cantor de minha irmã tinha cinco.
Adivinha qual a estrofe que falta no Cantor da Baixinha?
Acertou: a estrofe da piada. Censuraram a piada.
Pra não dizerem que minto, aí vão as duas partituras, para comparação.

Clique para ver a versão censurada
Falta só contar a piada.
Na nossa igreja, em Santos, existia uma senhora portuguesa, de algumas posses, chamada Generosa.
Conta a lenda que num belo domingo convenceu sua empregada doméstica a acompanhá-la à igreja. A moça era negra. Hoje seria afro-descendente.
Ao chegarem ao templo, o culto já começado, cantava-se justamente o hino 472. Sua 2ª estrofe:

Hoste negra vem chegando,
Temerosa, atroz;
Vêm fileiras avançando
Com ardor feroz.


A moça levou um enorme susto. Ela entendeu assim:

Esta negra vem chegando,
Generosa atrás.


Imagine ser recepcionado dessa maneira, num lugar desconhecido, por um coral de centenas de vozes.

Portugal e Brasil: paralelos históricos


Pedro I, que reinou em Portugal entre 1.357 e 1.367, ficou famoso – entre outras coisas – por sua paixão por Inês de Castro.

António Sérgio, em sua Breve Interpretação da História de Portugal, nos conta que:

D. Pedro, a ajuizar pelas descrições de Fernão Lopes, o grande cronista, foi uma espécie de semi-louco, plebeu de modos, galhofeiro, violentíssimo na cólera, com a mania da justiça, ou melhor, da punição, e preciosos dotes de administrador. Segundo o testemunho daquele escritor, “diziam as gentes que tais dez anos nunca houve em Portugal como estes que reinara el-rei D. Pedro”.

Parece-me já ter ouvido, deste lado do Atlântico, algo semelhante.

Terá sido por tais coincidências que Lulla, ao final do jogo com o Grêmio, no final do ano passado, quando o Corinthians foi rebaixado à segunda divisão do Campeonato Brasileiro de Futebol, teria exclamado:

- Agora, Inês é morta.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Essa velha humanidade


Em 2001, em Santiago de Compostela, enquanto encharcava de cerveja meu ateísmo, passei algum tempo a contemplar a estupenda fachada da Catedral.
Em minha imaginação, via os operários a erguerem aquela estrutura gigantesca, desacompanhados de tecnologias modernas, amparados em uma fé antiqüíssima.

Clique para ler sobre a Catedral
Já dentro da nave, desci ao túmulo do apóstolo.
Minha estupefação deveu-se aos degraus de mármore, gastos pelo pisar de peregrinos ao longo dos últimos nove séculos.

Clique para ler sobre o túmulo do apóstolo
Claro que os portugueses mais legítimos do que eu, aqueles que fizeram seus estudos básicos em Portugal, esboçarão um leve sorriso ao perceber minha admiração quase infantil diante de tradições de séculos tão remotos.

No entanto, para quem habituou-se a antigüidades não aquém do século 16, esses degraus machucados por quase uma dezena de séculos só podem embasbacar.

Por isso, é com prazer de quem saboreia um delicioso chocolate que leio sobre meu Trás-os-Montes, em Gama Barros (Historia da Administração Publica em Portugal nos séculos XII a XV, tomo XI, pág. 425):

Na ultima decada do seculo XI apparece um documento citando Pannonias como territorio onde existiam varias propriedades. Sob esse nome abrangia-se um terreno que podemos dizer vasto, pois as inquirições geraes de 1220 já registaram n’elle trinta e tres freguezias; mas não comprehendia todo o espaço que pertence ao actual districto de Villa Real.
Para designar todos os mais territorios que entestavam com o de Panoias, parece que não havia então um nome especial, e que tambem o não tinha o territorio do moderno districto de Bragança, que fórma agora, com o de Villa Real, a província de Traz-os-Montes. Era porém Bragança uma terra já de certo importante antes de lhe ser concedido o foral de 1187, que lhe chama algumas vezes villa, mas ainda mais civitate, e conclue declarando que por elle dá o soberano á cidade de Bragança e aos seus povoadores integralmente e para sempre a cidade e Lampazas com seus termos.
Foi isso mesmo que responderam os jurados nas inquirições de 1258 (4ª alçada) sobre os direitos fiscaes na villa de Vinas, dizendo que el-rei D. Sancho, o velho, dera por carta ao concelho de Bragança tudo que era regalengo na terra d’esse nome.


Valendo-me da generosa doação de D. Sancho, pretendo ocupar, em breve, um pequeno espaço que já foi de el-rei nas terras de Bragança.

domingo, 20 de julho de 2008

Ύβρις e Σωφροσύνη


Para a Grécia clássica, os grandes valores éticos eram Hýbris e Sophrosýne (fala-se Íbris e Sofrosine).
Hýbris é o excesso, o exagero, a sem-medida.
Sophrosýne é o comedimento, a moderação, a temperança.
Claro que Sophrosýne é o ideal grego, a excelência moral.
Quanto a mim, sempre fui Hýbris.
Mas devagar com o andor.
A coisa não é tão simples.
Neste sábado, chamou minha atenção o magnífico artigo de Drauzio Varella na Folha (aqui, para assinantes Folha ou UOL).
Em princípio, Varella é modelo de sophrosýne. Equilibrado, faz questão de dizer que curte uma cachacinha mas, por outro lado, é totalmente a favor da nova Lei Seca brasileira.
Um trecho de seu artigo, contudo, acendeu em mim uma luzinha amarela:

Aos sábados e domingos, quando estou de folga, tomo uma cachaça antes do almoço, hábito adquirido com os carcereiros da antiga Casa de Detenção. Difícil é escolher a marca, o Brasil produz variedade incrível. Tomo uma, ocasionalmente duas, jamais a terceira.

Esse jamais a terceira, a meu ver, já é Hýbris.
A fronteira entre os dois conceitos é muito sutil.
Todo cuidado é pouco.
Ou melhor, algum cuidado.
A Hýbris está sempre à espreita.

sábado, 19 de julho de 2008

Convenhamos


Minha irmã andou digitalizando fotos antigas.
Deu nisso.
Essa foto minha, na praia de Santos em 1.969...
É preciso reconhecer: eu tinha cara de terrorista.
Paciência.
O lado bom: como eu era magro!

sexta-feira, 18 de julho de 2008

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Ausências


Hoje, ao escrever um e-mail para um amigo com o qual não falo há tempos, lembrei-me do episódio.
Era uma dupla de colegas meus da Poli-USP.
Os dois fizeram ginásio e científico juntos. Quando entraram na Poli, um deles, o Paim, simplesmente passou a ignorar o outro, o Fábio.
Como o Paim sempre foi meio amalucado, o Fábio não se impressionou muito.
Um belo dia, já no segundo ano, pleno 1.964, golpe militar ainda fresquinho na praça, rolava uma assembléia estudantil no pátio da Poli velha, na Av. Tiradentes. Eis que, por acaso, o Paim postou-se junto ao Fábio, em meio à multidão de alunos atentos às arengas dos líderes. Mas nem uma palavra. A assembléia corria solta. De repente, alguns urubus começaram a voar mais baixo. Um deles passou bem perto dos dois.
O Paim vira-se pro Fábio e comenta, depois de dois anos de silêncio:
- Que rasante, hein!

P.S. Paim (engenharia eletrônica) faleceu pouco mais de uma década depois de formado, ao saltar de asa-delta em São Paulo, num dia de muito vento.
Fábio (engenharia química) faleceu anos depois, vítima de um câncer fulminante que o derrubou em pouquíssimos meses.

De Paim guardo lembranças agradáveis e engraçadas, dos anos de intenso convívio nos cursos de Engenharia Elétrica.
De Fábio recordo as muitas vezes em que nos encontramos na casa do amigo comum, meu irmão Luiz Brandão. Inesquecível seu estilo blasé, seu cachimbo, sua ironia.

Queria que ambos estivessem por aí.
Em certo sentido ainda estão.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

ConversAfiada


Depois de trabalhar durante anos na TV Globo, depois de produzir um blog no portal IG no qual defendia com unhas, dentes e o resto do corpo o governo Lula, eis que Paulo Henrique Amorim surtou. Pelo menos é a única explicação que encontro para a reviravolta que se operou em seus textos.
PHA, como ele mesmo se intitula, chutou e continua chutando todos os paus de todas as barracas.
Imperdível. Impagável.
Vá até , correndo.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Para Elsa Joana


O vídeo com a música de Edu Lobo e Chico Buarque na voz de Adriana Calcanhoto é minha homenagem à neta de minha prima Zelinda, Elsa Joana de Morais Nunes Ribeiro Alves ou, simplesmente, Elsa Ribeiro Alves.
Ela, que vive com os pais em Bragança, Portugal, acaba de conseguir a única vaga disponível para o seu nível na Escola de Dança do Conservatório Nacional de Lisboa.
Com direito a matéria no Mensageiro de Bragança (clique aqui).




E parabéns, também, pelo aniversário, anteontem.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Nove de Julho


Feriado em São Paulo. Dia de comemorar a revolta de São Paulo contra o resto do Brasil. Não é bem assim? Tá bom. Deixa pra lá. Quando tiver um tempinho, leia, por exemplo, 1932: A Guerra Paulista, de Hélio Silva, Editora Civilização Brasileira. Tem em tudo quanto é sebo. Meu exemplar é da 2ª edição, 1.976.
Bom mesmo foi comer a feijoada do Salada Record, ao lado do Brahma, esquina de Ipiranga com São João. Delícia de feijoada, acompanhada de caipirinha de cachaça Seleta. Magnífica.
Tudo incrivelmente barato. E servido pelo Chico, garçom impecável. Simpatia pura. Na companhia do amigo Amadeu. Melhor impossível.
Na onda da São Paulo moderna, fui sem carro, pra poder beber à vontade e não voltar dirigindo. Os vigilantes estão, agora, dando plantão nas portas de bares e restaurantes. O cidadão sai, pega o carro e eles logo se aproximam, bafômetro em punho.
É isso mesmo. Tá certo.
Depois, visitinha à tia Jessa, mergulhada em seu mal de Alzheimer, mas ainda em estado inicial da doença. Ela é o xodó da Clínica. Está sempre alegre. Canta, dança e conforta os outros velhinhos. Estar com ela me faz sentir a imensa maravilha que é estar vivo. De algum modo misterioso ela me transmite esse sentimento.
Obrigado, tia. Fico a dever-te isso.
Minha primogênita me envia e-mail: adivinha onde estou, pai. Num restaurante em Paris.
Pois é. Ela foi a trabalho por três dias. Claro, ficou maravilhada com a cidade que ainda não conhecia. E eu, que pensava que ela não gostaria de Paris.
Amanhã a roda continuará a girar.
E eu, quem sabe, me livrarei dessa gripe que me assola.
Assola mas não impede que me divirta.

(e não é que esse blog virou diário de adolescente!?)

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Matamos teu filho mas pedimos desculpas


A estúpida morte do menino João Roberto mereceu comentários do Governador do Estado do Rio de Janeiro, do Secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, do Comandante do 6° Batalhão da Polícia Militar, comandante dos assassinos.

O Secretário pediu desculpas.

Escárnio em estado puro.

O Secretário e o Comandante deviam simplesmente pedir demissão. No mínimo.

Mas isso nem passa pela cabeça deles. Eles falam em punir os subordinados que praticaram a lambança abominável. Quanto a eles, nada têm a ver com tudo isso.

Apenas pedem desculpas.

domingo, 6 de julho de 2008

Cassetada nos fatos


A sra. Bia Abramo, que escreve aos domingos na Folha de S.Paulo sobre TV, costuma cometer atentados contra a língua portuguesa aproveitando o clima de impunidade reinante em Pindorama.
Neste domingo, resolveu mudar de vítima. E feriu gravemente a história do Casseta & Planeta, programa fúnebre das noites de terça-feira na TV Globo.
Ensina a mestra:

O "Casseta" surgiu do "TV Pirata", que, por sua vez, é a aventura televisiva do "Planeta Diário", semanário que mudou os parâmetros de humor nos anos 80. De alguma maneira, todas as produções dessa linhagem inverteram a equação do humor a partir do final dos anos 70. Retomando, de certa forma, a esculhambação do "Pasquim", o "Planeta Diário" revolve o humor político em sentido quase que oposto ao da imprensa de resistência e, de quebra, revela um sentido de comicidade das contradições do cotidiano brasileiro, de forma menos edulcorada, mais "da rua" que seus antecessores.

(Assinante Folha ou UOL lê a íntegra aqui.)

Seja lá o que a moça quis dizer com essa ladainha gongórica, a questão é que a origem do programa de TV Casseta & Planeta é o jornal Planeta Diário mas é – também – a Casseta Popular.

O humor do Planeta Diário era bastante diferente do produzido pela revista Casseta Popular. Era muito mais sofisticado. A Casseta Popular fazia um humor mais grosseiro, ainda que nem sempre ruim.

Com a ida dos dois grupos para a TV, predominou, claro, o tipo de humor da Casseta Popular.

Antes de escrever, dona Bia podia ler, ao menos, este resumo da Wikipedia. Afinal, os atentados dominicais que ela perpetra são reproduzidos em mais de 400.000 exemplares da Folha.

sábado, 5 de julho de 2008

Wimbledon:
final sem sal nem açúcar


Antigamente, quando se queria dizer que alguma coisa era totalmente sem graça, dizia-se que era como dançar com irmã(o).
Agora talvez seja preferível dizer, de alguma coisa insossa, que é como final de torneio do Grand Slam entre irmãs.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

A Lei de Ricupero


Certa vez, nos estúdios da Globo em Brasília, um animado ministro do governo Itamar Franco, Rubens Ricupero, sem saber que sua conversa com o entrevistador Monfort estava sendo transmitida para todo o Brasil, confessou: “No governo é assim: o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde”.

Isso parece valer também para os blogs de política. Sobre a libertação de Ingrid Betancourt, os blogs alinhados ao governo, ao PT etc, aqueles que se referem à grande imprensa pelo apelido de PIG (Partido da Imprensa Golpista: Folha, Estadão, Globo, Veja etc), passaram batidos. Para eles, nada aconteceu. Vejam, por exemplo, as últimas notícias no Conversa Afiada de Paulo Henrique Amorim:

Clique para ir ao Conversa Afiada
Já os pitbulls da direita chegam até a achar que a história de que Ingrid estava à beira da morte era contra-informação das FARC.

Engraçado, mesmo, é o blog de política (sic) de um tal Mello. No dia de ontem, o único post publicado foi sobre como enrolar os fios dos fones de ouvido sem se enrolar [com as notícias que não nos favorecem].

Resgate da verdade


Não nutro a menor simpatia pelas tais FARC.
Agora, passar anos ouvindo dizer que Ingrid Betancourt está à beira da morte e - de repente - vê-la saltitante e mais saudável que nunca é, no mínimo, estranho.
Parece que é pedir muito mas será que alguém poderia contar a verdade sobre todo esse episódio?

sábado, 28 de junho de 2008

Nossos heróicos bombeiros


Há alguns aninhos, ao olhar pela janela da sala de meu apartamento percebi o início de um incêndio no bosque existente próximo ao prédio em que resido.
Liguei imediatamente para o Corpo de Bombeiros. Dei os dados e recebi a informação de que as devidas providências seriam tomadas.
Passada uma meia hora, o fogo se alastrando, liguei novamente. Disseram-me que tudo tinha sido providenciado. Alertei-os para o fato de que não havia aparecido ninguém para conter o fogo.
- Fique tranqüilo. Já foram tomadas as providências.
Fiquei tranqüilo. Quem não ficou tranqüilo foi o fogo, que consumiu um pedaço nada desprezível do bosque.
Até hoje, aguardo – tranqüilo – que os bombeiros apareçam.
O fogo apagou, aparentemente sozinho, algum tempo depois.
No lugar das árvores, surgiu, uns dois ou três meses mais tarde, um belo empreendimento imobiliário.
Só então me dei conta de quais tinham sido as providências tomadas.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Humor afro-descendente


Minha caçula, que me superou em matéria de humor negro, garantiu que o Alexandre Nardoni, quando acabar de cumprir pena, já tem onde trabalhar:
Escritório de Advocacia Mattos Filho.

sábado, 21 de junho de 2008

Conclusões - 1


Chego, só aos 63 anos, à conclusão a que já chegara Capistrano de Abreu aos 48, ao explicar sua recusa em aceitar ser membro da ABL:

Ele conta, em carta a um amigo, que não quis fazer parte da Academia Brasileira de Letras por ser "avesso a qualquer sociedade, por já achar demais a humana".


Correspondência, Vol 1, 2ª edição, 1977, página 152

Desejos - 1


Talvez queira eu morrer ao cair de uma cadeira pouco estável que, por preguiça, tenha usado pra não ter de buscar a escada para pegar Grande Sertão: Veredas, lá na terceira prateleira, em meio a outras relíquias.
Seria talvez dolorido.
Mas, certamente, um dos poucos modos dignos de morrer.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

A falseta do padre Júlio Lancelotti


Faz algum tempo, o padre Júlio Lancelotti acusou um rapaz de tentativa de extorsão. A história era novelesca: envolvia possíveis relacionamentos sexuais do padre com o acusado, utilização de muita grana de uma ONG à qual o padre é ligado para comprar automóveis de luxo pro rapaz etc etc.
Como o padre é bem relacionado (seu advogado é o inefável Luiz Eduardo Greenhalgh, deputado pelo PT, ex-advogado de presos políticos (ah! essa turma!), ex-vice-prefeito de São Paulo, às voltas com histórias de suborno por parte da empresa Lubeca etc etc), o resultado líquido do imbróglio foi:
1. Decretaram segredo de justiça no processo;
2. Prenderam os acusados (o tal rapaz, sua mulher e dois irmãos envolvidos na acusação);
Agora, passados 7 meses, soltaram o rapaz, a mulher e os irmãos e caiu sobre o caso o mais ruidoso silêncio.
Vi uma discreta notícia na Folha de S.Paulo, dia 11, agora, quarta-feira. Um trecho dela:

Vinte quilos mais magro, Anderson Marcos Batista, 26, acusado pelo Ministério Público de ser o chefe da suposta quadrilha que teria extorquido dinheiro do padre Júlio Lancelotti, 59, foi solto ontem pela Justiça após sete meses preso.
"A Justiça mostrou que sou inocente", afirmou ele ao deixar o Centro de Detenção Provisória do Belém, na zona leste.
Além dele, sua mulher, Conceição Eletério, 44, também acusada, deixou ontem a Penitenciária Feminina do Estado.
"Estou revoltada. Ficamos presos sem nunca termos sido culpados", disse ela, que pretende estudar a possibilidade de entrar com uma ação indenizatória contra o Estado.
Anteontem, outros dois acusados, os irmãos Evandro, 29, e Everson Guimarães, 27, que estavam presos com Batista, já haviam sido soltos. Os quatro foram absolvidos pelo juiz Julio Caio Farto Salles, da 31ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça. Segundo o advogado Nelson Bernardo da Costa, seus clientes "foram absolvidos por insuficiência de provas".
No ano passado, o padre Júlio, que atua na Pastoral do Povo de Rua e é um dos principais defensores dos direitos de adolescentes infratores, procurou a Polícia Civil acusando Batista e os outros três por ameaças falsas de pedofilia. Procurado, o padre não quis falar. [...]

Assinante Folha ou UOL lê a íntegra da matéria aqui.

Não faltam, na imprensa, indignados defensores do tal padre. Só pra dar um exemplo, leia aqui o panegírico esculpido por um Walter Falceta Jr., merecedor do sobrenome que carrega, autor de um Guia Sexy de São Paulo. Aliás, espero que ele, em seu Guia, não tenha esquecido de incluir o padre entre as atrações do ramo na paulicéia desvairada.

Já pra cobrar uma mísera explicação quanto ao fato de deixarem presos cinco indivíduos durante 7 meses e depois soltá-los como quem vai às goiabas, só encontrei, na imprensa, a indignação de Barbara Gancia, aqui (para assinantes Folha ou UOL). Leiam dois trechos:

Quero saber se quem mentiu no caso do padre Júlio receberá o mesmo tratamento de quem disse a verdade

Não é possível saber os pormenores do julgamento, uma vez que o processo correu em segredo de Justiça. Mas ainda há algumas dúvidas antigas por esclarecer no caso do padre Júlio Lancelotti, famoso por defender os direitos dos adolescentes, que no ano passado acusou de extorsão o ex-interno da Febem, Anderson Marcos Batista, a mulher dele, Conceição Eletério, e os irmãos Evandro e Everson Guimarães.
Detidos desde outubro de 2007, o ex-interno, a mulher e os dois irmãos acabaram absolvidos e soltos.
[...]
Quero saber se a história fica por isso mesmo. Quero saber se quem mentiu neste caso receberá o mesmo tratamento de quem disse a verdade e, enxerida que sou, quero saber também de onde vieram os tais R$ 700 mil que o padre teria dado ao antigo protegido.


Eu também.

sábado, 7 de junho de 2008

Deus é fiel
(mas a Justiça, nos EUA, não quer saber disso)


A bispa Sonia, aquela que fala com voz de choro, foi solta hoje.
Mas ela e o maridinho apóstolo ainda têm de cumprir dois anos de liberdade vigiada, nos EUA.
No Brasil, o pessoal da igreja Renascer continua a acreditar que tudo não passa de armação do demônio.
Além da pergunta que o Zé Simão já fez em sua coluna na Folha de S.Paulo (por que a bispa Sonia não curou o joelho do Kaká?), resta o ridículo absoluto de todo esse imbróglio.

Mas se as pessoas preferem o engano, fazer o quê.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Que você fará com as cinzas de seu parceiro?


A cantora Courtney Love deu uma resposta fofa a essa pergunta: colocou (parte) das cinzas do marido - Kurt Cobain - em uma bolsa pink em forma de ursinho. A informação tornou-se pública porque parece que furtaram a tal bolsa.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Na cabeça


Os políticos, pelo menos no Brasil, são – cada vez mais – meliantes à procura da imunidade parlamentar. Parece ser bem melhor ser julgado pelo Supremo do que em primeira instância, por um juizinho qualquer. O trâmite é tão demorado que vale a pena, ops!, vale a não-pena.
Vai daí, lembrei-me de uma figura ímpar, que conheci em meados de 1.988. O obeso Moisés Lipnik.


Ele era filho de banqueiro de Miami. Parece que logo que alcançou a maioridade, o pai lhe deu uma grana e disse, a la Drummond:
- Vai Moisés. Vai ser gauche na vida.
E Moisés aportou no Brasil da ditadura militar, do general Golbery.
Contava ele que começou a – digamos – carreira intermediando um grupo de empresários japoneses que pretendiam estabelecer negócios no Brasil.
Vendeu a eles a idéia de que poderia obter entrevista com o general Golbery. Conseguiu marcar a audiência e lá foi ele, levando os japoneses a tiracolo.
Uma vez diante do general os japoneses expuseram suas pretensões e foram ouvidos com respeito, mas com distanciamento.
Ao saírem, Lipnik avisou aos japoneses que precisava retornar para entregar o cheque ao general. Cheque dos japoneses, claro. Voltou à sala do general, os japoneses olhando à distância, e entregou a Golbery um cartão de visita.
Manobrou, junto a assessores do general, para que os propósitos dos japoneses se realizassem.
Tudo deu certo. Ele, que dissera ter entregue o cheque ao general, ganhou seu primeiro milhão de dólares.
Não sei se esta história é fantasiosa ou não. Eu a ouvi do próprio Lipnik.
A questão é que, quando eu o conheci, ele já era podre de rico, casado com uma ex-miss Miami (meus amigos brincavam de adivinhar quanto ele teria pago por isso) e candidato a senador por Rondônia (ou terá sido Roraima?). Tanto faz. Ele nunca estivera em nenhum desses lugares.
Lipnik era virtuose do telefone. Isso no tempo do telefone de fio. Aboletava-se em uma cadeira do escritório em que eu trabalhava, agarrava o fone do telefone e começava a falar, sem parar. Segurava o fone com – digamos – a mão direita. Ao longo do diálogo, trocava de mão deslizando o fone ao longo de sua enorme barriga. Como dizem os locutores esportivos, o fone descrevia uma parábola e encaminhava-se à outra orelha do Lipnik. Isso não interrompia, de modo algum, a conversação. Ao contrário, parecia dar-lhe ritmo.
Vou já adiantando que Lipnik elegeu-se deputado federal (por Rondônia ou por Roraima?), nem sei por quantas vezes. Com isso, conseguiu empurrar com a barriga (e que barriga!) várias ações contra ele. Morreu ileso.
Mas, nessa época, no longínquo 1.988, ou 1.989, Lipnik era candidato a senador. Nada mais, nada menos. Seus cabos eleitorais esfalfavam-se, em Rondônia (ou terá sido Roraima?), para desenvolver sua campanha. Quase foi eleito.
Belo dia, estávamos no escritório, quando liga um desses cabos eleitorais. A dúvida: estamos confeccionando bonés para sua campanha. Vamos escrever o quê, nos bonés.
Lipnik não chegou a pensar 20 segundos:
- Lipnik na cabeça!

sábado, 24 de maio de 2008

International Red Flag Country


Tudo começou em fevereiro deste ano, quando nos preparávamos para ir visitar minha filha mais velha em New York. Temos primos em Bragança, Portugal, cuja filha estuda ballet. Eles já haviam comentado conosco a respeito da dificuldade de encontrar o equipamento necessário para os treinos da filha. Como parece haver de um tudo em New York, pedi a eles que me dissessem o que comprar. Meu primo, talvez para ser gentil e não responder que não era preciso comprar nada, pediu-me que, se possível, comprasse uma tal de Resistaband GM-503, da AllAboutDance.


Já em Manhattan, começamos a visitar – entre outras lojas – as especializadas em equipamentos para ballet. E nada. Uns nem sabiam do que se tratava. Outros diziam saber e indicavam outra loja onde certamente haveria o que procurávamos. Como as tais faixas acompanham um livro de exercícios, procuramos em livrarias, lojas de revistas etc etc.
Nada.
Em nosso último dia em New York, ao visitar uma enorme loja de equipamentos para ballet, consegui o endereço dos escritórios da Gaynor Minden na cidade. Não havia garantia de que, lá, eles vendessem os próprios produtos. Nem houve mais tempo de ir até lá.
Voltei ao Brasil injuriado. Ir a New York e não conseguir comprar uma única faixinha GM-503 para minha prima. Isso não se faz.
Resolvi encomendar pela Internet. Claro que não se tratava de atitude racional. Encomendar pela Internet eles mesmos poderiam encomendar, lá de Bragança. Mas não combinei com ninguém de ser sempre racional.
Feito o pedido, esperei que chegassem a minha casa, em São Paulo, as já famosas Resistabands.
O que recebi, ao invés de, foi um e-mail com um título igual ao deste post. Não sei bem como traduzir essa expressão. Mas “red flag”, no caso, tem cara de “lista negra”. Olha só o conteúdo do e-mail, seguido de uma tradução meia-boca mas que serve pra quem não entende patavina de inglês:

Thank you for your order. Unfortunately, we do not ship to Brazil at this time. We used to, but encountered numerous delivery problems. We are currently researching ways to guarantee the safe delivery of our packages to your country, while at the same time keeping shipping rates as low as possible. We hope to resume shipping to Brazil in the future. In the meantime, we have cancelled your order, and you have not been charged at any time.
Thank you.
AllAboutDance

Gratos por seu pedido.Infelizmente, não estamos fazendo remessas para o Brasil atualmente. Antes fazíamos, mas tivemos muitos problemas de entrega. Estamos buscando meios de garantir a entrega segura de nossos pacotes em seu país, tentando ao mesmo tempo manter taxas de envio tão baratas quanto possível. Esperamos voltar a fazer remessas para o Brasil no futuro. Nesse meio tempo, cancelamos seu pedido e você não foi cobrado por nada.
Gratos,
AllAboutDance


E quando eu digo que o Brasil acabou, tem gente que acha exagero.
Refiz o pedido, agora pedindo para fazerem a entrega em Bragança, Portugal.
As GM-503 já devem estar chegando lá, com a graça dos deuses.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Marcha para Jesus: apologia de crime


Vamos lá: muita gente fica cheia de dedos para afirmar que o pai e a madrasta da menina Isabella foram os seus assassinos. Mesmo depois da versão de uma terceira pessoa ter se transformado em piada. O argumento é sempre aquele: o cidadão só é culpado depois de sentença transitada em julgado. Beleza.
Agora, vem cá: o tal apóstolo Hernandes e sua bispa não foram já julgados, condenados e até já estão cumprindo pena? Então, pelos mesmos pesos e mesmas medidas, são culpados de crime. Se preferirem: são, sim, criminosos.
Vamos, então, ao artigo 287 do Código Penal:
Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime:
Pena - detenção, de 3 (três) a 6 (seis) meses, ou multa.


O pessoal que participou da tal Marcha para Jesus fez exatamente isso: enaltecimento de um criminoso. Publicamente.
O fato de tratar-se de um milhão e meio de pessoas não as torna menos incursas no artigo 287. Como na piada do mexicano:
- Un loco no! Miles de locos!

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Tempo ganho


Hoje, ao passear pelo Orkut, descobri que minha sobrinha, Juliana Dantas, tem um blog.
Nunca imaginei ter uma sobrinha que lesse Proust.
Não percam tempo. Basta clicar na imagem.

E ela escreve como poucos

sábado, 17 de maio de 2008

Um poema de meu pai


No revirar velhos papéis guardados por minha tia, encontrei um poema escrito por meu pai. Está datilografado na arcaica Smith Corona dele, um dos poucos objetos que sobreviveram à minha prisão e dorme aqui em meu escritório. Talvez alguma de minhas irmãs tenha cópia desse poema. Eu o li hoje pela primeira vez. Lembro de minha mãe referir-se várias vezes a ele, mas nunca o havia saboreado.
Meu pai, nascido em Passos de Lomba, aldeia trasmontana, cedo partiu rumo ao Brasil. Teria, então, algo em torno dos 15 anos. Jamais retornou a sua terra natal. Nunca mais viu a mãe.
O poema, intitulado Mãe Querida, parece guardar em seu título uma ambigüidade. A mãe é a mãe biológica, mãe Amélia da Conceição, mas é – também – a mãe terra, a aldeia original. Não sei se a dubiedade foi proposital. Mas é evidente.


MÃE QUERIDA
[mantive a grafia original]

Alberto Augusto


É pequenina, um brinco de criança:
Tão linda jamais vi
Em serranias altas sobrepostas
A aldeia em que eu nasci

Ali há vida, há luz, prados extensos;
Riquíssimos jardins;
Campinas verdes, plurimatizadas;
Ribeiros em festins.

Um céu de anil puríssimo de estrêlas
Constantes no brilhar;
E a refletir-se em fontes cristalinas
Um pálido luar.

Vetusto casario guarnecendo
Vielas que só têm
Vestígios de mourama de outros tempos,
E curvas em vai-vem.

Há pardais, rouxinóis, há andorinhas:
Orquestra sem igual!
Bem parece viverem todo o dia
Em festa nupcial!

Os campos e os pomares enfeitados;
Grilada a cricrilar;
As searas imensas, brancacentas,
Ao vento a baloiçar.

Tal é a minha aldeia – se me lembro...
É linda para mim!...
Há muito... muito... que a deixei, chorando;
Chorando sem ter fim.

Deixei-a, sim; por lá ficou, saudosa;
E fui-me longe, além...
Também deixei a minha mãe sòzinha,
Da vida tôda o bem.

E nunca mais, oh não, tal voz ouvi
Ternuras a dizer...
Aquela face triste e desmaiada,
Não mais pude rever.

Lamento e me arrependo muitas vêzes
De um grande crime assim!
Padeço em cada hora, em cada instante,
A dor que não tem fim.

A minha mãe velhinha é todo o anseio
Meu, todo o ideal...
É todo o bem que anseio nesta vida;
Sim, ela é meu fanal.

Morando nesta terra linda e boa,
Feliz podia ser;
Mas minha alma, saudosa de outra alma,
Fugiu... quí-la rever...

Alçou em vôo de águia legendária.
Librando-se no ar,
Foi visitar a aldeia pequenina.
De lá não quis voltar!

Eu quero ir também, e não te esqueças,
Oh Deus do meu clamor.
Não te olvides de mim, que em ti confio
- Espero em teu amor.

Permite, ó Deus, consente eu veja ainda,
Mamãe querida, ali,
Por quem tanto chorei, tantas saudades
Eu sinto por aqui.

Não me deixes, Senhor, viver penando
Em tal separação;
Pois minha vida assim é um tormento
Que corta o coração.

Prossigo embalado na lembrança
- E o dia há-de chegar –
De ver-te a face imersa num sorrir
Mais doce que o luar!

Queres findar, bem sei, tua carreira;
Anseias o partir,
Mas para ver-me ainda, e abraçar-me,
Mais vida hás-de fruir.

E a aldeia pequenina e alcandorada,
Feliz há-de sentir
A ventura sem fim de duas almas
Unidas a sorrir.

Hei-de ver-te, e beijar-te muito, muito,
Dormir nos braços teus!
Hei-de sentir o teu amor profundo!
Cingir-te aos braços meus.

Não te eleves da terra, mas espera
Um beijo dêste amor.
Então demandarás o Paraíso.
Concede êste favor.


Minha avó Amélia não pôde esperar. Meu pai também se foi muito cedo.
De alguma forma, a ida dos três filhos de Alberto agora em setembro à aldeia em que ele nasceu será um reencontro dele com a mãe terra.
Por nosso intermédio.
Para minha alegria.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Lógicas não usuais


Estudei Lógica, durante alguns anos, sob orientação do professor Newton da Costa. Já falei um pouco dele, aqui.
Ele é um dos lógicos mais importantes do mundo. No Brasil, claro, não chega a ser tão reconhecido quanto Ronaldo, o Fenômeno, ou Hebe Camargo ou Ana Maria Braga etc etc. Cada país tem os ídolos que merece.
O professor Newton ficou conhecido internacionalmente por ter desenvolvido a teoria das lógicas paraconsistentes. São lógicas que admitem a contradição. Numa lógica convencional, se aparece uma contradição tudo desaba. É como um terremoto de nível 10 na escala Richter. Ele bolou uma lógica que permite a contradição sem que o mundo venha abaixo. Coisa de gênio.
Uma das minhas alegrias na vida é a de ter conhecido e convivido com o professor Newton. Esquisitão, exigia que os alunos o tratassem por senhor. Mas, ao contrário de muito professor titular, que entende ser depreciativo dar aulas para a graduação, Newton da Costa dava aula pra qualquer nível. Não se importava com essa história de majestade do cargo. Ao contrário de muito orientador de tese, propunha-se a ir à casa do orientando, à noite, pra discutir o trabalho.
É verdade que, na primeira vez que foi à minha casa, ao conversar comigo e com minha esposa, nós que havíamos acabado de sair da cadeia, perguntou:
- Como é que vocês podem ser marxistas? Isso é coisa de estúpidos!
Assim, na lata.
Algum tempo depois, ao voltar de viagem à Polônia socialista, à qual havia ido a convite para dar conferências, disse-nos, na mesma casa, sentado na mesma cadeira:
- O socialismo é maravilhoso!
Esse é o extraordinário professor Newton da Costa. Ou melhor, um pedacinho dele. Porque ele, em sua totalidade, é indescritível.
Tudo isso me vem à memória a propósito de uma tia minha, portuguesa que vive no Brasil há muitos anos.
Ela vai completar 80 anos semana que vem.
Já há algum tempo, começou a mostrar sinais de demência. Fomos com ela a uma médica geriatra. Orientados pela médica, colocamos para cuidar dela uma cuidadora. Minha tia sempre viveu sozinha. Vive em um apartamento de cômodo único. Ela adora o cantinho dela. Suportou a cuidadora durante uns três meses. Depois, expulsou-a de casa.
Como tínhamos de colocar outra cuidadora lá e sabíamos que ela não a aceitaria, meu primo e eu fomos até lá no domingo passado para tirar os trincos que ela tinha na porta de entrada. Caso contrário, ela não deixaria nenhuma cuidadora entrar.
Pedimos que uma amiga dela a levasse para dar um passeio enquanto arrancávamos os trincos.
Feito o trabalho, fomos embora e avisamos a amiga que já podia levá-la de volta.
Fiquei curiosíssimo sobre qual seria a reação dela ao voltar.
Soube, dia seguinte, ao falar ao telefone com a amiga de minha tia.
Ela entrou no apartamento, percebeu a remoção dos trincos e explicou à amiga, utilizando a lógica toda especial que a doença lhe proporciona:
- Meus sobrinhos estiveram aqui e consertaram a fechadura.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Einstein chuta o pau da barraca


A Folha de S.Paulo divulga, hoje (aqui, para assinantes Folha ou UOL), carta que Einstein escreveu a um amigo filósofo em 1.954, ano anterior a sua morte, na qual ele manifesta sua opinião sobre as religiões (aqui, parcialmente, traduzida para o inglês):

"A palavra Deus é para mim nada mais do que expressão e produto da fraqueza humana".

De quebra, ainda diz que não considera os judeus um povo escolhido. A religião judaica, “como todas as outras religiões, é uma encarnação das superstições mais infantis”.

Quanto à Bíblia: “uma coleção de lendas honráveis [ver nota], ainda que primitivas”.

A carta já era conhecida. A matéria da Folha se deve ao fato de que a carta, agora, vai a leilão. O surpreendente nela é que, segundo os historiadores, Einstein jamais havia manifestado muito claramente sua opinião sobre as religiões. A matéria da Folha acrescenta que a frase de Einstein mais citada sobre o assunto, até essa carta, era:

“A ciência sem religião é manca, a religião sem a ciência é cega”.

Claro que no mundo atual, politicamente correto, no qual jogam-se filhas pela janela ou escravizam-nas por anos em porões mas não se pode chamar ninguém de ceguinho, a frase dele teria de ser adaptada:

A ciência sem religião é portadora de deficiência motora, a religião sem a ciência é portadora de deficiência visual.

Claro, também, que os indefectíveis defensores das religiões dirão que, já próximo da morte, Einstein estaria gagá, ops!, seria portador de deficiência cognitiva.

Quanto a mim, sempre achei o gênio meio piradão. Talvez essa carta manifeste um de seus parcos momentos de lucidez.

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Nota: A palavra honrável não é registrada nem pelo Houaiss nem pelo Aulete. Existe honorável. Na tradução da carta para o inglês consta honourable, que o Merriam-Webster unabridged tampouco registra mas que o Cambridge on line dá como variante inglesa de honorable. Honorable poderia ser traduzido por admirável.

terça-feira, 13 de maio de 2008

A versão animal do
Estupra mas não mata


A Folha de S.Paulo publica, hoje (aqui, para assinantes Folha ou UOL),matéria sobre uma foca macho flagrada tentando copular com um pingüim. O cinegrafista filmou a tentativa (afinal frustrada) durante 45 minutos. O pingüim tentava escapar mas como a foca pesa até 120 quilos (dez vezes o peso de um pingüim) ele não conseguia.
Terrível, não é mesmo?
Acontece que na ilha Marion, onde a tentativa de estupro foi filmada, parece que o mais comum é que as focas comam os pingüins – literalmente.
O ex-governador de São Paulo, o inefável Paulo Maluf, ficou célebre – entre outras façanhas – por ter sugerido a estupradores em geral:
- Estupra mas não mata.
Seu conselho polêmico foi finalmente seguido pela tal foca.
Ou terá sido incapacidade da foca em discernir entre os vários sentidos do verbo comer.
Sabe-se lá.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

A incrível Lei Rouanet


Já comentei, há algum tempo, a utilização da tal Lei Rouanet por parte de artistas consagrados.
Não sei se todo mundo sabe: a Lei Rouanet, trocada em miúdos, permite que você apresente a uma empresa um projeto cultural qualquer para que a dita empresa arque com os custos. O pequeno detalhe, nessa história, é que a empresa paga o empreendimento com grana do imposto que ela deveria recolher ao erário.
Resumo: o distinto público, o contribuinte, paga a brincadeira.
Que artistas desconhecidos se valham da tal lei, ainda é discutível. Eu, por exemplo, sou contra. Mas admito que haja argumentos para defender esse subsídio.
Agora: o fim da picada é ver artistas famosos, já podres de ricos, usando a Lei Rouanet para encher mais seus cofres.
Falando português claro: é uma pouca vergonha.
Todo esse meu azedume vem de ter lido, hoje de manhã, na Folha de S.Paulo, matéria sobre o lançamento do songbook do cantor Djavan. São três volumes com as partituras de todas as músicas do cantor/compositor. Assinante Folha ou UOL lê aqui.
Muito bacana, muito interessante. Só que esse trabalho foi bancado pela Lei Rouanet. E tem mais: não satisfeita por mamar nas tetas do contribuinte, a turma que preparou o songbook ainda tascou-lhe um precinho camarada: cada um dos três volumes custa R$ 130,00.
E o compositor ainda teve a cara de pau de declarar:
"Nem sabia que custava isso. Pedi para que fizessem o preço mais acessível possível."
Como diria a Hebe Camargo: Não é uma Gracinha?!

sábado, 10 de maio de 2008

Foi uma terceira pessoa


Pois é. Não foi Pero Vaz e Caminha que pediu ao Rei de Portugal emprego para um parente. Foi uma outra pessoa. Ela se intrometeu na carta sobre a descoberta do Brasil e acrescentou trechos apócrifos.
Nem pensem que Pedro I proclamou a Independência. Ele apenas teve um pequeno desarranjo intestinal às margens do Ipiranga. Algum gaiato aproveitou-se do imprevisto e gritou o Independência ou Morte.
Já Deodoro da Fonseca, esse, todo mundo sabe que era monarquista. Foi empurrado para a História. Mas quem proclamou a República foi o cavalo.
Por falar em cavalo, a Revolução de 30 teve como ponto alto o tal cavalo que os gaúchos amarraram no obelisco, no Rio. Ou não.
Getúlio não se matou. Foi uma terceira pessoa, ou quarta, ou quinta, sabe-se lá, que entrou no quarto e atirou nele. Até mesmo a Carta Testamento, que tantas lágrimas suscitou ao longo dos anos, não se sabe bem por qual terceira pessoa foi escrita.
E o País continuou sempre dominado por terceiras pessoas.
No caso de JK, a terceira pessoa era uma amante. Ou várias. Menos mal.
O golpe de 1° abril de 1.964 foi patrocinado por terceiros. No caso, os EUA.
Mas nem precisava. A esquerda brasileira não precisa de inimigos. Bastam-lhe os amigos.
E os governos militares? Meu deus! Quanta estupidez! Claro, toda de terceiras pessoas. Afinal, Castelo Branco, Costa e Silva, os Três Patetas, Médici, Geisel, Figueiredo, todos (ou quase todos, sei lá) foram primeiros alunos de suas turmas no Exército. Imaginem os últimos.
Daí fomos parar nas mãos dos Marimbondos de Fogo. Que loteou (os marimbondos, são, no caso, singular) o governo entre terceiras pessoas. Todas foram muito bem remuneradas e o mundo continuou girando em sua órbita.
E veio Collor. E PC Farias. Mas tudo o que amealharam foi obra de terceira pessoa. Tanto é que foram absolvidos. PC Farias foi assassinado, é verdade. Mas nem tudo são flores neste país terceirizado.
Itamar Franco foi o menos ruim. Tá certo. Era – e é – muito caipira. Parece ter sido o primeiro presidente da República que nunca tinha viajado a São Paulo. Pode?! Mas assumiu seus ridículos sem intermediários. Só valeu-se de terceiras pessoas pra implantar o Plano Real. Afinal, o negócio dele era outro, nada real.
Fernando Henrique eu me recuso a comentar. Já tinha escrito um monte de asneiras e governou produzindo mais asneiras. O que de bom foi produzido em seus governos foi obra de terceiros. Sempre a terceira pessoa.
Lula tem uma vantagem: ele troca de terceira pessoa a toda hora. Primeiro era o Zé, depois o Palocci, depois a Dilma, depois quem?
Depois ele, claro. Prontinho pro terceiro mandato.
Vai daí, não entendo a incredulidade da imprensa em relação à versão dos Nardoni sobre o assassinato de Isabella. Se sempre há uma terceira pessoa em tudo que acontece de relevante neste país, por que não haveria uma terceira pessoa na cena do crime?
Aliás, um detalhe: a versão me parece não ser obra nem do pai nem da madrasta de Isabella. Tenho a forte impressão de que a versão é obra de terceira pessoa.
Como sempre, em tudo.

domingo, 4 de maio de 2008

Responda rápido:


Quem é pior:

o austríaco Josef Fritzl, que manteve a filha em cativeiro por longos 24 anos e a obrigou a ter sete filhos dele;

ou

a elite do Nordeste brasileiro (os Sarney, os Gomes et caterva), que mantém o povo inteiro em cativeiro há uns 500 anos e o obriga a ter filhos sem qualquer planejamento, para que a miséria não corra risco de acabar.

Hein? Hein?

sábado, 3 de maio de 2008

Portugal e Brasil


Lisboa e São Paulo.
Certamente, depois dessa Marcha da Maconha, Lisboa sucumbirá diante do Mal.
Ainda bem que São Paulo é terra de flores perfumadas e de pássaros gorjeantes.
Suas sábias autoridades não permitirão que Marcha tão malevolamente solerte perturbe a paz aqui reinante.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Sobre baianos


O coordenador do curso de medicina da Universidade Federal da Bahia, Antonio Dantas, atribuiu o mal desempenho do curso no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) de 2007 ao baixo QI dos alunos.

E esclareceu: Baiano toca berimbau porque tem uma corda só. Se tivesse duas, não conseguia tocar.

É mais um dado a acrescentar à Mitologia do Baiano.

Sempre ouvi dizer que baiano é devagar, calmo, sossegado. Quando estive em Salvador pela primeira vez (e até agora única), aluguei um carro e fomos passear. Descobri, então, que os baianos são os sujeitos mais estressados que já vi na vida. Só um exemplo: numa avenida de três pistas, ao longo do mar, é comum ver um indivíduo colar o seu carro na traseira de outro que trafega pela pista mais à direita e buzinar alucinadamente. Por que ele não passa por qualquer uma das outras pistas permanece um mistério baiano, para mim.

Pra contrariar o tal de Antonio Dantas, há a música que aprendi quando moleque: “baiano burro garanto que nasce morto”.

Quanto aos grandes ídolos da música popular brasileira, de Caetano a Gal, de Gil a Bethania, todos adoram a Bahia. Todos moram no Rio ou em São Paulo.

Parece que, ao contrário da platéia da crucificação, no Calvário, todos sabem o que fazem.

sábado, 26 de abril de 2008

Para conhecer o Brasil


O livro de Nelson Werneck Sodré, O que se Deve Ler para Conhecer o Brasil, publicado no ano em que nasci (1.945), do qual tenho o exemplar n° 937 da 4ª edição (1.973), gasta pouco mais de 400 páginas para dar algumas dicas sobre como conhecer este país através da leitura.
Sempre que me solicitam orientação, recomendo o estudo desse texto.
Vou mudar de postura.
Por tudo que anda acontecendo, parece que para conhecer o Brasil basta estudar a vida e - digamos assim - a obra de Daniel Dantas.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Terremoto em Sampa


Há algum tempo transcrevi aqui o comentário que um amigo, engenheiro civil, fez a propósito de terremotos:
- Não é que o Brasil não tenha terremotos. O Brasil não tem é sismógrafos.
Pois bem. Já temos os tais sismógrafos. Agora há pouco tivemos um terremoto em São Paulo.
Deus seja louvado. A civilização está chegando.