sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Avaliação profissional


Em 1.974, depois de curtir um tempinho de tranca (como inquilino no Presídio Tiradentes) e depois de voltar à docência na USP e perceber que o mar ainda não estava pra peixe, resolvi – finalmente – curvar-me diante da dura realidade: fui trabalhar em empresa, em computação, única coisa que eu conhecia e que dava algum dinheiro. Foi difícil encontrar uma empresa que desse emprego a um cassado político, mas alguma coisa sempre se salva: a Promon Engenharia me contratou.
Trabalhar em empresa, como quase todo mundo sabe, tem como efeito colateral ser avaliado de tempos em tempos pelo chefe de plantão.
O meu, na época, era daquele tipo que se recebesse um memorando de um superior mandando que ele pulasse da janela do décimo andar não titubeava: pulava.
Vai daí, o sistema de avaliação adotado pela empresa naquelas priscas eras consistia em cada um – subordinado e chefe – responder a um mesmo questionário a respeito das qualidades ou defeitos do subordinado. A segunda etapa era uma reunião dos dois para comparar os resultados.
Sentei-me diante do DFL (era a sigla do meu chefe) e começamos a comparar as notas dadas por nós dois em cada quesito.
Surpreendentemente, as notas coincidiam em quase todos os itens.
A exceção era no capítulo “Capacidade de vender ideias aos outros”.
Ele me dera nota alta. Eu me atribuíra nota bem baixa.
Começamos a discutir sobre a discrepância. Por meio de alguns exemplos factuais, foi fácil convencê-lo de que eu estava certo: tinha baixa capacidade de vender ideias aos outros.
Mais do que depressa ele tratou de alterar para baixo a nota alta que me concedera.

Foi aí que observei:
- Acabamos de passar por uma situação em que demonstrei forte capacidade de convencimento do outro. Você comprou minha ideia integralmente.

A reunião acabou por aí. Até hoje não sei que nota ele finalmente adotou para esse item da minha avaliação.

Combustível para a imaginação

E porque hoje é sexta-feira, deliciem-se com as fotos de
Chema Madoz.
(sugestão do Pé de meia)



CLIQUE NO OLHO MÁGICO

domingo, 9 de novembro de 2008

A ilha engraçada


Circula na Internet um áudio, supostamente de programa ao vivo em uma rádio de São Paulo, no qual o locutor pergunta a um ouvinte, por telefone:
- Vamos ver se você acerta: nome de país com duas sílabas; uma delas se refere a algo bom para comer.
E o gaiato responde:
- Cuba!
O locutor, meio sem graça:
- Parabéns pela criatividade. Mas aqui na minha ficha consta como resposta certa “Japão”.

Pois é. Cuba permite piadas sem fim.

É verdade que tem gente que chora, quando vai lá. Tipo Zé Dirceu, por exemplo.

É verdade, também, que se o povo, lá, vive parcamente, há espertos, aqui, ganhando algum dinheirinho com o tema. Fernando Morais, por exemplo.

Agora, início da Era Obama, muita gente ressalta a presumível importância da atitude do novo presidente em relação à ilha de Fidel.

Isso me lembra um episódio lá do final da década de 80. Uma amiga minha, esquerdista habitante de Higienópolis (*), visitou Cuba. Na volta, levei-a à casa de minha mãe, que a conhecia desde pequena.

Minha família sempre teve, em política, uma queda pela direita. Afinal, são quase todos batistas. Minha amiga sabia disso.

Na conversa com minha mãe e o restante da família não parou um instante de ressaltar as virtudes de Cuba. Aquela história de sempre: saúde, educação etc etc.

No caminho de volta à casa dela, segredou:

- Elogiei bastante Cuba porque tua família é de direita. Mas a verdade é que aquilo é um favelão.

(*)tradução, para os leitores portugueses: Higienópolis está para São Paulo assim como Cascais para Portugal.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

De máquinas


Alguém já disse que o italiano é que é feliz: pode chamar qualquer calhambeque de macchina.
Também me parece que o italiano é o único povo que sabe torcer, na Fórmula 1: torce pela Ferrari, não pelo piloto. Ainda que o campeonato seja principalmente de pilotos.
Não entendo bulhufas de automobilismo, mas os que entendem afirmam que o carro é algo como 70 ou 80 por cento do resultado. Ao piloto, sobram parcos 20 ou 30 por cento.
Pode-se discutir esse percentual, mas todos concordam em que o determinante é a macchina.
Talvez por mera coincidência, 2008 ficará marcado pelas vitórias quase concomitantes de dois negros: Lewis Hamilton, na F-1, e Barack Obama, para a presidência dos USA.

Em ambos os casos, exaltam-se as personalidades.
Em ambos os casos, o determinante é a máquina.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Deu(s) Obama

(foto AP, no portal G1)
Enfim, os americanos elegeram o pastel de vento.

Passadas as inevitáveis e entusiásticas comemorações, todos voltaremos à vida real.
Fico com a recorrente pergunta da Mafalda:

(imagem retirada do blog de Reinaldo Azevedo e modificada)

domingo, 2 de novembro de 2008

Avô coruja


Minha neta, que acaba de completar 8 anos, me manda - lá de Westport, CT, USA - uma historinha escrita por ela: A casa mal-assombrada. Tudo a propósito do Halloween.
Comecei a traduzir. Desisti logo de saída, quando me dei conta de que não conseguia encontrar, em português, uma expressão equivalente a bumpy street.
Vai em inglês, mesmo.
Ela é ótima. A história? Sim, também. Mas, claro, refiro-me à minha neta.
Confiram:

The Creepy House

By: Bruna Augusto Silvestre

(October, 2008)



“Hey Clare!” I yelled. “Hey!” She yelled back. I raced down the bumpy street to her. “Do you want to explore the old house down the street? You know, the one with the vines growing up of it,” She asked me. “I don’t know,” I whisper. I thought for a moment or two. “Ok,” I finally decided. “But it will be rough,” I told her. We scampered up the street. When we reached the house it became suddenly dark. Lightning struck. All the houses disappeared, except the old haunted one. We glared at the old creepy vines. We glanced at the green roof. “Bad color for a roof, don’t you think?” Asked Clare. “That roof is colored wood, that green thing is moss,” I answered. Soon it started to rain. We pulled on our hoods and hurried to the porch of the house. Over the porch was a wooden shield. The old, cracked doors slowly opened behind us. When we turned around shaking there was no one that could have opened the door. We looked at each other. “No turning back now,” I said in a low voice. We slowly walked in the wooden house and glanced around the dark, shadowy room. There was a cracked window in the corner, a chair was in the middle of the room, next to it was a wooden coffee table, and a staircase was in the far left hand corner. It looked about ready to fall. Next to it was a fancy doorway that led to the kitchen. We walked closer to the stair case. BOOM!!!! We jumped. The door slammed shut and startled us. We went up two steps. Creeeeeaaaaaak. The stairs creaked. Creeeeaaaaak. We were finally up there. “Ahhhh!” I screamed. “What” Clare said frightened. “Ahhhhhhhhhhhhhhhhh!” She screeched with me. Right in front of us was a ghost, a witch, and a green goblin!!! “Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!” We ran down the creaky stairs, past the coffee table, and out the door. Still screaming we ran all the way to Clare’s house. We were so frightened we flopped on the couch. “Bruna!” I opened my eyes, and found myself in my bed with my mom. “You scared me,” She whispered. “It was just a bad dream,” I said after I stopped screaming. So I closed my eyes again, and Mom left my room.
Happy Halloween


Deixem-me ir pegar um lenço. Estou babando.
:)

sábado, 1 de novembro de 2008

Ao pó voltarás


Pois é. Dizem que um dos presidenciáveis para 2.010, no Brasil, cheira adoidado.
Isso é o tipo da coisa que circula à boca pequena, jamais na grande imprensa. Também, há que se notar, não é possível denunciar sem provas. E as provas, nesses casos, são de difícil concretização.
Da mesma forma, já faz tempo que sei - de fonte pra lá de fidedigna - que um antigo governador da província de São Paulo era traficante de drogas. Digo era porque ele já morreu. E olha que o falecido é tido, até hoje, como paradigma de político.
E daí?
A vida segue. Afinal, do pó viemos.

As coisas acontecem


Há muitos anos, em conversa com uma colega professora, na USP, ouvi dela o seguinte comentário:

- Adoro viajar! A mim me parece que as coisas sempre acontecem .

Para muitos é assim: o dia-a-dia ocorre tedioso, insípido. É preciso correr para , para desfrutar da vida.

Pois bem. Por razões que nada têm a ver com tédio, preparo-me para ir viver em Bragança.

Vai daí que, dia destes, ao percorrer no computador fotos de meu apartamento aqui em São Paulo, no qual já moro há 10 anos, percebi que sentirei enorme saudade dele.

Paciência. Nada se ganha sem que algo se perca.

Ou não.

sábado, 25 de outubro de 2008

Domingo do riso


Amanhã é o dia da grande piada. Ao menos em um bom número de grandes cidades brasileiras. É o dia do 2° turno das eleições para prefeito.
A democracia representativa é uma antiga anedota que continua a ser contada à falta de algo mais engraçado.
Quer algo mais engraçado do que uma dondoca paulistana preocupadíssima com o pessoal das favelas?
E o maridão argentino, então? Uma graça.
O Gabeira, cujo grande pecado foi ter contribuído pra soltar o Zé Dirceu, periga vencer no Rio. Se isso acontecer, vai ser muito engraçado. Parece que ele nunca levou a sério essa possibilidade. Deve estar se perguntando: como será que se administra essa bagunça?!
O único lugar em que se leva eleição a sério é no Rio Grande do Sul. Gaúcho é mesmo um bicho esquisito. E talvez reeleja um cara chamado Fogaça. Deve ser por ser lá a terra natal do churrasco.
Já o eleitor mineiro – ao menos o de Belzonte – está mais pra Garrincha e seus dribles desconcertantes. Uma hora o candidato do PMDB está 10 pontos na frente, três dias depois é o filho bastardo do governador Aécio e do prefeito Pimentel quem ameaça vencer.


Repara só: pra governar a igreja, Cristo escolheu o mais hipócrita dos apóstolos: Pedro. Ele sabia das coisas da política
De tudo isso, o mais engraçado – pra mim – é aquela fala de um apóstolo, dirigindo-se a Jesus:
- A Marta mandou perguntar se o senhor é casado, tem filhos.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Sugestão para a campanha da Marta


CLIQUE PARA AMPLIAR
Ao ler sobre a relação entre Jörg Haider e Stefan Petzner (veja aqui ou, se for assinante Folha ou UOL, pode ser aqui) tive uma ideia que ofereço com todo carinho à candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, para que ela a utilize no debate de hoje à noite na Globo:

Pergunte ao Kassab quem é o Petzner dele.

É só uma pergunta, né? Sem nenhuma conotação preconceituosa.

E mais: essa sim, é a pergunta certa. Afinal, o Haider era casado. Tinha filhas.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Enfim: algo para elogiar


Campanha ateísta em Londres:

CLIQUE PARA LER SOBRE A CAMPANHA

Acaso


Uma filha de casal de classe média alta combina com o namoradinho o assassinato dos próprios pais.
Os tais pais são trucidados a pauladas.
Depois de algum tempo fica-se sabendo que o pai era algo assim como o fiel depositário do caixa 2 de um partido político avícola. E depositava a tal grana 2 em conta da filha.
Claro que ninguém tinha interesse em esticar o assunto. Portanto, ponto final.
Acaso? Coincidência?

Um rapaz e sua esposa espancam a filha dele e ele a joga da janela do apartamento. O pai dele, pressuroso advogado tributarista, esboça um plano para o casal: alguém entrou no apartamento e jogou a menina pela janela. No meu tempo de criança, esse tipo de criminoso era chamado de mentor.
Um rapaz não se sente impedido de jogar a própria filha pela janela.
Afinal, é filho de alguém que não se sente impedido de usar a própria criatividade para ocultar um crime.
Acaso? Coincidência?

Uma menina de 15 anos é assassinada pelo ex-namorado depois de longo seqüestro.
Pouco depois fica-se sabendo que o pai da menina era procurado pela polícia há uns 17 anos. Fizera parte de uma milícia que assassinou muita gente em um estado do nordeste brasileiro.
Assim como costuma acontecer de meninas filhas de alcoólatras-que-espancam-a-mulher procurarem alcoólatras-que-espancam-a-mulher para casar, a menina resolveu namorar um garoto que se revelou assassino frio, tal qual o pai.
Acaso? Coincidência?

Sei lá. Apenas tenho a convicção – que não tenho como provar verdadeira – de que filhos de pais razoavelmente normais – seje lá o que seje isso – não saem por aí dando pauladas em pais adormecidos. Nem pais normais, ainda que bastante (d)espertos, usam sua experiência de vida para encobrir os crimes dos filhos. Do mesmo modo, filhos de pais razoavelmente normais não saem por aí a namorar seqüestradores assassinos.

Podem me xingar. É o que penso.

domingo, 19 de outubro de 2008

Futsal: campeonato mundial?!


Sou do tempo em que esse esporte era chamado de futebol de salão.
Esse negócio de futsal já é de um mau gosto horroroso.

Agora: que diabo de campeonato mundial é esse, em que 35 jogadores são brasileiros?

E com uma seleção brasileira em que quase todo mundo joga na Espanha (8 dos 14 selecionados)?

sábado, 18 de outubro de 2008

E$tado$ da matéria


A Folha de S.Paulo traz, hoje, uma propaganda de banco assim, ó:



E eu, que pensava que o grande orgulho de um banco deveria ser o de ser líquido.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Horário de progresso


Pronto. Taí um jeito de o Brasil aproximar-se de Portugal: dia 19, cá em Pindorama, entraremos no horário de verão. A diferença em relação a Portugal, que era de 4 horas, cairá para 3.
No último domingo do mês, dia 26, Portugal sairá do horário de verão. A diferença cairá para 2 horas, apenas.
Dessa maneira, vamos nos aproximando do tal de 1° mundo.
Não deixa de ser um progresso.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Só bebo Brahma


O blogueiro Reinaldo Azevedo afirma hoje em um de seus posts (não dou o link do post porque o blog dele está com problemas e não fornece o link de cada post):

O tucano que não perceber que seu adversário fundamental é o PT está com a cabeça nas nuvens.

Essa afirmação me lembra aquela turma que fazia questão de só tomar Brahma (ou só Antarctica).
Quando as duas empresas se fundiram, viram suas convicções abaladas.

Parece que é o que acontecerá em breve com o chamado tio Rei.

domingo, 12 de outubro de 2008

Que venha o fim do mundo


Acabo de ler, no hilário blog Uma dama não comenta,uma versão do Atirei um pau no gato ensinado nas escolas do Brasil zil zil:

Não atire o pau no gato
porque isso não se faz
o gatinho é nosso amigo
não maltrate os animais.


Será que essa montanha de energúmenos que orientam a educação no Brasil zil zil nunca ouviu falar de Bruno Bettelheim, em particular de seu livro The Uses of Enchantment: The Meaning and Importance of Fairy Tales, 1976 (em português, Psicanálise dos contos de fadas)?!

A criança PRECISA da, digamos, violência dos contos infantis (e das cantigas também).
Isso é importante exatamente para fazer dela um adulto equilibrado.
E mais não digo por preguiça.
Procurem alfabetizar-se, pedagogos do Brasil zil zil.
(diga-se, parece que em Portugal a situação não é significativamente melhor).

Diante desse quadro devastador, talvez seja mesmo melhor que o mundo acabe.
A crise atual podia providenciar esse final caridoso.

sábado, 11 de outubro de 2008

A crise está brava


Parece que agora o pessoal, na saída do trabalho, sexta-feira, não deseja bom fim de semana: agora é
- Bom circuit breaker pra você.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

E dá-lhe eleições


Não sei por que o Obama ainda não adotou a bandeira da Marta: internet grátis pra todo mundo. Com essa promessa ele enterrava de vez o McCain.
Quanto à Marta, vai ter de inventar novas maluquices para o segundo turno. A internet grátis não funcionou a contento.
E os Institutos de Pesquisa (DataFolha, Ibope etc) não perdem a pose. Erraram tudo. Mas continuam imponentes.
Em São Paulo, elegeram vereador um dos três que apontei aí embaixo como candidatos Spam: o Trípoli.
São Paulo merece. Vejam como ele fica bonitinho com seus animais de estimação:


Ele entope sua caixa de e-mails

No cachorro eu talvez votasse.

E dá-lhe crise


Finalmente acontece alguma coisa que não acontecia desde que nasci. Acabou a monotonia. Crise igual só daqui a mais oitenta anos. Aproveitem.
Eu que imaginava passar a entrada de ano em Bragança, curtindo o friozinho de lá, já tenho dúvidas. Afinal, nenhum economista de respeito se arrisca a afirmar que haverá 2.009.