segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Voltei
E encontrei uma campanha eleitoral em fase final, com propostas que não são jabuticaba mas – me parece – apontam para realizações que ninguém no resto do mundo implementou.
Não sei de quem é a afirmação de que se alguma coisa só existe no Brasil e não é jabuticaba, não presta. Mas faz sentido.
A candidata que lidera as pesquisas em São Paulo afirma categoricamente que irá providenciar Internet banda larga pra todo mundo na cidade.
Ela, tão viajada, tão percorrida (como costumava dizer o grande Pagano Sobrinho, humorista já há muito falecido), deveria parar pra pensar: por que New York, Paris, Roma, Londres etc etc não implementaram essa maravilha ainda?!
Quanto a mim, espero que ela cumpra a promessa. Poderei economizar os setenta reais que pago à NET por mês para ter banda larga em casa.
Tudo isso me faz lastimar a quantidade de horas que já gastei na vida ouvindo abobrinhas dos políticos. Desde os debates sobre se salário era ou não era inflacionário, debates que esquentaram programas de TV no início da década de 60, até a discussão sobre a tampa de concreto que o higiênico Paulo Maluf pretende utilizar para cobrir os rios Pinheiros e Tietê.
E digo higiênico porque, afinal, ele lava até o dinheiro que usa.
Observação: Quanto ao restante da viagem, fantástico. Apenas pessoal demais para publicar aqui.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Vinhais e tais
Minha irmã fez anos logo no dia seguinte ao de nossa chegada a Vinhais. O Isaías, do restaurante Rossio, preparou uma festa inesquecível.

Vinte e poucos parentes compareceram. Foi a chegada triunfal de minhas irmãs e cunhados à terra de nosso pai.
A figura central da festa foi o Sr. Francisco, viúvo de nossa prima Idalina. Ele, que hoje vive em Vinhais, é o último habitante da aldeia de Passos de Lomba que conheceu pessoalmente meu pai.

Para coroar tudo isso, deixo-vos com a lua cheia sobre o Parque Natural de Montesinho, no entardecer da segunda-feira, 15.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Da série o Brasil acabou - X
Parece que estamos em mais uma semana em que o prêmio acumulado da Mega-sena sairá para algo assim como Roraima, Acre, Rondônia etc etc.
Nem jogo dá pra levar a sério nesse país.
Atualização (18/09/2008): E saiu o prêmio para alguém do Estado do Rio de Janeiro. Talvez porque acumulou pouco... Sabe-se lá.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Porto - verão de 2.008
Dizia-se que o verão de 2.008, em Portugal, seria dos mais quentes e secos.
Pois choveu bastante e as temperaturas foram das mais amenas.
Claro que, com a nossa chegada ao Porto, a chuva só ocorreu durante a madrugada. Os dias foram de sol.
Chegamos na quarta-feira, 10, e ficamos hospedados no Hotel Boa Vista, na Foz do Douro, até sábado, 13.
Do quarto, tínhamos esta vista:


Já no dia 10 fomos almoçar na imperdível Adega e Presuntaria Transmontana. Fica em Vila Nova de Gaia, do outro lado do Douro.
Continua excelente ou talvez melhor.
Dia 11 fomos do lado de cá do Douro, em um dos muitos restaurantes da Ribeira, o Chez Lapin. Tínhamos lá estado em anos anteriores. Agora está muito fraquinho. É aquela síndrome-do-restaurante-em-lugar-privilegiado. Como há freguesia garantida, a comida vai piorando, piorando...
Em resumo, uma merda.
Em compensação, no dia 12 fomos almoçar no Cafeína. Maravilha. Fica na rua Padrão, 100. Na região da Foz. Se for ao Porto, não deixe de visitá-lo. O garçom errou ao trazer vinho branco ao invés de tinto, errou novamente ao dizer que borrego era caça (borrego é carneirinho novo), mas a simpatia dele sobrepujava os erros e a comida, ah! a comida.
Não deixe de pedir entrada, prato principal e sobremesa. Não perca nada.
Antes do Cafeína fizemos um rápido passeio pelo Douro (menos de uma hora). Depois do almoço fomos à Livraria Lello, uma das mais bonitas do mundo:




Ainda houve tempo para ver os tubos do órgão da Igreja de Nossa Senhora do Carmo:

Sábado, 13, pela manhã, partida para Braga. Não sem dar uma paradinha para fotografar essa escultura:
domingo, 7 de setembro de 2008
Sou pequeno-burguês:
tanto faz quanto tanto fez
As eleições para prefeitos e vereadores, em todo o Brasil, não me dizem respeito.
Por ser um camarada de classe média, nenhum político tem interesse por mim.
Todas as atenções são voltadas para os pobres.
É um tal de prometer postos de saúde, escolas públicas em que o que mais se alardeia não é o nível do ensino mas a excelência do leite, transporte público de qualidade etc etc.
Quanto a mim, continuarei a pagar plano de saúde, escola privada para os filhos, combustível, manutenção e IPVA de meu carro.
Os políticos estão certos: preocupação com pobre confere maior dignidade ao candidato. Além do mais, pobre é maioria. Dá mais voto.
A única coisa que eles tomam cuidado pra que não aconteça: pobre deixar de ser pobre.
Isso seria uma desgraça.
sábado, 6 de setembro de 2008
Vou a Portugal.
Infelizmente, volto.
Eu havia marcado férias para outubro. Mas uma de minhas irmãs contou-me que ela e o marido iriam a um Encontro de Matemática em Braga, no mês de setembro. Antecipei as férias, convenci minha outra irmã a ir conosco e pronto: vamos os três irmãos, com respectivos e respectiva, passar alguns dias em Portugal.
Aliás, minha irmã e o marido, ambos matemáticos, já lá estão. O Encontro vai de 8 a 12 de setembro (segunda a sexta da próxima semana). Só há pouco tempo minha irmã deixou escapar que o tal Encontro era em homenagem ao marido dela e a outro matemático.
Como ele não é jogador de futebol, quase ninguém no Brasil sabe que ele existe.
É o país que temos.
Ficaremos, minha mulher, minha outra irmã, meu outro cunhado e eu, no Porto, de 10 a 13, sábado. Aí, então, passaremos por Braga para recolher o outro casal e desfrutar um almoço no Restaurante Panorâmico, em Bom Jesus do Monte.
Saciada a fome, seguiremos para minha terra, Vinhais, distrito de Bragança.
Lá ficaremos hospedados em um apartamento do Isaías (primo).
Como felicidade pouca é bobagem, dia seguinte, domingo, 14 de setembro, é aniversário de minha irmã mais velha.
A comemoração será no restaurante do Isaías, com a presença de vários familiares (dos quais, diga-se, minhas irmãs e cunhados conhecem apenas dois que já visitaram o Brasil, há muitos anos).
A partir de segunda, 15, sei lá o que iremos fazer.
Mas contarei tudo aqui, em detalhes.
Desejem boa viagem a nós.
Vantagem adicional dessa viagem a Portugal: ficarei um mês quase inteiro livre da propaganda eleitoral. Aliás, por falar nisso, não poderia deixar de reproduzir aqui a foto genial que o repórter fotográfico Lalo de Almeida (Folha Imagem) conseguiu da candidata Marta Suplicy. Ganhou primeira página com todos os méritos.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Lícitas ações
No tempo em que os animais falavam e eu ainda era dotado de alguma ingenuidade, tive uma conversa com um colega de trabalho durante a qual ele mencionou certo detalhe referente a uma licitação forjada.
Eu, admirado, exclamei:
- Ah! Essa licitação foi forjada?!
E ele, me olhando espantado, como se contemplasse um extraterrestre:
- T-o-d-a-s as licitações são forjadas.
Diga-se que essa conversa já tem quase vinte anos de idade. Mas nossos intrépidos jornalistas continuam a farejar irregularidades em licitações.
Ficou famoso o truque utilizado por Jânio de Freitas para denunciar o fato de os vencedores de uma licitação terem sido escolhidos com antecedência: alguns dias antes da dita licitação, Jânio publicou um anúncio nos Classificados com o resultado da licitação. Tudo devidamente abreviado para garantir que passasse desapercebido.
Depois de proclamado o resultado da licitação, ele mostrou o anúncio publicado com antecedência.
Agora a turma da Folha Online resolveu requintar o truque: espalhou o resultado de uma licitação futura ao longo de texto sobre ópera.
Dois comentários:
1.Daqui em diante, sempre que eu estiver lendo algum artigo da Folha, não poderei saber se o texto é pra valer ou se é simples disfarce de denúncia de alguma irregularidade. Ou seja, pra variar fizeram o leitor de bobo. A pretensa análise da obra de Strauss era, na verdade, uma denúncia contra o governo paulista e contra a empreiteira Camargo Correia.
2.Quem me garante que outros artigos espalhados pelo site da Folha Online não ocultavam denúncia contra as demais empresas concorrentes? Assim, qualquer que fosse o resultado da licitação, haveria um texto para denunciar a falcatrua: vencesse a Andrade Gutierrez, mostrariam ao distinto público uma crítica de romance de Gabriel Garcia Márquez com a vitória da Gutierrez nas entrelinhas; ganhasse a OAS, uma crônica do Cony desmascararia o resultado previamente combinado; etc etc.
Como costuma dizer Mino Carta, é do conhecimento do mundo mineral que as licitações são forjadas. Mas nossos valorosos jornalistas não são muito mais legítimos que elas.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Ciência desvairada
A página de ciência da Folha de S.Paulo, hoje, é – de longe – a melhor produção do jornalismo nos últimos tempos (o tamanho desse “últimos” fica por sua conta).
Primeiro, uma nota sobre o fato de que cientistas estão começando a desconfiar que não se deve chamar os neandertais de estúpidos. Parece que eram apenas diferentes.
Aliás, nestes tempos politicamente corretos, eu diria (vá lá, digo e pronto) que não se deve chamar ninguém de estúpido.
Acontece que a ciência afirmava, até agora, que os neandertais desapareceram porque sua habilidade para construir ferramentas era inferior à do Homo sapiens. Vai daí, um bando de cientistas dedicou anos à análise das ferramentas de uns e de outros e chegou à conclusão: eram equivalentes.
Vejam só: os neandertais viveram aproximadamente 300 mil anos antes de desaparecerem completamente. Não é pouca porcaria. São 150 eras cristãs. Parece que conviveram com o homem moderno, na Europa, por uns 10 mil anos. Sumiram há uns 25 mil aninhos.
Pra mim, que não sou cientista, fica tudo muito claro: eles desapareceram porque já estavam de saco cheio. Afinal, conviver com o homem moderno durante cinco eras cristãs é osso duro de roer. Eu convivo com os ditos-cujos faz pouco mais de 60 anos e já estou porraqui.
Mas essa não é a única matéria interessante, na página de ciência do Folhão. Só que, como eles tinham de encaixar uma enorme publicidade de um automóvel na dita página, sobrou espaço apenas pra uma foto de macaquinhos (crédito da foto: Universidade Emory), com a legenda: Macacos-pregos nos EUA; estudo mostra que espécie fica mais satisfeita ao receber comida e ver amigos ganharem também do que só receber, hábito ligado à formação de redes sociais.
Desde o governo do presidente Sarney, o imortal, cujo lema – pra quem não lembra – era “tudo pelo social” (1.985-1.989), eu não via tanta preocupação com o próximo. Claro que até surgir o insuperável presidente Lulla. Esse ganha até de macaco-prego.
Deixei para o fim a melhor matéria. Ela se espreme entre a propaganda do tal automóvel e a beirada da página. Mas é notável.
Cientistas – sempre eles! – descobriram que as vacas, ao pastar, costumam posicionar-se na direção do norte magnético. Falta descobrir o porquê e, claro, o como.
Dou minhas singelas sugestões: o motivo deve ser alguma superstição. Afinal, tem gente que entende que deve dormir com a cama virada pra não sei onde, começar qualquer caminhada com o pé direito e evitar roupas de cor marrom (olha lá o Zé Sarney novamente!).
Se o Homo Sapiens pode ter essas manias, por que as vacas não?!
De resto, falta descobrir onde fica a bússola, dentro daquele corpanzil.
Vou pensar um pouco e conto pra vocês as minhas conclusões.
Sugestões são – óbvio – bem-vindas.
Ah! Assinantes Folha ou UOL saboreiam tudo isso aqui e aqui(menos a foto dos macaquinhos).
domingo, 24 de agosto de 2008
Quadro final de medalhas - Olimpíadas Pequim 2008
Aqui vai a classificação final das Olimpíadas Pequim 2008.
O critério, claro, foi sempre o de medalhas-por-100 milhões de habitantes.
Clique sobre o quadro para ampliar:
87 países conseguiram alguma medalha. Outros 118 países nada obtiveram.
A JAMAICA FOI A VENCEDORA. Pelo menos até descobrirem o que foi que os atletas jamaicanos fumaram antes das competições.
Portugal ficou em 39° lugar.
O Brasil na 51ª posição.
E não se fala mais nisso.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Padrão Globo de Qualidade
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Era uma vez XXXVI -
Dilma Rousseff, odores e cores
Neste domingo fui a uma feijoada de comemoração do aniversário de minha nora. Lá, encontrei minha ex-mulher e ex-companheira de presídio de Dilma Rousseff.
O ambiente festivo não permitia muita conversa, mas consegui ouvir dela, sobre Dilma, duas coisas interessantes:
Aos 25 anos, Dilma já demonstrava claramente sua vocação para a vida política. O mesmo não era possível dizer quanto a suas habilidades com as tintas: resolvida a pintar as camas da cela em que vivia de cor-de-abóbora ou laranja, pensou que conseguiria a cor desejada misturando vermelho com branco. Resultado: as camas ficaram cor-de-rosa.
Quando da famosa greve de fome do pessoal da ALN, sobre a qual já falei aqui, as meninas que não aderiram à greve estavam um tanto acanhadas ao preparar as refeições. Algumas propuseram que não utilizassem ingredientes com cheiros fortes. As meninas que estavam em greve de fome sentiriam o cheiro e ficaria mais difícil agüentar o sacrifício.
Dilma não titubeou: nada disso. Vamos utilizar os ingredientes de sempre. Elas estão em greve de fome porque querem. Não temos nada a ver com isso.
E assim foi feito.
Prata Portuguesa
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Ainda sobre Olimpíadas
Vou aproveitar enquanto os chineses dormem pra voltar ao tema do critério de classificação:
Arredondando, digamos que o Brasil tem 200 milhões de habitantes e que Portugal tem 10 milhões.
Se o Brasil ganha, digamos, quatro medalhas, isso vale 2 medalhas para cada 100 milhões.
Se Portugal ganha 1 medalha, isso vale 10 medalhas para cada 100 milhões.
E é assim que eu acho que se devam classificar os países nas Olimpíadas.
Por falar nisso, a classificação do dia de ontem em Pequim (dia 14, que acaba de terminar, lá pra eles) ficou assim, no meu critério de medalhas-por-100 milhões:
Medalhas per capita
Tá bom. Já que todo mundo só fala em Olimpíadas, vamos falar também.
Entendo como totalmente injusto o critério de classificação dos países por quantidade de medalhas conquistadas.
A classificação deveria ser por medalhas per capita.
Não tem sentido comparar X medalhas ganhas pela China com as mesmas X medalhas ganhas por, digamos, a Finlandia.
Ora, a China tem mais de 1.300.000.000 habitantes. Já a Finlandia tem pouco mais de 5.000.000. São 260 chineses para cada finlandês.
Vai daí, até agora, início do dia 14 de agosto aqui em São Paulo, a classificação correta seria:
1° - Georgia
2° - Australia
3° - República Tcheca
4° - Finlandia
5° - Eslovaquia
6° - Suiça
7° - Azerbaijão
8° - Coréia do Sul
9° - Alemanha
10°- Itália
Onde estão os gigantes China e Estados Unidos?
Respectivamente, 21° e 15°.
Pra mim não faz diferença. Mas pra quem liga pra isso, deveria fazer.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Rainhas do Telemarketing
Tenho um celular português. Ou seja, tenho um telemóvel. Pré-pago.
Vai daí que costumo utilizá-lo, cá do Brasil, de vez em quando, para ligar para Portugal. Ele funciona, então, em roaming. Por meio da operadora TIM.
De ontem para cá, deixou de funcionar. Sempre que ligava para algum número, ouvia a mensagem, falada por voz feminina e brasileira:
- O número chamado não existe. Por favor, verifique o número discado e tente novamente.
Entrei em contato com a TIM. Expliquei à moça que me atendeu qual era o problema.
Pediu-me o número do celular português, fez-me esperar alguns minutos para verificar e retornou:
- Não consigo saber nada sobre seu celular. O senhor terá de ligar prazEuropa.
Foi o que fiz.
Liguei prazEuropa.
domingo, 27 de julho de 2008
Entrar no céu não é fácil
Ainda no assunto Hinos do Cantor Cristão, há um outro hino – o n° 257 – que continha a seguinte estrofe (a 3ª), que foi posteriormente modificada:
Quem vai debalde querer entrar
Lá no céu? Lá no céu?
Pois se dirá: “Não há mais lugar”
Vais tu? Vou eu?
Quem vai parar na miséria atroz,
Sem mais ouvir a celeste voz?
Vai, por desgraça, qualquer de nós?
Vais tu? Vou eu?

Ora, o advérbio debalde significa em vão, inutilmente.
Quase não é utilizado.
Contudo para nós, garotada da igreja, essa estrofe evocava mais ou menos este quadro:

P.S: Se existir algo que se pareça com o que imaginamos ser o céu, é lá que ficará - felizmente daqui a muuuuito tempo - minha irmã caçula. Ela teve a paciência de escanear esses hinos a partir do Cantor Cristão antigo que ela guarda.
Justo hoje, dia em que ela completa mais um aninho. Beijinhos, mana.
sábado, 26 de julho de 2008
Problemas com a censura
Ontem, nem sei por que, lembrei vagamente de uma piada que minha irmã contava, quando eu era garoto, piada inspirada em um hino do Cantor Cristão.
O Cantor Cristão reúne hinos a serem cantados nas igrejas batistas. Não sei se outras denominações o utilizam. Os hinos têm títulos mas os fiéis costumam conhecê-los pelo número de ordem deles no Cantor Cristão.
Vai daí, pedi a minha irmã que me dissesse qual o número do hino da piada.
Ela, por sorte, mandou-me, além do número, a partitura escaneada do Cantor Cristão dela.
Digo por sorte porque, logo que vi qual era o número, ao invés de abrir o anexo do e-mail com a partitura, peguei o Cantor Cristão da Baixinha (presente de minha outra irmã, de edição bem mais recente do que aquele do qual minha irmã escaneou a partitura) e procurei o dito cujo: hino 472.
Li, reli, nada.
Não sei se vocês sabem, mas os hinos evangélicos são compostos, em geral, de algumas estrofes e um estribilho. Canta-se a primeira estrofe, seguida do estribilho. Em seguida, a segunda estrofe, também seguida do estribilho. Etc etc.
Fui então ao anexo do e-mail. Constatei, surpreso, que o hino 472, que no Cantor da Baixinha tinha quatro estrofes, no Cantor de minha irmã tinha cinco.
Adivinha qual a estrofe que falta no Cantor da Baixinha?
Acertou: a estrofe da piada. Censuraram a piada.
Pra não dizerem que minto, aí vão as duas partituras, para comparação.
Falta só contar a piada.
Na nossa igreja, em Santos, existia uma senhora portuguesa, de algumas posses, chamada Generosa.
Conta a lenda que num belo domingo convenceu sua empregada doméstica a acompanhá-la à igreja. A moça era negra. Hoje seria afro-descendente.
Ao chegarem ao templo, o culto já começado, cantava-se justamente o hino 472. Sua 2ª estrofe:
Hoste negra vem chegando,
Temerosa, atroz;
Vêm fileiras avançando
Com ardor feroz.
A moça levou um enorme susto. Ela entendeu assim:
Esta negra vem chegando,
Generosa atrás.
Imagine ser recepcionado dessa maneira, num lugar desconhecido, por um coral de centenas de vozes.
Portugal e Brasil: paralelos históricos
Pedro I, que reinou em Portugal entre 1.357 e 1.367, ficou famoso – entre outras coisas – por sua paixão por Inês de Castro.
António Sérgio, em sua Breve Interpretação da História de Portugal, nos conta que:
D. Pedro, a ajuizar pelas descrições de Fernão Lopes, o grande cronista, foi uma espécie de semi-louco, plebeu de modos, galhofeiro, violentíssimo na cólera, com a mania da justiça, ou melhor, da punição, e preciosos dotes de administrador. Segundo o testemunho daquele escritor, “diziam as gentes que tais dez anos nunca houve em Portugal como estes que reinara el-rei D. Pedro”.
Parece-me já ter ouvido, deste lado do Atlântico, algo semelhante.
Terá sido por tais coincidências que Lulla, ao final do jogo com o Grêmio, no final do ano passado, quando o Corinthians foi rebaixado à segunda divisão do Campeonato Brasileiro de Futebol, teria exclamado:
- Agora, Inês é morta.
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