segunda-feira, 14 de julho de 2008
ConversAfiada
Depois de trabalhar durante anos na TV Globo, depois de produzir um blog no portal IG no qual defendia com unhas, dentes e o resto do corpo o governo Lula, eis que Paulo Henrique Amorim surtou. Pelo menos é a única explicação que encontro para a reviravolta que se operou em seus textos.
PHA, como ele mesmo se intitula, chutou e continua chutando todos os paus de todas as barracas.
Imperdível. Impagável.
Vá até lá, correndo.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Para Elsa Joana
O vídeo com a música de Edu Lobo e Chico Buarque na voz de Adriana Calcanhoto é minha homenagem à neta de minha prima Zelinda, Elsa Joana de Morais Nunes Ribeiro Alves ou, simplesmente, Elsa Ribeiro Alves.
Ela, que vive com os pais em Bragança, Portugal, acaba de conseguir a única vaga disponível para o seu nível na Escola de Dança do Conservatório Nacional de Lisboa.
Com direito a matéria no Mensageiro de Bragança (clique aqui).
E parabéns, também, pelo aniversário, anteontem.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Nove de Julho
Feriado em São Paulo. Dia de comemorar a revolta de São Paulo contra o resto do Brasil. Não é bem assim? Tá bom. Deixa pra lá. Quando tiver um tempinho, leia, por exemplo, 1932: A Guerra Paulista, de Hélio Silva, Editora Civilização Brasileira. Tem em tudo quanto é sebo. Meu exemplar é da 2ª edição, 1.976.
Bom mesmo foi comer a feijoada do Salada Record, ao lado do Brahma, esquina de Ipiranga com São João. Delícia de feijoada, acompanhada de caipirinha de cachaça Seleta. Magnífica.
Tudo incrivelmente barato. E servido pelo Chico, garçom impecável. Simpatia pura. Na companhia do amigo Amadeu. Melhor impossível.
Na onda da São Paulo moderna, fui sem carro, pra poder beber à vontade e não voltar dirigindo. Os vigilantes estão, agora, dando plantão nas portas de bares e restaurantes. O cidadão sai, pega o carro e eles logo se aproximam, bafômetro em punho.
É isso mesmo. Tá certo.
Depois, visitinha à tia Jessa, mergulhada em seu mal de Alzheimer, mas ainda em estado inicial da doença. Ela é o xodó da Clínica. Está sempre alegre. Canta, dança e conforta os outros velhinhos. Estar com ela me faz sentir a imensa maravilha que é estar vivo. De algum modo misterioso ela me transmite esse sentimento.
Obrigado, tia. Fico a dever-te isso.
Minha primogênita me envia e-mail: adivinha onde estou, pai. Num restaurante em Paris.
Pois é. Ela foi a trabalho por três dias. Claro, ficou maravilhada com a cidade que ainda não conhecia. E eu, que pensava que ela não gostaria de Paris.
Amanhã a roda continuará a girar.
E eu, quem sabe, me livrarei dessa gripe que me assola.
Assola mas não impede que me divirta.
(e não é que esse blog virou diário de adolescente!?)
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Matamos teu filho mas pedimos desculpas
A estúpida morte do menino João Roberto mereceu comentários do Governador do Estado do Rio de Janeiro, do Secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, do Comandante do 6° Batalhão da Polícia Militar, comandante dos assassinos.
O Secretário pediu desculpas.
Escárnio em estado puro.
O Secretário e o Comandante deviam simplesmente pedir demissão. No mínimo.
Mas isso nem passa pela cabeça deles. Eles falam em punir os subordinados que praticaram a lambança abominável. Quanto a eles, nada têm a ver com tudo isso.
Apenas pedem desculpas.
domingo, 6 de julho de 2008
Cassetada nos fatos
A sra. Bia Abramo, que escreve aos domingos na Folha de S.Paulo sobre TV, costuma cometer atentados contra a língua portuguesa aproveitando o clima de impunidade reinante em Pindorama.
Neste domingo, resolveu mudar de vítima. E feriu gravemente a história do Casseta & Planeta, programa fúnebre das noites de terça-feira na TV Globo.
Ensina a mestra:
O "Casseta" surgiu do "TV Pirata", que, por sua vez, é a aventura televisiva do "Planeta Diário", semanário que mudou os parâmetros de humor nos anos 80. De alguma maneira, todas as produções dessa linhagem inverteram a equação do humor a partir do final dos anos 70. Retomando, de certa forma, a esculhambação do "Pasquim", o "Planeta Diário" revolve o humor político em sentido quase que oposto ao da imprensa de resistência e, de quebra, revela um sentido de comicidade das contradições do cotidiano brasileiro, de forma menos edulcorada, mais "da rua" que seus antecessores.
(Assinante Folha ou UOL lê a íntegra aqui.)
Seja lá o que a moça quis dizer com essa ladainha gongórica, a questão é que a origem do programa de TV Casseta & Planeta é o jornal Planeta Diário mas é – também – a Casseta Popular.
O humor do Planeta Diário era bastante diferente do produzido pela revista Casseta Popular. Era muito mais sofisticado. A Casseta Popular fazia um humor mais grosseiro, ainda que nem sempre ruim.
Com a ida dos dois grupos para a TV, predominou, claro, o tipo de humor da Casseta Popular.
Antes de escrever, dona Bia podia ler, ao menos, este resumo da Wikipedia. Afinal, os atentados dominicais que ela perpetra são reproduzidos em mais de 400.000 exemplares da Folha.
sábado, 5 de julho de 2008
Wimbledon:
final sem sal nem açúcar
Antigamente, quando se queria dizer que alguma coisa era totalmente sem graça, dizia-se que era como dançar com irmã(o).
Agora talvez seja preferível dizer, de alguma coisa insossa, que é como final de torneio do Grand Slam entre irmãs.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
A Lei de Ricupero
Certa vez, nos estúdios da Globo em Brasília, um animado ministro do governo Itamar Franco, Rubens Ricupero, sem saber que sua conversa com o entrevistador Monfort estava sendo transmitida para todo o Brasil, confessou: “No governo é assim: o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde”.
Isso parece valer também para os blogs de política. Sobre a libertação de Ingrid Betancourt, os blogs alinhados ao governo, ao PT etc, aqueles que se referem à grande imprensa pelo apelido de PIG (Partido da Imprensa Golpista: Folha, Estadão, Globo, Veja etc), passaram batidos. Para eles, nada aconteceu. Vejam, por exemplo, as últimas notícias no Conversa Afiada de Paulo Henrique Amorim:
Já os pitbulls da direita chegam até a achar que a história de que Ingrid estava à beira da morte era contra-informação das FARC.
Engraçado, mesmo, é o blog de política (sic) de um tal Mello. No dia de ontem, o único post publicado foi sobre como enrolar os fios dos fones de ouvido sem se enrolar [com as notícias que não nos favorecem].
Resgate da verdade
Não nutro a menor simpatia pelas tais FARC.
Agora, passar anos ouvindo dizer que Ingrid Betancourt está à beira da morte e - de repente - vê-la saltitante e mais saudável que nunca é, no mínimo, estranho.
Parece que é pedir muito mas será que alguém poderia contar a verdade sobre todo esse episódio?
sábado, 28 de junho de 2008
Nossos heróicos bombeiros
Há alguns aninhos, ao olhar pela janela da sala de meu apartamento percebi o início de um incêndio no bosque existente próximo ao prédio em que resido.
Liguei imediatamente para o Corpo de Bombeiros. Dei os dados e recebi a informação de que as devidas providências seriam tomadas.
Passada uma meia hora, o fogo se alastrando, liguei novamente. Disseram-me que tudo tinha sido providenciado. Alertei-os para o fato de que não havia aparecido ninguém para conter o fogo.
- Fique tranqüilo. Já foram tomadas as providências.
Fiquei tranqüilo. Quem não ficou tranqüilo foi o fogo, que consumiu um pedaço nada desprezível do bosque.
Até hoje, aguardo – tranqüilo – que os bombeiros apareçam.
O fogo apagou, aparentemente sozinho, algum tempo depois.
No lugar das árvores, surgiu, uns dois ou três meses mais tarde, um belo empreendimento imobiliário.
Só então me dei conta de quais tinham sido as providências tomadas.
terça-feira, 24 de junho de 2008
Humor afro-descendente
Minha caçula, que me superou em matéria de humor negro, garantiu que o Alexandre Nardoni, quando acabar de cumprir pena, já tem onde trabalhar:
Escritório de Advocacia Mattos Filho.
sábado, 21 de junho de 2008
Conclusões - 1
Chego, só aos 63 anos, à conclusão a que já chegara Capistrano de Abreu aos 48, ao explicar sua recusa em aceitar ser membro da ABL:
Ele conta, em carta a um amigo, que não quis fazer parte da Academia Brasileira de Letras por ser "avesso a qualquer sociedade, por já achar demais a humana".
Correspondência, Vol 1, 2ª edição, 1977, página 152
Desejos - 1
Talvez queira eu morrer ao cair de uma cadeira pouco estável que, por preguiça, tenha usado pra não ter de buscar a escada para pegar Grande Sertão: Veredas, lá na terceira prateleira, em meio a outras relíquias.
Seria talvez dolorido.
Mas, certamente, um dos poucos modos dignos de morrer.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
A falseta do padre Júlio Lancelotti
Faz algum tempo, o padre Júlio Lancelotti acusou um rapaz de tentativa de extorsão. A história era novelesca: envolvia possíveis relacionamentos sexuais do padre com o acusado, utilização de muita grana de uma ONG à qual o padre é ligado para comprar automóveis de luxo pro rapaz etc etc.
Como o padre é bem relacionado (seu advogado é o inefável Luiz Eduardo Greenhalgh, deputado pelo PT, ex-advogado de presos políticos (ah! essa turma!), ex-vice-prefeito de São Paulo, às voltas com histórias de suborno por parte da empresa Lubeca etc etc), o resultado líquido do imbróglio foi:
1. Decretaram segredo de justiça no processo;
2. Prenderam os acusados (o tal rapaz, sua mulher e dois irmãos envolvidos na acusação);
Agora, passados 7 meses, soltaram o rapaz, a mulher e os irmãos e caiu sobre o caso o mais ruidoso silêncio.
Vi uma discreta notícia na Folha de S.Paulo, dia 11, agora, quarta-feira. Um trecho dela:
Vinte quilos mais magro, Anderson Marcos Batista, 26, acusado pelo Ministério Público de ser o chefe da suposta quadrilha que teria extorquido dinheiro do padre Júlio Lancelotti, 59, foi solto ontem pela Justiça após sete meses preso.
"A Justiça mostrou que sou inocente", afirmou ele ao deixar o Centro de Detenção Provisória do Belém, na zona leste.
Além dele, sua mulher, Conceição Eletério, 44, também acusada, deixou ontem a Penitenciária Feminina do Estado.
"Estou revoltada. Ficamos presos sem nunca termos sido culpados", disse ela, que pretende estudar a possibilidade de entrar com uma ação indenizatória contra o Estado.
Anteontem, outros dois acusados, os irmãos Evandro, 29, e Everson Guimarães, 27, que estavam presos com Batista, já haviam sido soltos. Os quatro foram absolvidos pelo juiz Julio Caio Farto Salles, da 31ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça. Segundo o advogado Nelson Bernardo da Costa, seus clientes "foram absolvidos por insuficiência de provas".
No ano passado, o padre Júlio, que atua na Pastoral do Povo de Rua e é um dos principais defensores dos direitos de adolescentes infratores, procurou a Polícia Civil acusando Batista e os outros três por ameaças falsas de pedofilia. Procurado, o padre não quis falar. [...]
Assinante Folha ou UOL lê a íntegra da matéria aqui.
Não faltam, na imprensa, indignados defensores do tal padre. Só pra dar um exemplo, leia aqui o panegírico esculpido por um Walter Falceta Jr., merecedor do sobrenome que carrega, autor de um Guia Sexy de São Paulo. Aliás, espero que ele, em seu Guia, não tenha esquecido de incluir o padre entre as atrações do ramo na paulicéia desvairada.
Já pra cobrar uma mísera explicação quanto ao fato de deixarem presos cinco indivíduos durante 7 meses e depois soltá-los como quem vai às goiabas, só encontrei, na imprensa, a indignação de Barbara Gancia, aqui (para assinantes Folha ou UOL). Leiam dois trechos:
Quero saber se quem mentiu no caso do padre Júlio receberá o mesmo tratamento de quem disse a verdade
Não é possível saber os pormenores do julgamento, uma vez que o processo correu em segredo de Justiça. Mas ainda há algumas dúvidas antigas por esclarecer no caso do padre Júlio Lancelotti, famoso por defender os direitos dos adolescentes, que no ano passado acusou de extorsão o ex-interno da Febem, Anderson Marcos Batista, a mulher dele, Conceição Eletério, e os irmãos Evandro e Everson Guimarães.
Detidos desde outubro de 2007, o ex-interno, a mulher e os dois irmãos acabaram absolvidos e soltos.
[...]
Quero saber se a história fica por isso mesmo. Quero saber se quem mentiu neste caso receberá o mesmo tratamento de quem disse a verdade e, enxerida que sou, quero saber também de onde vieram os tais R$ 700 mil que o padre teria dado ao antigo protegido.
Eu também.
sábado, 7 de junho de 2008
Deus é fiel
(mas a Justiça, nos EUA, não quer saber disso)
A bispa Sonia, aquela que fala com voz de choro, foi solta hoje.
Mas ela e o maridinho apóstolo ainda têm de cumprir dois anos de liberdade vigiada, nos EUA.
No Brasil, o pessoal da igreja Renascer continua a acreditar que tudo não passa de armação do demônio.
Além da pergunta que o Zé Simão já fez em sua coluna na Folha de S.Paulo (por que a bispa Sonia não curou o joelho do Kaká?), resta o ridículo absoluto de todo esse imbróglio.
Mas se as pessoas preferem o engano, fazer o quê.
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Que você fará com as cinzas de seu parceiro?
A cantora Courtney Love deu uma resposta fofa a essa pergunta: colocou (parte) das cinzas do marido - Kurt Cobain - em uma bolsa pink em forma de ursinho. A informação tornou-se pública porque parece que furtaram a tal bolsa.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Na cabeça
Os políticos, pelo menos no Brasil, são – cada vez mais – meliantes à procura da imunidade parlamentar. Parece ser bem melhor ser julgado pelo Supremo do que em primeira instância, por um juizinho qualquer. O trâmite é tão demorado que vale a pena, ops!, vale a não-pena.
Vai daí, lembrei-me de uma figura ímpar, que conheci em meados de 1.988. O obeso Moisés Lipnik.

Ele era filho de banqueiro de Miami. Parece que logo que alcançou a maioridade, o pai lhe deu uma grana e disse, a la Drummond:
- Vai Moisés. Vai ser gauche na vida.
E Moisés aportou no Brasil da ditadura militar, do general Golbery.
Contava ele que começou a – digamos – carreira intermediando um grupo de empresários japoneses que pretendiam estabelecer negócios no Brasil.
Vendeu a eles a idéia de que poderia obter entrevista com o general Golbery. Conseguiu marcar a audiência e lá foi ele, levando os japoneses a tiracolo.
Uma vez diante do general os japoneses expuseram suas pretensões e foram ouvidos com respeito, mas com distanciamento.
Ao saírem, Lipnik avisou aos japoneses que precisava retornar para entregar o cheque ao general. Cheque dos japoneses, claro. Voltou à sala do general, os japoneses olhando à distância, e entregou a Golbery um cartão de visita.
Manobrou, junto a assessores do general, para que os propósitos dos japoneses se realizassem.
Tudo deu certo. Ele, que dissera ter entregue o cheque ao general, ganhou seu primeiro milhão de dólares.
Não sei se esta história é fantasiosa ou não. Eu a ouvi do próprio Lipnik.
A questão é que, quando eu o conheci, ele já era podre de rico, casado com uma ex-miss Miami (meus amigos brincavam de adivinhar quanto ele teria pago por isso) e candidato a senador por Rondônia (ou terá sido Roraima?). Tanto faz. Ele nunca estivera em nenhum desses lugares.
Lipnik era virtuose do telefone. Isso no tempo do telefone de fio. Aboletava-se em uma cadeira do escritório em que eu trabalhava, agarrava o fone do telefone e começava a falar, sem parar. Segurava o fone com – digamos – a mão direita. Ao longo do diálogo, trocava de mão deslizando o fone ao longo de sua enorme barriga. Como dizem os locutores esportivos, o fone descrevia uma parábola e encaminhava-se à outra orelha do Lipnik. Isso não interrompia, de modo algum, a conversação. Ao contrário, parecia dar-lhe ritmo.
Vou já adiantando que Lipnik elegeu-se deputado federal (por Rondônia ou por Roraima?), nem sei por quantas vezes. Com isso, conseguiu empurrar com a barriga (e que barriga!) várias ações contra ele. Morreu ileso.
Mas, nessa época, no longínquo 1.988, ou 1.989, Lipnik era candidato a senador. Nada mais, nada menos. Seus cabos eleitorais esfalfavam-se, em Rondônia (ou terá sido Roraima?), para desenvolver sua campanha. Quase foi eleito.
Belo dia, estávamos no escritório, quando liga um desses cabos eleitorais. A dúvida: estamos confeccionando bonés para sua campanha. Vamos escrever o quê, nos bonés.
Lipnik não chegou a pensar 20 segundos:
- Lipnik na cabeça!
sábado, 24 de maio de 2008
International Red Flag Country
Tudo começou em fevereiro deste ano, quando nos preparávamos para ir visitar minha filha mais velha em New York. Temos primos em Bragança, Portugal, cuja filha estuda ballet. Eles já haviam comentado conosco a respeito da dificuldade de encontrar o equipamento necessário para os treinos da filha. Como parece haver de um tudo em New York, pedi a eles que me dissessem o que comprar. Meu primo, talvez para ser gentil e não responder que não era preciso comprar nada, pediu-me que, se possível, comprasse uma tal de Resistaband GM-503, da AllAboutDance.

Já em Manhattan, começamos a visitar – entre outras lojas – as especializadas em equipamentos para ballet. E nada. Uns nem sabiam do que se tratava. Outros diziam saber e indicavam outra loja onde certamente haveria o que procurávamos. Como as tais faixas acompanham um livro de exercícios, procuramos em livrarias, lojas de revistas etc etc.
Nada.
Em nosso último dia em New York, ao visitar uma enorme loja de equipamentos para ballet, consegui o endereço dos escritórios da Gaynor Minden na cidade. Não havia garantia de que, lá, eles vendessem os próprios produtos. Nem houve mais tempo de ir até lá.
Voltei ao Brasil injuriado. Ir a New York e não conseguir comprar uma única faixinha GM-503 para minha prima. Isso não se faz.
Resolvi encomendar pela Internet. Claro que não se tratava de atitude racional. Encomendar pela Internet eles mesmos poderiam encomendar, lá de Bragança. Mas não combinei com ninguém de ser sempre racional.
Feito o pedido, esperei que chegassem a minha casa, em São Paulo, as já famosas Resistabands.
O que recebi, ao invés de, foi um e-mail com um título igual ao deste post. Não sei bem como traduzir essa expressão. Mas “red flag”, no caso, tem cara de “lista negra”. Olha só o conteúdo do e-mail, seguido de uma tradução meia-boca mas que serve pra quem não entende patavina de inglês:
Thank you for your order. Unfortunately, we do not ship to Brazil at this time. We used to, but encountered numerous delivery problems. We are currently researching ways to guarantee the safe delivery of our packages to your country, while at the same time keeping shipping rates as low as possible. We hope to resume shipping to Brazil in the future. In the meantime, we have cancelled your order, and you have not been charged at any time.
Thank you.
AllAboutDance
Gratos por seu pedido.Infelizmente, não estamos fazendo remessas para o Brasil atualmente. Antes fazíamos, mas tivemos muitos problemas de entrega. Estamos buscando meios de garantir a entrega segura de nossos pacotes em seu país, tentando ao mesmo tempo manter taxas de envio tão baratas quanto possível. Esperamos voltar a fazer remessas para o Brasil no futuro. Nesse meio tempo, cancelamos seu pedido e você não foi cobrado por nada.
Gratos,
AllAboutDance
E quando eu digo que o Brasil acabou, tem gente que acha exagero.
Refiz o pedido, agora pedindo para fazerem a entrega em Bragança, Portugal.
As GM-503 já devem estar chegando lá, com a graça dos deuses.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Marcha para Jesus: apologia de crime
Vamos lá: muita gente fica cheia de dedos para afirmar que o pai e a madrasta da menina Isabella foram os seus assassinos. Mesmo depois da versão de uma terceira pessoa ter se transformado em piada. O argumento é sempre aquele: o cidadão só é culpado depois de sentença transitada em julgado. Beleza.
Agora, vem cá: o tal apóstolo Hernandes e sua bispa não foram já julgados, condenados e até já estão cumprindo pena? Então, pelos mesmos pesos e mesmas medidas, são culpados de crime. Se preferirem: são, sim, criminosos.
Vamos, então, ao artigo 287 do Código Penal:
Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime:
Pena - detenção, de 3 (três) a 6 (seis) meses, ou multa.
O pessoal que participou da tal Marcha para Jesus fez exatamente isso: enaltecimento de um criminoso. Publicamente.
O fato de tratar-se de um milhão e meio de pessoas não as torna menos incursas no artigo 287. Como na piada do mexicano:
- Un loco no! Miles de locos!
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Tempo ganho
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