domingo, 19 de agosto de 2007

Vinde comer a Passos


A idéia foi da Baixinha. Saiu a fotografar frutas, verduras, tubérculos e vai por aí. E, no final das contas, gerou este post.
Vejam o que há para comer em Passos (entre outras coisas mais):

Cebolas:


Tomates:


Pimentões:


Couves e Repolhos:
Couves são as esverdeadas:


Repolhos são os azulados:


Cabaças (abóboras):


E agora, as sobremesas:

Castanhas:


Maçãs:


e Peras:



Água na boca? Vinde a Passos.
Há muito, muito mais.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Festa em Passos


Os que costumam freqüentar este Bazar sabem que não sou lá muito chegado a religiões. Para ir direto ao ponto, sou ateu. Já houve época em que me dizia agnóstico. Mais recentemente cheguei à conclusão de que isso de agnóstico é dar muita importância à coisa. É mais fácil ser ateu e pronto.
Mesmo assim, fiquei feliz ao saber que ainda na minha geração produziram-se dogmas. Eu sempre pensei que essa coisa de milagres, dogmas, enfim, marcos realmente importantes da vida religiosa, tais como multiplicar pães e peixes, transformar água em vinho etc, era coisa de tempos passados. Pois hoje, depois de saber tratar-se – o dia 15 de agosto – de feriado nacional em Portugal, fui informar-me a respeito. Pois não é que fiquei sabendo que nos primeiros séculos da era cristã dizia-se de Maria que ela tinha dormido, não morrido.
Lá pelo século VIII, já que quem conta um conto aumenta um ponto, passou-se a dizer que Maria subira aos céus, de corpo e alma. Estava estabelecida a Assunção de Nossa Senhora. Pois bem, só em novembro de 1.950, quando eu já me preparava para freqüentar os bancos escolares, o Papa Pio XII resolveu transformar a história em dogma. Pronto. Maria subiu de corpo e alma aos céus e não se fala mais no assunto.
Toda essa conversa mole pra dizer que domingo, 12 de agosto, foi festa de algum(a) santo(a) em Passos.
Nunca vi tanta gente em minha aldeia.
Missa, procissão, comemorações completas.

Passam os andores
Todo mundo quer ver a procissão passar
Quase não consigo fotografar a procissão
Contudo, o grande furor do dia foi o novo Café.

Ninguém deixou de visitar o Café
De propriedade de Otavio Marcelo, a nova sensação de Passos foi prestigiada pelos irmãos de Otávio, Marciano e Isaías. (este post ameaça transformar-se em programa do Amaury Jr.)

Marciano à esquerda, Isaías à direita
Um montão de gente foi lá, tomar café ou saborear um fino (chopp), além de – claro – jogar conversa fora. Quase não havia mais lugar pra tanto automóvel.



Enquanto isso, crescem as uvas.





domingo, 12 de agosto de 2007

Salamanca e espirros


A viagem de Guarulhos a Madrid foi excelente. O avião saiu no horário (o que, no Brasil, hoje em dia, já é um milagre). Quase nenhuma turbulência. A Baixinha dormiu cinco horas seguidas, como pedra. Eu, dei minhas cochiladas.
De manhã cedo (em Madrid, 7 da manhã; no nosso organismo, 2 da madrugada), pegamos o carro alugado e rumamos para Salamanca. Era pra ser um Peugeot 307, mas nos deram um Toyota com cara de Rolls Royce. Coisas de japonês. Aliás, coisa de asiáticos. Eles vêem um carro que acham bonito, vão e fazem melhor e com o mesmo jeitão. Pra dar uma idéia, o Toyota já rodou de Madrid a Salamanca, daí para Bragança e não usou nem meio tanque (diesel). Deve usar ar de vez em quando, pra economizar combustível.
Mas vamos devagar com o andor. Vamos falar de Salamanca. Já na saída do aeroporto a Baixinha começou a espirrar. A crise de espirros só fez aumentar ao longo do caminho. Paramos algumas vezes em lugarejos à beira da estrada para comprar mais lenços de papel e qualquer remédio que servisse pra diminuir a malfadada crise. Aprendi, com isso, que dono de farmácia, na Espanha, é como dono de farmácia no Brasil. Receita com a maior tranqüilidade, sempre garantindo sucesso absoluto.
Já em Salamanca, fomos almoçar antes que todos os restaurantes fechassem. Não fomos felizes. Serviram-nos um Cogote de Merluza na grelha. Veio um tanto cru. Se o peixe soubesse falar, teria falado.
Como a crise de espirros da Baixinha continuava tão intensa quanto a crise do Renan no Senado, fomos para o Hotel dormir um pouco. Antes, passamos na Plaza Mayor (praça que parece que toda cidade espanhola tem).
Estava quase vazia, como você pode constatar pelas poucas fotos que consegui tirar durante o dia:

Lá ao fundo, entrada da Plaza Mayor
Plaza Mayor durante o dia
Foto tirada da rua Azafranal, onde fica o hotel que nos hospedou
Parcialmente refeitos do fuso horário e – principalmente – dos espirros da Baixinha, fomos jantar no El Zaguán. Desta vez a sorte ficou do nosso lado. Refeição impecável.

Cozinha e serviço impecáveis
Íamos voltar pro hotel quando percebemos que pequenas multidões nem pensavam em dormir. Partimos, então para a Plaza Mayor.
Fantástico.
Pessoas, muitas pessoas, sentadas no chão, nos bancos, conversando, tomando sorvete, curtindo o verão.

Lindíssima, a praça
Gente sentada no chão.
E gente...
...muita gente
Mais gente
Até que horas?
No verão, tanto em Espanha quanto em Portugal, pouco se dorme.
E é impossível não dizer: há uns quarenta anos atrás, pouco mais, pouco menos, a Espanha era uma droga. Brincava-se que Portugal e Espanha eram os países mais avançados de África. De lá para cá, os espanhóis resolveram valorizar-se. Reinventaram o país. Hoje, a Espanha é maravilhosa. Os espanhóis têm um padrão de vida invejável.

Se o Brasil tomasse vergonha na cara e começasse a mudar, quem sabe daqui a uns quarenta anos não seria um lugar maravilhoso. Quem sabe.

Amanhã, vamos falar sobre Bragança. Se as festas de Passos deixarem.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Para carregar baterias


Começa agosto. Dia 9, quinta da semana próxima, lá vamos, a Baixinha e eu, recarregar baterias. Destino: Bragança. Chegada a Madrid, dia 10, uma paradinha em Salamanca, para um primeiro contato com a cidade. Dia 11, imersão na terrinha. Já não é sem tempo. A energia está quase esgotada.

Uma vista de Bragança. Outras virão
Pena que seja só até dia 25, quando voltaremos a Madrid para voar de volta a São Paulo.
Minha irmã mais velha comentou que não entendia como nós podíamos gostar de lugares tão desertos. Por isso, vou fotografar Bragança de modo a mostrar a ela que a cidade é linda e dotada de tudo aquilo de que necessita uma cidade decente.
Por enquanto, fica o esperar pela festa que - como diz o ditado - é o melhor. Será?

terça-feira, 31 de julho de 2007

Notas de 30 reais
(ou, Notas reais de 30)


1. Muita gente reclama que os políticos, no Brasil, estão fazendo política pra eles mesmos. É verdade. Mas, agora, parece que os jornalistas também resolveram fazer jornal só pra eles.
Domingo passado, final do Pan Rio 2007, a Folha publicou – na primeira página do caderno do Pan – essa informação aí da figura abaixo:


Hoje, terça, em sua melhor seção – Erramos – a Folha faz a correção:

PAN RIO 2007 (29.JUL, PÁG D1) O Brasil ganhou no sábado, dia 28 de julho, 11 medalhas de ouro, e não dez, como descreve linha-fina em parte dos exemplares.

I beg your pardon: LINHA-FINA?!? Que diabo é isso?

Será que não seria melhor falar a linguagem do leitor?

Isso pra nada dizer sobre o sonho de superar Cuba.
Uma miserável ilhota, com pouco mais de 11 milhões de habitantes, que deixou o Brasil continental, com seus quase 200 milhões de habitantes, pra trás, no tal Pan.

2. Em um país no qual 99% dos motoristas de automóveis jamais passaram os olhos pelo Código Nacional de Trânsito, o tri-campeão de Fórmula 1, Nelson Piquet, é obrigado a assistir a aulas de trânsito, em Brasília.
País das maravilhas.

3. O candidato Geraldo Alckmin, candidato a tudo quanto é cargo eletivo (presidente, prefeito, governador etc), até onde sei não nasceu em família abastada. Já lá pelos 18 aninhos tornou-se político profissional. Durante toda a vida foi apenas isso: político profissional.
Dia desses, casou a filha com pompa digna de sultão.

Quase ninguém pergunta de onde vem a dinheirama.
Aliás, perguntar pra quê. Todo mundo sabe.

sábado, 14 de julho de 2007

Oi!


Assisti a boa parte da abertura do Pan. Pela rede Globo, com a narração do inefável Galvão Bueno.
Como todas as outras aberturas de Pans, Olimpíadas, Copas do Mundo e que tais, esta também foi cheia de luzes, cores, sons. Tudo bastante kitsch, bastante oba-oba.
Afinal, somos mestres em desfiles de carnaval.
Os dois pontos altos dessa abertura, para mim, foram:

1. A retumbante vaia recebida pelo Lula, que chegou atrasado 50 minutos (essa é uma das mais óbvias formas que ele descobriu de exercitar seu poder presidencial) e obrigou o Galvão a falar mais asneiras do que normalmente fala. Quando chegou a hora de o Lula declarar abertos os Jogos, mostraram o dito cujo se preparando pra falar, microfone junto à boca e... desistiram. O presidente do comitê organizador dos Jogos fez a declaração de abertura e o Lula simplesmente não apareceu mais. Deve estar se mordendo de dor no Ego.

2. Mas a melhor, de longe, dessa Abertura, foi a ocorrida no início do discurso do mexicano presidente de alguma coisa pan-americana esportiva. O cidadão, simpaticamente, começou sua fala cumprimentando o público em português:
- Boa noite a todos (ou algo do gênero).
Em seguida, propôs-se a iniciar um discurso em espanhol. A arenga começava assim:
- Hoje, bla bla bla etc etc.
Em espanhol, isso fica assim:
- Hoy, bla bla bla etc etc.
Tendo o pobre mexicano iniciado com um sonoro
- Hoy
ouviu o estádio do Maracanã – em peso – retribuir:
- Ooooiii!

Pra mim, essa vale medalha.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

PAN, Copa América e outras indecências


Depois que fiquei sabendo que o orçamento inicial para as obras do Pan era de 414 milhões de reais e que foram consumidos 3,7 Biliões (o correto, como se usa em Portugal, é mil milhões), fui conferir no dicionário de Grego ( o Bailly) o significado de PAN:


É isso. Pan é tudo. Transmite a idéia de algo que abarca tudo, o todo. Pan-americano, por exemplo, envolve todas as Américas.
Daí que, nesse butim de gigantes (o Maluf deve estar se remoendo de raiva. Isso é que é comissão. O resto é trocado), foram consumidos aproximadamente 9 orçamentos. Dava pra construir 9 empreendimentos iguais ao do Pan 2007 do Rio de Janeiro ao invés de simplesmente um – e mal acabado.
Que beleza!
Só vejo um senão: esses oito Pans que evaporaram teriam de ser distribuídos como manda a etimologia.
Por favor, senhores, mandem a minha parte, sim?

*****


Por falar em roubo, a seleção brasileira de futebol classificou-se para a final da Copa América em uma disputa de pênaltis em que o goleiro brasileiro desrespeitou claramente a regra de não adiantar-se antes da cobrança. Os ínclitos cidadãos que transmitiam o jogo pela rede Globo de TV chegaram à conclusão de que roubar a favor do Brasil é válido.

*****


E temos um presidente do Senado Federal esdrúxulo. De Verônica a Mônica e de volta a Verônica. De proparoxítona em proparoxítona, Renan avacalha a República. Por sinal, também esdrúxula.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Lua-de-mel e aconchego


Dia desses a Margarida, a Saltapocinhas do blog Fábulas, mandou-me um e-mail com uma lista enorme de músicas brasileiras. É só clicar no nome da música e pronto: abre-se uma página da Internet e a música começa a ser tocada em sua versão mais famosa.
Aliás, os e-mails da Saltapocinhas são – sempre – excelentes. Aliás, ela é fantástica. Sou fã incondicional dessa professora de Aveiro. O pior é que estou a dever dois desafios que ela me mandou e eu deixei de responder. Paciência. Não será esse meu maior pecado.
Tudo isso pra contar uma história. Se você estiver lendo este post em computador sem som (ou se o momento não é apropriado para ligá-lo), paciência. Mas, se for possível, ligue o som e leia a história que vou contar com a página desta música em segundo plano. Quando a música termina, automaticamente ela começa de novo. Isso tem tudo a ver com a história.
Ajeitou tudo? Então vamos lá:

No início de meu namoro com a Baixinha, em 1.998 (quer dizer, do segundo namoro. O primeiro aconteceu 30 anos antes), ela morava em Niterói. Eu, São Paulo.
De vez em quando eu ia ao Rio. Outras tantas vezes ela vinha a São Paulo.
Até que resolvemos aproveitar um final de semana prolongado pra viajarmos juntos.
A Baixinha escolheu um lugar com todas as características de romantismo. Petrópolis, serra, pousada em lugar retirado, na Posse.
Lá fomos nós. Chegamos à Pousada do Aconchego em um final de tarde. Trata-se de uma casa de fazenda, muito simpática. Os caseiros nos receberam com muita hospitalidade. Disseram que a proprietária, a Regina, chegaria em breve.
Logo percebemos que éramos os únicos hóspedes.
Regininha chegou em seguida. Mulher madura, sua decadência física não impedia que se percebesse ter sido jovem bastante bonita.
Depois dos primeiros contatos, perguntou-nos a que horas gostaríamos que servissem o jantar. Concordamos em jantar lá pelas nove. Fomos para nosso quarto e Regininha começou a entornar um uísque ao som de Elba Ramalho e seu De Volta pro meu Aconchego.
Do quarto, notamos que ao final da música, Regininha não deixava que Elba partisse pra outra música. Levantava, ia até o cd player e retornava à faixa 1. E dá-lhe uísque.
Na hora do jantar, aconteceu o que temíamos. Fomos servidos em mesa única: a Baixinha, eu e – last but not least – Regininha. Ao fundo, Elba Ramalho, interpretando – talvez pela milésima vez – De Volta pro meu Aconchego.
Já totalmente de porre, Regininha usou o tempo integral do jantar para ilustrar, de inúmeras formas e maneiras, sua tese:
Homem nenhum presta.
Lua-de-mel melhor, impossível.
(pode desligar a Elba, agora)

domingo, 8 de julho de 2007

Quando reclamar é bobagem


1.988. Eu trabalhava em uma empresa nova, de informática. O dono, gênio maluco, já falecido, queria valer-se de incentivos fiscais para fazer negócios de grande porte.
Num sábado, que parecia que seria de descanso, me chamou e informou que no domingo viria do Rio de Janeiro um consultor jurídico para me passar toda a legislação importante sobre incentivos de informática.
Dia seguinte conheci Renato Kamp. Era um fulano alto, loiro, cabelo amarelo ralo, cara de alemão e alma integralmente carioca.
Perguntei a ele se não preferia escrever suas dicas. Começou por me esclarecer que um de seus princípios básicos, na área de consultoria, era não pegar em caneta ou lápis. Não escrevia uma palavra. Iria contar-me o que sabia. Eu que anotasse.
Ele, que além de consultor era o empresário do pianista Arthur Moreira Lima, gastou boa parte daquele domingo me transmitindo tudo o que valia a pena conhecer na área de incentivos à informática.
Com base nas informações de Renato Kamp, fizemos o primeiro negócio da empresa recém criada: 25 milhões de dólares. Nada mau.
Das várias coisas saborosas que aprendi com o carioquíssimo Kamp, uma delas jamais esquecerei:
- Há dois tipos de empresa com as quais não vale a pena brigar: concessionárias de automóveis e bancos.
E explicava: são todas tão ruins, que migrar de uma pra outra é pura perda de tempo.

sábado, 7 de julho de 2007

O bêbado e a concessionária


Dias atrás, mandei meu carro pra revisão em uma concessionária. Ficaram com o carro vários dias, me cobraram uma nota preta e me devolveram uma presumível perfeição.
Poucos dias depois, fiz uma viagem ao Rio de Janeiro. Na estrada, observei que toda vez que pisava no freio a mais de 100 km/h a direção tremia toda.
Ao voltar a São Paulo, telefonei para a concessionária e relatei o problema. Disseram que eu levasse o carro até lá para ser examinado.
Como o tempo estivesse curto, fui adiando. Sabia que – só um diagnóstico – demoraria uns dois dias.
Ontem, ao ir até o escritório em que trabalho, estacionei o carro a 45° em relação ao meio-fio. Quando retornei ao carro, havia um bêbado sentado no meio-fio, bem em frente a meu carro.
Antes que eu pudesse entrar no carro ele me chamou. Mostrou-me as rodas dianteiras do carro e diagnosticou:
- Seu carro está com as rodas totalmente desalinhadas. Estou bêbado mas entendo disso. Sou motorista de caminhão. Mande alinhar essas rodas ou você terá problemas logo logo.
Agradeci e fui embora, satisfeito.
Afinal, não sei explicar, mas me parece que um mundo em que um bêbado ainda é mais eficiente do que toda uma sofisticada empresa lotada de consultores técnicos é um mundo com esperança de salvação.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

De cocozinho em cocozinho
chega-se à barbárie


Já descrevi, aqui, o maravilhoso condomínio em que – por ter irmã proprietária de apartamento lá – volta e meia passo uns dias.
Da última vez em que lá estivemos, a Baixinha, a irmã dela - minha cunhada, a Doga e eu, fiquei decepcionado com a falta de educação de muitos moradores do dito cujo condomínio.
Pensei até em escrever sobre isso aqui no Bazar mas a falta de tempo me impediu.
Você vai passear com seu cachorro pelas alamedas do condomínio e constata que, em vários locais, há porta-saquinhos para que você tenha como recolher o cocô do dito cujo. Tudo muito civilizado.
Só não conseguiram civilizar, ainda, os seres humanos moradores do condomínio. Você precisa tomar cuidado para não pisar em cocô de cachorro, o tempo todo. Encontrei cocozinhos até junto a um dos porta-saquinhos.
Quando, agora, estourou a notícia da violenta agressão sofrida por uma empregada doméstica em ponto de ônibus, na Barra, por parte de jovens criados na atmosfera do sem-limite e vi na TV a imagem do condomínio em que fico hospedado às vezes, pensei:

Ainda bem que não escrevi sobre o cocô de cachorro no condomínio. Isso não é nada, perto de alguns monstros que nele moram.

Logo em seguida mudei de idéia. Esses adolescentes-feras, ou esses animais-de-classe-média têm tudo a ver com os cocozinhos de cachorro displicentemente largados nas alamedas dos condomínios da Barra.
A barbárie começa com os pequenos desrespeitos às mais comezinhas regras sociais.

E, como sabemos todos, nada de mais grave – em termos de punição – vai acontecer a esses crápulas, logo logo eles vão estar à solta, espancando transeuntes indefesos ou até a própria mãe, como parece que é prática costumeira de pelo menos um deles.

Enquanto isso, quase 1.500 policiais trocam tiros com marginais no Complexo do Alemão e provocam a morte de 18 pessoas em apenas um dia. Se isso não é Guerra Civil, então – como se dizia deliciosamente no meu tempo de criança – minha avó é bicicleta.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Aeroporto Brasil


Esta notícia – pra mim – foi a melhor dos últimos tempos.
É a cara do Brasil. Os aviões já não utilizam o aeroporto há quatro anos, mas o pessoal continua imperturbável. Todo mundo tocando pra frente sua rotina.
A casa caiu e ninguém se tocou.

terça-feira, 19 de junho de 2007

O combinado é o combinado


Durante dez anos trabalhei em uma empresa de engenharia, a Promon.
Uma das características marcantes dos donos da empresa (empresa que, diga-se, tem um sistema acionário muito interessante mas que não vem ao caso) era – pelo menos na minha época – a fidalguia.
A começar pelo presidente da empresa: Tamas Makray.
Indivíduo que se impunha pelo mérito, não por fortuna, criou os filhos no cultivo da simplicidade. Um pouco daquilo que os americanos chamam de low profile.
Em minha primeira semana de empresa, minha mulher à época, estudante de filosofia, participava de um grupo de estudos do qual também fazia parte o Almos, filho de Tamas. Eu já o conhecia, mas não sabia nada sobre sua filiação. Em uma reunião do grupo lá em casa, minha mulher comentou com os participantes que eu começara a trabalhar na Promon. O Almos – sem perceber as conseqüências – exclamou:
- Meu pai também trabalha lá.
E minha mulher:
- Em que setor ele trabalha?
Almos, embasbacado, saiu-se com uma mentirinha:
- No setor de informática.
Para azar dele, era o setor em que eu fora trabalhar.
Quando, mais tarde, cheguei em casa, minha mulher perguntou-me:
- Em teu setor há um Tamas? É o pai do Almos.
Rimos muito, claro.
Outro diretor, o Siffert, que viria a suceder a Tamas na presidência, era de uma ironia sutil. Algumas vezes o ouvi comentar, depois de alguém fazer exposição da qual decididamente ele não gostara:
- Fico muito infeliz com o que ouvi.
Tal manifestação de infelicidade substituía o que, para diretores comuns de outras empresas, seria bem provavelmente um murro na mesa e uma carta de demissão.
No início dos anos 80, se não me engano, ascendeu à Direção Geral um engenheiro extremamente dinâmico, o Abreu.
Para o momento de crise que a empresa (e o País) vivia, Abreu foi escolhido para impor trabalho duro, disciplina.
Em seus primeiros tempos como manda-chuva publicou e distribuiu a todos os funcionários um Decálogo de sua autoria.
Não me lembro dos nove mandamentos finais. Mas o primeiro, para mim inesquecível, transformaria para bem melhor este mísero País, se adotado em larga escala:
O combinado é o combinado.
A saber: se você combinou alguma coisa com alguém, cumpra. Ponto.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Um sábado comum


À tarde, fomos assistir à OSESP, na cracolândia, ou melhor, na Sala São Paulo. Na volta à casa, trânsito lento na Rebouças. Na faixa reservada a ônibus e táxis com passageiros, dezenas de carros particulares passam rápida e alegremente. O rapaz que dirige o carro à frente do nosso abre a janela e atira ao chão uma embalagem de chocolate enquanto conversa distraidamente ao celular.
Diante de minhas lamentações, a Baixinha comenta que logo, logo, vou ter de parar de dirigir:
- Você não tem mais paciência com o trânsito.
E eu concordo, apenas ampliando:
- A coisa é mais grave. Não tenho mais paciência com o País.

Não sei se foi alucinação, mas tive a nítida sensação de ver um boi do Renan passar voando nos céus da Marginal Pinheiros.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Globalização


Quem costuma freqüentar este blog sabe que temos, a Baixinha e eu, seis filhos.
Vai daí, a caçula da Baixinha (a nossa Quinta) resolveu ir para a Austrália. Gostou tanto que decidiu ficar por lá.
De repente, gravidez.
Resultado: começo de novembro nasce mais um neto. Se for menina, Tereza (em inglês, Triza, em português de Portugal, Treza). Se for menino, Taj. Em resumo, como muito bem bolado pelos pais, Little T.
Estaremos lá, para dar as boas vindas a Little T e explicar que o mundo é redondo e a Austrália tem muito a ver com o Brasil, com Portugal, conosco. E dizer a Little T que vale a pena viver. Em qualquer lugar, de qualquer jeito.
Benvindo ao mundo, Little T.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Morra ou viva sempre feliz


Hoje tive de ir a um Tabelião para representar minha filha e meu genro na venda de um imóvel. Eles, agora, moram em Connecticut e me pediram pra quebrar esse galho.
Ao voltar pra casa, mexendo em umas pastas suspensas de documentos dela, encontrei um bilhete com que minha primogênita me presenteou em meu aniversário, há vinte anos.
Vou já avisando: ela sempre foi ambígua nos cumprimentos. Pelo menos em relação a mim. Era um tal de "Te amo, apesar de...", coisas assim.
Mas penso não ter recebido cumprimento mais ambíguo que este, ao longo de meus já longos 62 anos.

Clique para ler o texto em letra de forma
Diante da alternativa que ela sugeria, preferi optar por viver sempre feliz.
Beijinhos, filha.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Assim não dá


O homem que vinha enganando todo mundo há muito tempo, segundo as investigações da Operação Navalha, chama-se Zuleido VERAS.

Já o presidente da presumivelmente respeitável Associação dos Docentes da USP chama-se Cesar MINTO.

Desisto.

terça-feira, 22 de maio de 2007

O piloto sumiu?


Ainda sobre a tal Operação Navalha: Reinaldo Azevedo acha que a Polícia Federal saiu do controle. E os policiais federais querem o aumento que lhes prometeram.
Ou seja, ninguém estaria manipulando a Polícia Federal. Esta é que estaria forçando uma solução para seu$ próprio$ problema$.
Façam suas apostas.

Operação Navalha rende dividendos


Painel da Folha de S.Paulo, 22 de maio de 2.007 (só para assinantes Folha ou UOL):

Silas e Dilma

O governo fará todo o possível para caracterizar Silas Rondeau exclusivamente como "homem do Sarney", esforço facilitado pelo fato de que a ligação entre o ministro colhido pela Operação Navalha e o senador é antiga e profunda. O objetivo de martelar essa tecla é manter no oblívio um outro aspecto igualmente verdadeiro: a proximidade de Silas com Dilma Rousseff, que ao trocar a pasta das Minas e Energia pela Casa Civil trabalhou tanto quanto Sarney para que o então presidente da Eletronorte viesse a sucedê-la.
No que depender do governo, memórias como a de que Rondeau "ganhou a confiança de Dilma" e "faz tudo o que a ministra pede", freqüentes no noticiário pré-escândalo, serão deletadas por completo.

Em campo. Dilma Rousseff conversou com muita gente no final de semana para tomar a temperatura do estrago provocado pela Operação Navalha no setor elétrico. Quem ouviu a ministra a descreveu como "apreensiva".


Coluna Giba Um, de 22 de maio de 2.007:

Maior defensor

A ministra Dilma Rousseff queria tirar Silas Rondeau do Ministério de Minas e Energia de qualquer maneira, aproveitando a reforma ministerial do segundo mandato de Lula. Mas, perdeu a queda-de-braço para o senador José Sarney, o maior defensor da permanência de Rondeau no ministério. O ex-presidente, inclusive, chegou a conversar, pessoalmente, com o presidente Lula sobre a permanência de Rondeau.


Alguém aí está lucrando com a tal Navalha.
Claro que não tenho provas para acusar ninguém. Mas, das duas uma:
Ou o Painel da Folha está decidido a incriminar a ministra Dilma,
Ou o tal de Giba Um é um dos encarregados de deletar por completo as relações entre a ministra e o famigerado Zuleido.
Uma breve pesquisa no Google, sobre o tema Dilma Rondeau, parece dar razão ao Painel.

sábado, 19 de maio de 2007

O Brasil que eu amo - 1


Direto ao ponto. O Brasil, de uns 30 ou 35 anos pra cá, eu abomino. Sempre que pretendi ser correto, fui perseguido. Sempre que quis ser civilizado, fui derrotado.
Graças a isso, quando em viagem no exterior, evito brasileiros. Quando aparecem por perto, a Baixinha e eu paramos de conversar, para que não nos descubram como brasileiros.
No último final de ano, em Madrid, fiquei feliz quando uma senhora veio até nossa mesa para nos desejar feliz ano novo. Era portuguesa. Perguntou-me se eu também era.
Sim!, disse eu. Ufa! Não precisei completar que era também brasileiro.
Triste.
Mas há um Brasil que amo.
E vou mostrar a vocês, aos poucos.
A começar de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.
Quando eu era criança, toda terça-feira (salvo falha de memória, era terça, mas isso não tem importância) sentávamos junto ao rádio, meu pai, minha mãe, minha irmãs e eu, para ouvirmos o Lua, durante uma hora (era uma hora?).
Do Brasil de Luiz Gonzaga, desse, eu me orgulho.
Veja só.


sexta-feira, 18 de maio de 2007

Operação Navalha.
Na carne de quem?


A Polícia Federal desencadeou, ontem, nova operação – a operação Navalha – durante a qual foram presas dezenas de pessoas.
Diz a Polícia Federal tratar-se de quadrilha que fraudava licitações.

Ora, ora.
Em 1.988, portanto há quase 20 anos, fui ser diretor de uma empresa na qual já era diretor um grande amigo meu. Belo dia, ele me contava algo ocorrido alguns anos antes, quando ele trabalhava em outra empresa. Em meio à história, mencionou uma fraude em uma licitação. Eu, que naquele tempo era bem mais ingênuo do que hoje, manifestei perplexidade:
- Fraude em licitação?!
E ele, olhando pra mim com a expressão surpresa de quem esbarra em um extraterrestre:
- Todas as licitações são fraudadas.

Pois bem. Por essas e por outras, quando você vir um estardalhaço desses em torno de coisa absolutamente cotidiana, não embarque de imediato. Pergunte primeiro: por que essas pessoas? Por que agora?
O Painel de hoje, da Folha de S.Paulo, tem algumas informações e especulações sobre o tema. Leia.

Viu só? Em 2.001 já eram conhecidas, no Senado, as articulações do tal de Zuleido, tido como chefe da quadrilha presa ontem.
Logo, o melhor é parar e perguntar: Qui prodest? A quem interessa?
A resposta tem de estar dentro de estreito círculo de poder que consegue desencadear tais operações.

Só uma nota


Ia falar sobre a entrevista coletiva de nosso Presidente Lula.
Mudei de ideia.
Não adianta. O Brasil parece ter morrido lá na curva Tamburello, junto com Ayrton Senna. Pelo menos a vergonha e a coragem ficaram lá, destroçadas contra o muro.
Por isso, prefiro oferecer a vocês uma interpretação do Samba de uma nota só, de um de meus pianistas favoritos: Erroll Garner.
Boa curtição.


segunda-feira, 14 de maio de 2007

E-pílulas


Está todo mundo à procura das tais pílulas de Frei Galvão, o santo brasileiro.
Acho que todo mundo já sabe: as pílulas são feitas de tiras de papel com orações escritas nelas. Depois de bem enroladinhas, são distribuídas para curar de calo a câncer.
Minha sugestão: para evitar a formação de enormes filas e também para ampliar o alcance das pílulas miraculosas, que tal mandá-las por e-mail?
As freiras poderiam despachar e-mails com as orações. Os fiéis receberiam o e-mail, imprimiriam o próprio (de preferência no menor tamanho de letra possível) e fariam a pílula, ou melhor, a e-pílula.
Tem mais: não cobro royalties por essa fantástica idéia.

domingo, 13 de maio de 2007

Ainda dá pra transformar Massa em herói?


Quando Ayrton Senna começou sua carreira, a rede Globo o transformou rapidamente em herói nacional. Aliás, a fama do garotão espalhou-se pelo mundo afora.
Depois de sua morte, esperava-se que o Rubinho mantivesse acesa a audiência das corridas de fórmula 1.
Como o moço mostrou-se um piloto medíocre, a mídia passou bastante tempo a explicar que tudo era culpa dos carros.
Daí que o povão aprendeu que corrida de automóvel é coisa pra automóvel. O piloto é um acessório.
Ou seja, só quem sabe torcer – em Fórmula 1 – é italiano. Que torce pelo carro (a Ferrari), não pelo piloto.
Agora o Felipe Massa começa a ganhar corridas.
A rede Globo vai tentar alavancar suas transmissões, insistindo na genialidade do baixinho.
Será que vai colar?

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Joseph & Georg


Até que enfim.
Afinal, essa visita do papa começa a ficar interessante.
Bento 16, também conhecido como Joseph Ratzinger, tem como – digamos – assessor, Georg Gaenswein.

Não são uma gracinha?

Leão Lobo está esperando o quê, pra comentar esse potin.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Esses australianos bárbaros não aprendem


Na Austrália, condenaram à prisão perpétua duas mocinhas que, aos 16 aninhos, mataram uma amiga para ver como era a sensação de matar alguém.
Que pessoal mais avesso aos direitos humanos.
Aqui, não.
Nosso Champinha está sendo tratado da melhor forma possível, para que não fique traumatizado com a cadeia.

You Tube: quase perfeito


O You Tube realmente é um barato. Lá, a gente encontra coisas do arco da velha. E pode guardar em Favoritos, pode compartilhar com amigos, pode postar no blog etc etc.
Só que a perfeição ainda vai demorar um pouco. Digo isso porque quando quis postar aqui o vídeo do Paolo Conte, tentei seguir as instruções do You Tube, a saber: logo abaixo do vídeo que você quer postar em seu blog você clica em Postar no blog. Aparece uma mensagem dizendo qualquer coisa do tipo: Logo este vídeo estará em seu blog.
Fiz isso no dia 7, segunda-feira passada.
Nada.
Tentei outra vez.
Nada.
Esperei o dia seguinte.
Nada.
Como o You Tube fornece o código HTML do vídeo, fiz o post utilizando esse código.
Eis senão quando, hoje, três dias depois, meu blog foi inundado por vários Paolos Contes, o que motivou a piada do Asulado (que me alertou para o que estava a acontecer):

All that jazz?


.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Igreja da Estupidez Universal


Acabo de voltar de uma delegacia de polícia. Uma e meia da madrugada.
Eram 11 e pouco da noite quando recebi telefonema angustiado de minha cunhada. Sua filha, intérprete, estava trancada em uma sala do principal templo da Igreja Universal em São Paulo, na avenida João Dias. Acompanhava uma jornalista canadense que veio ao Brasil para cobrir a visita do Papa e quis fazer matérias sobre outras religiões.
Foram até o templo com a intenção de entrevistar algum bispo, coisas assim. A canadense começou a gravar (só áudio) e logo foi agarrada pelos cristãos-universais. Minha sobrinha foi também agredida e colocada em uma sala. Conseguiu ligar para a polícia e para a mãe.
Na delegacia, uma equipe de uns dez cristãos-universais filmava tudo. Mas já não eram os que haviam agredido a jornalista e sua intérprete. Eram outros. Eles são organizados.
Ficamos lá algum tempo. A jornalista queria seu equipamento de volta. Os universais queriam apagar tudo que havia sido gravado.
Não sei quem tem razão, do ponto de vista jurídico. Isso só vai ser resolvido logo mais, durante o dia, com exame de corpo de delito e coisas do gênero.
Agora, do ponto de vista – como direi – cristão, até eu, ateu praticante, fico triste ao constatar que essa tal de Igreja Universal do Reino de Deus só não pode ser chamada de máfia por respeito às máfias.
Não é à toa que o Brasil está mergulhando nisso.

terça-feira, 8 de maio de 2007

E com vocês, Paolo Conte


Na década de 80, assisti, por acaso, a uma gravação de apresentação de Paolo Conte no Maksoud, em São Paulo. Foi ao ar pela TV Cultura. Consegui gravar em fita VHS. De vez em quando, colocava a fita no vídeo cassete (lembra disso?) e voltava a me deliciar com as canções desse fantástico compositor, pianista e cantor.
Um horrível dia, não sei por que cargas d'água, apaguei a fita.
Em outubro de 2.005, ao chegar a Milão, a primeira coisa que fiz foi ir a uma loja de discos procurar um CD de Paolo Conte.
Maravilha: encontrei o CD daquele show da década de 80.
Uma das músicas desse show é sotto le stelle del Jazz, que Renato oferece a seus leitores como prova de afeição eterna (lembra dos programas de rádio em que se ofereciam músicas pra namorados, namoradas, amigas, amigos e que tais?)

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Da série Gostaria de entender - 2


A Folha publicou, neste domingo, resultados de pesquisa sobre a religiosidade (ou falta de) dos brasileiros.
97% dos brasileiros acreditam em Deus.
Até aí, nenhuma novidade.
Apenas o prazer de me sentir pertencente a uma elite. A elite atéia.
Engraçado é que 64% são católicos, mas só 60% acreditam em vida após a morte. Quer dizer, tem gente por aí que é crente mas com um pezinho na desconfiança.
E eu, que pensava que Deus era uma idéia destinada a aliviar o medo da morte. Parece que, cada vez mais, Deus é entidade à qual se recorre pra resolver os problemas desta vida mesmo.
Não é à toa que os jogadores do Flamengo pedem ajuda de Deus para ganharem jogo, os jogadores do Botafogo não deixam por menos e toda vez que um boleiro marca um gol, o crédito vai para o Divino.
Nas igrejas tipo Universal, Renascer etc, Deus é uma espécie de amigão rico ao qual se recorre pra sair da falência e ingressar na prosperidade.
Não tenho informação de fonte direta, mas aposto que facções criminosas rivais, antes de travarem batalhas por pontos de venda de drogas, pedem proteção dos céus.
E haja jogo de cintura divino pra contentar a todos.

Vou estar batendo o telefone na sua cara, senhor


Novidade na praça. Agora, os funcionários do atendimento ao cliente da NET já não estão com aquela paciência toda.
Dia desses, ao ligar para saber por que continuavam a me cobrar por 8 Mb se eu já pedira pra baixar pra 2 Mb desde 11 de abril, fiquei pendurado na linha, ouvindo aquelas propagandas ridículas da NET. A atendente, de vez em quando, entrava na linha e dizia:
- Mais um momento, por favor.
Depois de mais de 10 minutos, finalmente ela voltou para me dizer que eu deveria ligar para outro lugar. Ali, era atendimento técnico. Eu teria de ligar para Cobrança.
Já um tanto irritado, argumentei:
- Minha senhora, penso que – como cliente – tenho o direito de saber o que a senhora ficou fazendo por quase 15 minutos para, por fim, me dizer algo que a senhora já sabia desde o primeiro momento.
- Meu senhor, o senhor não ficou esperando por 15 minutos.
- Foram quase 15, minha senhora. O que a senhora estava fazendo durante todo esse tempo?
- Não foram 15 minutos, meu senhor. Queira ligar novamente.
E PAFT. Desligou na minha fuça.
Vou estar tomando mais cuidado da próxima vez. Sei lá se – agora – os atendentes não vão estar mordendo à distância.
Nunca se vai estar sabendo.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Glaciar Perito Moreno


O glaciar Perito Moreno fica juntinho à cidade de El Calafate, no sul da Argentina. Um pouco mais abaixo fica Ushuaia (qualquer dia mostro fotos de lá), a cidade mais ao sul no mundo, por isso conhecida como Fim do Mundo.

Clique para saber mais sobre o Perito Moreno
Curto e grosso: o Glaciar Perito Moreno é um rio de gelo. Ele desemboca, digamos assim, no Lago Argentino. Quando avança um pouquinho mais, encosta na Península Magallanes e separa o Brazo Rico do Lago Argentino. De vez em quando, algo como de quatro em quatro anos, rompe-se sua ligação à Península e o Brazo Rico mata suas saudades do Lago Argentino. Esse espetáculo costuma ser acompanhado por milhares de pessoas.

Leia mais sobre o glaciar
Há exatos 4 anos, estive lá com a Baixinha.
As fotos que tiramos, vejam só, são de 25 de abril de 2.003. E eu nem era português ainda. Pelo menos, não de carteirinha.
Como pode ser visto no gráfico acima, a frente do glaciar tem seu centro (que é o que encosta na península, de vez em quando), sua face sul e sua face norte. A face norte é voltada para o Lago Argentino. A face sul, molhada pelo Brazo Rico.
Fomos de barco até juntinho da Frente Sul.

Isso aí no banco do barco é a Baixinha, não um Urso Polar
São uns 30 metros de paredão
Os blocos de gelo vão caindo
E eu, a tentar surpreender algum, na queda
Consegui!
No lado esquerdo da foto, um grupo de pessoas sobe por uma trilha para andar no gelo do glaciar
Depois, por terra, da Península Magallanes, contemplamos a Frente Norte:




E o centro. A sensação é de total perplexidade diante de tamanha grandeza.

O glaciar estava separado da península


Fico eu a imaginar quanto whisky é possível tomar com todo esse gelo.

terça-feira, 1 de maio de 2007

domingo, 29 de abril de 2007

Ainda sobre Éder Jofre


Há alguns poucos anos, meu filho, que ainda morava comigo, freqüentava uma academia de esportes, em São Paulo. Lá, ele praticava natação, puxava uns pesos, coisas assim.
Belo dia, resolveu diversificar. Marcou uma aula de boxe.
Eis que surge, para lhe dar aula, Éder Jofre em pessoa.
Ele ficou absolutamente paralisado.
Éder estranhou a atitude (ou a falta de) dele.
Ele explicou:
- Sempre ouvi meu pai falar sobre você. Não acredito que estou diante de um mito.
Éder, com a simplicidade que sempre o caracterizou:
- Deixa de bobagem, garoto. Vamos à aula.

De Éder a Popó

CLIQUE PARA CONHECER A CARREIRA DELE

Durante minha adolescência, um dos ídolos brasileiros era Éder Jofre. Considerado um dos maiores pugilistas de todos os tempos, Éder era ao mesmo tempo técnico e guerreiro. Apanhava muito na maioria de seus combates, porque ia pra cima do adversário. Apanhava mas acabava por derrubá-lo.
Ontem à noite, assisti ao final da luta de Popó. E, não pela primeira vez, vi Popó desistir da luta logo que começou a ficar inferiorizado.
O tal Popó é assim: se acerta um soco e derruba, comemora.
Se começa a apanhar, desiste da luta sem o menor pudor, embolsa a bolsa e deixa a platéia, que pagou ingresso, chupando dedo.
De Éder a Popó, temos uma excelente alegoria da história recente Destepaís.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Da série Gostaria de entender - 1


Sou da classe média brasileira. Uma das características de tal pertinência é a possibilidade de ter a meu serviço uma empregada doméstica.
(O exército industrial de reserva, de que fala Marx, e que no Brasil atinge proporções catastróficas, me possibilita esse – digamos – luxo. Mas isso já é outra conversa.)
Voltemos à minha empregada. Vamos chamá-la de Josefa (em homenagem à fantástica empregada que tive em 1.968, na rua Maria Antonia, e que já faleceu).
Josefa recebe 13 salários anuais de R$ 600,00 e é registrada em sua Carteira Profissional.
Pagamos, ela e eu, uma grana mensal para a Previdência. Eu, 12%, ela 7,65%. Tudo isso para que ela tenha alguns direitos, o principal deles o de receber uma aposentadoria depois de um certo número de anos de contribuição.
Até mesmo pela precisão sugerida pelas duas casas decimais do percentual pago por Josefa, presume-se que tudo tenha sido calculado direitinho para que seja possível entregar a Josefa a mercadoria anunciada pela Previdência.
Vai daí, ano passado, o vaníloquo Lula – necessitado de uma reeleição – foi orientado por seus asseclas a fazer o bem com o chapéu alheio. A saber:
Este ano, ao fazer minha declaração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, pude descontar aqueles 12% que recolhi todo mês, durante o ano passado. Apenas que limitados a um salário mínimo.
Ou seja, o Tesouro Nacional vai me devolver boa parte da grana que eu paguei para que Josefa tenha direitos previdenciários.
Das duas uma:
Ou estavam cobrando muito
Ou vai faltar dinheiro no futuro para cumprir os compromissos da Previdência com Josefa.
Mas, como o futuro a Deus pertence, Ele que se vire.
Quanto a nosso presidente façanheiro, já conseguiu o que queria.

domingo, 22 de abril de 2007

Da série O Brasil acabou - IV


Está muita gente indignada com o fato de Mangabeira Unger ter aceito um cargo de ministro no governo Lula, que ele chamou de o mais corrupto da história.
No Brasil fabricam-se heróis com a mesma facilidade com que se pula carnaval.
FHC já foi considerado vítima da ditadura militar. Lula idem.
A sensação que deve ter um jovem, que não viveu aqueles anos, é a de que todo mundo era contra a ditadura.
Claro que era quase todo mundo a favor. O quase vai só pra não esculhambar de vez.
As máfias proliferam. O judiciário apodreceu faz tempo.
O legislativo ainda me parece o poder menos corrupto. Não é à toa que é o mais acusado pela imprensa. Deputados e senadores cobram mais barato.
Executivo? Nem se fale.
Imprensa? Fala baixo. Franklin Martins que o diga. Vendeu-se por um pires de lentilha.
Gente: um apelo. Cobrem mais caro. Vocês estão avacalhando a corrupção.

Atualização: Hoje, 27 de abril de 2.007, Nelson Motta escreveu isto na Folha de S.Paulo. Vai ao encontro de meu apelo.