domingo, 18 de novembro de 2007

Gold Coast vista pela Baixinha


Diz ela que Gold Coast lembra filme americano antigo. E pra provar:


A praia em que ela faz caminhadas:


Aqui ela se surpreende: dois casais coroas fazem seu picnic. Tomam vinho em taças caprichadas e a garrafa fica envolta naquele invólucro com gel que mantém o vinho fresco. Diz a Baixinha que o pessoal, em Gold Coast, adora um picnic. Parece que são farofeiros de nobre estirpe, esses quatro:


Outra coisa que chamou a atenção da Baixinha: ninguém reforma casa. Eles derrubam e fazem outra. Esta obra ela está acompanhando com atenção. Reparem que o banheiro dos operários fica na frente da obra:


Enquanto isso, o Taj mama e dorme (além daquelas outras tarefas menos edificantes mas igualmente necessárias).

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Benvindo ao planeta Terra


Chegou ontem - 11 de novembro de 2.007 - o Taj. Veio à luz em Gold Coast, Queensland, Austrália.
Aos poucos ele vai perceber que resolveu pertencer a um grupo um tanto ensandecido. A tal de Humanidade.
Dada a absoluta falta de alternativa, acabará por concordar: esta vida é deliciosa.
Ao menos é o que espero.
Benvindo, Taj.


quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Novo movimento na praça


Depois que o cantor Lobão lançou o Peidei mas não fui eu, a nadadora Rebeca lança o novo movimento:
Mijei mas não fui eu.

O humor da TVA


Eu era feliz. Tinha dois pontos da TVA analógica em casa. Num triste dia, recebi uma ligação da TVA e me ofereceram o sistema digital. Sem custo adicional.
Aceitei.
Dia seguinte ao da instalação os problemas começaram. Num dos pontos, o decodificador travou. Nada acontecia. No outro, ligava-se a TV, o decodificador. Começava uma dança dos canais. A TV mudava aleatoriamente de canal em canal. Poderia até ser divertido, não fosse o fato de que a coisa toda era muito rápida. Nem dava tempo de ver o que acontecia em um canal e já se partia pra outro.
Chamei a assistência técnica. Eles destravaram um decodificador e trocaram o outro, aquele que pulava de canal em canal.
Passados uns dias, aquele que travara começou a pular.
Hoje, liguei pra assistência técnica.
O rapaz que me atendeu me pediu que fizesse vários testes (tipo tirar o cartão, limpá-lo e recolocá-lo etc).
Como nada funcionasse, resolveu agendar nova visita técnica. E começou a me alertar para os possíveis castigos que o céu me enviaria, caso o defeito não fosse dos equipamentos da TVA.
- Se o defeito for da sua TV, o senhor terá de pagar a visita.
- Se não houver ninguém na residência na hora marcada, será cobrada a visita.
Aí então, pra não ficar por baixo, resolvi retorquir:
- E esse tempo todo que eu fico sem TV?! Vocês abatem da minha mensalidade?
E responde o atendente, candidato a humorista:
- O senhor não está sem sinal. Apenas há uma mudança contínua dos canais.

Bingo!

Da série O Brasil acabou - VII


A BRA já era.

Como andará a saúde financeira da SIL?



(inspirado pelo Tutty Vasques)

Farofeiros e vira-latas


Enquanto o Taj não nasce, a Baixinha vai conhecendo Gold Coast. Parece que lá também há os farofeiros, pessoas que levam frango e farofa pra comerem na praia. A diferença é a infraestrutura: churrasqueiras elétricas e pias com água aquecida.



Ao invés de cachorros vira-latas, há os pássaros vira-latas:


terça-feira, 6 de novembro de 2007

Viva quem merece


Às vezes vejo gente a receber fortunas para mostrar sua mediocridade por aí. São jogadores de futebol, técnicos de futebol, artistas, cantores etc etc.
Há pouco, por razões profissionais, tive acesso a quanto ganha um indivíduo que faz um programa diário em uma rádio famosa de São Paulo. O programa é de uma indigência absoluta. São três sujeitos que ficam conversando sobre os assuntos do dia, a tentar falar coisas engraçadas. Pois bem. O indivíduo, completamente desprovido de qualquer tipo de formação intelectual ou coisa que o valha, ganha um dinheirão. Tudo bem, até certo ponto. Trata-se de empresa privada que contrata quem bem entender e paga quanto achar por bem.
Mas é incrível que um indivíduo sem o menor atrativo (visível) receba tudo aquilo pra jogar conversa (de péssima qualidade) fora.
Por essas e por outras, fico contente quando vejo os inventores do Google e outros semelhantes ganharem fortunas.
Certamente porque durante anos ganhei a vida desenvolvendo programas de computador, consigo imaginar o quanto é fantástico o que esse pessoal conseguiu fazer.
Em particular, lembro que meu maior fracasso – nessa área (tenho fracassos em muitas outras áreas) – foi o desenvolvimento de um sistema de busca. Dirigi uma equipe de quatro analistas de excelente nível para construir o sistema. No primeiro teste, uma vez pronto o dito sistema, ele demorou umas 10 ou 12 horas pra terminar uma pesquisa.
Sempre que uso o Google lembro do meu desastrado sistema.
E dou a mão à palmatória.
Os caras merecem a fortuna que ganharam e continuam a ganhar.

domingo, 4 de novembro de 2007

O Brasil que eu amo - 2


É verdade: o brasileiro é muito cara-de-pau.
Jamais pau-de-cara.
Afinal, brasileiro entende que as preliminares são fundamentais.

sábado, 3 de novembro de 2007

Volta ao mundo em pouco mais de 24 horas


Acabo de dar um profundo suspiro de alívio e preciso escrever isto pra não explodir.

Acontece que a caçula da Baixinha foi viver na Austrália e resolver contribuir para o povoamento daquela grande ilha, instalando lá, além dela própria, um novo cidadão, que deverá chamar-se Taj.
Taj deve chegar agora, em torno do dia 13.
Logo que soube da gravidez da caçula, a Baixinha resolver atender ao apelo da filha e ir acompanhar o parto.
Acontece que a Baixinha sempre teve ojeriza à língua inglesa. Ela não falava, rigorosamente, uma palavra do inglês. Tá bom, talvez OK.
Começou a tomar aulas e estudava aproveitando todos os minutos disponíveis.
Foram alguns poucos meses.
Dizem que tem sorte quem merece. O fato é que ela conseguiu uma professora fantástica, que assumiu como desafio conseguir fazer a Baixinha chegar, sozinha, a Gold Coast.
Pois é. O agravante era esse. De São Paulo a Santiago do Chile, de Santiago a Auckland e logo a Sydney, tudo bem.
O crucial era que, ao chegar a Sydney, a Baixinha teria de passar pela alfândega, retirar a bagagem, procurar o ônibus que a levaria a outro terminal no qual ela embarcaria em vôo doméstico para Gold Coast.
Anteontem, 1° de novembro, no vôo das 16:30, lá se foi a Baixinha.
Estava tensa, mas comparada a mim, era um poço de calma e tranqüilidade.
Já em Santiago, ela me surpreendeu: sem ter levado computador, conseguiu passar-me um e-mail contando coisas da primeira parte da viagem.
Enfim, acaba de ligar, para dizer que está ao lado da filha, em Gold Coast.
E explicou, com voz de quem sorri:
- Estou com a Lu. Já chorei.

Garanto e pago um picolé de chocolate: a caçula só quando já tiver alguns quilômetros rodados no papel de mãe é que conseguirá captar – em sua inteireza – a grandiosidade da atitude da própria mãe.

Garanto também que nada é mais gratificante do que se constatar que a pessoa com que se divide a vida é feita de nobreza sem par.

Vou dormir. Boa noite.
Ou bom dia, pra quem está na Austrália.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Dia da caça


Lá pelo mês de julho um operador de telemarketing ligou pra minha casa pra falar com a Baixinha. Queria oferecer mundos e fundos de um banco (pensando bem, só os mundos, porque os fundos eles não distribuem assim, sem mais aquela).
Por já estarmos saturados de tanta invasão de privacidade via telefone (é um tal de telefonar pra oferecer maravilhas ou pedir algumas migalhas de ajuda humanitária), a Baixinha soltou os cachorros:
- Não quero e tenho raiva de quem quer. Boa tarde.
E desligou.
O cidadão começou a ligar várias vezes. Como essas ligações são gravadas, ele ligava e ficava mudo. Não satisfeito, ligou de um celular e passou um pito na Baixinha.
Daí pra frente, passou a ligar várias vezes por dia do tal celular.
Ligava e ficava mudo.
Reclamei com o tal banco.
Depois de muitas idas e vindas, concluíram que não era deles o telefone do qual o indivíduo nos telefonara.
Passado um tempo, começamos a receber ligações a cobrar de um outro celular. Atendíamos e ninguém falava nada do outro lado. Logo concluímos que devia ser o maníaco do banco.
Como as ligações se repetiam, várias por dia, todo dia, resolvi partir para o ataque.
Escrevi um texto, pus na tela do computador e liguei para o indivíduo a partir do Skype. Não sem antes me certificar de que o número que apareceria no celular dele seria inócuo. Se ele retornasse a ligação, nada aconteceria.
Ele atendeu. E eu passei ao texto à minha frente, na tela, procurando fazer voz de locutor de FM:



Bom dia!
Estamos ao vivo, pela Gama FM.
Seu telefone foi sorteado. Se você responder nossa pergunta, ganha um radio relógio despertador.
Seu nome?
[ele deu o prenome]
Perfeito, Felipe.
Vamos à pergunta. Capricha na resposta, Felipe.
Preste atenção. Nosso patrocinador é Casas Bahia.
E eu pergunto:
Qual a loja em que você compra os melhores produtos pra sua casa nas melhores condições de financiamento?
[ele foi firme: CASAS BAHIA]
Perfeito, Felipe! Excelente. Claro, é nas Casas Bahia.
Você acaba de ganhar um magnífico rádio relógio despertador. Ele agora é todo seu. Só peço que você aguarde na linha que já falo com você para anotar seus dados. Não desligue.
E vamos voltar à nossa programação musical.


Dei um tempinho e passei a falar com voz normal:


Felipe. Agora já não estamos mais ao vivo. Me dê seu nome completo.
[ele deu o nome todo]
Deixa eu registrar aqui no nosso cadastro.
Seu endereço.
[ele forneceu e explicou onde ficava. Por sinal, perto de minha casa]
Etc. Etc.


De início, ele duvidara:

- Isso é um trote?

Não, Felipe. Estamos ao vivo pela Gama FM.

Ele embarcou no meu tom enfático e vibrante e acreditou.
A coisa funcionou perfeitamente.
Ou melhor, quase.
Minha intenção era pegar todos os dados do indivíduo para entregá-los ao banco. Eu estava convencido de que se tratava do tal operador de telemarketing.

Depois do endereço, pedi o CPF.

E ele:

- Mas eu tenho 14 anos!

Percebi que estava diante de outro que não meu suspeito.
Levei a brincadeira até o fim. Ele quis saber quando o relógio seria entregue. Tudo direitinho.
Cheguei a ficar com pena. Pensei até em levar o rádio relógio pro guri.
Mas fiquei firme.
Ele aguardou o prazo que dei. Não chegou relógio algum.
Nunca mais ligou.

domingo, 28 de outubro de 2007

Coincidências


O rabino Sobel foi pego com a boca na botija, ou melhor, com as gravatas surrupiadas.
O padre Lancelotti está pra lá de enrolado com os milhares de reais ofertados a seu amigo íntimo.
O apóstolo Hernandes e a bispa Sonia estão em cana, nos Estados Unidos.
Coincidência.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Serviço de Utilidade Pública

A Polícia Federal adverte:
Tomar leite pode causar perfurações no intestino.


Sugestão: troque o leite do café da manhã por vinho tinto (de preferência português, claro, claro)

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

O Portão


Às vezes, principalmente à noite, costumo sintonizar o canal de TV que mostra a portaria do prédio em que moro. Assisto, então, a um filme fantástico, repleto de intensas metáforas.


O ritmo é lento, como convém a um filme-de-arte. Diria mesmo quase parado. O quase vai por conta dos carros que passam vez ou outra. As grades lembram nossa condição de aprisionados pelos limites impostos a nossos desejos. Os carros que passam remetem à fugacidade da existência humana. Um transeunte passa no sentido contrário dos carros. Natureza versus tecnologia. Um quase Bergman. Vez ou outra chega um entregador de pizza. É a invasão do cotidiano em minha meditação transcendental. Recomendo.

domingo, 14 de outubro de 2007

Miles de locos


Hoje me senti como o mexicano da velha piada. Pra quem não conhece, um mexicano ia pela manhã por uma auto estrada e inadvertidamente entrou na pista contrária. A rádio que dava notícias sobre o trânsito e que o dito cujo mexicano ouvia, alertou seus ouvintes:
- Usuários da auto estrada tal. Muito cuidado. Há um louco na contramão.
E o mexicano, pensando alto:
- Un loco, no. Miles de locos.

Pois a Baixinha me arrastou para assistir ao espetáculo teatral O Baile. A coisa toda é um desastre. Não, não pode ser dito assim. O certo é dizer que a peça – perdoem-me os leitores mais sensíveis – é uma bosta.

Até aí, nada. Ou quase nada. O mundo está repleto de peças teatrais horrorosas.

Minha estupefação foi quanto ao público. Primeiro: casa lotada. Segundo: o público, ao final, aplaude de pé, por longos minutos. Todo mundo sai maravilhado. Só se escutam comentários elogiosos, na saída.

Definitivamente, sou um E.T..

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Da série O Brasil acabou - VI


O presidente do Congresso Nacional – Renan Calheiros - parece querer bater o recorde mundial de apego ao cargo. Sua situação atingiu um tal grau de ridículo que já supera largamente a marca de Severino Cavalcanti no ridiculômetro.

O Executivo é comandado pelo Nove Dedos (quando eu era pequeno, havia um famoso meliante cuja alcunha era Sete Dedos. Avançamos dois dedos nos últimos 50 anos).

Um membro do STF – Gilmar Mendes – pressiona senadores para que aprovem a nomeação de apaniguado para um cargo no Dnit.

Em uma república assim, da famosa frase do Stanislaw Ponte Preta (Restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos) só nos restou o último dos termos da disjunção.

É pegar ou largar.

sábado, 29 de setembro de 2007

No Reino Unido da Avacalhação


A Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo aprovou, recentemente, o projeto Deus na Escola.

No meu tempo, Ele era onipresente.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Demônios e Lulla


Dizem - ainda não pude verificar se é verdade - que na contracapa do novo CD dos Demônios da Garoa está escrito:

A mentira tem perna curta, língua presa, barba branca e nove dedos.

domingo, 9 de setembro de 2007

Ainda Vinhais


Lídia é a culpada.
Foi em 1.999 que a procurei, em Vinhais. Era a única parente, em Portugal, da qual eu tinha notícias.
Recebeu-nos (Baixinha e eu) com magnífico almoço, em sua casa, então no Largo do Arrabalde. Ela, seu marido Manoel e a filha Lídia Maria.
Foi Lídia quem me comunicou a existência de minhas duas primas carnais, Zelinda e Dora. Moradoras da aldeia de Passos, na região da Lomba. Foram Lídia e Manoel que nos levaram até elas e abriram um novo capítulo em nossas vidas.
Lídia, ela mesma, não é – a rigor – minha prima.
Mas é como se fosse. Tão admiradora quanto eu (ou até mais) de nossa tia comum, a saudosa tia Carola, Carolina Augusto Fernandes.

Desta vez, agosto de 2.007, fomos mais uma vez almoçar na casa de Manoel e Lídia. Agora moram um pouquinho afastados do Largo do Arrabalde. Largo, aliás, em reformas.
Depois do almoço, levaram-nos ao Alto da Cidadela (ou Monte da Ciradelha). São de lá as fotos abaixo.
Sem comentários.




À esquerda, Lídia


terça-feira, 4 de setembro de 2007

Um almoço no Solar Bragançano


O Solar fica na Sé. É um restaurante sofisticado. Já lá saboreamos uma musse de castanhas que a Baixinha imitou, em um jantar aqui em São Paulo para o Ordisi e o Branco Leone, com respectivas. Foi fartamente elogiado.
Desta vez fomos lá um dia, almoçar.
Ao olhar o cardápio, ficamos animados a experimentar o Arroz de Mariscos (prato para duas pessoas).
Quanto ao vinho, escolhi um verde branco, já não me lembro qual.
Veio atender-nos o proprietário, sujeito muito grande, expressão de mordomo culpado, de filme de suspense.
- O Arroz de Mariscos é o prato mais demorado da casa.
- Muito demorado?
- Sim. Muito demorado.
Claro, desistimos.
A Baixinha partiu para costeletas de porco. Eu, pedi febras de porco.
E mudei o vinho para um tinto do Alentejo, acho eu.
Passado um tempo, preenchido com nacos de pão ao azeite, chegaram os pratos e o vinho.
Quanto aos pratos: a Baixinha recebeu suas costeletas. Já a mim, o solícito mordomo, melhor, garçom/proprietário, explicou ter substituído as febras por lombo (qual será a diferença?).
Sem maiores explicações.
E aí, veio servir-nos o vinho.
Notificou-nos, sempre muito atencioso, ter substituído o tinto que eu pedira por outro, Casa dos Zagalos.


Lembrei-me do fatídico Zagallo, do futebol, quando urrou para todo o Brasil, após uma vitória não esperada da seleção comandada por ele:
- Vocês vão ter de me engolir!

Engoli o vinho. Com prazer.

Da próxima vez digo ao proprietário:
- Sirva-me o que bem entender.

É mais prático.