sábado, 14 de julho de 2007
Oi!
Assisti a boa parte da abertura do Pan. Pela rede Globo, com a narração do inefável Galvão Bueno.
Como todas as outras aberturas de Pans, Olimpíadas, Copas do Mundo e que tais, esta também foi cheia de luzes, cores, sons. Tudo bastante kitsch, bastante oba-oba.
Afinal, somos mestres em desfiles de carnaval.
Os dois pontos altos dessa abertura, para mim, foram:
1. A retumbante vaia recebida pelo Lula, que chegou atrasado 50 minutos (essa é uma das mais óbvias formas que ele descobriu de exercitar seu poder presidencial) e obrigou o Galvão a falar mais asneiras do que normalmente fala. Quando chegou a hora de o Lula declarar abertos os Jogos, mostraram o dito cujo se preparando pra falar, microfone junto à boca e... desistiram. O presidente do comitê organizador dos Jogos fez a declaração de abertura e o Lula simplesmente não apareceu mais. Deve estar se mordendo de dor no Ego.
2. Mas a melhor, de longe, dessa Abertura, foi a ocorrida no início do discurso do mexicano presidente de alguma coisa pan-americana esportiva. O cidadão, simpaticamente, começou sua fala cumprimentando o público em português:
- Boa noite a todos (ou algo do gênero).
Em seguida, propôs-se a iniciar um discurso em espanhol. A arenga começava assim:
- Hoje, bla bla bla etc etc.
Em espanhol, isso fica assim:
- Hoy, bla bla bla etc etc.
Tendo o pobre mexicano iniciado com um sonoro
- Hoy
ouviu o estádio do Maracanã – em peso – retribuir:
- Ooooiii!
Pra mim, essa vale medalha.
sexta-feira, 13 de julho de 2007
PAN, Copa América e outras indecências
Depois que fiquei sabendo que o orçamento inicial para as obras do Pan era de 414 milhões de reais e que foram consumidos 3,7 Biliões (o correto, como se usa em Portugal, é mil milhões), fui conferir no dicionário de Grego ( o Bailly) o significado de PAN:
É isso. Pan é tudo. Transmite a idéia de algo que abarca tudo, o todo. Pan-americano, por exemplo, envolve todas as Américas.
Daí que, nesse butim de gigantes (o Maluf deve estar se remoendo de raiva. Isso é que é comissão. O resto é trocado), foram consumidos aproximadamente 9 orçamentos. Dava pra construir 9 empreendimentos iguais ao do Pan 2007 do Rio de Janeiro ao invés de simplesmente um – e mal acabado.
Que beleza!
Só vejo um senão: esses oito Pans que evaporaram teriam de ser distribuídos como manda a etimologia.
Por favor, senhores, mandem a minha parte, sim?
*****
Por falar em roubo, a seleção brasileira de futebol classificou-se para a final da Copa América em uma disputa de pênaltis em que o goleiro brasileiro desrespeitou claramente a regra de não adiantar-se antes da cobrança. Os ínclitos cidadãos que transmitiam o jogo pela rede Globo de TV chegaram à conclusão de que roubar a favor do Brasil é válido.
*****
E temos um presidente do Senado Federal esdrúxulo. De Verônica a Mônica e de volta a Verônica. De proparoxítona em proparoxítona, Renan avacalha a República. Por sinal, também esdrúxula.
terça-feira, 10 de julho de 2007
Lua-de-mel e aconchego
Dia desses a Margarida, a Saltapocinhas do blog Fábulas, mandou-me um e-mail com uma lista enorme de músicas brasileiras. É só clicar no nome da música e pronto: abre-se uma página da Internet e a música começa a ser tocada em sua versão mais famosa.
Aliás, os e-mails da Saltapocinhas são – sempre – excelentes. Aliás, ela é fantástica. Sou fã incondicional dessa professora de Aveiro. O pior é que estou a dever dois desafios que ela me mandou e eu deixei de responder. Paciência. Não será esse meu maior pecado.
Tudo isso pra contar uma história. Se você estiver lendo este post em computador sem som (ou se o momento não é apropriado para ligá-lo), paciência. Mas, se for possível, ligue o som e leia a história que vou contar com a página desta música em segundo plano. Quando a música termina, automaticamente ela começa de novo. Isso tem tudo a ver com a história.
Ajeitou tudo? Então vamos lá:
No início de meu namoro com a Baixinha, em 1.998 (quer dizer, do segundo namoro. O primeiro aconteceu 30 anos antes), ela morava em Niterói. Eu, São Paulo.
De vez em quando eu ia ao Rio. Outras tantas vezes ela vinha a São Paulo.
Até que resolvemos aproveitar um final de semana prolongado pra viajarmos juntos.
A Baixinha escolheu um lugar com todas as características de romantismo. Petrópolis, serra, pousada em lugar retirado, na Posse.
Lá fomos nós. Chegamos à Pousada do Aconchego em um final de tarde. Trata-se de uma casa de fazenda, muito simpática. Os caseiros nos receberam com muita hospitalidade. Disseram que a proprietária, a Regina, chegaria em breve.
Logo percebemos que éramos os únicos hóspedes.
Regininha chegou em seguida. Mulher madura, sua decadência física não impedia que se percebesse ter sido jovem bastante bonita.
Depois dos primeiros contatos, perguntou-nos a que horas gostaríamos que servissem o jantar. Concordamos em jantar lá pelas nove. Fomos para nosso quarto e Regininha começou a entornar um uísque ao som de Elba Ramalho e seu De Volta pro meu Aconchego.
Do quarto, notamos que ao final da música, Regininha não deixava que Elba partisse pra outra música. Levantava, ia até o cd player e retornava à faixa 1. E dá-lhe uísque.
Na hora do jantar, aconteceu o que temíamos. Fomos servidos em mesa única: a Baixinha, eu e – last but not least – Regininha. Ao fundo, Elba Ramalho, interpretando – talvez pela milésima vez – De Volta pro meu Aconchego.
Já totalmente de porre, Regininha usou o tempo integral do jantar para ilustrar, de inúmeras formas e maneiras, sua tese:
Homem nenhum presta.
Lua-de-mel melhor, impossível.
(pode desligar a Elba, agora)
domingo, 8 de julho de 2007
Quando reclamar é bobagem
1.988. Eu trabalhava em uma empresa nova, de informática. O dono, gênio maluco, já falecido, queria valer-se de incentivos fiscais para fazer negócios de grande porte.
Num sábado, que parecia que seria de descanso, me chamou e informou que no domingo viria do Rio de Janeiro um consultor jurídico para me passar toda a legislação importante sobre incentivos de informática.
Dia seguinte conheci Renato Kamp. Era um fulano alto, loiro, cabelo amarelo ralo, cara de alemão e alma integralmente carioca.
Perguntei a ele se não preferia escrever suas dicas. Começou por me esclarecer que um de seus princípios básicos, na área de consultoria, era não pegar em caneta ou lápis. Não escrevia uma palavra. Iria contar-me o que sabia. Eu que anotasse.
Ele, que além de consultor era o empresário do pianista Arthur Moreira Lima, gastou boa parte daquele domingo me transmitindo tudo o que valia a pena conhecer na área de incentivos à informática.
Com base nas informações de Renato Kamp, fizemos o primeiro negócio da empresa recém criada: 25 milhões de dólares. Nada mau.
Das várias coisas saborosas que aprendi com o carioquíssimo Kamp, uma delas jamais esquecerei:
- Há dois tipos de empresa com as quais não vale a pena brigar: concessionárias de automóveis e bancos.
E explicava: são todas tão ruins, que migrar de uma pra outra é pura perda de tempo.
sábado, 7 de julho de 2007
O bêbado e a concessionária
Dias atrás, mandei meu carro pra revisão em uma concessionária. Ficaram com o carro vários dias, me cobraram uma nota preta e me devolveram uma presumível perfeição.
Poucos dias depois, fiz uma viagem ao Rio de Janeiro. Na estrada, observei que toda vez que pisava no freio a mais de 100 km/h a direção tremia toda.
Ao voltar a São Paulo, telefonei para a concessionária e relatei o problema. Disseram que eu levasse o carro até lá para ser examinado.
Como o tempo estivesse curto, fui adiando. Sabia que – só um diagnóstico – demoraria uns dois dias.
Ontem, ao ir até o escritório em que trabalho, estacionei o carro a 45° em relação ao meio-fio. Quando retornei ao carro, havia um bêbado sentado no meio-fio, bem em frente a meu carro.
Antes que eu pudesse entrar no carro ele me chamou. Mostrou-me as rodas dianteiras do carro e diagnosticou:
- Seu carro está com as rodas totalmente desalinhadas. Estou bêbado mas entendo disso. Sou motorista de caminhão. Mande alinhar essas rodas ou você terá problemas logo logo.
Agradeci e fui embora, satisfeito.
Afinal, não sei explicar, mas me parece que um mundo em que um bêbado ainda é mais eficiente do que toda uma sofisticada empresa lotada de consultores técnicos é um mundo com esperança de salvação.
quinta-feira, 28 de junho de 2007
De cocozinho em cocozinho
chega-se à barbárie
Já descrevi, aqui, o maravilhoso condomínio em que – por ter irmã proprietária de apartamento lá – volta e meia passo uns dias.
Da última vez em que lá estivemos, a Baixinha, a irmã dela - minha cunhada, a Doga e eu, fiquei decepcionado com a falta de educação de muitos moradores do dito cujo condomínio.
Pensei até em escrever sobre isso aqui no Bazar mas a falta de tempo me impediu.
Você vai passear com seu cachorro pelas alamedas do condomínio e constata que, em vários locais, há porta-saquinhos para que você tenha como recolher o cocô do dito cujo. Tudo muito civilizado.
Só não conseguiram civilizar, ainda, os seres humanos moradores do condomínio. Você precisa tomar cuidado para não pisar em cocô de cachorro, o tempo todo. Encontrei cocozinhos até junto a um dos porta-saquinhos.
Quando, agora, estourou a notícia da violenta agressão sofrida por uma empregada doméstica em ponto de ônibus, na Barra, por parte de jovens criados na atmosfera do sem-limite e vi na TV a imagem do condomínio em que fico hospedado às vezes, pensei:
Ainda bem que não escrevi sobre o cocô de cachorro no condomínio. Isso não é nada, perto de alguns monstros que nele moram.
Logo em seguida mudei de idéia. Esses adolescentes-feras, ou esses animais-de-classe-média têm tudo a ver com os cocozinhos de cachorro displicentemente largados nas alamedas dos condomínios da Barra.
A barbárie começa com os pequenos desrespeitos às mais comezinhas regras sociais.
E, como sabemos todos, nada de mais grave – em termos de punição – vai acontecer a esses crápulas, logo logo eles vão estar à solta, espancando transeuntes indefesos ou até a própria mãe, como parece que é prática costumeira de pelo menos um deles.
Enquanto isso, quase 1.500 policiais trocam tiros com marginais no Complexo do Alemão e provocam a morte de 18 pessoas em apenas um dia. Se isso não é Guerra Civil, então – como se dizia deliciosamente no meu tempo de criança – minha avó é bicicleta.
sexta-feira, 22 de junho de 2007
Aeroporto Brasil
Esta notícia – pra mim – foi a melhor dos últimos tempos.
É a cara do Brasil. Os aviões já não utilizam o aeroporto há quatro anos, mas o pessoal continua imperturbável. Todo mundo tocando pra frente sua rotina.
A casa caiu e ninguém se tocou.
terça-feira, 19 de junho de 2007
O combinado é o combinado
Durante dez anos trabalhei em uma empresa de engenharia, a Promon.
Uma das características marcantes dos donos da empresa (empresa que, diga-se, tem um sistema acionário muito interessante mas que não vem ao caso) era – pelo menos na minha época – a fidalguia.
A começar pelo presidente da empresa: Tamas Makray.
Indivíduo que se impunha pelo mérito, não por fortuna, criou os filhos no cultivo da simplicidade. Um pouco daquilo que os americanos chamam de low profile.
Em minha primeira semana de empresa, minha mulher à época, estudante de filosofia, participava de um grupo de estudos do qual também fazia parte o Almos, filho de Tamas. Eu já o conhecia, mas não sabia nada sobre sua filiação. Em uma reunião do grupo lá em casa, minha mulher comentou com os participantes que eu começara a trabalhar na Promon. O Almos – sem perceber as conseqüências – exclamou:
- Meu pai também trabalha lá.
E minha mulher:
- Em que setor ele trabalha?
Almos, embasbacado, saiu-se com uma mentirinha:
- No setor de informática.
Para azar dele, era o setor em que eu fora trabalhar.
Quando, mais tarde, cheguei em casa, minha mulher perguntou-me:
- Em teu setor há um Tamas? É o pai do Almos.
Rimos muito, claro.
Outro diretor, o Siffert, que viria a suceder a Tamas na presidência, era de uma ironia sutil. Algumas vezes o ouvi comentar, depois de alguém fazer exposição da qual decididamente ele não gostara:
- Fico muito infeliz com o que ouvi.
Tal manifestação de infelicidade substituía o que, para diretores comuns de outras empresas, seria bem provavelmente um murro na mesa e uma carta de demissão.
No início dos anos 80, se não me engano, ascendeu à Direção Geral um engenheiro extremamente dinâmico, o Abreu.
Para o momento de crise que a empresa (e o País) vivia, Abreu foi escolhido para impor trabalho duro, disciplina.
Em seus primeiros tempos como manda-chuva publicou e distribuiu a todos os funcionários um Decálogo de sua autoria.
Não me lembro dos nove mandamentos finais. Mas o primeiro, para mim inesquecível, transformaria para bem melhor este mísero País, se adotado em larga escala:
O combinado é o combinado.
A saber: se você combinou alguma coisa com alguém, cumpra. Ponto.
segunda-feira, 18 de junho de 2007
Um sábado comum
À tarde, fomos assistir à OSESP, na cracolândia, ou melhor, na Sala São Paulo. Na volta à casa, trânsito lento na Rebouças. Na faixa reservada a ônibus e táxis com passageiros, dezenas de carros particulares passam rápida e alegremente. O rapaz que dirige o carro à frente do nosso abre a janela e atira ao chão uma embalagem de chocolate enquanto conversa distraidamente ao celular.
Diante de minhas lamentações, a Baixinha comenta que logo, logo, vou ter de parar de dirigir:
- Você não tem mais paciência com o trânsito.
E eu concordo, apenas ampliando:
- A coisa é mais grave. Não tenho mais paciência com o País.
Não sei se foi alucinação, mas tive a nítida sensação de ver um boi do Renan passar voando nos céus da Marginal Pinheiros.
terça-feira, 5 de junho de 2007
Globalização
Quem costuma freqüentar este blog sabe que temos, a Baixinha e eu, seis filhos.
Vai daí, a caçula da Baixinha (a nossa Quinta) resolveu ir para a Austrália. Gostou tanto que decidiu ficar por lá.
De repente, gravidez.
Resultado: começo de novembro nasce mais um neto. Se for menina, Tereza (em inglês, Triza, em português de Portugal, Treza). Se for menino, Taj. Em resumo, como muito bem bolado pelos pais, Little T.
Estaremos lá, para dar as boas vindas a Little T e explicar que o mundo é redondo e a Austrália tem muito a ver com o Brasil, com Portugal, conosco. E dizer a Little T que vale a pena viver. Em qualquer lugar, de qualquer jeito.
Benvindo ao mundo, Little T.
sexta-feira, 25 de maio de 2007
Morra ou viva sempre feliz
Hoje tive de ir a um Tabelião para representar minha filha e meu genro na venda de um imóvel. Eles, agora, moram em Connecticut e me pediram pra quebrar esse galho.
Ao voltar pra casa, mexendo em umas pastas suspensas de documentos dela, encontrei um bilhete com que minha primogênita me presenteou em meu aniversário, há vinte anos.
Vou já avisando: ela sempre foi ambígua nos cumprimentos. Pelo menos em relação a mim. Era um tal de "Te amo, apesar de...", coisas assim.
Mas penso não ter recebido cumprimento mais ambíguo que este, ao longo de meus já longos 62 anos.

Diante da alternativa que ela sugeria, preferi optar por viver sempre feliz.
Beijinhos, filha.
quinta-feira, 24 de maio de 2007
Assim não dá
O homem que vinha enganando todo mundo há muito tempo, segundo as investigações da Operação Navalha, chama-se Zuleido VERAS.
Já o presidente da presumivelmente respeitável Associação dos Docentes da USP chama-se Cesar MINTO.
Desisto.
terça-feira, 22 de maio de 2007
O piloto sumiu?
Ainda sobre a tal Operação Navalha: Reinaldo Azevedo acha que a Polícia Federal saiu do controle. E os policiais federais querem o aumento que lhes prometeram.
Ou seja, ninguém estaria manipulando a Polícia Federal. Esta é que estaria forçando uma solução para seu$ próprio$ problema$.
Façam suas apostas.
Operação Navalha rende dividendos
Painel da Folha de S.Paulo, 22 de maio de 2.007 (só para assinantes Folha ou UOL):
Silas e Dilma
O governo fará todo o possível para caracterizar Silas Rondeau exclusivamente como "homem do Sarney", esforço facilitado pelo fato de que a ligação entre o ministro colhido pela Operação Navalha e o senador é antiga e profunda. O objetivo de martelar essa tecla é manter no oblívio um outro aspecto igualmente verdadeiro: a proximidade de Silas com Dilma Rousseff, que ao trocar a pasta das Minas e Energia pela Casa Civil trabalhou tanto quanto Sarney para que o então presidente da Eletronorte viesse a sucedê-la.
No que depender do governo, memórias como a de que Rondeau "ganhou a confiança de Dilma" e "faz tudo o que a ministra pede", freqüentes no noticiário pré-escândalo, serão deletadas por completo.
Em campo. Dilma Rousseff conversou com muita gente no final de semana para tomar a temperatura do estrago provocado pela Operação Navalha no setor elétrico. Quem ouviu a ministra a descreveu como "apreensiva".
Coluna Giba Um, de 22 de maio de 2.007:
Maior defensor
A ministra Dilma Rousseff queria tirar Silas Rondeau do Ministério de Minas e Energia de qualquer maneira, aproveitando a reforma ministerial do segundo mandato de Lula. Mas, perdeu a queda-de-braço para o senador José Sarney, o maior defensor da permanência de Rondeau no ministério. O ex-presidente, inclusive, chegou a conversar, pessoalmente, com o presidente Lula sobre a permanência de Rondeau.
Alguém aí está lucrando com a tal Navalha.
Claro que não tenho provas para acusar ninguém. Mas, das duas uma:
Ou o Painel da Folha está decidido a incriminar a ministra Dilma,
Ou o tal de Giba Um é um dos encarregados de deletar por completo as relações entre a ministra e o famigerado Zuleido.
Uma breve pesquisa no Google, sobre o tema Dilma Rondeau, parece dar razão ao Painel.
sábado, 19 de maio de 2007
O Brasil que eu amo - 1
Direto ao ponto. O Brasil, de uns 30 ou 35 anos pra cá, eu abomino. Sempre que pretendi ser correto, fui perseguido. Sempre que quis ser civilizado, fui derrotado.
Graças a isso, quando em viagem no exterior, evito brasileiros. Quando aparecem por perto, a Baixinha e eu paramos de conversar, para que não nos descubram como brasileiros.
No último final de ano, em Madrid, fiquei feliz quando uma senhora veio até nossa mesa para nos desejar feliz ano novo. Era portuguesa. Perguntou-me se eu também era.
Sim!, disse eu. Ufa! Não precisei completar que era também brasileiro.
Triste.
Mas há um Brasil que amo.
E vou mostrar a vocês, aos poucos.
A começar de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.
Quando eu era criança, toda terça-feira (salvo falha de memória, era terça, mas isso não tem importância) sentávamos junto ao rádio, meu pai, minha mãe, minha irmãs e eu, para ouvirmos o Lua, durante uma hora (era uma hora?).
Do Brasil de Luiz Gonzaga, desse, eu me orgulho.
Veja só.
sexta-feira, 18 de maio de 2007
Operação Navalha.
Na carne de quem?
A Polícia Federal desencadeou, ontem, nova operação – a operação Navalha – durante a qual foram presas dezenas de pessoas.
Diz a Polícia Federal tratar-se de quadrilha que fraudava licitações.
Ora, ora.
Em 1.988, portanto há quase 20 anos, fui ser diretor de uma empresa na qual já era diretor um grande amigo meu. Belo dia, ele me contava algo ocorrido alguns anos antes, quando ele trabalhava em outra empresa. Em meio à história, mencionou uma fraude em uma licitação. Eu, que naquele tempo era bem mais ingênuo do que hoje, manifestei perplexidade:
- Fraude em licitação?!
E ele, olhando pra mim com a expressão surpresa de quem esbarra em um extraterrestre:
- Todas as licitações são fraudadas.
Pois bem. Por essas e por outras, quando você vir um estardalhaço desses em torno de coisa absolutamente cotidiana, não embarque de imediato. Pergunte primeiro: por que essas pessoas? Por que agora?
O Painel de hoje, da Folha de S.Paulo, tem algumas informações e especulações sobre o tema. Leia.
Viu só? Em 2.001 já eram conhecidas, no Senado, as articulações do tal de Zuleido, tido como chefe da quadrilha presa ontem.
Logo, o melhor é parar e perguntar: Qui prodest? A quem interessa?
A resposta tem de estar dentro de estreito círculo de poder que consegue desencadear tais operações.
Só uma nota
Ia falar sobre a entrevista coletiva de nosso Presidente Lula.
Mudei de ideia.
Não adianta. O Brasil parece ter morrido lá na curva Tamburello, junto com Ayrton Senna. Pelo menos a vergonha e a coragem ficaram lá, destroçadas contra o muro.
Por isso, prefiro oferecer a vocês uma interpretação do Samba de uma nota só, de um de meus pianistas favoritos: Erroll Garner.
Boa curtição.
segunda-feira, 14 de maio de 2007
E-pílulas
Está todo mundo à procura das tais pílulas de Frei Galvão, o santo brasileiro.
Acho que todo mundo já sabe: as pílulas são feitas de tiras de papel com orações escritas nelas. Depois de bem enroladinhas, são distribuídas para curar de calo a câncer.
Minha sugestão: para evitar a formação de enormes filas e também para ampliar o alcance das pílulas miraculosas, que tal mandá-las por e-mail?
As freiras poderiam despachar e-mails com as orações. Os fiéis receberiam o e-mail, imprimiriam o próprio (de preferência no menor tamanho de letra possível) e fariam a pílula, ou melhor, a e-pílula.
Tem mais: não cobro royalties por essa fantástica idéia.
domingo, 13 de maio de 2007
Ainda dá pra transformar Massa em herói?
Quando Ayrton Senna começou sua carreira, a rede Globo o transformou rapidamente em herói nacional. Aliás, a fama do garotão espalhou-se pelo mundo afora.
Depois de sua morte, esperava-se que o Rubinho mantivesse acesa a audiência das corridas de fórmula 1.
Como o moço mostrou-se um piloto medíocre, a mídia passou bastante tempo a explicar que tudo era culpa dos carros.
Daí que o povão aprendeu que corrida de automóvel é coisa pra automóvel. O piloto é um acessório.
Ou seja, só quem sabe torcer – em Fórmula 1 – é italiano. Que torce pelo carro (a Ferrari), não pelo piloto.
Agora o Felipe Massa começa a ganhar corridas.
A rede Globo vai tentar alavancar suas transmissões, insistindo na genialidade do baixinho.
Será que vai colar?
sexta-feira, 11 de maio de 2007
Joseph & Georg
quinta-feira, 10 de maio de 2007
Esses australianos bárbaros não aprendem
Na Austrália, condenaram à prisão perpétua duas mocinhas que, aos 16 aninhos, mataram uma amiga para ver como era a sensação de matar alguém.
Que pessoal mais avesso aos direitos humanos.
Aqui, não.
Nosso Champinha está sendo tratado da melhor forma possível, para que não fique traumatizado com a cadeia.
You Tube: quase perfeito
O You Tube realmente é um barato. Lá, a gente encontra coisas do arco da velha. E pode guardar em Favoritos, pode compartilhar com amigos, pode postar no blog etc etc.
Só que a perfeição ainda vai demorar um pouco. Digo isso porque quando quis postar aqui o vídeo do Paolo Conte, tentei seguir as instruções do You Tube, a saber: logo abaixo do vídeo que você quer postar em seu blog você clica em Postar no blog. Aparece uma mensagem dizendo qualquer coisa do tipo: Logo este vídeo estará em seu blog.
Fiz isso no dia 7, segunda-feira passada.
Nada.
Tentei outra vez.
Nada.
Esperei o dia seguinte.
Nada.
Como o You Tube fornece o código HTML do vídeo, fiz o post utilizando esse código.
Eis senão quando, hoje, três dias depois, meu blog foi inundado por vários Paolos Contes, o que motivou a piada do Asulado (que me alertou para o que estava a acontecer):
All that jazz?
.
quarta-feira, 9 de maio de 2007
Igreja da Estupidez Universal
Acabo de voltar de uma delegacia de polícia. Uma e meia da madrugada.
Eram 11 e pouco da noite quando recebi telefonema angustiado de minha cunhada. Sua filha, intérprete, estava trancada em uma sala do principal templo da Igreja Universal em São Paulo, na avenida João Dias. Acompanhava uma jornalista canadense que veio ao Brasil para cobrir a visita do Papa e quis fazer matérias sobre outras religiões.
Foram até o templo com a intenção de entrevistar algum bispo, coisas assim. A canadense começou a gravar (só áudio) e logo foi agarrada pelos cristãos-universais. Minha sobrinha foi também agredida e colocada em uma sala. Conseguiu ligar para a polícia e para a mãe.
Na delegacia, uma equipe de uns dez cristãos-universais filmava tudo. Mas já não eram os que haviam agredido a jornalista e sua intérprete. Eram outros. Eles são organizados.
Ficamos lá algum tempo. A jornalista queria seu equipamento de volta. Os universais queriam apagar tudo que havia sido gravado.
Não sei quem tem razão, do ponto de vista jurídico. Isso só vai ser resolvido logo mais, durante o dia, com exame de corpo de delito e coisas do gênero.
Agora, do ponto de vista – como direi – cristão, até eu, ateu praticante, fico triste ao constatar que essa tal de Igreja Universal do Reino de Deus só não pode ser chamada de máfia por respeito às máfias.
Não é à toa que o Brasil está mergulhando nisso.
terça-feira, 8 de maio de 2007
E com vocês, Paolo Conte
Na década de 80, assisti, por acaso, a uma gravação de apresentação de Paolo Conte no Maksoud, em São Paulo. Foi ao ar pela TV Cultura. Consegui gravar em fita VHS. De vez em quando, colocava a fita no vídeo cassete (lembra disso?) e voltava a me deliciar com as canções desse fantástico compositor, pianista e cantor.
Um horrível dia, não sei por que cargas d'água, apaguei a fita.
Em outubro de 2.005, ao chegar a Milão, a primeira coisa que fiz foi ir a uma loja de discos procurar um CD de Paolo Conte.
Maravilha: encontrei o CD daquele show da década de 80.
Uma das músicas desse show é sotto le stelle del Jazz, que Renato oferece a seus leitores como prova de afeição eterna (lembra dos programas de rádio em que se ofereciam músicas pra namorados, namoradas, amigas, amigos e que tais?)
segunda-feira, 7 de maio de 2007
Da série Gostaria de entender - 2
A Folha publicou, neste domingo, resultados de pesquisa sobre a religiosidade (ou falta de) dos brasileiros.
97% dos brasileiros acreditam em Deus.
Até aí, nenhuma novidade.
Apenas o prazer de me sentir pertencente a uma elite. A elite atéia.
Engraçado é que 64% são católicos, mas só 60% acreditam em vida após a morte. Quer dizer, tem gente por aí que é crente mas com um pezinho na desconfiança.
E eu, que pensava que Deus era uma idéia destinada a aliviar o medo da morte. Parece que, cada vez mais, Deus é entidade à qual se recorre pra resolver os problemas desta vida mesmo.
Não é à toa que os jogadores do Flamengo pedem ajuda de Deus para ganharem jogo, os jogadores do Botafogo não deixam por menos e toda vez que um boleiro marca um gol, o crédito vai para o Divino.
Nas igrejas tipo Universal, Renascer etc, Deus é uma espécie de amigão rico ao qual se recorre pra sair da falência e ingressar na prosperidade.
Não tenho informação de fonte direta, mas aposto que facções criminosas rivais, antes de travarem batalhas por pontos de venda de drogas, pedem proteção dos céus.
E haja jogo de cintura divino pra contentar a todos.
Vou estar batendo o telefone na sua cara, senhor
Novidade na praça. Agora, os funcionários do atendimento ao cliente da NET já não estão com aquela paciência toda.
Dia desses, ao ligar para saber por que continuavam a me cobrar por 8 Mb se eu já pedira pra baixar pra 2 Mb desde 11 de abril, fiquei pendurado na linha, ouvindo aquelas propagandas ridículas da NET. A atendente, de vez em quando, entrava na linha e dizia:
- Mais um momento, por favor.
Depois de mais de 10 minutos, finalmente ela voltou para me dizer que eu deveria ligar para outro lugar. Ali, era atendimento técnico. Eu teria de ligar para Cobrança.
Já um tanto irritado, argumentei:
- Minha senhora, penso que – como cliente – tenho o direito de saber o que a senhora ficou fazendo por quase 15 minutos para, por fim, me dizer algo que a senhora já sabia desde o primeiro momento.
- Meu senhor, o senhor não ficou esperando por 15 minutos.
- Foram quase 15, minha senhora. O que a senhora estava fazendo durante todo esse tempo?
- Não foram 15 minutos, meu senhor. Queira ligar novamente.
E PAFT. Desligou na minha fuça.
Vou estar tomando mais cuidado da próxima vez. Sei lá se – agora – os atendentes não vão estar mordendo à distância.
Nunca se vai estar sabendo.
sexta-feira, 4 de maio de 2007
Aquecimento blogal

Com todo o gelo do post anterior, sobre o Perito Moreno, resolvi acender a lareira pra aquecer o blog.
quinta-feira, 3 de maio de 2007
Glaciar Perito Moreno
O glaciar Perito Moreno fica juntinho à cidade de El Calafate, no sul da Argentina. Um pouco mais abaixo fica Ushuaia (qualquer dia mostro fotos de lá), a cidade mais ao sul no mundo, por isso conhecida como Fim do Mundo.

Curto e grosso: o Glaciar Perito Moreno é um rio de gelo. Ele desemboca, digamos assim, no Lago Argentino. Quando avança um pouquinho mais, encosta na Península Magallanes e separa o Brazo Rico do Lago Argentino. De vez em quando, algo como de quatro em quatro anos, rompe-se sua ligação à Península e o Brazo Rico mata suas saudades do Lago Argentino. Esse espetáculo costuma ser acompanhado por milhares de pessoas.

Há exatos 4 anos, estive lá com a Baixinha.
As fotos que tiramos, vejam só, são de 25 de abril de 2.003. E eu nem era português ainda. Pelo menos, não de carteirinha.
Como pode ser visto no gráfico acima, a frente do glaciar tem seu centro (que é o que encosta na península, de vez em quando), sua face sul e sua face norte. A face norte é voltada para o Lago Argentino. A face sul, molhada pelo Brazo Rico.
Fomos de barco até juntinho da Frente Sul.






Depois, por terra, da Península Magallanes, contemplamos a Frente Norte:



E o centro. A sensação é de total perplexidade diante de tamanha grandeza.



Fico eu a imaginar quanto whisky é possível tomar com todo esse gelo.
quarta-feira, 2 de maio de 2007
terça-feira, 1 de maio de 2007
domingo, 29 de abril de 2007
Ainda sobre Éder Jofre
Há alguns poucos anos, meu filho, que ainda morava comigo, freqüentava uma academia de esportes, em São Paulo. Lá, ele praticava natação, puxava uns pesos, coisas assim.
Belo dia, resolveu diversificar. Marcou uma aula de boxe.
Eis que surge, para lhe dar aula, Éder Jofre em pessoa.
Ele ficou absolutamente paralisado.
Éder estranhou a atitude (ou a falta de) dele.
Ele explicou:
- Sempre ouvi meu pai falar sobre você. Não acredito que estou diante de um mito.
Éder, com a simplicidade que sempre o caracterizou:
- Deixa de bobagem, garoto. Vamos à aula.
De Éder a Popó

Durante minha adolescência, um dos ídolos brasileiros era Éder Jofre. Considerado um dos maiores pugilistas de todos os tempos, Éder era ao mesmo tempo técnico e guerreiro. Apanhava muito na maioria de seus combates, porque ia pra cima do adversário. Apanhava mas acabava por derrubá-lo.
Ontem à noite, assisti ao final da luta de Popó. E, não pela primeira vez, vi Popó desistir da luta logo que começou a ficar inferiorizado.
O tal Popó é assim: se acerta um soco e derruba, comemora.
Se começa a apanhar, desiste da luta sem o menor pudor, embolsa a bolsa e deixa a platéia, que pagou ingresso, chupando dedo.
De Éder a Popó, temos uma excelente alegoria da história recente Destepaís.
sexta-feira, 27 de abril de 2007
Da série Gostaria de entender - 1
Sou da classe média brasileira. Uma das características de tal pertinência é a possibilidade de ter a meu serviço uma empregada doméstica.
(O exército industrial de reserva, de que fala Marx, e que no Brasil atinge proporções catastróficas, me possibilita esse – digamos – luxo. Mas isso já é outra conversa.)
Voltemos à minha empregada. Vamos chamá-la de Josefa (em homenagem à fantástica empregada que tive em 1.968, na rua Maria Antonia, e que já faleceu).
Josefa recebe 13 salários anuais de R$ 600,00 e é registrada em sua Carteira Profissional.
Pagamos, ela e eu, uma grana mensal para a Previdência. Eu, 12%, ela 7,65%. Tudo isso para que ela tenha alguns direitos, o principal deles o de receber uma aposentadoria depois de um certo número de anos de contribuição.
Até mesmo pela precisão sugerida pelas duas casas decimais do percentual pago por Josefa, presume-se que tudo tenha sido calculado direitinho para que seja possível entregar a Josefa a mercadoria anunciada pela Previdência.
Vai daí, ano passado, o vaníloquo Lula – necessitado de uma reeleição – foi orientado por seus asseclas a fazer o bem com o chapéu alheio. A saber:
Este ano, ao fazer minha declaração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, pude descontar aqueles 12% que recolhi todo mês, durante o ano passado. Apenas que limitados a um salário mínimo.
Ou seja, o Tesouro Nacional vai me devolver boa parte da grana que eu paguei para que Josefa tenha direitos previdenciários.
Das duas uma:
Ou estavam cobrando muito
Ou vai faltar dinheiro no futuro para cumprir os compromissos da Previdência com Josefa.
Mas, como o futuro a Deus pertence, Ele que se vire.
Quanto a nosso presidente façanheiro, já conseguiu o que queria.
domingo, 22 de abril de 2007
Da série O Brasil acabou - IV
Está muita gente indignada com o fato de Mangabeira Unger ter aceito um cargo de ministro no governo Lula, que ele chamou de o mais corrupto da história.
No Brasil fabricam-se heróis com a mesma facilidade com que se pula carnaval.
FHC já foi considerado vítima da ditadura militar. Lula idem.
A sensação que deve ter um jovem, que não viveu aqueles anos, é a de que todo mundo era contra a ditadura.
Claro que era quase todo mundo a favor. O quase vai só pra não esculhambar de vez.
As máfias proliferam. O judiciário apodreceu faz tempo.
O legislativo ainda me parece o poder menos corrupto. Não é à toa que é o mais acusado pela imprensa. Deputados e senadores cobram mais barato.
Executivo? Nem se fale.
Imprensa? Fala baixo. Franklin Martins que o diga. Vendeu-se por um pires de lentilha.
Gente: um apelo. Cobrem mais caro. Vocês estão avacalhando a corrupção.
Atualização: Hoje, 27 de abril de 2.007, Nelson Motta escreveu isto na Folha de S.Paulo. Vai ao encontro de meu apelo.
sábado, 21 de abril de 2007
Os pastéis da Globo News
Mais pastel de vento. No noticiário das 18 horas, agora há pouco, na Globo News, o garotão que lê as notícias leu o seguinte:
Os franceses vão às urnas amanhã para escolher o presidente da República. Essa é uma das mais disputadas eleições presidenciais dos últimos anos na França.
Vamos ver: quando se diz dos últimos anos certamente não se está a falar dos últimos quinhentos anos. Fala-se, digamos, dos últimos 20 ou 30 anos, talvez.
As eleições presidenciais francesas se davam de 7 em 7 anos. Em 1.995 houve eleição. Em 2.000 houve plebiscito que mudou a duração do mandato presidencial para 5 anos. Houve eleição em 2.002. Amanhã, novas eleições. Portanto, nos últimos 30 anos houve 4 eleições para presidência da França.
Se, como redigiu o inefável redator da Globo News, a eleição de amanhã será uma das mais disputadas dos últimos anos, isso significa que será uma das mais disputadas entre cinco eleições. Terá sido a terceira mais disputada? A quarta?
Talvez a última? Ou seja, talvez a menos disputada?
Ora, o redator da Globo News tem mais o que fazer do que ficar investigando essas bobagens.
E dá-lhe pastel de vento no telespectador.
quinta-feira, 19 de abril de 2007
terça-feira, 17 de abril de 2007
quinta-feira, 12 de abril de 2007
Os pastéis da Net Virtua
Quando comecei a utilizar o Net Virtua (conexão de banda larga), há vários anos, pedi a maior velocidade que eles podiam oferecer, na época. Se não me engano, era de 512 Kbps. Com o tempo fui sendo automaticamente migrado para velocidades maiores (2 Mbps, por fim 8 Mbps). Sempre pagando a baba de R$ 140,00 por mês.
Demorou pra que eu percebesse que essa história de 8 Mega era pastel de vento. Media a velocidade por qualquer desses medidores disponíveis na Internet (o sugerido pela Net não funciona) e ela nunca passava de uns 1 Mega e pouco.
Finalmente, resolvi deixar de ser um completo idiota e optei por ser só um quarto de idiota: solicitei a mudança para a menor velocidade disponível: 2 Mega.
Resultado: passei a pagar R$ 79,99 (R$ 60,01 a menos, todo mês). A velocidade? Aumentou um pouco. Agora dá quase 2 Mega.
domingo, 8 de abril de 2007
Perdas
Hoje acordei angustiado. Acabara de emergir de um pesadelo. Nele, eu me preparava para uma viagem mas as coisas se complicavam. Ao tentar fazer a bagagem, notava que muitos objetos haviam sumido. Outros estavam desarrumados. Era preciso rearranjá-los. E o tempo corria. Vagamente, dava-me conta de que não sabia o caminho até a estação (de trem?). Iria perder o transporte.
Ao acordar, ficou claro que meu pesadelo tinha uma palavra chave: perda.
Comecei a recordar as minhas. Muitas.
A perda da minha primeira bicicleta. Furtada.
A perda do primeiro amor.
A perda do pai. Minha primeira experiência íntima com a morte.
A perda da liberdade. A prisão.
A perda de meus livros. Aliás, perdas. Foram três bibliotecas desfeitas ao longo dos anos.
Perdas. Perdas. Perdas.
De quase todas, sobra algum ganho.
Aprende-se muito com elas.
E – maravilha – me dou conta de que há perdas necessárias, fundamentais.
A começar pela perda do conforto do útero. É preciso perdê-lo para usufruir da vida.
A perda da virgindade, que nos abre o caminho do prazer. E nos oferece a eternidade, pela procriação.
A perda dos filhos para o mundo. Porque poucas coisas são tão tristes quanto filhos dependentes.
A perda da juventude. Tira-nos tanto para nos conceder maturidade.
Por fim, a perda da vida. A Morte.
Os homens inventam religiões para abatê-La a golpes de eternidade.
A ciência faz de um tudo para empurrá-La para o dia de São Nunca.
E Ela continua a nos matar para que a vida tenha sentido.
sexta-feira, 6 de abril de 2007
Anti-Congresso
Dado o quase infinito volume de leis federais vigentes no Brasil, a gente poderia eleger um grupo de anti-deputados para constituir a Anti-Câmara Federal. Sua atribuição não seria a de criar leis, mas a de revogá-las. Quanto mais, melhor.
Aliás, o salário dessa turma de virtuosos destruidores seria proporcional ao número de leis revogadas em cada mês.
Dúvida: precisaria existir um Anti-Senado?
Ou o sistema unicameral já estaria de bom tamanho?
Uma quinta-feira santa
Depois de trabalhar um pouco pela manhã, fui buscar minha filha para almoçar.
Ela me levou a um restaurante argentino, carne excelente.
Estava saboreando uma cachaça mineira, Boazinha (o nome é que é esse. A cachaça é ótima), quando aproximou-se um cidadão alto e barbudo:
- Você não é o Renato Santos Passos?
- Sim, sou eu.
E, antes que eu pudesse esboçar qualquer reação:
- Não sei se você me reconhece...
Como não poderia reconhecer Alfio Beccari !?!
A última vez que vi Alfio foi quando minha filha era um nenezinho. Ela acaba de completar 28 anos. Alfio e eu moramos juntos em um apartamento do quarto andar do Edifício Canadá, rua Maria Antonia, nos áureos tempos de 1.968.
Alfio era o aluno número um do curso de Filosofia da USP. Pairava acima dos mortais comuns. Quando me perguntou se poderia dividir o aluguel comigo, achei o máximo. Aprontei várias com ele, pobre Alfio. Mas isso é outra história.
Convivemos bem durante um tempo. Depois ele tomou outro rumo.
Mais tarde nos revisitamos, lá por 1.980.
Hoje, ao reencontrá-lo, tive de pedir mais uma dose da Boazinha, pra estabilizar as emoções.
Nos idos de 68 a gente bebia cachaça no gargalo, cada um com sua garrafa.
Hoje os gargalos são outros.
Depois de deixar minha filha na casa dela, fui à Fnac comprar uns DVDs. Elis e Tom Jobim.
Já em casa, assisti aos três DVDs da Elis. Elis canta Saudosa Maloca. A interpretação é em ritmo lento, maravilhosa. A imagem é a de Elis a passear com Adoniran pelos meandros do Bixiga. E mais. E mais.
Tive de tomar umas doses de Seleta (outra cachaça de primeira) pra equilibrar as emoções.
Haja emoção. Haja cachaça.
Tudo em uma quinta-feira santa. Santa Quinta.
Que venha a sexta. Da paixão.
quinta-feira, 5 de abril de 2007
Romário - o craque dos 999 gols
É claro que é só um sonho. Mas que eu acharia sensacional, lá isso é verdade.
Já pensou se, depois de toda essa enrolação de inventarem 999 gols pro Romário, o pretenso milésimo começasse a demorar pra acontecer. Vem jogo, vai jogo e nada. O Romário não faz o bendito gol. A imprensa começa a dar cada vez menos espaço pra história. Lá pelas tantas, depois de uns dez jogos tentando marcar o danado do Gol 1000, o Romário se machuca. Joelho, tornozelo, sei lá. Alguma coisa que o deixasse fora dos gramados por um bom tempo.
Considerando que ele já é quarentão, fim de carreira.
Romário, o craque dos 999 gols.
Fajutos, ainda por cima.
Talvez, então, marcassem um domingo pra ele ir ao Domingão do Faustão, ou ao Fantástico, para fazer o milésimo gol no palco.
E o país comemoraria com carnaval fora de época.
terça-feira, 3 de abril de 2007
Climas
Quando este outono acabar, virá o inverno.
Ou o verão, caso eu mude de hemisfério.
Gosto de embaralhar as estações.
Me dá a sensação de ser senhor do tempo.
Há já alguns anos vivo dois invernos e quase nenhum verão.
Este ano mudo: dois verões.
Isso se chama aquecimento global.
(eu disse chama?)
segunda-feira, 2 de abril de 2007
Passeio por Vinhais e por Blogs
Hoje descobri que a página de Vinhais do Sapo traz referências ao Meu Bazar. Mas o mais interessante foi descobrir blogs tais como o Malambas e, por meio dele, conhecer A Matéria do Tempo e, principalmente, Fátima Pinto Ferreira e seu Cão com Pulgas.
E tem mais. Quando tiver mais tempo, vou atrás das outras referências.
sábado, 31 de março de 2007
Questão crucial
Não me interessam os aeroportos.
Não dou a mínima aos mortos.
Não quero saber de etanol,
Pra mim, tudo isso é besteirol.
Só uma questão me angustia:
Será que há bicho-de-melancia?
Da série O Brasil acabou – III
É surrealista esse Waldir Pires não ter pedido demissão até hoje.
Enquanto não se decretar que os controladores de vôo não são culpados pela morte das 154 pessoas do fatídico vôo da Gol, eles vão continuar tentando matar mais gente.
O Lula pediu dia e hora pra acabar com o problema nos aeroportos. Mostrou-se furioso com o absurdo da situação. Ele agora vai fazer o quê. Quase certamente nada. Nada mais nada. Que é o que esse gênio sabe fazer.
Ninguém sabe o que deve ser feito pra resolver o problema.
Ninguém confessa isso. Ninguém pede demissão.
Somos um país de imbecis.
Todos nós.
Ponto.
Talvez a solução seja transformar o carnaval em festa contínua e permanente.
Outra idéia interessante é mandar mais prostitutas e jogadores de futebol para o resto do mundo. Quem sabe diminui mais o risco Brasil.
Somos o país do etanol. Do eta nóis.
Com licença que eu vou vomitar.
P.S.: Voltei. Agora estou melhor. Penso que deve ser formada uma comissão para enfrentar a crise. O diálogo com os controladores deve ser estabelecido. Saber de suas necessidades, carências, aflições. O ministro Paulo Bernardo, maravilhoso planejador do progresso brasileiro, é certamente a pessoa mais indicada para tentar acalmar os ânimos. Quem sabe a turma prefira passar a viajar de ônibus. É menos arriscado. As estradas são esburacadas? Basta andar devagar. Mais ou menos como o crescimento do país.
Em tudo se dá jeito. Não é mesmo, brasileirinho querido que me lê.
sexta-feira, 30 de março de 2007
Você Sobel de alguma coisa?
O que mais me impressiona nessa história da prisão do rabino Sobel pelo furto de gravatas é o fato de ele negar que tenha sido preso. Se ele dissesse que não foi bem assim, que ele pegou as gravatas mas ia pagar, vá lá. Mas não. Ele simplesmente diz que não foi ele. É tudo invenção de presumíveis inimigos. Do mesmo jeito que os neo-nazistas alegam que também não houve holocausto. Tudo invenção.
Logo em seguida, pede afastamento do cargo que ocupava na Congregação Israelita Paulista.
Ué. Mas se não foi ele. Por que pedir afastamento por causa de um sósia.
Vai daí, temos o católico Lula que não sabia de nada. A falcatrua comia (e come) solta no governo e ele por fora.
O apóstolo e sua bispa – da Renascer – são presos nos Estados Unidos por carregarem uns caraminguás dentro da Bíblia e alegam inocência. Mais: são tidos pelos fiéis da igreja deles como vítimas.
Agora é o curioso rabino de sotaque forçado que é pego com a boca na botija não graças a bravatas, como Lula, mas por causa de gravatas. De grife, claro, que de bobo ele não tem nada.
Nunca me orgulhei tanto por ser ateu.
sexta-feira, 23 de março de 2007
A vantagem da violência
Durante muito tempo acreditei que a violência era uma coisa totalmente ruim. Ledo engano. Ela tem seus méritos.
Vejam o Iraque. É bomba pra lá, bomba pra cá.
Justamente por isso, seus habitantes serão poupados de ouvir - ao vivo - as conversas do senador Suplicy sobre renda mínima. Ele desistiu de ir até lá para falar sobre o assunto, [só assinantes UOL ou Folha] por causa da (ou graças à) violência reinante naquelas bandas.
Se a gente caprichar um pouquinho mais por aqui, quem sabe a gente também se safa dessa?
domingo, 18 de março de 2007
Ladeira abaixo
Bertrand Russell dizia, com seu humor característico, que começou produzindo uma obra matemática (os Principia), depois passou à Filosofia, trabalho menos árduo, mais adiante escreveu sobre costumes (religião, casamento etc) e, já bastante cansado, na casa dos noventa anos, dedicou-se a escrever contos policiais.
Guardadas as gigantescas proporções, desci também minha ladeira. Matemática, Filosofia, Política. Esta última me meteu em enrascadas mas sobrevivi.
Recém saído do presídio, fui morar em um apartamento sem telefone nem TV. Se não me falha a memória, havia um rádio pouco usado. Jornais nem pensar. Computador pessoal não existia.
Mergulhei nos clássicos. Lia todo o tempo disponível. Homero, Heródoto, Platão, Aristóteles e o escambau.
Li Proust, Baudelaire, o diabo.
Cortazar, Onetti, Llosa, Márquez, Borges. Sim, tudo, absolutamente tudo de Borges.
Machado, Guimarães. De Guimarães Rosa também, tudo.
Chegava segunda-feira, volta ao trabalho. Próxima à minha mesa ficava a de um colega, o PT2 (havia dois PT no departamento). Invariavelmente, a primeira indagação dele, depois do bom dia, era:
- Viu o Fantástico ontem?
Muitas vezes me deu vontade de dizer a ele que sim, vira muito fantástico no final de semana. Mais precisamente, imaginara. A partir do que lera.
Acabava simplesmente por explicar que não tinha TV. Essa informação não ficava registrada no colega. Devia ser incompreensível para os códigos cerebrais dele. Semana seguinte lá vinha a mesma pergunta.
Anos mais tarde, três filhos depois, assisti a alguns programas Fantástico, da TV Globo.
Hoje, leio muitos blogs. Assisto a jogos de futebol, tênis, vôlei, basquete. Leio jornais todo santo dia. Desfruto certo prazer em assistir programas trash na TV. Já assisti a trechos de novelas. Reality show é coisa que ainda abomino. Mas isso passa.
Às vezes, ao passar pela prateleira do escritório na qual estão os livrinhos do Borges, dou-lhes uma piscadela cúmplice. Agrada-me pensar que eles me entendem.
Sabem que continuo tendo por eles um carinho enorme.
Apenas envelheci.
sábado, 17 de março de 2007
Direito de ser ateu
A Constituição brasileira garante até o direito à saúde. Ou seja, o governo não pode deixar que eu fique doente.
Já no que se refere à questão religiosa, o inciso VI do Artigo 5º da CF assegura o livre exercício dos cultos religiosos, garante a proteção aos locais de culto e a suas liturgias, mas é um tanto genérico (pro meu gosto) quando afirma que é inviolável a liberdade de consciência e de crença.
Não tenho nada a opor se alguém se despede de mim dizendo Vá com Deus. Nem que alguém deseje que Deus me proteja.
Gostaria, contudo, que me fosse assegurado, mais explicitamente, o direito de não acreditar em deuses, nem de a eles prestar qualquer culto.
Também não me faria mal se quem acredita em algum deus procurasse entender que não acredito em deuses porque entendo ser essa a atitude correta. Não porque tenha algum defeito físico ou mental.
De minha parte, sempre procurei me esforçar para não alimentar o preconceito contrário. Nem sempre consigo, é verdade. Mas tento.
Da série O Brasil acabou – II
A Rede Record (leia-se TV da Igreja Universal – IURD) comprou os direitos de transmissão da Olimpíada de Inverno de 2.010 e da Olimpíada de 2.012, em Londres.
Vai pagar, segundo o Outro Canal (Folha de S.Paulo, só pra assinantes Folha ou UOL), a baba de US$ 60 milhões.
No texto do Comitê Olímpico Internacional, a TV IURD é mencionada como “conhecida no Brasil por ser uma estação de TV a caminho da liderança em seu setor”.
A Globo caiu fora da disputa pelos direitos de transmissão porque não poderia dispor de tanta grana.
Como quase todo mundo sabe, dinheiro é o que não falta para a IURD. O povão vai aos templos e despeja os cobres.
A Globo, por sua vez, é aquela que fingiu durante o tempo que pôde que não existia o movimento pelas eleições diretas no Brasil. Hoje, o seu Jornal Nacional dá aulas de democracia.
Apesar de tudo, um dia – não muito distante – você ainda vai sentir saudade da TV Globo.
Espere só pra ver o que vai acontecer quando o bispo Edir Macedo assumir a liderança.
Da série O Brasil acabou
Já já nosso ministro da Cultura, o inefável Gil, vai dar grana pra pornocultura. Afinal, é - comprovadamente - o que mais atrai o brasileiro.
sábado, 10 de março de 2007
Notícias frias de um sábado quente
- Terminou a visita do presidente dos Estados Unidos ao presidente da Unidos do Estado.
- Já que a discussão é sobre etanol, reafirmo que o mais importante em qualquer debate é a presença de spirits.
sexta-feira, 2 de março de 2007
Quase lá
A Igreja Católica (ICAR) está discutindo se libera o uso de camisinha para relações entre casais casados nos quais um é portador do vírus HIV.
Devagarinho, devagarinho, a ICAR está quase entrando no século 20.
Eu disse 20.
Século 21 já seria pedir demais.
terça-feira, 27 de fevereiro de 2007
O Brasil acabou?
| Faz tempo. | |
| Não. Nem começou. | |
| Não sei. Mas vou até ali e não volto. | |
| Terra com nome de pau não podia dar certo. | |
| De jeito nenhum. Adoro o jeitinho brasileiro. | |
| Ainda acredito em mudança. Pro exterior. | |
| = veja os resultados= | |
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
domingo, 25 de fevereiro de 2007
Análise política
Estavam à mesa do jantar. Alguém disse alguma coisa a respeito da situação política do país dos comensais.
Ele, cientista político, pontificou:
- Isso é apenas a ponta do iceberg.
Foi nesse momento que o navio em que estavam começou a afundar.
Horário de verão
Serviço de utilidade pública: daqui a pouco, dê dois cliques no relógio de seu computador, vá em Fuso Horário e troque GMT-2 (Atlântico Central) por GMT-3 (Groenlândia).
Quanto ao calorão que faz em São Paulo, não vai adiantar nada. O frio da Groenlândia não chegará até aqui. Mas você ganhará uma hora em sua vida.
Aliás, tenho uma reivindicação. Foi lá por outubro do ano passado que nos roubaram essa hora. Ao devolvê-la, agora, penso que deveriam pagar juros. Digamos, uma meia hora a mais.
Não é justo? Afinal, em outubro eu tinha 61 anos. Hoje, 62. Já pensou se o governo resolver te tirar algumas horas de quando tens 18 anos pra te devolvê-las quando tiveres 80?
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
Luís Ene
Este carnaval foi notável. Na segunda, 19, chegou o Luís Ene, para ficar conosco até 21, quarta de Cinzas.
Na noite desse mesmo dia, convidamos para nos fazer companhia no jantar Branco Leone e esposa.
Como se vê, só portugueses. Nenhum preconceito, apenas questão de afinidades. Portugueses, blogueiros e – tanto Luís quanto Branco – com livros novos na praça.

O papo estava tão animado que esqueci completamente da máquina fotográfica. Paciência.
Dia seguinte, terça, para conciliar a vontade do Luís de conhecer São Paulo com minha preguiça já clássica, fomos almoçar no Terraço Itália. De lá, ele pôde ver São Paulo numa tacada só.


Conversamos bastante, diante da cidade quase deserta.

Demos umas voltas pelo centro da cidade, passamos pelo Parque do Ibirapuera e – à noite – fomos encontrar amigo do Luís, gaúcho recentemente convertido a paulistano (coisa rara).
Hoje, Cinzas, almoço no Fogo de Chão e despedida em Guarulhos.
Até a próxima, Luís.
Volte logo. Já estamos com saudade.
(penso em organizar um Encontro de Blogueiros Algarvios (EBA!) em São Paulo. Faz sentido? Claro. Todo sentido)
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007
Já fiz muito pela mangueira
Dia 2 de fevereiro, Bárbara Gancia revelou – em sua coluna na Folha (para assinantes Folha ou UOL) - que muitos artistas famosos se valem da Lei Rouanet.
Você dirá: e daí?! As leis estão aí para serem aplicadas. Tudo bem. Mas pense um pouquinho:
Essa lei estabelece o seguinte, trocando em miúdos: você quer fazer um show, peça de teatro, qualquer coisa cultural. Muito bem. Você procura empresas que tenham imposto de renda a pagar em proporções compatíveis com o custo de seu projeto. Essas empresas te dão a grana, você agradece a elas nos seus espetáculos e em seus folhetos promocionais. Elas, por sua vez, abatem grande parte do que te deram do imposto de renda.
Resultado: você paga o ingresso para ver o show e paga o show com seu imposto de renda e demais tributos que você paga até quando respira.
Tudo isso pode fazer sentido para espetáculos inovadores, de talentos ainda desconhecidos etc. Eu acho que nem nesses casos esse incentivo deveria existir. Mas vá lá que seja.
Agora, quando você vê que "Para fazer sua turnê por Rio e São Paulo, Ana Carolina requisitou R$ 843 mil à Lei Rouanet, e conseguiu captar R$ 700 mil. Os ingressos para seu show custavam R$ 120. Daniela Mercury levantou R$ 814 mil da Lei Rouanet para fazer 12 apresentações. O show Brasileirinho 2, de Maria Bethânia, pediu R$ 1 milhão e já conseguiu captar R$ 300 mil. Beth Carvalho festejou seus 60 anos com uma festa no Teatro Castro Alves em Salvador, com diversos artistas convidados e no qual gravou um DVD e um CD comemorativos. Para tanto, pediu R$ 1,6 milhão e conseguiu captar R$ 1,3 milhão pelo sistema de renúncia fiscal", você começa a perceber que você está sendo feito de trouxa.
E dona Beth Carvalho, ao ser expulsa do desfile da Mangueira chora e argumenta que já fez muito pela Mangueira.
Só se foi pela mangueira do...
Deixa pra lá.
E pensar que temos um ministro da Cultura que é dessa patota.
domingo, 18 de fevereiro de 2007
Quem sabe?
domingo, 11 de fevereiro de 2007
Limites
Década de 50. Minha mãe dava aulas de matemática no Colégio Canadá, em Santos. Houve épocas em que ela chegou a dar aulas em três turnos: manhã, tarde e noite. Esse esforço era necessário porque meu pai, pastor batista, ganhava uma miséria. Estávamos ainda longe da era dos bispos e apóstolos que exploram cinicamente a crendice popular.
Vai daí, um aluno ganhou certa fama no Colégio por ter mostrado uma faca a um professor que o expulsara da sala de aula. Vejam bem: ele não enfiou faca em professor algum, nem mesmo ameaçou-o disso. Mas insinuou a possibilidade de utilizar a arma branca. Foi o que bastou para provocar um escândalo.
Pouco tempo depois, minha mãe dava aula para a turma do mesmo rapaz. A certa altura, notou que o dito cujo conversava e ria no fundo da sala. Advertiu-o. Não adiantou. A bagunça continuava. Minha mãe, então, pediu que ele se retirasse da sala. Ele não se moveu. Minha mãe foi até a carteira em que estava sentado o moço. Segurou-o pelo braço e forçou sua retirada. O rapaz, alto e forte, não ofereceu resistência. Deixou-se levar e foi embora.
Simplesmente não passava pela cabeça dele ameaçar uma senhora, de forma alguma.
Ele podia ser um aluno indisciplinado. Até mesmo desafiar um professor. Mas, diante de uma professora percebeu ter chegado a seu limite. E não reagiu.
Naquele tempo, até o mau comportamento tinha limites.
Minha mãe contou-me essa história quando, certa vez, como eu estivesse a assistir a um programa esportivo na TV, nos idos dos anos 60, ela viu que um dos participantes do programa era o rapaz que ela colocara pra fora da sala de aula.
Era Peirão de Castro, jornalista esportivo já falecido. Torcedor fanático do Santos F.C..
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007
Siglas
O PFL, Partido da Frente Liberal, nasceu com esse nome graças a uma das muitas maravilhas existentes nas entranhas de nossas leis eleitorais. Os fundadores queriam chamar a coisa de Frente Liberal. Acontece que a lei exigia que o nome começasse pela palavra Partido. Foi a mesma lei que obrigou o famoso Movimento Democrático Brasileiro (MDB) a virar PMDB.
Nossas leis são assim: tão fantásticas quanto quase tudo neste imenso país.
Vai daí, como há males que vem pra bem, o PFL, cuja força maior sempre residiu no nordeste, ficou com uma sigla que soa péssima no sul/sudeste (pê éfe éle) mas é perfeita no norte/nordeste: PÊFÊLÊ.
Eis que agora, dado que inexistem problemas maiores na política nacional, o Pêfêlê resolveu voltar-se para uma questão magna: mudar de nome.
E surge o PD, acho que é Partido Democrata. Mas podia ser Partido do Demo, com sua ambigüidade reveladora da própria alma da organização.
Demo é o capeta, Demo é o povo.
Como em português a pronúncia da nova sigla resvala para significados escatológicos pouco edificantes, é melhor pensá-la em inglês, PIDI.
Pidi, voltando ao nordeste, serve bem aos desígnios da agremiação: vamo pidi isso, vamo pidi aquilo.
Se você preferir, pode encarar PD como abreviação de Pay Day (ops), dia de pagamento, que logo nos remete a mensalão, afinal de contas uma das faces do objetivo último e único de toda essa estrutura.
Tipologia do stress
Antigamente a gente dizia que o fulano estava enfezado, cuca fundida, esquentado, pavio curto, meio lelé, essas coisas.
Hoje, o cidadão tem stress. Ou melhor, estresse. Já criaram o equivalente em português. Com sotaque carioca. O carioca gosta de colocar sílabas extras nas palavras. Por exemplo: Volkswagen, cuja pronúncia é folquisvaguem, o carioca fala folquissivaguem.
Vai daí stress virou estresse.
E serve de justificativa pra tudo. Pra pessoa arrumar amante, tomar um porre, gritar por nada.
Acontece que há stress e stress. No mínimo dois: o positivo e o negativo.
O negativo é o mais comum, claro. Nem preciso dar exemplos.
Já o positivo é aquele da espera da festa, da expectativa do prêmio, da ansiedade da paixão. Costuma ser menos produtivo que o negativo. No stress negativo você corre atrás da reversão das causas. Se o trabalho te consome e te estressa, pau na máquina pra acabar logo com isso. Já no stress positivo não. Ele, em geral, te deixa em estado alfa, paralisado, abobado, embevecido, derretido.
E tome contemplação.
O leitor mais apressado, já quase estressado com a leitura, vai direto ao ponto:
O stress positivo mata menos?
Penso que não.
Mas certamente a morte é mais feliz.
domingo, 4 de fevereiro de 2007
Fim dos Tempos
Em 1.974 eu trabalhava em uma empresa de engenharia na qual também ganhava o pão de cada dia um camarada de nome Marcos Ximenes, economicamente apelidado de Marcos X.
Ele era bastante religioso (no Brasil, a religiosidade tem gradação, pode-se quase medi-la aos quilos). Pertencia a uma seita evangélica pouco disseminada. Não esqueço que o nome da igreja dele era Igreja Evangélica, nome que eu achava pouco elucidativo. A principal ocupação do pessoal da dita cuja igreja era elucubrar sobre o fim do mundo.
Vai daí, Marcos X., certo dia, garantiu-me que o mundo acabaria em – no máximo – vinte anos.
Apostei com ele que não. Aposta sem prêmio. Só pra teimar. Só pra ser do contra.
Chegado a 1.995, lembrei-me da aposta. Já não sabia mais do paradeiro do Marcos X. Cheguei a pensar em procurá-lo. Logo me dei conta de que cobrar aposta de vinte anos não tem graça nenhuma.
Já contei essa história em algum lugar deste blog, um tanto romanceada. Mas ela volta, agora a propósito das manchetes dos jornais nos últimos dias. Por exemplo ontem: a Folha saiu-se com Cientistas prevêem futuro sombrio para a Terra.
Quanto a mim, sou mais imediatista: vejo presente sombrio.
E provo.
É só abrir o primeiro caderno de ontem da Folha, o mesmo da manchete acima, pra perceber que tenho razão. No Painel do Leitor encontro carta escrita por cidadão residente em Jaguaquara, Bahia.
Você não sabe onde fica Jaguaquara? Parabéns. Isso só prova que você é uma pessoa quase normal.
Já eu, eu sei onde fica Jaguaquara. Fica no meio do sertão da Bahia. Minha sogra – que deus a (man)tenha! – belo dia, lá pelos anos cinqüenta, leu em O Jornal Baptista que Jaguaquara era uma pequena cidade no interior da Bahia onde – sabe-se lá por que cargas d’água - , todo mundo era batista.
Mudou-se pra lá, mala, cuia, três filhas pequenas e um marido vítima de doença incurável.
Pode?
Claro que, passados uns poucos aninhos, mudou de idéia e de Jaguaquara.
Hoje, Jaguaquara produz pessoas que mandam e-mails para a Folha.
Nada mais garantido: o fim está próximo.
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007
Dica duca
O livro do Branco deve estar ótimo, a julgar pelo vídeo - digamos assim - promocional:
Os melhores (e alguns dos piores) textos de Branco Leone.
segunda-feira, 29 de janeiro de 2007
quinta-feira, 25 de janeiro de 2007
Bagaços de Passos
Janeiro do ano passado, ao voltar de Portugal, trouxe alguns poucos litros de bagaceira de meu primo Alípio. Para guardá-los em garrafas, preparei esse rótulo:

Agora, no final de 2.006, aconteceu o seguinte: ao chegar a Passos, meu primo Abílio me deu um garrafão de 5 litros de bagaço.
Bagacinho vai, bagacinho vem, na hora de voltar ao Brasil havia, ainda, uns dois litros. Mas meu garrafão destinado a transportes internacionais de bagaço tem capacidade para cinco litros.
Consultei o primo Alípio que me explicou não haver problema em misturar. Como um terceiro primo, o Arnaldo, já deixara com o Alípio um litro e meio de seu bagaço para que o desse a mim, fizemos assim:
2 litros do Abílio;
1,5 do Arnaldo
e - para completar -
1,5 do Alípio.
Resolvi, então, chamar esse bagaço de Blended Bagaceira.
O rótulo, além disso, abandonou o vermelho do Benfica. Ficou com o azul do F.C. do Porto.

Estão servidos?
segunda-feira, 22 de janeiro de 2007
Se correr o bicho pega,
se ficar o bicho come
Tem uns caras por aí desconfiados da existência de uma forte relação entre baixo índice do mau colesterol (LDL) e o risco de se contrair o mal de Parkinson.
Você. Prefere entupir artérias ou contrair uma doença (ainda) incurável?
Dileminha sem-vergonha, né não?
Pra fugir de tudo isso, vale dar umas voltas por São Paulo e esperar ser tragado por alguma cratera de obras do metrô.
Ah. Você prefere bala perdida no Rio de Janeiro?
Gosto não se discute.
quinta-feira, 18 de janeiro de 2007
Nova metodologia para medição do IDH
Sugestão minha: para descomplicar a medição do Índice de Desenvolvimento Humano, sugiro que se faça uma rápida pesquisa em cada país, para descobrir quanto custa a contratação de um pistoleiro pra matar algum desafeto.
Quanto maior o valor, maior o IDH do país.
Já antecipo: no Brasil, sai quase de graça, mandar matar alguém.
O valor de um plano
No Brasil, quando você entra em um restaurante, percebe logo um enxame de garçons. Tá certo que, sempre que você precisa de um deles, estão todos olhando pro outro lado. Mas estão lá.
Em Portugal, a quase totalidade dos restaurantes tem um ou dois atendentes, que correm esbaforidos de um lado a outro pra dar conta do serviço.
Pura aritmética: um garçom, lá, vale três ou quatro daqui. Em todos os sentidos, principalmente em termos salariais.
Habitamos um Brasil sem planejamento familiar. Se a novela das oito termina antes de bater o sono, lá vem mais filho.
Mais gente na fila do desemprego, ou – na melhor das hipóteses – mais garçons nos restaurantes, dividindo o mesmo bolo salarial.
Dia desses, conversando com filha e genro que moram em Connecticut, EUA, fiquei sabendo que, lá, todas as residências são obrigadas a ter plano de desocupação da moradia em caso de emergência. A coisa é levada muito a sério. Vez em quando, algum fiscal passa para verificar se o plano está devidamente afixado em lugar visível da residência e se os moradores estão cientes de seus detalhes.
Aqui, São Paulo, século 21, constroem-se linhas de metrô sem plano de evacuação das residências que ficam em cima das obras. Quando a coisa desaba, as pessoas são tragadas pelo descaso total.
Plano?
Ora, ora.
Onde as pessoas valem pouco, qualquer plano pra preservá-las é caro.
quarta-feira, 17 de janeiro de 2007
Buracos & buracos
Dizem que Sadam Hussein foi a prova definitiva de que sair do buraco nem sempre significa melhorar.
O apóstolo e a bispa acabam de sair de um buraco complicado. Conseguiram deixar uma prisão nos EUA. Vão voltar para o Brasil. Promotores e juízes daqui já deviam estar sentindo falta daquele velho joguinho de prender e soltar. Joguinho valioso, se é que me entendem.
Quanto ao buraco de São Paulo, virou atração turística.
Já no Rio, o buraco é mais embaixo. Foi só o novo governador pedir ajuda federal e descobriu-se que Lula e seu criminalista preferido estavam blefando. Cláudio Lembo e dona Rosinha (ex-governadores de São Paulo e Rio) devem estar roendo as unhas, de raiva. Não aceitaram a ajuda oferecida por Lula. Agora descobriram que a ajuda era ficção.
Lula sabe jogar. Jogo político, claro. Buraco, não sei se ele joga. Mas vai tentar alguma coisa na linha Chavez, pra ver se não vai tão cedo pro buraco da História.
Quanto ao Brasil, caiu de vez no buraco.
Salve-se quem puder.
quarta-feira, 10 de janeiro de 2007
Desejo de boa vizinhança
Nas aldeias de Portugal, mais do que nas vilas e cidades, o bom relacionamento com os vizinhos é de importância fundamental.
Daí, recolhi em Passos de Lomba este provérbio:
Que não dure mais
O mau vizinho
Do que a neve marcelina.
A neve marcelina é a neve do mês de março. Fraca, vai logo embora.
Ecos da Guerra Civil Espanhola
A aldeia de Passos de Lomba fica muito próxima à fronteira norte de Portugal com a Espanha. Meus primos, lá residentes, lembram-se ainda de trechos de canções relativas à Guerra Civil Espanhola (1936 – 1939).
Em uma delas, conta-se a saga de dois irmãos (Antonio e Manuel), moradores do Pinheiro, aldeia um pouco acima de Passos, conhecidos como os cuquinhos do Pinheiro, que – por terem auxiliado os comunistas espanhóis (os vermelhos) – foram perseguidos pelos franquistas. Um deles, o Antonio foi logo morto. Manuel fugiu, mas foi alcançado na aldeia da Cisterna e também assassinado. Além disso, a canção o acusa de barbaridades tais como estupro e roubo.
Consegui que meu primo Alípio me ditasse este trecho:
Os cuquinhos do Pinheiro
Oh que grandes figurões.
Por darem de comer aos vermelhos
Fizeram-se dois ladrões.
(...)
Foi no povinho da Cisterna
Onde ele estava escondido
Fez resistência à Guarda
Mesmo nele deu um tiro
Quando chegou à Ponte de Santa Rufina
Já não podia falar
Disse o cabo para a guarda
- Acabai de o matar!
Quando chegou a Vinhais
Todo ensangüentado ele ia.
Disse a criada ao fidalgo
Que ainda o conhecia.
- Foi este homem mesmo
Que a nossa casa roubou.
- Com uma pistola em punho
Ele de mim abusou.
Canções tais como essa eram uma das formas que assumia o marketing político à época.
segunda-feira, 8 de janeiro de 2007
Pagando mico em espanhol
Dia 22 de dezembro, a baixinha e eu fomos a Madrid para buscar filha, neta e genro, que chegariam de New York no dia seguinte de manhã.
Hospedamo-nos no Preciados, hotel que tem a vantagem de possuir o tradicional bar Varela e de ser exatamente em frente a El Asador de Aranda.
Entregamos o carro ao manobrista, fizemos o check in e fomos passear a pé.
Logo me dei conta de que havia deixado no carro a máquina fotográfica.
Voltamos ao hotel e pedi ao recepcionista que me indicasse como chegar ao automóvel.
- Va a la izquierda (disse ele fazendo um largo gesto com a mão no sentido da sua esquerda). Su coche está en la Plaza 21, piso -3.
Saímos do hotel, descemos a primeira rua à esquerda e começamos a procurar a Praça 21. Como só nos surgisse a Praça San Martin, perguntei a vários transeuntes aonde ficava a Praça 21. Ninguém sabia.
Voltamos ao hotel.
Quando expliquei ao recepcionista que não encontrara a Praça 21, ele corrigiu:
Não. Eu não precisava sair do hotel. Bastava dirigir-me ao elevador à esquerda da recepção, baixar ao Andar -3 e procurar a vaga (Plaza) 21, na garagem do hotel.
Sob as gargalhadas da baixinha, aprendi, para jamais esquecer, que Plaza pode ser Praça mas também pode ser Vaga (em garagem).
domingo, 7 de janeiro de 2007
Que queria eu ser quando fosse grande
Já há muito tempo que conheço a Saltapocinhas e seu blog Fábulas.
Não nos pudemos encontrar, até hoje. Já nos falamos ao telefone, é verdade.
Ela deve-me ovos moles de Aveiro verdadeiros. Parece que os que lá comi não o eram, segundo ela.
Encanta-me o trabalho que ela desenvolve com seus aluninhos. Vale a pena visitar o Blog dos Golfinhos, para conferir.
Por essas e por outras, não posso deixar de atender ao convite dela para que faça este TPC: quando era pequenino, que queria eu ser quando fosse grande.
A dificuldade começa com a sigla TPC.
Deixem-me explicar: acontece comigo algo parecido com o que aconteceu com o zagueiro brasileiro Aldair, quando foi jogar futebol na Itália. Dizem as péssimas línguas que, passados uns poucos anos, ele havia esquecido o Português e não havia aprendido o Italiano. Ficara sem língua, por assim dizer.
Comigo ocorre que estou deixando de ser brasileiro e não consigo ser completamente português. Periga tornar-me apátrida, por pura incompetência.
Quando li que o desafio que a Saltapocinhas me dirigia era um TPC, comecei a procurar que diabos era isso. Logo notei que devia ser algo tão, mas tão banal que ninguém se dignava a explicar.
Salvou-me, como quase sempre, mestre Google e este artigo que, graças a ele, encontrei. TPC, caros brasileiros que me lêem, é aquilo que chamamos lição de casa. Em Portugal, consegui perceber, fala-se Trabalho Para Casa e abrevia-se TPC.
Vamos a ele, ou seja, ao TPC:
Essa questão do que ser quando crescer foi, para mim, a definitiva confirmação de minha falta de imaginação e criatividade.
Belo dia, cheguei para minha mãe e afirmei:
- Queria ser – quando crescesse – inventor. O problema é que já inventaram tudo!
Feita esta confissão um tanto desabonadora, poupo meus amigos. Não passo a ninguém este (como é mesmo?) TPC.
sábado, 6 de janeiro de 2007
Ainda Portugal - o Porto (complemento)
Esqueci-me de postar o símbolo maior do Porto: a Torre dos Clérigos. Aqui vai a foto que dela tirei, desde a frente da Igreja da Batalha, na praça da Batalha.

Por falar em Igreja da Batalha, alguém vai se dignar a restaurar a dita cuja ou vão mesmo deixá-la apodrecer e despencar?
[Atualização: o Tinta Permanente, do blog Folhas da Gaveta, me adverte, neste comentário: a igreja que fica na Praça da Batalha chama-se Igreja de Santo Ildefonso.]
sexta-feira, 5 de janeiro de 2007
Ainda Portugal - o Porto
A cidade do Porto vista desde o outro lado do Douro, desde Vila Nova de Gaia.


Um pequeno parque com brinquedos para crianças. Nele, é proibido pisar com calçados de tacão fino.

No parque, o avô fotografa a mãe que gira a filha. É a vida a girar. Vida gira (*).

(*) Tanto significa amalucada quanto - em Portugal - bonita, interessante, engraçada.
quinta-feira, 4 de janeiro de 2007
Brincando de Mr Magoo
Não é de hoje que meu filho diz que a Baixinha e eu somos o casal Magoo.
Desta vez, então, nem se fala. Tomamos o vôo para o Brasil no Terminal 4 do aeroporto de Barajas, Madrid, dois dias depois do ETA ter aberto nele uma enorme cratera com a explosão de um carro bomba.
Se é verdade que o interior do aeroporto ficou quase intacto,

com apenas alguns vidros quebrados,


a cratera que abriram no estacionamento é impressionante:


Ao chegar ao aeroporto de Guarulhos, estranhei o fato do taxista ter se dirigido à Ayrton Senna (e não à Via Dutra).
Fiquei então sabendo que um paiol da Polícia Militar explodira próximo à chegada da Dutra a São Paulo.
De fato, ao passar pela Marginal Tietê, pudemos ver a fumaceira que saía do local.
Assim, de explosão em explosão, voltamos para casa.
Intactos.
(o que - evidentemente - não torna menos estúpida a ação dos militantes do ETA)
Visita a Mirandela
Contrastes - cenas de Vinhais
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