quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Luís Ene


Este carnaval foi notável. Na segunda, 19, chegou o Luís Ene, para ficar conosco até 21, quarta de Cinzas.
Na noite desse mesmo dia, convidamos para nos fazer companhia no jantar Branco Leone e esposa.
Como se vê, só portugueses. Nenhum preconceito, apenas questão de afinidades. Portugueses, blogueiros e – tanto Luís quanto Branco – com livros novos na praça.

Não deixem de ler. São ótimos
O papo estava tão animado que esqueci completamente da máquina fotográfica. Paciência.
Dia seguinte, terça, para conciliar a vontade do Luís de conhecer São Paulo com minha preguiça já clássica, fomos almoçar no Terraço Itália. De lá, ele pôde ver São Paulo numa tacada só.

A comida não é lá essas coisas, a paisagem, sim, vale a pena
E, assim, Luís Ene foi apresentado a Sampa
Conversamos bastante, diante da cidade quase deserta.

Luís Ene e Santos Passos
Demos umas voltas pelo centro da cidade, passamos pelo Parque do Ibirapuera e – à noite – fomos encontrar amigo do Luís, gaúcho recentemente convertido a paulistano (coisa rara).
Hoje, Cinzas, almoço no Fogo de Chão e despedida em Guarulhos.

Até a próxima, Luís.
Volte logo. Já estamos com saudade.
(penso em organizar um Encontro de Blogueiros Algarvios (EBA!) em São Paulo. Faz sentido? Claro. Todo sentido)

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Já fiz muito pela mangueira


Dia 2 de fevereiro, Bárbara Gancia revelou – em sua coluna na Folha (para assinantes Folha ou UOL) - que muitos artistas famosos se valem da Lei Rouanet.
Você dirá: e daí?! As leis estão aí para serem aplicadas. Tudo bem. Mas pense um pouquinho:
Essa lei estabelece o seguinte, trocando em miúdos: você quer fazer um show, peça de teatro, qualquer coisa cultural. Muito bem. Você procura empresas que tenham imposto de renda a pagar em proporções compatíveis com o custo de seu projeto. Essas empresas te dão a grana, você agradece a elas nos seus espetáculos e em seus folhetos promocionais. Elas, por sua vez, abatem grande parte do que te deram do imposto de renda.
Resultado: você paga o ingresso para ver o show e paga o show com seu imposto de renda e demais tributos que você paga até quando respira.
Tudo isso pode fazer sentido para espetáculos inovadores, de talentos ainda desconhecidos etc. Eu acho que nem nesses casos esse incentivo deveria existir. Mas vá lá que seja.
Agora, quando você vê que "Para fazer sua turnê por Rio e São Paulo, Ana Carolina requisitou R$ 843 mil à Lei Rouanet, e conseguiu captar R$ 700 mil. Os ingressos para seu show custavam R$ 120. Daniela Mercury levantou R$ 814 mil da Lei Rouanet para fazer 12 apresentações. O show Brasileirinho 2, de Maria Bethânia, pediu R$ 1 milhão e já conseguiu captar R$ 300 mil. Beth Carvalho festejou seus 60 anos com uma festa no Teatro Castro Alves em Salvador, com diversos artistas convidados e no qual gravou um DVD e um CD comemorativos. Para tanto, pediu R$ 1,6 milhão e conseguiu captar R$ 1,3 milhão pelo sistema de renúncia fiscal", você começa a perceber que você está sendo feito de trouxa.
E dona Beth Carvalho, ao ser expulsa do desfile da Mangueira chora e argumenta que já fez muito pela Mangueira.
Só se foi pela mangueira do...
Deixa pra lá.
E pensar que temos um ministro da Cultura que é dessa patota.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Quem sabe?


Dizem que na história da retirada dos outdoors, na cidade de São Paulo, US$ 25 milhões também saíram de cena.

Afinal, é carnaval.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Limites


Década de 50. Minha mãe dava aulas de matemática no Colégio Canadá, em Santos. Houve épocas em que ela chegou a dar aulas em três turnos: manhã, tarde e noite. Esse esforço era necessário porque meu pai, pastor batista, ganhava uma miséria. Estávamos ainda longe da era dos bispos e apóstolos que exploram cinicamente a crendice popular.
Vai daí, um aluno ganhou certa fama no Colégio por ter mostrado uma faca a um professor que o expulsara da sala de aula. Vejam bem: ele não enfiou faca em professor algum, nem mesmo ameaçou-o disso. Mas insinuou a possibilidade de utilizar a arma branca. Foi o que bastou para provocar um escândalo.
Pouco tempo depois, minha mãe dava aula para a turma do mesmo rapaz. A certa altura, notou que o dito cujo conversava e ria no fundo da sala. Advertiu-o. Não adiantou. A bagunça continuava. Minha mãe, então, pediu que ele se retirasse da sala. Ele não se moveu. Minha mãe foi até a carteira em que estava sentado o moço. Segurou-o pelo braço e forçou sua retirada. O rapaz, alto e forte, não ofereceu resistência. Deixou-se levar e foi embora.
Simplesmente não passava pela cabeça dele ameaçar uma senhora, de forma alguma.
Ele podia ser um aluno indisciplinado. Até mesmo desafiar um professor. Mas, diante de uma professora percebeu ter chegado a seu limite. E não reagiu.
Naquele tempo, até o mau comportamento tinha limites.
Minha mãe contou-me essa história quando, certa vez, como eu estivesse a assistir a um programa esportivo na TV, nos idos dos anos 60, ela viu que um dos participantes do programa era o rapaz que ela colocara pra fora da sala de aula.
Era Peirão de Castro, jornalista esportivo já falecido. Torcedor fanático do Santos F.C..

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Siglas


O PFL, Partido da Frente Liberal, nasceu com esse nome graças a uma das muitas maravilhas existentes nas entranhas de nossas leis eleitorais. Os fundadores queriam chamar a coisa de Frente Liberal. Acontece que a lei exigia que o nome começasse pela palavra Partido. Foi a mesma lei que obrigou o famoso Movimento Democrático Brasileiro (MDB) a virar PMDB.
Nossas leis são assim: tão fantásticas quanto quase tudo neste imenso país.
Vai daí, como há males que vem pra bem, o PFL, cuja força maior sempre residiu no nordeste, ficou com uma sigla que soa péssima no sul/sudeste (pê éfe éle) mas é perfeita no norte/nordeste: PÊFÊLÊ.
Eis que agora, dado que inexistem problemas maiores na política nacional, o Pêfêlê resolveu voltar-se para uma questão magna: mudar de nome.
E surge o PD, acho que é Partido Democrata. Mas podia ser Partido do Demo, com sua ambigüidade reveladora da própria alma da organização.
Demo é o capeta, Demo é o povo.
Como em português a pronúncia da nova sigla resvala para significados escatológicos pouco edificantes, é melhor pensá-la em inglês, PIDI.
Pidi, voltando ao nordeste, serve bem aos desígnios da agremiação: vamo pidi isso, vamo pidi aquilo.
Se você preferir, pode encarar PD como abreviação de Pay Day (ops), dia de pagamento, que logo nos remete a mensalão, afinal de contas uma das faces do objetivo último e único de toda essa estrutura.

Tipologia do stress


Antigamente a gente dizia que o fulano estava enfezado, cuca fundida, esquentado, pavio curto, meio lelé, essas coisas.
Hoje, o cidadão tem stress. Ou melhor, estresse. Já criaram o equivalente em português. Com sotaque carioca. O carioca gosta de colocar sílabas extras nas palavras. Por exemplo: Volkswagen, cuja pronúncia é folquisvaguem, o carioca fala folquissivaguem.
Vai daí stress virou estresse.
E serve de justificativa pra tudo. Pra pessoa arrumar amante, tomar um porre, gritar por nada.
Acontece que há stress e stress. No mínimo dois: o positivo e o negativo.
O negativo é o mais comum, claro. Nem preciso dar exemplos.
Já o positivo é aquele da espera da festa, da expectativa do prêmio, da ansiedade da paixão. Costuma ser menos produtivo que o negativo. No stress negativo você corre atrás da reversão das causas. Se o trabalho te consome e te estressa, pau na máquina pra acabar logo com isso. Já no stress positivo não. Ele, em geral, te deixa em estado alfa, paralisado, abobado, embevecido, derretido.
E tome contemplação.
O leitor mais apressado, já quase estressado com a leitura, vai direto ao ponto:
O stress positivo mata menos?
Penso que não.
Mas certamente a morte é mais feliz.

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Fim dos Tempos


Em 1.974 eu trabalhava em uma empresa de engenharia na qual também ganhava o pão de cada dia um camarada de nome Marcos Ximenes, economicamente apelidado de Marcos X.
Ele era bastante religioso (no Brasil, a religiosidade tem gradação, pode-se quase medi-la aos quilos). Pertencia a uma seita evangélica pouco disseminada. Não esqueço que o nome da igreja dele era Igreja Evangélica, nome que eu achava pouco elucidativo. A principal ocupação do pessoal da dita cuja igreja era elucubrar sobre o fim do mundo.
Vai daí, Marcos X., certo dia, garantiu-me que o mundo acabaria em – no máximo – vinte anos.
Apostei com ele que não. Aposta sem prêmio. Só pra teimar. Só pra ser do contra.
Chegado a 1.995, lembrei-me da aposta. Já não sabia mais do paradeiro do Marcos X. Cheguei a pensar em procurá-lo. Logo me dei conta de que cobrar aposta de vinte anos não tem graça nenhuma.
Já contei essa história em algum lugar deste blog, um tanto romanceada. Mas ela volta, agora a propósito das manchetes dos jornais nos últimos dias. Por exemplo ontem: a Folha saiu-se com Cientistas prevêem futuro sombrio para a Terra.
Quanto a mim, sou mais imediatista: vejo presente sombrio.
E provo.
É só abrir o primeiro caderno de ontem da Folha, o mesmo da manchete acima, pra perceber que tenho razão. No Painel do Leitor encontro carta escrita por cidadão residente em Jaguaquara, Bahia.
Você não sabe onde fica Jaguaquara? Parabéns. Isso só prova que você é uma pessoa quase normal.
Já eu, eu sei onde fica Jaguaquara. Fica no meio do sertão da Bahia. Minha sogra – que deus a (man)tenha! – belo dia, lá pelos anos cinqüenta, leu em O Jornal Baptista que Jaguaquara era uma pequena cidade no interior da Bahia onde – sabe-se lá por que cargas d’água - , todo mundo era batista.
Mudou-se pra lá, mala, cuia, três filhas pequenas e um marido vítima de doença incurável.
Pode?
Claro que, passados uns poucos aninhos, mudou de idéia e de Jaguaquara.
Hoje, Jaguaquara produz pessoas que mandam e-mails para a Folha.
Nada mais garantido: o fim está próximo.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Bagaços de Passos


Janeiro do ano passado, ao voltar de Portugal, trouxe alguns poucos litros de bagaceira de meu primo Alípio. Para guardá-los em garrafas, preparei esse rótulo:

Esta edição está esgotada
Agora, no final de 2.006, aconteceu o seguinte: ao chegar a Passos, meu primo Abílio me deu um garrafão de 5 litros de bagaço.
Bagacinho vai, bagacinho vem, na hora de voltar ao Brasil havia, ainda, uns dois litros. Mas meu garrafão destinado a transportes internacionais de bagaço tem capacidade para cinco litros.
Consultei o primo Alípio que me explicou não haver problema em misturar. Como um terceiro primo, o Arnaldo, já deixara com o Alípio um litro e meio de seu bagaço para que o desse a mim, fizemos assim:
2 litros do Abílio;
1,5 do Arnaldo
e - para completar -
1,5 do Alípio.
Resolvi, então, chamar esse bagaço de Blended Bagaceira.
O rótulo, além disso, abandonou o vermelho do Benfica. Ficou com o azul do F.C. do Porto.

Olha os três aí! (é só clicar)
Estão servidos?

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Se correr o bicho pega,
se ficar o bicho come


Tem uns caras por aí desconfiados da existência de uma forte relação entre baixo índice do mau colesterol (LDL) e o risco de se contrair o mal de Parkinson.
Você. Prefere entupir artérias ou contrair uma doença (ainda) incurável?
Dileminha sem-vergonha, né não?
Pra fugir de tudo isso, vale dar umas voltas por São Paulo e esperar ser tragado por alguma cratera de obras do metrô.

Ah. Você prefere bala perdida no Rio de Janeiro?
Gosto não se discute.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Nova metodologia para medição do IDH


Sugestão minha: para descomplicar a medição do Índice de Desenvolvimento Humano, sugiro que se faça uma rápida pesquisa em cada país, para descobrir quanto custa a contratação de um pistoleiro pra matar algum desafeto.
Quanto maior o valor, maior o IDH do país.
Já antecipo: no Brasil, sai quase de graça, mandar matar alguém.

O valor de um plano


No Brasil, quando você entra em um restaurante, percebe logo um enxame de garçons. Tá certo que, sempre que você precisa de um deles, estão todos olhando pro outro lado. Mas estão lá.
Em Portugal, a quase totalidade dos restaurantes tem um ou dois atendentes, que correm esbaforidos de um lado a outro pra dar conta do serviço.
Pura aritmética: um garçom, lá, vale três ou quatro daqui. Em todos os sentidos, principalmente em termos salariais.
Habitamos um Brasil sem planejamento familiar. Se a novela das oito termina antes de bater o sono, lá vem mais filho.
Mais gente na fila do desemprego, ou – na melhor das hipóteses – mais garçons nos restaurantes, dividindo o mesmo bolo salarial.

Dia desses, conversando com filha e genro que moram em Connecticut, EUA, fiquei sabendo que, lá, todas as residências são obrigadas a ter plano de desocupação da moradia em caso de emergência. A coisa é levada muito a sério. Vez em quando, algum fiscal passa para verificar se o plano está devidamente afixado em lugar visível da residência e se os moradores estão cientes de seus detalhes.
Aqui, São Paulo, século 21, constroem-se linhas de metrô sem plano de evacuação das residências que ficam em cima das obras. Quando a coisa desaba, as pessoas são tragadas pelo descaso total.
Plano?
Ora, ora.
Onde as pessoas valem pouco, qualquer plano pra preservá-las é caro.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Buracos & buracos


Dizem que Sadam Hussein foi a prova definitiva de que sair do buraco nem sempre significa melhorar.
O apóstolo e a bispa acabam de sair de um buraco complicado. Conseguiram deixar uma prisão nos EUA. Vão voltar para o Brasil. Promotores e juízes daqui já deviam estar sentindo falta daquele velho joguinho de prender e soltar. Joguinho valioso, se é que me entendem.
Quanto ao buraco de São Paulo, virou atração turística.
Já no Rio, o buraco é mais embaixo. Foi só o novo governador pedir ajuda federal e descobriu-se que Lula e seu criminalista preferido estavam blefando. Cláudio Lembo e dona Rosinha (ex-governadores de São Paulo e Rio) devem estar roendo as unhas, de raiva. Não aceitaram a ajuda oferecida por Lula. Agora descobriram que a ajuda era ficção.
Lula sabe jogar. Jogo político, claro. Buraco, não sei se ele joga. Mas vai tentar alguma coisa na linha Chavez, pra ver se não vai tão cedo pro buraco da História.
Quanto ao Brasil, caiu de vez no buraco.
Salve-se quem puder.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Desejo de boa vizinhança


Nas aldeias de Portugal, mais do que nas vilas e cidades, o bom relacionamento com os vizinhos é de importância fundamental.
Daí, recolhi em Passos de Lomba este provérbio:

Que não dure mais
O mau vizinho
Do que a neve marcelina.


A neve marcelina é a neve do mês de março. Fraca, vai logo embora.

Ecos da Guerra Civil Espanhola


A aldeia de Passos de Lomba fica muito próxima à fronteira norte de Portugal com a Espanha. Meus primos, lá residentes, lembram-se ainda de trechos de canções relativas à Guerra Civil Espanhola (1936 – 1939).

Em uma delas, conta-se a saga de dois irmãos (Antonio e Manuel), moradores do Pinheiro, aldeia um pouco acima de Passos, conhecidos como os cuquinhos do Pinheiro, que – por terem auxiliado os comunistas espanhóis (os vermelhos) – foram perseguidos pelos franquistas. Um deles, o Antonio foi logo morto. Manuel fugiu, mas foi alcançado na aldeia da Cisterna e também assassinado. Além disso, a canção o acusa de barbaridades tais como estupro e roubo.
Consegui que meu primo Alípio me ditasse este trecho:

Os cuquinhos do Pinheiro
Oh que grandes figurões.
Por darem de comer aos vermelhos
Fizeram-se dois ladrões.

(...)

Foi no povinho da Cisterna
Onde ele estava escondido
Fez resistência à Guarda
Mesmo nele deu um tiro

Quando chegou à Ponte de Santa Rufina
Já não podia falar
Disse o cabo para a guarda
- Acabai de o matar!

Quando chegou a Vinhais
Todo ensangüentado ele ia.
Disse a criada ao fidalgo
Que ainda o conhecia.
- Foi este homem mesmo
Que a nossa casa roubou.
- Com uma pistola em punho
Ele de mim abusou.


Canções tais como essa eram uma das formas que assumia o marketing político à época.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Pagando mico em espanhol


Dia 22 de dezembro, a baixinha e eu fomos a Madrid para buscar filha, neta e genro, que chegariam de New York no dia seguinte de manhã.
Hospedamo-nos no Preciados, hotel que tem a vantagem de possuir o tradicional bar Varela e de ser exatamente em frente a El Asador de Aranda.
Entregamos o carro ao manobrista, fizemos o check in e fomos passear a pé.
Logo me dei conta de que havia deixado no carro a máquina fotográfica.
Voltamos ao hotel e pedi ao recepcionista que me indicasse como chegar ao automóvel.
- Va a la izquierda (disse ele fazendo um largo gesto com a mão no sentido da sua esquerda). Su coche está en la Plaza 21, piso -3.
Saímos do hotel, descemos a primeira rua à esquerda e começamos a procurar a Praça 21. Como só nos surgisse a Praça San Martin, perguntei a vários transeuntes aonde ficava a Praça 21. Ninguém sabia.
Voltamos ao hotel.
Quando expliquei ao recepcionista que não encontrara a Praça 21, ele corrigiu:
Não. Eu não precisava sair do hotel. Bastava dirigir-me ao elevador à esquerda da recepção, baixar ao Andar -3 e procurar a vaga (Plaza) 21, na garagem do hotel.
Sob as gargalhadas da baixinha, aprendi, para jamais esquecer, que Plaza pode ser Praça mas também pode ser Vaga (em garagem).

domingo, 7 de janeiro de 2007

Que queria eu ser quando fosse grande


Já há muito tempo que conheço a Saltapocinhas e seu blog Fábulas.
Não nos pudemos encontrar, até hoje. Já nos falamos ao telefone, é verdade.
Ela deve-me ovos moles de Aveiro verdadeiros. Parece que os que lá comi não o eram, segundo ela.
Encanta-me o trabalho que ela desenvolve com seus aluninhos. Vale a pena visitar o Blog dos Golfinhos, para conferir.
Por essas e por outras, não posso deixar de atender ao convite dela para que faça este TPC: quando era pequenino, que queria eu ser quando fosse grande.
A dificuldade começa com a sigla TPC.
Deixem-me explicar: acontece comigo algo parecido com o que aconteceu com o zagueiro brasileiro Aldair, quando foi jogar futebol na Itália. Dizem as péssimas línguas que, passados uns poucos anos, ele havia esquecido o Português e não havia aprendido o Italiano. Ficara sem língua, por assim dizer.
Comigo ocorre que estou deixando de ser brasileiro e não consigo ser completamente português. Periga tornar-me apátrida, por pura incompetência.
Quando li que o desafio que a Saltapocinhas me dirigia era um TPC, comecei a procurar que diabos era isso. Logo notei que devia ser algo tão, mas tão banal que ninguém se dignava a explicar.
Salvou-me, como quase sempre, mestre Google e este artigo que, graças a ele, encontrei. TPC, caros brasileiros que me lêem, é aquilo que chamamos lição de casa. Em Portugal, consegui perceber, fala-se Trabalho Para Casa e abrevia-se TPC.
Vamos a ele, ou seja, ao TPC:
Essa questão do que ser quando crescer foi, para mim, a definitiva confirmação de minha falta de imaginação e criatividade.
Belo dia, cheguei para minha mãe e afirmei:
- Queria ser – quando crescesse – inventor. O problema é que já inventaram tudo!

Feita esta confissão um tanto desabonadora, poupo meus amigos. Não passo a ninguém este (como é mesmo?) TPC.

sábado, 6 de janeiro de 2007

Ainda Portugal - o Porto (complemento)


Esqueci-me de postar o símbolo maior do Porto: a Torre dos Clérigos. Aqui vai a foto que dela tirei, desde a frente da Igreja da Batalha, na praça da Batalha.


Por falar em Igreja da Batalha, alguém vai se dignar a restaurar a dita cuja ou vão mesmo deixá-la apodrecer e despencar?

[Atualização: o Tinta Permanente, do blog Folhas da Gaveta, me adverte, neste comentário: a igreja que fica na Praça da Batalha chama-se Igreja de Santo Ildefonso.]

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Ainda Portugal - o Porto


A cidade do Porto vista desde o outro lado do Douro, desde Vila Nova de Gaia.

Clique para ler sobre o Porto

Clique para ler sobre Vila Nova de Gaia
Um pequeno parque com brinquedos para crianças. Nele, é proibido pisar com calçados de tacão fino.

Vila Nova de Gaia
No parque, o avô fotografa a mãe que gira a filha. É a vida a girar. Vida gira (*).

Gira-Vida (ou Vida Gira)

(*) Tanto significa amalucada quanto - em Portugal - bonita, interessante, engraçada.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Brincando de Mr Magoo


Não é de hoje que meu filho diz que a Baixinha e eu somos o casal Magoo.
Desta vez, então, nem se fala. Tomamos o vôo para o Brasil no Terminal 4 do aeroporto de Barajas, Madrid, dois dias depois do ETA ter aberto nele uma enorme cratera com a explosão de um carro bomba.
Se é verdade que o interior do aeroporto ficou quase intacto,



com apenas alguns vidros quebrados,




a cratera que abriram no estacionamento é impressionante:




Ao chegar ao aeroporto de Guarulhos, estranhei o fato do taxista ter se dirigido à Ayrton Senna (e não à Via Dutra).
Fiquei então sabendo que um paiol da Polícia Militar explodira próximo à chegada da Dutra a São Paulo.
De fato, ao passar pela Marginal Tietê, pudemos ver a fumaceira que saía do local.
Assim, de explosão em explosão, voltamos para casa.
Intactos.

(o que - evidentemente - não torna menos estúpida a ação dos militantes do ETA)

Visita a Mirandela


Mapa de Mirandela ampliável (clique)
Dia 26, após o Natal, fomos conhecer Mirandela, com a neta e o genro, enquanto a filha curtia os excessos do dia anterior.

Informações da Wikipedia sobre Mirandela
Clique para informações sobre o Concelho de Mirandela
Clique para ler mais sobre o Concelho de Mirandela
Clique para ver mais fotos

Cada um na sua


O lume produz calor e luz. A neta produz desenhos. Eu, posts.

Enquanto isso, o rebanho atravessa a estrada (CLIQUE)

Contrastes - cenas de Vinhais


Horta em plena avenida:


Final de tarde, é preciso parar o carro para que o rebanho passe (a lateral do carro ficou bem lustrada):

Aos novos governantes


Belo dia, em Passos, descobri a burra Boneca, na casa de Alípio. Perguntei a ele desde quando ele possuía aquela burra. Pensou um pouco e respondeu:
- Trinta ou trinta e um anos.
A surpresa foi grande. Nem sabia que os burros viviam tanto. Logo pensei que esse é mais ou menos o tempo que - tanto tucanos quanto petistas - pedem para resolver os problemas brasileiros.
Quem sabe Boneca os resolveria mais rápido.

Esta é a Boneca

Vamos lá, políticos deste imenso país. Ainda dá tempo.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Passos de Lomba

No caminho de Vinhais a Passos, o gelo que se forma nas pedras à beira da estrada:


Já em Passos, o sol ameniza o frio.


Pessoas da aldeia posam para a foto
O calor humano faz o resto.

Lá ao fundo, a Baixinha caminha abraçada a minha prima Dora

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Matança na Zelinda


OBSERVAÇÃO PRELIMINAR: Como as fotos eram muitas e também porque algumas são fortes (no sentido de que podem agredir pessoas mais sensíveis), resolvi colocá-las aos pares. Ou seja: em cada foto, se você clicar sobre ela aparecerá outra foto. São 32 ao todo. Você verá 16. As outras 16 estão no verso, digamos assim. Os comentários referem-se às vezes às fotos aparentes, outras vezes às fotos escondidas.
Penso ter sido claro. Não me venham com reclamações. Quem não quiser ver as fotos mais fortes, não clique sobre aquelas nas quais a legenda é CUIDADO. Hoje em dia, as pessoas organizam-se para que não se matem porcos, baleias, micos-leões dourados e o scambau. Em compensação, cada vez mais, matam-se umas às outras.


Vamos ao que interessa. Os porcos são mortos no frio. Deles aproveita-se tudo. E o produto da matança serve aos habitantes das aldeias durante todo o ano seguinte.
Como o processo de matança e preparo das carnes exige o envolvimento de muitas pessoas, a matança promovida por cada família transforma-se em evento social: vários vizinhos são convidados a ajudar e recebem pequeno almoço, almoço e ceia como recompensa pela ajuda.
Ouvi dizer que se pretende proibir as matanças. Os porcos terão de ser enviados a matadouros para serem abatidos de acordo com padrões de higiene mais rígidos. Cá entre nós, duvido que se consiga, com isso, qualquer melhoria do ponto de vista sanitário. Conseguir-se-á, isso sim, matar uma tradição secular. E seremos cada vez mais civilizados. Amém.

Quando cheguei à casa de minha prima Zelinda, no sábado, 16 de dezembro de 2.006, eram nove horas, pouco mais pouco menos, e um porco já havia sido morto. Estavam a puxar para fora um segundo porco. Fotografei o momento seguinte àquele em que a facada lhe foi aplicada no pescoço. O sangue, ao jorrar, formou à sua volta uma densa fumaça. Estava muito frio e o sangue, claro, estava quente.
A foto abaixo mostra o gelo que se formou sobre as plantas e sobre a cerca. Se clicarem, verão o porco a ser abatido.

CUIDADO AO CLICAR. CENA FORTE
Enquanto as galinhas buscavam minhocas on the rocks, o porco continuava a teimar uma sobrevida. Recolhia-se dele o sangue. Este também se aproveita.

CUIDADO AO CLICAR. CENA FORTE
Um porco já descansa em paz. O outro, resiste e - quase já sem sangue - ainda dá coices.

CUIDADO AO CLICAR. CENA FORTE
Enfim, mortos os porcos, começa-se o processo de limpeza: um lança chamas à base de gás butano serve para queimar o pelo que se retira com o auxílio de enxadas e de facas. É trabalho minucioso.

Apesar de ser trabalho detalhista, é ainda feito por homens
Em certo momento da limpeza da pele, alguém percebeu que tinha sido deixado um pouco de pelo junto ao pescoço do porco. O comentário mostrou-me o orgulho que sentem aqueles homens da sua condição:
- Deixaste cá pelo. Nem pareces agricultor!

Os porcos terminam róseos, limpinhos

Continuação da limpeza dos pelos
Depois, deve-se lavar bem o porco. Antigamente, eles eram lavados junto ao rio. Agora, usa-se a mangueira ligada a uma torneira. Só que, desta vez, meu primo Alípio se deu conta de que a água congelou dentro da mangueira. Foi preciso jogar água quente dentro da mangueira para "desentupi-la".

Com um pequeno funil, joga-se água dentro da mangueira congelada. Veja no verso
Vem agora uma parte muito interessante. O porco passa por uma - digamos - lipoaspiração. Abre-se-lhe a barriga, retira-se parte da gordura.
Se você olhar a foto do verso, verá o resultado de um trabalho perfeito de proctologista: o ânus do porco é cortado, amarrado e retirado junto com o intestino. No buraco resultante dessa operação, prende-se um cordão forte (no caso, azul) que servirá para pendurar o porco em pé, preso a uma escada rústica de madeira.

Bonitinho o lacinho, né não? (vide verso)
Para levantar a escada com o porco, são necessários seis homens, ou melhor: sete. Seis para levantar o porco, um (eu) para fotografá-lo.
Começará, agora, a retirada das entranhas do dito cujo porco.

Repare que enquanto o primeiro porco a morrer já está erguido, o outro passa, ainda, pelo processo de limpeza de pele
E, agora, retiram-se os órgãos do nosso querido porco. Serão trabalhados pelas mulheres.


Elas já se aproximam com um grande pano para recolher tudo e levar a um canto para minuciosa elaboração.


Começa, aqui, o trabalho das mulheres na elaboração dos órgãos do porco.




Por fim, seis homens empregam toda sua força para transportar o porco já desprovido de boa parte de suas entranhas. O restante do trabalho continuará no dia seguinte.


Às mulheres cabe, também, o preparo do almoço.


Do almoço desfrutam - com justiça - os que trabalharam na matança e, Deus seja louvado, eu, que nada fiz, a não ser fotografar tudo para vocês.
Para que tudo ficasse perfeito, deveria cá estar meu sobrinho Kold, que fotografaria a matança muito melhor que eu.
Um dia, quem sabe, isso aconteça.
Por hora, contentem-se com o que consegui registar.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

A morte do Galo


Enquanto tento colocar aqui as fotos da matança na casa de minha prima Zelinda (são 32 fotos e só consegui colocar, até agora, umas 16. O Blogger - depois de algumas fotos - pára de carregar as fotos), fiquemos com uma simples morte de galo. Simples pra mim, que não sou galo. Pro dito cujo foi a única morte. Incompartilhável e solitária morte.

Como outros grandes revolucionários, o galo perdeu o pescoço
E  - sem o saber - será protagonista de maravilhosa canja

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

De como uma consoada pode ser agradável


Então. 24 de dezembro, um dia depois de ter trazido filha, genro e neta de Madrid até Vinhais, eles com 5 horas de fuso horário, mas jovens, talvez loucos pra passear e conhecer tudo por aqui.
Ponho o despertador pra oito e meia. Levanto, fico bisbilhotando a internet, à espera dos jovens desbravadores da velha Europa, vindos de New York. Quinze minutos depois me pergunto que estou eu a fazer, acordado, sozinho, todo mundo ferrado no sono.
Volto pra cama, durmo até dez e meia. Os jovens desbravadores da velha Europa (JDVE) continuam a dormir.
A Baixinha acorda. Depois do pequeno almoço, lá vamos nós ao Docinho (casa de doces super super existente em Vinhais), a buscar os pastéis de nata que encomendamos para a consoada.
Ao entrar no Docinho, a bagunça é geral. Os proprietários, olhos já um tanto apagados pelo cansaço, trabalham freneticamente. Clientes entram e saem ininterruptamente.
Um dos proprietários, ocupado a dobrar embalagens de papelão, olha para a Baixinha e informa:
- Não foi possível fazer suas natinhas. Trabalhamos a noite toda mas não demos conta das encomendas.
Disfarçamos a expressão de consternação, por pena dele, e voltamos à casa.
Já é hora de uns bagacinhos, pra regar pedaços de chouriças.
Faltando um quarto pra uma, decido:
À uma da tarde chamo os JDVE.
Bate uma hora, bato à porta do quarto dos JDVE. Atende um rosto com cara de me-deixa-dormir-mais-umas-horas.
Apesar dos pesares, às duas já estamos a caminho de Bragança. Lá, no inolvidável Restaurante Rochedo, devoramos uma feijoada de javali regada a João Pires tinto. E levamos pra casa mais um pouco pra quando a vontade voltar.
Depois de comprinhas no Modelo, uma volta no castelo. Com o fim da luz do dia, não é mais possível mostrar tudo aos JDVE.
Fica pra outro dia.
Voltamos a Vinhais. Conversa daqui, comida dali, vamos saboreando a convivência.
Minha neta me procura, discretamente, e me alerta:
- Olha, esta noite, se você ouvir sons na cozinha, não vá lá. É Papai Noel. Deixa que ele coloque os presentes junto à árvore.
- Explico a ela que, em Portugal, fala-se Pai Natal.
E vamos dormir, à espera dos presentes, que virão de manhã.
Antes, ainda toca o telemóvel. É nossa filha da Austrália, a contar que lá acorda-se às seis da matina pra ver os presentes.
Meu genro acabara de contar que quando esteve no Colorado, anos atrás, o costume era o mesmo: a ceia de 24 era cedo, todos iam dormir lá pelas nove da noite. Pela manhã, todos levantavam às cinco para abrir os presentes.
Como não sou australiano nem conheço o Colorado, vou acordar às 10.
Boa noite.
E bom Natal.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Quebrou-se o encanto


Começo do começo. Pronto. Já complicou. Quero dizer que coméço do comêço.
Estava eu posto em sossego, em São Paulo, SP, Brasil, idos de novembro do ano da graça de 2006. Como já estava tudo preparado para que passasse minhas férias de dezembro em Vinhais, nordeste de Portugal, e já fazia muito tempo que não me encontrava pessoalmente (sim, hoje em dia a gente se encontra de outras maneiras) com meus ami(blo)gos do Algarve, sul de Portugal, escrevi a meu amigo Asulado, de Olhão, e pedi a ele que tentasse arranjar um almoço com os demais amigos Susana, Baeta, José Carlos, Luis Ene e outros que ele conseguisse atrair para essa armadilha. A data disponível era qualquer dia em torno do domingo, 17. Diligente, Asulado conseguiu marcar o almoço para o próprio 17.
Eis que a natureza levanta suas leis inevitáveis contra mim. As matanças cá de minha terra, que normalmente ocorrem no início de dezembro, pois então já há o indispensável frio para elas, tiveram de ser postergadas, pelo atraso na chegada do frio.
Resultado: minha prima Zelinda marcou sua matança para o dia 16, sábado. Não comparecesse eu a tal evento, perigava morrer no lugar dos porcos.
Escrevi, então, ao Asulado, para relatar-lhe tais vicissitudes. À falta de melhor título para o e-mail, sapequei:
Deu zica no borogodó
O mundo desabou-me sobre a cabeça (que por sorte é grande e dura. Agüentou bem). Reunidos no dia 17, meus amigos ligaram-me para saber o que era zica, o que era borogodó.
Quanto a borogodó, deixo-vos com a definição do Houaiss, que considero um tanto restritiva, mas que dá conta do significado buscado.

Borogodó

■ substantivo masculino
Regionalismo: Brasil. Uso: informal.
1 atrativo pessoal irresistível
Ex.: com todo aquele b., ele está sempre rodeado de mulheres
2 afeto, carinho

Etimologia
voc. considerado expressivo



Quanto ao “deu zica”, deve-se recorrer a exemplos espalhados pela Internet: por exemplo este, ou este.

Como se vê, queria eu dizer que a magia e o encanto que esperava daquele fim de semana sucumbira face às mudanças a que o clima me obrigara.
Quebrara-se o encanto.
Foi tudo água abaixo.
Melou geral.
Não rolou.
Deu zica no borogodó.


Em tempo: fotos do almoço a que não compareci (exceto pela presença de um avatar) podem ser vistas aqui.

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Fome Zero


Encontrada a solução pro problema da fome. Menino, no Brasil (aonde mais poderia acontecer isso?) sobreviveu 8 dias, em um buraco, comendo terra. Pronto.
Como diria Vinicius, os sem-terra que me perdoem, mas terra é fundamental.

Matanças


Hoje, como já é quase meia-noite, não vou pôr aqui as fotos das matanças. Mesmo porque vai dar-me algum trabalho colocar fotos mais fortes escondidas sob um clique.
Por ora, fica o porco suspenso, já depois de uma - digamos - lipoaspiração.
O demais vem amanhã. Até lá.

Caminho de Santiago


Vinhais – entre outras coisas – fica no caminho português da Via da Plata para Santiago de Compostela.
Essa placa fica muito próxima do lugar em que estamos.


sábado, 16 de dezembro de 2006

Fumeiro


Vinhais é, também, a capital do Fumeiro.
Suas aldeias, nesta altura do ano, procedem às matanças dos porcos e preparam os enchidos e os presuntos e os (deixa-me parar por aqui que a água já escorre da boca).
Na casa de minha prima Zelinda, encontrei este fumeiro, que vai ser levado para as Astúrias:


Amanhã, será o dia de matança em casa de Zelinda.
Depois, meto cá as fotos.