sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Matança na Zelinda


OBSERVAÇÃO PRELIMINAR: Como as fotos eram muitas e também porque algumas são fortes (no sentido de que podem agredir pessoas mais sensíveis), resolvi colocá-las aos pares. Ou seja: em cada foto, se você clicar sobre ela aparecerá outra foto. São 32 ao todo. Você verá 16. As outras 16 estão no verso, digamos assim. Os comentários referem-se às vezes às fotos aparentes, outras vezes às fotos escondidas.
Penso ter sido claro. Não me venham com reclamações. Quem não quiser ver as fotos mais fortes, não clique sobre aquelas nas quais a legenda é CUIDADO. Hoje em dia, as pessoas organizam-se para que não se matem porcos, baleias, micos-leões dourados e o scambau. Em compensação, cada vez mais, matam-se umas às outras.


Vamos ao que interessa. Os porcos são mortos no frio. Deles aproveita-se tudo. E o produto da matança serve aos habitantes das aldeias durante todo o ano seguinte.
Como o processo de matança e preparo das carnes exige o envolvimento de muitas pessoas, a matança promovida por cada família transforma-se em evento social: vários vizinhos são convidados a ajudar e recebem pequeno almoço, almoço e ceia como recompensa pela ajuda.
Ouvi dizer que se pretende proibir as matanças. Os porcos terão de ser enviados a matadouros para serem abatidos de acordo com padrões de higiene mais rígidos. Cá entre nós, duvido que se consiga, com isso, qualquer melhoria do ponto de vista sanitário. Conseguir-se-á, isso sim, matar uma tradição secular. E seremos cada vez mais civilizados. Amém.

Quando cheguei à casa de minha prima Zelinda, no sábado, 16 de dezembro de 2.006, eram nove horas, pouco mais pouco menos, e um porco já havia sido morto. Estavam a puxar para fora um segundo porco. Fotografei o momento seguinte àquele em que a facada lhe foi aplicada no pescoço. O sangue, ao jorrar, formou à sua volta uma densa fumaça. Estava muito frio e o sangue, claro, estava quente.
A foto abaixo mostra o gelo que se formou sobre as plantas e sobre a cerca. Se clicarem, verão o porco a ser abatido.

CUIDADO AO CLICAR. CENA FORTE
Enquanto as galinhas buscavam minhocas on the rocks, o porco continuava a teimar uma sobrevida. Recolhia-se dele o sangue. Este também se aproveita.

CUIDADO AO CLICAR. CENA FORTE
Um porco já descansa em paz. O outro, resiste e - quase já sem sangue - ainda dá coices.

CUIDADO AO CLICAR. CENA FORTE
Enfim, mortos os porcos, começa-se o processo de limpeza: um lança chamas à base de gás butano serve para queimar o pelo que se retira com o auxílio de enxadas e de facas. É trabalho minucioso.

Apesar de ser trabalho detalhista, é ainda feito por homens
Em certo momento da limpeza da pele, alguém percebeu que tinha sido deixado um pouco de pelo junto ao pescoço do porco. O comentário mostrou-me o orgulho que sentem aqueles homens da sua condição:
- Deixaste cá pelo. Nem pareces agricultor!

Os porcos terminam róseos, limpinhos

Continuação da limpeza dos pelos
Depois, deve-se lavar bem o porco. Antigamente, eles eram lavados junto ao rio. Agora, usa-se a mangueira ligada a uma torneira. Só que, desta vez, meu primo Alípio se deu conta de que a água congelou dentro da mangueira. Foi preciso jogar água quente dentro da mangueira para "desentupi-la".

Com um pequeno funil, joga-se água dentro da mangueira congelada. Veja no verso
Vem agora uma parte muito interessante. O porco passa por uma - digamos - lipoaspiração. Abre-se-lhe a barriga, retira-se parte da gordura.
Se você olhar a foto do verso, verá o resultado de um trabalho perfeito de proctologista: o ânus do porco é cortado, amarrado e retirado junto com o intestino. No buraco resultante dessa operação, prende-se um cordão forte (no caso, azul) que servirá para pendurar o porco em pé, preso a uma escada rústica de madeira.

Bonitinho o lacinho, né não? (vide verso)
Para levantar a escada com o porco, são necessários seis homens, ou melhor: sete. Seis para levantar o porco, um (eu) para fotografá-lo.
Começará, agora, a retirada das entranhas do dito cujo porco.

Repare que enquanto o primeiro porco a morrer já está erguido, o outro passa, ainda, pelo processo de limpeza de pele
E, agora, retiram-se os órgãos do nosso querido porco. Serão trabalhados pelas mulheres.


Elas já se aproximam com um grande pano para recolher tudo e levar a um canto para minuciosa elaboração.


Começa, aqui, o trabalho das mulheres na elaboração dos órgãos do porco.




Por fim, seis homens empregam toda sua força para transportar o porco já desprovido de boa parte de suas entranhas. O restante do trabalho continuará no dia seguinte.


Às mulheres cabe, também, o preparo do almoço.


Do almoço desfrutam - com justiça - os que trabalharam na matança e, Deus seja louvado, eu, que nada fiz, a não ser fotografar tudo para vocês.
Para que tudo ficasse perfeito, deveria cá estar meu sobrinho Kold, que fotografaria a matança muito melhor que eu.
Um dia, quem sabe, isso aconteça.
Por hora, contentem-se com o que consegui registar.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

A morte do Galo


Enquanto tento colocar aqui as fotos da matança na casa de minha prima Zelinda (são 32 fotos e só consegui colocar, até agora, umas 16. O Blogger - depois de algumas fotos - pára de carregar as fotos), fiquemos com uma simples morte de galo. Simples pra mim, que não sou galo. Pro dito cujo foi a única morte. Incompartilhável e solitária morte.

Como outros grandes revolucionários, o galo perdeu o pescoço
E  - sem o saber - será protagonista de maravilhosa canja

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

De como uma consoada pode ser agradável


Então. 24 de dezembro, um dia depois de ter trazido filha, genro e neta de Madrid até Vinhais, eles com 5 horas de fuso horário, mas jovens, talvez loucos pra passear e conhecer tudo por aqui.
Ponho o despertador pra oito e meia. Levanto, fico bisbilhotando a internet, à espera dos jovens desbravadores da velha Europa, vindos de New York. Quinze minutos depois me pergunto que estou eu a fazer, acordado, sozinho, todo mundo ferrado no sono.
Volto pra cama, durmo até dez e meia. Os jovens desbravadores da velha Europa (JDVE) continuam a dormir.
A Baixinha acorda. Depois do pequeno almoço, lá vamos nós ao Docinho (casa de doces super super existente em Vinhais), a buscar os pastéis de nata que encomendamos para a consoada.
Ao entrar no Docinho, a bagunça é geral. Os proprietários, olhos já um tanto apagados pelo cansaço, trabalham freneticamente. Clientes entram e saem ininterruptamente.
Um dos proprietários, ocupado a dobrar embalagens de papelão, olha para a Baixinha e informa:
- Não foi possível fazer suas natinhas. Trabalhamos a noite toda mas não demos conta das encomendas.
Disfarçamos a expressão de consternação, por pena dele, e voltamos à casa.
Já é hora de uns bagacinhos, pra regar pedaços de chouriças.
Faltando um quarto pra uma, decido:
À uma da tarde chamo os JDVE.
Bate uma hora, bato à porta do quarto dos JDVE. Atende um rosto com cara de me-deixa-dormir-mais-umas-horas.
Apesar dos pesares, às duas já estamos a caminho de Bragança. Lá, no inolvidável Restaurante Rochedo, devoramos uma feijoada de javali regada a João Pires tinto. E levamos pra casa mais um pouco pra quando a vontade voltar.
Depois de comprinhas no Modelo, uma volta no castelo. Com o fim da luz do dia, não é mais possível mostrar tudo aos JDVE.
Fica pra outro dia.
Voltamos a Vinhais. Conversa daqui, comida dali, vamos saboreando a convivência.
Minha neta me procura, discretamente, e me alerta:
- Olha, esta noite, se você ouvir sons na cozinha, não vá lá. É Papai Noel. Deixa que ele coloque os presentes junto à árvore.
- Explico a ela que, em Portugal, fala-se Pai Natal.
E vamos dormir, à espera dos presentes, que virão de manhã.
Antes, ainda toca o telemóvel. É nossa filha da Austrália, a contar que lá acorda-se às seis da matina pra ver os presentes.
Meu genro acabara de contar que quando esteve no Colorado, anos atrás, o costume era o mesmo: a ceia de 24 era cedo, todos iam dormir lá pelas nove da noite. Pela manhã, todos levantavam às cinco para abrir os presentes.
Como não sou australiano nem conheço o Colorado, vou acordar às 10.
Boa noite.
E bom Natal.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Quebrou-se o encanto


Começo do começo. Pronto. Já complicou. Quero dizer que coméço do comêço.
Estava eu posto em sossego, em São Paulo, SP, Brasil, idos de novembro do ano da graça de 2006. Como já estava tudo preparado para que passasse minhas férias de dezembro em Vinhais, nordeste de Portugal, e já fazia muito tempo que não me encontrava pessoalmente (sim, hoje em dia a gente se encontra de outras maneiras) com meus ami(blo)gos do Algarve, sul de Portugal, escrevi a meu amigo Asulado, de Olhão, e pedi a ele que tentasse arranjar um almoço com os demais amigos Susana, Baeta, José Carlos, Luis Ene e outros que ele conseguisse atrair para essa armadilha. A data disponível era qualquer dia em torno do domingo, 17. Diligente, Asulado conseguiu marcar o almoço para o próprio 17.
Eis que a natureza levanta suas leis inevitáveis contra mim. As matanças cá de minha terra, que normalmente ocorrem no início de dezembro, pois então já há o indispensável frio para elas, tiveram de ser postergadas, pelo atraso na chegada do frio.
Resultado: minha prima Zelinda marcou sua matança para o dia 16, sábado. Não comparecesse eu a tal evento, perigava morrer no lugar dos porcos.
Escrevi, então, ao Asulado, para relatar-lhe tais vicissitudes. À falta de melhor título para o e-mail, sapequei:
Deu zica no borogodó
O mundo desabou-me sobre a cabeça (que por sorte é grande e dura. Agüentou bem). Reunidos no dia 17, meus amigos ligaram-me para saber o que era zica, o que era borogodó.
Quanto a borogodó, deixo-vos com a definição do Houaiss, que considero um tanto restritiva, mas que dá conta do significado buscado.

Borogodó

■ substantivo masculino
Regionalismo: Brasil. Uso: informal.
1 atrativo pessoal irresistível
Ex.: com todo aquele b., ele está sempre rodeado de mulheres
2 afeto, carinho

Etimologia
voc. considerado expressivo



Quanto ao “deu zica”, deve-se recorrer a exemplos espalhados pela Internet: por exemplo este, ou este.

Como se vê, queria eu dizer que a magia e o encanto que esperava daquele fim de semana sucumbira face às mudanças a que o clima me obrigara.
Quebrara-se o encanto.
Foi tudo água abaixo.
Melou geral.
Não rolou.
Deu zica no borogodó.


Em tempo: fotos do almoço a que não compareci (exceto pela presença de um avatar) podem ser vistas aqui.

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Fome Zero


Encontrada a solução pro problema da fome. Menino, no Brasil (aonde mais poderia acontecer isso?) sobreviveu 8 dias, em um buraco, comendo terra. Pronto.
Como diria Vinicius, os sem-terra que me perdoem, mas terra é fundamental.

Matanças


Hoje, como já é quase meia-noite, não vou pôr aqui as fotos das matanças. Mesmo porque vai dar-me algum trabalho colocar fotos mais fortes escondidas sob um clique.
Por ora, fica o porco suspenso, já depois de uma - digamos - lipoaspiração.
O demais vem amanhã. Até lá.

Caminho de Santiago


Vinhais – entre outras coisas – fica no caminho português da Via da Plata para Santiago de Compostela.
Essa placa fica muito próxima do lugar em que estamos.


sábado, 16 de dezembro de 2006

Fumeiro


Vinhais é, também, a capital do Fumeiro.
Suas aldeias, nesta altura do ano, procedem às matanças dos porcos e preparam os enchidos e os presuntos e os (deixa-me parar por aqui que a água já escorre da boca).
Na casa de minha prima Zelinda, encontrei este fumeiro, que vai ser levado para as Astúrias:


Amanhã, será o dia de matança em casa de Zelinda.
Depois, meto cá as fotos.

Mais Vinhais


Vinhais é vila, não cidade.
As vantagens começam aí.
Por exemplo, quando ocorre um mísero esbarrão de um automovelzinho com um auto carro (ônibus), isso vira assunto pra mais de metro.




Agora, época de Natal, há presépio em tamanho natural:


Ao longo do ano, há – por exemplo – a Escola Secundária:



E, ao lado dela, um imenso terreno repleto de castanheiros:


Pra lá dos castanheiros, mais Vinhais:



quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Passos
(Para Andrea Marcelo)


Chegar a Passos é como aconchegar-se em útero primevo.
Não creio em céu, que é futuro.
Mas Passos é passado que me percorre as veias.
Lá, as ruas me envolvem em sonho, as casas me remetem à eternidade.
Há os campos, as poucas vivendas:



Há – agora – até nome para as ruas. Está a tornar-se chic, minha aldeia. Minha prima Zelinda, por exemplo, encontra-se na Rua da Igreja, vejam só:


Por enquanto, deixo-vos a imagem do casal mais requintado de Passos: meus primos Fernanda e Carlos, junto com a minha Baixinha.

Viveram mais de 20 anos em França
E estas imagens mágicas: eu e o homem mais idoso de Passos (hoje, viúvo, vive em Vinhais, onde já o encontramos na rua, a fazer sua caminhada): Francisco, que conheceu meu pai nos tempos da meninice, que já se afasta em quase um século.





quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Nossa rua em Vinhais


O prédio em que estamos, visto de longe:


Cheguemos mais perto:


Da sacada do apartamento, olhando-se à direita, vê-se parte da rua:


Olhando-se à esquerda:


Estas são algumas casas da nossa rua:


Nossa rua vista de cima:


Mas o mais importante é que nossa rua tem o Posto da GNR:

Guarda Nacional Republicana
E, na frente do Posto, um monumento intitulado Homem de Vinhais:


Tremei, ó povos. Nós, homens de Vinhais, somos um bocado fálicos.

Placas, placas


Todos que conhecem este blog faz tempo, sabem que há dois anos eu comprei uma placa Vodafone para utilizar a Internet sem fio em Portugal.
Foi uma longa epopéia.
Ano passado, por exemplo, ela não funcionou porque aluguei uma (excelente) casa dentro das muralhas do castelo de Bragança. As muralhas bloqueavam o sinal.
Já este ano, em Vinhais, pensei: no pior município de Portugal, claro que não vai funcionar.
Cheguei à conclusão: Cavaco e Silva passa por um lugar, esse lugar torna-se, ipso facto, o pior lugar de Portugal. Mas a Internet passa a funcionar. De facto, ela funcionou ma-ra-vil-ho-sa-men-te.
Estava feliz da vida, quando, de repente, fim. Acabaram-se os créditos. Descobri, então, que a conexão custava uma pequena fortuna. Coisa tipo 15 a 20 euros por hora (50 a 60 reais). Procurei a Vodafone: não admitem que eu faça uma evolução (up grade) da placa para uma assinatura pós. Comprou pré, vai pré até o inferno.
Como cá em Portugal também é tudo FLA x FLU, ou seja, Vodafone ou TMN, procurei a loja TMN (que, no centro comercial de Bragança, fica exatamente ao lado da loja Vodafone). Lá era possível adquirir uma placa mais moderninha e fazer um contrato pós (ainda mais: com consumo extra grátis em dezembro!). Moral: já comprei a placa TMN. Já pus no Correio o contrato pós e já estou utilizando a placa TMN (ainda na modalidade pré) por (quase) razoáveis 6 euros por hora.
Deus seja louvado.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Aniversário


Faz hoje 30 anos que nasceu Mirela. É a segunda filha da baixinha. Dos nossos seis filhos (três dela, três meus), ela é a terceira.
Que ela receba este bolo de Vinhais.
E que chegue logo o (inevitável) dia em que ela procure nosso aconchego.
Beijinhos trasmontanos.

Para Mirela

domingo, 10 de dezembro de 2006

Primeiras Imagens



Avião querendo entrar na pista.


Enquanto uns vão, outros chegam.


Finalmente, pista livre. Vamos lá.


Aos poucos, Guarulhos se afasta.


Pisamos, agora, um chão de nuvens.


De novo no chão. Chão mesmo.
Caminho de Madrid em direção a Bragança.


E, pra terminar este início:
Uma primeira visão de Vinhais.


Muitas outras virão.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Felicidade pouca é bobagem


Vôo São Paulo - Madrid excelente. À chegada, chovia. Foi desembaraçar as bagagens e sair para a rua. A chuva parou. Pouco depois, já a caminho de Portugal, sol.
Claro que durante o vôo praticamente não dormi. A agitação dos últimos dias não permitiu. A baixinha conseguiu um tempo bom de sono. Daí, não deu outra. Já perto de Zamora, dei uma cochilada ao volante, o carro escorregou para fora da pista. Mas a cutucada que a baixinha me deu foi suficiente pra repor o fugitivo na estrada. Claro: trocamos de posição. Até pararmos para um lanche e a baixinha ficar indignada com a (baixíssima) qualidade do pastel (frio) que comeu. Voltei a dirigir. Cantei um monte de canções do Adelino Moreira pra não cochilar de novo. Pobre baixinha.
Paramos em Zamora para almoçar. Os restaurantes só começariam a funcionar às 13:30. Seguimos para Bragança. Lá, almoçamos no Gôndola. Como sempre, impecável.
Depois de comprar umas coisinhas (no Modelo) pro pequeno almoço de amanhã, partimos pra Vinhais. Acomodados no fantástico apartamento que Isaías nos ofereceu, antes que o cansaço me derrubasse de vez, resolvi experimentar se a minha já lendária placa Vodafone captaria sinais em minha pobre terra.
Surpresa: 3G, Internet rápida. E aqui estou eu, mais feliz que pinto no lixo.
Beijinhos (posts mais elaborados, com fotos etc, só depois de me acostumar com o fuso horário, visitar as primas e tomar alguns bagacinhos).
Volto em breve.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Vamos lá?


E cá estamos nós, a esperar o vôo para Madrid. São 16 horas e vinte e cinco minutos. Daqui a pouco, embarque.
Ontem, ao assistir ao noticiário da noite, na TV, ficamos sabendo que o piloto havia sido preso por pedofilia. Foi pego ao tentar obrigar um garoto de 13 anos a fazer sexo oral com ele, em banheiro do Parque Trianon, São Paulo.
A Iberia informou-nos que já veio de Madrid um outro piloto. Fico a me perguntar: quais serão as - digamos - idiossincrasias do novo piloto?
Sei lá. Desde que saiba pilotar o avião, tudo bem.
Amanhã, pela manhã, desceremos em uma Madrid fria. Talvez chuvosa.
Aqui, deixamos uma São Paulo a ameaçar temporal, mas com aparições tímidas de sol.
Até.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Vésperas de viagem


É sempre assim. Quando se aproxima a hora de zarpar, tudo se acumula. É trabalho que não acaba mais. E tudo tem de ser feito pra que a partida seja possível.
Mas – como sempre – tudo vai dar certo.
Meu amigo Asulado já deve estar a providenciar um encontro de blogueiros lá no Algarve. Qualquer coisa entre 15 e 18 de dezembro.
Isso nos dá pretexto (como se fosse necessário) para sair lá do norte, descer durante dois dias ao sul, ficar lá um dia e voltar novamente ao norte, por caminhos diferentes. A percorrer esse Portugal fantástico.
E eis que, em meio a toda essa azáfama, recebo notícias pra lá de boas:
Meu filho acaba de ganhar um prêmio incrível. Sua mulher, minha nora, não deixou por menos e fez também um brilhareco.
Agora é correr pra fazer o que tem de ser feito e – em seguida – partir pra Terra Prometida, que ninguém é de ferro.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Uma pequena maldade


Dia desses, uma blogueira que até então me mandava dezenas de e-mails todo dia mandou-me um, um tanto diferente. Pedia ela que – sem pensar – guiado apenas pelo primeiro impulso, escrevesse, em resposta, a primeira palavra que surgisse em minha mente, associada a ela.
Ao ler tal pedido veio-me à mente umbiguista. Palavra, aliás, que o Houaiss não registra. Mas muito utilizada nos blogs portugueses.
Fiquei em dúvida se deveria responder ou não. Seria grosseiro? Mas, por outro lado, o pedido partira dela. Além disso, trata-se de uma psicanalista. Tem, como dever mesmo de ofício, saber que o que ocorre em minha mente tem muito mais a ver comigo mesmo do que com qualquer outra pessoa. Cheguei a imaginar que trocaríamos alguns e-mails para investigar as razões de ter brotado tal termo em minha mente.
Respondi.
Dia seguinte recebo a réplica:

:) tá bom, não vou mais te mandar nada, assim não precisa mais ficar olhando meu umbigo tchau. Fui .

Como o texto começava com aquele símbolo de riso, encarei como brincadeira e fiquei à espera de novos e-mails dela.
Nada.
Havia feriados. Pensei que talvez tivesse viajado ou que tivesse visitas em casa. Continuei a esperar.
Nada.
Acabei por concluir que ela ficou zangada mesmo, comigo.
Logo pensei em escrever a ela para explicar.
Mas explicar o quê?!
Foi quando lembrei de algo que aprendi com a experiência, no tempo em que dava aulas. Em todas as turmas funcionava assim:
Tópico novo. Eu explicava pela primeira vez. Metade da turma, mais ou menos, entendia na primeira.
Eu explicava de novo. Mais uns trinta por cento passavam a entender.
Explicava pela terceira vez, em atenção aos 20% que ainda não tinham entendido.
Restavam, então, apenas 10% sem entender.
E, aí, entrava o paradoxo.
Se eu explicasse o assunto pela quarta vez, ao invés de a turma dos que não compreenderam cair para uns 5%, ela aumentava!
Surgiam alunos que tinham entendido antes e que agora se confundiam com a nova explicação.
Aprendi, então, que não havia salvação para os tais 10% que não entenderam nem com três explicações.
Ou ainda: nem todos conseguem entender qualquer coisa.
Há momentos em que o remédio é silenciar.

domingo, 26 de novembro de 2006

Hora da virada


Estou mais ou menos como o Geraldo - lembram dele? Aquele, que era candidato a presidente da República do Brasil.
A vaca já tinha ido pro brejo fazia tempo e ele falava em hora da virada.
Ontem, meu amigo Asulado me mandou e-mail pra saber se vamos nos encontrar aquando de minha ida a Portugal, agora em dezembro.
De quebra, mandou-me este link com notícias de meu concelho, o de Vinhais.
Para quem não conhece minha terra, Vinhais é como se fosse - cá no Brasil - um município. As aldeias (muito mal comparando) seriam bairros desse município. Mais concretamente, Vinhais é uma vila (pequena cidade) e as aldeias são pequenas localidades (com população em torno de 100 pessoas cada) afastadas umas das outras - e de Vinhais - por algo como 20 ou 30 quilômetros.
Como podem ler na notícia que me envia o Asulado, Vinhais é - vá lá, vamos direto ao ponto - o pior município de Portugal.
Que seja. Mas está a aproximar-se a hora da virada.

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Domingos de ceia


Uma vez por mês, na Primeira Igreja Batista de Santos, domingo à noite, era celebrada a Ceia. Como na igreja católica, havia o pão e havia o vinho. Só não havia a eucaristia, aquele sacramento que faz do pão a carne de Cristo e do vinho seu sangue.
Ah. Detalhe. O vinho era suco de uva.
Mas, por conta da celebração da ceia, o culto – que de resto era igual ao de todos os outros domingos, terminava um pouco mais tarde.
Eu, na impaciência da infância, achava o domingo de ceia meio cansativo.
Depois que os diáconos distribuíam o pão e o vinho por todo o salão, depois das orações e dos hinos, meu pai – invariavelmente – terminava a ceia com o versículo:
- E tendo cantado o hino, partiram para o Monte das Oliveiras.
Acredite se quiser. Até hoje, quando alguma palestra, algum seminário, alguma coisa desse tipo a que sou obrigado a assistir e que me entedia termina, recito com meus botões:
- E tendo cantado o hino, partiram para o Monte das Oliveiras.
E me dirijo a meu Monte das Oliveiras, que fica em alguma parte aconchegante de meu ser.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Eles se salvam. Você paga a conta.


Semana passada, um grupo de cinco pessoas resolveu fazer um passeio pela floresta amazônica. Algum deles telefonou pra você pra perguntar se você achava razoável a aventura?
Pra mim, ao menos, ninguém telefonou.
Foram passear e se perderam. Entre eles havia um cônsul da Holanda e seu filho.
Haja helicóptero, haja exército, marinha, bombeiros, o escambau. Todo mundo mobilizado pra achar a turma.
Acharam. Confraternização geral. Beleza. Todo mundo salvo. Os cinco agradecem o esforço feito para salvá-los.
Sobre os custos da busca, nenhuma palavra.
Você vai pagar mais essa conta.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Pai Natal ou Papai Noel?


Em Portugal, o velhinho que invade as casas pela chaminé para deixar presentes é conhecido como Pai Natal. No Brasil, é Papai Noel.
Agora, quando ele entra pela chaminé para roubar algo, é ladrão, mesmo. Tanto lá como cá.

domingo, 19 de novembro de 2006

Preto no branco


Sei lá, entende? É uma coisa assim, tipo tamos aí. Se rolar a gente vê como fica. Mas na boa. Pode crer, mermão. É massa. Isso é. Tem problema não. Qualquer coisa, bota pra quebrar. Ou não. Sei lá, entende?