sexta-feira, 18 de maio de 2007
Operação Navalha.
Na carne de quem?
A Polícia Federal desencadeou, ontem, nova operação – a operação Navalha – durante a qual foram presas dezenas de pessoas.
Diz a Polícia Federal tratar-se de quadrilha que fraudava licitações.
Ora, ora.
Em 1.988, portanto há quase 20 anos, fui ser diretor de uma empresa na qual já era diretor um grande amigo meu. Belo dia, ele me contava algo ocorrido alguns anos antes, quando ele trabalhava em outra empresa. Em meio à história, mencionou uma fraude em uma licitação. Eu, que naquele tempo era bem mais ingênuo do que hoje, manifestei perplexidade:
- Fraude em licitação?!
E ele, olhando pra mim com a expressão surpresa de quem esbarra em um extraterrestre:
- Todas as licitações são fraudadas.
Pois bem. Por essas e por outras, quando você vir um estardalhaço desses em torno de coisa absolutamente cotidiana, não embarque de imediato. Pergunte primeiro: por que essas pessoas? Por que agora?
O Painel de hoje, da Folha de S.Paulo, tem algumas informações e especulações sobre o tema. Leia.
Viu só? Em 2.001 já eram conhecidas, no Senado, as articulações do tal de Zuleido, tido como chefe da quadrilha presa ontem.
Logo, o melhor é parar e perguntar: Qui prodest? A quem interessa?
A resposta tem de estar dentro de estreito círculo de poder que consegue desencadear tais operações.
Só uma nota
Ia falar sobre a entrevista coletiva de nosso Presidente Lula.
Mudei de ideia.
Não adianta. O Brasil parece ter morrido lá na curva Tamburello, junto com Ayrton Senna. Pelo menos a vergonha e a coragem ficaram lá, destroçadas contra o muro.
Por isso, prefiro oferecer a vocês uma interpretação do Samba de uma nota só, de um de meus pianistas favoritos: Erroll Garner.
Boa curtição.
segunda-feira, 14 de maio de 2007
E-pílulas
Está todo mundo à procura das tais pílulas de Frei Galvão, o santo brasileiro.
Acho que todo mundo já sabe: as pílulas são feitas de tiras de papel com orações escritas nelas. Depois de bem enroladinhas, são distribuídas para curar de calo a câncer.
Minha sugestão: para evitar a formação de enormes filas e também para ampliar o alcance das pílulas miraculosas, que tal mandá-las por e-mail?
As freiras poderiam despachar e-mails com as orações. Os fiéis receberiam o e-mail, imprimiriam o próprio (de preferência no menor tamanho de letra possível) e fariam a pílula, ou melhor, a e-pílula.
Tem mais: não cobro royalties por essa fantástica idéia.
domingo, 13 de maio de 2007
Ainda dá pra transformar Massa em herói?
Quando Ayrton Senna começou sua carreira, a rede Globo o transformou rapidamente em herói nacional. Aliás, a fama do garotão espalhou-se pelo mundo afora.
Depois de sua morte, esperava-se que o Rubinho mantivesse acesa a audiência das corridas de fórmula 1.
Como o moço mostrou-se um piloto medíocre, a mídia passou bastante tempo a explicar que tudo era culpa dos carros.
Daí que o povão aprendeu que corrida de automóvel é coisa pra automóvel. O piloto é um acessório.
Ou seja, só quem sabe torcer – em Fórmula 1 – é italiano. Que torce pelo carro (a Ferrari), não pelo piloto.
Agora o Felipe Massa começa a ganhar corridas.
A rede Globo vai tentar alavancar suas transmissões, insistindo na genialidade do baixinho.
Será que vai colar?
sexta-feira, 11 de maio de 2007
Joseph & Georg
quinta-feira, 10 de maio de 2007
Esses australianos bárbaros não aprendem
Na Austrália, condenaram à prisão perpétua duas mocinhas que, aos 16 aninhos, mataram uma amiga para ver como era a sensação de matar alguém.
Que pessoal mais avesso aos direitos humanos.
Aqui, não.
Nosso Champinha está sendo tratado da melhor forma possível, para que não fique traumatizado com a cadeia.
You Tube: quase perfeito
O You Tube realmente é um barato. Lá, a gente encontra coisas do arco da velha. E pode guardar em Favoritos, pode compartilhar com amigos, pode postar no blog etc etc.
Só que a perfeição ainda vai demorar um pouco. Digo isso porque quando quis postar aqui o vídeo do Paolo Conte, tentei seguir as instruções do You Tube, a saber: logo abaixo do vídeo que você quer postar em seu blog você clica em Postar no blog. Aparece uma mensagem dizendo qualquer coisa do tipo: Logo este vídeo estará em seu blog.
Fiz isso no dia 7, segunda-feira passada.
Nada.
Tentei outra vez.
Nada.
Esperei o dia seguinte.
Nada.
Como o You Tube fornece o código HTML do vídeo, fiz o post utilizando esse código.
Eis senão quando, hoje, três dias depois, meu blog foi inundado por vários Paolos Contes, o que motivou a piada do Asulado (que me alertou para o que estava a acontecer):
All that jazz?
.
quarta-feira, 9 de maio de 2007
Igreja da Estupidez Universal
Acabo de voltar de uma delegacia de polícia. Uma e meia da madrugada.
Eram 11 e pouco da noite quando recebi telefonema angustiado de minha cunhada. Sua filha, intérprete, estava trancada em uma sala do principal templo da Igreja Universal em São Paulo, na avenida João Dias. Acompanhava uma jornalista canadense que veio ao Brasil para cobrir a visita do Papa e quis fazer matérias sobre outras religiões.
Foram até o templo com a intenção de entrevistar algum bispo, coisas assim. A canadense começou a gravar (só áudio) e logo foi agarrada pelos cristãos-universais. Minha sobrinha foi também agredida e colocada em uma sala. Conseguiu ligar para a polícia e para a mãe.
Na delegacia, uma equipe de uns dez cristãos-universais filmava tudo. Mas já não eram os que haviam agredido a jornalista e sua intérprete. Eram outros. Eles são organizados.
Ficamos lá algum tempo. A jornalista queria seu equipamento de volta. Os universais queriam apagar tudo que havia sido gravado.
Não sei quem tem razão, do ponto de vista jurídico. Isso só vai ser resolvido logo mais, durante o dia, com exame de corpo de delito e coisas do gênero.
Agora, do ponto de vista – como direi – cristão, até eu, ateu praticante, fico triste ao constatar que essa tal de Igreja Universal do Reino de Deus só não pode ser chamada de máfia por respeito às máfias.
Não é à toa que o Brasil está mergulhando nisso.
terça-feira, 8 de maio de 2007
E com vocês, Paolo Conte
Na década de 80, assisti, por acaso, a uma gravação de apresentação de Paolo Conte no Maksoud, em São Paulo. Foi ao ar pela TV Cultura. Consegui gravar em fita VHS. De vez em quando, colocava a fita no vídeo cassete (lembra disso?) e voltava a me deliciar com as canções desse fantástico compositor, pianista e cantor.
Um horrível dia, não sei por que cargas d'água, apaguei a fita.
Em outubro de 2.005, ao chegar a Milão, a primeira coisa que fiz foi ir a uma loja de discos procurar um CD de Paolo Conte.
Maravilha: encontrei o CD daquele show da década de 80.
Uma das músicas desse show é sotto le stelle del Jazz, que Renato oferece a seus leitores como prova de afeição eterna (lembra dos programas de rádio em que se ofereciam músicas pra namorados, namoradas, amigas, amigos e que tais?)
segunda-feira, 7 de maio de 2007
Da série Gostaria de entender - 2
A Folha publicou, neste domingo, resultados de pesquisa sobre a religiosidade (ou falta de) dos brasileiros.
97% dos brasileiros acreditam em Deus.
Até aí, nenhuma novidade.
Apenas o prazer de me sentir pertencente a uma elite. A elite atéia.
Engraçado é que 64% são católicos, mas só 60% acreditam em vida após a morte. Quer dizer, tem gente por aí que é crente mas com um pezinho na desconfiança.
E eu, que pensava que Deus era uma idéia destinada a aliviar o medo da morte. Parece que, cada vez mais, Deus é entidade à qual se recorre pra resolver os problemas desta vida mesmo.
Não é à toa que os jogadores do Flamengo pedem ajuda de Deus para ganharem jogo, os jogadores do Botafogo não deixam por menos e toda vez que um boleiro marca um gol, o crédito vai para o Divino.
Nas igrejas tipo Universal, Renascer etc, Deus é uma espécie de amigão rico ao qual se recorre pra sair da falência e ingressar na prosperidade.
Não tenho informação de fonte direta, mas aposto que facções criminosas rivais, antes de travarem batalhas por pontos de venda de drogas, pedem proteção dos céus.
E haja jogo de cintura divino pra contentar a todos.
Vou estar batendo o telefone na sua cara, senhor
Novidade na praça. Agora, os funcionários do atendimento ao cliente da NET já não estão com aquela paciência toda.
Dia desses, ao ligar para saber por que continuavam a me cobrar por 8 Mb se eu já pedira pra baixar pra 2 Mb desde 11 de abril, fiquei pendurado na linha, ouvindo aquelas propagandas ridículas da NET. A atendente, de vez em quando, entrava na linha e dizia:
- Mais um momento, por favor.
Depois de mais de 10 minutos, finalmente ela voltou para me dizer que eu deveria ligar para outro lugar. Ali, era atendimento técnico. Eu teria de ligar para Cobrança.
Já um tanto irritado, argumentei:
- Minha senhora, penso que – como cliente – tenho o direito de saber o que a senhora ficou fazendo por quase 15 minutos para, por fim, me dizer algo que a senhora já sabia desde o primeiro momento.
- Meu senhor, o senhor não ficou esperando por 15 minutos.
- Foram quase 15, minha senhora. O que a senhora estava fazendo durante todo esse tempo?
- Não foram 15 minutos, meu senhor. Queira ligar novamente.
E PAFT. Desligou na minha fuça.
Vou estar tomando mais cuidado da próxima vez. Sei lá se – agora – os atendentes não vão estar mordendo à distância.
Nunca se vai estar sabendo.
sexta-feira, 4 de maio de 2007
Aquecimento blogal

Com todo o gelo do post anterior, sobre o Perito Moreno, resolvi acender a lareira pra aquecer o blog.
quinta-feira, 3 de maio de 2007
Glaciar Perito Moreno
O glaciar Perito Moreno fica juntinho à cidade de El Calafate, no sul da Argentina. Um pouco mais abaixo fica Ushuaia (qualquer dia mostro fotos de lá), a cidade mais ao sul no mundo, por isso conhecida como Fim do Mundo.

Curto e grosso: o Glaciar Perito Moreno é um rio de gelo. Ele desemboca, digamos assim, no Lago Argentino. Quando avança um pouquinho mais, encosta na Península Magallanes e separa o Brazo Rico do Lago Argentino. De vez em quando, algo como de quatro em quatro anos, rompe-se sua ligação à Península e o Brazo Rico mata suas saudades do Lago Argentino. Esse espetáculo costuma ser acompanhado por milhares de pessoas.

Há exatos 4 anos, estive lá com a Baixinha.
As fotos que tiramos, vejam só, são de 25 de abril de 2.003. E eu nem era português ainda. Pelo menos, não de carteirinha.
Como pode ser visto no gráfico acima, a frente do glaciar tem seu centro (que é o que encosta na península, de vez em quando), sua face sul e sua face norte. A face norte é voltada para o Lago Argentino. A face sul, molhada pelo Brazo Rico.
Fomos de barco até juntinho da Frente Sul.






Depois, por terra, da Península Magallanes, contemplamos a Frente Norte:



E o centro. A sensação é de total perplexidade diante de tamanha grandeza.



Fico eu a imaginar quanto whisky é possível tomar com todo esse gelo.
quarta-feira, 2 de maio de 2007
terça-feira, 1 de maio de 2007
domingo, 29 de abril de 2007
Ainda sobre Éder Jofre
Há alguns poucos anos, meu filho, que ainda morava comigo, freqüentava uma academia de esportes, em São Paulo. Lá, ele praticava natação, puxava uns pesos, coisas assim.
Belo dia, resolveu diversificar. Marcou uma aula de boxe.
Eis que surge, para lhe dar aula, Éder Jofre em pessoa.
Ele ficou absolutamente paralisado.
Éder estranhou a atitude (ou a falta de) dele.
Ele explicou:
- Sempre ouvi meu pai falar sobre você. Não acredito que estou diante de um mito.
Éder, com a simplicidade que sempre o caracterizou:
- Deixa de bobagem, garoto. Vamos à aula.
De Éder a Popó

Durante minha adolescência, um dos ídolos brasileiros era Éder Jofre. Considerado um dos maiores pugilistas de todos os tempos, Éder era ao mesmo tempo técnico e guerreiro. Apanhava muito na maioria de seus combates, porque ia pra cima do adversário. Apanhava mas acabava por derrubá-lo.
Ontem à noite, assisti ao final da luta de Popó. E, não pela primeira vez, vi Popó desistir da luta logo que começou a ficar inferiorizado.
O tal Popó é assim: se acerta um soco e derruba, comemora.
Se começa a apanhar, desiste da luta sem o menor pudor, embolsa a bolsa e deixa a platéia, que pagou ingresso, chupando dedo.
De Éder a Popó, temos uma excelente alegoria da história recente Destepaís.
sexta-feira, 27 de abril de 2007
Da série Gostaria de entender - 1
Sou da classe média brasileira. Uma das características de tal pertinência é a possibilidade de ter a meu serviço uma empregada doméstica.
(O exército industrial de reserva, de que fala Marx, e que no Brasil atinge proporções catastróficas, me possibilita esse – digamos – luxo. Mas isso já é outra conversa.)
Voltemos à minha empregada. Vamos chamá-la de Josefa (em homenagem à fantástica empregada que tive em 1.968, na rua Maria Antonia, e que já faleceu).
Josefa recebe 13 salários anuais de R$ 600,00 e é registrada em sua Carteira Profissional.
Pagamos, ela e eu, uma grana mensal para a Previdência. Eu, 12%, ela 7,65%. Tudo isso para que ela tenha alguns direitos, o principal deles o de receber uma aposentadoria depois de um certo número de anos de contribuição.
Até mesmo pela precisão sugerida pelas duas casas decimais do percentual pago por Josefa, presume-se que tudo tenha sido calculado direitinho para que seja possível entregar a Josefa a mercadoria anunciada pela Previdência.
Vai daí, ano passado, o vaníloquo Lula – necessitado de uma reeleição – foi orientado por seus asseclas a fazer o bem com o chapéu alheio. A saber:
Este ano, ao fazer minha declaração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, pude descontar aqueles 12% que recolhi todo mês, durante o ano passado. Apenas que limitados a um salário mínimo.
Ou seja, o Tesouro Nacional vai me devolver boa parte da grana que eu paguei para que Josefa tenha direitos previdenciários.
Das duas uma:
Ou estavam cobrando muito
Ou vai faltar dinheiro no futuro para cumprir os compromissos da Previdência com Josefa.
Mas, como o futuro a Deus pertence, Ele que se vire.
Quanto a nosso presidente façanheiro, já conseguiu o que queria.
domingo, 22 de abril de 2007
Da série O Brasil acabou - IV
Está muita gente indignada com o fato de Mangabeira Unger ter aceito um cargo de ministro no governo Lula, que ele chamou de o mais corrupto da história.
No Brasil fabricam-se heróis com a mesma facilidade com que se pula carnaval.
FHC já foi considerado vítima da ditadura militar. Lula idem.
A sensação que deve ter um jovem, que não viveu aqueles anos, é a de que todo mundo era contra a ditadura.
Claro que era quase todo mundo a favor. O quase vai só pra não esculhambar de vez.
As máfias proliferam. O judiciário apodreceu faz tempo.
O legislativo ainda me parece o poder menos corrupto. Não é à toa que é o mais acusado pela imprensa. Deputados e senadores cobram mais barato.
Executivo? Nem se fale.
Imprensa? Fala baixo. Franklin Martins que o diga. Vendeu-se por um pires de lentilha.
Gente: um apelo. Cobrem mais caro. Vocês estão avacalhando a corrupção.
Atualização: Hoje, 27 de abril de 2.007, Nelson Motta escreveu isto na Folha de S.Paulo. Vai ao encontro de meu apelo.
sábado, 21 de abril de 2007
Os pastéis da Globo News
Mais pastel de vento. No noticiário das 18 horas, agora há pouco, na Globo News, o garotão que lê as notícias leu o seguinte:
Os franceses vão às urnas amanhã para escolher o presidente da República. Essa é uma das mais disputadas eleições presidenciais dos últimos anos na França.
Vamos ver: quando se diz dos últimos anos certamente não se está a falar dos últimos quinhentos anos. Fala-se, digamos, dos últimos 20 ou 30 anos, talvez.
As eleições presidenciais francesas se davam de 7 em 7 anos. Em 1.995 houve eleição. Em 2.000 houve plebiscito que mudou a duração do mandato presidencial para 5 anos. Houve eleição em 2.002. Amanhã, novas eleições. Portanto, nos últimos 30 anos houve 4 eleições para presidência da França.
Se, como redigiu o inefável redator da Globo News, a eleição de amanhã será uma das mais disputadas dos últimos anos, isso significa que será uma das mais disputadas entre cinco eleições. Terá sido a terceira mais disputada? A quarta?
Talvez a última? Ou seja, talvez a menos disputada?
Ora, o redator da Globo News tem mais o que fazer do que ficar investigando essas bobagens.
E dá-lhe pastel de vento no telespectador.
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