segunda-feira, 22 de janeiro de 2007
Se correr o bicho pega,
se ficar o bicho come
Tem uns caras por aí desconfiados da existência de uma forte relação entre baixo índice do mau colesterol (LDL) e o risco de se contrair o mal de Parkinson.
Você. Prefere entupir artérias ou contrair uma doença (ainda) incurável?
Dileminha sem-vergonha, né não?
Pra fugir de tudo isso, vale dar umas voltas por São Paulo e esperar ser tragado por alguma cratera de obras do metrô.
Ah. Você prefere bala perdida no Rio de Janeiro?
Gosto não se discute.
quinta-feira, 18 de janeiro de 2007
Nova metodologia para medição do IDH
Sugestão minha: para descomplicar a medição do Índice de Desenvolvimento Humano, sugiro que se faça uma rápida pesquisa em cada país, para descobrir quanto custa a contratação de um pistoleiro pra matar algum desafeto.
Quanto maior o valor, maior o IDH do país.
Já antecipo: no Brasil, sai quase de graça, mandar matar alguém.
O valor de um plano
No Brasil, quando você entra em um restaurante, percebe logo um enxame de garçons. Tá certo que, sempre que você precisa de um deles, estão todos olhando pro outro lado. Mas estão lá.
Em Portugal, a quase totalidade dos restaurantes tem um ou dois atendentes, que correm esbaforidos de um lado a outro pra dar conta do serviço.
Pura aritmética: um garçom, lá, vale três ou quatro daqui. Em todos os sentidos, principalmente em termos salariais.
Habitamos um Brasil sem planejamento familiar. Se a novela das oito termina antes de bater o sono, lá vem mais filho.
Mais gente na fila do desemprego, ou – na melhor das hipóteses – mais garçons nos restaurantes, dividindo o mesmo bolo salarial.
Dia desses, conversando com filha e genro que moram em Connecticut, EUA, fiquei sabendo que, lá, todas as residências são obrigadas a ter plano de desocupação da moradia em caso de emergência. A coisa é levada muito a sério. Vez em quando, algum fiscal passa para verificar se o plano está devidamente afixado em lugar visível da residência e se os moradores estão cientes de seus detalhes.
Aqui, São Paulo, século 21, constroem-se linhas de metrô sem plano de evacuação das residências que ficam em cima das obras. Quando a coisa desaba, as pessoas são tragadas pelo descaso total.
Plano?
Ora, ora.
Onde as pessoas valem pouco, qualquer plano pra preservá-las é caro.
quarta-feira, 17 de janeiro de 2007
Buracos & buracos
Dizem que Sadam Hussein foi a prova definitiva de que sair do buraco nem sempre significa melhorar.
O apóstolo e a bispa acabam de sair de um buraco complicado. Conseguiram deixar uma prisão nos EUA. Vão voltar para o Brasil. Promotores e juízes daqui já deviam estar sentindo falta daquele velho joguinho de prender e soltar. Joguinho valioso, se é que me entendem.
Quanto ao buraco de São Paulo, virou atração turística.
Já no Rio, o buraco é mais embaixo. Foi só o novo governador pedir ajuda federal e descobriu-se que Lula e seu criminalista preferido estavam blefando. Cláudio Lembo e dona Rosinha (ex-governadores de São Paulo e Rio) devem estar roendo as unhas, de raiva. Não aceitaram a ajuda oferecida por Lula. Agora descobriram que a ajuda era ficção.
Lula sabe jogar. Jogo político, claro. Buraco, não sei se ele joga. Mas vai tentar alguma coisa na linha Chavez, pra ver se não vai tão cedo pro buraco da História.
Quanto ao Brasil, caiu de vez no buraco.
Salve-se quem puder.
quarta-feira, 10 de janeiro de 2007
Desejo de boa vizinhança
Nas aldeias de Portugal, mais do que nas vilas e cidades, o bom relacionamento com os vizinhos é de importância fundamental.
Daí, recolhi em Passos de Lomba este provérbio:
Que não dure mais
O mau vizinho
Do que a neve marcelina.
A neve marcelina é a neve do mês de março. Fraca, vai logo embora.
Ecos da Guerra Civil Espanhola
A aldeia de Passos de Lomba fica muito próxima à fronteira norte de Portugal com a Espanha. Meus primos, lá residentes, lembram-se ainda de trechos de canções relativas à Guerra Civil Espanhola (1936 – 1939).
Em uma delas, conta-se a saga de dois irmãos (Antonio e Manuel), moradores do Pinheiro, aldeia um pouco acima de Passos, conhecidos como os cuquinhos do Pinheiro, que – por terem auxiliado os comunistas espanhóis (os vermelhos) – foram perseguidos pelos franquistas. Um deles, o Antonio foi logo morto. Manuel fugiu, mas foi alcançado na aldeia da Cisterna e também assassinado. Além disso, a canção o acusa de barbaridades tais como estupro e roubo.
Consegui que meu primo Alípio me ditasse este trecho:
Os cuquinhos do Pinheiro
Oh que grandes figurões.
Por darem de comer aos vermelhos
Fizeram-se dois ladrões.
(...)
Foi no povinho da Cisterna
Onde ele estava escondido
Fez resistência à Guarda
Mesmo nele deu um tiro
Quando chegou à Ponte de Santa Rufina
Já não podia falar
Disse o cabo para a guarda
- Acabai de o matar!
Quando chegou a Vinhais
Todo ensangüentado ele ia.
Disse a criada ao fidalgo
Que ainda o conhecia.
- Foi este homem mesmo
Que a nossa casa roubou.
- Com uma pistola em punho
Ele de mim abusou.
Canções tais como essa eram uma das formas que assumia o marketing político à época.
segunda-feira, 8 de janeiro de 2007
Pagando mico em espanhol
Dia 22 de dezembro, a baixinha e eu fomos a Madrid para buscar filha, neta e genro, que chegariam de New York no dia seguinte de manhã.
Hospedamo-nos no Preciados, hotel que tem a vantagem de possuir o tradicional bar Varela e de ser exatamente em frente a El Asador de Aranda.
Entregamos o carro ao manobrista, fizemos o check in e fomos passear a pé.
Logo me dei conta de que havia deixado no carro a máquina fotográfica.
Voltamos ao hotel e pedi ao recepcionista que me indicasse como chegar ao automóvel.
- Va a la izquierda (disse ele fazendo um largo gesto com a mão no sentido da sua esquerda). Su coche está en la Plaza 21, piso -3.
Saímos do hotel, descemos a primeira rua à esquerda e começamos a procurar a Praça 21. Como só nos surgisse a Praça San Martin, perguntei a vários transeuntes aonde ficava a Praça 21. Ninguém sabia.
Voltamos ao hotel.
Quando expliquei ao recepcionista que não encontrara a Praça 21, ele corrigiu:
Não. Eu não precisava sair do hotel. Bastava dirigir-me ao elevador à esquerda da recepção, baixar ao Andar -3 e procurar a vaga (Plaza) 21, na garagem do hotel.
Sob as gargalhadas da baixinha, aprendi, para jamais esquecer, que Plaza pode ser Praça mas também pode ser Vaga (em garagem).
domingo, 7 de janeiro de 2007
Que queria eu ser quando fosse grande
Já há muito tempo que conheço a Saltapocinhas e seu blog Fábulas.
Não nos pudemos encontrar, até hoje. Já nos falamos ao telefone, é verdade.
Ela deve-me ovos moles de Aveiro verdadeiros. Parece que os que lá comi não o eram, segundo ela.
Encanta-me o trabalho que ela desenvolve com seus aluninhos. Vale a pena visitar o Blog dos Golfinhos, para conferir.
Por essas e por outras, não posso deixar de atender ao convite dela para que faça este TPC: quando era pequenino, que queria eu ser quando fosse grande.
A dificuldade começa com a sigla TPC.
Deixem-me explicar: acontece comigo algo parecido com o que aconteceu com o zagueiro brasileiro Aldair, quando foi jogar futebol na Itália. Dizem as péssimas línguas que, passados uns poucos anos, ele havia esquecido o Português e não havia aprendido o Italiano. Ficara sem língua, por assim dizer.
Comigo ocorre que estou deixando de ser brasileiro e não consigo ser completamente português. Periga tornar-me apátrida, por pura incompetência.
Quando li que o desafio que a Saltapocinhas me dirigia era um TPC, comecei a procurar que diabos era isso. Logo notei que devia ser algo tão, mas tão banal que ninguém se dignava a explicar.
Salvou-me, como quase sempre, mestre Google e este artigo que, graças a ele, encontrei. TPC, caros brasileiros que me lêem, é aquilo que chamamos lição de casa. Em Portugal, consegui perceber, fala-se Trabalho Para Casa e abrevia-se TPC.
Vamos a ele, ou seja, ao TPC:
Essa questão do que ser quando crescer foi, para mim, a definitiva confirmação de minha falta de imaginação e criatividade.
Belo dia, cheguei para minha mãe e afirmei:
- Queria ser – quando crescesse – inventor. O problema é que já inventaram tudo!
Feita esta confissão um tanto desabonadora, poupo meus amigos. Não passo a ninguém este (como é mesmo?) TPC.
sábado, 6 de janeiro de 2007
Ainda Portugal - o Porto (complemento)
Esqueci-me de postar o símbolo maior do Porto: a Torre dos Clérigos. Aqui vai a foto que dela tirei, desde a frente da Igreja da Batalha, na praça da Batalha.

Por falar em Igreja da Batalha, alguém vai se dignar a restaurar a dita cuja ou vão mesmo deixá-la apodrecer e despencar?
[Atualização: o Tinta Permanente, do blog Folhas da Gaveta, me adverte, neste comentário: a igreja que fica na Praça da Batalha chama-se Igreja de Santo Ildefonso.]
sexta-feira, 5 de janeiro de 2007
Ainda Portugal - o Porto
A cidade do Porto vista desde o outro lado do Douro, desde Vila Nova de Gaia.


Um pequeno parque com brinquedos para crianças. Nele, é proibido pisar com calçados de tacão fino.

No parque, o avô fotografa a mãe que gira a filha. É a vida a girar. Vida gira (*).

(*) Tanto significa amalucada quanto - em Portugal - bonita, interessante, engraçada.
quinta-feira, 4 de janeiro de 2007
Brincando de Mr Magoo
Não é de hoje que meu filho diz que a Baixinha e eu somos o casal Magoo.
Desta vez, então, nem se fala. Tomamos o vôo para o Brasil no Terminal 4 do aeroporto de Barajas, Madrid, dois dias depois do ETA ter aberto nele uma enorme cratera com a explosão de um carro bomba.
Se é verdade que o interior do aeroporto ficou quase intacto,

com apenas alguns vidros quebrados,


a cratera que abriram no estacionamento é impressionante:


Ao chegar ao aeroporto de Guarulhos, estranhei o fato do taxista ter se dirigido à Ayrton Senna (e não à Via Dutra).
Fiquei então sabendo que um paiol da Polícia Militar explodira próximo à chegada da Dutra a São Paulo.
De fato, ao passar pela Marginal Tietê, pudemos ver a fumaceira que saía do local.
Assim, de explosão em explosão, voltamos para casa.
Intactos.
(o que - evidentemente - não torna menos estúpida a ação dos militantes do ETA)
Visita a Mirandela
Contrastes - cenas de Vinhais
Aos novos governantes
Belo dia, em Passos, descobri a burra Boneca, na casa de Alípio. Perguntei a ele desde quando ele possuía aquela burra. Pensou um pouco e respondeu:
- Trinta ou trinta e um anos.
A surpresa foi grande. Nem sabia que os burros viviam tanto. Logo pensei que esse é mais ou menos o tempo que - tanto tucanos quanto petistas - pedem para resolver os problemas brasileiros.
Quem sabe Boneca os resolveria mais rápido.

Vamos lá, políticos deste imenso país. Ainda dá tempo.
quarta-feira, 3 de janeiro de 2007
Passos de Lomba
sexta-feira, 29 de dezembro de 2006
Matança na Zelinda
OBSERVAÇÃO PRELIMINAR: Como as fotos eram muitas e também porque algumas são fortes (no sentido de que podem agredir pessoas mais sensíveis), resolvi colocá-las aos pares. Ou seja: em cada foto, se você clicar sobre ela aparecerá outra foto. São 32 ao todo. Você verá 16. As outras 16 estão no verso, digamos assim. Os comentários referem-se às vezes às fotos aparentes, outras vezes às fotos escondidas.
Penso ter sido claro. Não me venham com reclamações. Quem não quiser ver as fotos mais fortes, não clique sobre aquelas nas quais a legenda é CUIDADO. Hoje em dia, as pessoas organizam-se para que não se matem porcos, baleias, micos-leões dourados e o scambau. Em compensação, cada vez mais, matam-se umas às outras.
Vamos ao que interessa. Os porcos são mortos no frio. Deles aproveita-se tudo. E o produto da matança serve aos habitantes das aldeias durante todo o ano seguinte.
Como o processo de matança e preparo das carnes exige o envolvimento de muitas pessoas, a matança promovida por cada família transforma-se em evento social: vários vizinhos são convidados a ajudar e recebem pequeno almoço, almoço e ceia como recompensa pela ajuda.
Ouvi dizer que se pretende proibir as matanças. Os porcos terão de ser enviados a matadouros para serem abatidos de acordo com padrões de higiene mais rígidos. Cá entre nós, duvido que se consiga, com isso, qualquer melhoria do ponto de vista sanitário. Conseguir-se-á, isso sim, matar uma tradição secular. E seremos cada vez mais civilizados. Amém.
Quando cheguei à casa de minha prima Zelinda, no sábado, 16 de dezembro de 2.006, eram nove horas, pouco mais pouco menos, e um porco já havia sido morto. Estavam a puxar para fora um segundo porco. Fotografei o momento seguinte àquele em que a facada lhe foi aplicada no pescoço. O sangue, ao jorrar, formou à sua volta uma densa fumaça. Estava muito frio e o sangue, claro, estava quente.
A foto abaixo mostra o gelo que se formou sobre as plantas e sobre a cerca. Se clicarem, verão o porco a ser abatido.

Enquanto as galinhas buscavam minhocas on the rocks, o porco continuava a teimar uma sobrevida. Recolhia-se dele o sangue. Este também se aproveita.

Um porco já descansa em paz. O outro, resiste e - quase já sem sangue - ainda dá coices.

Enfim, mortos os porcos, começa-se o processo de limpeza: um lança chamas à base de gás butano serve para queimar o pelo que se retira com o auxílio de enxadas e de facas. É trabalho minucioso.

Em certo momento da limpeza da pele, alguém percebeu que tinha sido deixado um pouco de pelo junto ao pescoço do porco. O comentário mostrou-me o orgulho que sentem aqueles homens da sua condição:
- Deixaste cá pelo. Nem pareces agricultor!


Depois, deve-se lavar bem o porco. Antigamente, eles eram lavados junto ao rio. Agora, usa-se a mangueira ligada a uma torneira. Só que, desta vez, meu primo Alípio se deu conta de que a água congelou dentro da mangueira. Foi preciso jogar água quente dentro da mangueira para "desentupi-la".

Vem agora uma parte muito interessante. O porco passa por uma - digamos - lipoaspiração. Abre-se-lhe a barriga, retira-se parte da gordura.
Se você olhar a foto do verso, verá o resultado de um trabalho perfeito de proctologista: o ânus do porco é cortado, amarrado e retirado junto com o intestino. No buraco resultante dessa operação, prende-se um cordão forte (no caso, azul) que servirá para pendurar o porco em pé, preso a uma escada rústica de madeira.

Para levantar a escada com o porco, são necessários seis homens, ou melhor: sete. Seis para levantar o porco, um (eu) para fotografá-lo.
Começará, agora, a retirada das entranhas do dito cujo porco.

E, agora, retiram-se os órgãos do nosso querido porco. Serão trabalhados pelas mulheres.

Elas já se aproximam com um grande pano para recolher tudo e levar a um canto para minuciosa elaboração.

Começa, aqui, o trabalho das mulheres na elaboração dos órgãos do porco.


Por fim, seis homens empregam toda sua força para transportar o porco já desprovido de boa parte de suas entranhas. O restante do trabalho continuará no dia seguinte.

Às mulheres cabe, também, o preparo do almoço.

Do almoço desfrutam - com justiça - os que trabalharam na matança e, Deus seja louvado, eu, que nada fiz, a não ser fotografar tudo para vocês.
Para que tudo ficasse perfeito, deveria cá estar meu sobrinho Kold, que fotografaria a matança muito melhor que eu.
Um dia, quem sabe, isso aconteça.
Por hora, contentem-se com o que consegui registar.
quinta-feira, 28 de dezembro de 2006
A morte do Galo
Enquanto tento colocar aqui as fotos da matança na casa de minha prima Zelinda (são 32 fotos e só consegui colocar, até agora, umas 16. O Blogger - depois de algumas fotos - pára de carregar as fotos), fiquemos com uma simples morte de galo. Simples pra mim, que não sou galo. Pro dito cujo foi a única morte. Incompartilhável e solitária morte.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006
De como uma consoada pode ser agradável
Então. 24 de dezembro, um dia depois de ter trazido filha, genro e neta de Madrid até Vinhais, eles com 5 horas de fuso horário, mas jovens, talvez loucos pra passear e conhecer tudo por aqui.
Ponho o despertador pra oito e meia. Levanto, fico bisbilhotando a internet, à espera dos jovens desbravadores da velha Europa, vindos de New York. Quinze minutos depois me pergunto que estou eu a fazer, acordado, sozinho, todo mundo ferrado no sono.
Volto pra cama, durmo até dez e meia. Os jovens desbravadores da velha Europa (JDVE) continuam a dormir.
A Baixinha acorda. Depois do pequeno almoço, lá vamos nós ao Docinho (casa de doces super super existente em Vinhais), a buscar os pastéis de nata que encomendamos para a consoada.
Ao entrar no Docinho, a bagunça é geral. Os proprietários, olhos já um tanto apagados pelo cansaço, trabalham freneticamente. Clientes entram e saem ininterruptamente.
Um dos proprietários, ocupado a dobrar embalagens de papelão, olha para a Baixinha e informa:
- Não foi possível fazer suas natinhas. Trabalhamos a noite toda mas não demos conta das encomendas.
Disfarçamos a expressão de consternação, por pena dele, e voltamos à casa.
Já é hora de uns bagacinhos, pra regar pedaços de chouriças.
Faltando um quarto pra uma, decido:
À uma da tarde chamo os JDVE.
Bate uma hora, bato à porta do quarto dos JDVE. Atende um rosto com cara de me-deixa-dormir-mais-umas-horas.
Apesar dos pesares, às duas já estamos a caminho de Bragança. Lá, no inolvidável Restaurante Rochedo, devoramos uma feijoada de javali regada a João Pires tinto. E levamos pra casa mais um pouco pra quando a vontade voltar.
Depois de comprinhas no Modelo, uma volta no castelo. Com o fim da luz do dia, não é mais possível mostrar tudo aos JDVE.
Fica pra outro dia.
Voltamos a Vinhais. Conversa daqui, comida dali, vamos saboreando a convivência.
Minha neta me procura, discretamente, e me alerta:
- Olha, esta noite, se você ouvir sons na cozinha, não vá lá. É Papai Noel. Deixa que ele coloque os presentes junto à árvore.
- Explico a ela que, em Portugal, fala-se Pai Natal.
E vamos dormir, à espera dos presentes, que virão de manhã.
Antes, ainda toca o telemóvel. É nossa filha da Austrália, a contar que lá acorda-se às seis da matina pra ver os presentes.
Meu genro acabara de contar que quando esteve no Colorado, anos atrás, o costume era o mesmo: a ceia de 24 era cedo, todos iam dormir lá pelas nove da noite. Pela manhã, todos levantavam às cinco para abrir os presentes.
Como não sou australiano nem conheço o Colorado, vou acordar às 10.
Boa noite.
E bom Natal.
sexta-feira, 22 de dezembro de 2006
Quebrou-se o encanto
Começo do começo. Pronto. Já complicou. Quero dizer que coméço do comêço.
Estava eu posto em sossego, em São Paulo, SP, Brasil, idos de novembro do ano da graça de 2006. Como já estava tudo preparado para que passasse minhas férias de dezembro em Vinhais, nordeste de Portugal, e já fazia muito tempo que não me encontrava pessoalmente (sim, hoje em dia a gente se encontra de outras maneiras) com meus ami(blo)gos do Algarve, sul de Portugal, escrevi a meu amigo Asulado, de Olhão, e pedi a ele que tentasse arranjar um almoço com os demais amigos Susana, Baeta, José Carlos, Luis Ene e outros que ele conseguisse atrair para essa armadilha. A data disponível era qualquer dia em torno do domingo, 17. Diligente, Asulado conseguiu marcar o almoço para o próprio 17.
Eis que a natureza levanta suas leis inevitáveis contra mim. As matanças cá de minha terra, que normalmente ocorrem no início de dezembro, pois então já há o indispensável frio para elas, tiveram de ser postergadas, pelo atraso na chegada do frio.
Resultado: minha prima Zelinda marcou sua matança para o dia 16, sábado. Não comparecesse eu a tal evento, perigava morrer no lugar dos porcos.
Escrevi, então, ao Asulado, para relatar-lhe tais vicissitudes. À falta de melhor título para o e-mail, sapequei:
Deu zica no borogodó
O mundo desabou-me sobre a cabeça (que por sorte é grande e dura. Agüentou bem). Reunidos no dia 17, meus amigos ligaram-me para saber o que era zica, o que era borogodó.
Quanto a borogodó, deixo-vos com a definição do Houaiss, que considero um tanto restritiva, mas que dá conta do significado buscado.
Borogodó
■ substantivo masculino
Regionalismo: Brasil. Uso: informal.
1 atrativo pessoal irresistível
Ex.: com todo aquele b., ele está sempre rodeado de mulheres
2 afeto, carinho
Etimologia
voc. considerado expressivo
Quanto ao “deu zica”, deve-se recorrer a exemplos espalhados pela Internet: por exemplo este, ou este.
Como se vê, queria eu dizer que a magia e o encanto que esperava daquele fim de semana sucumbira face às mudanças a que o clima me obrigara.
Quebrara-se o encanto.
Foi tudo água abaixo.
Melou geral.
Não rolou.
Deu zica no borogodó.
Em tempo: fotos do almoço a que não compareci (exceto pela presença de um avatar) podem ser vistas aqui.
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