quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Passos
(Para Andrea Marcelo)


Chegar a Passos é como aconchegar-se em útero primevo.
Não creio em céu, que é futuro.
Mas Passos é passado que me percorre as veias.
Lá, as ruas me envolvem em sonho, as casas me remetem à eternidade.
Há os campos, as poucas vivendas:



Há – agora – até nome para as ruas. Está a tornar-se chic, minha aldeia. Minha prima Zelinda, por exemplo, encontra-se na Rua da Igreja, vejam só:


Por enquanto, deixo-vos a imagem do casal mais requintado de Passos: meus primos Fernanda e Carlos, junto com a minha Baixinha.

Viveram mais de 20 anos em França
E estas imagens mágicas: eu e o homem mais idoso de Passos (hoje, viúvo, vive em Vinhais, onde já o encontramos na rua, a fazer sua caminhada): Francisco, que conheceu meu pai nos tempos da meninice, que já se afasta em quase um século.





quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Nossa rua em Vinhais


O prédio em que estamos, visto de longe:


Cheguemos mais perto:


Da sacada do apartamento, olhando-se à direita, vê-se parte da rua:


Olhando-se à esquerda:


Estas são algumas casas da nossa rua:


Nossa rua vista de cima:


Mas o mais importante é que nossa rua tem o Posto da GNR:

Guarda Nacional Republicana
E, na frente do Posto, um monumento intitulado Homem de Vinhais:


Tremei, ó povos. Nós, homens de Vinhais, somos um bocado fálicos.

Placas, placas


Todos que conhecem este blog faz tempo, sabem que há dois anos eu comprei uma placa Vodafone para utilizar a Internet sem fio em Portugal.
Foi uma longa epopéia.
Ano passado, por exemplo, ela não funcionou porque aluguei uma (excelente) casa dentro das muralhas do castelo de Bragança. As muralhas bloqueavam o sinal.
Já este ano, em Vinhais, pensei: no pior município de Portugal, claro que não vai funcionar.
Cheguei à conclusão: Cavaco e Silva passa por um lugar, esse lugar torna-se, ipso facto, o pior lugar de Portugal. Mas a Internet passa a funcionar. De facto, ela funcionou ma-ra-vil-ho-sa-men-te.
Estava feliz da vida, quando, de repente, fim. Acabaram-se os créditos. Descobri, então, que a conexão custava uma pequena fortuna. Coisa tipo 15 a 20 euros por hora (50 a 60 reais). Procurei a Vodafone: não admitem que eu faça uma evolução (up grade) da placa para uma assinatura pós. Comprou pré, vai pré até o inferno.
Como cá em Portugal também é tudo FLA x FLU, ou seja, Vodafone ou TMN, procurei a loja TMN (que, no centro comercial de Bragança, fica exatamente ao lado da loja Vodafone). Lá era possível adquirir uma placa mais moderninha e fazer um contrato pós (ainda mais: com consumo extra grátis em dezembro!). Moral: já comprei a placa TMN. Já pus no Correio o contrato pós e já estou utilizando a placa TMN (ainda na modalidade pré) por (quase) razoáveis 6 euros por hora.
Deus seja louvado.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Aniversário


Faz hoje 30 anos que nasceu Mirela. É a segunda filha da baixinha. Dos nossos seis filhos (três dela, três meus), ela é a terceira.
Que ela receba este bolo de Vinhais.
E que chegue logo o (inevitável) dia em que ela procure nosso aconchego.
Beijinhos trasmontanos.

Para Mirela

domingo, 10 de dezembro de 2006

Primeiras Imagens



Avião querendo entrar na pista.


Enquanto uns vão, outros chegam.


Finalmente, pista livre. Vamos lá.


Aos poucos, Guarulhos se afasta.


Pisamos, agora, um chão de nuvens.


De novo no chão. Chão mesmo.
Caminho de Madrid em direção a Bragança.


E, pra terminar este início:
Uma primeira visão de Vinhais.


Muitas outras virão.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Felicidade pouca é bobagem


Vôo São Paulo - Madrid excelente. À chegada, chovia. Foi desembaraçar as bagagens e sair para a rua. A chuva parou. Pouco depois, já a caminho de Portugal, sol.
Claro que durante o vôo praticamente não dormi. A agitação dos últimos dias não permitiu. A baixinha conseguiu um tempo bom de sono. Daí, não deu outra. Já perto de Zamora, dei uma cochilada ao volante, o carro escorregou para fora da pista. Mas a cutucada que a baixinha me deu foi suficiente pra repor o fugitivo na estrada. Claro: trocamos de posição. Até pararmos para um lanche e a baixinha ficar indignada com a (baixíssima) qualidade do pastel (frio) que comeu. Voltei a dirigir. Cantei um monte de canções do Adelino Moreira pra não cochilar de novo. Pobre baixinha.
Paramos em Zamora para almoçar. Os restaurantes só começariam a funcionar às 13:30. Seguimos para Bragança. Lá, almoçamos no Gôndola. Como sempre, impecável.
Depois de comprar umas coisinhas (no Modelo) pro pequeno almoço de amanhã, partimos pra Vinhais. Acomodados no fantástico apartamento que Isaías nos ofereceu, antes que o cansaço me derrubasse de vez, resolvi experimentar se a minha já lendária placa Vodafone captaria sinais em minha pobre terra.
Surpresa: 3G, Internet rápida. E aqui estou eu, mais feliz que pinto no lixo.
Beijinhos (posts mais elaborados, com fotos etc, só depois de me acostumar com o fuso horário, visitar as primas e tomar alguns bagacinhos).
Volto em breve.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Vamos lá?


E cá estamos nós, a esperar o vôo para Madrid. São 16 horas e vinte e cinco minutos. Daqui a pouco, embarque.
Ontem, ao assistir ao noticiário da noite, na TV, ficamos sabendo que o piloto havia sido preso por pedofilia. Foi pego ao tentar obrigar um garoto de 13 anos a fazer sexo oral com ele, em banheiro do Parque Trianon, São Paulo.
A Iberia informou-nos que já veio de Madrid um outro piloto. Fico a me perguntar: quais serão as - digamos - idiossincrasias do novo piloto?
Sei lá. Desde que saiba pilotar o avião, tudo bem.
Amanhã, pela manhã, desceremos em uma Madrid fria. Talvez chuvosa.
Aqui, deixamos uma São Paulo a ameaçar temporal, mas com aparições tímidas de sol.
Até.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Vésperas de viagem


É sempre assim. Quando se aproxima a hora de zarpar, tudo se acumula. É trabalho que não acaba mais. E tudo tem de ser feito pra que a partida seja possível.
Mas – como sempre – tudo vai dar certo.
Meu amigo Asulado já deve estar a providenciar um encontro de blogueiros lá no Algarve. Qualquer coisa entre 15 e 18 de dezembro.
Isso nos dá pretexto (como se fosse necessário) para sair lá do norte, descer durante dois dias ao sul, ficar lá um dia e voltar novamente ao norte, por caminhos diferentes. A percorrer esse Portugal fantástico.
E eis que, em meio a toda essa azáfama, recebo notícias pra lá de boas:
Meu filho acaba de ganhar um prêmio incrível. Sua mulher, minha nora, não deixou por menos e fez também um brilhareco.
Agora é correr pra fazer o que tem de ser feito e – em seguida – partir pra Terra Prometida, que ninguém é de ferro.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Uma pequena maldade


Dia desses, uma blogueira que até então me mandava dezenas de e-mails todo dia mandou-me um, um tanto diferente. Pedia ela que – sem pensar – guiado apenas pelo primeiro impulso, escrevesse, em resposta, a primeira palavra que surgisse em minha mente, associada a ela.
Ao ler tal pedido veio-me à mente umbiguista. Palavra, aliás, que o Houaiss não registra. Mas muito utilizada nos blogs portugueses.
Fiquei em dúvida se deveria responder ou não. Seria grosseiro? Mas, por outro lado, o pedido partira dela. Além disso, trata-se de uma psicanalista. Tem, como dever mesmo de ofício, saber que o que ocorre em minha mente tem muito mais a ver comigo mesmo do que com qualquer outra pessoa. Cheguei a imaginar que trocaríamos alguns e-mails para investigar as razões de ter brotado tal termo em minha mente.
Respondi.
Dia seguinte recebo a réplica:

:) tá bom, não vou mais te mandar nada, assim não precisa mais ficar olhando meu umbigo tchau. Fui .

Como o texto começava com aquele símbolo de riso, encarei como brincadeira e fiquei à espera de novos e-mails dela.
Nada.
Havia feriados. Pensei que talvez tivesse viajado ou que tivesse visitas em casa. Continuei a esperar.
Nada.
Acabei por concluir que ela ficou zangada mesmo, comigo.
Logo pensei em escrever a ela para explicar.
Mas explicar o quê?!
Foi quando lembrei de algo que aprendi com a experiência, no tempo em que dava aulas. Em todas as turmas funcionava assim:
Tópico novo. Eu explicava pela primeira vez. Metade da turma, mais ou menos, entendia na primeira.
Eu explicava de novo. Mais uns trinta por cento passavam a entender.
Explicava pela terceira vez, em atenção aos 20% que ainda não tinham entendido.
Restavam, então, apenas 10% sem entender.
E, aí, entrava o paradoxo.
Se eu explicasse o assunto pela quarta vez, ao invés de a turma dos que não compreenderam cair para uns 5%, ela aumentava!
Surgiam alunos que tinham entendido antes e que agora se confundiam com a nova explicação.
Aprendi, então, que não havia salvação para os tais 10% que não entenderam nem com três explicações.
Ou ainda: nem todos conseguem entender qualquer coisa.
Há momentos em que o remédio é silenciar.

domingo, 26 de novembro de 2006

Hora da virada


Estou mais ou menos como o Geraldo - lembram dele? Aquele, que era candidato a presidente da República do Brasil.
A vaca já tinha ido pro brejo fazia tempo e ele falava em hora da virada.
Ontem, meu amigo Asulado me mandou e-mail pra saber se vamos nos encontrar aquando de minha ida a Portugal, agora em dezembro.
De quebra, mandou-me este link com notícias de meu concelho, o de Vinhais.
Para quem não conhece minha terra, Vinhais é como se fosse - cá no Brasil - um município. As aldeias (muito mal comparando) seriam bairros desse município. Mais concretamente, Vinhais é uma vila (pequena cidade) e as aldeias são pequenas localidades (com população em torno de 100 pessoas cada) afastadas umas das outras - e de Vinhais - por algo como 20 ou 30 quilômetros.
Como podem ler na notícia que me envia o Asulado, Vinhais é - vá lá, vamos direto ao ponto - o pior município de Portugal.
Que seja. Mas está a aproximar-se a hora da virada.

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Domingos de ceia


Uma vez por mês, na Primeira Igreja Batista de Santos, domingo à noite, era celebrada a Ceia. Como na igreja católica, havia o pão e havia o vinho. Só não havia a eucaristia, aquele sacramento que faz do pão a carne de Cristo e do vinho seu sangue.
Ah. Detalhe. O vinho era suco de uva.
Mas, por conta da celebração da ceia, o culto – que de resto era igual ao de todos os outros domingos, terminava um pouco mais tarde.
Eu, na impaciência da infância, achava o domingo de ceia meio cansativo.
Depois que os diáconos distribuíam o pão e o vinho por todo o salão, depois das orações e dos hinos, meu pai – invariavelmente – terminava a ceia com o versículo:
- E tendo cantado o hino, partiram para o Monte das Oliveiras.
Acredite se quiser. Até hoje, quando alguma palestra, algum seminário, alguma coisa desse tipo a que sou obrigado a assistir e que me entedia termina, recito com meus botões:
- E tendo cantado o hino, partiram para o Monte das Oliveiras.
E me dirijo a meu Monte das Oliveiras, que fica em alguma parte aconchegante de meu ser.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Eles se salvam. Você paga a conta.


Semana passada, um grupo de cinco pessoas resolveu fazer um passeio pela floresta amazônica. Algum deles telefonou pra você pra perguntar se você achava razoável a aventura?
Pra mim, ao menos, ninguém telefonou.
Foram passear e se perderam. Entre eles havia um cônsul da Holanda e seu filho.
Haja helicóptero, haja exército, marinha, bombeiros, o escambau. Todo mundo mobilizado pra achar a turma.
Acharam. Confraternização geral. Beleza. Todo mundo salvo. Os cinco agradecem o esforço feito para salvá-los.
Sobre os custos da busca, nenhuma palavra.
Você vai pagar mais essa conta.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Pai Natal ou Papai Noel?


Em Portugal, o velhinho que invade as casas pela chaminé para deixar presentes é conhecido como Pai Natal. No Brasil, é Papai Noel.
Agora, quando ele entra pela chaminé para roubar algo, é ladrão, mesmo. Tanto lá como cá.

domingo, 19 de novembro de 2006

Preto no branco


Sei lá, entende? É uma coisa assim, tipo tamos aí. Se rolar a gente vê como fica. Mas na boa. Pode crer, mermão. É massa. Isso é. Tem problema não. Qualquer coisa, bota pra quebrar. Ou não. Sei lá, entende?

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Treinamento


Esta, prepara-se para ser romancista.

Santa Comba Dão


Mais do que ser a terra na qual nasceu Oliveira Salazar, Santa Comba Dão é uma terra linda, na qual também nasceu António Neves, do Voz do Seven.
Ontem a RTPi mostrou um pouco de Santa Comba Dão. Tirei da TV algumas fotos, que publico em homenagem ao Neves.
Como quase tudo em Portugal, começa-se pela Igreja, entra-se na comida, mergulha-se na natureza, apreciam-se as mulheres.