terça-feira, 31 de outubro de 2006
Tá tudo andando direitinho
Meus ex-sogros (avós dos meus filhos) eram ambos excelentes vendedores. E tinham em comum uma característica que penso ser própria de todos os vendedores que se prezam. Quando qualquer um deles fazia uma venda compensadora mas fruto muito mais do interesse do comprador do que do esforço deles, comentavam com desânimo:
Não fui eu que vendi. O cliente é que comprou.
Lembro disso a propósito das eleições para a Presidência da República.
Claramente, não foi Lula que venceu. Alckmin é que perdeu.
Afinal, só um surto psicótico coletivo explicaria que 60% do eleitorado votassem a favor de alguém que passou a campanha eleitoral toda a afirmar que Tá tudo andando direitinho.
segunda-feira, 30 de outubro de 2006
Antonomásia
Um cearense cometeu uma antonomásia, ao trocar POLíTICO SAFADO por URNA.
ANTONOMÁSIA
{verbete do Houaiss}
Datação
1540 JBarG fº 38v.
Acepções
■ substantivo feminino
Rubrica: estilística, retórica.
variedade de metonímia que consiste em substituir um nome de objeto, entidade, pessoa etc. por outra denominação, que pode ser um nome comum (ou uma perífrase), um gentílico, um adjetivo etc., que seja sugestivo, explicativo, laudatório, eufêmico, irônico ou pejorativo e que caracterize uma qualidade universal ou conhecida do possuidor (Aleijadinho por 'Antônio Francisco Lisboa'; a Rainha Santa por 'Isabel, rainha de Portugal, esposa de D. Dinis'; o Salvador por 'Jesus Cristo'; o príncipe da romana eloqüência, por 'Cícero'; o mantuano por 'Vergílio'; um borgonha, por 'um vinho da Borgonha' etc.), ou vice-versa (um romeu por 'um homem apaixonado'; tartufo por 'hipócrita' etc.)
domingo, 29 de outubro de 2006
IBOPE - o caso Maranhão
O Estado do Maranhão, no nordeste do Brasil, é dominado – há anos – pelo clã Sarney. Quanto mais miserável fica o Estado, mais abastada a família Sarney, cujo patriarca encaixou uma filha no PFL e um filho no PV. Ele mesmo ficou no PMDB velho de guerra.
Como o velho José Sarney viu, há oito anos, que não mais conseguiria eleger-se senador por seu (no sentido de posse) Estado, candidatou-se pelo Estado do Amapá. Ninguém considerou o fato de que José Sarney jamais habitou o Estado do Amapá, nem por alguns dias. Afinal, esta é mesmo uma República Bananeira. Reelegeu-se, agora, pelo mesmo Amapá, que ele continua a conhecer só de passagem. Hoje, por exemplo, como era obrigado a votar em Macapá (capital do Amapá), pra manter as aparências, ele chegou de jatinho particular às 10:19 e caiu fora às 12:15. Não passou nem duas míseras horas no Estado que o elegeu senador.
José Sarney é aquele, figura de destaque nos governos militares, virou casaca em cima da hora, elegeu-se vice de Tancredo Neves, vejam só, pela oposição (!?), acabou Presidente da República com a morte de Tancredo e não recebia em audiência ninguém que trajasse terno marrom. Dava azar.
Pois bem. A filha, a Roseana, é candidata a governadora. Ainda do Maranhão. Talvez, quando mais velha, candidate-se por Roraima, quem sabe.
Seus adversários, no primeiro turno, eram Jackson Lago, do PDT, Edson Vidigal e outros menos cotados.
Como a família Sarney é dona de quase tudo, no Maranhão, inclusive dos órgãos de imprensa, o IBOPE foi na seguinte linha:
Em meados de julho colocou Roseana com 60% das intenções de voto. Lago ganhou 22% e Vidigal 5%.
Em agosto, campanha esquentando, o IBOPE não teve dúvida. Tascou 63% pra Roseana, meados do mês, 66% no final. Pro Lago deixou a merreca de 21% e 20%, respectivamente. O Vidigal, então, coitado, ficou só com 3% e 4%.
Meados de setembro: o IBOPE ainda segurou a onda: 60% pra Roseana, 25% pro Lago e 7% pro Vidigal.
Ao aproximar-se a hora da verdade, final de setembro, o IBOPE tratou de aproximar-se da realidade: Roseana 49%, Lago 32% e Vidigal 11%.
Notem só a desfaçatez: em quinze dias a Roseana despencou de 60% pra 49%, o Lago cataputou-se de 25% pra 32%.
Mesmo assim, a realidade ainda conseguiu ser mais ingrata com o clã:
1º turno: Roseana 32,7%, Lago 23,8% e Vidigal 9,9%.
Vamos ao 2º turno:
IBOPE de meados de outubro: Roseana 51%, Lago 45%.
Agora, na boca de urna, a arrumação pra não ficar muito desonroso:
Roseana 47%, Lago 47% (a combinação com o clã Sarney deve ter especificado que a Roseana não podia aparecer perdendo)
Chegamos, finalmente, ao resultado da eleição (97,44% dos votos já apurados):
Roseana: 33% (dos votos válidos: 48%)
Lago (eleito): 36% (dos votos válidos: 52%)
E tem gente que ainda leva este país a sério.
Antecipando prazeres
Hoje, logo após anular nossos votos, fomos almoçar (a Baixinha, minha caçula (que não anulou) e eu)no Alcatruz, restaurante algarvio em plena São Paulo.
Como não havia no cardápio nada Olhanense, para que eu pudesse homenagear os amigos Asulado e Susana, pedi a Frigideira Portimonense.
Delícia.
Tudo isso pra ir entrando no clima da viagem a Portugal, em dezembro.
Divergência familiar
sábado, 28 de outubro de 2006
Porto X Benfica (2º tempo)
Eu não disse que o Quaresma tinha sido o melhor em campo no 1º tempo?
Pois é.
O técnico tirou-o do time.
Vai daí, o Benfica fez o primeiro:



Fez o segundo:

E não sei porque o técnico ficou assim:
[Atualização em 30/10/2006: O Asulado já me esclareceu. Esse aí não é o técnico do Porto, o Jesualdo]

Mas - no final - o gol da vitória:

E todos os tripeiros puderam comemorar, aliviados:

Porto X Benfica (1º tempo)
quinta-feira, 26 de outubro de 2006
Elementar
Muita gente não entende porque o Lula só cresce, enquanto o Geraldo só desce.
Fácil: o Geraldo resolveu prometer emprego.
A turma não quer emprego. Quer salário.
O Lula entende bem disso.
E dá-lhe bolsa família.
quarta-feira, 25 de outubro de 2006
Os dólares do Dossiê
Carlos Chagas chamou de metáfora uma história por ele inventada e apresentada ao leitor como se fosse verdadeira.
Abaixo, uma entrevista-metáfora com o presidente Lula:
MBI (Meu Bazar de Ideias) – O senhor já soube que os dólares usados na quase-compra do dossiê contra o Serra foram comprados por membros de uma família pobre do Rio de Janeiro?
Lula: Não. Não sabia. Mas isso só vem demonstrar que nunca, neste país, se fez tanto pelo pobre. Agora eles pode até comprar dólar.
MBI: Mas eles foram usados.
Lula: Bom. Aí também já é querer demais. Você queria que eles comprasse dólar novo? Acontece que – não sei se você sabe – dólar usado vale tanto quanto dólar novo.
MBI: Não. Eu disse que os pobres foram usados. Não os dólares.
Lula: Ah, isso sim. No meu governo, pobre é tudo usado. Não tem pobre novo. Porque veio tudo do governo do Fernando Henrique.
MBI: Que medidas o senhor pretende adotar em relação a mais este escândalo?
Lula: Vou criar o Bolsa Dólar. Todo pobre, neste país, vai poder ter seu dolarzinho.
Diz que nota de um dólar no bolso dá sorte.
Porque pobre precisa ter sorte. Ser pobre e azarado ao mesmo tempo é muita desgraça.
segunda-feira, 23 de outubro de 2006
Semana da Virada
Alckmin garante: esta é a semana da virada.
Não seria mais adequado situá-la na semana que antecede a Parada Gay?
sábado, 21 de outubro de 2006
Vai, vem
Quando era garoto, imaginava o saber como algo cumulativo. Chegaria o dia em que eu teria um conhecimento abrangente, assim como dizem que era o de Leibniz, por sinal o último – também é o que dizem – a saber de tudo.
E foi o avesso. Sei que escrevi um bom poema aos vinte, vinte e um anos. Lembro de ter obtido um resultado inédito em Lógica, citado em algum trabalho publicado em revista especializada. Mas não me lembro do poema. Muito menos do teorema.
Lembro que desenvolvi um sistema computacional de manipulação de Thesaurus que a Editora Abril comprou. Mas não consigo nem mesmo fazer um template caprichado pro meu blog.
Tenho quase certeza de que ninguém no mundo pesquisou mais sobre Cipriano Barata. Hoje não me lembro de quase nada a respeito dele. Restou apenas a vaga convicção de que ele era bem melhor que a Heloísa Helena.
Sei, isso sim, que por mais que já tenho sido feliz, ainda vou ser mais.
Podem esmaecer as lembranças do que fui. Indestrutíveis as esperanças do que serei.
terça-feira, 17 de outubro de 2006
Blogs e Mal de Alzheimer
Já recebi vários e-mails que garantem que certos exercícios simples e caseiros podem reduzir o risco de se contrair o mal de Alzheimer. Coisas do tipo escovar os dentes segurando a escova com a mão que normalmente não usamos para isso. Ou seja, segundo tais e-mails, seria benéfico alternar modos cotidianos de proceder com seus contrários.
Escusado talvez seja dizer que não faço a mais mínima idéia de se isso funciona.
Mas tenho uma sugestão:
Todo dia, leia – um logo depois do outro – o Blog do Zé Dirceu e o Blog do Reinaldo Azevedo.
Se previne o Mal de Alzheimer, repito, não sei.
Mas com certeza você vai ficar, se já não é, doidinho, doidinho.
segunda-feira, 16 de outubro de 2006
Dia do(a) Professor[a]
No programa eleitoral de hoje na TV, financiado pelo governo (ou seja, pago por nós), Lula resolveu homenagear os professores, na figura de sua primeira professora, dona Terezinha.
Primeira e Única.
domingo, 15 de outubro de 2006
Lançamento de candidatura
Não há dúvida. Não há melhor.
Para prefeito de Pinda em 2.008
Geraldo Alckmin
Vai, entre outras coisas, remodelar a pracinha central da cidade.
Vote nele.
quinta-feira, 12 de outubro de 2006
Agenda de viagem 2006
Dia 07/12/2006: Embarque para Madrid.
08/12: Chegada a Madrid.
Pega-se o carro e vamos a Vinhais.
Em Vinhais, nos espera um apartamento cedido pra lá de gentilmente pelo Isaías, amigão dono do Restaurante Rossio (e quase primo, claro, claro).
De 08 a 22/12: assassinar as saudades. Visitar todo mundo. Comer e beber as maravilhas da terra.
22/12: dar um pulinho a Madrid para buscar a filha, a neta e o genro, que chegam de Nova Iorque.
23/12: depois de tirá-los do aeroporto, levá-los para almoçar em El Asador de Aranda. Eles merecem. Afinal, minha filhinha, depois de superar os preconceitos contra mulher e contra latinos (e a grande democracia americana está recheada deles), acaba de assumir uma diretoria na empresa em que trabalha, em NY.
Viagem para Vinhais, para apresentar minha terra à minha primeira filha e à minha primeira neta.
24/12: Consoada em Passos.
25/12: Natal em Passos.
26 a 30/12: mostrar a meus hóspedes o Porto, Santiago de Compostela, Coimbra (e Mealhada, por supuesto), Chaves e, talvez, Guarda.
31/12: passagem de ano em casa dos primos de Bragança.
01/01/07: ida a Madrid. Retorno ao Brasil.
O trabalho me espera.
Notícias inutilmente importantes I
Parece que o Dr. Ênio Rubens Silva e Silva queria mesmo era destruir um prédio em New York.
Mas, como não possui avião e mora em Osasco, resolveu dar uma injeção letal em paciente.
Dá na mesma, disse ele, enigmático.
Quanto ao nome dele, há dúvidas: será que é esse mesmo ou ele é gago.
Sobre o prefixo pen
Ao escrever o Último post sobre política brasileira desprezei o conselho de velho amigo:
Nunca diga último isso, último aquilo. Principalmente nunca diga esta é minha última dose.
Diga sempre penúltimo, penúltima.
Isso ele dizia porque pen vem do latim paene (ou pene), que significa quase (por exemplo, paene dixi significa Eu quase disse (Cícero)).
Portanto, quando você disser Vou tomar o penúltimo cálice de cognac, por exemplo, você não estará – pelo menos etimologicamente – a assumir nenhum compromisso mais sério. Você simplesmente estará a dizer que se trata quase do último cálice.
Dito isso, admito que estou em crise de abstinência de comentários políticos, principalmente quanto ao folclore político. Que, no Brasil, convenhamos, é fantástico.
domingo, 8 de outubro de 2006
O professor Figueiredo
1968. Eu dava aulas no CAPI – cursinho preparatório para vestibulares.
Toda noite, depois das aulas, lá pelas 11 e meia, nós, os professores (quase todos) e o Farina, diretor, íamos para algum restaurante, jantar. Quase sempre no Largo do Arouche ou na Maria Antonia.
O detalhe de que às 7 da matina (às vezes às 6) eu já deveria estar novamente dando aula não impedia que ficássemos conversando e bebendo até duas, três da madrugada. Quase todo dia. Juventude serve pra isso.
Discutia-se política, falava-se de costumes, fazia-se muita piada com quase tudo.
Entre os professores que não participavam da turma, havia um de Matemática, o professor Figueiredo. Mais velho que todos nós, andava sempre de terno e ninguém sabia ao certo de onde ele surgira.
Um dia, na saída para o jantar, perguntamos se ele não queria ir conosco. Sujeito calado, pouca conversa, simplesmente aquiesceu.
Íamos à pé pelas ruas do centro de São Paulo, como sempre.
A certa altura ele perguntou aonde iríamos.
Por gentileza, alguém perguntou se ele tinha alguma sugestão de lugar.
Surpresa: ele tinha sugestão.
Seguimos o professor Figueiredo.
Levou-nos até a Galeria Metrópole, Avenida São Luis.
Sem hesitar, entrou em uma boate cheia de mulheres à espera de fregueses.
Nós outros, em fila indiana, constrangidos, agradecíamos a pouca luz do ambiente, que pelo menos nos resguardava do que considerávamos um vexame. Fomos entrando.
No pequeno palco, um grupo musical, sanfonas e coisas assim, distraía a pequena platéia com baiões, xotes e xaxados.
De repente, mais surpresa.
O grupo musical pára de tocar. O líder do conjunto fala ao microfone:
- Estamos recebendo com enorme prazer
PROFESSOR FIGUEIREDO E SEUS AMIGOS!!!!!!
E o discreto dito cujo, despindo abruptamente seu caráter reservado, responde com seu grito de guerra:
SEGUUUURA, BAITOLA!!!
Todos nos perguntávamos por que – nessas horas – a Terra não se abre, acolhedora.
sábado, 7 de outubro de 2006
Último post sobre política brasileira
Vou dizer o que penso dessa eleição. Depois disso, pretendo não tocar mais em política brasileira.
O PT e o PSDB estão manipulando, de modo criminoso, a política brasileira.
O PT sempre foi um grupo de aloprados. Mas, de uns quinze anos a esta parte, transformou-se em grupo mafioso. Justamente por isso, não entro em detalhes. Não tenho provas e sou medroso. É isso. Tenho realmente medo desses caras.
Quanto ao PSDB, nem pensar.
Até os já mortos, tipo Covas, que estão se transformando em heróis – não sei do quê – têm folha corrida. Ou ninguém mais se lembra do filhinho dele. Também não digo nada. Não tenho provas. Tenho medo.
Tenho medo de Zé Dirceu. Tenho medo de Zé Serra.
Na ditadura militar, havia tortura. Agora, pessoas morrem e ninguém fica sabendo como, nem porque.
Não vejo alternativa. São Paulo, por exemplo, elegeu quem elegeu. Voz do povo, voz de Deus.
Como não acredito em Deus, quero apenas ir embora desse país.
Tão logo me seja possível.
Daqui pra frente, só discuto amenidades.
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