quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Lula não vai ao debate na Globo


Isto parece querer dizer o seguinte:
Como pesquisas indicaram que não ir ao debate tiraria de Lula dois ou três pontos percentuais, ele deve ter recebido, durante a tarde, pesquisas que o colocam com diferença bem maior que isso em relação à soma dos demais candidatos.
Portanto, preparem-se. Vai dar Lula em primeiro turno.
Com coisa tipo 53% a 55% dos votos válidos.
A menos que Jesus Cristo entre em cadeia nacional, pedindo votos para Geraldo. Mesmo assim, que essa aparição se dê em algum dos intervalos da novela das oito.
Agora, cá entre nós. Jesus não se prestaria a esse papel. O tal Geraldo é pior que tarde de sábado na casa da sogra.
De resto, vamos ao debate.
Tomara seja engraçado, pelo menos.

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Debate na Globo – Governo de São Paulo


E não é que o debate foi divertido?
O Serra foi (nos dois sentidos: foi ao debate e foi divertido). Além dele: Mercadante, Quércia, Plínio e Apolinário.


Os blocos eram cinco: quatro de perguntas entre os candidatos, o último para considerações finais. Dos blocos de perguntas, dois eram sobre assuntos determinados (sorteados pelo Chico Pinheiro), dois de assuntos livres.


Mercadante atropelou, logo no primeiro bloco. Apesar do assunto ser determinado, partiu pra falar do dossiê contra os tucanos. Disse que não admitia que correligionários seus fizessem o que fizeram. No resto do programa, sempre que dizia que iria formar equipe pra enfrentar esse ou aquele problema, o espectador se via no direito de se perguntar: como vai coordenar tudo isso se não tinha controle sobre o chefe de sua própria campanha?
De resto, continuou como aquele protagonista de antigo filme nacional (O céu é o limite, com Anselmo Duarte), aquele que sabia a lista telefônica de cor. Ele sabe até quantos grãos de areia há em Ipanema.


Serra, depois de ouvir inúmeras críticas aos doze anos de descalabro administrativo do PSDB, reclamou: os adversários tinham de parar de falar em PSDB e dar nome aos bois. Houvera governo Covas, houvera governo Geraldo Alckmin.
Tipo: PSDB quem, cara pálida?! Eu sou o Serra!


Quércia encheu a bola de Mercadante. Falou em educação isso, educação aquilo. Mas não disse se vai reembolsar os gastos que tive com os estudos dos meus filhos, que ele fez saírem da escola pública depois de as avacalhar completamente, quando foi governador.


Quanto a Carlos Apolinário: seu maior trunfo – além de repetir inúmeras vezes que não roubou nada de ninguém – foi ostentar a economia de 5 milhões de reais que fez como presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo. Para mim, isso basta. Vá ter noção de proporção assim no inferno.


Plínio de Arruda Sampaio (que belo e quatrocentão nome!), mostrou as fragilidades dos argumentos dos outros e propôs o retorno imediato ao século XIX: socialismo já!
Arrudinha estava nos seus melhores dias.


Minha adorada Doga – aboletada em sua almofada preferida – sentenciou:
Vota nesse cara. Ele é supimpa. E tem a grande vantagem de não levar o menor perigo de ganhar.
Sábia Doga.


E assim, fim

Clique e assista ao debate


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Alegria do povo

Há tempos, a alegria do povo era Mané Garrincha.



Agora, Daniela Cicarelli.




Penso que evoluímos.

Já saímos dos pés para pouco abaixo da linha da cintura.



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domingo, 24 de setembro de 2006

DNA em conflito


Certo. Ninguém é de ferro. Mas meu pai quase enferrujava.
Dedicado a seu trabalho, que ele insistia em não qualificar como trabalho. Era missão.
Nunca viu uma duplicata. Nem uma fatura. Só tinha olhos para a Bíblia, o Grego e o Latim.
O sustento do lar ficava por conta de minha mãe. Que dava aulas de Matemática de manhã, à tarde e à noite. De segunda a sábado. No domingo, cuidava da Igreja e da família. Nessa ordem.
Assim, por razões estritamente genéticas, nasci com a certeza de que fazer aquilo de que se gosta e sustentar uma família são coisas mutuamente exclusivas.
De meu pai, herdei o gosto pelas letras, pelo conhecimento. De minha mãe (ainda bem) herdei a noção de que é preciso fazer alguma coisa pra botar comida na mesa.
O incrível é que eles se davam às mil maravilhas.
Já meus dois lados, o do pai e o da mãe, convivem com dificuldade.
Tanto que penso seriamente em me divorciar de mim mesmo.

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Para o Horário Eleitoral


Enquanto eles jogam peroba neles, divirta-se.

Clique para jogar. Tente bater meu record

O Ministério do Vai dar Merda (que o Lula devia ter criado) adverte:
Jogue com moderação. Ou não. Sei lá.

O cara não aprende


Está na primeira página da Folha, hoje:
Lula diz que coloca "a mão no fogo" por Mercadante.
Lula já perdeu um dedo, com essa mania de colocar a mão em lugar perigoso.

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Muito provável



Sendo assim, se Gedimar tivesse nascido mulher, seria Mardita.




...

REPÚBLICA FEDORATIVO DO BRASIL


Lorenzetti: um banho de patifaria, num mundo de grana fria.

Depois dos dólares na cueca, vêm aí os dólares na fraldinha.

O Partido Tenebroso (PT), agora, serve escândalos mal ou bem passados. Ou ao ponto.

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Freud explica?


Finalmente, a política brasileira - em sua caminhada rumo ao absurdo total - chegou a uma encruzilhada com a psicanálise. Apenas na aparência. Entrou um Freud no jogo. Mas não é aquele. É um assessor do Lula, amigão do Sérgio Sombra (lembra dele? o principal suspeito de ser mandante do assassinato do prefeito Celso Daniel). Esta tarde, Lula despachou-o para São Paulo, para que ele se explique à Polícia Federal. O sujeito do PT preso com pouco menos de 2 milhões de reais disse que o dinheiro foi entregue a ele por esse Freud. a mando da Executiva do PT.

No post do blog do Josias, que você lê clicando aqui, os grifos são meus
Contudo, calma. Muita calma.
Depois de tudo que já apareceu e não abalou em nada a candidatura Lula e de grande parte dos petistas, basta a turma negar tudo, como sempre.
E Lula dizer - também como sempre - que não sabia de nada.

P.S.: o leitor mais atento com certeza notará que deixei de grafar Lulla. Penso que tal prática estava se tornando injusta em relação a Fernando Collor. Para quem não lembra, trata-se de ex-presidente deposto por agir com amadorismo inaceitável nos tempos que correm.

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

Parabéns, Lili


Não. Não vou contar a idade dela. Já basta o quanto a atormentei, na juventude, com essa história de idade. Eu transformava os vinte e cinco anos, que ela faria, em um quarto de século. Ela ficava alucinada.
Digo, apenas, que minha irmã – uma delas – faz hoje alguns anos. Não interessa quantos. Interessa que ainda fará muitos mais.
Foi, das duas irmãs que tenho, seguramente a mais chata. Não. Não pensem que isso é ofensa. A outra brincava comigo, era companheira. Essa, a que hoje fica um pouquinho mais velha, era mãe. Mãezona, mesmo. Não me deixava sair de casa sem revisão geral. Olhava as orelhas. Invariavelmente corria a pegar um chumaço de algodão, embebê-lo em álcool e esfregá-lo em meus ouvidos. Se isso é tecnicamente bom ou não, até hoje não sei. Só posso afirmar que é afetivamente fantástico. Sentir-se cuidado. Protegido.
Não satisfeita, deu-me um sobrinho que foi como meu primeiro filho. Foi não. É. Sujeitinho complicado, mas maravilhoso. Ensinou-me, sem o saber, a ser pai.
Mas não é dele que estou a falar. É de minha segunda mãe.
Regente, pianista, mãe e, principalmente, esposa. Daquelas à moda antiga, sabe como é?
Sorte teve meu cunhado, que, aliás, vem a ser o sujeito mais bom (não é melhor, não. É mais bom mesmo) que já conheci.
Vai daí que mando pra Floripa meus beijinhos trasmontanos pra Lili, como a chamava minha mãe.
E – de quebra – pro maridão, pros filhos, noras e netas.

São Paulo, a cidade, está assim


Hoje fui tomar um chopp com um conhecido que não via há cinco anos. Eu o procurei. Ao telefone, não notei nada.
Quando estávamos lá pelo terceiro chopp (na verdade, eu. Ele só no refrigerante light) ele criou coragem e me contou:
Pensava que eu estivesse morto. Alguém o informara, uns dois anos atrás, que eu tinha sido assassinado ao sair de casa, a tiros.
Havia ficado triste, me disse. Mas assustado, mesmo, ficou quando – de repente – lhe telefonei.
E, assim, vamos (sobre)vivendo.

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Comentários aos comentários


Já disse, aqui, que este blog é melhor do avesso. Os comentários, muitas vezes, são superiores aos posts.
Então, vez em quando, é preciso comentar alguns comentários.

Por exemplo:

Quem é culpado por um prêmio Rotary?



O tradicional prêmio atribuído pelo Colégio Rio Branco a seus melhores alunos, anualmente (hoje se chama Prêmio Rio Branco), me permitiu, há alguns bons anos, uma comparação interessante entre maneiras diferentes de educar filhos.

Todo ano, lá ia eu, feliz da vida, à cerimônia de entrega do Prêmio Rotary. Isso porque meu filho (que semana passada completou 29 anos) invariavelmente ganhava o dito cujo. Também todo ano, eu encontrava lá meu colega de turma de engenharia, Armando Kagueyama. Pai de um casal, Armandinho e sua companheira Maria Cecília criaram os filhos de tal modo que ambos ganhavam todo ano o Prêmio Rotary. Quanto a mim, meu filho sempre ganhava o prêmio. Já as filhas não davam a mínima pro dito cujo. E, diga-se, os três são hoje ótimos profissionais e melhores pessoas.
Por isso mesmo, em uma das festas de premiação, entre uma e outra foto das muitas que Armandinho – como bom nissei – não se cansava de tirar, comentei com ele:
- No teu caso, o mérito desses prêmios é mais dos pais do que dos filhos. Percebe-se que teus filhos foram estimulados nessa direção. No meu caso, o mérito é integralmente do filho.

Esse comentário vem a propósito de um comentário que fez uma de minhas irmãs em post anterior.
Digo que – felizmente – nem uma coisa nem outra: nem a educação dele foi perfeita, nem ele é perfeito. Tudo isso seria muito chato.

Outro exemplo:

Alternativas merecidas



A Dea (ou Hera?), do Life`s so short, move on!, comenta, aqui, que não temos opções “saudáveis”, nesta eleição.
Por todo lado, reclama-se do caráter morno dessas eleições.
Pudera. Os tucanos colocaram – para enfrentar Lulla – um anestesista.
Resultado: deu sono em todo mundo.

terça-feira, 12 de setembro de 2006

O quase sucesso de Marcelo


Ele vivia do melhor jeito possível: um dia depois do outro, uma noite no meio. Dormia bem, não tinha insônia. Acordava bem, sempre disposto para o trabalho ou para o lazer. Homem de posses medianas, funcionário sem altos nem baixos, tocava a contabilidade de uma empresa de porte médio com a sobriedade que o cargo exigia.
Adorava a esposa. Mulher perfeita, impecável. Quer dizer, quase. A rigor, a rigor, tinha um pequeno defeito: gastava muito papel higiênico. À toa. Qualquer xixizinho e pronto. Lá se iam metros de papel higiênico. No fundo, isso o irritava um pouco. Mas, dado seu comedimento em tudo, nunca reclamou. Verdade que o preocupava o possível entupimento do esgoto da casa. Mas preferia manter desobstruída sua relação com a companheira.
Por todos os motivos, começou a exercitar-se em um esporte inédito: pontaria de mijo.
Explico. Dado que a descarga quase nunca dava conta de tanto papel, quando era sua vez de fazer xixi, era comum encontrar, no fundo da privada, um certo volume de papel não enviado ao esgoto.
Começou distraidamente. Divertia-se pulverizando o papel com o jato de sua urina. Percebia, além disso, que isso facilitava a eliminação do papel quando de nova descarga.
Tomou gosto pela coisa.
Gabava-se (só com seus botões, claro) de conseguir cada vez mais pulverização com menores quantidades de xixi.
Foi quando surgiu, em um blog que costumava visitar, a campanha pela pontaria de mijo. Como quase todos sabem, há sempre blogs dispostos a fazer todo tipo de campanhas.
É um tal de campanha a favor disso, campanha contra aquilo.
Embarcou nessa.
Não se deu bem, infelizmente. A campanha do tal blog era virtual.
E a pontaria do xixi dele era pra lá de real.

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Anti-post


Prometo não falar nada sobre vocês-sabem-o-quê.
Nesta data só se fala disso. Vou poupar quem passa aqui pelo Bazar.

domingo, 10 de setembro de 2006

Dar espelhinho pra índio ainda funciona


Todo mundo conhece aquela piada da hiena: o professor explica que a hiena é um animal que vive no centro de África, é necrófaga, faz amor uma vez ao ano e emite uma vocalização similar ao som do homem ao rir-se. E o aluno pensa: o bicho come carne podre, só dá uma rapidinha uma vez por ano e ri do quê?!
A pesquisa DataFolha publicada hoje, sobre a felicidade dos brasileiros, revela o que somos: um povo-hiena.

Clique para ler a matéria completa

A gente sempre pode pensar os resultados de tal pesquisa com olhos de Poliana. Afinal, ser feliz não é o que interessa?
Mas será que já não era hora de exigir mais do que bolsa-espelhinho?

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Quid rides?


Em 1.977, ano em que o presidente militar Ernesto Geisel baixou o pacote de abril, com o qual criou a figura do senador biônico, bolado para dar maioria ao governo no Senado (o mensalão só seria inventado mais recentemente). Ano durante o qual se esperava a abertura política e o que veio foi mais endurecimento (a anistia teve ainda de esperar dois anos). Ano em que recebi excelente proposta para mudar de emprego mas – como eu tinha meus direitos políticos cassados – a Lion, revendedora Caterpillar, desistiu de me contratar. Ano ainda de chumbo. Falta de liberdade. Vida intelectual relegada à sombra.
Em 1.977, ano em que minha primogênita começou a andar. Ano em que li Grande Sertão: Veredas, na tranqüilidade de São Lourenço.
Em 1.977, às vésperas de mais uma comemoração da Independência desta terra pra lá de dependente, nasceu meu único filho. Chamei-o Horacio. Por não ser nome de santo. Por ser nome de poeta.
Teve cólicas, nos primeiros meses. Berrava muito, logo depois de mamar.
Isso passou, como tudo passa.
Cresceu e construiu personalidade própria.
Hoje, é profissional de excelência em sua área de atuação.
Casou com seu primeiro, grande e único amor.
Quem sabe surjam daí alguns netinhos fabulosos.
Saboreamos juntos muitos e muitos churrascos. No tempo em que ele era carnívoro. Hoje, quase vegetariano.
Jogamos bola juntos.
Já nos demos fortes abraços em momentos intensos de nossas vidas.
Já reclamei dele. E ele de mim.
Espero que a vida nos permita o aconchego permanente.

E, como o poeta (mas sem ironia), digo a ele, a propósito deste post:

De te fabula narratur
(é de ti que se fala)

Formas de tratamento


Há pessoas – eu, por exemplo – que não gostam de ser tratadas de forma cerimoniosa. Não gosto de ser chamado de senhor. O Junior, do Frigideira, me trata por Sr. Renato. Paciência. Fazer o quê. Prefiro que ele visite Meu Bazar mesmo assim.
Quando eu comecei a fazer análise, com Luiz Meyer, ficava desconfortável com o tratamento de Senhor que ele me dispensava. Numa das primeiras sessões, das quase mil que mantivemos, pedi a ele que me chamasse de você, já que eu o tratava assim. Ele, calmamente:
- O senhor pode me chamar como quiser. Eu também o tratarei da maneira que eu preferir.

Só muitos meses adiante ele começou a me chamar de você.

Nas conversas com familiares, em Portugal, as pessoas estranham que eu as trate por você. Para um português, isso é cerimonioso. O normal entre familiares é Tu. E eu, apesar de ser santista, perdi o hábito de tutear (como dizem os de língua espanhola).

Por outro lado, há os que fazem questão de tratamento diferenciado. Meu orientador de Lógica, por exemplo, o fantástico professor Newton da Costa, costumava dizer aos alunos jovens que o tratavam por você:
- Se você não me chamar de senhor, vou chamá-lo de Juquinha. Está bem?

Meu pai, certa vez, em uma convenção Baptista na Igreja da Vila Mariana, em São Paulo, encerrou uma disputa acalorada entre pastores que exigiam tratamento mais formal, valendo-se dos famosos versos de Gregório de Mattos a respeito de um magistrado pretensioso:

Se tratamos a El Rei por Vós
E a Jesus por tu,
Como chamaremos nós
Ao juiz de Igarassu:
Tu e vós ou vós e tu?

ANA MARIA TEIXEIRA RANGEL


Eu só posso estar doido.

Futura Presidente da República

A dona Ana Maria – a respeito da qual não consegui obter maiores informações (a imprensa tem mais o que fazer do que ficar informando a gente) – resolveu candidatar-se tão somente à Presidência da República.
Dela, as únicas informações disponíveis são as de que tem 49 anos, é carioca, vive nos Estados Unidos, onde tem uma empresa de transportes. Estabeleceu como teto para os gastos de sua campanha à Presidência o valor de módicos cento e cinqüenta milhões de reais (pouco mais de 50 milhões de euros). Por outro lado, declarou que possui um único bem: um automóvel Volkswagen, no valor de quarenta e dois mil reais.
Onde está a firma de transportes?
Onde fica a minha sanidade mental?
Quais os reais objetivos da dita cuja senhora?

Vai daí: ainda bem que daqui a uns aninhos vou embora daqui. Quem ainda pensa que este país tem solução, fique com ele.

Tô fora. Com minha loucura. Com minhas alucinações. Sim, porque só pode ser alucinação.

Quando Collor candidatou-se, nem ele (e sua pequena turma) acreditava que seria eleito. Foi.

Agora, Lula vai ser reeleito.

Mas se elegessem a Ana Maria, eu não ficaria surpreso. Daria na mesma.

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Inteligência não tem sexo


Acabo de ler, no fantástico renas e veados, uma referência à Lesboa Party.



Feliz ou infelizmente, lésbica é algo que jamais poderei ser. Também não sei nada sobre a tal festa. Mas o nome escolhido me seduziu.
Muito bom.

domingo, 3 de setembro de 2006

O dia em que ouvi o silêncio


Em 1.974, fui convidado pra dar um curso maluco de Fundamentos da Matemática na Faculdade de Ciências e Letras de Lins, interior de São Paulo.
O curso era nos finais de semana. Eu pegava um ônibus noturno na sexta. Chegava em Lins por volta das cinco da manhã do sábado. Dava tempo de dormir, na cama do quarto do hotel, até lá pelas sete porque as aulas começavam às oito (e iam até o final da tarde. Pobres alunos).
Eu me hospedava no Hotel Lins, bem na praça principal da cidade. Era uma praça toda arborizada. Quando amanhecia o dia, milhares (quase ia dizendo milhões) de pássaros começavam a cantar sem maestro (ou com Maestro, se você acredita n’Ele). Era deslumbrante.
Mas às cinco da manhã, quando eu chegava ao hotel, todos dormiam.
Foi na minha primeira ida.
O ônibus parava em frente a uma casa na qual funcionava a empresa de transporte. Desci e perguntei ao funcionário como devia fazer pra chegar ao hotel. Era muito fácil. Só dobrar a primeira à esquerda e seguir aquela rua por algumas quadras. Ela desembocava na praça do hotel.
Eu e minha pequena mala, com poucas roupas e alguns livros, seguimos a indicação.
Depois de caminhar umas duas quadras, fui tomado por uma sensação estranha. Parei. E foi aí que percebi a origem do meu estranhamento.
Não se ouvia rigorosamente nada.
Som de gente, som de automóveis, caminhões. Ônibus, trens. Som de animais. Som de vento. Som de chuva. Nada.
Me dei conta de que, beirando os trinta anos, era a primeira vez que me encontrava rodeado de silêncio absoluto.
Fiquei parado, ali, alguns minutos.
Admirando o silêncio.
Percebi, também, naquele instante, que jamais me esqueceria daquela sensação.

sábado, 2 de setembro de 2006

Felicidade


Bem no início do mês.
Estou muuuito feliz, hoje.
Nova etapa da vida a começar.
Um brinde a tanta felicidade.

Beijinhos transmontanos a todos: mulheres, marmanjos, velhos, crianças, mendigos, leprosos, políticos.
Espera aí. Políticos não. Felicidade também tem limite.

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

O conhecimento da ignorância


Hoje de manhã conversei com uma vizinha sobre a reforma que o camarada do apartamento embaixo do meu está fazendo. Disse a ela que estava preocupado porque o fulano está derrubando tudo. Será que ele tem noção da diferença entre elementos estruturais e não estruturais? Será que ele sabe que derrubar uma parede não é o mesmo que arrancar uma coluna? Ou uma viga?
Depois, já com meus botões, lembrei: sou engenheiro. Tá certo que engenheiro eletrônico. E formado em 1967, época em que os circuitos eletrônicos estavam deixando de utilizar válvulas para começar a usar transistores. Coisa medieval, mesmo.
Mas percebi uma vantagem em tudo isso: não entendo nada de estruturas de concreto. Mas sei que não entendo.
E isso faz alguma diferença.
Pensando melhor, notei que – no fundo, no fundo – o que eu quero não é ser culto. Isso é cada vez mais complicado. Dizem que o último camarada que entendeu de tudo foi Leibniz. E ele já morreu há quase 300 anos.
Quero conhecer cada vez mais minha ignorância. Ter noção mais profunda de que não sei tudo que não sei. Aprofundar meus conhecimentos de meu desconhecimento.

terça-feira, 29 de agosto de 2006

Mercadante agora é do aerotrem


E não é que no debate de ontem na TV Band o Mercadante defendeu o aerotrem?!?
Isso não era plataforma política daquele pelintra do partido do Collor, o tal de Levy Fidelix?
Meus deuses, o ridículo é poço sem fundo?

Chute em cachorro morto


Diz o povo que não se deve chutar cachorro morto. Mas vou dar uma bica no Orestes Quércia (aliás, o nome dele devia ter trema, porque se diz "cuércia" e não "kércia". Mas ele não treme. Ao contrário, ele assusta).
Durante o governo Montoro (1.983-1.987), meus filhos estudaram em colégio público. De alta qualidade. Era a Escola Estadual Profª Marina Cerqueira César, na Vila Ipojuca, São Paulo, SP, Brasil.
Quando o Quércia assumiu o governo (março de 87), a coisa degringolou com tal rapidez que a mãe de meus filhos e eu decidimos que iríamos tirar nossa filha mais velha do Marina no início do ano seguinte e colocá-la em colégio particular (Rio Branco). E, de antemão, combinamos que no outro ano passaríamos o segundo filho pro Rio Branco. Pois bem. Não deu tempo. Nossa filha mais velha foi para o Rio Branco no início do ano seguinte. No meio do mesmo ano tivemos de transferir o filho. Assim, no meio do ano letivo. A coisa ficou tão terrivelmente ruim que não teve jeito.
Agora, nesta campanha eleitoral, o Orestezinho fala em fazer isso e aquilo em prol da educação.
Vamos fazer assim: já que você é rico pacas (e ficou rico na vida pública, como já foi demonstrado ad nauseam), devolve primeiro a grana que eu gastei nessa história toda. Aliás, a minha e a de todo mundo que teve de se virar pros filhos não ficarem analfabetos.
E, já que estamos no assunto: tenha dó, Quércia. Você, que já deitou e rolou, aceitar esse papel de coadjuvante do Mercadante. Brincadeira. Conta pra nós. Qual foi o mensalão, nessa história.
Pensei que você fosse mais esperto.
Pobre coitado.

domingo, 27 de agosto de 2006

Ainda a perfeição


No esporte, se a perfeição existe ela se chama Bernardinho.
Pessoalmente, deve ser um chato
Na final da Liga Mundial, hoje, em Moscou, ele chegou a detalhes tais como orientar o jogador Anderson sobre o posicionamento de suas mãos no bloqueio. Disse que as adiantasse um pouco em direção à rede. E, óbvio, deu certo.
Partida maravilhosa

sábado, 26 de agosto de 2006

Assim não dá


Quase todo mundo sabe que um dos mais consistentes argumentos contra a existência de Deus é a existência de moscas.
Se Deus existisse, ele certamente não teria criado um bicho tão desagradável.
Vai daí, o bicho homem, na sua incontida mania de grandeza, resolveu concorrer com o Criador.
Agora – justo em Juazeiro – tem fábrica de mosca.

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

Planeta Terra no mundo da Lua


Hoje conseguiram me surpreender. O que não é pouca coisa por tratar-se – no meu caso – de cidadão a viver sua sétima década.
E não pensem que minha surpresa decorre de Plutão ter sido expulso do seleto clube dos planetas do sistema solar.
A ciência vive a mudar de opinião. A Terra já foi plana, passou a quase esférica e não duvidem que volte a ser tida como plana. Já há até best seller sobre isso.
Meu espanto vem da China.
Eu, que imaginava fazendeiros chineses como sisudos plantadores de arroz.
Pois fiquem sabendo que os velórios, no interior da China, são extremamente convidativos. Tudo porque... leiam o que publicou a Folha de S.Paulo, hoje:

Polícia prende strippers
em funeral de fazendeiro chinês


Uma tradição no leste da China, a homenagem com strip-tease em funerais, ganhou novas regras depois de cinco pessoas terem sido presas por organizar uma performance considerada "obscena" pela polícia chinesa, segundo a agência de notícias oficial Xinhua. As prisões ocorreram na semana passada, no funeral de um fazendeiro em Donghai, na Província de Jiangsu.
Segundo a agência de notícias, o desnudamento serve a propósitos nobres. "O strip-tease é uma prática comum nos funerais das áreas rurais de Donghai para atrair as pessoas", conta. "Os moradores acreditam que quanto mais cheio fica o funeral, mais honrado é o morto."
Autoridades locais emitiram novas ordens sobre "conduta em funerais". Agora, os planos para as pompas fúnebres devem ser comunicados às autoridades municipais até 12 horas após a morte do futuro homenageado. Também foi colocado em operação um número de telefone para receber denúncias de "delitos fúnebres".


Não sei o que as agências de turismo estão esperando.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Aritmética da Impunidade


Belo dia descobre-se que o cidadão passou a mão no dinheiro público. Mensaleiro, sanguessuga etc.
Esse dinheiro, como bem disse certa vez o então presidente do Banco Central, Armínio Fraga (não confundir com Armando Flagra, que é coisa da Polícia Federal), é o meu, o seu, o nosso dinheiro.
Deveria, portanto, ser devolvido aos cidadãos todos, partindo-se da hipótese simplificadora de que todos contribuíram igualmente.
Então vamos lá. O sujeito passou a mão em, digamos, um milhão de reais. Somos 200 milhões de habitantes. Logo, caberia a cada um de nós, 0,005 reais.
Como quase todo mundo sabe, nossa moeda só admite centavos de real. Portanto, a parte que caberia a cada um de nós seria zero.
Além do mais, se o indivíduo roubou 100 milhões, cada um de nós deveria receber cem vezes o que receberia caso o dito cujo tivesse roubado um milhãozinho só. Ou seja, cem vezes zero, que como quase todo mundo sabe, é zero.

Pesca e peixe


Há, no Brasil, em números redondos, 200 milhões de habitantes. O programa Bolsa Família sustenta mais de 11 milhões de famílias. Em torno de 50 milhões de pessoas.
Resumo:

No Brasil,
para cada três pessoas que tentam pescar,
há uma ganhando o peixe.
Distribuir instrumentos de pesca,
nem pensar.

terça-feira, 22 de agosto de 2006

O desespero da classe média


Deu paúra. A turma resolveu se mobilizar. Vez ou outra, isso ocorre. Desde quando esse Brazilsão foi pro brejo. Faz tempo. Mas agora o pessoal achou que deve fazer alguma coisa. Marcha com Deus, família, o que mais?
Desisti de tudo isso faz algum tempo. Décadas, talvez. Mas o povo vai nascendo, as coisas têm de se repetir. A garotada não viveu o que passou. Tem de viver tudo de novo.
Vamos lá. Gritem. Gretchen. Reclamem. Digam que não estão gostando.
Tudo vai continuar como está.
Falta é educação, mas educação daquele jeito que a pedagogia atual condena: decorar tabuada, aprender a recitar os afluentes do Amazonas, margem esquerda, margem direita.
Estudar Português. Saber geografia. Aprender outra língua. Espanhol, inglês, francês. História. Do Brasil e Universal.
Tem que botar a bunda na carteira e estudar.
E-s-t-u-d-a-r.
Fora isso, conversa fiada.
O PCC, o CV, já dominam tudo. Ou quase. Setores da sociedade vivem sob outro governo. O tráfico é comandado por setores ditos nobres. Só não cito nomes, aqui, pra não ser processado, pra não morrer. Mas é gente importante. Não tem bacuri nisso.
Vamos lá. Vamos reeleger o Lulla. Alguém duvida? Migalhas em forma de bolsa família e pronto. Tudo resolvido.
Quem tem grana, está realizando 2% ao mês, no mercado financeiro. Na Europa, é 2% ao ano, e olhe lá.
Isso é o que interessa.
De quem é o Banco Santos? Do pobre Edemar Cid Ferreira? Ou de algum senador importantérrimo? Daqueles que nascem em um Estado do Nordeste mas se elegem em outro lugar?
E o Pitta? Terá algum parentesco com o Maluf?
E se fossem irmãos?
Pense nisso. Afinal, você não sabe o que os ascendentes do Maluf andaram fazendo por aí.
A primavera vem aí.
Feliz primavera.

P.S.: Este post faz parte de uma blogagem coletiva, organizada pela Laura.

domingo, 20 de agosto de 2006

Di Tullio


Em 1.961, vim de Santos para São Paulo para fazer o restante do Científico (que era como se chamava o período de três anos que se seguia ao Ginásio, de quatro anos) mas – principalmente – para fazer cursinho pra engenharia, no curso Di Tullio.
O professor Mauro de Oliveira César, que além de dar aulas no Di Tullio também era professor da Faculdade de Engenharia de São Carlos, junto com minha irmã, me arrumara bolsa integral. Isso, mesmo sendo eu ainda aluno do segundo científico. Penso que fui eu que inventei essa história de treineiro. Essa garotada que presta vestibular ainda no final do segundo colegial, só pra treinar. Naquele tempo não era possível fazer o vestibular sem concluir o colegial. Mas fui fazer cursinho porque sentia que o colegial não estava me dando formação adequada. O Colégio Canadá, de Santos, já não era o mesmo de tempos passados.
Na década de 60, o cursinho por excelência era o Anglo Latino. Das 360 vagas na Escola Politécnica, quase 300 eram ocupadas por alunos formados lá. Mas o Curso Di Tullio tinha um papel qualitativo importante nessa história de vestibular para engenharia.
O professor Di Tullio era um italiano baixinho, de nariz batatudo, um pouco corcunda. Por ser de esquerda numa Itália dominada pelo fascismo na Segunda Guerra, fugiu. Parece ter sido um raríssimo caso de alguém que fugiu PARA a Sibéria. Em geral, as pessoas fugiam DA Sibéria.
Não sei como, nem por quais motivações, Di Tullio acabou por migrar para o Brasil como vendedor de vinhos, apesar de ser um matemático de alto nível.
Aqui, nesta terra de burocratas, tentou validar seus títulos acadêmicos para poder lecionar na USP. Exigiram dele que prestasse exames de Geografia e de História do Brasil.
Mandou tudo às favas e começou a dar aulas preparatórias para o vestibular de Engenharia para um pequeno grupo de umas dez pessoas. Ele ministrava todas as matérias menos Química, que era ensinada por uma professora também italiana, cujo nome agora me escapa.
O estupendo êxito de seus parcos alunos no vestibular da POLI (o ITA nunca foi o seu forte) levou-o a montar o cursinho, trazendo para ajudá-lo alguns de seus primeiros alunos.
Ele reservou para si as aulas de Álgebra. E foi nesses termos que conheci essa figura inigualável.
Comecei por entender para que servia aquela espécie de estribo na parte inferior do quadro negro. Certo, servia para colocar giz e apagador. Mas a função primordial era amparar o professor Di Tullio nos dias em que havia tomado um pouco mais de vinho ao almoço, seguido de algum cognac.
Ele detestava ministrar as matérias do programa do vestibular.
Logo de cara avisava: daria aulas extras, sem custo algum, ao final do horário normal de aulas, para quem se interessasse. Para ensinar tópicos da Matemática que eram do interesse dele.
Formou-se um pequeno grupo, do qual – óbvio – eu fazia parte, para assistir às aulas realmente inspiradas do extraordinário mestre.
Lembro-me, só pra dar uma palhinha, de um início de uma série de aulas sobre Teoria das Grandezas. Di Tullio começava por afirmar que Grandeza era conceito primitivo, não admitia definição.
Criticava, em seu português carregado de sotaque:
- Já vi livros que definem grandeza: grandessa é tudo aquilo suscetível de aumentar e diminuir. Ba. Conheço cossas suscetíveis de aumentar e de diminuir e que no som grandessa.
E mostrava o rosto iluminado por uma risada irônica, infantilmente malandra (ou malandramente infantil, sei lá)
Di Tullio tinha um apartamento no Embaré, em Santos. Passava lá suas férias.
Como minha mãe ainda morava lá, eu também ia pra Santos nas férias. Uma vez levei comigo meu amigo (até hoje) Brandão, pra passarmos lá alguns dias.
Um dia, lá pelas nove da manhã, fomos tomar café da manhã em um bar no Embaré. Entramos e pedimos dois Toddys. Não percebemos que o professor Di Tullio estava sentado ali ao lado, a tomar seu cognac matinal.
Ouvimos, depois de pedirmos nossos chocolates:
- Má quê. Quem toma chocolate é viado! Tem de tomar cognac!
- Mas professor, cognac às nove da manhã?
Di Tullio era fantástico até quando manifestava seus preconceitos.
Aprendemos, então, a rotina do mestre. Tomava um cognac logo cedo, entrava no mar e nadava até a Ponta da Praia, junto ao ancoradouro dos Práticos (alguns quilômetros). Lá já havia um taxista conhecido que o recolhia todo molhado e o levava de volta ao Embaré.
Do alto de nossa juventude, tentamos acompanhá-lo nessa empreitada. Desistimos no meio do caminho.
Quando saiu o resultado de nosso vestibular na POLI, corri ao cursinho pra saber se havia passado. Encontrei o professor Di Tullio, com seu sorriso maroto, sentado em frente a uma lista de aprovados.
Nem perguntei nada. Olhei-o interrogativamente.
E ele:
- Má quê papelão!
Pensei logo: bombei.
Ele prosseguiu:
- Tinha de ficar em 24º lugar?!?

Ideias luminosas no Bazar


Nossa filha costuma nos telefonar da Austrália aos sábados à noite. Lá, é manhã de domingo. Ela acorda, toma seu café e depois nos telefona. Fico sempre intrigado com essa história de ela já estar vivendo um domingo que só vou vivenciar daqui a muitas horas.
Ocorreu-me a ideia de pedir que ela me conte meu futuro. Ela, que já está lá, no futuro, pode certamente me antecipar qualquer coisa de interessante.
Sábado que vem faço a ela esse pedido.
Quem sabe. Quem sabe.

sábado, 19 de agosto de 2006

Achados e Perdidos


Li ontem, no Correio da Manhã, matéria sobre os objetos que acabam por ficar nos Correios por não se encontrar o destinatário, nem ser possível devolvê-los ao remetente.
Muitos desses objetos são curiosos. Mas, para mim, mais atraentes são as características dos destinatários não localizados. Há o "senhor Zé da mercearia em frente à linha de comboio" e há – delícia das delícias – a "menina que passa às quatro da tarde em frente ao café".
Contrário ao que pensa o senhor Pedro Villalva, chefe da Secção de Refugo Postal: "Há muitos malucos", entendo que malucos somos nós, aqueles cuja localização depende de nome de logradouro, número, complemento e código de endereçamento postal.
Experimente enviar para mim qualquer coisa, indicando a aldeia de Passos como destino. Basta dizer para entregar na casa de Alípio e Zelinda. Eles logo perceberão que se trata de correspondência para "os primos brasileiros" e guardarão para mim, para quando chegue lá.
O Asulado quis me dar de presente os cachecóis do Porto e do Olhanense. Enviou-os ao Brasil, detalhando meu endereço. Jamais os recebi. Se os enviasse a Passos de Lomba, Vinhais, eu hoje estaria com eles.
A primeira vez em que me aventurei a percorrer Portugal de carro, em 1.999, fui até Vinhais. Sabia que lá morava uma quase-prima, a Lídia. Ainda de Lisboa, telefonei a meu tio Paulo, aqui de São Paulo, para pedir o endereço da Lídia.
- Pergunte pela Lidia dos Correios.
- Mas tio, e o nome da rua, o número da casa?!
- Não precisa. Apenas pergunte pela Lídia dos Correios.
Meu tio Paulo é militar reformado. Logo pensei: a caserna não lhe fez bem aos miolos.
Ao entrar em Vinhais, chegamos a uma pracinha, o Largo do Arrabalde. Parei o carro. Avistamos um bar. Resolvemos tomar café e perguntar.
Café quentinho, atendente atencioso, criei coragem:
- Por acaso, o senhor conhece a senhora Lídia, dos Correios?
- Pois claro. Mora aqui ao lado. Vamos lá. Deve lá estar o Manoel, o marido.
E foi nesse dia nosso primeiro almoço em casa de Lídia e Manoel.
Como se não bastasse, Lídia me contou que eu tinha duas primas carnais em Passos.
Que eu não perdera porque sequer as havia achado.
E que contribuíram para que minha vida ganhasse novos significados.

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Tautologia utópica


Se o crime é organizado,
viva a desordem.

Praga de Ordisi


Meu amigo Ordisi e eu havíamos combinado um chopp pra hoje. Quando me lembrei da decisão da Libertadores, também hoje, não tive dúvida: telefonei pro Ordisi pra adiar o chopp. Afinal, meu criador é sãopaulino. Fazer o quê.
O Ordisi entendeu, mas ficou falando em Internacional pra cá, Internacional pra lá. Não deu outra. Só pode ser praga rogada por ele.

Como bom perdedor, aí vão algumas fotos do Beira Rio, a foto do gol dado de presente ao Internacional pelo – logo quem! – Rogério Ceni e a comemoração do Saci, símbolo do colorado.
Beira Rio em seu estado normal
Beira Rio tomado pela fumaça dos sinalizadores acionados pelos torcedores
Não adianta levantar o braço, Rogério. O presente já foi entregue
Tá bom, tá bom. O Inter mereceu

Só um comentário ressentido, pra não deixar tão barato: a certa altura, a TV mostrou um santinho colocado atrás de um dos gols do Beira Rio. Disse o narrador que se trata de tradição do clube, a de colocar aquela estatueta atrás do gol. Mas não é o Internacional o clube que nasceu socialista (daí o nome, daí a cor)?
Será que isso é o tal de sincretismo levado aos campos de futebol gaúchos?

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

Dúvidas insuportáveis


Se é verdade o que o Datafolha apurou - 47% do eleitorado, no Brasil, se diz de direita - por que diabos os motoristas insistem em dirigir sempre na pista mais à esquerda, qualquer que seja a velocidade desenvolvida?

Palpites


Pois é. Lembro quando Jorge Veiga fez uma letra de samba que rimava palmito com palpite. Foi criticado: pô, Jorge, palmito não rima com palpite.
E ele não se apertou:
Não rima no fim, mas rima no início.
Hoje acordei a fim de dar palpites.
Li um conto maravilhoso do Marcio e dei palpite (tira a última frase, Marcio).
Aliás, sempre fui meio assim, de palpites. Já critiquei poemas do Bandeira, do Drummond, do Vinicius.
Como dizem os baianos, sou abusadinho.
Aí, quando vem uma crise de bom senso:
Cara, que vexame! Esses nomes são consagrados. Você tem coragem (petulância é melhor, né não?) de criticar o que eles escrevem? E quando, já já, o Marcio virar escritor famoso? Onde tu vai enfiar a cara?
Eu, que (quase) sempre usei barba, resolvi – belo dia – raspar só o bigode. Logo depois de perpetrado o corte, chega em casa um amigo, poeta, e se espanta.
Me justifico:
- Por que não posso cortar só o bigode? O Soljenytsin é assim!
- O problema é que você não é judeu, muito menos intelectual.
Deixei crescer novamente o bigode.
Agora, parar de dar palpites. Nunca.

sábado, 12 de agosto de 2006

Era uma vez - XXXII
Chegada ao DOI-CODI


Depois de nos deixar no banheiro da casa durante alguns minutos, com um meganha a nos apontar uma metralhadora, minha mulher e eu ali, em pé, dentro do box, como quem premeditasse um banho e tivesse esquecido de despir-se, os homens da OBAN nos levaram para uma perua D20 (ou algo assim. Até hoje nada entendo de automóveis, imagina naquela época. Segundo a Maray, era C14).
Indicaram que nos sentássemos em um banco no meio da cabine. Não me lembro se nos algemaram. O tempo todo minha mulher e eu ficamos juntos.
Ao chegar à Delegacia de Polícia da rua Tutóia (São Paulo) pudemos constatar o que já sabíamos: ela havia sido transformada em fortaleza do DOI-CODI. A Delegacia ficara sendo apenas uma fachada para a estrutura repressiva meio clandestina que o Exército montara ali. A D20 entrou em um pátio e ali fomos convidados a descer e levados até uma sala de espera.
Até aí, descontadas as armas que nos apontaram, o tratamento que nos dispensaram foi quase gentil. Mais tarde aprendemos: as equipes de busca, que eram as que iam atrás dos terroristas e subversivos, eram formadas por profissionais menos boçais. Afinal, eles arriscavam a vida. Já as equipes internas, de tortura, reuniam a escória da humanidade.
Sentados naquela sala, minha mulher e eu, banco de madeira, comecei a imaginar saídas daquela situação. Afinal, eu tinha uma vida oficial. Era professor do Instituto de Matemática e Estatística da USP. Parecia-me que seria relativamente fácil convencer aqueles senhores um tanto agressivos que minha mulher e eu nada tínhamos a ver com o que eles imaginavam.
Queria sair, voltar pra casa.
Começava um intenso aprendizado.

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Parabéns, Bruna


Minha neta completou hoje seis anos. É típica mulher do século 21. Nasceu no ano em que – na minha infância – juravam que o mundo iria acabar. Como os pais foram viver nos USA, está a falar com sotaque. Hoje, quando telefonei para cumprimentá-la, teve nítida dificuldade para conversar em português.
Tenho saudade dela. Tenho – mais ainda – saudade de minha filha. Pergunto-me se essa globalização vai permitir que nos toquemos de vez em quando. Minha mulher tem uma filha que foi viver na Austrália. Meu filho premedita mandar-se para Londres. Barcelona, quem sabe.
Quando eu estiver em Bragança, Portugal, estarei mais próximo de tudo isso.
Como o mundo ficou pequeno, de repente. Ou imenso. Depende de como se olhe a questão.
E a gente precisa evoluir rápido. Pra não perder o pé e afundar.

domingo, 6 de agosto de 2006

Vocação


Na casa de meus pais havia um quadrinho pendurado em alguma parede que chamava minha atenção, em primeiro lugar, por ser tridimensional. Havia nele um cilindro a imitar um tronco de árvore. Nesse tronco, restava fixado um machado. Tudo, claro, em dimensões reduzidas.
O mais notável era a frase escrita no quadro:

Sê como o sândalo, que perfuma o machado que o fere.


Hoje, estava eu a saborear uma cachaça Boazinha e me dei conta de que a dita cuja é envelhecida em tonéis de sândalo.
Pensei que a frase do quadrinho poderia ser ligeiramente modificada:

Sê como o sândalo, que perfuma a cachaça que bebes.


Não. Decididamente não. Não tenho vocação para autor de livros de auto-ajuda.

Pathos


Nos posts de junho de 2.004, que agora estão neste blog, minha perplexidade diante da mulher que tornei impossível, igual assombro perante o Oceano Pacífico, que minha infância julgava diferente, o espanto – meu e de meu amigo Carlos Alberto – face à doce crueldade de nossas mães no trato com as galinhas do almoço dominical, a indignação frente ao hábito de valorizar-se o cedo despertar, a inelutável tristeza de uma despedida e a insubordinação face às complicações da vida moderna.
Etc.

sábado, 5 de agosto de 2006

Correr, corroer


Hoje é sexta. Amanhã é sábado. E assim por diante. Não se pode fazer nada contra esse correr do tempo.
Pode-se eleger uma Constituinte, pode-se nomear o irmão Raul como sucessor, pode-se bombardear o Iraque à vontade, pode-se destruir o Líbano com mil justificativas, pode-se ouvir Elvis, que não morreu, pode-se jogar porrinha no bar da esquina, pode-se torcer pelo Corinthians, pode-se ler Heródoto, pode-se jogar fora o lixo do dia, pode-se jogar fora o dia, um lixo, pode-se mergulhar na piscina, pode-se fazer um monte de sinais esdrúxulos, pode-se vender ambulâncias superfaturadas, pode-se ser candidato-presidente ou presidente-candidato sem saber de nada sabendo de tudo, pode-se morrer em paz.
Só não se pode fazer qualquer coisa contra o correr do tempo.
Não se pode fazer nada contra esse correr do tempo.
O correr do tempo é inexorável. Nada detém o tempo. A correr. A corroer.
Tempocorredor. Tempocorroedor.

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Romantismo em Coimbra


Acabo de colocar neste blog todos os posts de maio de 2.004 de meu antigo blog no fatídico Mblog (que está de volta. Cuidado!).
Há posts interessantes. Em particular, um me emociona muito. Este.

domingo, 30 de julho de 2006

Cultura


Hoje dediquei parte do meu domingo a transpor para cá posts do meu antigo blog no Mblog, todos de maio de 2.004.
Quando transpunha o post Melhor que ambrosia (20 de maio de 2.004), percebi que vários links já não remetiam a sites existentes. Tive de substituí-los. Até aí, nada excepcional.
O surpreendente foi quando cliquei no link referente ao Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo. Ele remetia a uma página dentro do site do Teatro Municipal de São Paulo. A tal página já não existe. Mas o endereço

http://www.theatromunicipal.com.br

leva você a contemplar a linda fisionomia do Gabriel Chalita, um camarada folclórico, amigo do peito do Picolé de Chuchu, que era Secretário da Cultura do Estado de São Paulo e, ao que tudo indica, tomou conta do endereço do Teatro Municipal na Internet.
Ele é autor de livros de auto-ajuda, já gravou discos com canções (acho que de sua própria autoria), coisas assim.

Se no link acima não aparecer a carinha dele no primeiro clique, dê refresh até aparecer

Portanto, ficamos assim: se o companheiro Lulla for reeleito, a Cultura Brasileira continuará entregue a Gil, dono de um dos mais rocambolescos blablablás já ouvidos em língua portuguesa.
Caso ganhe o Ai-de-mim, nossa Cultura será supervisionada por Chalita.
Na remota hipótese da vitória de HH...
Paremos por aqui.
Basta a cada dia seu mal.

sábado, 29 de julho de 2006

Sangue


“O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado.” (1º João 1:7)

Parece que os políticos evangélicos fizeram uma interpretação nada ortodoxa desse texto bíblico.

sábado, 22 de julho de 2006

Terra à vista?


Quando o PT revelou ao distinto público seu lado depois-de-tantos-anos-de-luta-a-gente-merece-uma-boquinha, sobrou uma coisa boa, pelo menos na minha opinião: saiu de cena o partido moralistão, cheio de éticas e princípios. Abriu-se espaço pra discutir o que fazer com este país.
Só que tem gente que não desiste. As viúvas do PT-vestal correram pro PSOL, da dona HH.
E dá-lhe discurso moralista. Como interessa aos tucanos inflar HH pra ver se cavam um segundo turno, começaram a jogar azeitona na empada da moça.
Vai ser engraçado (ou trágico, como preferir) se Lolô passar o picolé de chuchu e for pro segundo turno com o Não-sei-de-nada.
Continuamos à deriva.

Querido, vamos matar meus pais?


Todo o bla-bla-bla da sentença que condenou Suzane Richthofen e os irmãos Cravinhos pelo assassinato dos pais dela pode ser resumido assim:

O júri quase absolveu Suzaninha paz e amor. Foi condenada por 4 a 3. Um voto apenas que mudasse e pronto: estaríamos todos autorizados pelo júri a matar pais à vontade.
A pena, então, é uma gracinha. A doce mocinha vai cumprir uns três aninhos mais de tranca e pronto. Aos 26 aninhos, por aí, estará na rua.
Está certo que ela nunca mais matará os próprios pais. Isso eu garanto. Mas, por via das dúvidas, quando ela vier pra rua espero já estar a morar bem longe daqui.

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Nojo do Itamaraty


Talvez por estar com uma gripe brava, daquelas de derrubar por mais de duas semanas, estou um tanto iracundo.
O que não significa que tudo que eu diga seja bobagem. Há verdade na raiva. Alguma.
Por exemplo: estou com nojo do Itamaraty. O tal Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
Deixa esclarecer o seguinte: quando algum grupo de jovens resolve fazer uma excursão na Serra do Mar e se perde, várias unidades de bombeiros, salva-vidas e o scambau, vão procurá-los. Usam helicópteros, o diabo. Penso que, uma vez sãos e salvos os idiotinhas, o Estado deveria ser ressarcido das despesas pelas famílias dos aventureiros.
Agora. Quando brasileiros (tenham sotaque ou não) estão a visitar parentes no Líbano e surge uma guerra, repentina, penso que o Brasil deveria mandar aviões, navios, submarinos, o que fosse preciso, para garantir a saída incólume desses brasileiros do território libanês e sua volta ao Brasil. Tudo isso muito rapidamente, de preferência antes que morressem vários brasileiros nessa carnificina, como já morreram.
Ao invés disso, o que temos em nossas representações diplomáticas mundo afora é um bando de indivíduos acomodados, que mandam as pessoas desesperadas ligarem na segunda-feira porque a embaixada não funciona aos sábados e domingos.
São tão assassinos quanto os que jogaram as bombas que mataram os brasileiros indefesos que lá ficaram, desprotegidos.

domingo, 9 de julho de 2006

Uma Copa sem vencedor


Itália. Campeã? Pelo regulamento, sim. Meu pouquinho de sangue italiano também fica satisfeito. Mas futebol, futebol mesmo, nada.
Penso que Itália e França deveriam ser proclamadas vice-campeãs.
Zidane expulso por dar cabeçada no adversário, fora do lance. Final fantástico. Chega de heróis, mitos.
Aliás, acrescento: a seleção brasileira, aquela, é a equipe da CBF, Confederação Brasileira de Futebol, entidade de direito privado. Trocando em miúdos, uma empresa como qualquer outra. Aliás, a FIFA exige que as confederações de cada país sejam autônomas em relação a instituições nacionais. Já reparou no escudo brasileiro? Tem CBF escrito. Lá embaixo, um BRASIL, miúdo.
(tente conhecer o Estatuto da CBF. Eu não consegui)

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Déjà vu


Xico Vargas, em No Mínimo: Uma geração de idiotas?

Comentário deste blog: Mais uma?

Dificuldade


Primeiro, eram os escândalos políticos, as CPI, os mensalões.
Aí veio a Copa 2006.
Agora, é a novela das oito, com seu final cheio de truques (portugueses não se animem: o final aí em Portugal será diferente. Até nisso eles pensam).
Em seguida, Eleições.

Como é difícil entrar em contato com a realidade, neste País.

terça-feira, 4 de julho de 2006

Era uma vez - XXXI
A cela dos travestis


Não sei por que, pois nunca tive acesso ao térreo do Pavilhão 2 do Presídio Tiradentes, mas bem embaixo do Xadrez 12, onde eu morava, ficava o Xadrez 14, do Corró. Devia ser alguma diferença na geografia – digamos assim – dos dois andares.
Era nessa cela que ficavam os travestis.
Nada, para eles, era passível de comportamento discreto. Viviam todas as situações com exagero, exacerbação. Afinal eles (ou elas) talvez estivessem sempre entre os mais perigosos habitantes do corró.
Nós, quietos moradores da 12, primeiro andar, tínhamos o privilégio (vá lá, digamos privilégio, sim, em algum sentido) de assistir – por meio das sombras projetadas na muralha próxima às janelas das celas, aos shows de striptease realizados a todo momento. Pode-se ao menos dizer que eram executados com capricho.
Mas também ouvíamos com freqüência gritos de dor e de fúria, resultados de lutas de vida ou morte entre eles. Tenho a forte impressão de que houve mortes ali, talvez várias.
Os travestis ajudavam os carcereiros a aumentarem seus rendimentos mensais. Volta e meia, eram levados ao longo da Ala (corredor das celas), expostos aos olhares de cobiça dos demais presos. Efetuada a venda, o carcereiro levava sua comissão.
Vez ou outra, um carcereiro levava alguns travestis para desfilarem no primeiro andar. Pura diversão, pois sabiam que os presos políticos não fariam negócio. Os travestis desfilavam super pintados, maquiados ao exagero, com roupas esvoaçantes. Legítimos Toulouse Lautrec.



Era – a um só tempo – distração e demonstração do ponto a que pode descer o ser humano.
O mito da caverna, aqui, se invertia: era bem melhor assistir às imagens na muralha do que confrontar-se com a realidade do desfile na Ala.

sexta-feira, 30 de junho de 2006

Médicos e spirits


Hoje fui ao Dr.Mistrorigo.
Gostaria de ter alguma doencinha, vez em quando, para ter uma justificativa de conversar com ele.
É um médico como já não se faz.
Quando casou, fez uma viagem à França – em lua-de-mel – em navio que demorava 16 dias na travessia do Atlântico. Logo de cara, percebeu que no mesmo navio viajavam Vinicius de Moraes e Pablo Neruda. Pensou:
- Vou bater altos papos com eles.
Ledo engano. Eles bebiam tanto que não estavam nunca disponíveis para um papo.
Em especial Neruda ficava em uma cabine vizinha à de Mistrorigo. Todo dia, pela manhã, Mistrorigo constatava uma garrafa de whisky descartada, à porta.
Quando chegaram à França, Neruda saiu do navio em maca, com crise de gota.
Mas, como bem lembrou Dr. Mistrorigo, não fosse todo esse whisky, talvez não houvesse toda a produção literária que se conhece, desses dois poetas.
De minha parte, cuido em ingerir altas quantidades de destilados. Mistrorigo quis saber quais. Detalhei: cachaça, grappa, bagaceira, vodka, gim, whisky, steinhäger, sakê etc.
Falta a poesia.

quinta-feira, 29 de junho de 2006

Linguagens da Copa


No Brasil é:
Oitavas de final
Quartas de final
Semi-finais
Final

Em Portugal:
Oitavos de final
Quartos de final
Meias finais
Final

Quer dizer: no Final, a gente concorda.

terça-feira, 27 de junho de 2006

Agora chega de trocadilho


Passado o jogo Brasil x Gana, espero que parem os trocadilhos com o nome do país adversário. Afinal, eles voltarão pra casa. E há outras formas de fazer graça.
Chega de dizer que a vitória foi enganosa, que não jogamos com gana, coisas assim.
Pelamordedeus.

segunda-feira, 26 de junho de 2006

Apesar do Filipão


Sofri um bocado, ontem.
Durante o jogo, por motivos óbvios. E depois, por constatar que a imprensa (pelo menos a brasileira) atribui a vitória ao Scolari.
Não vou discutir os méritos do Filipão no trabalho de formação da equipe portuguesa. Pode ser que sejam muitos.
Agora: durante o jogo, ele foi um desastre.
Já não basta insistir em fazer do Costinha titular. Mas depois do dito cujo fazer falta violenta logo no início e reincidir pouco depois, tendo o juiz russo deixado claro que na primeira oportunidade o colocaria fora do jogo, qual era a elementar obrigação do Scolari?
Trocar o Costinha, óbvio. Até eu percebi isso na hora.
Sabe-se lá por que cargas d’água, Filipão não fez o que devia fazer. O resto todo mundo já sabe.
Agora, que venha a Inglaterra.
E que o Filipão não atrapalhe.

sexta-feira, 23 de junho de 2006

Lições da Copa


Entendo pouco de futebol. Mas às vezes aprendo alguma coisa. Por exemplo, o técnico Parreira ensinou – certa vez – que o gol é um detalhe.
Agora nesta etapa da Copa 2006, aprofundei meu conhecimento. Uma rápida análise dos jogos mostrou-me que os técnicos têm horror a gol. Basta um jogador fazer gol, pronto: eles o substituem.

Veja se não tenho alguma razão:

Alemanha 4 x 2 Costa Rica

Klose marcou dois gols e foi substituído.

Equador 2 x 0 Polônia

Tenório e Delgado marcaram os gols e foram substituídos.

Equador 3 x 0 Costa Rica

Tenório insistiu em fazer gol. Foi substituído.

Polônia 2 x 1 Costa Rica

Ronald Gómez fez o gol da Costa Rica. Saiu.

Alemanha 3 x 0 Equador

Klose fez dois gols. Substituído.

Inglaterra 1 x 0 Paraguai

Gamarra fez gol contra. Ficou até o fim.

Paraguai 2 x 0 Trinidad e Tobago

Sancho (T & T) fez contra. Ficou até o fim.

Inglaterra 2 x 2 Suécia

Allbäck (Suécia) marcou. Saiu.

Argentina 2 x 1 Costa do Marfim

Crespo e Saviola marcaram. Foram ambos substituídos.

Argentina 6 x 0 Sérvia e Montenegro

Maxi Rodriguez fez dois gols. Saiu.

Holanda 2 x 1 Costa do Marfim

Bakari Kone, que fez o único gol de Costa do Marfim, foi tirado do time.
Van Nistelrooy, que fez o gol da vitória da Holanda, também foi substituído.

Costa do Marfim 3 x 2 Sérvia e Montenegro

Zigic fez um dos gols de S & M. Foi substituído.

Portugal 2 x 0 Irã

Deco fez gol e saiu.

República Tcheca 3 x 0 Estados Unidos

Rosicky e Koller fizeram os três gols e saíram.

(o time aprendeu a lição. Nos demais jogos não fez mais nenhum gol)

Itália 2 x 0 Gana

Iaquinta fez gol e saiu.

Gana 2 x 0 República Tcheca

Asamoah fez um dos gols e foi substituído.

Gana 2 x 1 Estados Unidos

Draman fez o primeiro gol de Gana. Adivinha. Isso mesmo. Saiu.

Brasil 2 x 0 Austrália

Adriano fez o primeiro. Substituído.

Espanha 4 x 0 Ucrânia

Xabi Alonso e Villa (2) marcaram três dos quatro gols. Foram embora mais cedo.

Ucrânia 1 x 0 Tunísia

Shevchenko fez o gol e tchau.

Viu só?

quinta-feira, 22 de junho de 2006

Dilema


Gostaria (lá venho eu com meus desejos) que Brasil e Portugal fizessem a final da Copa. Claro: seria a forma de eu ser campeão por antecipação. Certo?
Acontece que pra isso ser possível o Brasil tem de perder do Japão hoje (além da Austrália ganhar da Croácia e ainda dependendo de saldo de gols etc etc).
Não consigo me imaginar torcendo pelo Japão, contra o Brasil.
Como diria Lênin, Que fazer?

terça-feira, 20 de junho de 2006

Notícias escatológicas (I)


Hoje de manhã, a caminho do trabalho, rádio do carro sintonizado na rádio CBN. No ar, o papo diário entre Heródoto Barbeiro, o apresentador do jornal matinal, e os jornalistas Xexéo e Carlos Heitor Cony, que participam via celular.
Conversa vai, conversa vem, ouve-se – quase ao final – o inconfundível barulho de descarga de vaso sanitário.
Não sei quem teve a lúcida iniciativa de mandar a conversa pro devido lugar.

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Que sorte o Brasil tem


O Brasil é um país de sorte. E não só no futebol. Na política também.
Veja se não tenho razão.
Em 1.984, reuniu-se um Colégio Eleitoral para escolher entre Tancredo Neves (oposição) e Paulo Maluf (situação).
Todos sabem que Tancredo foi o escolhido.
Agora: imaginem só o que teria acontecido se Maluf tivesse sido eleito.
Logo depois de um desastroso governo, em que lançaria planos econômicos estapafúrdios (Plano Furado, Plano Furado II etc), conseguiria eleger um sucessor aventureiro (assim como o fez na Prefeitura de São Paulo, quando conseguiu emplacar o Pitta como sucessor).
Esse sucessor, provavelmente, quereria para si todo o butim. Seria, então, impedido pelo Congresso, já que todos são filhos de deus e precisam também de algum.
Assumiria em seu lugar algum obscuro vice. Mineiro, de preferência.
Cansados de tanta inépcia, os brasileiros entregariam então o poder a algum intelectual eminente. O dito cujo, do alto de sua sapiência, promoveria privatizações que ficariam conhecidas como privataria, dadas suas características de dilapidação do patrimônio público sem benefício correspondente.
Cansados de tanta competência (em benefício próprio, é verdade, mas who cares?), os incansáveis brasileiros mudariam de idéia: entregariam então o poder a um analfabeto.
E a lambança continuaria.
Mas, como todos sabem, nada disso aconteceu. O eleito foi o Tancredo.
Sorte nossa.

sábado, 10 de junho de 2006

Lembranças de Santos


Na verdade, lembranças da vida em família.

A casa era alta. Eu tinha de gritar para ser ouvido

Foi nessa casa que vivi meus últimos anos em uma família na qual eu não era o pai.
Ao contrário. Era o caçula, o escravo. Qualquer coisa: Beto, vai comprar isso, vai comprar aquilo. Beto, engraxa os sapatos do pai. Beto, sei lá.
Como era bom (e também não, não sejamos maniqueístas).
Vai daí, um dia minha irmã mais velha (ela vai me matar, quando vir que contei essa história aqui) estava menstruada. E faltava absorvente em casa.
Pronto. Tinha de ser o Beto.
Beto! Vai na farmácia comprar Modess. Mas, veja lá. Discreto. Chega junto do farmacêutico e pede baixinho.
Tudo bem. Lá foi o Beto.
Daqui a pouco volta. Lá da calçada grita pela irmã.
Ela aparece naquela sacada lá de cima.
- O farmacêutico disse que não tem Modess. Serve Miss?
A vizinhança toda ficou inteirada do que ocorria.

sexta-feira, 9 de junho de 2006

A comemoração

Parabéns!

Para comemorar o aniversário dela, fomos a Santos. Afinal, ambos nascemos lá.
Visitamos o centro histórico. Muito bem conservado.
A Bolsa de Café, outrora centro da riqueza do País. Prédio suntuoso, comme il faut.
Prédios antigos.
Não podia faltar a Praça Mauá, coração de Santos.
Depois a praia.
Prédios tortos. (é que eu sou um péssimo fotógrafo e não consigo passar para o leitor o quanto esses prédios estão tortos. Então pus umas setas pra ressaltar. Leve em consideração que a mureta com grade, em frente ao prédio, é que é a referência horizontal. Observe as setas à esquerda e à direita)
A casa em que ela nasceu. Era linda. Não é mais.
A última casa dela em Santos.
Minha última casa em Santos (quando eu morava lá, ela não era horrorosamente verde, assim como está).

Recordar, rever, é bom.

quinta-feira, 8 de junho de 2006

E deus criou a mulher


Pelo menos a minha foi criada no dia de hoje, há alguns anos. Iremos a Santos (afinal ambos nascemos lá) almoçar e curtir a data.
À meia-noite, estávamos no Genésio, Vila Madalena. Cantamos parabéns pra ela. Ordisi, Branco, as respectivas e eu.
Que a vida continue linda, amor.

quarta-feira, 7 de junho de 2006

Blogue com moderação


Hoje não vou postar nada. Saí para encontrar-me com Ordisi Raluz e Branco Leone. As respectivas estarão presentes.
O que é certo: tomaremos umas cachaças, uns choppinhos, comeremos uns bolinhos de carne, coisas assim.
Deus sabe o que mais virá.

Inutílcias


Por que os assassinos irmãos Cravinhos estão presos e a assassina Suzane está solta?
Porque a Suzane é Richthofen.
E os irmãos Cravinhos são Poorthofen.

terça-feira, 6 de junho de 2006

sábado, 3 de junho de 2006

Direito de não ficar doente


Meu cunhado foi quem me chamou a atenção para isso: a Constituição cidadã, de 1.988, não dá direito a assistência médica. Dá direito a saúde.
Daí o s-tevao:

CLIQUE

sexta-feira, 2 de junho de 2006

O livro e o blog


O livro tem uma, digamos, materialidade que o blog não tem. Tem peso, volume, cheiro. Principalmente cheiro. Que delícia, o cheiro de livros.
Certo. Isso, pra mim, é vantagem.
Há outras, claro.
Mas, na relação com o leitor, o livro é a prostituta.
Você vai ao bordel, melhor, à livraria, escolhe nas prateleiras um livro, paga por ele e o leva embora. Embora o leve, nem sempre o lê. Utiliza-se dele a seu bel prazer (eu sabia que um dia ainda conseguiria encaixar esse bel prazer em algum texto), depois o deixa em uma estante do escritório de sua casa. Ou, pior, relega o coitadinho a algum sebo empoeirado, desses do centro da cidade.
O blog não.
O blog você conhece por meio de algum amigo ou amiga que o recomenda. Ou por meio do Google, o que vem a dar no mesmo. O Google é o melhor amigo do homem na Internet. Parodiando o poetinha, o Google é o cachorro informatizado.
Estabelecido o contato, que é grátis (claro que para encontrá-lo você pagou um sistema qualquer de banda larga ou de linha discada, pagou um provedor etc e tal. Mas para encontrar-se com uma pessoa que seja um potencial relacionamento amoroso você sempre gasta algum), tudo pode acontecer: insatisfação total ou amor à leitura dos primeiros posts.
Se o caso for o último, estabelece-se uma relação duradoura. Quase todo dia você vai querer dar uma espiadinha no blog, fazer um comentário.
Aliás, essa é outra diferença fundamental. No livro, você pode, claro, escrever para o autor (se ele for vivo), por carta ou por e-mail. Mas é algo meio fora do padrão. E, além disso, algo do tipo one of a kind. Você não vai ficar a escrever ao autor toda semana.
No blog, tudo é diferente. Você pode fazer comentários todos os dias. Alguns leitores chegam a enlouquecer o blogueiro, com seus comentários. Tudo normal, aceitável.
O blog é amante. O blog é paixão, amor, relação que dura – pelo menos – mais que o tempo de uma única leitura de final de semana.
Do livro você guarda a sensação da leitura única. Essa será a que vai perdurar pelo resto da vida. A menos de uma releitura, ficção que costuma só existir em textos de críticos literários.
Do blog não. Dele você terá sensações diferentes a cada dia, mixed feelings cambiantes, com o passar do tempo. Tal como em uma relação amorosa.
Meu amigo Zezinho, do alto de sua vasta experiência, costumava dizer que a prostituição jamais acabaria. Talvez, do mesmo modo, os livros não acabem.
Mas o tempo é dos blogs.

terça-feira, 30 de maio de 2006

e-stevao papal


"Onde estava Deus?", pergunta Bento 16


Em emotiva visita ao campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, pontífice diz ser impossível entender "triunfo do mal". (Folha de S.Paulo, 29/05/2006, só para assinantes do UOL ou da Folha)

Daí:

CLIQUE

sábado, 27 de maio de 2006

e-stevaos


Carlos Estevão foi o cartunista das dicotomias.
Exemplos disso são estes.

Mas o que mais me agrada nele são os jogos de real – sombra.
Este aí embaixo é um exemplo pálido.

Há toda uma série que lida com sombras: As Aparências Enganam

Resolvi adaptar esses jogos dicotômicos à Internet.
É simples. Ao invés de apresentar o contraponto por meio de sombra, vai-se da tese à antítese por meio de um clique do mouse (rato).
Assim:

CLIQUE

E, para homenagear Carlos Estevão, resolvi chamar tais jogos de e-stevaos. Assim, sem acento e sem til. Mas pronuncia-se istêvãos.

sexta-feira, 26 de maio de 2006

Professor Cauby


Segunda à noite, 22, Bar Brahma.
Pra ver e ouvir Cauby Peixoto.
Esqueci de carregar a bateria da máquina. Só deu pra tirar esta foto. Mas o som, que realmente é o que importa, no caso, você vai ter de ouvir lá
O garoto mal consegue andar. Tem de ser ajudado, ao chegar e ao sair. E nem é tão velho assim (72).
Mas a voz.
Com essa ele faz rigorosamente o que quer.
Quem mora em São Paulo, ou tem como dar um pulinho aqui, não perca. Só que tem de reservar com várias semanas de antecedência.

Agora já estou me preparando pra assistir ao show de Jamelão.
Que, por sinal, faz 95 anos esta semana.
(e manda três doses de whisky cowboy durante o show, de mais de duas horas).

Um Rio de Janeiro bucólico


Depois da festa de minha tia Clarisse, foi a vez de passar um domingo com as irmãs e os cunhados.
Surpresa: o apartamento de minha irmã mais nova, na Barra, não parece estar no Rio de Janeiro. Do condomínio, caminha-se até o embarcadouro da lagoa que nos separa do mar. A travessia é rápida. Alguns poucos minutinhos. A reserva florestal é exuberante.



Eis a praia. Água límpida, com vários tons de azul.

O retorno:

(com direito a plantação de cactos no telhado de casa abandonada)

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Os 70 anos de minha tia Clarisse


Começo por explicar que meu avô materno, Vicente, filho de italianos, era o que hoje se chama um garanhão. Casou-se com minha avó Amélia quando ela tinha 16 aninhos. Ela teve quatro filhos em seqüência anual: Celina, Antero, Olinda e um tio meu que morreu criança (Silas). Aos 22 anos Amélia morreu, vítima da febre amarela. Que fêz Vicente? Casou-se com a irmã de Amélia, tia Tuta. Daí nasceram meus tios Afrânio e Paulo. Afrânio sofreu acidente de trem aos 4 anos (ou algo assim). Ficou sem um braço e sem uma perna. E vive maravilhosamente bem até hoje. Já teve várias esposas (com as quais teve vários filhos). Agora, após os oitenta anos, acaba de arrumar nova companheira. Jovem, claro. Preciso lembrar de perguntar a ele qual é o segredo disso.
Ao morrer a tia Tuta, meu avô Vicente casou-se com uma linda mulher de olhos claros (nunca sei se eram verdes ou azuis). Dona Chiquinha.
E vieram Vadinho e Clarisse. Meus tios últimos.
A grande lição que Vadinho me deu, já lá se vão vários anos, foi:
A coisa de que mais gosta um careca é pente.
Tens toda razão, tio. Hoje sei.
Minha tia Clarisse é fantástica. Conseguiu achar um gaúcho excelente e casou-se com ele. Considere-se que achar um gaúcho excelente não é pra qualquer um (pronto, perdi vários leitores gaúchos). E tem blog, pode?
Bom. Dito isto, aí vão algumas fotos da comemoração dos 70 anos de Clarisse, minha tia que conseguiu misturar, na fisionomia, minha tia Olinda e minha mãe, Celina. Quer mais?
Clarisse e o indefectível bolo
tio Afrânio faz seu discurso
Tia Clarisse e seu maravilhoso gaúcho
Esta foto, ah esta foto. Aí estão os meus tios Paulo, Afrânio, Clarisse e Vadinho. Faltam meus tios Antero e Olinda. Já se foram. E minha mãe, Celina, que era considerada mãe, por todos eles. Essa, é figurinha carimbada. Pelo que aparece na foto e, também, pelo que não aparece.
Figurinha carimbada: meus tios

Deixa contar ainda um detalhe precioso sobre meu avô Vicente:
Meu pai estava noivo de minha mãe, quando descobriu (em algum exame) que tinha sífilis (teria aparecido algo como três cruzes no exame dele).
Foi até a casa de meu avô e declarou, solene:
Não posso casar com sua filha porque tenho três cruzes no sangue.
E meu avô Vicente:
Deixa disso. Eu tenho um cemitério no sangue.
Meu pai casou-se com minha mãe e a sífilis sumiu.

segunda-feira, 22 de maio de 2006

Síndrome de blogstinência


Sábado fomos ao Rio. Comemorar os setentinha de minha tia Clarisse. Domingo, passeio na Barra, com minha irmã e meu cunhado. Sem falar no neto, maravilhoso.
Tudo muito bom. Logo, logo, explico melhor e mostro algumas fotos.
Por enquanto, confesso que tive uma leve crise de blogstinência. Abstinência de blogs. Doença incurável.

sexta-feira, 19 de maio de 2006

Falência


Alguém lembrou: essa polêmica toda sobre o bloqueio de uso de celulares em presídios seria resolvida de maneira simples: não permitir que os presos carregassem as baterias dos celulares (basta eliminar as tomadas de energia elétrica das celas e tornar inacessível a lâmpada do teto.)
Mas isso não é possível. Os presos têm o controle dos presídios.
Ou não?