quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Sobre o prefixo pen


Ao escrever o Último post sobre política brasileira desprezei o conselho de velho amigo:

Nunca diga último isso, último aquilo. Principalmente nunca diga esta é minha última dose.
Diga sempre penúltimo, penúltima.

Isso ele dizia porque pen vem do latim paene (ou pene), que significa quase (por exemplo, paene dixi significa Eu quase disse (Cícero)).
Portanto, quando você disser Vou tomar o penúltimo cálice de cognac, por exemplo, você não estará – pelo menos etimologicamente – a assumir nenhum compromisso mais sério. Você simplesmente estará a dizer que se trata quase do último cálice.
Dito isso, admito que estou em crise de abstinência de comentários políticos, principalmente quanto ao folclore político. Que, no Brasil, convenhamos, é fantástico.

domingo, 8 de outubro de 2006

O professor Figueiredo


1968. Eu dava aulas no CAPI – cursinho preparatório para vestibulares.
Toda noite, depois das aulas, lá pelas 11 e meia, nós, os professores (quase todos) e o Farina, diretor, íamos para algum restaurante, jantar. Quase sempre no Largo do Arouche ou na Maria Antonia.
O detalhe de que às 7 da matina (às vezes às 6) eu já deveria estar novamente dando aula não impedia que ficássemos conversando e bebendo até duas, três da madrugada. Quase todo dia. Juventude serve pra isso.
Discutia-se política, falava-se de costumes, fazia-se muita piada com quase tudo.
Entre os professores que não participavam da turma, havia um de Matemática, o professor Figueiredo. Mais velho que todos nós, andava sempre de terno e ninguém sabia ao certo de onde ele surgira.
Um dia, na saída para o jantar, perguntamos se ele não queria ir conosco. Sujeito calado, pouca conversa, simplesmente aquiesceu.
Íamos à pé pelas ruas do centro de São Paulo, como sempre.
A certa altura ele perguntou aonde iríamos.
Por gentileza, alguém perguntou se ele tinha alguma sugestão de lugar.
Surpresa: ele tinha sugestão.
Seguimos o professor Figueiredo.
Levou-nos até a Galeria Metrópole, Avenida São Luis.
Sem hesitar, entrou em uma boate cheia de mulheres à espera de fregueses.
Nós outros, em fila indiana, constrangidos, agradecíamos a pouca luz do ambiente, que pelo menos nos resguardava do que considerávamos um vexame. Fomos entrando.
No pequeno palco, um grupo musical, sanfonas e coisas assim, distraía a pequena platéia com baiões, xotes e xaxados.
De repente, mais surpresa.
O grupo musical pára de tocar. O líder do conjunto fala ao microfone:
- Estamos recebendo com enorme prazer
PROFESSOR FIGUEIREDO E SEUS AMIGOS!!!!!!
E o discreto dito cujo, despindo abruptamente seu caráter reservado, responde com seu grito de guerra:
SEGUUUURA, BAITOLA!!!
Todos nos perguntávamos por que – nessas horas – a Terra não se abre, acolhedora.

sábado, 7 de outubro de 2006

Último post sobre política brasileira


Vou dizer o que penso dessa eleição. Depois disso, pretendo não tocar mais em política brasileira.
O PT e o PSDB estão manipulando, de modo criminoso, a política brasileira.
O PT sempre foi um grupo de aloprados. Mas, de uns quinze anos a esta parte, transformou-se em grupo mafioso. Justamente por isso, não entro em detalhes. Não tenho provas e sou medroso. É isso. Tenho realmente medo desses caras.
Quanto ao PSDB, nem pensar.
Até os já mortos, tipo Covas, que estão se transformando em heróis – não sei do quê – têm folha corrida. Ou ninguém mais se lembra do filhinho dele. Também não digo nada. Não tenho provas. Tenho medo.
Tenho medo de Zé Dirceu. Tenho medo de Zé Serra.
Na ditadura militar, havia tortura. Agora, pessoas morrem e ninguém fica sabendo como, nem porque.
Não vejo alternativa. São Paulo, por exemplo, elegeu quem elegeu. Voz do povo, voz de Deus.
Como não acredito em Deus, quero apenas ir embora desse país.
Tão logo me seja possível.
Daqui pra frente, só discuto amenidades.

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

Blog não é Jornal, Jornal não é Bíblia


Minhas caras e meus caros, como diria se fosse candidato. Ou talvez fosse melhor dizer: minhas caras e meus coroas. Sei lá. Ao que interessa.
Recebi vários e-mails denunciando a tal ONG Sociedade dos Amigos de Plutão. No começo não dei muita bola. Cada um faz a ONG que bem entender. Mas quando li que o governo tinha dado 7,5 milhões de reais pra dita cuja, com direito a publicação no Diário Oficial da União e tudo, resolvi conferir.
Claro que é tudo mentirinha.
Mas o interessante é que muita gente ao invés de conferir, publicou. E com indignação.
Além das correntes de e-mail, capazes de tudo e mais um pouco, como quase todo mundo já sabe, os blogs saíram alardeando a denúncia. Só uma consultazinha ao Google e achei isto, isto, e mais isto.
Hoje de manhã, estava lendo este blog (que constava do resultado da pesquisa). Ao dar refresh na página, o post com a patriótica denúncia da tal ONG, que era de quarta-feira, 4/10/2006, sumiu. Foi substituído por este e, logo em seguida, por mais este.
Tive que recuperar o post original com o recurso do Em cache.
Ora, dirão meus doutíssimos leitores, blog é algo sem grandes responsabilidades. Tá bom. Vá lá que seja.
Mas e os colunistas famosos?
Entraram nessa: o Carlos Chagas, o Cláudio Humberto (baixar a página até a nota Mundo da Lua) e sabe-se lá quem mais.
Até no Senado a coisa foi parar, graças à crendice do senador Heráclito Fortes (ver vídeo).
Tudo graças a um segundo turno à vista.
E, aqui entre nós, graças à preguiça de correr atrás e conferir as fontes.
Ah. Por falar nisso, da próxima vez que vocês ouvirem dizer que algo saiu no Diário Oficial, basta fazer uma consulta aqui.

E lembro o conselho de minha mãe: devagar com o andor, o santo é de barro.


Atualização: Bastou publicar este post e percebi: a primeira referência das três que faço a blogs, aí em cima, corresponde ao blog do Moita. O tal Moita simplesmente apagou o post, que pode ser lido aqui, em cache. Esse blog do Moita faz campanha pesada contra o Lula. Sorte do Lula.
Já a segunda referência a blogs, das três que faço aí em cima, reporta-se ao Blog do Ribeiro, cujo comportamento foi correto: manteve o post, inclusive com comentários críticos. Graças a isso, fiquei sabendo que Carlos Chagas retratou-se.
A terceira referência que faço a blogs aponta para o blog Biajoni!, que acrescenta ao post em questão um comentário do autor do blog, dizendo ser imbecilidade acreditar na história da ONG.
Quanto à retratação do Carlos Chagas, julgue você.

Nova atualização (10/10/2006): O Biajoni me avisa que o comentário dizendo ser imbecilidade acreditar na história da ONG não foi dele e, sim, de um leitor do blog dele. Ele tem razão. Meu engano decorreu de haver uma nota sobre o You Tube, assinada pelo Biajoni, logo acima do tal comentário. Peço desculpas pelo erro. A meu ver, o importante foi que tanto o Biajoni quanto o Ribeiro não retiraram os posts equivocados. Ao contrário do tal Moita.

Mordam-se de inveja


Felicidade é passar o Natal em Passos. Ainda por cima com a primogênita e a neta. E tudo isso está para acontecer neste ano da graça de 2.006.
Amém.

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Alckmin e seus fios desencapados


O prefeito Cesar Maia, do Rio de Janeiro, aliado de Geraldo Alckmin, pergunta hoje em seu ex-blog:

S.PAULO ANISTIA JUROS E MULTAS DO ICMS !
Hum! Em geral é medida para quem precisa de caixa! O que houve com S. Paulo?


Josias de Souza respondeu a essa pergunta, semana passada, citando a coluna de Mônica Bérgamo, na Folha. Leia aqui.

Tudo indica que o choque de gestão deu curto circuito.

Profeta do passado


Ontem escrevi aí embaixo que tucanos e petistas ainda fariam aliança. E não demoraria muito pra que isso acontecesse.
Não só não demorou como já tinha acontecido.
Vejam o que relata Mônica Bérgamo em sua coluna de hoje na Folha de S.Paulo:


ACORDO ROMPIDO
De um dos parlamentares mais bem votados do PT no país em jantar com empresários, anteontem: “Vamos ser claros. Existia um acordo entre nós [PT] e o PSDB: o próximo governo era nosso, do Lula. O de 2010 seria do José Serra ou do Aécio Neves, sem problemas. Com a vitória do Alckmin, esse acordo será rompido. E o Alckmin vai ter derrotado o Serra, o Aécio, o Fernando Henrique Cardoso, o Lula, todo mundo”. A platéia ouvia, algo perplexa.


Perplexa porque quer. Bastaria ler aqui o Meu Bazar de Ideias.
Tá certo que com algum atraso.

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Brahma e Antarctica


Não faz muito tempo, vários amigos e parentes meus tinham preferências bem definidas: uns só tomavam Brahma. Para outros, cerveja que se prezasse era Antarctica.

O tempo passou e eis que de repente surgiu a AmBev, fusão de Brahma e Antarctica.

Tudo bem que os caras tiveram o bom senso de manter as marcas tradicionais. Mas os fanáticos de um e de outro lado ficaram, mesmo assim, com cara de tacho, como se dizia no tempo de minha mãe.

Lembro disso a propósito do início desse 2º turno das eleições presidenciais brasileiras.

Penso que, ao longo dos próximos vinte e poucos dias, a hostilidade entre petistas e tucanos crescerá ainda mais. E olha que a coisa já vinha fervendo.

Quanto mais semelhantes ficam tucanos e petistas, mais a torcida acirra seus ânimos. Meus amigos petistas vêem conspirações das elites em cada esquina. Meus amigos tucanos não se cansam de gritar Fora Apedeuta!, esquecidos de que muito provavelmente aprenderam essa palavra graças ao Lula.

Não se passará esta geração (como já disse Jesus em uma de tantas profecias que não se concretizaram. No caso, falando de sua volta triunfal à Terra) sem que vejamos tucanos e petistas irmanados em prol da manutenção do poder.

E todos, vermelhos e azuis, beberão cerveja da AmBev.

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Se a eleição para Deputado Federal fosse majoritária


A bancada de São Paulo, de 70 deputados, foi composta de acordo com os critérios da eleição proporcional, exposto no post abaixo.
Caso a eleição para Deputado Federal fosse majoritária, estado por estado, a bancada de São Paulo sofreria as seguintes modificações:

Os 58 primeiros se elegeriam do mesmo modo.
Isso significa:
PP – 3 deputados
(Maluf, Celso Russomano e Vadão)
PTC – 1 deputado
(Clodovil)
PRONA – 1 deputado
(Enéas)
PSDB – 17 deputados
(Emanuel, Edson Aparecido, Thame, Renato Amary, Walter Feldman, Duarte Nogueira, Julio Semeghini, Trípoli, Arnaldo Madeira, Vanderlei Macris, Silvio Torres, José Aníbal, Paulo Renato Souza, Lobbe, William Woo, Fernando Fuad Chucre e Pannunzio)
PDT – 2 deputados
(Paulinho da Força e Reinaldo Nogueira)
PSB – 3 deputados
(Marcio França, Luiza Erundina e Dr. Ubiali)
PFL – 5 deputados
(Dr. Pinotti, Jorge Tadeu, Silvinho Peccioli, Guilherme Campos e Walter Ihoshi)
PPS – 1 deputado
(Arnaldo Jardim)
PT – 14 deputados
(João Paulo Cunha, Arlindo Chinaglia, Antonio Palocci, Jilmar Tatto, Zarattini, José Eduardo Cardozo, Vaccarezza, Janete Pietá, Paulo Teixeira, Ricardo Berzoini, José Mentor, Genoíno, Vicentinho e Devanir Ribeiro)
PC do B – 1 deputado
(Aldo Rebelo)
PTB – 4 deputados
(Ricardo Izar, Frank Aguiar, Nelson Marquezelli e Arnaldo Faria de Sá)
PL – 2 deputados
(Milton Monti e Valdemar Costa Neto)
PMDB – 3 deputados
(Antonio Bulhões, Francisco Rossi de Almeida e Michel Temer)
PSOL – 1 deputado
(Ivan Valente)

Vai daí, esses estariam eleitos por qualquer dos critérios.

Há 12 candidatos que foram eleitos e não o seriam no esquema majoritário. São:
PV – 5 deputados
(Dr Talmir, Roberto Santiago, Marcelo Ortiz, Toffano e Dr. Nechar)
Acontece que os cinco tiveram boas votações, muito próximas entre si (entre 40 e 60 mil) e um pouco abaixo da votação do 70º colocado (aproximadamente 78 mil). Isolados, nenhum deles se elegeria. Juntos, levaram para o PV uma boa votação que lhe rendeu cinco cadeiras. No critério majoritário o PV não teria representante na bancada paulista na Câmara.
PP – 3 deputados
(Beto Mansur, Aline Correa e Marcelo Mariano)
Esses três foram no vácuo de Maluf e Russomano.
Uma bancada que seria de três, pelo critério majoritário, pulou para seis deputados.
Quatro partidos ganharam um deputado a mais cada um:
PSB (Edinho Montemor)
PDT (Dado)
PSC (Regis de Oliveira)
PTC (Cel Paes de Lira, a menor votação entre os eleitos: 6.673 votos)

Reparem que no PV, do qual se espera maior coesão programática, o critério proporcional gerou uma bela bancada. O critério majoritário deixaria o PV fora.
Já no caso mais gritante, o do PTC, Clodovil arrastou consigo um coronel linha dura, contrário em quase tudo às idéias de Clodovil. Neste caso, como se trata de um partido sem identidade programática, o critério proporcional gera uma anomalia desse teor. Os eleitores de Clodovil elegeram, de quebra, o coronel que é o avesso daquilo em que votaram.

Por fim, os azarados, ou seja: os que seriam eleitos pelo critério majoritário mas ficaram de fora para ceder seus lugares aos acima nomeados:
Os doze são:
PFL – 4 candidatos
(Jorginho Maluly, Bispo Gê, Milton Vieira e Eleuses Paiva)
PMDB – 2 candidatos
(Paulo Lima e Professor Benjamin)
PTB – 2 candidatos
(Pastor Jefferson e Roberto de Jesus)
PT – 2 candidatos
(Telma de Souza e Oswaldo Dias)
PL – 1 candidato
(Souza Santos)
PSDB – 1 candidato
(Jose Carlos Stangarlini)

Um detalhe que me chamou a atenção: dois ex-prefeitos de Santos, Beto Mansur e Telma de Souza, ficaram em situações opostas. O primeiro não estava entre os 70 mais votados e foi eleito (67.447 votos). Telma de Oliveira era um dos 70 mais bem votados (89.637 votos) e ficou fora.

Coisas do sistema proporcional.

Mecanismo das eleições proporcionais


Nas eleições majoritárias, ganha quem tem mais voto. Ponto.
Nas proporcionais, para a Câmara Federal e para as Assembléias Estaduais (e a Distrital, de Brasília), a coisa é diferente.
Você tem de pegar o total de votos válidos (votos em candidatos ou em legenda) e dividir pelo número de deputados que a bancada do Estado deverá ter. Por exemplo: São Paulo tem uma bancada de 70 deputados federais. Então você divide o total de votos válidos por 70. Provavelmente não dá um número exato, mas você despreza o que vem depois da vírgula. Fica só com a parte inteira. Isso é o que se chama de quociente eleitoral.

Aí você começa a distribuir as vagas para cada partido ou coligação de partidos. Essa distribuição é feita assim:
Para o partido ou coligação A, você considera o total de votos válidos que os candidatos de A tiveram, mais os dados à legenda A (sem indicação de candidato). E vê quantos quocientes eleitorais cabem nesse total. Por exemplo, se o quociente eleitoral é 100.000 e o partido ou coligação A teve 520.000 votos, o quociente eleitoral cabe cinco vezes nesse total (e sobram 20.000. Depois a gente vê o que faz com as sobras).
Vai daí, o partido ou coligação A já garantiu 5 vagas na bancada paulista na Câmara.
Isso você faz para cada partido ou coligação. E distribui vagas por esses partidos ou coligações.
Como vão existir várias sobras, nem todas as 70 vagas vão ser distribuídas nessa primeira etapa. Por exemplo, há quatro anos, essa primeira etapa distribuiu 60 vagas. Sobraram dez a serem distribuídas.
Aí você pega o total de votos de cada partido ou coligação e divide pelo número de vagas que ele já garantiu, na primeira distribuição, mais um.
O partido ou coligação que tiver o resultado maior, nessa conta indicada acima, fica com uma vaga a mais.
Repete-se novamente essa operação para distribuir mais uma vaga das que sobraram. Só que, agora, o partido ou coligação que ganhou a primeira sobra, vai ter o seu total de votos dividido pelo número de vagas garantidas no início mais dois, enquanto os demais vão continuar a dividir seus totais de votos pelo número de vagas garantidas inicialmente, mais um. Quem tiver o maior resultado leva a segunda sobra. Isso até distribuir todas as sobras.
No final desse processo, ficaremos sabendo quantos deputados, dos 70 a que São Paulo tem direito, cada partido ou coligação terá.
Exemplo: se os partidos fossem cinco, digamos que a distribuição ficasse assim:
Partido ou coligação:
A – 22 vagas
B – 16 vagas
C – 13 vagas
D - 11 vagas
E - 8 vagas
Só agora você vai se interessar pela votação individual de cada candidato.
Dentro do partido ou coligação A, você pega os 22 mais votados.
Dentro do partido ou coligação B, você pega os 16 mais votados.
E assim por diante.

É por isso que – às vezes – acontece de candidatos com votação pífia se elegerem. O partido E, por exemplo, ficou com oito vagas. Quando você vai olhar os mais votados desse partido pra escolher os oito primeiros, você pode constatar que o primeiro colocado teve quase a totalidade dos votos dados ao partido E. Mas serão oito os eleitos. Portanto, os demais sete vão no vácuo do primeiro colocado, para usar uma expressão típica de corrida de automóveis.
Inversamente, você pode ter um partido com muitos candidatos com votação expressiva. Por exemplo, o partido B, que tem direito a 16 vagas, teve – digamos – 20 candidatos com boa votação. Portanto, quatro deles ficarão de fora.

Deu pra entender?

A idéia por trás desse procedimento todo é a de valorizar os partidos, não os candidatos individualmente. O raciocínio é o de que os votos foram dados aos partidos. Quanto mais votos teve o partido, mais deputados ele terá. Quais os deputados o partido elegerá é o que menos importa.
Mas... como no Brasil a gente sabe que não é assim que a maioria vota, esse critério soa como injusto e despropositado. Na verdade, é a nossa mentalidade política que está fora de foco.

sábado, 30 de setembro de 2006

Declaração de Voto

Clique e aumente o som. Ouça o que se pode dizer neste momento

Presidência da República


Ia anular o voto.
Resolvi votar no Cristovam Buarque. Por duas razões:

1. Homenagem minha à prioridade à Educação.

2. Certeza de que não há o menor risco de ele ganhar.

Governo de São Paulo


VOTO NULO.

Senado - São Paulo


Dos vários candidatos à vaga de senador por São Paulo, só três podem ser considerados: Alda, Suplicy e Afif.
Anulo o voto.

Para Deputado Federal - São Paulo


Para a Câmara, as alternativas são maiores.
Se você quiser homenagear a turma dos mensalões, quebras de sigilo, dossiês etc etc, pode escolher o lado mau (Palocci, Genoíno, Professor Luizinho, João Paulo, José Mentor, Ângela Guadagnin, Berzoini, Vadão, Valdemar Costa Neto) ou o lado bom (Fernanda Karina, Ricardo Izar).
Há, também, candidatos incolores e inodoros. Água Rebelo, ops, Aldo Rebelo, por exemplo. Assim você privilegia aquele importantíssimo projeto dele de proibir o uso de palavras não vernáculas.
Agora: se você gosta de mulheres agressivas, a oferta é variada: Dra. Havanir, Maria Cristina Mendes Caldeira. Esta última leva vantagem. Como seu ex provavelmente será eleito (o Valdemar Costa Neto), vai ser divertido ver os barracos que ela vai armar com ele, no Congresso. Ele que se cuide.
Se você sente saudades do tempo em que as comissões eram só de 10%, pode ir com nosso velho Embaixador 10% (era assim que ele era conhecido na França, quando embaixador), o Delfim Netto.
Há, ainda, o aristocrático Paulo Renato Souza. Ministro da Educação do Fernando Henrique, primeiro sonhou com a Presidência. Baixou depois a bola: Governo de São Paulo. Pretensões logo rebaixadas ao Senado. Acabou relegado à Câmara. Periga perder eleição pra síndico de prédio.
Minhas homenagens a dois prefeitos de minha terra natal: Santos. Beto Mansur e Telma de Souza, cada um a seu modo, foram excelentes prefeitos. Ambos candidatos.
Mas fico dividido entre Arnaldo Jardim e Luíza Erundina.
Os dois merecem meu respeito. Até domingo decido.

Para Deputado Estadual - São Paulo


Numa última tentativa desesperada de fugir do voto nulo, fui examinar a lista de candidatos à insigne Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.
Dos candidatos que já conheço, quero distância. Dos desconhecidos, chamam a atençao os de nomes esdrúxulos.
Há vários que associam seus nomes a profissões: é um tal de Fulano da Farmácia, Beltrano Bombeiro etc etc.
E há os simplesmente ridículos:
Adão Pingüim (o Ordisi que se cuide), Dr. Saulo Médico da Família, Domingão Homem de Fé, Dirceu Paulo Stocco (Lennon), Fofão, Generino Genérico, Geraldinho, o Iluminado, Geraldo do Gás, Hulk, Mixirica, Moura Projeto Metrô, Nilton Gaiola, Pedasilva, Quito Formiga, Raul Seixas de Itu, Robson o Belo, Val Brito (Não Conhecimento do Pedido).

Mas tenho quase certeza que meu voto vai pra:

Francisco de Sales Rodrigues, PDT, nº 12124. A Salete Campari.

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

O defeito se espalha


O chefe da campanha de Mercadante, o tal de Hamilton Lacerda, é do PT, claro. Até aí, nada. Não sei se ele tem língua presa.
Mas dá pra perceber que ele é vesgo. Quer dizer, tem olho preso.

Olha os óinho dele

Essa turma tem mesmo vocação pra prisão.

Debate na Globo - Presidência


Foi. Foi chatérrimo.

Bonner com sua habitual assepsia
cadeira vazia
quase iguais. O 'quase' é a favor de Cristovam
mente vazia
água e óleo
espírito vago
Chuchu e Pimenta
caráter ausente
Lamentável
burras cheias
Lula poderia dizer: Eu sou você amanhã
Palavra Zero
Campanha de uma nota só. A nota certa
Podrão

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Lula não vai ao debate na Globo


Isto parece querer dizer o seguinte:
Como pesquisas indicaram que não ir ao debate tiraria de Lula dois ou três pontos percentuais, ele deve ter recebido, durante a tarde, pesquisas que o colocam com diferença bem maior que isso em relação à soma dos demais candidatos.
Portanto, preparem-se. Vai dar Lula em primeiro turno.
Com coisa tipo 53% a 55% dos votos válidos.
A menos que Jesus Cristo entre em cadeia nacional, pedindo votos para Geraldo. Mesmo assim, que essa aparição se dê em algum dos intervalos da novela das oito.
Agora, cá entre nós. Jesus não se prestaria a esse papel. O tal Geraldo é pior que tarde de sábado na casa da sogra.
De resto, vamos ao debate.
Tomara seja engraçado, pelo menos.

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Debate na Globo – Governo de São Paulo


E não é que o debate foi divertido?
O Serra foi (nos dois sentidos: foi ao debate e foi divertido). Além dele: Mercadante, Quércia, Plínio e Apolinário.


Os blocos eram cinco: quatro de perguntas entre os candidatos, o último para considerações finais. Dos blocos de perguntas, dois eram sobre assuntos determinados (sorteados pelo Chico Pinheiro), dois de assuntos livres.


Mercadante atropelou, logo no primeiro bloco. Apesar do assunto ser determinado, partiu pra falar do dossiê contra os tucanos. Disse que não admitia que correligionários seus fizessem o que fizeram. No resto do programa, sempre que dizia que iria formar equipe pra enfrentar esse ou aquele problema, o espectador se via no direito de se perguntar: como vai coordenar tudo isso se não tinha controle sobre o chefe de sua própria campanha?
De resto, continuou como aquele protagonista de antigo filme nacional (O céu é o limite, com Anselmo Duarte), aquele que sabia a lista telefônica de cor. Ele sabe até quantos grãos de areia há em Ipanema.


Serra, depois de ouvir inúmeras críticas aos doze anos de descalabro administrativo do PSDB, reclamou: os adversários tinham de parar de falar em PSDB e dar nome aos bois. Houvera governo Covas, houvera governo Geraldo Alckmin.
Tipo: PSDB quem, cara pálida?! Eu sou o Serra!


Quércia encheu a bola de Mercadante. Falou em educação isso, educação aquilo. Mas não disse se vai reembolsar os gastos que tive com os estudos dos meus filhos, que ele fez saírem da escola pública depois de as avacalhar completamente, quando foi governador.


Quanto a Carlos Apolinário: seu maior trunfo – além de repetir inúmeras vezes que não roubou nada de ninguém – foi ostentar a economia de 5 milhões de reais que fez como presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo. Para mim, isso basta. Vá ter noção de proporção assim no inferno.


Plínio de Arruda Sampaio (que belo e quatrocentão nome!), mostrou as fragilidades dos argumentos dos outros e propôs o retorno imediato ao século XIX: socialismo já!
Arrudinha estava nos seus melhores dias.


Minha adorada Doga – aboletada em sua almofada preferida – sentenciou:
Vota nesse cara. Ele é supimpa. E tem a grande vantagem de não levar o menor perigo de ganhar.
Sábia Doga.


E assim, fim

Clique e assista ao debate


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