terça-feira, 22 de agosto de 2006
O desespero da classe média
Deu paúra. A turma resolveu se mobilizar. Vez ou outra, isso ocorre. Desde quando esse Brazilsão foi pro brejo. Faz tempo. Mas agora o pessoal achou que deve fazer alguma coisa. Marcha com Deus, família, o que mais?
Desisti de tudo isso faz algum tempo. Décadas, talvez. Mas o povo vai nascendo, as coisas têm de se repetir. A garotada não viveu o que passou. Tem de viver tudo de novo.
Vamos lá. Gritem. Gretchen. Reclamem. Digam que não estão gostando.
Tudo vai continuar como está.
Falta é educação, mas educação daquele jeito que a pedagogia atual condena: decorar tabuada, aprender a recitar os afluentes do Amazonas, margem esquerda, margem direita.
Estudar Português. Saber geografia. Aprender outra língua. Espanhol, inglês, francês. História. Do Brasil e Universal.
Tem que botar a bunda na carteira e estudar.
E-s-t-u-d-a-r.
Fora isso, conversa fiada.
O PCC, o CV, já dominam tudo. Ou quase. Setores da sociedade vivem sob outro governo. O tráfico é comandado por setores ditos nobres. Só não cito nomes, aqui, pra não ser processado, pra não morrer. Mas é gente importante. Não tem bacuri nisso.
Vamos lá. Vamos reeleger o Lulla. Alguém duvida? Migalhas em forma de bolsa família e pronto. Tudo resolvido.
Quem tem grana, está realizando 2% ao mês, no mercado financeiro. Na Europa, é 2% ao ano, e olhe lá.
Isso é o que interessa.
De quem é o Banco Santos? Do pobre Edemar Cid Ferreira? Ou de algum senador importantérrimo? Daqueles que nascem em um Estado do Nordeste mas se elegem em outro lugar?
E o Pitta? Terá algum parentesco com o Maluf?
E se fossem irmãos?
Pense nisso. Afinal, você não sabe o que os ascendentes do Maluf andaram fazendo por aí.
A primavera vem aí.
Feliz primavera.
P.S.: Este post faz parte de uma blogagem coletiva, organizada pela Laura.
domingo, 20 de agosto de 2006
Di Tullio
Em 1.961, vim de Santos para São Paulo para fazer o restante do Científico (que era como se chamava o período de três anos que se seguia ao Ginásio, de quatro anos) mas – principalmente – para fazer cursinho pra engenharia, no curso Di Tullio.
O professor Mauro de Oliveira César, que além de dar aulas no Di Tullio também era professor da Faculdade de Engenharia de São Carlos, junto com minha irmã, me arrumara bolsa integral. Isso, mesmo sendo eu ainda aluno do segundo científico. Penso que fui eu que inventei essa história de treineiro. Essa garotada que presta vestibular ainda no final do segundo colegial, só pra treinar. Naquele tempo não era possível fazer o vestibular sem concluir o colegial. Mas fui fazer cursinho porque sentia que o colegial não estava me dando formação adequada. O Colégio Canadá, de Santos, já não era o mesmo de tempos passados.
Na década de 60, o cursinho por excelência era o Anglo Latino. Das 360 vagas na Escola Politécnica, quase 300 eram ocupadas por alunos formados lá. Mas o Curso Di Tullio tinha um papel qualitativo importante nessa história de vestibular para engenharia.
O professor Di Tullio era um italiano baixinho, de nariz batatudo, um pouco corcunda. Por ser de esquerda numa Itália dominada pelo fascismo na Segunda Guerra, fugiu. Parece ter sido um raríssimo caso de alguém que fugiu PARA a Sibéria. Em geral, as pessoas fugiam DA Sibéria.
Não sei como, nem por quais motivações, Di Tullio acabou por migrar para o Brasil como vendedor de vinhos, apesar de ser um matemático de alto nível.
Aqui, nesta terra de burocratas, tentou validar seus títulos acadêmicos para poder lecionar na USP. Exigiram dele que prestasse exames de Geografia e de História do Brasil.
Mandou tudo às favas e começou a dar aulas preparatórias para o vestibular de Engenharia para um pequeno grupo de umas dez pessoas. Ele ministrava todas as matérias menos Química, que era ensinada por uma professora também italiana, cujo nome agora me escapa.
O estupendo êxito de seus parcos alunos no vestibular da POLI (o ITA nunca foi o seu forte) levou-o a montar o cursinho, trazendo para ajudá-lo alguns de seus primeiros alunos.
Ele reservou para si as aulas de Álgebra. E foi nesses termos que conheci essa figura inigualável.
Comecei por entender para que servia aquela espécie de estribo na parte inferior do quadro negro. Certo, servia para colocar giz e apagador. Mas a função primordial era amparar o professor Di Tullio nos dias em que havia tomado um pouco mais de vinho ao almoço, seguido de algum cognac.
Ele detestava ministrar as matérias do programa do vestibular.
Logo de cara avisava: daria aulas extras, sem custo algum, ao final do horário normal de aulas, para quem se interessasse. Para ensinar tópicos da Matemática que eram do interesse dele.
Formou-se um pequeno grupo, do qual – óbvio – eu fazia parte, para assistir às aulas realmente inspiradas do extraordinário mestre.
Lembro-me, só pra dar uma palhinha, de um início de uma série de aulas sobre Teoria das Grandezas. Di Tullio começava por afirmar que Grandeza era conceito primitivo, não admitia definição.
Criticava, em seu português carregado de sotaque:
- Já vi livros que definem grandeza: grandessa é tudo aquilo suscetível de aumentar e diminuir. Ba. Conheço cossas suscetíveis de aumentar e de diminuir e que no som grandessa.
E mostrava o rosto iluminado por uma risada irônica, infantilmente malandra (ou malandramente infantil, sei lá)
Di Tullio tinha um apartamento no Embaré, em Santos. Passava lá suas férias.
Como minha mãe ainda morava lá, eu também ia pra Santos nas férias. Uma vez levei comigo meu amigo (até hoje) Brandão, pra passarmos lá alguns dias.
Um dia, lá pelas nove da manhã, fomos tomar café da manhã em um bar no Embaré. Entramos e pedimos dois Toddys. Não percebemos que o professor Di Tullio estava sentado ali ao lado, a tomar seu cognac matinal.
Ouvimos, depois de pedirmos nossos chocolates:
- Má quê. Quem toma chocolate é viado! Tem de tomar cognac!
- Mas professor, cognac às nove da manhã?
Di Tullio era fantástico até quando manifestava seus preconceitos.
Aprendemos, então, a rotina do mestre. Tomava um cognac logo cedo, entrava no mar e nadava até a Ponta da Praia, junto ao ancoradouro dos Práticos (alguns quilômetros). Lá já havia um taxista conhecido que o recolhia todo molhado e o levava de volta ao Embaré.
Do alto de nossa juventude, tentamos acompanhá-lo nessa empreitada. Desistimos no meio do caminho.
Quando saiu o resultado de nosso vestibular na POLI, corri ao cursinho pra saber se havia passado. Encontrei o professor Di Tullio, com seu sorriso maroto, sentado em frente a uma lista de aprovados.
Nem perguntei nada. Olhei-o interrogativamente.
E ele:
- Má quê papelão!
Pensei logo: bombei.
Ele prosseguiu:
- Tinha de ficar em 24º lugar?!?
Ideias luminosas no Bazar
Nossa filha costuma nos telefonar da Austrália aos sábados à noite. Lá, é manhã de domingo. Ela acorda, toma seu café e depois nos telefona. Fico sempre intrigado com essa história de ela já estar vivendo um domingo que só vou vivenciar daqui a muitas horas.
Ocorreu-me a ideia de pedir que ela me conte meu futuro. Ela, que já está lá, no futuro, pode certamente me antecipar qualquer coisa de interessante.
Sábado que vem faço a ela esse pedido.
Quem sabe. Quem sabe.
sábado, 19 de agosto de 2006
Achados e Perdidos
Li ontem, no Correio da Manhã, matéria sobre os objetos que acabam por ficar nos Correios por não se encontrar o destinatário, nem ser possível devolvê-los ao remetente.
Muitos desses objetos são curiosos. Mas, para mim, mais atraentes são as características dos destinatários não localizados. Há o "senhor Zé da mercearia em frente à linha de comboio" e há – delícia das delícias – a "menina que passa às quatro da tarde em frente ao café".
Contrário ao que pensa o senhor Pedro Villalva, chefe da Secção de Refugo Postal: "Há muitos malucos", entendo que malucos somos nós, aqueles cuja localização depende de nome de logradouro, número, complemento e código de endereçamento postal.
Experimente enviar para mim qualquer coisa, indicando a aldeia de Passos como destino. Basta dizer para entregar na casa de Alípio e Zelinda. Eles logo perceberão que se trata de correspondência para "os primos brasileiros" e guardarão para mim, para quando chegue lá.
O Asulado quis me dar de presente os cachecóis do Porto e do Olhanense. Enviou-os ao Brasil, detalhando meu endereço. Jamais os recebi. Se os enviasse a Passos de Lomba, Vinhais, eu hoje estaria com eles.
A primeira vez em que me aventurei a percorrer Portugal de carro, em 1.999, fui até Vinhais. Sabia que lá morava uma quase-prima, a Lídia. Ainda de Lisboa, telefonei a meu tio Paulo, aqui de São Paulo, para pedir o endereço da Lídia.
- Pergunte pela Lidia dos Correios.
- Mas tio, e o nome da rua, o número da casa?!
- Não precisa. Apenas pergunte pela Lídia dos Correios.
Meu tio Paulo é militar reformado. Logo pensei: a caserna não lhe fez bem aos miolos.
Ao entrar em Vinhais, chegamos a uma pracinha, o Largo do Arrabalde. Parei o carro. Avistamos um bar. Resolvemos tomar café e perguntar.
Café quentinho, atendente atencioso, criei coragem:
- Por acaso, o senhor conhece a senhora Lídia, dos Correios?
- Pois claro. Mora aqui ao lado. Vamos lá. Deve lá estar o Manoel, o marido.
E foi nesse dia nosso primeiro almoço em casa de Lídia e Manoel.
Como se não bastasse, Lídia me contou que eu tinha duas primas carnais em Passos.
Que eu não perdera porque sequer as havia achado.
E que contribuíram para que minha vida ganhasse novos significados.
quinta-feira, 17 de agosto de 2006
Praga de Ordisi
Meu amigo Ordisi e eu havíamos combinado um chopp pra hoje. Quando me lembrei da decisão da Libertadores, também hoje, não tive dúvida: telefonei pro Ordisi pra adiar o chopp. Afinal, meu criador é sãopaulino. Fazer o quê.
O Ordisi entendeu, mas ficou falando em Internacional pra cá, Internacional pra lá. Não deu outra. Só pode ser praga rogada por ele.
Como bom perdedor, aí vão algumas fotos do Beira Rio, a foto do gol dado de presente ao Internacional pelo – logo quem! – Rogério Ceni e a comemoração do Saci, símbolo do colorado.




Só um comentário ressentido, pra não deixar tão barato: a certa altura, a TV mostrou um santinho colocado atrás de um dos gols do Beira Rio. Disse o narrador que se trata de tradição do clube, a de colocar aquela estatueta atrás do gol. Mas não é o Internacional o clube que nasceu socialista (daí o nome, daí a cor)?
Será que isso é o tal de sincretismo levado aos campos de futebol gaúchos?
quarta-feira, 16 de agosto de 2006
Dúvidas insuportáveis
Se é verdade o que o Datafolha apurou - 47% do eleitorado, no Brasil, se diz de direita - por que diabos os motoristas insistem em dirigir sempre na pista mais à esquerda, qualquer que seja a velocidade desenvolvida?
Palpites
Pois é. Lembro quando Jorge Veiga fez uma letra de samba que rimava palmito com palpite. Foi criticado: pô, Jorge, palmito não rima com palpite.
E ele não se apertou:
Não rima no fim, mas rima no início.
Hoje acordei a fim de dar palpites.
Li um conto maravilhoso do Marcio e dei palpite (tira a última frase, Marcio).
Aliás, sempre fui meio assim, de palpites. Já critiquei poemas do Bandeira, do Drummond, do Vinicius.
Como dizem os baianos, sou abusadinho.
Aí, quando vem uma crise de bom senso:
Cara, que vexame! Esses nomes são consagrados. Você tem coragem (petulância é melhor, né não?) de criticar o que eles escrevem? E quando, já já, o Marcio virar escritor famoso? Onde tu vai enfiar a cara?
Eu, que (quase) sempre usei barba, resolvi – belo dia – raspar só o bigode. Logo depois de perpetrado o corte, chega em casa um amigo, poeta, e se espanta.
Me justifico:
- Por que não posso cortar só o bigode? O Soljenytsin é assim!
- O problema é que você não é judeu, muito menos intelectual.
Deixei crescer novamente o bigode.
Agora, parar de dar palpites. Nunca.
sábado, 12 de agosto de 2006
Era uma vez - XXXII
Chegada ao DOI-CODI
Depois de nos deixar no banheiro da casa durante alguns minutos, com um meganha a nos apontar uma metralhadora, minha mulher e eu ali, em pé, dentro do box, como quem premeditasse um banho e tivesse esquecido de despir-se, os homens da OBAN nos levaram para uma perua D20 (ou algo assim. Até hoje nada entendo de automóveis, imagina naquela época. Segundo a Maray, era C14).
Indicaram que nos sentássemos em um banco no meio da cabine. Não me lembro se nos algemaram. O tempo todo minha mulher e eu ficamos juntos.
Ao chegar à Delegacia de Polícia da rua Tutóia (São Paulo) pudemos constatar o que já sabíamos: ela havia sido transformada em fortaleza do DOI-CODI. A Delegacia ficara sendo apenas uma fachada para a estrutura repressiva meio clandestina que o Exército montara ali. A D20 entrou em um pátio e ali fomos convidados a descer e levados até uma sala de espera.
Até aí, descontadas as armas que nos apontaram, o tratamento que nos dispensaram foi quase gentil. Mais tarde aprendemos: as equipes de busca, que eram as que iam atrás dos terroristas e subversivos, eram formadas por profissionais menos boçais. Afinal, eles arriscavam a vida. Já as equipes internas, de tortura, reuniam a escória da humanidade.
Sentados naquela sala, minha mulher e eu, banco de madeira, comecei a imaginar saídas daquela situação. Afinal, eu tinha uma vida oficial. Era professor do Instituto de Matemática e Estatística da USP. Parecia-me que seria relativamente fácil convencer aqueles senhores um tanto agressivos que minha mulher e eu nada tínhamos a ver com o que eles imaginavam.
Queria sair, voltar pra casa.
Começava um intenso aprendizado.
segunda-feira, 7 de agosto de 2006
Parabéns, Bruna
Minha neta completou hoje seis anos. É típica mulher do século 21. Nasceu no ano em que – na minha infância – juravam que o mundo iria acabar. Como os pais foram viver nos USA, está a falar com sotaque. Hoje, quando telefonei para cumprimentá-la, teve nítida dificuldade para conversar em português.
Tenho saudade dela. Tenho – mais ainda – saudade de minha filha. Pergunto-me se essa globalização vai permitir que nos toquemos de vez em quando. Minha mulher tem uma filha que foi viver na Austrália. Meu filho premedita mandar-se para Londres. Barcelona, quem sabe.
Quando eu estiver em Bragança, Portugal, estarei mais próximo de tudo isso.
Como o mundo ficou pequeno, de repente. Ou imenso. Depende de como se olhe a questão.
E a gente precisa evoluir rápido. Pra não perder o pé e afundar.
domingo, 6 de agosto de 2006
Vocação
Na casa de meus pais havia um quadrinho pendurado em alguma parede que chamava minha atenção, em primeiro lugar, por ser tridimensional. Havia nele um cilindro a imitar um tronco de árvore. Nesse tronco, restava fixado um machado. Tudo, claro, em dimensões reduzidas.
O mais notável era a frase escrita no quadro:
Sê como o sândalo, que perfuma o machado que o fere.
Hoje, estava eu a saborear uma cachaça Boazinha e me dei conta de que a dita cuja é envelhecida em tonéis de sândalo.
Pensei que a frase do quadrinho poderia ser ligeiramente modificada:
Sê como o sândalo, que perfuma a cachaça que bebes.
Não. Decididamente não. Não tenho vocação para autor de livros de auto-ajuda.
Pathos
Nos posts de junho de 2.004, que agora estão neste blog, minha perplexidade diante da mulher que tornei impossível, igual assombro perante o Oceano Pacífico, que minha infância julgava diferente, o espanto – meu e de meu amigo Carlos Alberto – face à doce crueldade de nossas mães no trato com as galinhas do almoço dominical, a indignação frente ao hábito de valorizar-se o cedo despertar, a inelutável tristeza de uma despedida e a insubordinação face às complicações da vida moderna.
Etc.
sábado, 5 de agosto de 2006
Correr, corroer
Hoje é sexta. Amanhã é sábado. E assim por diante. Não se pode fazer nada contra esse correr do tempo.
Pode-se eleger uma Constituinte, pode-se nomear o irmão Raul como sucessor, pode-se bombardear o Iraque à vontade, pode-se destruir o Líbano com mil justificativas, pode-se ouvir Elvis, que não morreu, pode-se jogar porrinha no bar da esquina, pode-se torcer pelo Corinthians, pode-se ler Heródoto, pode-se jogar fora o lixo do dia, pode-se jogar fora o dia, um lixo, pode-se mergulhar na piscina, pode-se fazer um monte de sinais esdrúxulos, pode-se vender ambulâncias superfaturadas, pode-se ser candidato-presidente ou presidente-candidato sem saber de nada sabendo de tudo, pode-se morrer em paz.
Só não se pode fazer qualquer coisa contra o correr do tempo.
Não se pode fazer nada contra esse correr do tempo.
O correr do tempo é inexorável. Nada detém o tempo. A correr. A corroer.
Tempocorredor. Tempocorroedor.
terça-feira, 1 de agosto de 2006
Romantismo em Coimbra
Acabo de colocar neste blog todos os posts de maio de 2.004 de meu antigo blog no fatídico Mblog (que está de volta. Cuidado!).
Há posts interessantes. Em particular, um me emociona muito. Este.
domingo, 30 de julho de 2006
Cultura
Hoje dediquei parte do meu domingo a transpor para cá posts do meu antigo blog no Mblog, todos de maio de 2.004.
Quando transpunha o post Melhor que ambrosia (20 de maio de 2.004), percebi que vários links já não remetiam a sites existentes. Tive de substituí-los. Até aí, nada excepcional.
O surpreendente foi quando cliquei no link referente ao Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo. Ele remetia a uma página dentro do site do Teatro Municipal de São Paulo. A tal página já não existe. Mas o endereço
http://www.theatromunicipal.com.br
leva você a contemplar a linda fisionomia do Gabriel Chalita, um camarada folclórico, amigo do peito do Picolé de Chuchu, que era Secretário da Cultura do Estado de São Paulo e, ao que tudo indica, tomou conta do endereço do Teatro Municipal na Internet.Ele é autor de livros de auto-ajuda, já gravou discos com canções (acho que de sua própria autoria), coisas assim.

Portanto, ficamos assim: se o companheiro Lulla for reeleito, a Cultura Brasileira continuará entregue a Gil, dono de um dos mais rocambolescos blablablás já ouvidos em língua portuguesa.
Caso ganhe o Ai-de-mim, nossa Cultura será supervisionada por Chalita.
Na remota hipótese da vitória de HH...
Paremos por aqui.
Basta a cada dia seu mal.
sábado, 29 de julho de 2006
Sangue
“O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado.” (1º João 1:7)
Parece que os políticos evangélicos fizeram uma interpretação nada ortodoxa desse texto bíblico.
sábado, 22 de julho de 2006
Terra à vista?
Quando o PT revelou ao distinto público seu lado depois-de-tantos-anos-de-luta-a-gente-merece-uma-boquinha, sobrou uma coisa boa, pelo menos na minha opinião: saiu de cena o partido moralistão, cheio de éticas e princípios. Abriu-se espaço pra discutir o que fazer com este país.
Só que tem gente que não desiste. As viúvas do PT-vestal correram pro PSOL, da dona HH.
E dá-lhe discurso moralista. Como interessa aos tucanos inflar HH pra ver se cavam um segundo turno, começaram a jogar azeitona na empada da moça.
Vai ser engraçado (ou trágico, como preferir) se Lolô passar o picolé de chuchu e for pro segundo turno com o Não-sei-de-nada.
Continuamos à deriva.
Querido, vamos matar meus pais?
Todo o bla-bla-bla da sentença que condenou Suzane Richthofen e os irmãos Cravinhos pelo assassinato dos pais dela pode ser resumido assim:
O júri quase absolveu Suzaninha paz e amor. Foi condenada por 4 a 3. Um voto apenas que mudasse e pronto: estaríamos todos autorizados pelo júri a matar pais à vontade.
A pena, então, é uma gracinha. A doce mocinha vai cumprir uns três aninhos mais de tranca e pronto. Aos 26 aninhos, por aí, estará na rua.
Está certo que ela nunca mais matará os próprios pais. Isso eu garanto. Mas, por via das dúvidas, quando ela vier pra rua espero já estar a morar bem longe daqui.
sexta-feira, 21 de julho de 2006
Nojo do Itamaraty
Talvez por estar com uma gripe brava, daquelas de derrubar por mais de duas semanas, estou um tanto iracundo.
O que não significa que tudo que eu diga seja bobagem. Há verdade na raiva. Alguma.
Por exemplo: estou com nojo do Itamaraty. O tal Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
Deixa esclarecer o seguinte: quando algum grupo de jovens resolve fazer uma excursão na Serra do Mar e se perde, várias unidades de bombeiros, salva-vidas e o scambau, vão procurá-los. Usam helicópteros, o diabo. Penso que, uma vez sãos e salvos os idiotinhas, o Estado deveria ser ressarcido das despesas pelas famílias dos aventureiros.
Agora. Quando brasileiros (tenham sotaque ou não) estão a visitar parentes no Líbano e surge uma guerra, repentina, penso que o Brasil deveria mandar aviões, navios, submarinos, o que fosse preciso, para garantir a saída incólume desses brasileiros do território libanês e sua volta ao Brasil. Tudo isso muito rapidamente, de preferência antes que morressem vários brasileiros nessa carnificina, como já morreram.
Ao invés disso, o que temos em nossas representações diplomáticas mundo afora é um bando de indivíduos acomodados, que mandam as pessoas desesperadas ligarem na segunda-feira porque a embaixada não funciona aos sábados e domingos.
São tão assassinos quanto os que jogaram as bombas que mataram os brasileiros indefesos que lá ficaram, desprotegidos.
quarta-feira, 12 de julho de 2006
domingo, 9 de julho de 2006
Uma Copa sem vencedor
Itália. Campeã? Pelo regulamento, sim. Meu pouquinho de sangue italiano também fica satisfeito. Mas futebol, futebol mesmo, nada.
Penso que Itália e França deveriam ser proclamadas vice-campeãs.
Zidane expulso por dar cabeçada no adversário, fora do lance. Final fantástico. Chega de heróis, mitos.
Aliás, acrescento: a seleção brasileira, aquela, é a equipe da CBF, Confederação Brasileira de Futebol, entidade de direito privado. Trocando em miúdos, uma empresa como qualquer outra. Aliás, a FIFA exige que as confederações de cada país sejam autônomas em relação a instituições nacionais. Já reparou no escudo brasileiro? Tem CBF escrito. Lá embaixo, um BRASIL, miúdo.
(tente conhecer o Estatuto da CBF. Eu não consegui)
sexta-feira, 7 de julho de 2006
Dificuldade
Primeiro, eram os escândalos políticos, as CPI, os mensalões.
Aí veio a Copa 2006.
Agora, é a novela das oito, com seu final cheio de truques (portugueses não se animem: o final aí em Portugal será diferente. Até nisso eles pensam).
Em seguida, Eleições.
Como é difícil entrar em contato com a realidade, neste País.
quarta-feira, 5 de julho de 2006
terça-feira, 4 de julho de 2006
Era uma vez - XXXI
A cela dos travestis
Não sei por que, pois nunca tive acesso ao térreo do Pavilhão 2 do Presídio Tiradentes, mas bem embaixo do Xadrez 12, onde eu morava, ficava o Xadrez 14, do Corró. Devia ser alguma diferença na geografia – digamos assim – dos dois andares.
Era nessa cela que ficavam os travestis.
Nada, para eles, era passível de comportamento discreto. Viviam todas as situações com exagero, exacerbação. Afinal eles (ou elas) talvez estivessem sempre entre os mais perigosos habitantes do corró.
Nós, quietos moradores da 12, primeiro andar, tínhamos o privilégio (vá lá, digamos privilégio, sim, em algum sentido) de assistir – por meio das sombras projetadas na muralha próxima às janelas das celas, aos shows de striptease realizados a todo momento. Pode-se ao menos dizer que eram executados com capricho.
Mas também ouvíamos com freqüência gritos de dor e de fúria, resultados de lutas de vida ou morte entre eles. Tenho a forte impressão de que houve mortes ali, talvez várias.
Os travestis ajudavam os carcereiros a aumentarem seus rendimentos mensais. Volta e meia, eram levados ao longo da Ala (corredor das celas), expostos aos olhares de cobiça dos demais presos. Efetuada a venda, o carcereiro levava sua comissão.
Vez ou outra, um carcereiro levava alguns travestis para desfilarem no primeiro andar. Pura diversão, pois sabiam que os presos políticos não fariam negócio. Os travestis desfilavam super pintados, maquiados ao exagero, com roupas esvoaçantes. Legítimos Toulouse Lautrec.

Era – a um só tempo – distração e demonstração do ponto a que pode descer o ser humano.
O mito da caverna, aqui, se invertia: era bem melhor assistir às imagens na muralha do que confrontar-se com a realidade do desfile na Ala.
sexta-feira, 30 de junho de 2006
Médicos e spirits
Hoje fui ao Dr.Mistrorigo.
Gostaria de ter alguma doencinha, vez em quando, para ter uma justificativa de conversar com ele.
É um médico como já não se faz.
Quando casou, fez uma viagem à França – em lua-de-mel – em navio que demorava 16 dias na travessia do Atlântico. Logo de cara, percebeu que no mesmo navio viajavam Vinicius de Moraes e Pablo Neruda. Pensou:
- Vou bater altos papos com eles.
Ledo engano. Eles bebiam tanto que não estavam nunca disponíveis para um papo.
Em especial Neruda ficava em uma cabine vizinha à de Mistrorigo. Todo dia, pela manhã, Mistrorigo constatava uma garrafa de whisky descartada, à porta.
Quando chegaram à França, Neruda saiu do navio em maca, com crise de gota.
Mas, como bem lembrou Dr. Mistrorigo, não fosse todo esse whisky, talvez não houvesse toda a produção literária que se conhece, desses dois poetas.
De minha parte, cuido em ingerir altas quantidades de destilados. Mistrorigo quis saber quais. Detalhei: cachaça, grappa, bagaceira, vodka, gim, whisky, steinhäger, sakê etc.
Falta a poesia.
quinta-feira, 29 de junho de 2006
Linguagens da Copa
No Brasil é:
Oitavas de final
Quartas de final
Semi-finais
Final
Em Portugal:
Oitavos de final
Quartos de final
Meias finais
Final
Quer dizer: no Final, a gente concorda.
terça-feira, 27 de junho de 2006
Agora chega de trocadilho
Passado o jogo Brasil x Gana, espero que parem os trocadilhos com o nome do país adversário. Afinal, eles voltarão pra casa. E há outras formas de fazer graça.
Chega de dizer que a vitória foi enganosa, que não jogamos com gana, coisas assim.
Pelamordedeus.
segunda-feira, 26 de junho de 2006
Apesar do Filipão
Sofri um bocado, ontem.
Durante o jogo, por motivos óbvios. E depois, por constatar que a imprensa (pelo menos a brasileira) atribui a vitória ao Scolari.
Não vou discutir os méritos do Filipão no trabalho de formação da equipe portuguesa. Pode ser que sejam muitos.
Agora: durante o jogo, ele foi um desastre.
Já não basta insistir em fazer do Costinha titular. Mas depois do dito cujo fazer falta violenta logo no início e reincidir pouco depois, tendo o juiz russo deixado claro que na primeira oportunidade o colocaria fora do jogo, qual era a elementar obrigação do Scolari?
Trocar o Costinha, óbvio. Até eu percebi isso na hora.
Sabe-se lá por que cargas d’água, Filipão não fez o que devia fazer. O resto todo mundo já sabe.
Agora, que venha a Inglaterra.
E que o Filipão não atrapalhe.
sexta-feira, 23 de junho de 2006
Lições da Copa
Entendo pouco de futebol. Mas às vezes aprendo alguma coisa. Por exemplo, o técnico Parreira ensinou – certa vez – que o gol é um detalhe.
Agora nesta etapa da Copa 2006, aprofundei meu conhecimento. Uma rápida análise dos jogos mostrou-me que os técnicos têm horror a gol. Basta um jogador fazer gol, pronto: eles o substituem.
Veja se não tenho alguma razão:
Alemanha 4 x 2 Costa Rica
Klose marcou dois gols e foi substituído.
Equador 2 x 0 Polônia
Tenório e Delgado marcaram os gols e foram substituídos.
Equador 3 x 0 Costa Rica
Tenório insistiu em fazer gol. Foi substituído.
Polônia 2 x 1 Costa Rica
Ronald Gómez fez o gol da Costa Rica. Saiu.
Alemanha 3 x 0 Equador
Klose fez dois gols. Substituído.
Inglaterra 1 x 0 Paraguai
Gamarra fez gol contra. Ficou até o fim.
Paraguai 2 x 0 Trinidad e Tobago
Sancho (T & T) fez contra. Ficou até o fim.
Inglaterra 2 x 2 Suécia
Allbäck (Suécia) marcou. Saiu.
Argentina 2 x 1 Costa do Marfim
Crespo e Saviola marcaram. Foram ambos substituídos.
Argentina 6 x 0 Sérvia e Montenegro
Maxi Rodriguez fez dois gols. Saiu.
Holanda 2 x 1 Costa do Marfim
Bakari Kone, que fez o único gol de Costa do Marfim, foi tirado do time.
Van Nistelrooy, que fez o gol da vitória da Holanda, também foi substituído.
Costa do Marfim 3 x 2 Sérvia e Montenegro
Zigic fez um dos gols de S & M. Foi substituído.
Portugal 2 x 0 Irã
Deco fez gol e saiu.
República Tcheca 3 x 0 Estados Unidos
Rosicky e Koller fizeram os três gols e saíram.
(o time aprendeu a lição. Nos demais jogos não fez mais nenhum gol)
Itália 2 x 0 Gana
Iaquinta fez gol e saiu.
Gana 2 x 0 República Tcheca
Asamoah fez um dos gols e foi substituído.
Gana 2 x 1 Estados Unidos
Draman fez o primeiro gol de Gana. Adivinha. Isso mesmo. Saiu.
Brasil 2 x 0 Austrália
Adriano fez o primeiro. Substituído.
Espanha 4 x 0 Ucrânia
Xabi Alonso e Villa (2) marcaram três dos quatro gols. Foram embora mais cedo.
Ucrânia 1 x 0 Tunísia
Shevchenko fez o gol e tchau.
Viu só?
quinta-feira, 22 de junho de 2006
Dilema
Gostaria (lá venho eu com meus desejos) que Brasil e Portugal fizessem a final da Copa. Claro: seria a forma de eu ser campeão por antecipação. Certo?
Acontece que pra isso ser possível o Brasil tem de perder do Japão hoje (além da Austrália ganhar da Croácia e ainda dependendo de saldo de gols etc etc).
Não consigo me imaginar torcendo pelo Japão, contra o Brasil.
Como diria Lênin, Que fazer?
quarta-feira, 21 de junho de 2006
terça-feira, 20 de junho de 2006
Notícias escatológicas (I)
Hoje de manhã, a caminho do trabalho, rádio do carro sintonizado na rádio CBN. No ar, o papo diário entre Heródoto Barbeiro, o apresentador do jornal matinal, e os jornalistas Xexéo e Carlos Heitor Cony, que participam via celular.
Conversa vai, conversa vem, ouve-se – quase ao final – o inconfundível barulho de descarga de vaso sanitário.
Não sei quem teve a lúcida iniciativa de mandar a conversa pro devido lugar.
segunda-feira, 12 de junho de 2006
Que sorte o Brasil tem
O Brasil é um país de sorte. E não só no futebol. Na política também.
Veja se não tenho razão.
Em 1.984, reuniu-se um Colégio Eleitoral para escolher entre Tancredo Neves (oposição) e Paulo Maluf (situação).
Todos sabem que Tancredo foi o escolhido.
Agora: imaginem só o que teria acontecido se Maluf tivesse sido eleito.
Logo depois de um desastroso governo, em que lançaria planos econômicos estapafúrdios (Plano Furado, Plano Furado II etc), conseguiria eleger um sucessor aventureiro (assim como o fez na Prefeitura de São Paulo, quando conseguiu emplacar o Pitta como sucessor).
Esse sucessor, provavelmente, quereria para si todo o butim. Seria, então, impedido pelo Congresso, já que todos são filhos de deus e precisam também de algum.
Assumiria em seu lugar algum obscuro vice. Mineiro, de preferência.
Cansados de tanta inépcia, os brasileiros entregariam então o poder a algum intelectual eminente. O dito cujo, do alto de sua sapiência, promoveria privatizações que ficariam conhecidas como privataria, dadas suas características de dilapidação do patrimônio público sem benefício correspondente.
Cansados de tanta competência (em benefício próprio, é verdade, mas who cares?), os incansáveis brasileiros mudariam de idéia: entregariam então o poder a um analfabeto.
E a lambança continuaria.
Mas, como todos sabem, nada disso aconteceu. O eleito foi o Tancredo.
Sorte nossa.
sábado, 10 de junho de 2006
Lembranças de Santos
Na verdade, lembranças da vida em família.

Foi nessa casa que vivi meus últimos anos em uma família na qual eu não era o pai.
Ao contrário. Era o caçula, o escravo. Qualquer coisa: Beto, vai comprar isso, vai comprar aquilo. Beto, engraxa os sapatos do pai. Beto, sei lá.
Como era bom (e também não, não sejamos maniqueístas).
Vai daí, um dia minha irmã mais velha (ela vai me matar, quando vir que contei essa história aqui) estava menstruada. E faltava absorvente em casa.
Pronto. Tinha de ser o Beto.
Beto! Vai na farmácia comprar Modess. Mas, veja lá. Discreto. Chega junto do farmacêutico e pede baixinho.
Tudo bem. Lá foi o Beto.
Daqui a pouco volta. Lá da calçada grita pela irmã.
Ela aparece naquela sacada lá de cima.
- O farmacêutico disse que não tem Modess. Serve Miss?
A vizinhança toda ficou inteirada do que ocorria.
sexta-feira, 9 de junho de 2006
A comemoração

Para comemorar o aniversário dela, fomos a Santos. Afinal, ambos nascemos lá.
Visitamos o centro histórico. Muito bem conservado.
A Bolsa de Café, outrora centro da riqueza do País. Prédio suntuoso, comme il faut.
Prédios antigos.
Não podia faltar a Praça Mauá, coração de Santos.
Depois a praia.
Prédios tortos. (é que eu sou um péssimo fotógrafo e não consigo passar para o leitor o quanto esses prédios estão tortos. Então pus umas setas pra ressaltar. Leve em consideração que a mureta com grade, em frente ao prédio, é que é a referência horizontal. Observe as setas à esquerda e à direita)
A casa em que ela nasceu. Era linda. Não é mais.
A última casa dela em Santos.
Minha última casa em Santos (quando eu morava lá, ela não era horrorosamente verde, assim como está).
Recordar, rever, é bom.
quinta-feira, 8 de junho de 2006
E deus criou a mulher
quarta-feira, 7 de junho de 2006
Blogue com moderação
Hoje não vou postar nada. Saí para encontrar-me com Ordisi Raluz e Branco Leone. As respectivas estarão presentes.
O que é certo: tomaremos umas cachaças, uns choppinhos, comeremos uns bolinhos de carne, coisas assim.
Deus sabe o que mais virá.
Inutílcias
Por que os assassinos irmãos Cravinhos estão presos e a assassina Suzane está solta?
Porque a Suzane é Richthofen.
E os irmãos Cravinhos são Poorthofen.
terça-feira, 6 de junho de 2006
Inutícias
No saguão do Anexo 2 da Câmara dos Deputados havia – até há pouco – uma exposição sobre meio ambiente.
Os sem terra invadiram e destruíram o ambiente inteiro.
sábado, 3 de junho de 2006
Direito de não ficar doente
sexta-feira, 2 de junho de 2006
O livro e o blog
O livro tem uma, digamos, materialidade que o blog não tem. Tem peso, volume, cheiro. Principalmente cheiro. Que delícia, o cheiro de livros.
Certo. Isso, pra mim, é vantagem.
Há outras, claro.
Mas, na relação com o leitor, o livro é a prostituta.
Você vai ao bordel, melhor, à livraria, escolhe nas prateleiras um livro, paga por ele e o leva embora. Embora o leve, nem sempre o lê. Utiliza-se dele a seu bel prazer (eu sabia que um dia ainda conseguiria encaixar esse bel prazer em algum texto), depois o deixa em uma estante do escritório de sua casa. Ou, pior, relega o coitadinho a algum sebo empoeirado, desses do centro da cidade.
O blog não.
O blog você conhece por meio de algum amigo ou amiga que o recomenda. Ou por meio do Google, o que vem a dar no mesmo. O Google é o melhor amigo do homem na Internet. Parodiando o poetinha, o Google é o cachorro informatizado.
Estabelecido o contato, que é grátis (claro que para encontrá-lo você pagou um sistema qualquer de banda larga ou de linha discada, pagou um provedor etc e tal. Mas para encontrar-se com uma pessoa que seja um potencial relacionamento amoroso você sempre gasta algum), tudo pode acontecer: insatisfação total ou amor à leitura dos primeiros posts.
Se o caso for o último, estabelece-se uma relação duradoura. Quase todo dia você vai querer dar uma espiadinha no blog, fazer um comentário.
Aliás, essa é outra diferença fundamental. No livro, você pode, claro, escrever para o autor (se ele for vivo), por carta ou por e-mail. Mas é algo meio fora do padrão. E, além disso, algo do tipo one of a kind. Você não vai ficar a escrever ao autor toda semana.
No blog, tudo é diferente. Você pode fazer comentários todos os dias. Alguns leitores chegam a enlouquecer o blogueiro, com seus comentários. Tudo normal, aceitável.
O blog é amante. O blog é paixão, amor, relação que dura – pelo menos – mais que o tempo de uma única leitura de final de semana.
Do livro você guarda a sensação da leitura única. Essa será a que vai perdurar pelo resto da vida. A menos de uma releitura, ficção que costuma só existir em textos de críticos literários.
Do blog não. Dele você terá sensações diferentes a cada dia, mixed feelings cambiantes, com o passar do tempo. Tal como em uma relação amorosa.
Meu amigo Zezinho, do alto de sua vasta experiência, costumava dizer que a prostituição jamais acabaria. Talvez, do mesmo modo, os livros não acabem.
Mas o tempo é dos blogs.
terça-feira, 30 de maio de 2006
e-stevao papal
"Onde estava Deus?", pergunta Bento 16
Em emotiva visita ao campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, pontífice diz ser impossível entender "triunfo do mal". (Folha de S.Paulo, 29/05/2006, só para assinantes do UOL ou da Folha)
Daí:
domingo, 28 de maio de 2006
sábado, 27 de maio de 2006
e-stevaos
Carlos Estevão foi o cartunista das dicotomias.
Exemplos disso são estes.
Mas o que mais me agrada nele são os jogos de real – sombra.
Este aí embaixo é um exemplo pálido.

Resolvi adaptar esses jogos dicotômicos à Internet.
É simples. Ao invés de apresentar o contraponto por meio de sombra, vai-se da tese à antítese por meio de um clique do mouse (rato).
Assim:

E, para homenagear Carlos Estevão, resolvi chamar tais jogos de e-stevaos. Assim, sem acento e sem til. Mas pronuncia-se istêvãos.
sexta-feira, 26 de maio de 2006
Professor Cauby
Segunda à noite, 22, Bar Brahma.
Pra ver e ouvir Cauby Peixoto.

O garoto mal consegue andar. Tem de ser ajudado, ao chegar e ao sair. E nem é tão velho assim (72).
Mas a voz.
Com essa ele faz rigorosamente o que quer.
Quem mora em São Paulo, ou tem como dar um pulinho aqui, não perca. Só que tem de reservar com várias semanas de antecedência.
Agora já estou me preparando pra assistir ao show de Jamelão.
Que, por sinal, faz 95 anos esta semana.
(e manda três doses de whisky cowboy durante o show, de mais de duas horas).
Um Rio de Janeiro bucólico
Depois da festa de minha tia Clarisse, foi a vez de passar um domingo com as irmãs e os cunhados.
Surpresa: o apartamento de minha irmã mais nova, na Barra, não parece estar no Rio de Janeiro. Do condomínio, caminha-se até o embarcadouro da lagoa que nos separa do mar. A travessia é rápida. Alguns poucos minutinhos. A reserva florestal é exuberante.



Eis a praia. Água límpida, com vários tons de azul.

O retorno:

(com direito a plantação de cactos no telhado de casa abandonada)
quarta-feira, 24 de maio de 2006
Os 70 anos de minha tia Clarisse
Começo por explicar que meu avô materno, Vicente, filho de italianos, era o que hoje se chama um garanhão. Casou-se com minha avó Amélia quando ela tinha 16 aninhos. Ela teve quatro filhos em seqüência anual: Celina, Antero, Olinda e um tio meu que morreu criança (Silas). Aos 22 anos Amélia morreu, vítima da febre amarela. Que fêz Vicente? Casou-se com a irmã de Amélia, tia Tuta. Daí nasceram meus tios Afrânio e Paulo. Afrânio sofreu acidente de trem aos 4 anos (ou algo assim). Ficou sem um braço e sem uma perna. E vive maravilhosamente bem até hoje. Já teve várias esposas (com as quais teve vários filhos). Agora, após os oitenta anos, acaba de arrumar nova companheira. Jovem, claro. Preciso lembrar de perguntar a ele qual é o segredo disso.
Ao morrer a tia Tuta, meu avô Vicente casou-se com uma linda mulher de olhos claros (nunca sei se eram verdes ou azuis). Dona Chiquinha.
E vieram Vadinho e Clarisse. Meus tios últimos.
A grande lição que Vadinho me deu, já lá se vão vários anos, foi:
A coisa de que mais gosta um careca é pente.
Tens toda razão, tio. Hoje sei.
Minha tia Clarisse é fantástica. Conseguiu achar um gaúcho excelente e casou-se com ele. Considere-se que achar um gaúcho excelente não é pra qualquer um (pronto, perdi vários leitores gaúchos). E tem blog, pode?
Bom. Dito isto, aí vão algumas fotos da comemoração dos 70 anos de Clarisse, minha tia que conseguiu misturar, na fisionomia, minha tia Olinda e minha mãe, Celina. Quer mais?



Esta foto, ah esta foto. Aí estão os meus tios Paulo, Afrânio, Clarisse e Vadinho. Faltam meus tios Antero e Olinda. Já se foram. E minha mãe, Celina, que era considerada mãe, por todos eles. Essa, é figurinha carimbada. Pelo que aparece na foto e, também, pelo que não aparece.

Deixa contar ainda um detalhe precioso sobre meu avô Vicente:
Meu pai estava noivo de minha mãe, quando descobriu (em algum exame) que tinha sífilis (teria aparecido algo como três cruzes no exame dele).
Foi até a casa de meu avô e declarou, solene:
Não posso casar com sua filha porque tenho três cruzes no sangue.
E meu avô Vicente:
Deixa disso. Eu tenho um cemitério no sangue.
Meu pai casou-se com minha mãe e a sífilis sumiu.
segunda-feira, 22 de maio de 2006
Síndrome de blogstinência
Sábado fomos ao Rio. Comemorar os setentinha de minha tia Clarisse. Domingo, passeio na Barra, com minha irmã e meu cunhado. Sem falar no neto, maravilhoso.
Tudo muito bom. Logo, logo, explico melhor e mostro algumas fotos.
Por enquanto, confesso que tive uma leve crise de blogstinência. Abstinência de blogs. Doença incurável.
sexta-feira, 19 de maio de 2006
Falência
Alguém lembrou: essa polêmica toda sobre o bloqueio de uso de celulares em presídios seria resolvida de maneira simples: não permitir que os presos carregassem as baterias dos celulares (basta eliminar as tomadas de energia elétrica das celas e tornar inacessível a lâmpada do teto.)
Mas isso não é possível. Os presos têm o controle dos presídios.
Ou não?
quinta-feira, 18 de maio de 2006
Mentira!
É falsa a notícia dada pelo Diário de Notícias, de Portugal, de que Marcola (o chefe do PCC – Primeiro Comando da Capital, organização criminosa não governamental) teria dado entrevista à TV Bandeirantes via telemóvel.
A entrevista foi via celular.
quarta-feira, 17 de maio de 2006
Meus sonhos se realizam
Outro dia confessei, aqui, que gostaria de ver um dia, em algum jornal, a manchete
HOJE NÃO HÁ NOTÍCIA
DIGNA DE MANCHETE
Pois não é que o maluco do Bono ficou um dia como chefe de redação do The Independent e realizou meu desejo?
terça-feira, 16 de maio de 2006
Contabilidade da crise em São Paulo
Alguém recebeu e não entregou o produto ou serviço.
O credor ficou infeliz e resolveu mostrar que sabia cobrar.
O devedor tentou resistir mas pediu arrego.
Negociou e repactuou. E a paz voltou.
Deve ter saído bem mais caro do que se tivesse cumprido o primeiro acordo.
Sem falar nas mortes.
Resta a dúvida: qual era o trato?
Palpite: fica a forte impressão de que envolvia financiamento de campanha eleitoral.
Afinal, estamos a pouco mais de quatro meses das eleições.
segunda-feira, 15 de maio de 2006
Anotações no rodapé da barbárie (III)
Depois de uma hora de Marginal Pinheiros, cheguei em casa. Quer o governo decrete o toque de recolher, quer não o faça, o povo já resolveu: todo mundo pra casa. Alguns já conseguiram chegar. Outros estão tentando.
*****
A entrevista do comandante da Polícia Militar de São Paulo, Elizeu Eclair, só merece um comentário: é melhor ouvi-la do que ser surdo.
*****
O douto Eclair esclarece, em sua entrevista: a culpa é do pessoal que espalha boatos alarmantes pela Internet. Está tudo sob controle: o comércio quase todo fechado, os ônibus quase todos guardados nas garagens, agências bancárias atacadas, ônibus incendiados etc etc etc. Mas tudo sob controle. Ah. E continua morrendo gente. Sob controle.
*****
O galhardo comandante deveria chamar-se Fecho Eclair. E ficar de boca fechada.
*****
Anotações no rodapé da barbárie (II)
Quando saí do escritório para almoçar, encontrei as ruas de Osasco cheias de pessoas assustadas e o comércio fechado. Um pequeno restaurante a quilo no qual costumo almoçar insistia em permanecer aberto. Não comi. Engoli a comida.
*****
Noticiou-se a decretação de toque de recolher a partir das 20 horas. Mas ainda não foi confirmada, essa providência.
*****
Agora vou tirar o carro do estacionamento (que está fechado) e tentar voltar para casa. De lá, continuo. Até mais.
*****
Baile da Ilha Fiscal – versão século XXI
O Estado de São Paulo está nas mãos de facínoras.
Entenda a afirmação acima como quiser.
Agora: o mais surpreendente é que amanhã, entre ônibus queimados e policiais assassinados, a população vai parar, atônita, diante dos aparelhos de TV.
Para saber quais os 23 jogadores que Parreira levará para a Copa da Alemanha.
Anotações no rodapé da barbárie
São 22:12. Acabo de ver/ouvir o governador do Estado de São Paulo, na TV Globo:
- Estamos retomando o controle da situação.
Menos mal. Pelo menos reconhece, tacitamente, que perdera o controle.
*****
A situação se agrava no Estado de São Paulo. Mais ônibus estão sendo queimados. Uma agência bancária incendiada.
E as autoridades continuam com cara de paisagem.
*****
É evidente que vivemos uma guerra civil. O exército está esperando o quê pra assumir a defesa da sociedade: aumento de salário?
*****
A guerra se alastra para os Estados de Mato Grosso do Sul e Paraná.
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Querem resolver a situação?
Façam o que haviam combinado com a bandidagem.
A guerra termina.
Agora, não me venham com notícias do tipo: os bandidos queriam televisores para ver a Copa, visitas íntimas etc etc (ouvi isso agora há pouco, na TV)
O combinado devia ser muito mais macro, digamos assim.
*****
domingo, 14 de maio de 2006
Vinhais e o jeitinho brasileiro
Penso ter encontrado, lá na minha Vinhais, o DNA do jeitinho brasileiro.
Ocorre que o padre da paróquia da vila (Vinhais é uma vila) andou a percorrer as casas recolhendo envelopes com donativos para a igreja.
Descobriu, ao abri-los, que vários nada continham e outros tantos continham pedaços de jornal.
Encontrei essa notícia neste blog. Nos comentários, vários vinhaenses criticam essa atitude de muitos com o argumento – sem dúvida válido – de que seria mais adequado explicitar que nada ofertariam à igreja.
Ora, ocorre que essa postura transparente sempre acaba por trazer problemas no futuro, particularmente se considerarmos que se está a falar de lugar de poucos habitantes, no qual todos se conhecem.
Vai daí, a turma resolveu enrolar o padre.
Você devolve ao padre um envelope recheado, ele fica com excelente impressão sua e você nada desembolsa.
Perfeito. Puro jeitinho brasileiro. Ou vinhaense. Sei lá.
O tucanato e a barbárie
Os tucanos governam o estado de São Paulo há doze anos. Munidos de uma empáfia ímpar, conseguiram conduzir-nos à barbárie.
O que está ocorrendo neste Estado da Federação nas últimas horas é a prova cabal da falência absoluta das instituições.
Não sei precisamente o que aconteceu para que bandidos saíssem matando policiais (no momento em que escrevo já foram assassinados trinta). Mas uma coisa é evidente:
Alguém descumpriu algum acordo.
A promiscuidade entre os marginais e os encarregados da segurança pública ficou clara. Alguma grana não rolou. Ou rolou e a contrapartida não aconteceu. Ou sei lá mais o quê.
Por incrível que pareça, a única atitude das autoridades (governador, secretário de segurança etc) é a de fazer cara de paisagem e garantir que está tudo sob estrito controle.
E continuam as mortes.
E as rebeliões em presídios: mais de vinte presídios amotinados, demonstrando o alto grau de organização das facções criminosas informais, em chocante contraste com o total despreparo e desordem das facções criminosas de carteira assinada.
Pois é disso que se trata. Quantos estarão na folha de pagamento do Marcola?
E querem levar o Geraldo pra presidência da República.
Há muito tempo eu não via figura tão inepta atingir patamar tão pretensioso. E olha que eu já vi até demais.
sábado, 13 de maio de 2006
sexta-feira, 12 de maio de 2006
Sangue
Hoje, em conversa telefônica com a baixinha, nossa filha que foi pra Austrália estranhou um comentário da mãe:
- Só sou feliz se meus filhos estiverem felizes.
- Por quê? Você não é feliz com seu marido, com sua vida?, disse ela.
Não. Os filhos são nervo exposto.
Ela só vai entender isso no dia em que for mãe.
quinta-feira, 11 de maio de 2006
Eleições em São Paulo
A campanha para a eleição do governador do estado de São Paulo deverá ser um tanto divertida (claro que isso depende do tipo de humor preferido pelo cidadão).
O favorito, José Serra, foi definido por quem parece conhecê-lo bem: FHC.
Fernandinho, do alto de sua empáfia, conseguiu – em duas frases – ridicularizar os candidatos de seu próprio partido à presidência e ao governo de São Paulo.
Dizem que ele disse, com sarcasmo escorrendo do canto da boca:
Serra tem plano pra tudo.
Alckmin não tem plano pra nada.
A verdade é que o Serra resolve tudo. Dos problemas do Palmeiras à erradicação da dengue.
Vai ser bom ouvir como tudo tem solução. Sempre anima a gente.
Do outro lado, Aloísio Mercadante, conhecido em Brasília como MercaPedante.
Mercadante sofre de uma doença crônica: a numerorréia, prima carnal da verborréia.
Não me canso de admirar a rapidez com que ele desfila percentuais durante suas entrevistas. O truque é simples: como ninguém vai conferir mesmo, nada como distribuir algarismos pra todo lado.
Minha intuição me garante que 93,45% dos números que ele cospe são furados (olha como a doença pega).
Os projetos e a Morte
Minha relação com a Morte é um pouco como a de Sheerazade com o sultão. Fico a inventar projetos e mais projetos para distraí-la. Sempre que ela se avizinha e me sussurra:
- Já não chega? Vamo-nos.
Respondo que não, que ainda há alguns projetos que não se transformaram em realidade.
Agora, por exemplo, é o projeto de ir morar em Trás-os-Montes. Ela que espere.
E, quando lá eu estiver, já estarei cheio de novos planos, novos projetos. Ela pensa o quê.
Já tive projeto de atingir um saber total. Isso, quando era adolescente. Dotado da estupidez própria dessa fase da vida, imaginava o saber como alguma coisa cumulativa, que se ia amontoando na cabeça da gente. E dá-lhe leitura e mais leitura.
Quando alguém me disse que cultura é aquilo que fica quando a gente já esqueceu tudo que aprendeu, fiquei meio sem rumo.
Antes que Ela viesse me pegar de surpresa, parti para o projeto de transformar o mundo.
De maneira um tanto desagradável, pra dizer o mínimo, descobri que o mundo não estava interessado em meus projetos para transformá-lo. Mundo ingrato.
Se o macro não deu certo, resolvi projetar no meu micro mundo.
Desenvolvi projetos heterodoxos de como educar os filhos que eu ainda não tinha.
Quando eles chegaram, pus-me a trocar fraldas e deixei de lado meus projetos.
Por pouco tempo.
Tive projetos de livros. Tenho um amigo que até hoje não se conforma de eu não ter escrito o livro sobre Cipriano Barata, sobre o qual tanto pesquisei. Na época eu não percebia, mas minha pesquisa era mais um truque pra distraí-La.
E mais e mais projetos, sempre postergando meu encontro definitivo com Ela.
Porque a Morte é a ausência de projetos.
Ou, claro, uma falência múltipla de órgãos.
segunda-feira, 8 de maio de 2006
Ranger de dentes
Amigo meu garante: conhece assessor de Henrique Meirelles, o chefão do Banco Central. E esse assessor contou que o Henrique usa um aparelho nos dentes pra não ranger. Quando chega em algum almoço oficial leva a mão à boca, discretamente, pega o aparelho e enfia no bolso do paletó.
O Claudio Humberto vivia insinuando que o Meirelles transformava-se em Cecília, nas festas que dava nos USA quando era presidente do BankBoston, atual Bostaú.
Enfim, estamos em boas mãos.
Gospel music
A perfeição em música, se existe, chama-se Bill Gaither.

Foi em novembro de 2.001. Fomos, a baixinha e eu, passar quase vinte dias em Paris.
Queríamos fingir que vivíamos lá. Pra isso, ficamos em um apart hotel. Tínhamos de fazer compras, preparar as refeições, enfim, fazer de conta que morávamos lá. Íamos com freqüência ao supermercado, à padaria etc e tal. (até consegui ficar doente e ser atendido por um médico pra lá de simpático, numa gelada noite de sábado).
À noite, depois que ela ia dormir, eu ficava na sala, vendo TV. Lembro de ter assistido a um campeonato mundial de levantamento de peso. E via anúncios de uns DVDs em homenagem a Billy Graham, num canal inglês. Anotei o endereço da Internet. Chegando ao Brasil, encomendei os DVDs.
Maravilha pura. Foi quando descobri que tudo que Bill Gaither faz ou dirige, sai perfeito.
O cara deve ser um tremendo chato.
Mas que coisa fantástica, tudo o que ele produz.
Se eu fosse você, corria atrás.
domingo, 7 de maio de 2006
O que vale
Nos tempos da ditadura militar (que - hoje - parece, todo mundo odiava. Aliás, em Portugal também, parece que todo mundo era contra Salazar. Ele deve ter sido muito solitário, em sua ditadura de décadas), as coisas podiam ser ditas nos meios de comunicação na dependência de sua respectiva audiência. No Jornal Nacional (TV), nada. Na imprensa diária ou nas revistas semanais, alguma coisinha. Nos jornais alternativos, tipo Pasquim, Opinião, Movimento, mais um pouco.
Hoje, pode-se vociferar na Internet. Que diferença faz? O povão vota em Lulla.
Estamos em plena democracia faz-de-conta. Estado de direito? O Poder Judiciário compete com o Poder de Imprensa pra saber quem é o mais corrupto. Deputados, senadores? Fichinha, meus filhos. Fichinha. Executivo? Fica com as sobras.
Não tenham dúvida: Justiça e Imprensa são campeões.
Ainda o depoimento do Silvinho
Algumas coisas ficaram claras:
- Silvinho ganhou só raspas do tacho. Até por isso, caiu na esparrela do Land Rover.
- Está furioso. Justamente porque não tem o suficiente para viver tranqüilo. Vejam o Palocci, por exemplo. Teria de voltar a seu emprego de funcionário público estadual no estado de São Paulo. Pediu licença - sem remuneração - por dois anos. E alugou uma bela casa em Brasília. Deve ter os tubos lá fora. E aqui.
Silvinho era um pobre Osasquense (nativo de Osasco, Grande São Paulo), com visão um tanto limitada. Não conseguiu juntar o suficiente, enquanto a mamata durou. Comprou casa na praia, não investiu em centro de receita. Só em centro de despesas. Está duro.
- Resolveu dar umas latidinhas. Pra ver se o pessoal do governo e do PT acorda. Não disse nada substantivo. Só ameaçou. Sua entrevista pode ser resumida assim: Olha, turma, estou aqui. E puto da vida. Façam alguma coisa.
Será que a quadrilha vai atender seu apelo?
sábado, 6 de maio de 2006
Silvio Land Rover Pereira abriu o bico
Dá um carro novo pra ele, Lulla, se não o homem não pára de falar.
Não sei se o link acima é aberto a todos ou só aos assinantes da Folha ou do UOL.
Mas o blog do Moreno diz tudo, em primeira mão.
Atualização:
Há trechos interessantes na entrevista do Silvinho. Por exemplo:
Atrás do Marcos Valério deve haver cem Marcos Valérios.
ou
— Vão me matar. Eles vão me matar, você não entende.
Não faça isso comigo. Tem muita gente importante envolvida nisso — repetia Silvio, com os olhos arregalados.
Diante das argumentações sobre a necessidade de sua versão ser divulgada, já que ainda há fatos do escândalo que continuam obscuros para a opinião pública, Silvio ficou ainda mais nervoso e passou a se bater e a destruir o próprio apartamento. A repórter deixou o apartamento e pediu ajuda a uma vizinha, que chamou o serviço de ambulâncias.
Mas a impressão geral que me ficou é a de que ele continua mentindo horrores.
Explicar, elle explica.
A gente é que não entende.
Em 28 de janeiro de 1.994, A Folha publicou matéria de André Lozano que informava:
[...]Em setembro [de 1.993], durante viagem à região amazônica, o líder petista havia afirmado que no Congresso existiam 300 parlamentares corruptos. Maés – terra do guaraná – foi a quarta cidade visitada pela comitiva da "Caravana das Águas" – versão amazônica da Caravana da Cidadania– que segue viagem pelo rio Amazonas até Belém (PA).
"Aquilo que eu falei de 300 picaretas é um pouco mais", afirmou Lula referindo-se aos congressistas.[...] (Arquivos da Folha de S.Paulo, só para assinantes Folha ou UOL)
Só agora entendi:
Não era denúncia.
Era proposta de aliança política.
sexta-feira, 5 de maio de 2006
quinta-feira, 4 de maio de 2006
Parabéns
quarta-feira, 3 de maio de 2006
terça-feira, 2 de maio de 2006
Dois pesos, duas medidas
Quando Sócrates disse Só sei que nada sei, todo mundo achou que o cara era genial.
Aí vem o companheiro LuLLa, diz que Não sabe de nada e todo mundo acha que ele é sonso e mentiroso.
Assim não dá.
domingo, 30 de abril de 2006
PLUA
Desde quando a senadora Heloisa Helena criou o PSOL, ando com vontade de criar o PLUA (diz-se pê-lua, se faz favor).
Vamos tentar esclarecer as coisas direitinho: começo, meio e fim, de preferência nessa ordem.
E uma vez que o assunto preferido da classe média brasileira atualmente é corrupção, comecemos por ela.
A história já mostrou que definir como bandeira política o combate à corrupção só traz mais corrupção. Para ficar em alguns poucos exemplos mais notórios: Jânio Quadros elegeu-se presidente da República em 1.960 tendo a vassoura como símbolo de campanha. Revelou-se, ao longo de sua carreira política, um dos políticos mais inescrupulosos e corruptos que já tivemos, ainda que inteligente, espirituoso e simpaticamente folclórico. Pouco tempo depois, os militares assumiram a batuta da nação sob a égide do combate à subversão e à corrupção. Foi uma festa. Shigeaki Ueki, Delfim Neto e tantos outros que o digam. Até a máquina repressora, com seus porões de tortura, era movida a caixa 2. Agora, o PT, com toda sua enfadonha defesa da ética, deu no que deu.
Daí: o PLUA entende que a corrupção é – em primeiríssimo lugar – algo profundamente arraigado na população. Não são os políticos, os corruptos. Somos todos. E antes de se sentir ofendido, faz aí uma declaração retificadora de seu Imposto de Renda, declarando aquela graninha que você faturou informalmente, tirando aquele médico que você abateu de sua renda bruta porque viu no jornal que ele tinha morrido, deixando de colocar aquele sobrinho como dependente etc etc. E quando o guarda te parar na estrada, por excesso de velocidade, diz pra ele autuar, sem perdão. E quando passar a escritura daquele apê que você vendeu, coloca o real valor de venda. Chega, né não?
A corrupção jamais vai acabar. É como temperatura. É preciso mantê-la em níveis aceitáveis. E isso não se faz com vassoura ou canhão ou discurso. Faz-se com controle por meio de informática, números expostos na Internet, coisas assim. Mas nem de longe isso é o grande problema, para frustração dos moralistas.
Bom. Dito o que não é fundamental, vamos ao que é.
Não adianta o Brasil querer ser campeão mundial de futebol americano. Ou baseball.
Nosso negócio é mostrar competitividade em futebol, soccer, aquele esporte que pros americanos é coisa de mulher e que pra nós é coisa de macho. Fica mais barato. E mais possível.
Ou seja. O governo deve fomentar, incentivar, estimular, financiar os nichos em que já demonstramos excelência.
Você já ouviu falar de um candidato a presidente que tenha um grande, criativo, inovador plano de fomento ao turismo? Sabe por quê? Porque o Brasil é um paizinho sem atrativos naturais, quase sem praias, sem possibilidades de ecoturismo etc etc.
O governo entope a CUT, a UNE e o MST de grana (60 milhões nos últimos três anos, mas o governo FHC também derramava grana neles[só pra assinantes Folha ou UOL]). Vai sobrar algum pro turismo? Ora, o turismo.
Isso é só um exemplo.
Ou você pensa que logo de cara vou ter solução pra tudo? Necas.
Mas já deu pra entender um pouquinho? Se não, desiste do PLUA que você é meio devagar. Se sim, fica na sua que o PLUA é pura ficção.
Estupidez revisitada
No Paquistão, cidade de Hyderabad, uma jovem de 18 anos resolveu casar-se com o cidadão que ela amava. Isso foi em 2001.
A garota cometeu um pequeno deslize: casou-se sem o consentimento da família. Papai dela, inconformado, entrou com queixa na polícia alegando adultério.
Resultado: o casal foi preso e mantido em celas separadas durante a bagatela de cinco – eu disse cinco – anos.
Sem julgamento.
Agora, a moça (já com 23 aninhos) reclamou da demora e a Suprema Corte mandou que a questão seja julgada em primeira instância.
O jornal Dawn ainda acrescenta que esse tipo de coisa é comum, naquelas bandas.
Quer mais o quê?
quinta-feira, 27 de abril de 2006
Cabelos brancos
E hoje cortei o cabelo. Bem rentinho, que é do jeito que ela gosta (eu acho um porre). E o comentário dela foi que não tinha reparado quantos cabelos brancos eu já mostrava ao mundo.
E me veio Cortázar, em Rayuela (Jogo da Amarelinha). Em algum lugar (com que diabos algum dos filhos sumiu com meu volume de Rayuela) Horacio Oliveira, o protagonista, fala de pessoas que apertam o tubo de pasta de dentes de baixo pra cima, organizadamente. E deixam o tubo, após uso, todo certinho, apertadinho do jeito racional. Os que apertam o tubo meio no meio, de qualquer jeito, são os outros. Os dele, Horacio.
E me vi ajeitando o tubo de pasta de dentes, agora há pouco, pra que ficasse perfeitinho.
E vi o que é a velhice. Além do que já disse Roberto Campos – a velhice é uma merda – há outras características da velhice (aliás, ainda não cheguei na merda).
Nela, você não consegue apertar o tubo impunemente. Sem referência. Há Horacio Oliveira, há o resto do mundo. Você já conviveu com ambos. Principalmente com o resto do mundo. E aperta o tubo. E não consegue não pensar.
E sabe (não sei como mas sabe) que tanto faz.
Talvez ficar velho seja chegar a Tanto Faz.
Capital: Ironia.
terça-feira, 25 de abril de 2006
Sonhos & Delírios
Imprensa
Adoraria acordar de manhã, pegar o jornal e dar de cara com a manchete:
HOJE NÃO HÁ NOTÍCIA
DIGNA DE MANCHETE
* * *
Televisão
Gostaria que a TV seguisse um caminho de algum modo inverso ao do cinema. Agora que já temos a TV digital, seria ótimo se chegasse a TV muda. Os telejornais, por exemplo, seriam muito mais divertidos.
* * *
Livros
Cada vez mais os livros são editados tendo em vista um consumo rápido. Daqui pra diante, quero meus livros com queijo: cheese-books.
* * *
sábado, 22 de abril de 2006
Profecia
No ano da graça de 1.974 eu trabalhava em uma empresa de engenharia, a Promon, em São Paulo.
Tinha um colega de trabalho, o Rudolf Schmidt, conhecido por Xis, que era membro de uma denominação evangélica muito afeita a estudos apocalípticos. Como um dos meus esportes favoritos sempre foi o de provocar discussões (pra lá de inúteis) com adeptos de seitas religiosas, eu vivia cutucando o Xis a respeito das teorias escatológicas dele.
Vai daí, apostamos um dia: o mundo vai acabar – no máximo – daqui a vinte anos.
Claro, ele, depois de estudar a Bíblia de trás pra diante, de cabeça pra baixo e tudo mais, chegara a essa conclusão. Ou melhor, alguns gurus dele, na tal seita da qual fazia parte, haviam concluído isso.
Ficamos assim: ele dizia que o mundo acabaria – o mais tardar – em 1.994. Eu apostei contra.
Tempo passou. Ele mudou de empresa. Depois, fui eu a abandonar a nave mãe.
Certo dia de 1.995, em meio a várias caipirinhas, lembrei-me do Xis e de nossa aposta.
Perdera contato com ele.
Dia seguinte, comecei a procurá-lo. Liga pra um , liga pra outro, descobri o telefone da casa dele.
- Alô.
- É da casa do Xis?
- Sim.
- Ele está? Sou um velho amigo.
- Faz tempo que o senhor não fala com ele, não é?
- Sim, muito tempo.
- Pois é. Ele faleceu ano passado.
Fiquei mudo. Desculpei-me sei lá como. Desliguei.
E não é que ele ganhou a aposta?
Ou eu, sei lá.
quinta-feira, 20 de abril de 2006
Os cem mais
Dá uma olhada na lista dos melhores livros de todos os tempos.
Há dois em português:
Saramago, com Ensaio sobre a Cegueira
E
Guimarães Rosa, com Grande Sertão: Veredas
Atualização (em 20/04/2.006): O Eubozeno, do excelente nese-nese, de Bragança, Portugal, alerta que há outro livro de língua portuguesa na lista: O Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa (como Bernardo Soares). Havia me escapado. Outra observação do Antonio Eubozeno: a lista não deveria ser de 100, número redondo. Deveria ser de 107. Na verdade, se novamente não me escapa algo, a lista tem 98 livros.
terça-feira, 18 de abril de 2006
sábado, 15 de abril de 2006
Maurício Matos Peixoto
Floripa, outra vez, Floripa
Aqui estamos, desde ontem. Viemos visitar minha irmã, aproveitando o santo feriado santo.
Me dá um certo remorso. Talvez, por ser ateu, devesse eu trabalhar na sexta santa.
Por outro lado (sempre há um outro lado, quando isso nos convém), há o preceito constitucional contra a discriminação religiosa. Portanto, não posso trabalhar só porque sou ateu, enquanto os que acreditam em coisas tais como a eucaristia, a multiplicação de pães e peixes e a ressurreição de Lázaro ficam de papo pro ar.
Enfim, gozemos as delícias da Páscoa.
Desejo a todos continuação de boa vida.
Amém.
quarta-feira, 12 de abril de 2006
Caldeirada em São Paulo
Um grupo de amigos portugueses reuniu-se, dia 5, para uma caldeirada regada a vinho e fado. Essa reunião já é hábito de mais de vinte anos.
Os fadistas: Mario Rui, guitarra. Bonfim, violão. E a voz de Conceição de Freitas.
Alguns dos participantes do grupo também cantaram.
Fui convidado por meu (quase) primo Artur que, aliás, forneceu a caldeirada (maravilhosa).
Como não pedi autorização dos participantes para publicar as fotos, aqui vão apenas as que fiz dos músicos.


domingo, 9 de abril de 2006
Ordem na bagunça
Não concordo. Bush quer destruir o Irã.
E o Iraque?
O serviço vai ficar inacabado?
Uma coisa de cada vez, Bush. Acaba de destruir o Iraque primeiro.
P.S.: viu no que deu o Bush parar de beber, Laura.
sábado, 8 de abril de 2006
Assim não dá
Estão querendo acabar com convicções profundas.
Mais: acabar com expressões consagradas.
Por sugestão do Ordisi, fui ler o Jerusalem Post. Acho que o meu caro Ordisi já deu a ideia por pura sacanagem. É muito chato, o JP. A não ser por um artigo sobre o sucesso do teatro alternativo em Tel Aviv, mesmo assim graças ao maestro louco que ilustra o texto.

Em compensação, o Israel Insider está cheio de matérias interessantes.
Mas alto lá!
Depois de anos e anos de malhação do Judas, vêm me contar que Judas e Jesus estavam combinados?
Mais ainda: Jesus não pode mais ensinar o caminho das pedras. Ele andou sobre uma camada fina de gelo.
Durma-se, com todo esse barulho.
Perdoem a falta de escolha, os dias eram assim
A letra de Vitor Martins para a música de Ivan Lins brotou em mim logo que percebi, no Site Meter, que havia alguém, na Noruega, mais precisamente na cidade de Saksvik, região de Sor-Trondelag, sentadinho(a) na Norwegian University of Science and Technology, a ler meu blog durante o dia 7 de abril quase inteirinho. Foram 11 acessos ao longo de 13 horas.
Lembrei-me da década de 70. Era preciso assinar – a peso de ouro – o Le Monde e recebê-lo com uma semana de atraso, pelo correio.
Meus deuses. Como os tempos mudaram. E ainda há quem me diga: precisas colocar tudo isso em livro.
Livro?
Como deveria proceder eu, pra que alguém em Saksvik lesse meu livro?
(guardo um certo pudor de mencionar – aqui – os acessos a meu blog, suas características. Sinto-me, de algum modo, a invadir a privacidade do leitor. Mas, neste caso, a tentação foi irresistível. Perdoe-me o leitor norueguês).
sexta-feira, 7 de abril de 2006
Notícia sem hora nem vez
Segundo o Ghanaian Chronicle, tem um cara lá em Ghana (É. Ghana. Qual o problema?) que parece ser o Roberto Jefferson deles.
O cara era presidente de um partido político (o NPP – New Patriotic Party) e denunciou corrupção no governo.
Tomou um chega pra lá do governo e passou um tempo na moita.
O moço se chama Harona Esseku.
Diria o companheiro Nãossei Nada da Silva:
Esseku não conheço. Mas aquele, o cantor de ópera, me complicou a vida.
Entreouvido no bar
- O técnico do Corinthians é metrossexual. Você também?
- Que nada, cara. No máximo uns 15 centímetros.
***
- O Corinthians ganhou do Universidad Catolica, lá no Chile, com dois jogadores a menos.
- Pois é. Se tirar mais uns dois ou três cabeças de bagre, esse time fica imbatível.
***
quinta-feira, 6 de abril de 2006
Errata
Às vezes, as correções dos erros são mais terríveis - ou engraçadas, ou tristes - que os próprios erros.
Lembro da apostila de Geometria no Espaço em que estudei para o vestibular. Era de autoria do prof. Castrucci. Naquele tempo não havia Word. As coisas eram bem mais complicadas no mundo da edição de livros. Uma vez impresso o texto todo, mesmo após incansáveis revisões, descobriam-se erros. O que era possível: fazer uma folha a ser inserida no final, contendo as correções dos últimos erros detectados.
Foi o que fez o decano professor. E meu exemplar trazia - no alto da última página - o título: ERRETA. Não é de chorar?
Mas pra alegrar este post, aí vai um item da seção Erramos, da Folha de S.Paulo, de 23 de março deste ano (só para assinantes da Folha ou do UOL):
A espécie de tartaruga tigre-d'água-americano possui manchas vermelhas na cabeça, e não uma orelha vermelha, como informou erroneamente o texto "Tartarugas são retiradas da República" (Cotidiano, pág. C8, 9/3). Tartarugas não têm orelhas.
(grifos meus)
terça-feira, 4 de abril de 2006
Nozes a quem não tem dentes?
Vai daí que eu estava a ler o The Sydney Morning Herald, jornal australiano (por que? não posso?) e esbarrei com este artigo.
Se você prefere, eu resumo pra você:
Um economista neozelandês - ou, mais fácil, kiwi – que trabalha como jornalista no Dominion Post de Wellington, Nova Zelândia, ganhou uma bolada de 42,5 milhões de dólares (como o jornal é australiano, penso que são dólares australianos, o que nos leva a pouco mais de 30 milhões de dólares americanos ou 25 milhões de euros).
Como o sortudo ganhou tudo isso?
O filho dele é daqueles geniozinhos da informática e desenvolveu um software, o Kiwi (que, diga-se, eu não conheço). E o diabo do Kiwi (o software, não o neozelandês), foi vendido para a Fairfax pela bagatela de 670 milhões de dólares (novamente, australianos, penso eu). Como o papai do moço tinha 6,7% do negócio, recebeu o que recebeu.
Até aí, mais uma história de sorte.
Acontece que o Gareth (esse é o nome do papai, de 52 anos) sentou pra conversar com a Jo (que vem a ser a mamãe do garotão gênio) e chegaram à conclusão de que era muita areia pro caminhãozinho deles.
Disse o Gareth:
- Eu simplesmente não consigo pensar em quê fazer com isso.
E continuou:
- Eu trabalho porque gosto. Desde que você viva dentro do limite de suas posses, não interessa quanto é o seu salário.
Resumo: vão doar o dinheirão todo pra instituições de caridade.
O único problema deles, agora, é escolher quais.
Pode?
sábado, 1 de abril de 2006
Preces têm preço
Parece que o excelente Diário Ateísta ainda não se ocupou do assunto. Quando o fizer, certamente o fará a sério. Quanto a mim, não posso deixar de brincar com o assunto.
Está na Folha de S.Paulo de hoje (só pra assinantes da Folha ou do UOL).
Mas pode ser lido também no New York Times de ontem (em inglês).
Americanos (e quem mais faria um troço desses?!) fizeram uma pesquisa ao longo de quase uma década com mais de 1.800 pessoas em recuperação de cirurgias cardíacas para verificar o efeito de orações de terceiros na recuperação dos pacientes.
Chegaram à conclusão de que as orações não fazem efeito nenhum.
Pior: os pacientes que sabiam que havia gente orando por eles, esses tiveram mais complicações pós-operatórias, talvez (como sugerem os pesquisadores) graças à expectativa neles criada pelas tais orações.
Sendo assim, e como tenho muitos parentes doidinhos pra fazer oração em favor dos outros, sugiro o seguinte:
Quando eu tiver de operar o coração, desde que eu sobreviva, podem orar por mim à vontade. Pra mim, o máximo que poderia acontecer seria ter mais complicações pós-operatórias. Mas como não tenho nenhuma expectativa em relação ao efeito de tais orações, acho que nem isso vai acontecer.
Agora, pra vocês que estiverem orando, deve fazer um bem danado, né não?
Atualização (2/04/2.006): Pronto, o Diário Ateísta já escreveu sobre o assunto. Aqui.
sexta-feira, 31 de março de 2006
O rei está nu
(mas a rainha tem roupa pra chuchu)
O Chuchu começou sua campanha pra presidente deste país proclamando a necessidade de um banho de ética. Há muuuitos anos, um tal de Jânio se elegeu presidente com uma vassoura. Como a coisa piorou muito, de lá pra cá, parece que agora é preciso jogar água, também. Ou, quem sabe, o Jânio só falava em vassoura porque água não era propriamente o negócio dele. Como, aliás, no caso do atual. Deixa pra lá.
Vai daí, o Chuchu resolveu surfar na onda da moralidade. Só que surgiu um problema, digamos, caseiro (ops!).
Dona Lulu (a mulher do Chuchu) tem um costureiro. Sei lá eu por que cargas d’água (lá vem água, de novo), o designer resolveu botar a boca no mundo e disse que, durante os últimos anos, doou mais de 400 peças de roupa pra Lulu. Tudo de grátis.
Foi um perereco nas hostes tucanas e pefelistas. César Maia anunciou que aguardava explicações.
E, como a única coisa para a qual não cabe explicação é batom em cueca, o Chuchu e seus aspones imediatamente engendraram uma saída: todas as peças haviam sido doadas para uma casa de caridade, em lotes anuais, durante os últimos três anos.
Faltou combinar com a freirinha lá da casa de caridade. A dita cuja informou, candidamente, que faz alguns dias que ligaram pra lá pra doar algumas roupas. Mas que é a primeira vez que isso acontece.
Como candura fica bem em todo mundo, Lulu também resolveu esclarecer que não eram 400 peças, eram 40, só. Ah, bom.
Pra Lulu, não sei quantas peças foram. Mas, o que eu sei, é que em nós eles pregam peça toda hora.
quinta-feira, 30 de março de 2006
Paulo de Tarso Wenceslau
Não por nada, o rapaz devia chamar-se Perdeslau. Vai ser azarado assim no inferno.
Conheci PT (que não se perca pela sigla) na prisão, em 1.971. Na época havia uma controvérsia a respeito de quem teria informado a repressão sobre como encontrar Marighela. Os suspeitos, digamos assim, eram o Paulo de Tarso e os padres dominicanos presos em São Paulo, o Ivo e o Fernando.
PT jurava que não tinha sido ele. E, apesar de eu não me lembrar dos argumentos dele em sua própria defesa, parece que havia algum sentido em suas explicações.
Frei Betto parece que até escreveu um livro (que, óbvio, não li. Tenho mais a fazer) para provar que não foram os dominicanos.
Ficamos assim: parece – a julgar por tudo isso – que deve ter sido o próprio Marighela que ligou pro DOPS e pediu pra ser morto.
Mas voltemos ao nosso garoto, o PT.
Em função das dúvidas sobre quem disse, quem não disse, PT fazia de tudo para agradar a turma guardiã da alma revolucionária. Parece que obteve algum êxito. Alguns anos depois, lá estava ele, fundando o PT (agora sim, o nauseabundo Partido dos Trabalhadores).
Tudo estava a indicar que nosso garoto começava a ter sorte na vida. Mas a alegria durou pouco. Quando teve a ingenuidade de querer denunciar a roubalheira que corria solta nas prefeituras do PT, nosso PT tomou um chega-pra-lá do companheiro Lulla. Foi expulso e execrado.
Agora está aí, às voltas com tentativas de dizer o que sabe sobre Aquele-Que-Nada-Sabe.
PT jamais me pediu conselhos. Mas arrisco um: sai dessa, garoto. Por muito menos, uns tais de Celso e Toninho partiram desta pra melhor.
Não abuse da sorte que a tua já se viu que não é lá essas coisas.
quarta-feira, 29 de março de 2006
Amerai-vos!
Nim deraveis, nim comentóis. Serrimo-nos tercos.
Pátia coíbriga. Pir paledos, tur mansales, sejurnamente desverla-vos intorníveis rametráceos.
Cercônditos dotreitos arpúcios pertemperam mímias zazucréditas.
Tejemo-nos. Boleifas cárpais vocupletam amendos. Encruíveis fastúrias gastufletam solíficas.
Calta.
Habrerá ópegas qui intinedarão toifos us larápulos.
Nium pardem pur espriar.
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