terça-feira, 20 de junho de 2006

Notícias escatológicas (I)


Hoje de manhã, a caminho do trabalho, rádio do carro sintonizado na rádio CBN. No ar, o papo diário entre Heródoto Barbeiro, o apresentador do jornal matinal, e os jornalistas Xexéo e Carlos Heitor Cony, que participam via celular.
Conversa vai, conversa vem, ouve-se – quase ao final – o inconfundível barulho de descarga de vaso sanitário.
Não sei quem teve a lúcida iniciativa de mandar a conversa pro devido lugar.

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Que sorte o Brasil tem


O Brasil é um país de sorte. E não só no futebol. Na política também.
Veja se não tenho razão.
Em 1.984, reuniu-se um Colégio Eleitoral para escolher entre Tancredo Neves (oposição) e Paulo Maluf (situação).
Todos sabem que Tancredo foi o escolhido.
Agora: imaginem só o que teria acontecido se Maluf tivesse sido eleito.
Logo depois de um desastroso governo, em que lançaria planos econômicos estapafúrdios (Plano Furado, Plano Furado II etc), conseguiria eleger um sucessor aventureiro (assim como o fez na Prefeitura de São Paulo, quando conseguiu emplacar o Pitta como sucessor).
Esse sucessor, provavelmente, quereria para si todo o butim. Seria, então, impedido pelo Congresso, já que todos são filhos de deus e precisam também de algum.
Assumiria em seu lugar algum obscuro vice. Mineiro, de preferência.
Cansados de tanta inépcia, os brasileiros entregariam então o poder a algum intelectual eminente. O dito cujo, do alto de sua sapiência, promoveria privatizações que ficariam conhecidas como privataria, dadas suas características de dilapidação do patrimônio público sem benefício correspondente.
Cansados de tanta competência (em benefício próprio, é verdade, mas who cares?), os incansáveis brasileiros mudariam de idéia: entregariam então o poder a um analfabeto.
E a lambança continuaria.
Mas, como todos sabem, nada disso aconteceu. O eleito foi o Tancredo.
Sorte nossa.

sábado, 10 de junho de 2006

Lembranças de Santos


Na verdade, lembranças da vida em família.

A casa era alta. Eu tinha de gritar para ser ouvido

Foi nessa casa que vivi meus últimos anos em uma família na qual eu não era o pai.
Ao contrário. Era o caçula, o escravo. Qualquer coisa: Beto, vai comprar isso, vai comprar aquilo. Beto, engraxa os sapatos do pai. Beto, sei lá.
Como era bom (e também não, não sejamos maniqueístas).
Vai daí, um dia minha irmã mais velha (ela vai me matar, quando vir que contei essa história aqui) estava menstruada. E faltava absorvente em casa.
Pronto. Tinha de ser o Beto.
Beto! Vai na farmácia comprar Modess. Mas, veja lá. Discreto. Chega junto do farmacêutico e pede baixinho.
Tudo bem. Lá foi o Beto.
Daqui a pouco volta. Lá da calçada grita pela irmã.
Ela aparece naquela sacada lá de cima.
- O farmacêutico disse que não tem Modess. Serve Miss?
A vizinhança toda ficou inteirada do que ocorria.

sexta-feira, 9 de junho de 2006

A comemoração

Parabéns!

Para comemorar o aniversário dela, fomos a Santos. Afinal, ambos nascemos lá.
Visitamos o centro histórico. Muito bem conservado.
A Bolsa de Café, outrora centro da riqueza do País. Prédio suntuoso, comme il faut.
Prédios antigos.
Não podia faltar a Praça Mauá, coração de Santos.
Depois a praia.
Prédios tortos. (é que eu sou um péssimo fotógrafo e não consigo passar para o leitor o quanto esses prédios estão tortos. Então pus umas setas pra ressaltar. Leve em consideração que a mureta com grade, em frente ao prédio, é que é a referência horizontal. Observe as setas à esquerda e à direita)
A casa em que ela nasceu. Era linda. Não é mais.
A última casa dela em Santos.
Minha última casa em Santos (quando eu morava lá, ela não era horrorosamente verde, assim como está).

Recordar, rever, é bom.

quinta-feira, 8 de junho de 2006

E deus criou a mulher


Pelo menos a minha foi criada no dia de hoje, há alguns anos. Iremos a Santos (afinal ambos nascemos lá) almoçar e curtir a data.
À meia-noite, estávamos no Genésio, Vila Madalena. Cantamos parabéns pra ela. Ordisi, Branco, as respectivas e eu.
Que a vida continue linda, amor.

quarta-feira, 7 de junho de 2006

Blogue com moderação


Hoje não vou postar nada. Saí para encontrar-me com Ordisi Raluz e Branco Leone. As respectivas estarão presentes.
O que é certo: tomaremos umas cachaças, uns choppinhos, comeremos uns bolinhos de carne, coisas assim.
Deus sabe o que mais virá.

Inutílcias


Por que os assassinos irmãos Cravinhos estão presos e a assassina Suzane está solta?
Porque a Suzane é Richthofen.
E os irmãos Cravinhos são Poorthofen.

terça-feira, 6 de junho de 2006

sábado, 3 de junho de 2006

Direito de não ficar doente


Meu cunhado foi quem me chamou a atenção para isso: a Constituição cidadã, de 1.988, não dá direito a assistência médica. Dá direito a saúde.
Daí o s-tevao:

CLIQUE

sexta-feira, 2 de junho de 2006

O livro e o blog


O livro tem uma, digamos, materialidade que o blog não tem. Tem peso, volume, cheiro. Principalmente cheiro. Que delícia, o cheiro de livros.
Certo. Isso, pra mim, é vantagem.
Há outras, claro.
Mas, na relação com o leitor, o livro é a prostituta.
Você vai ao bordel, melhor, à livraria, escolhe nas prateleiras um livro, paga por ele e o leva embora. Embora o leve, nem sempre o lê. Utiliza-se dele a seu bel prazer (eu sabia que um dia ainda conseguiria encaixar esse bel prazer em algum texto), depois o deixa em uma estante do escritório de sua casa. Ou, pior, relega o coitadinho a algum sebo empoeirado, desses do centro da cidade.
O blog não.
O blog você conhece por meio de algum amigo ou amiga que o recomenda. Ou por meio do Google, o que vem a dar no mesmo. O Google é o melhor amigo do homem na Internet. Parodiando o poetinha, o Google é o cachorro informatizado.
Estabelecido o contato, que é grátis (claro que para encontrá-lo você pagou um sistema qualquer de banda larga ou de linha discada, pagou um provedor etc e tal. Mas para encontrar-se com uma pessoa que seja um potencial relacionamento amoroso você sempre gasta algum), tudo pode acontecer: insatisfação total ou amor à leitura dos primeiros posts.
Se o caso for o último, estabelece-se uma relação duradoura. Quase todo dia você vai querer dar uma espiadinha no blog, fazer um comentário.
Aliás, essa é outra diferença fundamental. No livro, você pode, claro, escrever para o autor (se ele for vivo), por carta ou por e-mail. Mas é algo meio fora do padrão. E, além disso, algo do tipo one of a kind. Você não vai ficar a escrever ao autor toda semana.
No blog, tudo é diferente. Você pode fazer comentários todos os dias. Alguns leitores chegam a enlouquecer o blogueiro, com seus comentários. Tudo normal, aceitável.
O blog é amante. O blog é paixão, amor, relação que dura – pelo menos – mais que o tempo de uma única leitura de final de semana.
Do livro você guarda a sensação da leitura única. Essa será a que vai perdurar pelo resto da vida. A menos de uma releitura, ficção que costuma só existir em textos de críticos literários.
Do blog não. Dele você terá sensações diferentes a cada dia, mixed feelings cambiantes, com o passar do tempo. Tal como em uma relação amorosa.
Meu amigo Zezinho, do alto de sua vasta experiência, costumava dizer que a prostituição jamais acabaria. Talvez, do mesmo modo, os livros não acabem.
Mas o tempo é dos blogs.

terça-feira, 30 de maio de 2006

e-stevao papal


"Onde estava Deus?", pergunta Bento 16


Em emotiva visita ao campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, pontífice diz ser impossível entender "triunfo do mal". (Folha de S.Paulo, 29/05/2006, só para assinantes do UOL ou da Folha)

Daí:

CLIQUE

sábado, 27 de maio de 2006

e-stevaos


Carlos Estevão foi o cartunista das dicotomias.
Exemplos disso são estes.

Mas o que mais me agrada nele são os jogos de real – sombra.
Este aí embaixo é um exemplo pálido.

Há toda uma série que lida com sombras: As Aparências Enganam

Resolvi adaptar esses jogos dicotômicos à Internet.
É simples. Ao invés de apresentar o contraponto por meio de sombra, vai-se da tese à antítese por meio de um clique do mouse (rato).
Assim:

CLIQUE

E, para homenagear Carlos Estevão, resolvi chamar tais jogos de e-stevaos. Assim, sem acento e sem til. Mas pronuncia-se istêvãos.

sexta-feira, 26 de maio de 2006

Professor Cauby


Segunda à noite, 22, Bar Brahma.
Pra ver e ouvir Cauby Peixoto.
Esqueci de carregar a bateria da máquina. Só deu pra tirar esta foto. Mas o som, que realmente é o que importa, no caso, você vai ter de ouvir lá
O garoto mal consegue andar. Tem de ser ajudado, ao chegar e ao sair. E nem é tão velho assim (72).
Mas a voz.
Com essa ele faz rigorosamente o que quer.
Quem mora em São Paulo, ou tem como dar um pulinho aqui, não perca. Só que tem de reservar com várias semanas de antecedência.

Agora já estou me preparando pra assistir ao show de Jamelão.
Que, por sinal, faz 95 anos esta semana.
(e manda três doses de whisky cowboy durante o show, de mais de duas horas).

Um Rio de Janeiro bucólico


Depois da festa de minha tia Clarisse, foi a vez de passar um domingo com as irmãs e os cunhados.
Surpresa: o apartamento de minha irmã mais nova, na Barra, não parece estar no Rio de Janeiro. Do condomínio, caminha-se até o embarcadouro da lagoa que nos separa do mar. A travessia é rápida. Alguns poucos minutinhos. A reserva florestal é exuberante.



Eis a praia. Água límpida, com vários tons de azul.

O retorno:

(com direito a plantação de cactos no telhado de casa abandonada)

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Os 70 anos de minha tia Clarisse


Começo por explicar que meu avô materno, Vicente, filho de italianos, era o que hoje se chama um garanhão. Casou-se com minha avó Amélia quando ela tinha 16 aninhos. Ela teve quatro filhos em seqüência anual: Celina, Antero, Olinda e um tio meu que morreu criança (Silas). Aos 22 anos Amélia morreu, vítima da febre amarela. Que fêz Vicente? Casou-se com a irmã de Amélia, tia Tuta. Daí nasceram meus tios Afrânio e Paulo. Afrânio sofreu acidente de trem aos 4 anos (ou algo assim). Ficou sem um braço e sem uma perna. E vive maravilhosamente bem até hoje. Já teve várias esposas (com as quais teve vários filhos). Agora, após os oitenta anos, acaba de arrumar nova companheira. Jovem, claro. Preciso lembrar de perguntar a ele qual é o segredo disso.
Ao morrer a tia Tuta, meu avô Vicente casou-se com uma linda mulher de olhos claros (nunca sei se eram verdes ou azuis). Dona Chiquinha.
E vieram Vadinho e Clarisse. Meus tios últimos.
A grande lição que Vadinho me deu, já lá se vão vários anos, foi:
A coisa de que mais gosta um careca é pente.
Tens toda razão, tio. Hoje sei.
Minha tia Clarisse é fantástica. Conseguiu achar um gaúcho excelente e casou-se com ele. Considere-se que achar um gaúcho excelente não é pra qualquer um (pronto, perdi vários leitores gaúchos). E tem blog, pode?
Bom. Dito isto, aí vão algumas fotos da comemoração dos 70 anos de Clarisse, minha tia que conseguiu misturar, na fisionomia, minha tia Olinda e minha mãe, Celina. Quer mais?
Clarisse e o indefectível bolo
tio Afrânio faz seu discurso
Tia Clarisse e seu maravilhoso gaúcho
Esta foto, ah esta foto. Aí estão os meus tios Paulo, Afrânio, Clarisse e Vadinho. Faltam meus tios Antero e Olinda. Já se foram. E minha mãe, Celina, que era considerada mãe, por todos eles. Essa, é figurinha carimbada. Pelo que aparece na foto e, também, pelo que não aparece.
Figurinha carimbada: meus tios

Deixa contar ainda um detalhe precioso sobre meu avô Vicente:
Meu pai estava noivo de minha mãe, quando descobriu (em algum exame) que tinha sífilis (teria aparecido algo como três cruzes no exame dele).
Foi até a casa de meu avô e declarou, solene:
Não posso casar com sua filha porque tenho três cruzes no sangue.
E meu avô Vicente:
Deixa disso. Eu tenho um cemitério no sangue.
Meu pai casou-se com minha mãe e a sífilis sumiu.

segunda-feira, 22 de maio de 2006

Síndrome de blogstinência


Sábado fomos ao Rio. Comemorar os setentinha de minha tia Clarisse. Domingo, passeio na Barra, com minha irmã e meu cunhado. Sem falar no neto, maravilhoso.
Tudo muito bom. Logo, logo, explico melhor e mostro algumas fotos.
Por enquanto, confesso que tive uma leve crise de blogstinência. Abstinência de blogs. Doença incurável.

sexta-feira, 19 de maio de 2006

Falência


Alguém lembrou: essa polêmica toda sobre o bloqueio de uso de celulares em presídios seria resolvida de maneira simples: não permitir que os presos carregassem as baterias dos celulares (basta eliminar as tomadas de energia elétrica das celas e tornar inacessível a lâmpada do teto.)
Mas isso não é possível. Os presos têm o controle dos presídios.
Ou não?