sexta-feira, 2 de junho de 2006

O livro e o blog


O livro tem uma, digamos, materialidade que o blog não tem. Tem peso, volume, cheiro. Principalmente cheiro. Que delícia, o cheiro de livros.
Certo. Isso, pra mim, é vantagem.
Há outras, claro.
Mas, na relação com o leitor, o livro é a prostituta.
Você vai ao bordel, melhor, à livraria, escolhe nas prateleiras um livro, paga por ele e o leva embora. Embora o leve, nem sempre o lê. Utiliza-se dele a seu bel prazer (eu sabia que um dia ainda conseguiria encaixar esse bel prazer em algum texto), depois o deixa em uma estante do escritório de sua casa. Ou, pior, relega o coitadinho a algum sebo empoeirado, desses do centro da cidade.
O blog não.
O blog você conhece por meio de algum amigo ou amiga que o recomenda. Ou por meio do Google, o que vem a dar no mesmo. O Google é o melhor amigo do homem na Internet. Parodiando o poetinha, o Google é o cachorro informatizado.
Estabelecido o contato, que é grátis (claro que para encontrá-lo você pagou um sistema qualquer de banda larga ou de linha discada, pagou um provedor etc e tal. Mas para encontrar-se com uma pessoa que seja um potencial relacionamento amoroso você sempre gasta algum), tudo pode acontecer: insatisfação total ou amor à leitura dos primeiros posts.
Se o caso for o último, estabelece-se uma relação duradoura. Quase todo dia você vai querer dar uma espiadinha no blog, fazer um comentário.
Aliás, essa é outra diferença fundamental. No livro, você pode, claro, escrever para o autor (se ele for vivo), por carta ou por e-mail. Mas é algo meio fora do padrão. E, além disso, algo do tipo one of a kind. Você não vai ficar a escrever ao autor toda semana.
No blog, tudo é diferente. Você pode fazer comentários todos os dias. Alguns leitores chegam a enlouquecer o blogueiro, com seus comentários. Tudo normal, aceitável.
O blog é amante. O blog é paixão, amor, relação que dura – pelo menos – mais que o tempo de uma única leitura de final de semana.
Do livro você guarda a sensação da leitura única. Essa será a que vai perdurar pelo resto da vida. A menos de uma releitura, ficção que costuma só existir em textos de críticos literários.
Do blog não. Dele você terá sensações diferentes a cada dia, mixed feelings cambiantes, com o passar do tempo. Tal como em uma relação amorosa.
Meu amigo Zezinho, do alto de sua vasta experiência, costumava dizer que a prostituição jamais acabaria. Talvez, do mesmo modo, os livros não acabem.
Mas o tempo é dos blogs.

terça-feira, 30 de maio de 2006

e-stevao papal


"Onde estava Deus?", pergunta Bento 16


Em emotiva visita ao campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, pontífice diz ser impossível entender "triunfo do mal". (Folha de S.Paulo, 29/05/2006, só para assinantes do UOL ou da Folha)

Daí:

CLIQUE

sábado, 27 de maio de 2006

e-stevaos


Carlos Estevão foi o cartunista das dicotomias.
Exemplos disso são estes.

Mas o que mais me agrada nele são os jogos de real – sombra.
Este aí embaixo é um exemplo pálido.

Há toda uma série que lida com sombras: As Aparências Enganam

Resolvi adaptar esses jogos dicotômicos à Internet.
É simples. Ao invés de apresentar o contraponto por meio de sombra, vai-se da tese à antítese por meio de um clique do mouse (rato).
Assim:

CLIQUE

E, para homenagear Carlos Estevão, resolvi chamar tais jogos de e-stevaos. Assim, sem acento e sem til. Mas pronuncia-se istêvãos.

sexta-feira, 26 de maio de 2006

Professor Cauby


Segunda à noite, 22, Bar Brahma.
Pra ver e ouvir Cauby Peixoto.
Esqueci de carregar a bateria da máquina. Só deu pra tirar esta foto. Mas o som, que realmente é o que importa, no caso, você vai ter de ouvir lá
O garoto mal consegue andar. Tem de ser ajudado, ao chegar e ao sair. E nem é tão velho assim (72).
Mas a voz.
Com essa ele faz rigorosamente o que quer.
Quem mora em São Paulo, ou tem como dar um pulinho aqui, não perca. Só que tem de reservar com várias semanas de antecedência.

Agora já estou me preparando pra assistir ao show de Jamelão.
Que, por sinal, faz 95 anos esta semana.
(e manda três doses de whisky cowboy durante o show, de mais de duas horas).

Um Rio de Janeiro bucólico


Depois da festa de minha tia Clarisse, foi a vez de passar um domingo com as irmãs e os cunhados.
Surpresa: o apartamento de minha irmã mais nova, na Barra, não parece estar no Rio de Janeiro. Do condomínio, caminha-se até o embarcadouro da lagoa que nos separa do mar. A travessia é rápida. Alguns poucos minutinhos. A reserva florestal é exuberante.



Eis a praia. Água límpida, com vários tons de azul.

O retorno:

(com direito a plantação de cactos no telhado de casa abandonada)

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Os 70 anos de minha tia Clarisse


Começo por explicar que meu avô materno, Vicente, filho de italianos, era o que hoje se chama um garanhão. Casou-se com minha avó Amélia quando ela tinha 16 aninhos. Ela teve quatro filhos em seqüência anual: Celina, Antero, Olinda e um tio meu que morreu criança (Silas). Aos 22 anos Amélia morreu, vítima da febre amarela. Que fêz Vicente? Casou-se com a irmã de Amélia, tia Tuta. Daí nasceram meus tios Afrânio e Paulo. Afrânio sofreu acidente de trem aos 4 anos (ou algo assim). Ficou sem um braço e sem uma perna. E vive maravilhosamente bem até hoje. Já teve várias esposas (com as quais teve vários filhos). Agora, após os oitenta anos, acaba de arrumar nova companheira. Jovem, claro. Preciso lembrar de perguntar a ele qual é o segredo disso.
Ao morrer a tia Tuta, meu avô Vicente casou-se com uma linda mulher de olhos claros (nunca sei se eram verdes ou azuis). Dona Chiquinha.
E vieram Vadinho e Clarisse. Meus tios últimos.
A grande lição que Vadinho me deu, já lá se vão vários anos, foi:
A coisa de que mais gosta um careca é pente.
Tens toda razão, tio. Hoje sei.
Minha tia Clarisse é fantástica. Conseguiu achar um gaúcho excelente e casou-se com ele. Considere-se que achar um gaúcho excelente não é pra qualquer um (pronto, perdi vários leitores gaúchos). E tem blog, pode?
Bom. Dito isto, aí vão algumas fotos da comemoração dos 70 anos de Clarisse, minha tia que conseguiu misturar, na fisionomia, minha tia Olinda e minha mãe, Celina. Quer mais?
Clarisse e o indefectível bolo
tio Afrânio faz seu discurso
Tia Clarisse e seu maravilhoso gaúcho
Esta foto, ah esta foto. Aí estão os meus tios Paulo, Afrânio, Clarisse e Vadinho. Faltam meus tios Antero e Olinda. Já se foram. E minha mãe, Celina, que era considerada mãe, por todos eles. Essa, é figurinha carimbada. Pelo que aparece na foto e, também, pelo que não aparece.
Figurinha carimbada: meus tios

Deixa contar ainda um detalhe precioso sobre meu avô Vicente:
Meu pai estava noivo de minha mãe, quando descobriu (em algum exame) que tinha sífilis (teria aparecido algo como três cruzes no exame dele).
Foi até a casa de meu avô e declarou, solene:
Não posso casar com sua filha porque tenho três cruzes no sangue.
E meu avô Vicente:
Deixa disso. Eu tenho um cemitério no sangue.
Meu pai casou-se com minha mãe e a sífilis sumiu.

segunda-feira, 22 de maio de 2006

Síndrome de blogstinência


Sábado fomos ao Rio. Comemorar os setentinha de minha tia Clarisse. Domingo, passeio na Barra, com minha irmã e meu cunhado. Sem falar no neto, maravilhoso.
Tudo muito bom. Logo, logo, explico melhor e mostro algumas fotos.
Por enquanto, confesso que tive uma leve crise de blogstinência. Abstinência de blogs. Doença incurável.

sexta-feira, 19 de maio de 2006

Falência


Alguém lembrou: essa polêmica toda sobre o bloqueio de uso de celulares em presídios seria resolvida de maneira simples: não permitir que os presos carregassem as baterias dos celulares (basta eliminar as tomadas de energia elétrica das celas e tornar inacessível a lâmpada do teto.)
Mas isso não é possível. Os presos têm o controle dos presídios.
Ou não?

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Mentira!


É falsa a notícia dada pelo Diário de Notícias, de Portugal, de que Marcola (o chefe do PCC – Primeiro Comando da Capital, organização criminosa não governamental) teria dado entrevista à TV Bandeirantes via telemóvel.

A entrevista foi via celular.

quarta-feira, 17 de maio de 2006

Meus sonhos se realizam


Outro dia confessei, aqui, que gostaria de ver um dia, em algum jornal, a manchete

HOJE NÃO HÁ NOTÍCIA

DIGNA DE MANCHETE


Pois não é que o maluco do Bono ficou um dia como chefe de redação do The Independent e realizou meu desejo?

Obrigado, Bono

terça-feira, 16 de maio de 2006

Contabilidade da crise em São Paulo


Alguém recebeu e não entregou o produto ou serviço.
O credor ficou infeliz e resolveu mostrar que sabia cobrar.
O devedor tentou resistir mas pediu arrego.
Negociou e repactuou. E a paz voltou.
Deve ter saído bem mais caro do que se tivesse cumprido o primeiro acordo.
Sem falar nas mortes.

Resta a dúvida: qual era o trato?
Palpite: fica a forte impressão de que envolvia financiamento de campanha eleitoral.
Afinal, estamos a pouco mais de quatro meses das eleições.

segunda-feira, 15 de maio de 2006

Anotações no rodapé da barbárie (III)


Depois de uma hora de Marginal Pinheiros, cheguei em casa. Quer o governo decrete o toque de recolher, quer não o faça, o povo já resolveu: todo mundo pra casa. Alguns já conseguiram chegar. Outros estão tentando.

*****


A entrevista do comandante da Polícia Militar de São Paulo, Elizeu Eclair, só merece um comentário: é melhor ouvi-la do que ser surdo.

*****


O douto Eclair esclarece, em sua entrevista: a culpa é do pessoal que espalha boatos alarmantes pela Internet. Está tudo sob controle: o comércio quase todo fechado, os ônibus quase todos guardados nas garagens, agências bancárias atacadas, ônibus incendiados etc etc etc. Mas tudo sob controle. Ah. E continua morrendo gente. Sob controle.

*****


O galhardo comandante deveria chamar-se Fecho Eclair. E ficar de boca fechada.

*****

Anotações no rodapé da barbárie (II)


Quando saí do escritório para almoçar, encontrei as ruas de Osasco cheias de pessoas assustadas e o comércio fechado. Um pequeno restaurante a quilo no qual costumo almoçar insistia em permanecer aberto. Não comi. Engoli a comida.

*****


Noticiou-se a decretação de toque de recolher a partir das 20 horas. Mas ainda não foi confirmada, essa providência.

*****


Agora vou tirar o carro do estacionamento (que está fechado) e tentar voltar para casa. De lá, continuo. Até mais.

*****

Baile da Ilha Fiscal – versão século XXI


O Estado de São Paulo está nas mãos de facínoras.
Entenda a afirmação acima como quiser.
Agora: o mais surpreendente é que amanhã, entre ônibus queimados e policiais assassinados, a população vai parar, atônita, diante dos aparelhos de TV.



Para saber quais os 23 jogadores que Parreira levará para a Copa da Alemanha.

Anotações no rodapé da barbárie


São 22:12. Acabo de ver/ouvir o governador do Estado de São Paulo, na TV Globo:
- Estamos retomando o controle da situação.
Menos mal. Pelo menos reconhece, tacitamente, que perdera o controle.

*****


A situação se agrava no Estado de São Paulo. Mais ônibus estão sendo queimados. Uma agência bancária incendiada.
E as autoridades continuam com cara de paisagem.

*****


É evidente que vivemos uma guerra civil. O exército está esperando o quê pra assumir a defesa da sociedade: aumento de salário?

*****


A guerra se alastra para os Estados de Mato Grosso do Sul e Paraná.

*****


Querem resolver a situação?
Façam o que haviam combinado com a bandidagem.
A guerra termina.
Agora, não me venham com notícias do tipo: os bandidos queriam televisores para ver a Copa, visitas íntimas etc etc (ouvi isso agora há pouco, na TV)
O combinado devia ser muito mais macro, digamos assim.

*****

domingo, 14 de maio de 2006

Vinhais e o jeitinho brasileiro


Penso ter encontrado, lá na minha Vinhais, o DNA do jeitinho brasileiro.
Ocorre que o padre da paróquia da vila (Vinhais é uma vila) andou a percorrer as casas recolhendo envelopes com donativos para a igreja.
Descobriu, ao abri-los, que vários nada continham e outros tantos continham pedaços de jornal.
Encontrei essa notícia neste blog. Nos comentários, vários vinhaenses criticam essa atitude de muitos com o argumento – sem dúvida válido – de que seria mais adequado explicitar que nada ofertariam à igreja.
Ora, ocorre que essa postura transparente sempre acaba por trazer problemas no futuro, particularmente se considerarmos que se está a falar de lugar de poucos habitantes, no qual todos se conhecem.
Vai daí, a turma resolveu enrolar o padre.
Você devolve ao padre um envelope recheado, ele fica com excelente impressão sua e você nada desembolsa.
Perfeito. Puro jeitinho brasileiro. Ou vinhaense. Sei lá.

O tucanato e a barbárie


Os tucanos governam o estado de São Paulo há doze anos. Munidos de uma empáfia ímpar, conseguiram conduzir-nos à barbárie.
O que está ocorrendo neste Estado da Federação nas últimas horas é a prova cabal da falência absoluta das instituições.
Não sei precisamente o que aconteceu para que bandidos saíssem matando policiais (no momento em que escrevo já foram assassinados trinta). Mas uma coisa é evidente:

Alguém descumpriu algum acordo.

A promiscuidade entre os marginais e os encarregados da segurança pública ficou clara. Alguma grana não rolou. Ou rolou e a contrapartida não aconteceu. Ou sei lá mais o quê.
Por incrível que pareça, a única atitude das autoridades (governador, secretário de segurança etc) é a de fazer cara de paisagem e garantir que está tudo sob estrito controle.
E continuam as mortes.
E as rebeliões em presídios: mais de vinte presídios amotinados, demonstrando o alto grau de organização das facções criminosas informais, em chocante contraste com o total despreparo e desordem das facções criminosas de carteira assinada.
Pois é disso que se trata. Quantos estarão na folha de pagamento do Marcola?
E querem levar o Geraldo pra presidência da República.
Há muito tempo eu não via figura tão inepta atingir patamar tão pretensioso. E olha que eu já vi até demais.

sexta-feira, 12 de maio de 2006

Sangue


Hoje, em conversa telefônica com a baixinha, nossa filha que foi pra Austrália estranhou um comentário da mãe:
- Só sou feliz se meus filhos estiverem felizes.
- Por quê? Você não é feliz com seu marido, com sua vida?, disse ela.
Não. Os filhos são nervo exposto.
Ela só vai entender isso no dia em que for mãe.

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Eleições em São Paulo


A campanha para a eleição do governador do estado de São Paulo deverá ser um tanto divertida (claro que isso depende do tipo de humor preferido pelo cidadão).
O favorito, José Serra, foi definido por quem parece conhecê-lo bem: FHC.
Fernandinho, do alto de sua empáfia, conseguiu – em duas frases – ridicularizar os candidatos de seu próprio partido à presidência e ao governo de São Paulo.
Dizem que ele disse, com sarcasmo escorrendo do canto da boca:
Serra tem plano pra tudo.
Alckmin não tem plano pra nada.

A verdade é que o Serra resolve tudo. Dos problemas do Palmeiras à erradicação da dengue.
Vai ser bom ouvir como tudo tem solução. Sempre anima a gente.
Do outro lado, Aloísio Mercadante, conhecido em Brasília como MercaPedante.
Mercadante sofre de uma doença crônica: a numerorréia, prima carnal da verborréia.
Não me canso de admirar a rapidez com que ele desfila percentuais durante suas entrevistas. O truque é simples: como ninguém vai conferir mesmo, nada como distribuir algarismos pra todo lado.
Minha intuição me garante que 93,45% dos números que ele cospe são furados (olha como a doença pega).

Os projetos e a Morte


Minha relação com a Morte é um pouco como a de Sheerazade com o sultão. Fico a inventar projetos e mais projetos para distraí-la. Sempre que ela se avizinha e me sussurra:
- Já não chega? Vamo-nos.
Respondo que não, que ainda há alguns projetos que não se transformaram em realidade.
Agora, por exemplo, é o projeto de ir morar em Trás-os-Montes. Ela que espere.
E, quando lá eu estiver, já estarei cheio de novos planos, novos projetos. Ela pensa o quê.
Já tive projeto de atingir um saber total. Isso, quando era adolescente. Dotado da estupidez própria dessa fase da vida, imaginava o saber como alguma coisa cumulativa, que se ia amontoando na cabeça da gente. E dá-lhe leitura e mais leitura.
Quando alguém me disse que cultura é aquilo que fica quando a gente já esqueceu tudo que aprendeu, fiquei meio sem rumo.
Antes que Ela viesse me pegar de surpresa, parti para o projeto de transformar o mundo.
De maneira um tanto desagradável, pra dizer o mínimo, descobri que o mundo não estava interessado em meus projetos para transformá-lo. Mundo ingrato.
Se o macro não deu certo, resolvi projetar no meu micro mundo.
Desenvolvi projetos heterodoxos de como educar os filhos que eu ainda não tinha.
Quando eles chegaram, pus-me a trocar fraldas e deixei de lado meus projetos.
Por pouco tempo.
Tive projetos de livros. Tenho um amigo que até hoje não se conforma de eu não ter escrito o livro sobre Cipriano Barata, sobre o qual tanto pesquisei. Na época eu não percebia, mas minha pesquisa era mais um truque pra distraí-La.
E mais e mais projetos, sempre postergando meu encontro definitivo com Ela.
Porque a Morte é a ausência de projetos.
Ou, claro, uma falência múltipla de órgãos.

segunda-feira, 8 de maio de 2006

Ranger de dentes


Amigo meu garante: conhece assessor de Henrique Meirelles, o chefão do Banco Central. E esse assessor contou que o Henrique usa um aparelho nos dentes pra não ranger. Quando chega em algum almoço oficial leva a mão à boca, discretamente, pega o aparelho e enfia no bolso do paletó.
O Claudio Humberto vivia insinuando que o Meirelles transformava-se em Cecília, nas festas que dava nos USA quando era presidente do BankBoston, atual Bostaú.
Enfim, estamos em boas mãos.

Gospel music


A perfeição em música, se existe, chama-se Bill Gaither.


Simplesmente perfeito

Foi em novembro de 2.001. Fomos, a baixinha e eu, passar quase vinte dias em Paris.
Queríamos fingir que vivíamos lá. Pra isso, ficamos em um apart hotel. Tínhamos de fazer compras, preparar as refeições, enfim, fazer de conta que morávamos lá. Íamos com freqüência ao supermercado, à padaria etc e tal. (até consegui ficar doente e ser atendido por um médico pra lá de simpático, numa gelada noite de sábado).
À noite, depois que ela ia dormir, eu ficava na sala, vendo TV. Lembro de ter assistido a um campeonato mundial de levantamento de peso. E via anúncios de uns DVDs em homenagem a Billy Graham, num canal inglês. Anotei o endereço da Internet. Chegando ao Brasil, encomendei os DVDs.
Maravilha pura. Foi quando descobri que tudo que Bill Gaither faz ou dirige, sai perfeito.
O cara deve ser um tremendo chato.
Mas que coisa fantástica, tudo o que ele produz.
Se eu fosse você, corria atrás.

domingo, 7 de maio de 2006

O que vale


Nos tempos da ditadura militar (que - hoje - parece, todo mundo odiava. Aliás, em Portugal também, parece que todo mundo era contra Salazar. Ele deve ter sido muito solitário, em sua ditadura de décadas), as coisas podiam ser ditas nos meios de comunicação na dependência de sua respectiva audiência. No Jornal Nacional (TV), nada. Na imprensa diária ou nas revistas semanais, alguma coisinha. Nos jornais alternativos, tipo Pasquim, Opinião, Movimento, mais um pouco.
Hoje, pode-se vociferar na Internet. Que diferença faz? O povão vota em Lulla.
Estamos em plena democracia faz-de-conta. Estado de direito? O Poder Judiciário compete com o Poder de Imprensa pra saber quem é o mais corrupto. Deputados, senadores? Fichinha, meus filhos. Fichinha. Executivo? Fica com as sobras.
Não tenham dúvida: Justiça e Imprensa são campeões.

Ainda o depoimento do Silvinho


Algumas coisas ficaram claras:
- Silvinho ganhou só raspas do tacho. Até por isso, caiu na esparrela do Land Rover.
- Está furioso. Justamente porque não tem o suficiente para viver tranqüilo. Vejam o Palocci, por exemplo. Teria de voltar a seu emprego de funcionário público estadual no estado de São Paulo. Pediu licença - sem remuneração - por dois anos. E alugou uma bela casa em Brasília. Deve ter os tubos lá fora. E aqui.
Silvinho era um pobre Osasquense (nativo de Osasco, Grande São Paulo), com visão um tanto limitada. Não conseguiu juntar o suficiente, enquanto a mamata durou. Comprou casa na praia, não investiu em centro de receita. Só em centro de despesas. Está duro.
- Resolveu dar umas latidinhas. Pra ver se o pessoal do governo e do PT acorda. Não disse nada substantivo. Só ameaçou. Sua entrevista pode ser resumida assim: Olha, turma, estou aqui. E puto da vida. Façam alguma coisa.
Será que a quadrilha vai atender seu apelo?

sábado, 6 de maio de 2006

Silvio Land Rover Pereira abriu o bico


Dá um carro novo pra ele, Lulla, se não o homem não pára de falar.

Não sei se o link acima é aberto a todos ou só aos assinantes da Folha ou do UOL.
Mas o blog do Moreno diz tudo, em primeira mão.

Atualização:

Há trechos interessantes na entrevista do Silvinho. Por exemplo:

Atrás do Marcos Valério deve haver cem Marcos Valérios.

ou

— Vão me matar. Eles vão me matar, você não entende.
Não faça isso comigo. Tem muita gente importante envolvida nisso — repetia Silvio, com os olhos arregalados.
Diante das argumentações sobre a necessidade de sua versão ser divulgada, já que ainda há fatos do escândalo que continuam obscuros para a opinião pública, Silvio ficou ainda mais nervoso e passou a se bater e a destruir o próprio apartamento. A repórter deixou o apartamento e pediu ajuda a uma vizinha, que chamou o serviço de ambulâncias.


Mas a impressão geral que me ficou é a de que ele continua mentindo horrores.

Bolívia não é só Evo Morales


Não há mar, mas há humor:


Clique aqui para saber sobre o evento

Explicar, elle explica.
A gente é que não entende.


Em 28 de janeiro de 1.994, A Folha publicou matéria de André Lozano que informava:
[...]Em setembro [de 1.993], durante viagem à região amazônica, o líder petista havia afirmado que no Congresso existiam 300 parlamentares corruptos. Maés – terra do guaraná – foi a quarta cidade visitada pela comitiva da "Caravana das Águas" – versão amazônica da Caravana da Cidadania– que segue viagem pelo rio Amazonas até Belém (PA).
"Aquilo que eu falei de 300 picaretas é um pouco mais", afirmou Lula referindo-se aos congressistas.
[...]
(Arquivos da Folha de S.Paulo, só para assinantes Folha ou UOL)

Só agora entendi:
Não era denúncia.
Era proposta de aliança política.

sexta-feira, 5 de maio de 2006

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Parabéns

Não é uma gracinha?


Cruz Hernandez Rivas, de El Salvador, completou ontem 128 aninhos.
Graças a ela, sinto-me um indivíduo de meia idade.

terça-feira, 2 de maio de 2006

Dois pesos, duas medidas


Quando Sócrates disse Só sei que nada sei, todo mundo achou que o cara era genial.
Aí vem o companheiro LuLLa, diz que Não sabe de nada e todo mundo acha que ele é sonso e mentiroso.
Assim não dá.

domingo, 30 de abril de 2006

PLUA


Desde quando a senadora Heloisa Helena criou o PSOL, ando com vontade de criar o PLUA (diz-se pê-lua, se faz favor).
Vamos tentar esclarecer as coisas direitinho: começo, meio e fim, de preferência nessa ordem.
E uma vez que o assunto preferido da classe média brasileira atualmente é corrupção, comecemos por ela.
A história já mostrou que definir como bandeira política o combate à corrupção só traz mais corrupção. Para ficar em alguns poucos exemplos mais notórios: Jânio Quadros elegeu-se presidente da República em 1.960 tendo a vassoura como símbolo de campanha. Revelou-se, ao longo de sua carreira política, um dos políticos mais inescrupulosos e corruptos que já tivemos, ainda que inteligente, espirituoso e simpaticamente folclórico. Pouco tempo depois, os militares assumiram a batuta da nação sob a égide do combate à subversão e à corrupção. Foi uma festa. Shigeaki Ueki, Delfim Neto e tantos outros que o digam. Até a máquina repressora, com seus porões de tortura, era movida a caixa 2. Agora, o PT, com toda sua enfadonha defesa da ética, deu no que deu.
Daí: o PLUA entende que a corrupção é – em primeiríssimo lugar – algo profundamente arraigado na população. Não são os políticos, os corruptos. Somos todos. E antes de se sentir ofendido, faz aí uma declaração retificadora de seu Imposto de Renda, declarando aquela graninha que você faturou informalmente, tirando aquele médico que você abateu de sua renda bruta porque viu no jornal que ele tinha morrido, deixando de colocar aquele sobrinho como dependente etc etc. E quando o guarda te parar na estrada, por excesso de velocidade, diz pra ele autuar, sem perdão. E quando passar a escritura daquele apê que você vendeu, coloca o real valor de venda. Chega, né não?
A corrupção jamais vai acabar. É como temperatura. É preciso mantê-la em níveis aceitáveis. E isso não se faz com vassoura ou canhão ou discurso. Faz-se com controle por meio de informática, números expostos na Internet, coisas assim. Mas nem de longe isso é o grande problema, para frustração dos moralistas.
Bom. Dito o que não é fundamental, vamos ao que é.
Não adianta o Brasil querer ser campeão mundial de futebol americano. Ou baseball.
Nosso negócio é mostrar competitividade em futebol, soccer, aquele esporte que pros americanos é coisa de mulher e que pra nós é coisa de macho. Fica mais barato. E mais possível.
Ou seja. O governo deve fomentar, incentivar, estimular, financiar os nichos em que já demonstramos excelência.
Você já ouviu falar de um candidato a presidente que tenha um grande, criativo, inovador plano de fomento ao turismo? Sabe por quê? Porque o Brasil é um paizinho sem atrativos naturais, quase sem praias, sem possibilidades de ecoturismo etc etc.
O governo entope a CUT, a UNE e o MST de grana (60 milhões nos últimos três anos, mas o governo FHC também derramava grana neles[só pra assinantes Folha ou UOL]). Vai sobrar algum pro turismo? Ora, o turismo.
Isso é só um exemplo.
Ou você pensa que logo de cara vou ter solução pra tudo? Necas.
Mas já deu pra entender um pouquinho? Se não, desiste do PLUA que você é meio devagar. Se sim, fica na sua que o PLUA é pura ficção.

Estupidez revisitada


No Paquistão, cidade de Hyderabad, uma jovem de 18 anos resolveu casar-se com o cidadão que ela amava. Isso foi em 2001.
A garota cometeu um pequeno deslize: casou-se sem o consentimento da família. Papai dela, inconformado, entrou com queixa na polícia alegando adultério.
Resultado: o casal foi preso e mantido em celas separadas durante a bagatela de cinco – eu disse cinco – anos.
Sem julgamento.
Agora, a moça (já com 23 aninhos) reclamou da demora e a Suprema Corte mandou que a questão seja julgada em primeira instância.
O jornal Dawn ainda acrescenta que esse tipo de coisa é comum, naquelas bandas.
Quer mais o quê?

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Cabelos brancos


E hoje cortei o cabelo. Bem rentinho, que é do jeito que ela gosta (eu acho um porre). E o comentário dela foi que não tinha reparado quantos cabelos brancos eu já mostrava ao mundo.
E me veio Cortázar, em Rayuela (Jogo da Amarelinha). Em algum lugar (com que diabos algum dos filhos sumiu com meu volume de Rayuela) Horacio Oliveira, o protagonista, fala de pessoas que apertam o tubo de pasta de dentes de baixo pra cima, organizadamente. E deixam o tubo, após uso, todo certinho, apertadinho do jeito racional. Os que apertam o tubo meio no meio, de qualquer jeito, são os outros. Os dele, Horacio.
E me vi ajeitando o tubo de pasta de dentes, agora há pouco, pra que ficasse perfeitinho.
E vi o que é a velhice. Além do que já disse Roberto Campos – a velhice é uma merda – há outras características da velhice (aliás, ainda não cheguei na merda).
Nela, você não consegue apertar o tubo impunemente. Sem referência. Há Horacio Oliveira, há o resto do mundo. Você já conviveu com ambos. Principalmente com o resto do mundo. E aperta o tubo. E não consegue não pensar.
E sabe (não sei como mas sabe) que tanto faz.
Talvez ficar velho seja chegar a Tanto Faz.
Capital: Ironia.

terça-feira, 25 de abril de 2006

Sonhos & Delírios


Imprensa


Adoraria acordar de manhã, pegar o jornal e dar de cara com a manchete:

HOJE NÃO HÁ NOTÍCIA

DIGNA DE MANCHETE


* * *


Televisão


Gostaria que a TV seguisse um caminho de algum modo inverso ao do cinema. Agora que já temos a TV digital, seria ótimo se chegasse a TV muda. Os telejornais, por exemplo, seriam muito mais divertidos.

* * *


Livros


Cada vez mais os livros são editados tendo em vista um consumo rápido. Daqui pra diante, quero meus livros com queijo: cheese-books.

* * *

sábado, 22 de abril de 2006

Profecia


No ano da graça de 1.974 eu trabalhava em uma empresa de engenharia, a Promon, em São Paulo.
Tinha um colega de trabalho, o Rudolf Schmidt, conhecido por Xis, que era membro de uma denominação evangélica muito afeita a estudos apocalípticos. Como um dos meus esportes favoritos sempre foi o de provocar discussões (pra lá de inúteis) com adeptos de seitas religiosas, eu vivia cutucando o Xis a respeito das teorias escatológicas dele.
Vai daí, apostamos um dia: o mundo vai acabar – no máximo – daqui a vinte anos.
Claro, ele, depois de estudar a Bíblia de trás pra diante, de cabeça pra baixo e tudo mais, chegara a essa conclusão. Ou melhor, alguns gurus dele, na tal seita da qual fazia parte, haviam concluído isso.
Ficamos assim: ele dizia que o mundo acabaria – o mais tardar – em 1.994. Eu apostei contra.
Tempo passou. Ele mudou de empresa. Depois, fui eu a abandonar a nave mãe.
Certo dia de 1.995, em meio a várias caipirinhas, lembrei-me do Xis e de nossa aposta.
Perdera contato com ele.
Dia seguinte, comecei a procurá-lo. Liga pra um , liga pra outro, descobri o telefone da casa dele.
- Alô.
- É da casa do Xis?
- Sim.
- Ele está? Sou um velho amigo.
- Faz tempo que o senhor não fala com ele, não é?
- Sim, muito tempo.
- Pois é. Ele faleceu ano passado.

Fiquei mudo. Desculpei-me sei lá como. Desliguei.
E não é que ele ganhou a aposta?
Ou eu, sei lá.

quinta-feira, 20 de abril de 2006

Os cem mais


Dá uma olhada na lista dos melhores livros de todos os tempos.
Há dois em português:
Saramago, com Ensaio sobre a Cegueira
E
Guimarães Rosa, com Grande Sertão: Veredas

Atualização (em 20/04/2.006): O Eubozeno, do excelente nese-nese, de Bragança, Portugal, alerta que há outro livro de língua portuguesa na lista: O Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa (como Bernardo Soares). Havia me escapado. Outra observação do Antonio Eubozeno: a lista não deveria ser de 100, número redondo. Deveria ser de 107. Na verdade, se novamente não me escapa algo, a lista tem 98 livros.

sábado, 15 de abril de 2006

Maurício Matos Peixoto

O maior mérito do Maurício foi o de ter conquistado...

Hoje, ele completa 85 anos.
Quero que ele receba – mais que meu abraço – meu sentimento de admiração. Pela inteligência ímpar, pela simplicidade sem par.


...minha irmã, que é simplesmente o máximo.

Floripa, outra vez, Floripa


Aqui estamos, desde ontem. Viemos visitar minha irmã, aproveitando o santo feriado santo.
Me dá um certo remorso. Talvez, por ser ateu, devesse eu trabalhar na sexta santa.
Por outro lado (sempre há um outro lado, quando isso nos convém), há o preceito constitucional contra a discriminação religiosa. Portanto, não posso trabalhar só porque sou ateu, enquanto os que acreditam em coisas tais como a eucaristia, a multiplicação de pães e peixes e a ressurreição de Lázaro ficam de papo pro ar.
Enfim, gozemos as delícias da Páscoa.
Desejo a todos continuação de boa vida.
Amém.

quarta-feira, 12 de abril de 2006

Caldeirada em São Paulo


Um grupo de amigos portugueses reuniu-se, dia 5, para uma caldeirada regada a vinho e fado. Essa reunião já é hábito de mais de vinte anos.
Os fadistas: Mario Rui, guitarra. Bonfim, violão. E a voz de Conceição de Freitas.
Alguns dos participantes do grupo também cantaram.
Fui convidado por meu (quase) primo Artur que, aliás, forneceu a caldeirada (maravilhosa).
Como não pedi autorização dos participantes para publicar as fotos, aqui vão apenas as que fiz dos músicos.
Mario Rui
Conceição de Freitas
Bonfim

sábado, 8 de abril de 2006

Assim não dá


Estão querendo acabar com convicções profundas.
Mais: acabar com expressões consagradas.

Por sugestão do Ordisi, fui ler o Jerusalem Post. Acho que o meu caro Ordisi já deu a ideia por pura sacanagem. É muito chato, o JP. A não ser por um artigo sobre o sucesso do teatro alternativo em Tel Aviv, mesmo assim graças ao maestro louco que ilustra o texto.

Fyodor Makarov

Em compensação, o Israel Insider está cheio de matérias interessantes.

Mas alto lá!

Depois de anos e anos de malhação do Judas, vêm me contar que Judas e Jesus estavam combinados?
Mais ainda: Jesus não pode mais ensinar o caminho das pedras. Ele andou sobre uma camada fina de gelo.

Durma-se, com todo esse barulho.

Perdoem a falta de escolha, os dias eram assim


A letra de Vitor Martins para a música de Ivan Lins brotou em mim logo que percebi, no Site Meter, que havia alguém, na Noruega, mais precisamente na cidade de Saksvik, região de Sor-Trondelag, sentadinho(a) na Norwegian University of Science and Technology, a ler meu blog durante o dia 7 de abril quase inteirinho. Foram 11 acessos ao longo de 13 horas.
Lembrei-me da década de 70. Era preciso assinar – a peso de ouro – o Le Monde e recebê-lo com uma semana de atraso, pelo correio.
Meus deuses. Como os tempos mudaram. E ainda há quem me diga: precisas colocar tudo isso em livro.
Livro?
Como deveria proceder eu, pra que alguém em Saksvik lesse meu livro?


(guardo um certo pudor de mencionar – aqui – os acessos a meu blog, suas características. Sinto-me, de algum modo, a invadir a privacidade do leitor. Mas, neste caso, a tentação foi irresistível. Perdoe-me o leitor norueguês).

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Notícia sem hora nem vez


Segundo o Ghanaian Chronicle, tem um cara lá em Ghana (É. Ghana. Qual o problema?) que parece ser o Roberto Jefferson deles.
O cara era presidente de um partido político (o NPP – New Patriotic Party) e denunciou corrupção no governo.
Tomou um chega pra lá do governo e passou um tempo na moita.
O moço se chama Harona Esseku.
Diria o companheiro Nãossei Nada da Silva:
Esseku não conheço. Mas aquele, o cantor de ópera, me complicou a vida.

Entreouvido no bar


- O técnico do Corinthians é metrossexual. Você também?
- Que nada, cara. No máximo uns 15 centímetros.

***

- O Corinthians ganhou do Universidad Catolica, lá no Chile, com dois jogadores a menos.
- Pois é. Se tirar mais uns dois ou três cabeças de bagre, esse time fica imbatível.

***

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Errata


Às vezes, as correções dos erros são mais terríveis - ou engraçadas, ou tristes - que os próprios erros.

Lembro da apostila de Geometria no Espaço em que estudei para o vestibular. Era de autoria do prof. Castrucci. Naquele tempo não havia Word. As coisas eram bem mais complicadas no mundo da edição de livros. Uma vez impresso o texto todo, mesmo após incansáveis revisões, descobriam-se erros. O que era possível: fazer uma folha a ser inserida no final, contendo as correções dos últimos erros detectados.
Foi o que fez o decano professor. E meu exemplar trazia - no alto da última página - o título: ERRETA. Não é de chorar?

Mas pra alegrar este post, aí vai um item da seção Erramos, da Folha de S.Paulo, de 23 de março deste ano (só para assinantes da Folha ou do UOL):

A espécie de tartaruga tigre-d'água-americano possui manchas vermelhas na cabeça, e não uma orelha vermelha, como informou erroneamente o texto "Tartarugas são retiradas da República" (Cotidiano, pág. C8, 9/3). Tartarugas não têm orelhas.
(grifos meus)

terça-feira, 4 de abril de 2006

Nozes a quem não tem dentes?


Vai daí que eu estava a ler o The Sydney Morning Herald, jornal australiano (por que? não posso?) e esbarrei com este artigo.
Se você prefere, eu resumo pra você:
Um economista neozelandês - ou, mais fácil, kiwi – que trabalha como jornalista no Dominion Post de Wellington, Nova Zelândia, ganhou uma bolada de 42,5 milhões de dólares (como o jornal é australiano, penso que são dólares australianos, o que nos leva a pouco mais de 30 milhões de dólares americanos ou 25 milhões de euros).
Como o sortudo ganhou tudo isso?
O filho dele é daqueles geniozinhos da informática e desenvolveu um software, o Kiwi (que, diga-se, eu não conheço). E o diabo do Kiwi (o software, não o neozelandês), foi vendido para a Fairfax pela bagatela de 670 milhões de dólares (novamente, australianos, penso eu). Como o papai do moço tinha 6,7% do negócio, recebeu o que recebeu.
Até aí, mais uma história de sorte.
Acontece que o Gareth (esse é o nome do papai, de 52 anos) sentou pra conversar com a Jo (que vem a ser a mamãe do garotão gênio) e chegaram à conclusão de que era muita areia pro caminhãozinho deles.
Disse o Gareth:
- Eu simplesmente não consigo pensar em quê fazer com isso.
E continuou:
- Eu trabalho porque gosto. Desde que você viva dentro do limite de suas posses, não interessa quanto é o seu salário.
Resumo: vão doar o dinheirão todo pra instituições de caridade.
O único problema deles, agora, é escolher quais.
Pode?

sábado, 1 de abril de 2006

Preces têm preço


Parece que o excelente Diário Ateísta ainda não se ocupou do assunto. Quando o fizer, certamente o fará a sério. Quanto a mim, não posso deixar de brincar com o assunto.
Está na Folha de S.Paulo de hoje (só pra assinantes da Folha ou do UOL).
Mas pode ser lido também no New York Times de ontem (em inglês).
Americanos (e quem mais faria um troço desses?!) fizeram uma pesquisa ao longo de quase uma década com mais de 1.800 pessoas em recuperação de cirurgias cardíacas para verificar o efeito de orações de terceiros na recuperação dos pacientes.
Chegaram à conclusão de que as orações não fazem efeito nenhum.
Pior: os pacientes que sabiam que havia gente orando por eles, esses tiveram mais complicações pós-operatórias, talvez (como sugerem os pesquisadores) graças à expectativa neles criada pelas tais orações.
Sendo assim, e como tenho muitos parentes doidinhos pra fazer oração em favor dos outros, sugiro o seguinte:
Quando eu tiver de operar o coração, desde que eu sobreviva, podem orar por mim à vontade. Pra mim, o máximo que poderia acontecer seria ter mais complicações pós-operatórias. Mas como não tenho nenhuma expectativa em relação ao efeito de tais orações, acho que nem isso vai acontecer.
Agora, pra vocês que estiverem orando, deve fazer um bem danado, né não?

Atualização (2/04/2.006): Pronto, o Diário Ateísta já escreveu sobre o assunto. Aqui.

sexta-feira, 31 de março de 2006

O rei está nu
(mas a rainha tem roupa pra chuchu)


O Chuchu começou sua campanha pra presidente deste país proclamando a necessidade de um banho de ética. Há muuuitos anos, um tal de Jânio se elegeu presidente com uma vassoura. Como a coisa piorou muito, de lá pra cá, parece que agora é preciso jogar água, também. Ou, quem sabe, o Jânio só falava em vassoura porque água não era propriamente o negócio dele. Como, aliás, no caso do atual. Deixa pra lá.
Vai daí, o Chuchu resolveu surfar na onda da moralidade. Só que surgiu um problema, digamos, caseiro (ops!).
Dona Lulu (a mulher do Chuchu) tem um costureiro. Sei lá eu por que cargas d’água (lá vem água, de novo), o designer resolveu botar a boca no mundo e disse que, durante os últimos anos, doou mais de 400 peças de roupa pra Lulu. Tudo de grátis.
Foi um perereco nas hostes tucanas e pefelistas. César Maia anunciou que aguardava explicações.
E, como a única coisa para a qual não cabe explicação é batom em cueca, o Chuchu e seus aspones imediatamente engendraram uma saída: todas as peças haviam sido doadas para uma casa de caridade, em lotes anuais, durante os últimos três anos.
Faltou combinar com a freirinha lá da casa de caridade. A dita cuja informou, candidamente, que faz alguns dias que ligaram pra lá pra doar algumas roupas. Mas que é a primeira vez que isso acontece.
Como candura fica bem em todo mundo, Lulu também resolveu esclarecer que não eram 400 peças, eram 40, só. Ah, bom.
Pra Lulu, não sei quantas peças foram. Mas, o que eu sei, é que em nós eles pregam peça toda hora.

quinta-feira, 30 de março de 2006

Paulo de Tarso Wenceslau


Não por nada, o rapaz devia chamar-se Perdeslau. Vai ser azarado assim no inferno.
Conheci PT (que não se perca pela sigla) na prisão, em 1.971. Na época havia uma controvérsia a respeito de quem teria informado a repressão sobre como encontrar Marighela. Os suspeitos, digamos assim, eram o Paulo de Tarso e os padres dominicanos presos em São Paulo, o Ivo e o Fernando.
PT jurava que não tinha sido ele. E, apesar de eu não me lembrar dos argumentos dele em sua própria defesa, parece que havia algum sentido em suas explicações.
Frei Betto parece que até escreveu um livro (que, óbvio, não li. Tenho mais a fazer) para provar que não foram os dominicanos.
Ficamos assim: parece – a julgar por tudo isso – que deve ter sido o próprio Marighela que ligou pro DOPS e pediu pra ser morto.
Mas voltemos ao nosso garoto, o PT.
Em função das dúvidas sobre quem disse, quem não disse, PT fazia de tudo para agradar a turma guardiã da alma revolucionária. Parece que obteve algum êxito. Alguns anos depois, lá estava ele, fundando o PT (agora sim, o nauseabundo Partido dos Trabalhadores).
Tudo estava a indicar que nosso garoto começava a ter sorte na vida. Mas a alegria durou pouco. Quando teve a ingenuidade de querer denunciar a roubalheira que corria solta nas prefeituras do PT, nosso PT tomou um chega-pra-lá do companheiro Lulla. Foi expulso e execrado.
Agora está aí, às voltas com tentativas de dizer o que sabe sobre Aquele-Que-Nada-Sabe.
PT jamais me pediu conselhos. Mas arrisco um: sai dessa, garoto. Por muito menos, uns tais de Celso e Toninho partiram desta pra melhor.
Não abuse da sorte que a tua já se viu que não é lá essas coisas.

quarta-feira, 29 de março de 2006

Amerai-vos!


Nim deraveis, nim comentóis. Serrimo-nos tercos.
Pátia coíbriga. Pir paledos, tur mansales, sejurnamente desverla-vos intorníveis rametráceos.
Cercônditos dotreitos arpúcios pertemperam mímias zazucréditas.
Tejemo-nos. Boleifas cárpais vocupletam amendos. Encruíveis fastúrias gastufletam solíficas.
Calta.
Habrerá ópegas qui intinedarão toifos us larápulos.
Nium pardem pur espriar.

terça-feira, 28 de março de 2006

Ideias do Meu Bazar


= Se você chuta o balde pra lavar a alma, derrama a água.

= Quando, ao final do expediente, o Palocci ia encontrar a misteriosa Carla na Casa do Lobby, ele não fazia mais do que treinar o que faria com a gente no dia seguinte.

= Se o Jorge Mattoso, por milagre, conseguir voltar à vida pública, sugiro que retorne como Jorge Ressuscittoso.

= Junta Palocci, Buratti, Poletto e não quer que acabe em pizza?

= Lulinha e Telemar: TUDO HAVER.

= LuLLa e Okamoto: o NÃOSSEI e o NISSEI.

= Tá bem. Fui companheiro de militância do Mattoso. Contemporâneo de presídio do Frei Betto (bem verdade que a contragosto de ambos). Dei umas aulinhas de marxismo pro Mantega. Daí a dizer que o culpado sou eu, vai uma certa distância.

Confusão


Confesso que estou confuso. Não porque Palocci pediu afastamento e ninguém sabe o que é isso.
Mas porque a raposa Mattoso (ou seria Jorge Rapposo?) foi lá na PF e entregou o chefe, com casca e tudo. E porque não sei o que faz o ingênuo Mantega no meio dessa história toda. E outros detalhes, pra mim significativos.
O Mantega é genovês. Meu filho, ao passar por Gênova, teve seu carro arrombado e suas malas roubadas. Acho que não tem a ver. Mas, como diria Sarney, parece mau agouro.
Sei lá.
Esse bando de gângsteres que assumiu a República é capaz de tudo e totalmente incapaz.
Dá pra entender?

domingo, 26 de março de 2006

Era uma vez - XXX
Jorge Mattoso, o Renato do POC


Já resumi aqui a formação do POC (Partido Operário Comunista) como junção de dissidência da POLOP com dissidência gaúcha do Partidão.
Essa dissidência gaúcha deu muito trabalho. Liderada pelo Emílio (nome de guerra de Fábio), vivia às turras com a direção nacional, que ficava em São Paulo.
Houve até um episódio divertido, no meio de tanta briga. Mas, pra falar dele, preciso fazer um rodeio antes. Quando comecei a participar de uma OPP (Organização Para-Partidária), adotei o codinome Eduardo. Já quando ingressei no POC, disseram que teria de escolher outro nome de guerra.
Nome de guerra? Escolhi Guerra. Pareceu-me adequado. Afinal, até sisudos revolucionários marxistas-leninistas precisam fazer uns trocadilhos, vez em quando.
Mas voltemos a nossos belicosos gaúchos. Iria haver um congresso regional do POC em Porto Alegre. A direção nacional temia que o pessoal do sul resolvesse romper com o restante da organização. Fui destacado pra representar a direção nacional no tal congresso.
Fui a Porto Alegre, encontrei-me lá com uma militante simpática e um tanto rechonchuda que me levou em seu carro até uma casa de classe média alta na qual ficamos fechados – em infindáveis reuniões – durante todo um final de semana.
Não tive muita dificuldade em aceitar vários dos pontos de vista do pessoal do sul, assim como eles se mostraram surpreendentemente cordatos em relação a minhas opiniões.
Resumo: acordo completo. Tudo resolvido na santa paz.
Voltei a São Paulo e fui encontrar-me com a Taís e o Nicolau na casa que eles ocupavam, no bairro de Moema, casa que eu viria a ocupar quando da viagem deles para a França. Quando lá cheguei, levado pelo Nicolau, estava presente, também o Emir Sader.
A Taís já havia recebido notícias do sul. E perguntou:
- Guerra, como você conseguiu não brigar com os caras?!
Tentei iniciar uma explicação. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, o Emir, que se balançava em uma gostosa cadeira de balanço, disse, como quem pensa em voz alta:
- Que concessões terá feito o camarada Guerra.
A ironia fina do Emir impediu que a conversa prosseguisse em tom sério.
Pois bem. Esse pessoal do sul tinha um representante que morava em São Paulo. Era um gaúcho que conhecíamos pelo nome de guerra de Renato.
Renato atazanava minha vida. Tudo ele contestava, nada estava bom pra ele, jamais. Não sei de seus antecedentes, de como ele foi parar na esquerda, mas tudo indica que teve largo treinamento em assembléias estudantis, pois usava de todos os conhecidos truques usados pelos líderes estudantis pra embaralhar qualquer assembléia e encaminhar as votações para o resultado por eles desejado.
Para cúmulo do meu azar, Renato fazia parte da mesma célula que eu ( o POC era organizado em células, que se reuniam periodicamente). Lembro de um episódio divertido, um dos poucos engraçados ocorrido em nosso tumultuado relacionamento. Combinamos, certa reunião, que todos leriam o 18 Brumário, de Marx, para ser discutido na reunião seguinte. Reunião seguinte, Renato chega eufórico:
- É aqui! É aqui!
Todos o olharam com ar de I beg your pardon.
E ele:
- Eu sempre ouvi essa de que a história se repete, uma vez como tragédia, outra como farsa. Não sabia de onde tinha saído isso.
Esse era Renato. Ingenuozão, porque meio garoto ainda. Mas sagaz na hora de criar chicanas.
Quando fomos presos, Emílio, por ter sido muito torturado e ter visto sua companheira praticamente enlouquecer durante as torturas, recolheu-se, tornou-se cordato. Perdeu, graças aos céus, aquela arrogância que antes exibia.
Já com Renato, passou-se o contrário. A estúpida morte de Nicolau já deixara os homens do DOI-CODI proibidos de utilizarem-se do pau-de-arara. Renato, logo nas primeiras cacetadas que levou, teve um braço fraturado. Foi levado ao hospital e não mais sofreu torturas.
Sentiu-se herói.
Se já era difícil suportar sua atitude quase sempre insolente, daí pra frente a coisa ficou impossível.
Nunca mais conversei com ele.
Entrou para o PT. Sei lá por quais caminhos, caiu nas graças da marquesa Suplicy e seu príncipe encantado Luis Favre.
Virou Secretário de Relações Internacionais da prefeitura de São Paulo durante a gestão da socialite. Foi acusado de gastar os tubos da prefeitura viajando adoidado, mundo afora.
Isso o levou, quando Lulla assumiu, a ganhar a presidência da Caixa Econômica Federal, que ele acaba de desmoralizar, com o affair da quebra de sigilo do caseiro que afirma que Palocci vivia na casa da esbórnia da turma de Ribeirão Preto.
Ao que tudo indica, continua mestre em chicanas.
Sai, satanás.

sábado, 25 de março de 2006

Era uma vez - XXIX
O Prata


Dia desses, alguém entrou em meu blog por meio de uma pesquisa no Google a respeito de Ricardo Prata Soares. Aliás, não é a primeira vez que isso acontece.
Fui olhar o resultado da pesquisa e encontrei isto.
Não consegui descobrir o que disse o tal Luiz Flávio Assis Moura a respeito do Prata. Só pude ler as reações indignadas de parentes e amigos. (ver Nota no fim deste post)
Resolvi, então, falar sobre ele. Para o bem ou para o mal. Espero que para o bem.
Meu interesse, em toda essa história, é iniciar uma conversa com o leitor a respeito da questão da tortura. E também da origem dessa canalha que dominou o PT. Conversa que nunca vai terminar, é claro. Mas que pode ser iniciada e lançada ao vento.
Quando entrei para a Direção Nacional do POC (Partido Operário Comunista) comecei minha convivência com o Hugo. Era um mineiro alto, magro, moreno. Apesar de todo o cuidado que tínhamos com a segurança, era impossível deixar de perceber que ele era mineiro. O sotaque o denunciava ineludivelmente.
As reuniões da Direção Nacional eram em minha casa, um aparelho (casa destinada a operações clandestinas da esquerda) situado em Moema, São Paulo, Avenida Chibarás.
Toda vez que marcávamos reunião (sempre em finais de semana) eu recolhia um a um os membros da direção em pontos (locais de encontro) previamente combinados. Levava-os para o aparelho dando um sem número de voltas, para despistar o destino. Eles, óbvio, de olhos fechados.
Passávamos o final de semana em reunião. A casa permanecia com as janelas fechadas. Ninguém podia saber em que local estávamos.
Nunca houve problema nenhum em relação à segurança, naquela casa. Só quem a conhecia, além de mim e minha mulher, eram o Nicolau e minha mãe (que não aceitara não saber onde eu morava. E eu, estupidamente, lhe dera o endereço). Os vizinhos só denunciaram à polícia alguma movimentação estranha na casa quando o pessoal do DOI-CODI a ocupou e lá permaneceu por quinze dias à minha espera.
Voltemos ao Prata, ou Hugo.
Enquanto eu passava férias em Ubatuba, discutindo com minha mulher nosso futuro, começaram as prisões de camaradas do POC. Prata e sua mulher, Eleonora (*), foram presos, torturados e sofreram ameaças de torturas na filha pequena (tinha uns quatro ou cinco anos, não me lembro bem). É óbvio que Prata resolveu dar algumas informações a seus algozes. Eu, em seu lugar, faria o mesmo. Neste ponto, há uma zona cinzenta.
Em paralelo, Nicolau fora preso ao voltar da França. Ele sabia onde eu morava (ele me passara a casa, antes de viajar). O que ouvi dizer é que Nicolau, pouco antes de morrer, teria dito onde ficava a casa. E que o Prata teria levado a repressão até lá, pois conhecia o local por ter aberto os olhos em alguma ocasião durante o trajeto (ou por ter aberto uma janela da casa durante sua permanência lá). Sei lá. O facto é que essas informações são meio desencontradas. Se o Nicolau disse onde ficava a casa, pra que diabos a repressão precisava que o Prata os levasse lá?
Nada disso me parece significativo, hoje (aliás, nem naquela época).
Para mim, parece mais importante falar a respeito do que aconteceu depois.
Prata e Eleonora ficaram marcados como traidores, colaboradores e outras besteiras que tais. Até aí, nada de tão terrível. Metade do pessoal preso era mais ou menos considerado dessa maneira pelos heróis da ALN. (Só ficou faltando explicar como tantos heróis caíram (foram presos) em seqüência. Coincidência, talvez.)
E aí começa minha divergência em relação ao Prata. Durante infindáveis banhos de sol conversamos sobre a situação da esquerda. Eu, totalmente desiludido, deixava claro que iria abandonar tudo aquilo. Prata me dizia:
Mas como você vai sobreviver sem a esquerda?
Talvez essa frase explique a atual degringolada do PT e do governo Lulla.
O pessoal passou a depender disso pra sobreviver. No começo, eram empregos arrumados aqui e ali em estatais, universidades, centros de pesquisa. Depois, com a criação do PT e a conquista das primeiras prefeituras, começaram os cargos nos governos. E não parou mais. Até atingir o ápice com a conquista da presidência da República.
Continuo admirando o antigo companheiro Prata. Foi sempre pessoa ponderada, equilibrada, dotada de bom senso.
Só que dependia – ou pensava depender – daquela rede de influências para sobreviver. E puxou o saco do pessoal o mais que pôde.
Adoraria sentar em uma mesa de bar pra papear com o Hugo, hoje. Nem sei se ele bebe. Tomaríamos umas cachaças mineiras, recordaríamos velhos episódios.
Bom caráter ele era. Diferente de Jorge Mattoso, o Renato, atual presidente da Caixa, segurando-se no cargo como carrapato, sobre o qual falarei qualquer hora dessas.
Por hora, vamos ficar só no Bem.
Hugo, se você estiver por aí, vamos conversar?

Nota (02/11/2014): Ao preparar a transcrição deste post para o Facebook fui verificar se o link que incluí com comentários sobre Ricardo Prata ainda estava ativo. Ainda está. Como se pode constatar, trata-se de alguns textos que procuram defender o Prata de críticas feitas a ele no número anterior a esse da revista (ou jornal) Revelação. Mas, ao procurar o artigo de Luiz Flávio Assis Moura na edição anterior à do link verifiquei que ele foi eliminado. O restante do conteúdo da revista está lá (http://www.revelacaoonline.uniube.br/2004/arquivo2004/281.html). Mas o artigo que criticava Ricardo Prata desapareceu (chamava-se Marcas da Ruína).
Parece que uma certa tradição stalinista persiste na esquerda brasileira....

(*) Eleonora Menicucci, atualmente (02/11/2014) - e desde 10/02/2012 - Ministra-Chefe da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres do Brasil (governo Dilma). Ela e Ricardo Prata separaram-se parece que já há muitos anos.

quinta-feira, 23 de março de 2006

Saber na ponta do lápis


Preocupado com a tese de mestrado? Doutorado? Ou um simples trabalho de final de curso universitário?

Seus problemas acabaram:


monografias a preço de banana

Parabéns


Amanhã, minha caçula faz 27 aninhos. Cubo perfeito. Ela, de cubo, não tem nada. Mas - por mais que morra de vontade - não posso colocar, aqui, uma foto dela.
Pra minorar essa vontade, aí vai uma foto de uma - digamos - netinha:

Fofa, né não? Chama-se Doga.

quarta-feira, 22 de março de 2006

Notícias da pós-última hora


Exercício de profecia aplicada:

- Funcionário da Caixa que imprimiu o extrato da conta do caseiro Nildo é encontrado com a boca cheia de formiga. Polícia chegou à conclusão de que a morte foi natural. Aliás, todas as mortes - em certo sentido - são naturais.

******


- Terrível coincidência: funcionário da Caixa que passou o fax do extrato lá pro Ministério da Fazenda também é encontrado morto. Mas não com a boca cheia de formigas. Neste caso parece que foi atropelamento. As formigas chegaram depois.
Foi instaurado rigorosíssimo inquérito.

******


- Funcionário do Ministério da Fazenda que
(notícia interrompida por força de liminar concedida pelo Supremo)

******



Pergunta a um velho conhecido:

Caro Jorge Mattoso, o Renato do POC, atual presidente da Caixa:
aqui entre nós, valeu a pena toda aquela tortura, aquela privação de liberdade, pra chegar nesse tipo de política?
Ou política - pra ti - sempre foi isso. Hein?

segunda-feira, 20 de março de 2006

Vamos ao que interessa


Se a política, no Brasil, ficou resumida a notícias policiais e a fofocas de alcova; se as eleições irão resumir-se a uma escolha entre um deslumbrado ex-operário, ex-sindicalista, ex-esperança e atual caricatura de si mesmo e um burocrata insosso e descendente direto do Conselheiro Acácio; se a política, no mundo, virou a banalização da barbárie;
Que tal jogar Campo Minado?
De minha parte, já consegui chegar aos 130 segundos.

Tenta aí, vai
Meu objetivo atual é conseguir baixar pra 2 minutos.
E você? Vai encarar?

terça-feira, 14 de março de 2006

Esqueletos em armários


Em 18 de fevereiro de 2.002, o site do Claudio Humberto publicou a seguinte nota:


Baixaria à paulista

Se Geraldo Alckmin acha que a campanha eleitoral será limpa, como deseja, pode tirar o cavalinho da chuva. Seus inimigos não têm limites: estão dispostos a contar na TV a dolorosa história do primeiro casamento de sua esposa, afinal anulado. A mãe do ex – que muito tempo depois morreu metralhado num estacionamento – estaria municiando a baixaria.

Isso foi antes das eleições para governador de São Paulo. Em 2.002.
Alckmin, agora, é o candidato do PSDB à Presidência da República. Será que a imprensa vai continuar fingindo nada saber sobre o assunto? Terá o mesmo comportamento que teve durante os oito anos de governo Fernando Henrique, durante os quais ignorou solenemente o filho extra do grão-tucano?
Ou tais assuntos privados nada têm a ver com a vida pública?
Quanto a mim, penso que temos o direito de conhecer a vida privada dos cidadãos que se oferecem para nos governar.
Mas nossa imprensa tem outros intere$$es.

Elite estúpida => País atrasado


O Sarney, quando presidente, não recebia em audiência ninguém que estivesse trajando terno marrom.
Nosso talvez-candidato tucano, José Serra, tem também suas superstições, tal qual o presidente do PSDB, Tasso Shopping Iguatemi Jereissati.
De estupidez em estupidez, vamos enfiando o País na merda.
Beleza.

sábado, 11 de março de 2006

OSESP de volta


Começou, esta semana, a temporada 2.006 da OSESP. Voltamos a freqüentar a sala São Paulo hoje, para ouvir a Missa de Réquiem, de Verdi.
Além da orquestra e dos quatro solistas, um coro de 140 vozes, valendo-se da junção do Coro da OSESP e do Coro da Fundação Príncipe de Astúrias.
Indescritível. A certa altura, pareceu-me que músicos e coral flutuavam. Será?
Penso que foi impressão minha.

Prioridades


Portugal já estabeleceu, segundo o Público, quais os cidadãos prioritários para receber antivirais relativos à gripe aviária: são profissionais de saúde, responsáveis de sectores como o fornecimento de electricidade, água, gás ou alimentos e as forças de segurança.
Fico a imaginar quais seriam os cidadãos escolhidos para receber o tal remédio, caso essa preocupação existisse no Brasil.
Que achas, hein.

Preferências


- De que animais você gosta?
- Cachorro...
- E gato?
- Não, gato não.
- Outro.
- Sei lá.
- Tartaruga?
- Hmmm. Não, não.
- Papagaio?
- Não, não curto papagaio.
- E sogra?

quinta-feira, 9 de março de 2006

Penúltimas notícias


TV Digital
O governo optou pelo padrão japonês para a televisão digital no Brasil. Minha dúvida: vai ter legenda?

*****


Nobre prioridade
Ao inocentar o deputado Professor Luizinho das acusações de ter recebido dinheiro espúrio, o Congresso brasileiro deu inequívoca demonstração de que prestigia o ensino.

*****


Amante ingrato
O ministro Palocci não mentiu à CPI quando afirmou que nunca freqüentara a Casa de Ribeirão Preto em Brasília. Ele simplesmente esqueceu.
Chateada ficou uma das meninas da cafetina Jeany Mary Córner. Ele teria jurado a ela que aqueles momentos de luxúria eram inesquecíveis.

*****

quarta-feira, 8 de março de 2006

Final de jogo


O jogo Juventus x Werder Bremen, que começara com vitória parcial do time alemão (gol do francês Micoud), resultou na classificação da Juventus para a próxima etapa da Liga dos Campeões. Depois de empatar (gol de Trezeguet) a Juventus foi beneficiada por uma incrível falha do goleiro alemão, que soltou a bola, já defendida, nos pés do brasileiro Émerson, que desempatou.
Ao final, um desolado Micoud foi cumprimentar o brasileiro Émerson e se apresentou:
- Micoud
E o brasileiro, enfrentando as dificuldades da comunicação em línguas diferentes o consolou:
- Mi, também, às vezes, me sinto um bosta.

segunda-feira, 6 de março de 2006

Eleições - Brasil - 2.006: Certeza


O PMDB ameaça candidato.
Garotão, Rigotinho.
Tudo barganha.
No final,
o bar ganha.
(tchim, tchim, Lulla)

Eleições - Brasil - 2.006: Dúvida


Os tucanos estão
como sempre estiveram:
na dúvida.
In dubio, pro Serra.
Ou será pro Geraldo Chuchu.
Ou Aécinho, o sobrinho.
Ou o quê. FHC?

domingo, 5 de março de 2006

Eleições - Brasil - 2.006: Esperança


Até a última eleição presidencial, existia o discurso moralista do PT. Talvez a grande vantagem desta crise que acabamos de viver seja a de ter acabado com tal discurso.
Daqui pra frente, talvez consigamos discutir os verdadeiros problemas do país. Pena que nenhum candidato tenha visão estratégica do país. Todos preocupam-se simplesmente com as estratégias eleitorais. Mas, ao menos, penso que não teremos os chatos do PT falando sobre moralidade. Passarão batidos pelo tema.
Afinal, não se fala de corda em casa de enforcado.
E, antes que alguém venha com o papo de que a corrupção é problema fundamental, sugiro assistir àquele velho filme italiano em quatro episódios: Bocaccio 70. Em particular o primeiro, aquele do Fellini.

Eleições - Brasil - 2.006: Tédio


Mais uma vez, teremos confronto PT - PSDB. Ou melhor, Lulla - PSDB. O desenvolvimento, no governo Lulla, foi pífio. Mas menos ruim do que o da era FHC.
Quanto à corrupção, não fará diferença nas eleições, ao que tudo indica. Aliás, ela é generalizada. Portanto, não serve de divisor de águas (ou de lamas).
Vamos de mal a pior. Ou, a julgar pelos mensalões, de mala a pior.
Que tédio.
Quando surgirá algum projeto para o país?

sábado, 4 de março de 2006

Posições


O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) deste país, decidiu hoje pela manutenção da verticalização nas eleições deste ano.
Isso quer dizer que as alianças estabelecidas em âmbito federal deverão ser mantidas nos demais níveis federativos: estados e municípios. Como o Brasil (este país) é pequenininho, tudo vai dar certo. Nem pense que os políticos buscarão formas de burlar essa determinação. 'Magina!
Fico à espera de uma determinação do TSE no sentido da horizontalização. Aí a coisa pode ficar mais saborosa, se é que me entendem.
Boa continuação de final de semana.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Criatividade jornalística


Olha só a manchete da Folha Online, estampada na página principal do portal UOL, nesta terça de carnaval:

Estradas têm lentidão na volta do litoral para São Paulo

Antigamente, cachorro morder gente não era notícia. Só gente morder cachorro dava manchete.
Além disso, pra ser completamente chato, lembro que o litoral não volta pra Sampa, quem volta são as pessoas que lá estavam. O litoral continua lá onde sempre esteve.

Deixa pra lá. Se todo mal fosse esse.

***********

Lembrei-me de amigo meu que era redator na revista Veja, no tempo em que ainda existiam revisores nas redações. Um revisor o questionou sobre uma matéria que ele havia escrito. Achava o revisor que ela poderia ter sido melhor redigida. Respondeu ele:
- Ganho pra escrever. Escrever bem custa mais caro.

Ofertas e mais ofertas no Bazar !


Acabo de completar os posts do mês de abril de 2.004. Já estavam lá o conto Um pontinho no nariz e um pouco de memórias.
Agora há o polêmico post sobre a tradição das Matanças, uma tradução maluca que fiz de um post de um blog sueco, com suas conseqüências, um Ensaio infame sobre Mahler e muito mais.
Tudo grátis.
Aliás, mais do que grátis. Tem até post que ensina a ganhar dinheiro.

domingo, 26 de fevereiro de 2006

Benfica x Porto


Tudo pronto para a comemoração de mais uma vitória do Porto.

O cachecol que meu amigo Asulado me mandou, nunca chegou. Tratei de procurar um em Bragança, no começo do ano. Nas lojas dos chineses havia uns baratinhos, mas muito fajutos. Na Casa do Portista encontrei esse aí, bonito mas caro pra burro (10 euros). É duro ser torcedor em Portugal.
Vai daí que o jogo foi monótono, chato mesmo. E, de repente, Vitor Baía resolveu aceitar um chute quase do meio do campo. Fazer o quê.
Cadê a bola?
Você vê a bola? Vitor Baía também não viu.

Continuamos na liderança. Não deixa de ser um consolo.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

Maioridade


Hoje, enfim, chego aos 18 anos.
Isso se o pano de fundo for o crivo de Eratóstenes.

Crivo de Eratóstenes

Rebajas en el Bazar


Acabei de trazer para cá todos os posts de março de 2.004 do meu antigo blog no Mblog, inclusive um em que resolvo usar o neologismo spasso no lugar de post. Agora se vê que desisti da ideia.
Mas, entre os 28 posts desse mês, há alguns que penso serem de interesse:
três pequenos poemas e um conto. Diálogos (não tão) absurdos, comentários políticos dotados de algum caráter profético. E por aí vai.
Divirta-se porque é liquidação.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Felicidade é


descobrires que podes editar qualquer post de teu blog apenas com um clique no lápis abaixo do dito cujo post.

domingo, 19 de fevereiro de 2006

S.O.S.


Algum usuário/utente do Blogger pode dizer-me como é que faço pra editar um post antigo (anterior aos 300 últimos) ?

Atualização: No Ajuda do Blogger encontrei isto:
Na página Editar postagens, você só pode exibir as 300 postagens mais recentes de um blog. Até que esse problema seja solucionado, você pode acrescentar &selNumPosts=XXX ao final do URL, onde XXX representa o número de postagens que você gostaria de exibir. Observe, no entanto, que você sempre pode localizar postagens antigas para edição usando o recurso de pesquisa da página Editar postagens ou os links de edição rápida dos arquivos.
Tudo bem. Só não sei como acrescentar xpto ao final do URL. Além do mais, o recurso de pesquisa não existe na página Editar postagens. Também não faço a mínima idéia sobre quê serão os tais links de edição rápida dos arquivos.
Isso é o que se chama estar no mato sem cachorro.

Atualização: Descobri os links de edição rápida. São esses lápis no final de cada post.
Bingo.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

Liquidação no Bazar


Coloquei, hoje, neste blog, os posts de fevereiro de 2.004, que tinham sido publicados no Mblog e não constavam aqui no Blogger.
Estão em oferta. Confira.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

Viva!


Minha irmã foi operada hoje. E era benigno. Como tudo está pra lá de bom, nada como cantar junto com Marisa Monte o doce samba de Candeia: Preciso me encontrar. Canta com a gente.

clique aqui e cante com a gente

(Powered by Castpost)

domingo, 12 de fevereiro de 2006

100 anos


No início do século passado, em uma aldeia do nordeste de Portugal chamada Passos, na região da Lomba, uma jovem, de nome Amélia, deixou-se encantar por um rapaz bem apessoado, de boa família. Chamava-se João. Sabe-se lá aonde e como, foram às vias de facto. Essa relação, um tanto escondida, persistiu o suficiente para gerar dois garotos. O pai, sem querer constituir família com a jovem, partiu para o Brasil. Ela, fazer o quê, registrou os meninos como seus filhos e de pai incógnito. Deu-lhes nomes compostos: Agripino Santelmo e Alberto Augusto. Naquele tempo, não se definia na certidão de nascimento o nome completo do recém nascido. Davam-se apenas os pré-nomes. Mais tarde o indivíduo comporia seu nome completo, acrescentando aos pré-nomes os sobrenomes de mãe e de pai.
O caçula, nascido a 13 de fevereiro de 1.906, desde logo mostrou independência e pensamento próprio. Quando toda a gurizada partia para o campo, pela manhã, Alberto levava às costas mochila com batatas cozidas. Os outros zombavam dele. Achavam aquilo um tanto ridículo, pelos costumes da época e do lugar. Quanto a ele, só se preocupava em que não lhe dessem tapas às costas. Pra não amassar as batatas.
Só que o garoto não queria ficar limitado à vida do campo. E queria, também, ir à procura do pai.
Aos catorze anos, conseguiu que um tio que morava no Rio de Janeiro lhe enviasse uma carta autorizando sua ida ao Brasil. Documento necessário para que ele conseguisse viajar.
E lá se foi. Só.
No Rio de Janeiro procurou o pai. Constatou que este já constituíra família no Brasil. E não quis reconhecê-lo como filho.
Sua mãe, por sua vez, casou-se na aldeia com o Zé Grande, português que vivera no Brasil, em Niterói, e cá tivera mulher e três filhos. Tendo ficado viúvo, retornou com os filhos à aldeia de origem. Com Amélia, mãe de Alberto, teve mais três filhas.
Alberto Augusto, apesar de corresponder-se com a mãe até a morte dela, optou por não utilizar-se de sobrenomes de família. Adotou o Alberto Augusto como nome completo. Augusto transformou-se em sobrenome.
Radicou-se em Santos, no estado de São Paulo, e tornou-se baptista. Mais: formou-se em Teologia e começou a viver sua vocação de pastor.
Sua intenção era a de exercer seu ministério em lugares inóspitos. Foi ser pastor em Manaus, no ano de 1.934. Sua saúde (ou a falta dela) o fez retornar a Santos. Passou a ser pastor da Primeira Igreja Baptista de Santos, cargo que exerceu durante vinte e cinco anos.
Faleceu, vítima de derrame cerebral fulminante, em 26 de junho de 1.961, aos 55 anos. A cidade guardou sua memória atribuindo seu nome a uma rua. O estado de São Paulo também deu seu nome a uma escola de ensino fundamental.
Alberto Augusto escreveu vários livros, todos de caráter religioso. Durante anos publicou – em O Jornal Baptista – uma coluna chamada Meu Bazar de Idéias. Mais tarde reuniu em livro várias de suas crônicas. Queria dar ao livro o título Idéias do Meu Bazar. A editora o publicou como Meu Bazar de Idéias, mesmo nome da coluna semanal.
Esse homem teve três filhos. Penso que não os queria ter. Parece-me que preferia dedicar-se totalmente a sua missão evangélica. Mas a esposa, que o amava infinitamente e o levava a fazer o que ela queria fingindo sempre obedecê-lo (como fazem quase todas as mulheres), teve uma filha, depois outra, e – quando tudo parecia encerrado nesse capítulo – escapou um menino, vejam só.
Foi assim que nasci. Fruto de esperteza feminina combinada com falha de planejamento familiar.
Talvez por isso mesmo, não menosprezo jamais a capacidade das mulheres de levar os homens no bico. Com todo o amor, claro. E tenho uma relação de desconfiança irônica com qualquer tipo de planejamento.
Alberto Augusto e eu. Temos muito pouco em comum. Descontado o facto de que eu não existiria se ele não tivesse cedido seus espermatozóides, sobra pouco.
Sua morte prematura me deixou a frustração de ter convivido muito pouco com ele, já na fase adulta. Se ele tivesse vivido mais, teríamos tido brigas homéricas. Mas desconfio que chegaríamos a algum acordo. Ele era bom demais pra que isso não acontecesse.
Paciência. A mim, resta a lembrança de um homem atormentado, tenso, de integridade absoluta. Inteligente e culto. Um pouco ingênuo. Mas pérola que não se encontra em qualquer concha.

Segunda-feira, agora, minha irmã (Édipo puro) vai ser operada. No centenário do pai. Isso só pode ser bom sinal. Beijinhos, mana. Papai estaria cuidando de ti, se nossas fantasias fossem realidade.

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Prazer


Quando se aproxima o momento de ela chegar, vou ficando excitado. Quantas possibilidades de prazer. Imagino mil coisas.
Ela é deliciosa.
Não vejo a hora de ela se instalar em minha casa e me encher de satisfação.
Ela me dá paz.



Como gosto da noite de sexta-feira!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

O Plano B


Dia desses, almoçava com colega de trabalho. Ele, agitadíssimo, descrevia o carnaval que faria no ambiente de trabalho caso obtivesse a liminar em Mandado de Segurança na qual depositava todas as suas esperanças de solução de seus problemas pessoais e familiares.
A certa altura, a euforia dele tendo feito pequena pausa, perguntei:
- E você tem um plano B?
- Nem quero pensar nisso, ele emendou, de voleio.
Pensei em argumentar que o juiz poderia perfeitamente negar a liminar. Em tempo, percebi que não havia clima para tal ponderação.

Mas passei a pensar sobre o tal Plano B. Não pra ele, evidente. Não tenho elementos pra isso. Mas quanto a mim. Qual o papel do plano B em minha vida.

Fiquei surpreso ao constatar que quase sempre na vida fui levado a viver o Plano B. E percebi isso sem nenhum sentimento de derrota, sem qualquer mágoa. Penso que isso talvez se deva ao facto de que temos desejos sempre mais amplos e maiores que nossas possibilidades concretas. O que não significa trocar algo bom por algo podre. Não. Quem sabe o objetivo primeiro, o Plano A, não fosse desastroso. Ninguém sabe.

Quando pequeno, meu desejo secreto era ser jogador de futebol. Jogava botão em clima de sonho. Futebol de praia era sempre um desafio. Avaliação de possibilidades.
Mas... tinha um pai severo, pastor baptista quando ainda não tinham inventado os Atletas de Cristo. Quando ser jogador de futebol e evangélico eram coisas mutuamente exclusivas. Quando ainda não havia Kaká e seus gols dedicados ao Senhor.
Resumo: adotei o plano B. Fui ser engenheiro.

Lá pelo início do quarto ano de engenharia percebi que não tinha a mais remota vocação pra profissão. E enveredei por outro plano B: Filosofia.

Quando já ia me dando conta de que Filosofia era algo reservado a abastados, mergulhei na militância política, na busca de um socialismo a ser implantado no Brasil. Desta vez o plano B me foi imposto contra minha vontade: três anos de cadeia e dez anos de direitos políticos cassados.

De volta às ruas, como Filosofia não enchia barriga, fui trabalhar em Matemática, como professor universitário. Durante minha pós-graduação, percebi que os cursos da área de computação eram muito mais fáceis do que os da Matemática Pura. Como precisava acumular créditos para o Mestrado, comecei a fazer um monte deles. Os milicos não queriam mesmo que eu continuasse na USP. Paciência. Plano B, de novo. Pensei: o que que eu sei, que leve alguém a pagar por isso? Computação, claro.
E dá-lhe plano B. Foram uns vinte anos de trabalho na área de Sistemas. Puro plano B.

E no amor, então. Tenho a sensação, quase certeza, de que todas as mulheres de minha vida me viram como plano B. Não. Não se trata de paranóia ou algo assim. É simples: para parodiar Groucho Marx, eu jamais me casaria com uma mulher cujo grande ideal na vida fosse casar comigo. Prefiro mulheres inteligentes.

Escreveria páginas e mais páginas sobre meus planos B. Quando resolvi ter filhos, por exemplo, comecei a desenvolver todo um programa de ensino para que eles fossem educados em casa. Como aconteceu de os amigos quase me matarem de tanta crítica, parti para o plano B: escola convencional e não se fala mais nisso. Hoje meus filhos são pessoas normais. Diria que bem acima da média, não fosse isso corujismo explícito.

Outro exemplo: todo mundo gostaria de atravessar a vida sem precisar de psicanalista (quer dizer: todo mundo não, só os normais, como diria Nelson Rodrigues, em outro contexto). Eu também. Mas não deu. A certa altura do campeonato tive de recorrer ao plano B, que no caso chama-se Luis Meyer. Cinco anos de quatro sessões por semana. Fantástico plano B. Experiência maravilhosa. Aliás, o único defeito do Meyer é ser amigo do FHC. Mas algum defeito ele tinha de ter, né mesmo?

E dá-lhe plano B. Agora mesmo: meu grande sonho é ir morar em Portugal. Mais especificamente no distrito de Bragança, perto de minha aldeia ou mesmo nela, se possível.

Será possível? Ou terei de adotar outro plano B?

Aceito sugestões.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Supremowski


O STF (Supremo Tribunal Federal) deverá contar com mais um integrante indicado pelo inefável Lulla. Trata-se do desembargador Enrique Ricardo Lewandowski. O companheiro Lulla foi aluno de Lewandowski pai, no SENAI. Da mesma forma, madame Lewandowski é amiga da primeira-dama Marisa Quem-nunca-comeu-melado-quando-come-se-lambusa Letícia.
E daí?, dirá você.
Sei lá, digo eu. Só estranho o ensurdecedor silêncio da mídia a respeito das relações de – digamos – proximidade entre Lulla e Lewandowski. Só consegui ver referência a isso na coluna do Cláudio Humberto.
Quanto a nós, continuaremos lewandowski no rabowski.
Não tenha dúvida.