terça-feira, 30 de maio de 2006

e-stevao papal


"Onde estava Deus?", pergunta Bento 16


Em emotiva visita ao campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, pontífice diz ser impossível entender "triunfo do mal". (Folha de S.Paulo, 29/05/2006, só para assinantes do UOL ou da Folha)

Daí:

CLIQUE

sábado, 27 de maio de 2006

e-stevaos


Carlos Estevão foi o cartunista das dicotomias.
Exemplos disso são estes.

Mas o que mais me agrada nele são os jogos de real – sombra.
Este aí embaixo é um exemplo pálido.

Há toda uma série que lida com sombras: As Aparências Enganam

Resolvi adaptar esses jogos dicotômicos à Internet.
É simples. Ao invés de apresentar o contraponto por meio de sombra, vai-se da tese à antítese por meio de um clique do mouse (rato).
Assim:

CLIQUE

E, para homenagear Carlos Estevão, resolvi chamar tais jogos de e-stevaos. Assim, sem acento e sem til. Mas pronuncia-se istêvãos.

sexta-feira, 26 de maio de 2006

Professor Cauby


Segunda à noite, 22, Bar Brahma.
Pra ver e ouvir Cauby Peixoto.
Esqueci de carregar a bateria da máquina. Só deu pra tirar esta foto. Mas o som, que realmente é o que importa, no caso, você vai ter de ouvir lá
O garoto mal consegue andar. Tem de ser ajudado, ao chegar e ao sair. E nem é tão velho assim (72).
Mas a voz.
Com essa ele faz rigorosamente o que quer.
Quem mora em São Paulo, ou tem como dar um pulinho aqui, não perca. Só que tem de reservar com várias semanas de antecedência.

Agora já estou me preparando pra assistir ao show de Jamelão.
Que, por sinal, faz 95 anos esta semana.
(e manda três doses de whisky cowboy durante o show, de mais de duas horas).

Um Rio de Janeiro bucólico


Depois da festa de minha tia Clarisse, foi a vez de passar um domingo com as irmãs e os cunhados.
Surpresa: o apartamento de minha irmã mais nova, na Barra, não parece estar no Rio de Janeiro. Do condomínio, caminha-se até o embarcadouro da lagoa que nos separa do mar. A travessia é rápida. Alguns poucos minutinhos. A reserva florestal é exuberante.



Eis a praia. Água límpida, com vários tons de azul.

O retorno:

(com direito a plantação de cactos no telhado de casa abandonada)

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Os 70 anos de minha tia Clarisse


Começo por explicar que meu avô materno, Vicente, filho de italianos, era o que hoje se chama um garanhão. Casou-se com minha avó Amélia quando ela tinha 16 aninhos. Ela teve quatro filhos em seqüência anual: Celina, Antero, Olinda e um tio meu que morreu criança (Silas). Aos 22 anos Amélia morreu, vítima da febre amarela. Que fêz Vicente? Casou-se com a irmã de Amélia, tia Tuta. Daí nasceram meus tios Afrânio e Paulo. Afrânio sofreu acidente de trem aos 4 anos (ou algo assim). Ficou sem um braço e sem uma perna. E vive maravilhosamente bem até hoje. Já teve várias esposas (com as quais teve vários filhos). Agora, após os oitenta anos, acaba de arrumar nova companheira. Jovem, claro. Preciso lembrar de perguntar a ele qual é o segredo disso.
Ao morrer a tia Tuta, meu avô Vicente casou-se com uma linda mulher de olhos claros (nunca sei se eram verdes ou azuis). Dona Chiquinha.
E vieram Vadinho e Clarisse. Meus tios últimos.
A grande lição que Vadinho me deu, já lá se vão vários anos, foi:
A coisa de que mais gosta um careca é pente.
Tens toda razão, tio. Hoje sei.
Minha tia Clarisse é fantástica. Conseguiu achar um gaúcho excelente e casou-se com ele. Considere-se que achar um gaúcho excelente não é pra qualquer um (pronto, perdi vários leitores gaúchos). E tem blog, pode?
Bom. Dito isto, aí vão algumas fotos da comemoração dos 70 anos de Clarisse, minha tia que conseguiu misturar, na fisionomia, minha tia Olinda e minha mãe, Celina. Quer mais?
Clarisse e o indefectível bolo
tio Afrânio faz seu discurso
Tia Clarisse e seu maravilhoso gaúcho
Esta foto, ah esta foto. Aí estão os meus tios Paulo, Afrânio, Clarisse e Vadinho. Faltam meus tios Antero e Olinda. Já se foram. E minha mãe, Celina, que era considerada mãe, por todos eles. Essa, é figurinha carimbada. Pelo que aparece na foto e, também, pelo que não aparece.
Figurinha carimbada: meus tios

Deixa contar ainda um detalhe precioso sobre meu avô Vicente:
Meu pai estava noivo de minha mãe, quando descobriu (em algum exame) que tinha sífilis (teria aparecido algo como três cruzes no exame dele).
Foi até a casa de meu avô e declarou, solene:
Não posso casar com sua filha porque tenho três cruzes no sangue.
E meu avô Vicente:
Deixa disso. Eu tenho um cemitério no sangue.
Meu pai casou-se com minha mãe e a sífilis sumiu.

segunda-feira, 22 de maio de 2006

Síndrome de blogstinência


Sábado fomos ao Rio. Comemorar os setentinha de minha tia Clarisse. Domingo, passeio na Barra, com minha irmã e meu cunhado. Sem falar no neto, maravilhoso.
Tudo muito bom. Logo, logo, explico melhor e mostro algumas fotos.
Por enquanto, confesso que tive uma leve crise de blogstinência. Abstinência de blogs. Doença incurável.

sexta-feira, 19 de maio de 2006

Falência


Alguém lembrou: essa polêmica toda sobre o bloqueio de uso de celulares em presídios seria resolvida de maneira simples: não permitir que os presos carregassem as baterias dos celulares (basta eliminar as tomadas de energia elétrica das celas e tornar inacessível a lâmpada do teto.)
Mas isso não é possível. Os presos têm o controle dos presídios.
Ou não?

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Mentira!


É falsa a notícia dada pelo Diário de Notícias, de Portugal, de que Marcola (o chefe do PCC – Primeiro Comando da Capital, organização criminosa não governamental) teria dado entrevista à TV Bandeirantes via telemóvel.

A entrevista foi via celular.

quarta-feira, 17 de maio de 2006

Meus sonhos se realizam


Outro dia confessei, aqui, que gostaria de ver um dia, em algum jornal, a manchete

HOJE NÃO HÁ NOTÍCIA

DIGNA DE MANCHETE


Pois não é que o maluco do Bono ficou um dia como chefe de redação do The Independent e realizou meu desejo?

Obrigado, Bono

terça-feira, 16 de maio de 2006

Contabilidade da crise em São Paulo


Alguém recebeu e não entregou o produto ou serviço.
O credor ficou infeliz e resolveu mostrar que sabia cobrar.
O devedor tentou resistir mas pediu arrego.
Negociou e repactuou. E a paz voltou.
Deve ter saído bem mais caro do que se tivesse cumprido o primeiro acordo.
Sem falar nas mortes.

Resta a dúvida: qual era o trato?
Palpite: fica a forte impressão de que envolvia financiamento de campanha eleitoral.
Afinal, estamos a pouco mais de quatro meses das eleições.

segunda-feira, 15 de maio de 2006

Anotações no rodapé da barbárie (III)


Depois de uma hora de Marginal Pinheiros, cheguei em casa. Quer o governo decrete o toque de recolher, quer não o faça, o povo já resolveu: todo mundo pra casa. Alguns já conseguiram chegar. Outros estão tentando.

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A entrevista do comandante da Polícia Militar de São Paulo, Elizeu Eclair, só merece um comentário: é melhor ouvi-la do que ser surdo.

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O douto Eclair esclarece, em sua entrevista: a culpa é do pessoal que espalha boatos alarmantes pela Internet. Está tudo sob controle: o comércio quase todo fechado, os ônibus quase todos guardados nas garagens, agências bancárias atacadas, ônibus incendiados etc etc etc. Mas tudo sob controle. Ah. E continua morrendo gente. Sob controle.

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O galhardo comandante deveria chamar-se Fecho Eclair. E ficar de boca fechada.

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Anotações no rodapé da barbárie (II)


Quando saí do escritório para almoçar, encontrei as ruas de Osasco cheias de pessoas assustadas e o comércio fechado. Um pequeno restaurante a quilo no qual costumo almoçar insistia em permanecer aberto. Não comi. Engoli a comida.

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Noticiou-se a decretação de toque de recolher a partir das 20 horas. Mas ainda não foi confirmada, essa providência.

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Agora vou tirar o carro do estacionamento (que está fechado) e tentar voltar para casa. De lá, continuo. Até mais.

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Baile da Ilha Fiscal – versão século XXI


O Estado de São Paulo está nas mãos de facínoras.
Entenda a afirmação acima como quiser.
Agora: o mais surpreendente é que amanhã, entre ônibus queimados e policiais assassinados, a população vai parar, atônita, diante dos aparelhos de TV.



Para saber quais os 23 jogadores que Parreira levará para a Copa da Alemanha.

Anotações no rodapé da barbárie


São 22:12. Acabo de ver/ouvir o governador do Estado de São Paulo, na TV Globo:
- Estamos retomando o controle da situação.
Menos mal. Pelo menos reconhece, tacitamente, que perdera o controle.

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A situação se agrava no Estado de São Paulo. Mais ônibus estão sendo queimados. Uma agência bancária incendiada.
E as autoridades continuam com cara de paisagem.

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É evidente que vivemos uma guerra civil. O exército está esperando o quê pra assumir a defesa da sociedade: aumento de salário?

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A guerra se alastra para os Estados de Mato Grosso do Sul e Paraná.

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Querem resolver a situação?
Façam o que haviam combinado com a bandidagem.
A guerra termina.
Agora, não me venham com notícias do tipo: os bandidos queriam televisores para ver a Copa, visitas íntimas etc etc (ouvi isso agora há pouco, na TV)
O combinado devia ser muito mais macro, digamos assim.

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domingo, 14 de maio de 2006

Vinhais e o jeitinho brasileiro


Penso ter encontrado, lá na minha Vinhais, o DNA do jeitinho brasileiro.
Ocorre que o padre da paróquia da vila (Vinhais é uma vila) andou a percorrer as casas recolhendo envelopes com donativos para a igreja.
Descobriu, ao abri-los, que vários nada continham e outros tantos continham pedaços de jornal.
Encontrei essa notícia neste blog. Nos comentários, vários vinhaenses criticam essa atitude de muitos com o argumento – sem dúvida válido – de que seria mais adequado explicitar que nada ofertariam à igreja.
Ora, ocorre que essa postura transparente sempre acaba por trazer problemas no futuro, particularmente se considerarmos que se está a falar de lugar de poucos habitantes, no qual todos se conhecem.
Vai daí, a turma resolveu enrolar o padre.
Você devolve ao padre um envelope recheado, ele fica com excelente impressão sua e você nada desembolsa.
Perfeito. Puro jeitinho brasileiro. Ou vinhaense. Sei lá.

O tucanato e a barbárie


Os tucanos governam o estado de São Paulo há doze anos. Munidos de uma empáfia ímpar, conseguiram conduzir-nos à barbárie.
O que está ocorrendo neste Estado da Federação nas últimas horas é a prova cabal da falência absoluta das instituições.
Não sei precisamente o que aconteceu para que bandidos saíssem matando policiais (no momento em que escrevo já foram assassinados trinta). Mas uma coisa é evidente:

Alguém descumpriu algum acordo.

A promiscuidade entre os marginais e os encarregados da segurança pública ficou clara. Alguma grana não rolou. Ou rolou e a contrapartida não aconteceu. Ou sei lá mais o quê.
Por incrível que pareça, a única atitude das autoridades (governador, secretário de segurança etc) é a de fazer cara de paisagem e garantir que está tudo sob estrito controle.
E continuam as mortes.
E as rebeliões em presídios: mais de vinte presídios amotinados, demonstrando o alto grau de organização das facções criminosas informais, em chocante contraste com o total despreparo e desordem das facções criminosas de carteira assinada.
Pois é disso que se trata. Quantos estarão na folha de pagamento do Marcola?
E querem levar o Geraldo pra presidência da República.
Há muito tempo eu não via figura tão inepta atingir patamar tão pretensioso. E olha que eu já vi até demais.

sexta-feira, 12 de maio de 2006

Sangue


Hoje, em conversa telefônica com a baixinha, nossa filha que foi pra Austrália estranhou um comentário da mãe:
- Só sou feliz se meus filhos estiverem felizes.
- Por quê? Você não é feliz com seu marido, com sua vida?, disse ela.
Não. Os filhos são nervo exposto.
Ela só vai entender isso no dia em que for mãe.

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Eleições em São Paulo


A campanha para a eleição do governador do estado de São Paulo deverá ser um tanto divertida (claro que isso depende do tipo de humor preferido pelo cidadão).
O favorito, José Serra, foi definido por quem parece conhecê-lo bem: FHC.
Fernandinho, do alto de sua empáfia, conseguiu – em duas frases – ridicularizar os candidatos de seu próprio partido à presidência e ao governo de São Paulo.
Dizem que ele disse, com sarcasmo escorrendo do canto da boca:
Serra tem plano pra tudo.
Alckmin não tem plano pra nada.

A verdade é que o Serra resolve tudo. Dos problemas do Palmeiras à erradicação da dengue.
Vai ser bom ouvir como tudo tem solução. Sempre anima a gente.
Do outro lado, Aloísio Mercadante, conhecido em Brasília como MercaPedante.
Mercadante sofre de uma doença crônica: a numerorréia, prima carnal da verborréia.
Não me canso de admirar a rapidez com que ele desfila percentuais durante suas entrevistas. O truque é simples: como ninguém vai conferir mesmo, nada como distribuir algarismos pra todo lado.
Minha intuição me garante que 93,45% dos números que ele cospe são furados (olha como a doença pega).