sábado, 15 de abril de 2006

Maurício Matos Peixoto

O maior mérito do Maurício foi o de ter conquistado...

Hoje, ele completa 85 anos.
Quero que ele receba – mais que meu abraço – meu sentimento de admiração. Pela inteligência ímpar, pela simplicidade sem par.


...minha irmã, que é simplesmente o máximo.

Floripa, outra vez, Floripa


Aqui estamos, desde ontem. Viemos visitar minha irmã, aproveitando o santo feriado santo.
Me dá um certo remorso. Talvez, por ser ateu, devesse eu trabalhar na sexta santa.
Por outro lado (sempre há um outro lado, quando isso nos convém), há o preceito constitucional contra a discriminação religiosa. Portanto, não posso trabalhar só porque sou ateu, enquanto os que acreditam em coisas tais como a eucaristia, a multiplicação de pães e peixes e a ressurreição de Lázaro ficam de papo pro ar.
Enfim, gozemos as delícias da Páscoa.
Desejo a todos continuação de boa vida.
Amém.

quarta-feira, 12 de abril de 2006

Caldeirada em São Paulo


Um grupo de amigos portugueses reuniu-se, dia 5, para uma caldeirada regada a vinho e fado. Essa reunião já é hábito de mais de vinte anos.
Os fadistas: Mario Rui, guitarra. Bonfim, violão. E a voz de Conceição de Freitas.
Alguns dos participantes do grupo também cantaram.
Fui convidado por meu (quase) primo Artur que, aliás, forneceu a caldeirada (maravilhosa).
Como não pedi autorização dos participantes para publicar as fotos, aqui vão apenas as que fiz dos músicos.
Mario Rui
Conceição de Freitas
Bonfim

sábado, 8 de abril de 2006

Assim não dá


Estão querendo acabar com convicções profundas.
Mais: acabar com expressões consagradas.

Por sugestão do Ordisi, fui ler o Jerusalem Post. Acho que o meu caro Ordisi já deu a ideia por pura sacanagem. É muito chato, o JP. A não ser por um artigo sobre o sucesso do teatro alternativo em Tel Aviv, mesmo assim graças ao maestro louco que ilustra o texto.

Fyodor Makarov

Em compensação, o Israel Insider está cheio de matérias interessantes.

Mas alto lá!

Depois de anos e anos de malhação do Judas, vêm me contar que Judas e Jesus estavam combinados?
Mais ainda: Jesus não pode mais ensinar o caminho das pedras. Ele andou sobre uma camada fina de gelo.

Durma-se, com todo esse barulho.

Perdoem a falta de escolha, os dias eram assim


A letra de Vitor Martins para a música de Ivan Lins brotou em mim logo que percebi, no Site Meter, que havia alguém, na Noruega, mais precisamente na cidade de Saksvik, região de Sor-Trondelag, sentadinho(a) na Norwegian University of Science and Technology, a ler meu blog durante o dia 7 de abril quase inteirinho. Foram 11 acessos ao longo de 13 horas.
Lembrei-me da década de 70. Era preciso assinar – a peso de ouro – o Le Monde e recebê-lo com uma semana de atraso, pelo correio.
Meus deuses. Como os tempos mudaram. E ainda há quem me diga: precisas colocar tudo isso em livro.
Livro?
Como deveria proceder eu, pra que alguém em Saksvik lesse meu livro?


(guardo um certo pudor de mencionar – aqui – os acessos a meu blog, suas características. Sinto-me, de algum modo, a invadir a privacidade do leitor. Mas, neste caso, a tentação foi irresistível. Perdoe-me o leitor norueguês).

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Notícia sem hora nem vez


Segundo o Ghanaian Chronicle, tem um cara lá em Ghana (É. Ghana. Qual o problema?) que parece ser o Roberto Jefferson deles.
O cara era presidente de um partido político (o NPP – New Patriotic Party) e denunciou corrupção no governo.
Tomou um chega pra lá do governo e passou um tempo na moita.
O moço se chama Harona Esseku.
Diria o companheiro Nãossei Nada da Silva:
Esseku não conheço. Mas aquele, o cantor de ópera, me complicou a vida.

Entreouvido no bar


- O técnico do Corinthians é metrossexual. Você também?
- Que nada, cara. No máximo uns 15 centímetros.

***

- O Corinthians ganhou do Universidad Catolica, lá no Chile, com dois jogadores a menos.
- Pois é. Se tirar mais uns dois ou três cabeças de bagre, esse time fica imbatível.

***

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Errata


Às vezes, as correções dos erros são mais terríveis - ou engraçadas, ou tristes - que os próprios erros.

Lembro da apostila de Geometria no Espaço em que estudei para o vestibular. Era de autoria do prof. Castrucci. Naquele tempo não havia Word. As coisas eram bem mais complicadas no mundo da edição de livros. Uma vez impresso o texto todo, mesmo após incansáveis revisões, descobriam-se erros. O que era possível: fazer uma folha a ser inserida no final, contendo as correções dos últimos erros detectados.
Foi o que fez o decano professor. E meu exemplar trazia - no alto da última página - o título: ERRETA. Não é de chorar?

Mas pra alegrar este post, aí vai um item da seção Erramos, da Folha de S.Paulo, de 23 de março deste ano (só para assinantes da Folha ou do UOL):

A espécie de tartaruga tigre-d'água-americano possui manchas vermelhas na cabeça, e não uma orelha vermelha, como informou erroneamente o texto "Tartarugas são retiradas da República" (Cotidiano, pág. C8, 9/3). Tartarugas não têm orelhas.
(grifos meus)

terça-feira, 4 de abril de 2006

Nozes a quem não tem dentes?


Vai daí que eu estava a ler o The Sydney Morning Herald, jornal australiano (por que? não posso?) e esbarrei com este artigo.
Se você prefere, eu resumo pra você:
Um economista neozelandês - ou, mais fácil, kiwi – que trabalha como jornalista no Dominion Post de Wellington, Nova Zelândia, ganhou uma bolada de 42,5 milhões de dólares (como o jornal é australiano, penso que são dólares australianos, o que nos leva a pouco mais de 30 milhões de dólares americanos ou 25 milhões de euros).
Como o sortudo ganhou tudo isso?
O filho dele é daqueles geniozinhos da informática e desenvolveu um software, o Kiwi (que, diga-se, eu não conheço). E o diabo do Kiwi (o software, não o neozelandês), foi vendido para a Fairfax pela bagatela de 670 milhões de dólares (novamente, australianos, penso eu). Como o papai do moço tinha 6,7% do negócio, recebeu o que recebeu.
Até aí, mais uma história de sorte.
Acontece que o Gareth (esse é o nome do papai, de 52 anos) sentou pra conversar com a Jo (que vem a ser a mamãe do garotão gênio) e chegaram à conclusão de que era muita areia pro caminhãozinho deles.
Disse o Gareth:
- Eu simplesmente não consigo pensar em quê fazer com isso.
E continuou:
- Eu trabalho porque gosto. Desde que você viva dentro do limite de suas posses, não interessa quanto é o seu salário.
Resumo: vão doar o dinheirão todo pra instituições de caridade.
O único problema deles, agora, é escolher quais.
Pode?

sábado, 1 de abril de 2006

Preces têm preço


Parece que o excelente Diário Ateísta ainda não se ocupou do assunto. Quando o fizer, certamente o fará a sério. Quanto a mim, não posso deixar de brincar com o assunto.
Está na Folha de S.Paulo de hoje (só pra assinantes da Folha ou do UOL).
Mas pode ser lido também no New York Times de ontem (em inglês).
Americanos (e quem mais faria um troço desses?!) fizeram uma pesquisa ao longo de quase uma década com mais de 1.800 pessoas em recuperação de cirurgias cardíacas para verificar o efeito de orações de terceiros na recuperação dos pacientes.
Chegaram à conclusão de que as orações não fazem efeito nenhum.
Pior: os pacientes que sabiam que havia gente orando por eles, esses tiveram mais complicações pós-operatórias, talvez (como sugerem os pesquisadores) graças à expectativa neles criada pelas tais orações.
Sendo assim, e como tenho muitos parentes doidinhos pra fazer oração em favor dos outros, sugiro o seguinte:
Quando eu tiver de operar o coração, desde que eu sobreviva, podem orar por mim à vontade. Pra mim, o máximo que poderia acontecer seria ter mais complicações pós-operatórias. Mas como não tenho nenhuma expectativa em relação ao efeito de tais orações, acho que nem isso vai acontecer.
Agora, pra vocês que estiverem orando, deve fazer um bem danado, né não?

Atualização (2/04/2.006): Pronto, o Diário Ateísta já escreveu sobre o assunto. Aqui.

sexta-feira, 31 de março de 2006

O rei está nu
(mas a rainha tem roupa pra chuchu)


O Chuchu começou sua campanha pra presidente deste país proclamando a necessidade de um banho de ética. Há muuuitos anos, um tal de Jânio se elegeu presidente com uma vassoura. Como a coisa piorou muito, de lá pra cá, parece que agora é preciso jogar água, também. Ou, quem sabe, o Jânio só falava em vassoura porque água não era propriamente o negócio dele. Como, aliás, no caso do atual. Deixa pra lá.
Vai daí, o Chuchu resolveu surfar na onda da moralidade. Só que surgiu um problema, digamos, caseiro (ops!).
Dona Lulu (a mulher do Chuchu) tem um costureiro. Sei lá eu por que cargas d’água (lá vem água, de novo), o designer resolveu botar a boca no mundo e disse que, durante os últimos anos, doou mais de 400 peças de roupa pra Lulu. Tudo de grátis.
Foi um perereco nas hostes tucanas e pefelistas. César Maia anunciou que aguardava explicações.
E, como a única coisa para a qual não cabe explicação é batom em cueca, o Chuchu e seus aspones imediatamente engendraram uma saída: todas as peças haviam sido doadas para uma casa de caridade, em lotes anuais, durante os últimos três anos.
Faltou combinar com a freirinha lá da casa de caridade. A dita cuja informou, candidamente, que faz alguns dias que ligaram pra lá pra doar algumas roupas. Mas que é a primeira vez que isso acontece.
Como candura fica bem em todo mundo, Lulu também resolveu esclarecer que não eram 400 peças, eram 40, só. Ah, bom.
Pra Lulu, não sei quantas peças foram. Mas, o que eu sei, é que em nós eles pregam peça toda hora.

quinta-feira, 30 de março de 2006

Paulo de Tarso Wenceslau


Não por nada, o rapaz devia chamar-se Perdeslau. Vai ser azarado assim no inferno.
Conheci PT (que não se perca pela sigla) na prisão, em 1.971. Na época havia uma controvérsia a respeito de quem teria informado a repressão sobre como encontrar Marighela. Os suspeitos, digamos assim, eram o Paulo de Tarso e os padres dominicanos presos em São Paulo, o Ivo e o Fernando.
PT jurava que não tinha sido ele. E, apesar de eu não me lembrar dos argumentos dele em sua própria defesa, parece que havia algum sentido em suas explicações.
Frei Betto parece que até escreveu um livro (que, óbvio, não li. Tenho mais a fazer) para provar que não foram os dominicanos.
Ficamos assim: parece – a julgar por tudo isso – que deve ter sido o próprio Marighela que ligou pro DOPS e pediu pra ser morto.
Mas voltemos ao nosso garoto, o PT.
Em função das dúvidas sobre quem disse, quem não disse, PT fazia de tudo para agradar a turma guardiã da alma revolucionária. Parece que obteve algum êxito. Alguns anos depois, lá estava ele, fundando o PT (agora sim, o nauseabundo Partido dos Trabalhadores).
Tudo estava a indicar que nosso garoto começava a ter sorte na vida. Mas a alegria durou pouco. Quando teve a ingenuidade de querer denunciar a roubalheira que corria solta nas prefeituras do PT, nosso PT tomou um chega-pra-lá do companheiro Lulla. Foi expulso e execrado.
Agora está aí, às voltas com tentativas de dizer o que sabe sobre Aquele-Que-Nada-Sabe.
PT jamais me pediu conselhos. Mas arrisco um: sai dessa, garoto. Por muito menos, uns tais de Celso e Toninho partiram desta pra melhor.
Não abuse da sorte que a tua já se viu que não é lá essas coisas.

quarta-feira, 29 de março de 2006

Amerai-vos!


Nim deraveis, nim comentóis. Serrimo-nos tercos.
Pátia coíbriga. Pir paledos, tur mansales, sejurnamente desverla-vos intorníveis rametráceos.
Cercônditos dotreitos arpúcios pertemperam mímias zazucréditas.
Tejemo-nos. Boleifas cárpais vocupletam amendos. Encruíveis fastúrias gastufletam solíficas.
Calta.
Habrerá ópegas qui intinedarão toifos us larápulos.
Nium pardem pur espriar.

terça-feira, 28 de março de 2006

Ideias do Meu Bazar


= Se você chuta o balde pra lavar a alma, derrama a água.

= Quando, ao final do expediente, o Palocci ia encontrar a misteriosa Carla na Casa do Lobby, ele não fazia mais do que treinar o que faria com a gente no dia seguinte.

= Se o Jorge Mattoso, por milagre, conseguir voltar à vida pública, sugiro que retorne como Jorge Ressuscittoso.

= Junta Palocci, Buratti, Poletto e não quer que acabe em pizza?

= Lulinha e Telemar: TUDO HAVER.

= LuLLa e Okamoto: o NÃOSSEI e o NISSEI.

= Tá bem. Fui companheiro de militância do Mattoso. Contemporâneo de presídio do Frei Betto (bem verdade que a contragosto de ambos). Dei umas aulinhas de marxismo pro Mantega. Daí a dizer que o culpado sou eu, vai uma certa distância.

Confusão


Confesso que estou confuso. Não porque Palocci pediu afastamento e ninguém sabe o que é isso.
Mas porque a raposa Mattoso (ou seria Jorge Rapposo?) foi lá na PF e entregou o chefe, com casca e tudo. E porque não sei o que faz o ingênuo Mantega no meio dessa história toda. E outros detalhes, pra mim significativos.
O Mantega é genovês. Meu filho, ao passar por Gênova, teve seu carro arrombado e suas malas roubadas. Acho que não tem a ver. Mas, como diria Sarney, parece mau agouro.
Sei lá.
Esse bando de gângsteres que assumiu a República é capaz de tudo e totalmente incapaz.
Dá pra entender?

domingo, 26 de março de 2006

Era uma vez - XXX
Jorge Mattoso, o Renato do POC


Já resumi aqui a formação do POC (Partido Operário Comunista) como junção de dissidência da POLOP com dissidência gaúcha do Partidão.
Essa dissidência gaúcha deu muito trabalho. Liderada pelo Emílio (nome de guerra de Fábio), vivia às turras com a direção nacional, que ficava em São Paulo.
Houve até um episódio divertido, no meio de tanta briga. Mas, pra falar dele, preciso fazer um rodeio antes. Quando comecei a participar de uma OPP (Organização Para-Partidária), adotei o codinome Eduardo. Já quando ingressei no POC, disseram que teria de escolher outro nome de guerra.
Nome de guerra? Escolhi Guerra. Pareceu-me adequado. Afinal, até sisudos revolucionários marxistas-leninistas precisam fazer uns trocadilhos, vez em quando.
Mas voltemos a nossos belicosos gaúchos. Iria haver um congresso regional do POC em Porto Alegre. A direção nacional temia que o pessoal do sul resolvesse romper com o restante da organização. Fui destacado pra representar a direção nacional no tal congresso.
Fui a Porto Alegre, encontrei-me lá com uma militante simpática e um tanto rechonchuda que me levou em seu carro até uma casa de classe média alta na qual ficamos fechados – em infindáveis reuniões – durante todo um final de semana.
Não tive muita dificuldade em aceitar vários dos pontos de vista do pessoal do sul, assim como eles se mostraram surpreendentemente cordatos em relação a minhas opiniões.
Resumo: acordo completo. Tudo resolvido na santa paz.
Voltei a São Paulo e fui encontrar-me com a Taís e o Nicolau na casa que eles ocupavam, no bairro de Moema, casa que eu viria a ocupar quando da viagem deles para a França. Quando lá cheguei, levado pelo Nicolau, estava presente, também o Emir Sader.
A Taís já havia recebido notícias do sul. E perguntou:
- Guerra, como você conseguiu não brigar com os caras?!
Tentei iniciar uma explicação. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, o Emir, que se balançava em uma gostosa cadeira de balanço, disse, como quem pensa em voz alta:
- Que concessões terá feito o camarada Guerra.
A ironia fina do Emir impediu que a conversa prosseguisse em tom sério.
Pois bem. Esse pessoal do sul tinha um representante que morava em São Paulo. Era um gaúcho que conhecíamos pelo nome de guerra de Renato.
Renato atazanava minha vida. Tudo ele contestava, nada estava bom pra ele, jamais. Não sei de seus antecedentes, de como ele foi parar na esquerda, mas tudo indica que teve largo treinamento em assembléias estudantis, pois usava de todos os conhecidos truques usados pelos líderes estudantis pra embaralhar qualquer assembléia e encaminhar as votações para o resultado por eles desejado.
Para cúmulo do meu azar, Renato fazia parte da mesma célula que eu ( o POC era organizado em células, que se reuniam periodicamente). Lembro de um episódio divertido, um dos poucos engraçados ocorrido em nosso tumultuado relacionamento. Combinamos, certa reunião, que todos leriam o 18 Brumário, de Marx, para ser discutido na reunião seguinte. Reunião seguinte, Renato chega eufórico:
- É aqui! É aqui!
Todos o olharam com ar de I beg your pardon.
E ele:
- Eu sempre ouvi essa de que a história se repete, uma vez como tragédia, outra como farsa. Não sabia de onde tinha saído isso.
Esse era Renato. Ingenuozão, porque meio garoto ainda. Mas sagaz na hora de criar chicanas.
Quando fomos presos, Emílio, por ter sido muito torturado e ter visto sua companheira praticamente enlouquecer durante as torturas, recolheu-se, tornou-se cordato. Perdeu, graças aos céus, aquela arrogância que antes exibia.
Já com Renato, passou-se o contrário. A estúpida morte de Nicolau já deixara os homens do DOI-CODI proibidos de utilizarem-se do pau-de-arara. Renato, logo nas primeiras cacetadas que levou, teve um braço fraturado. Foi levado ao hospital e não mais sofreu torturas.
Sentiu-se herói.
Se já era difícil suportar sua atitude quase sempre insolente, daí pra frente a coisa ficou impossível.
Nunca mais conversei com ele.
Entrou para o PT. Sei lá por quais caminhos, caiu nas graças da marquesa Suplicy e seu príncipe encantado Luis Favre.
Virou Secretário de Relações Internacionais da prefeitura de São Paulo durante a gestão da socialite. Foi acusado de gastar os tubos da prefeitura viajando adoidado, mundo afora.
Isso o levou, quando Lulla assumiu, a ganhar a presidência da Caixa Econômica Federal, que ele acaba de desmoralizar, com o affair da quebra de sigilo do caseiro que afirma que Palocci vivia na casa da esbórnia da turma de Ribeirão Preto.
Ao que tudo indica, continua mestre em chicanas.
Sai, satanás.

sábado, 25 de março de 2006

Era uma vez - XXIX
O Prata


Dia desses, alguém entrou em meu blog por meio de uma pesquisa no Google a respeito de Ricardo Prata Soares. Aliás, não é a primeira vez que isso acontece.
Fui olhar o resultado da pesquisa e encontrei isto.
Não consegui descobrir o que disse o tal Luiz Flávio Assis Moura a respeito do Prata. Só pude ler as reações indignadas de parentes e amigos. (ver Nota no fim deste post)
Resolvi, então, falar sobre ele. Para o bem ou para o mal. Espero que para o bem.
Meu interesse, em toda essa história, é iniciar uma conversa com o leitor a respeito da questão da tortura. E também da origem dessa canalha que dominou o PT. Conversa que nunca vai terminar, é claro. Mas que pode ser iniciada e lançada ao vento.
Quando entrei para a Direção Nacional do POC (Partido Operário Comunista) comecei minha convivência com o Hugo. Era um mineiro alto, magro, moreno. Apesar de todo o cuidado que tínhamos com a segurança, era impossível deixar de perceber que ele era mineiro. O sotaque o denunciava ineludivelmente.
As reuniões da Direção Nacional eram em minha casa, um aparelho (casa destinada a operações clandestinas da esquerda) situado em Moema, São Paulo, Avenida Chibarás.
Toda vez que marcávamos reunião (sempre em finais de semana) eu recolhia um a um os membros da direção em pontos (locais de encontro) previamente combinados. Levava-os para o aparelho dando um sem número de voltas, para despistar o destino. Eles, óbvio, de olhos fechados.
Passávamos o final de semana em reunião. A casa permanecia com as janelas fechadas. Ninguém podia saber em que local estávamos.
Nunca houve problema nenhum em relação à segurança, naquela casa. Só quem a conhecia, além de mim e minha mulher, eram o Nicolau e minha mãe (que não aceitara não saber onde eu morava. E eu, estupidamente, lhe dera o endereço). Os vizinhos só denunciaram à polícia alguma movimentação estranha na casa quando o pessoal do DOI-CODI a ocupou e lá permaneceu por quinze dias à minha espera.
Voltemos ao Prata, ou Hugo.
Enquanto eu passava férias em Ubatuba, discutindo com minha mulher nosso futuro, começaram as prisões de camaradas do POC. Prata e sua mulher, Eleonora (*), foram presos, torturados e sofreram ameaças de torturas na filha pequena (tinha uns quatro ou cinco anos, não me lembro bem). É óbvio que Prata resolveu dar algumas informações a seus algozes. Eu, em seu lugar, faria o mesmo. Neste ponto, há uma zona cinzenta.
Em paralelo, Nicolau fora preso ao voltar da França. Ele sabia onde eu morava (ele me passara a casa, antes de viajar). O que ouvi dizer é que Nicolau, pouco antes de morrer, teria dito onde ficava a casa. E que o Prata teria levado a repressão até lá, pois conhecia o local por ter aberto os olhos em alguma ocasião durante o trajeto (ou por ter aberto uma janela da casa durante sua permanência lá). Sei lá. O facto é que essas informações são meio desencontradas. Se o Nicolau disse onde ficava a casa, pra que diabos a repressão precisava que o Prata os levasse lá?
Nada disso me parece significativo, hoje (aliás, nem naquela época).
Para mim, parece mais importante falar a respeito do que aconteceu depois.
Prata e Eleonora ficaram marcados como traidores, colaboradores e outras besteiras que tais. Até aí, nada de tão terrível. Metade do pessoal preso era mais ou menos considerado dessa maneira pelos heróis da ALN. (Só ficou faltando explicar como tantos heróis caíram (foram presos) em seqüência. Coincidência, talvez.)
E aí começa minha divergência em relação ao Prata. Durante infindáveis banhos de sol conversamos sobre a situação da esquerda. Eu, totalmente desiludido, deixava claro que iria abandonar tudo aquilo. Prata me dizia:
Mas como você vai sobreviver sem a esquerda?
Talvez essa frase explique a atual degringolada do PT e do governo Lulla.
O pessoal passou a depender disso pra sobreviver. No começo, eram empregos arrumados aqui e ali em estatais, universidades, centros de pesquisa. Depois, com a criação do PT e a conquista das primeiras prefeituras, começaram os cargos nos governos. E não parou mais. Até atingir o ápice com a conquista da presidência da República.
Continuo admirando o antigo companheiro Prata. Foi sempre pessoa ponderada, equilibrada, dotada de bom senso.
Só que dependia – ou pensava depender – daquela rede de influências para sobreviver. E puxou o saco do pessoal o mais que pôde.
Adoraria sentar em uma mesa de bar pra papear com o Hugo, hoje. Nem sei se ele bebe. Tomaríamos umas cachaças mineiras, recordaríamos velhos episódios.
Bom caráter ele era. Diferente de Jorge Mattoso, o Renato, atual presidente da Caixa, segurando-se no cargo como carrapato, sobre o qual falarei qualquer hora dessas.
Por hora, vamos ficar só no Bem.
Hugo, se você estiver por aí, vamos conversar?

Nota (02/11/2014): Ao preparar a transcrição deste post para o Facebook fui verificar se o link que incluí com comentários sobre Ricardo Prata ainda estava ativo. Ainda está. Como se pode constatar, trata-se de alguns textos que procuram defender o Prata de críticas feitas a ele no número anterior a esse da revista (ou jornal) Revelação. Mas, ao procurar o artigo de Luiz Flávio Assis Moura na edição anterior à do link verifiquei que ele foi eliminado. O restante do conteúdo da revista está lá (http://www.revelacaoonline.uniube.br/2004/arquivo2004/281.html). Mas o artigo que criticava Ricardo Prata desapareceu (chamava-se Marcas da Ruína).
Parece que uma certa tradição stalinista persiste na esquerda brasileira....

(*) Eleonora Menicucci, atualmente (02/11/2014) - e desde 10/02/2012 - Ministra-Chefe da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres do Brasil (governo Dilma). Ela e Ricardo Prata separaram-se parece que já há muitos anos.

quinta-feira, 23 de março de 2006

Saber na ponta do lápis


Preocupado com a tese de mestrado? Doutorado? Ou um simples trabalho de final de curso universitário?

Seus problemas acabaram:


monografias a preço de banana

Parabéns


Amanhã, minha caçula faz 27 aninhos. Cubo perfeito. Ela, de cubo, não tem nada. Mas - por mais que morra de vontade - não posso colocar, aqui, uma foto dela.
Pra minorar essa vontade, aí vai uma foto de uma - digamos - netinha:

Fofa, né não? Chama-se Doga.

quarta-feira, 22 de março de 2006

Notícias da pós-última hora


Exercício de profecia aplicada:

- Funcionário da Caixa que imprimiu o extrato da conta do caseiro Nildo é encontrado com a boca cheia de formiga. Polícia chegou à conclusão de que a morte foi natural. Aliás, todas as mortes - em certo sentido - são naturais.

******


- Terrível coincidência: funcionário da Caixa que passou o fax do extrato lá pro Ministério da Fazenda também é encontrado morto. Mas não com a boca cheia de formigas. Neste caso parece que foi atropelamento. As formigas chegaram depois.
Foi instaurado rigorosíssimo inquérito.

******


- Funcionário do Ministério da Fazenda que
(notícia interrompida por força de liminar concedida pelo Supremo)

******



Pergunta a um velho conhecido:

Caro Jorge Mattoso, o Renato do POC, atual presidente da Caixa:
aqui entre nós, valeu a pena toda aquela tortura, aquela privação de liberdade, pra chegar nesse tipo de política?
Ou política - pra ti - sempre foi isso. Hein?

segunda-feira, 20 de março de 2006

Vamos ao que interessa


Se a política, no Brasil, ficou resumida a notícias policiais e a fofocas de alcova; se as eleições irão resumir-se a uma escolha entre um deslumbrado ex-operário, ex-sindicalista, ex-esperança e atual caricatura de si mesmo e um burocrata insosso e descendente direto do Conselheiro Acácio; se a política, no mundo, virou a banalização da barbárie;
Que tal jogar Campo Minado?
De minha parte, já consegui chegar aos 130 segundos.

Tenta aí, vai
Meu objetivo atual é conseguir baixar pra 2 minutos.
E você? Vai encarar?

terça-feira, 14 de março de 2006

Esqueletos em armários


Em 18 de fevereiro de 2.002, o site do Claudio Humberto publicou a seguinte nota:


Baixaria à paulista

Se Geraldo Alckmin acha que a campanha eleitoral será limpa, como deseja, pode tirar o cavalinho da chuva. Seus inimigos não têm limites: estão dispostos a contar na TV a dolorosa história do primeiro casamento de sua esposa, afinal anulado. A mãe do ex – que muito tempo depois morreu metralhado num estacionamento – estaria municiando a baixaria.

Isso foi antes das eleições para governador de São Paulo. Em 2.002.
Alckmin, agora, é o candidato do PSDB à Presidência da República. Será que a imprensa vai continuar fingindo nada saber sobre o assunto? Terá o mesmo comportamento que teve durante os oito anos de governo Fernando Henrique, durante os quais ignorou solenemente o filho extra do grão-tucano?
Ou tais assuntos privados nada têm a ver com a vida pública?
Quanto a mim, penso que temos o direito de conhecer a vida privada dos cidadãos que se oferecem para nos governar.
Mas nossa imprensa tem outros intere$$es.

Elite estúpida => País atrasado


O Sarney, quando presidente, não recebia em audiência ninguém que estivesse trajando terno marrom.
Nosso talvez-candidato tucano, José Serra, tem também suas superstições, tal qual o presidente do PSDB, Tasso Shopping Iguatemi Jereissati.
De estupidez em estupidez, vamos enfiando o País na merda.
Beleza.

sábado, 11 de março de 2006

OSESP de volta


Começou, esta semana, a temporada 2.006 da OSESP. Voltamos a freqüentar a sala São Paulo hoje, para ouvir a Missa de Réquiem, de Verdi.
Além da orquestra e dos quatro solistas, um coro de 140 vozes, valendo-se da junção do Coro da OSESP e do Coro da Fundação Príncipe de Astúrias.
Indescritível. A certa altura, pareceu-me que músicos e coral flutuavam. Será?
Penso que foi impressão minha.

Prioridades


Portugal já estabeleceu, segundo o Público, quais os cidadãos prioritários para receber antivirais relativos à gripe aviária: são profissionais de saúde, responsáveis de sectores como o fornecimento de electricidade, água, gás ou alimentos e as forças de segurança.
Fico a imaginar quais seriam os cidadãos escolhidos para receber o tal remédio, caso essa preocupação existisse no Brasil.
Que achas, hein.

Preferências


- De que animais você gosta?
- Cachorro...
- E gato?
- Não, gato não.
- Outro.
- Sei lá.
- Tartaruga?
- Hmmm. Não, não.
- Papagaio?
- Não, não curto papagaio.
- E sogra?

quinta-feira, 9 de março de 2006

Penúltimas notícias


TV Digital
O governo optou pelo padrão japonês para a televisão digital no Brasil. Minha dúvida: vai ter legenda?

*****


Nobre prioridade
Ao inocentar o deputado Professor Luizinho das acusações de ter recebido dinheiro espúrio, o Congresso brasileiro deu inequívoca demonstração de que prestigia o ensino.

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Amante ingrato
O ministro Palocci não mentiu à CPI quando afirmou que nunca freqüentara a Casa de Ribeirão Preto em Brasília. Ele simplesmente esqueceu.
Chateada ficou uma das meninas da cafetina Jeany Mary Córner. Ele teria jurado a ela que aqueles momentos de luxúria eram inesquecíveis.

*****

quarta-feira, 8 de março de 2006

Final de jogo


O jogo Juventus x Werder Bremen, que começara com vitória parcial do time alemão (gol do francês Micoud), resultou na classificação da Juventus para a próxima etapa da Liga dos Campeões. Depois de empatar (gol de Trezeguet) a Juventus foi beneficiada por uma incrível falha do goleiro alemão, que soltou a bola, já defendida, nos pés do brasileiro Émerson, que desempatou.
Ao final, um desolado Micoud foi cumprimentar o brasileiro Émerson e se apresentou:
- Micoud
E o brasileiro, enfrentando as dificuldades da comunicação em línguas diferentes o consolou:
- Mi, também, às vezes, me sinto um bosta.

segunda-feira, 6 de março de 2006

Eleições - Brasil - 2.006: Certeza


O PMDB ameaça candidato.
Garotão, Rigotinho.
Tudo barganha.
No final,
o bar ganha.
(tchim, tchim, Lulla)

Eleições - Brasil - 2.006: Dúvida


Os tucanos estão
como sempre estiveram:
na dúvida.
In dubio, pro Serra.
Ou será pro Geraldo Chuchu.
Ou Aécinho, o sobrinho.
Ou o quê. FHC?

domingo, 5 de março de 2006

Eleições - Brasil - 2.006: Esperança


Até a última eleição presidencial, existia o discurso moralista do PT. Talvez a grande vantagem desta crise que acabamos de viver seja a de ter acabado com tal discurso.
Daqui pra frente, talvez consigamos discutir os verdadeiros problemas do país. Pena que nenhum candidato tenha visão estratégica do país. Todos preocupam-se simplesmente com as estratégias eleitorais. Mas, ao menos, penso que não teremos os chatos do PT falando sobre moralidade. Passarão batidos pelo tema.
Afinal, não se fala de corda em casa de enforcado.
E, antes que alguém venha com o papo de que a corrupção é problema fundamental, sugiro assistir àquele velho filme italiano em quatro episódios: Bocaccio 70. Em particular o primeiro, aquele do Fellini.

Eleições - Brasil - 2.006: Tédio


Mais uma vez, teremos confronto PT - PSDB. Ou melhor, Lulla - PSDB. O desenvolvimento, no governo Lulla, foi pífio. Mas menos ruim do que o da era FHC.
Quanto à corrupção, não fará diferença nas eleições, ao que tudo indica. Aliás, ela é generalizada. Portanto, não serve de divisor de águas (ou de lamas).
Vamos de mal a pior. Ou, a julgar pelos mensalões, de mala a pior.
Que tédio.
Quando surgirá algum projeto para o país?

sábado, 4 de março de 2006

Posições


O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) deste país, decidiu hoje pela manutenção da verticalização nas eleições deste ano.
Isso quer dizer que as alianças estabelecidas em âmbito federal deverão ser mantidas nos demais níveis federativos: estados e municípios. Como o Brasil (este país) é pequenininho, tudo vai dar certo. Nem pense que os políticos buscarão formas de burlar essa determinação. 'Magina!
Fico à espera de uma determinação do TSE no sentido da horizontalização. Aí a coisa pode ficar mais saborosa, se é que me entendem.
Boa continuação de final de semana.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Criatividade jornalística


Olha só a manchete da Folha Online, estampada na página principal do portal UOL, nesta terça de carnaval:

Estradas têm lentidão na volta do litoral para São Paulo

Antigamente, cachorro morder gente não era notícia. Só gente morder cachorro dava manchete.
Além disso, pra ser completamente chato, lembro que o litoral não volta pra Sampa, quem volta são as pessoas que lá estavam. O litoral continua lá onde sempre esteve.

Deixa pra lá. Se todo mal fosse esse.

***********

Lembrei-me de amigo meu que era redator na revista Veja, no tempo em que ainda existiam revisores nas redações. Um revisor o questionou sobre uma matéria que ele havia escrito. Achava o revisor que ela poderia ter sido melhor redigida. Respondeu ele:
- Ganho pra escrever. Escrever bem custa mais caro.

Ofertas e mais ofertas no Bazar !


Acabo de completar os posts do mês de abril de 2.004. Já estavam lá o conto Um pontinho no nariz e um pouco de memórias.
Agora há o polêmico post sobre a tradição das Matanças, uma tradução maluca que fiz de um post de um blog sueco, com suas conseqüências, um Ensaio infame sobre Mahler e muito mais.
Tudo grátis.
Aliás, mais do que grátis. Tem até post que ensina a ganhar dinheiro.

domingo, 26 de fevereiro de 2006

Benfica x Porto


Tudo pronto para a comemoração de mais uma vitória do Porto.

O cachecol que meu amigo Asulado me mandou, nunca chegou. Tratei de procurar um em Bragança, no começo do ano. Nas lojas dos chineses havia uns baratinhos, mas muito fajutos. Na Casa do Portista encontrei esse aí, bonito mas caro pra burro (10 euros). É duro ser torcedor em Portugal.
Vai daí que o jogo foi monótono, chato mesmo. E, de repente, Vitor Baía resolveu aceitar um chute quase do meio do campo. Fazer o quê.
Cadê a bola?
Você vê a bola? Vitor Baía também não viu.

Continuamos na liderança. Não deixa de ser um consolo.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

Maioridade


Hoje, enfim, chego aos 18 anos.
Isso se o pano de fundo for o crivo de Eratóstenes.

Crivo de Eratóstenes

Rebajas en el Bazar


Acabei de trazer para cá todos os posts de março de 2.004 do meu antigo blog no Mblog, inclusive um em que resolvo usar o neologismo spasso no lugar de post. Agora se vê que desisti da ideia.
Mas, entre os 28 posts desse mês, há alguns que penso serem de interesse:
três pequenos poemas e um conto. Diálogos (não tão) absurdos, comentários políticos dotados de algum caráter profético. E por aí vai.
Divirta-se porque é liquidação.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Felicidade é


descobrires que podes editar qualquer post de teu blog apenas com um clique no lápis abaixo do dito cujo post.

domingo, 19 de fevereiro de 2006

S.O.S.


Algum usuário/utente do Blogger pode dizer-me como é que faço pra editar um post antigo (anterior aos 300 últimos) ?

Atualização: No Ajuda do Blogger encontrei isto:
Na página Editar postagens, você só pode exibir as 300 postagens mais recentes de um blog. Até que esse problema seja solucionado, você pode acrescentar &selNumPosts=XXX ao final do URL, onde XXX representa o número de postagens que você gostaria de exibir. Observe, no entanto, que você sempre pode localizar postagens antigas para edição usando o recurso de pesquisa da página Editar postagens ou os links de edição rápida dos arquivos.
Tudo bem. Só não sei como acrescentar xpto ao final do URL. Além do mais, o recurso de pesquisa não existe na página Editar postagens. Também não faço a mínima idéia sobre quê serão os tais links de edição rápida dos arquivos.
Isso é o que se chama estar no mato sem cachorro.

Atualização: Descobri os links de edição rápida. São esses lápis no final de cada post.
Bingo.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

Liquidação no Bazar


Coloquei, hoje, neste blog, os posts de fevereiro de 2.004, que tinham sido publicados no Mblog e não constavam aqui no Blogger.
Estão em oferta. Confira.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

Viva!


Minha irmã foi operada hoje. E era benigno. Como tudo está pra lá de bom, nada como cantar junto com Marisa Monte o doce samba de Candeia: Preciso me encontrar. Canta com a gente.

clique aqui e cante com a gente

(Powered by Castpost)

domingo, 12 de fevereiro de 2006

100 anos


No início do século passado, em uma aldeia do nordeste de Portugal chamada Passos, na região da Lomba, uma jovem, de nome Amélia, deixou-se encantar por um rapaz bem apessoado, de boa família. Chamava-se João. Sabe-se lá aonde e como, foram às vias de facto. Essa relação, um tanto escondida, persistiu o suficiente para gerar dois garotos. O pai, sem querer constituir família com a jovem, partiu para o Brasil. Ela, fazer o quê, registrou os meninos como seus filhos e de pai incógnito. Deu-lhes nomes compostos: Agripino Santelmo e Alberto Augusto. Naquele tempo, não se definia na certidão de nascimento o nome completo do recém nascido. Davam-se apenas os pré-nomes. Mais tarde o indivíduo comporia seu nome completo, acrescentando aos pré-nomes os sobrenomes de mãe e de pai.
O caçula, nascido a 13 de fevereiro de 1.906, desde logo mostrou independência e pensamento próprio. Quando toda a gurizada partia para o campo, pela manhã, Alberto levava às costas mochila com batatas cozidas. Os outros zombavam dele. Achavam aquilo um tanto ridículo, pelos costumes da época e do lugar. Quanto a ele, só se preocupava em que não lhe dessem tapas às costas. Pra não amassar as batatas.
Só que o garoto não queria ficar limitado à vida do campo. E queria, também, ir à procura do pai.
Aos catorze anos, conseguiu que um tio que morava no Rio de Janeiro lhe enviasse uma carta autorizando sua ida ao Brasil. Documento necessário para que ele conseguisse viajar.
E lá se foi. Só.
No Rio de Janeiro procurou o pai. Constatou que este já constituíra família no Brasil. E não quis reconhecê-lo como filho.
Sua mãe, por sua vez, casou-se na aldeia com o Zé Grande, português que vivera no Brasil, em Niterói, e cá tivera mulher e três filhos. Tendo ficado viúvo, retornou com os filhos à aldeia de origem. Com Amélia, mãe de Alberto, teve mais três filhas.
Alberto Augusto, apesar de corresponder-se com a mãe até a morte dela, optou por não utilizar-se de sobrenomes de família. Adotou o Alberto Augusto como nome completo. Augusto transformou-se em sobrenome.
Radicou-se em Santos, no estado de São Paulo, e tornou-se baptista. Mais: formou-se em Teologia e começou a viver sua vocação de pastor.
Sua intenção era a de exercer seu ministério em lugares inóspitos. Foi ser pastor em Manaus, no ano de 1.934. Sua saúde (ou a falta dela) o fez retornar a Santos. Passou a ser pastor da Primeira Igreja Baptista de Santos, cargo que exerceu durante vinte e cinco anos.
Faleceu, vítima de derrame cerebral fulminante, em 26 de junho de 1.961, aos 55 anos. A cidade guardou sua memória atribuindo seu nome a uma rua. O estado de São Paulo também deu seu nome a uma escola de ensino fundamental.
Alberto Augusto escreveu vários livros, todos de caráter religioso. Durante anos publicou – em O Jornal Baptista – uma coluna chamada Meu Bazar de Idéias. Mais tarde reuniu em livro várias de suas crônicas. Queria dar ao livro o título Idéias do Meu Bazar. A editora o publicou como Meu Bazar de Idéias, mesmo nome da coluna semanal.
Esse homem teve três filhos. Penso que não os queria ter. Parece-me que preferia dedicar-se totalmente a sua missão evangélica. Mas a esposa, que o amava infinitamente e o levava a fazer o que ela queria fingindo sempre obedecê-lo (como fazem quase todas as mulheres), teve uma filha, depois outra, e – quando tudo parecia encerrado nesse capítulo – escapou um menino, vejam só.
Foi assim que nasci. Fruto de esperteza feminina combinada com falha de planejamento familiar.
Talvez por isso mesmo, não menosprezo jamais a capacidade das mulheres de levar os homens no bico. Com todo o amor, claro. E tenho uma relação de desconfiança irônica com qualquer tipo de planejamento.
Alberto Augusto e eu. Temos muito pouco em comum. Descontado o facto de que eu não existiria se ele não tivesse cedido seus espermatozóides, sobra pouco.
Sua morte prematura me deixou a frustração de ter convivido muito pouco com ele, já na fase adulta. Se ele tivesse vivido mais, teríamos tido brigas homéricas. Mas desconfio que chegaríamos a algum acordo. Ele era bom demais pra que isso não acontecesse.
Paciência. A mim, resta a lembrança de um homem atormentado, tenso, de integridade absoluta. Inteligente e culto. Um pouco ingênuo. Mas pérola que não se encontra em qualquer concha.

Segunda-feira, agora, minha irmã (Édipo puro) vai ser operada. No centenário do pai. Isso só pode ser bom sinal. Beijinhos, mana. Papai estaria cuidando de ti, se nossas fantasias fossem realidade.

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Prazer


Quando se aproxima o momento de ela chegar, vou ficando excitado. Quantas possibilidades de prazer. Imagino mil coisas.
Ela é deliciosa.
Não vejo a hora de ela se instalar em minha casa e me encher de satisfação.
Ela me dá paz.



Como gosto da noite de sexta-feira!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

O Plano B


Dia desses, almoçava com colega de trabalho. Ele, agitadíssimo, descrevia o carnaval que faria no ambiente de trabalho caso obtivesse a liminar em Mandado de Segurança na qual depositava todas as suas esperanças de solução de seus problemas pessoais e familiares.
A certa altura, a euforia dele tendo feito pequena pausa, perguntei:
- E você tem um plano B?
- Nem quero pensar nisso, ele emendou, de voleio.
Pensei em argumentar que o juiz poderia perfeitamente negar a liminar. Em tempo, percebi que não havia clima para tal ponderação.

Mas passei a pensar sobre o tal Plano B. Não pra ele, evidente. Não tenho elementos pra isso. Mas quanto a mim. Qual o papel do plano B em minha vida.

Fiquei surpreso ao constatar que quase sempre na vida fui levado a viver o Plano B. E percebi isso sem nenhum sentimento de derrota, sem qualquer mágoa. Penso que isso talvez se deva ao facto de que temos desejos sempre mais amplos e maiores que nossas possibilidades concretas. O que não significa trocar algo bom por algo podre. Não. Quem sabe o objetivo primeiro, o Plano A, não fosse desastroso. Ninguém sabe.

Quando pequeno, meu desejo secreto era ser jogador de futebol. Jogava botão em clima de sonho. Futebol de praia era sempre um desafio. Avaliação de possibilidades.
Mas... tinha um pai severo, pastor baptista quando ainda não tinham inventado os Atletas de Cristo. Quando ser jogador de futebol e evangélico eram coisas mutuamente exclusivas. Quando ainda não havia Kaká e seus gols dedicados ao Senhor.
Resumo: adotei o plano B. Fui ser engenheiro.

Lá pelo início do quarto ano de engenharia percebi que não tinha a mais remota vocação pra profissão. E enveredei por outro plano B: Filosofia.

Quando já ia me dando conta de que Filosofia era algo reservado a abastados, mergulhei na militância política, na busca de um socialismo a ser implantado no Brasil. Desta vez o plano B me foi imposto contra minha vontade: três anos de cadeia e dez anos de direitos políticos cassados.

De volta às ruas, como Filosofia não enchia barriga, fui trabalhar em Matemática, como professor universitário. Durante minha pós-graduação, percebi que os cursos da área de computação eram muito mais fáceis do que os da Matemática Pura. Como precisava acumular créditos para o Mestrado, comecei a fazer um monte deles. Os milicos não queriam mesmo que eu continuasse na USP. Paciência. Plano B, de novo. Pensei: o que que eu sei, que leve alguém a pagar por isso? Computação, claro.
E dá-lhe plano B. Foram uns vinte anos de trabalho na área de Sistemas. Puro plano B.

E no amor, então. Tenho a sensação, quase certeza, de que todas as mulheres de minha vida me viram como plano B. Não. Não se trata de paranóia ou algo assim. É simples: para parodiar Groucho Marx, eu jamais me casaria com uma mulher cujo grande ideal na vida fosse casar comigo. Prefiro mulheres inteligentes.

Escreveria páginas e mais páginas sobre meus planos B. Quando resolvi ter filhos, por exemplo, comecei a desenvolver todo um programa de ensino para que eles fossem educados em casa. Como aconteceu de os amigos quase me matarem de tanta crítica, parti para o plano B: escola convencional e não se fala mais nisso. Hoje meus filhos são pessoas normais. Diria que bem acima da média, não fosse isso corujismo explícito.

Outro exemplo: todo mundo gostaria de atravessar a vida sem precisar de psicanalista (quer dizer: todo mundo não, só os normais, como diria Nelson Rodrigues, em outro contexto). Eu também. Mas não deu. A certa altura do campeonato tive de recorrer ao plano B, que no caso chama-se Luis Meyer. Cinco anos de quatro sessões por semana. Fantástico plano B. Experiência maravilhosa. Aliás, o único defeito do Meyer é ser amigo do FHC. Mas algum defeito ele tinha de ter, né mesmo?

E dá-lhe plano B. Agora mesmo: meu grande sonho é ir morar em Portugal. Mais especificamente no distrito de Bragança, perto de minha aldeia ou mesmo nela, se possível.

Será possível? Ou terei de adotar outro plano B?

Aceito sugestões.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Supremowski


O STF (Supremo Tribunal Federal) deverá contar com mais um integrante indicado pelo inefável Lulla. Trata-se do desembargador Enrique Ricardo Lewandowski. O companheiro Lulla foi aluno de Lewandowski pai, no SENAI. Da mesma forma, madame Lewandowski é amiga da primeira-dama Marisa Quem-nunca-comeu-melado-quando-come-se-lambusa Letícia.
E daí?, dirá você.
Sei lá, digo eu. Só estranho o ensurdecedor silêncio da mídia a respeito das relações de – digamos – proximidade entre Lulla e Lewandowski. Só consegui ver referência a isso na coluna do Cláudio Humberto.
Quanto a nós, continuaremos lewandowski no rabowski.
Não tenha dúvida.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006


A mim, o que mais chamou a atenção em Dois Filhos de Francisco (sobre a vida da dupla Zezé de Camargo e Luciano) foi que – em nenhum instante do filme – é feita qualquer referência à qualidade da música composta/interpretada pela dupla. Parece que a única preocupação de pai e de filhos sempre foi a sobrevivência. Grana. Bufunfa. Dindim.

*****


Depois de redigir a nota acima, fui ao Houaiss para ver sinônimos de dinheiro. Transcrevo:

algum, arame, bagaço, bagalhoça, bagarote, bago, baguines, bagulho, bala, barro, bazaruco, bilhestre, bilhestro, bolsa, bomba, boró, borós, broça, brocha, cabedal, cacau, calique, cantante, capim, capital, caraminguá, carcanhóis, caroço, cascalho, cédula, changa, chapa, chavo, chelpa, cheta, china, chinfre, cobre, cobres, cominho, conques, contado, coscorrinho, cunfres, cunques, cuprém, erva, estilha, falépia, felpa, ferros, fundos, gadé, gaita, gás, gimbo, grana, guines, guino, guita, jabaculê, jibungo, jimbo, jimbongo, jimbra, joão-da-cruz, lã, legume, lençol, luz, maco, maquia, marcaureles, marco, massa, metal, milho, moeda, mosca, mufunfa, música, narta, níquel, nota, numerário, numo, óleo, ouro, pacotes, parnau, parné, parneque, parni, parrolo, pasta, pataca, pataco, patacos, pecúnia, pecuniária, pelga, pila, pilcha, pilim, prata, quido, roço, tacho, taco, teca, tostão, tubos, tuncum, tusta, tusto, tutu, unto, vento, verba, vintém, zergulho, zinco.

Se reparar no final da letra M, você verá que música também é sinônimo de dinheiro. Agora entendi o filme.

*****


Tá certo que hoje se comemora a posse de Juscelino Kubitschek de Oliveira na Presidência da República. 50 anos.
Pra mim, mais importante é que hoje Celina faria 93 anos. Pena que é faria.

domingo, 29 de janeiro de 2006

Creio em Deus


Desde que Ele seja minha Perplexidade.
Desde que seja meu Espanto.

Desde que Ele seja o Impulso
Que faz Susana doar pedaço de si
Para que Elsa tenha Vida.
(e quantas outras Susanas doam de si por amar)

Desde que ele seja o Acaso,
Que faz a Vida existir por milagre.

Desde que Ele seja o Instinto,
Senhor de nossos atos cotidianos,
Seja a Audácia do ser humano
Que ergue Catedrais,
Compõe Hinos.

Desde que,
Desde que,
Deus de quê.

sábado, 28 de janeiro de 2006

No tempo da solidariedade


No começo de 1.967 (é isso, faz 39 anos), eu dava aulas particulares de matemática e levantava uma grana muito razoável. Seria meu último ano no curso de engenharia eletrônica e eu já estudava para o vestibular de filosofia. Mas aulas particulares já me cansavam. Queria dar aulas em cursinho preparatório para vestibulares. Os tais cursinhos tinham panelinhas fechadas. Era difícil entrar nelas.
Belo dia, vi um anúncio em jornal para dar aulas num tal de CAPI Vestibulares. Fui até lá. O cursinho ficava em um prédio pra lá de antigo, no centro de São Paulo, esquina de São João com Anhangabaú. O dono do cursinho, o Labibe, me explicou que se tratava de turma com aulas aos sábados e domingos, pra alunos que não dispunham de outro horário livre. As aulas de matemática seriam, todas, aos domingos pela manhã. Como a cavalo dado não se olham os dentes, aceitei.
Foi meu primeiro trabalho com carteira assinada. Tudo registradinho, bonitinho.
Vez em quando, o turco, como era conhecido o dono do cursinho, me pedia pra substituir algum professor durante a semana, em alguma turma regular. E, assim, fui entrando devagar no mundo dos cursinhos.
Até que o Tomaselli, que dava quase todas as aulas de matemática do cursinho, brigou com o turco e foi embora. Labibe me chamou às pressas. Pediu que eu assumisse tudo. Ao aceitar (depois de uma conversa com o Tomaselli, que me liberou), eu ficava com um curso de engenharia para terminar, um vestibular de filosofia pela frente e aulas todas as noites, algumas manhãs e – last but not least - todos os domingos de manhã. Mas, aos vinte e dois anos, a gente faz isso aí e ainda sobra tempo.
Quando terminei engenharia e entrei na Faculdade de Filosofia da USP, fui morar na rua Maria Antonia, que era o centro do universo, pelo menos para os estudantes e revolucionários de São Paulo. E assumi todas as aulas de Matemática do CAPI Vestibulares.
O diretor do CAPI era o Farina. Devia ter seus quarenta e poucos anos, mas pra mim, que tinha vinte e três, parecia um ancião. Mas ancião que topava encarar nossa vida de boemia. Eu dava aulas desde as sete da manhã (às vezes, marcávamos aulas extras às seis) até a hora do almoço. Assistia às aulas de filosofia à tarde e voltava a dar aulas à noite. Lá pelas onze e tanto, depois da última aula, íamos todos jantar. Era o melhor do dia. Comíamos e, principalmente, bebíamos e conversávamos. Ninguém ia dormir antes das duas. Jamais.
Um dos nossos assuntos prediletos era o cursinho. Todo mundo metia o pau no turco. E bolávamos receitas de como o cursinho poderia ser uma maravilha, não fosse a toupeira do dono. De facto, Labibe não era – propriamente – um cara que tivesse uma visão arrojada de seu próprio negócio. O prédio em que ficava o cursinho era, além de velho, escuro, baixo astral. As apostilas dos cursos eram horrorosas, mal feitas e de apresentação pra lá de sofrível. O nome do curso era, com o perdão da má palavra, Centro de Aperfeiçoamento e Preparação Intelectual (daí a sigla CAPI). O símbolo gráfico, digamos assim, era uma reprodução do Pensador. Tudo terrivelmente kitch.
Lá para o final de 1.968, comecei a incitar o Farina a fazer algo novo.
- Sugere ao turco que pinte o prédio com cores alegres, faça apostilas bonitas, coloridas. Que ponha anúncios decentes nos jornais.
Parêntesis: o Labibe achava que, quando pagava um espaço publicitário na imprensa, precisava aproveitar bem o espaço pago. Acontecia, então, que ele comprava uma página inteira da Folha de S.Paulo (que custava o preço de um Fusquinha zero) e enchia tanto a página de textos, letra miúda, que aquilo ficava parecido a um caderno de classificados.
O Farina reagiu à minha provocação:
- Eu cutuco o turco, desde que você tope me ajudar.
- Fechado.
Dia seguinte, Farina chega sorrindo:
- O turco topou. Vamos montar um curso Intensivo, só dezembro e janeiro, como teste. Se der certo, maravilha.
Passei a trabalhar mais de vinte horas por dia. Muitas vezes, dormia umas três horas em um sofá que havia na secretaria do cursinho.
Foi um dos mais deliciosos trabalhos que realizei na vida. Selecionamos um time fantástico de professores, fizemos apostilas caprichadas, e – glória a deus nas alturas – colocamos um anúncio de página inteira na Folha só com o novo logotipo do CAPI (uma obra-prima que achamos enterrada em uma gaveta qualquer) e o endereço, chamando pra matrículas no Intensivão. Noventa por cento da página em branco. O turco quase teve um infarto.
Primeiro dia de matrículas, fila na porta do prédio.
O curso Intensivo foi um fenômeno. Gente saindo pelo ladrão. Professores de primeira, apostilas perfeitas. Vez em quando, cancelávamos alguma aula, levávamos os alunos pro auditório, passávamos um filme e o Álfio Beccari comentava o dito cujo. Foi assim que os alunos assistiram, por exemplo, a Os Companheiros (eu, assisti umas dez vezes ao filme).
Resultado: visto o faturamento, o turco me convidou pra ser diretor do cursinho, junto com o Farina.
Preparamos os cursos regulares de 1.969 com o maior capricho. Primeiro dia de aulas, todas as salas (agora pintadas em cores alegres) cheias de alunos. Labibe me chama até a sala dele. Pede que eu assine um papel qualquer em branco (nem me lembro do que se tratava, mas era alguma maracutaia). Disse que não assinava. Ele me demitiu. Sumariamente.
Desci até a sala dos professores, que começavam a chegar para o primeiro dia de aulas.
Disse aos que lá já estavam que tinha acabado de ser demitido.
Ítalo Tronca e Ricardo Maranhão, jornalistas e professores de História, não se conformaram. Reuniram todos os professores e subiram pra falar com Labibe.
- É verdade que você demitiu o SP?
- É. Ele não me obedeceu. Eu o demiti.
- Mas você pediu a ele algo ilegal.
- Não volto atrás. Ele está demitido.
- Então, todos nós pedimos demissão.
- Vocês não podem fazer isso.
- Ou você desiste da demissão do SP ou nós saímos. Todos.
- Não volto atrás.
- Então, estamos fora.
Todos – eu disse todos – os professores foram embora. Labibe teve de ir de sala em sala, explicando o inexplicável aos alunos. Pediu um tempo para recompor o quadro docente. Com isso, é óbvio, perdeu quase todos os alunos. Só veio a se reerguer um tempo depois. Parcialmente, diga-se.
Um ano depois, um dos professores daquela turma inesquecível me procurou pra perguntar se eu tinha alguma objeção a que ele retornasse ao CAPI.
Claro que não tinha. E jamais vou esquecer esse grupo.
Apenas eu não sabia – ainda bem! – que isso ia ocorrer apenas uma vez na minha vida. Nunca mais tive tal manifestação de solidariedade por parte de um grupo.
Coisas assim já não existem. Por essas e por outras, tenho orgulho da minha geração.
Desconfio que, apesar de termos feito muita merda, vivemos emoções desconhecidas no mundo de hoje.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2006

De amadores e de profissionais


Uma aguardente feita em Passos, particularmente por meu primo Alípio Nunes, é uma bela expressão de amor. É realmente coisa de amador. No melhor sentido do termo.
vai um bagacinho?(o rótulo é invenção minha. Lá eles não têm essas frescuras.)

Já os mosquitos, aqui em São Paulo, entraram para a categoria dos profissionais. No pior sentido do termo, claro, claro.
mosquito sarado, esse

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

Restaurantes - Bragança


Em Bragança, apesar de tratar-se de cidade com menos de quarenta mil habitantes, há muitos restaurantes. E vários muito bons.
O Solar Bragançano fica na Praça da Sé, centrão, e é sofisticado. Foi lá que a baixinha aprendeu a fazer musse de castanhas. Ordisi Raluz e Branco Leone, com respectivas, parece que gostaram.
O Geadas é tido como bambambam, mas é um pouco pra-turista demais, pro meu gosto.
Do outro lado do rio, em relação ao Geadas, come-se comida caseira gostosa, barata e servida com simpatia e descontração doméstica, no Fervença (que, não por acaso, é o nome do rio).
Mas o prêmio SP vai pro Gôndola:

Cozinha impecável, na primeira vez que lá entramos pensamos que iríamos pagar os tubos. Ledo engano. O prato do dia fica em 7,5 euros por cabeça (coisa de uns vinte reais) e te dá o direito a:
couvert/ sopa / prato principal / sobremesa / vinho bom / café.
Isso no almoço. No jantar, se não me falha a memória, custa uns 8,5 euros.
Além disso, o Gôndola também é pizzaria. Das boas.
Chega que já tá me dando fome.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

Cena do cotidiano - Bragança


Mulher lava roupas diante de sua Taverna, dentro das muralhas do castelo:



Faz sol, mas a temperatura é próxima de zero.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

Um pouco mais sobre Bragança, Portugal


Pode-se chegar ao castelo de Bragança pela Porta do Sol, voltada para leste.


Dessa porta tem-se uma vista encantadora de um lado da cidade.

Ao entrar, há logo uma praça ampla.

Seguindo-se em frente, vai-se pela rua da Vila até os portais do lado oposto (Porta da Vila).

Nesta foto vê-se a rua da Vila já do alto dos portais opostos à Porta do Sol.

Também do alto desses mesmos portais vê-se a praça fronteira à entrada oeste.

domingo, 22 de janeiro de 2006

Neve em Bragança

Foi só sairmos de Bragança, começou a nevar. Ainda bem. Tenho pavor de dirigir na neve (pior ainda, no gelo). Nossos primos, António e Isabel, nos mandaram essas imagens da Avenida Sá Carneiro, centro de Bragança, com os telhados brancos e as laterais da avenida também.


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(na verdade, estou testando a colocação de vídeos e áudios no blog. A hora que der certo, vocês não imaginam o que vou aprontar)

Lusobservações - V


Desde nossa primeira visita a Portugal, em 1.999, a Baixinha ficou intrigada com a ausência de área de serviço nos apartamentos e casas de Portugal. Tanque, então, nem pensar.
Essa ausência não deve ser tão generalizada assim, mas é muito comum. Só pra mostrar que é isso mesmo, fotografei essa casa de Bragança, situada na avenida do supermercado Modelo, próxima ao Hospital.
olha as roupas penduradas na varanda de cima
Veja que a casa é uma bela casa, de bom padrão. Fica em avenida movimentada. Mas nem por isso os moradores vêem qualquer problema em pendurar as roupas na varanda.

sábado, 21 de janeiro de 2006

Madrid - Plaza Mayor


Em Madrid, dia 13 de janeiro, sexta-feira, fomos revisitar a Plaza Mayor. A Baixinha ficou decepcionada porque pensava que a praça estaria lotada. Graças ao frio, não foi bem assim.
Mas trata-se de lugar que merece ser visitado, mesmo quase vazio.
Ao tentar fotografar o nome da praça, fotografei o cavalo dirigindo-se para a direita. O presidente Hugo Chávez que me desculpe. Garanto que não se trata de foto ideológica (este último link é só pra assinantes da Folha. Acontece que o presidente Hugo Chávez quer que o cavalo do escudo venezuelano passe a dirigir-se para a esquerda).

Pra vocês, fotos da Plaza Mayor, centro de Madrid, cair de tarde de uma sexta-feira 13:









sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

Começo de vida adulta


II - Sexo (ou quase)


Ainda lá pelos catorze ou quinze anos (algo assim) tive minhas primeiras possibilidades concretas de iniciar uma vida sexual completa, barba e cabelo.
Meus pais, dotados de uma ingenuidade que – hoje – me aparece como alarmante, até, contrataram uma empregada que tinha quase todas as características de uma dama da noite. O quase vai por conta de que não havia nenhum letreiro na testa dela que piscasse, luminoso: PUTA, PUTA, PUTA.
Para completar o cenário, costumavam sair à noite e me deixar acompanhado da moçoila, nós dois, ambos os dois, totalmente ao sabor dos ventos. Ela, desinibida, punha um disco na vitrola (sim, era o tempo da vitrola). Esticava-se langüidamente em um sofá, saia curta e apertada, blusinha sumária, abria as pernas o mais que a justa saia permitia e orientava a abertura na direção do meu olhar.
E que olhar. Entre desejoso e apavorado, ficava eu na dúvida entre atacá-la e correr o risco das chamas do inferno, ou conter-me e sobreviver.
Claro que sobrevivi. Arrependido até a medula, mas sobrevivi.
Fui perder a virgindade só aos vinte e um anos (depois que acabarem de rir, volto pra conversar mais um pouco).

Começo de vida adulta


I - Dinheiro (pouco mas maravilhoso)


Eu havia terminado o ginásio (o que hoje, acho, corresponde a terminar a oitava série) e ia começar o primeiro científico (primeiro dos três anos que antecedem o curso superior). Tinha quinze anos. Comecei a sentir vontade de ter meus trocados, sem precisar pedir a papai e mamãe.
Minha mãe era professora de matemática no Instituto de Educação Canadá, em Santos. Vivia sendo solicitada a dar aulas particulares a alunos com dificuldades em matemática. Pedi que me arrumasse um aluno.
Logo apareceu um garoto da 3ª série do ginásio (sétima série de hoje), cujo pai procurou minha mãe pedindo aulas particulares.
Fui à casa deles, combinei preço, horário das aulas, tudo direitinho. Viviam, pai e filho, em um apartamento na Epitácio Pessoa. O pai era um médico legista aposentado, cuja mulher dera no pé. Ele conseguira a guarda do filho (coisa rara naquele tempo).
Estudei direitinho a matéria da primeira aula e lá fui eu. Morto de medo.
O pai nos instalou em uma mesa da sala e foi para o escritório dele. Comecei a aula, nervosíssimo. Depois de uns dez ou quinze minutos lá vem o pai:
- Você se incomoda se eu gravar a aula? Assim, meu filho pode ouvi-la quantas vezes precisar.
Quase desmaiei. Mais essa. Aula gravada.
Resumo: sobrevivi, como vocês já devem ter percebido.
Com o passar do tempo e das aulas, fui adquirindo desembaraço. O pai, ganhando confiança em mim. Um belo dia me explicou que tinha pavor de deixar o filho sozinho no apartamento, com medo de a mãe vir seqüestrá-lo. Mas, como confiava em mim, disse-me que passaria a aproveitar o tempo de minhas aulas para sair um pouco, ir até a banca de jornais (e sabe-se lá mais o quê).
Detalhe: o garoto era muito inteligente. Não tinha a menor necessidade de aulas particulares. Então, minha tarefa era como cortar manteiga com faca afiada. Cada tópico eu ensinava rapidamente, fazia um exercício como exemplo e o resto ele tirava de letra.
Ficávamos, quase sempre, só nós dois no apartamento: um garoto de treze anos e seu vetusto professor, de quinze. A mãe seqüestradora, é claro, jamais apareceu.
A cada semana (ou será que era a cada mês. Não me lembro) o pai me pagava. Cash. Eu ia pra casa, sentava em minha cama e ficava a contemplar aquelas notas de cruzeiros. Eram poucos. Mas poucas emoções monetárias (digamos assim) em minha vida foram maiores que aquelas. Como era bom ver que havia conseguido aqueles papéis coloridos, que me permitiam cinemas, sorvetes etc e tal, com meu próprio esforço.
Acho que foi aí que comecei a emergir para a maturidade.

OBS: daria tudo para ouvir uns trechos daquelas fitas gravadas com as aulas que dei.

terça-feira, 17 de janeiro de 2006

Lusobservações - IV


Da primeira vez, foi assim: estávamos no Geadas, restaurante de Bragança, mais voltado pra turistas. O rapaz serviu os pratos, abriu o vinho, deu aquela servida básica e sapecou:
- Bom apetite.
Até aí, normal.
Passados uns minutos, tendo constatado à distância que os copos esvaziavam-se, aproximou-se, completou os cálices e:
- Continuação de bom apetite.
A baixinha e eu contivemos o riso a certo custo.
Foi o primeiro contato nosso com o "continuação".
Depois disso, já ouvimos - lá pelo dia 4 ou 5 de janeiro - "continuação de bom ano".
Conversando com - digamos - um comerciante que nos vendia plugs para aparelhos elétricos, ouvimos um "continuação de boas férias". E vai por aí.
O auge ocorreu quando o dono da casa em que nos hospedamos, tendo lá ido pra levar uns sacos de "lenha em pedacinhos" (pellets) e em se tratando já do dia 9 ou 10 de janeiro, ao despedir-se, perpetrou:
- Continuação. Continuação.
E foi-se.

Viver rabaçalmente


Já devo ter falado sobre isso em algum canto deste blog. Mas como não consigo encontrar, repito: minha aldeia, Passos, fica na região da Lomba, nordeste de Portugal, juntinho à Espanha. É delimitada por dois rios: o Mente e o Rabaçal. Por isso, gosto de dizer que - lá - vive-se rabaçalmente.
Outro dia, íamos de Vinhais para Passos. No meio do caminho não resistimos e fizemos uma parada pra fotografar a região e, em particular, o Rabaçal. As fotinhos estão aí:
visão geral
aproximando do Rabaçal
mais um pouco
mais
Bonitinho, né.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

Olha eu no Morfina


Tem um continho meu no


O tema da semana é Sinuca, e meu conto, A sinuca das terças.
Dá uma chegadinha lá. Mas logo. Não vá ficar pela bola sete.

Atualização (19/11/2009): Meu conto parece que já não está mais no Morfina. Por isso, eu o reproduzo abaixo:

CLIQUE PARA AMPLIAR

sábado, 14 de janeiro de 2006

Mato a cobra e mostro o cordeiro


Falei no El Asador de Aranda. Pois bem. Aqui está o cordeiro:

No stress


Ainda em Portugal, fomos visitar minha prima Fernanda, em Passos. A porta da garagem da casa dela estava assim:

Ela dera uma saidinha rápida. Já voltava.
Pode?

quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

Roubaram o sol da Espanha


Saímos hoje de Bragança, às 10:30. Sol intenso (apesar da temperatura pouco acima de zero). Foi só passar a fronteira com a Espanha e começou o nevoeiro. Denso. Era como dirigir à noite com faróis fracos. Até Zamora nada. Tudo branco. Dentro da cidade de Zamora ainda se enxergava bem. Foi retomar a estrada, em direção a Tordesilhas, pronto. Névoa total. Apenas a 100 km de Madrid o sol voltou. Ainda bem. Cheguei a pensar que alguém roubara o sol espanhol.
Agora, vai ter sorte assim em Madrid, ó Santos Passos. Escolhi um hotel via Internet, baseado no facto de ele ser dotado de wi-fi e ficar no centro da capital (fácil de encontrar, já que - pra variar - não tínhamos mapa da cidade).
Instalados, olho pela janela e vejo um restaurante bem em frente a nosso quarto. Vou à Internet, pesquiso, não acho nada sobre o dito cujo. Mas a baixinha acha um livro no quarto que dedica uma página inteira a ele: El Asador de Aranda. "Uno de los asadores más típicos de Madrid", "los corderos lechales, de carne muy blanca y muy tierna, son asados en hornos alimentados por las brasas de leña de encina y sazonados con el buen hacer de los maestros cocineros de El Asador de Aranda", e por aí vai.
Não deu outra. Acabo de comer cordeiro assado no Aranda. Só digo o seguinte: tão bom quanto o leitão de Mealhada.
Mais não digo nem me foi perguntado.
(Amanhã, almoçamos cordeiro. Óbvio.)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2006

Lusobservações - III
(os espanhóis e o ciclo das navegações)


Percebi isso outro dia. Já meu cunhado Maurício havia me chamado a atenção para o facto de que os portugueses têm profunda aversão (inveja? ressentimento?) aos espanhóis. Também a Saltapocinhas mandou-me a história do português que conversa com um espanhol, que o questiona sobre o tamanho de suas terras. O português diz-lhe o tamanho das suas. Então o espanhol retruca, superior: quanto às minhas, pego meu jeep pela manhã, saio a percorrê-las e ao meio-dia ainda não consegui visitar metade delas.
Diz o português, impassível:
- Sei bem o que é isso. Também já tive um jeep espanhol. São todos uma porcaria.
Vai daí que desenvolvi a tese de que as grandes navegações lusitanas nada mais teriam sido senão o resultado do desejo português de afastar-se dos espanhóis. Cercados por espanhóis por (quase) todos os lados, restava-lhes o oceano.

Lusobservações - II (Às armas)


Ouvi, certa vez, o cartunista Ziraldo afirmar que o único hino nacional que possui a palavra amor em sua letra é o brasileiro. Não sei se isso é verdade. Mas o facto é que, por sua vez, o estribilho do hino português sempre me assustou um pouco. Aquele às armas, às armas, soa-me excessivamente agressivo, bélico demais.
Digo melhor, soava-me.
Dia desses, por estar a morar cá entre as muralhas do castelo de Bragança, fui visitar o Museu Militar que aqui está instalado. Pagamos três euros, sob os protestos da baixinha, que entendia ser despesa pra lá de inútil.
Surpresa: logo na entrada do museu, qual foi a primeira peça (de artilharia?, de infantaria?) com que nos deparamos. Nada mais, nada menos que um tonel de aguardente:
Que bela arma!
Fotografei-o de imediato. Admoestado por um guarda do museu (as fotos são proibidas, não tinha eu me apercebido disso), pedi desculpas. Mas guardei a foto.
Pra mim, a partir de então, o às armas, às armas, ganhou um novo sentido, muito mais agradável, nada agressivo. Passarei a cantar o hino português com o entusiasmo devido.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

Lusobservações - I


Em Portugal (sejamos mais precisos: pelo menos em Bragança) os restaurantes populares distinguem-se dos mais requintados pelo seguinte detalhe:
Os populares são dotados de televisores (em geral, mais de um) para que as pessoas não corram o risco de ficarem sequer um minuto do dia sem assistir à TV.
Já nos restaurantes sofisticados, a TV é de plasma.

Cabeça Boa


Um lugar muito bonito, junto a Bragança (ou ainda é Bragança?) é Cabeça Boa. Não só pelo nome, ótimo. Mas também pela vista que se tem a partir de lá. Lugar alto, do qual se descortina um horizonte de cores pastel, típico de Trás-os-Montes.
Pois bem. Um português que fez fortuna no Brasil, voltou e construiu esta capela encantadora:


Ainda em Cabeça Boa, fiz como o vegetariano da piada (que levou a moça para trás da moita e comeu a moita): não resisti a esta plantação de couve e... fotografei.