segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

Um pouco mais sobre Bragança, Portugal


Pode-se chegar ao castelo de Bragança pela Porta do Sol, voltada para leste.


Dessa porta tem-se uma vista encantadora de um lado da cidade.

Ao entrar, há logo uma praça ampla.

Seguindo-se em frente, vai-se pela rua da Vila até os portais do lado oposto (Porta da Vila).

Nesta foto vê-se a rua da Vila já do alto dos portais opostos à Porta do Sol.

Também do alto desses mesmos portais vê-se a praça fronteira à entrada oeste.

domingo, 22 de janeiro de 2006

Neve em Bragança

Foi só sairmos de Bragança, começou a nevar. Ainda bem. Tenho pavor de dirigir na neve (pior ainda, no gelo). Nossos primos, António e Isabel, nos mandaram essas imagens da Avenida Sá Carneiro, centro de Bragança, com os telhados brancos e as laterais da avenida também.


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(na verdade, estou testando a colocação de vídeos e áudios no blog. A hora que der certo, vocês não imaginam o que vou aprontar)

Lusobservações - V


Desde nossa primeira visita a Portugal, em 1.999, a Baixinha ficou intrigada com a ausência de área de serviço nos apartamentos e casas de Portugal. Tanque, então, nem pensar.
Essa ausência não deve ser tão generalizada assim, mas é muito comum. Só pra mostrar que é isso mesmo, fotografei essa casa de Bragança, situada na avenida do supermercado Modelo, próxima ao Hospital.
olha as roupas penduradas na varanda de cima
Veja que a casa é uma bela casa, de bom padrão. Fica em avenida movimentada. Mas nem por isso os moradores vêem qualquer problema em pendurar as roupas na varanda.

sábado, 21 de janeiro de 2006

Madrid - Plaza Mayor


Em Madrid, dia 13 de janeiro, sexta-feira, fomos revisitar a Plaza Mayor. A Baixinha ficou decepcionada porque pensava que a praça estaria lotada. Graças ao frio, não foi bem assim.
Mas trata-se de lugar que merece ser visitado, mesmo quase vazio.
Ao tentar fotografar o nome da praça, fotografei o cavalo dirigindo-se para a direita. O presidente Hugo Chávez que me desculpe. Garanto que não se trata de foto ideológica (este último link é só pra assinantes da Folha. Acontece que o presidente Hugo Chávez quer que o cavalo do escudo venezuelano passe a dirigir-se para a esquerda).

Pra vocês, fotos da Plaza Mayor, centro de Madrid, cair de tarde de uma sexta-feira 13:









sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

Começo de vida adulta


II - Sexo (ou quase)


Ainda lá pelos catorze ou quinze anos (algo assim) tive minhas primeiras possibilidades concretas de iniciar uma vida sexual completa, barba e cabelo.
Meus pais, dotados de uma ingenuidade que – hoje – me aparece como alarmante, até, contrataram uma empregada que tinha quase todas as características de uma dama da noite. O quase vai por conta de que não havia nenhum letreiro na testa dela que piscasse, luminoso: PUTA, PUTA, PUTA.
Para completar o cenário, costumavam sair à noite e me deixar acompanhado da moçoila, nós dois, ambos os dois, totalmente ao sabor dos ventos. Ela, desinibida, punha um disco na vitrola (sim, era o tempo da vitrola). Esticava-se langüidamente em um sofá, saia curta e apertada, blusinha sumária, abria as pernas o mais que a justa saia permitia e orientava a abertura na direção do meu olhar.
E que olhar. Entre desejoso e apavorado, ficava eu na dúvida entre atacá-la e correr o risco das chamas do inferno, ou conter-me e sobreviver.
Claro que sobrevivi. Arrependido até a medula, mas sobrevivi.
Fui perder a virgindade só aos vinte e um anos (depois que acabarem de rir, volto pra conversar mais um pouco).

Começo de vida adulta


I - Dinheiro (pouco mas maravilhoso)


Eu havia terminado o ginásio (o que hoje, acho, corresponde a terminar a oitava série) e ia começar o primeiro científico (primeiro dos três anos que antecedem o curso superior). Tinha quinze anos. Comecei a sentir vontade de ter meus trocados, sem precisar pedir a papai e mamãe.
Minha mãe era professora de matemática no Instituto de Educação Canadá, em Santos. Vivia sendo solicitada a dar aulas particulares a alunos com dificuldades em matemática. Pedi que me arrumasse um aluno.
Logo apareceu um garoto da 3ª série do ginásio (sétima série de hoje), cujo pai procurou minha mãe pedindo aulas particulares.
Fui à casa deles, combinei preço, horário das aulas, tudo direitinho. Viviam, pai e filho, em um apartamento na Epitácio Pessoa. O pai era um médico legista aposentado, cuja mulher dera no pé. Ele conseguira a guarda do filho (coisa rara naquele tempo).
Estudei direitinho a matéria da primeira aula e lá fui eu. Morto de medo.
O pai nos instalou em uma mesa da sala e foi para o escritório dele. Comecei a aula, nervosíssimo. Depois de uns dez ou quinze minutos lá vem o pai:
- Você se incomoda se eu gravar a aula? Assim, meu filho pode ouvi-la quantas vezes precisar.
Quase desmaiei. Mais essa. Aula gravada.
Resumo: sobrevivi, como vocês já devem ter percebido.
Com o passar do tempo e das aulas, fui adquirindo desembaraço. O pai, ganhando confiança em mim. Um belo dia me explicou que tinha pavor de deixar o filho sozinho no apartamento, com medo de a mãe vir seqüestrá-lo. Mas, como confiava em mim, disse-me que passaria a aproveitar o tempo de minhas aulas para sair um pouco, ir até a banca de jornais (e sabe-se lá mais o quê).
Detalhe: o garoto era muito inteligente. Não tinha a menor necessidade de aulas particulares. Então, minha tarefa era como cortar manteiga com faca afiada. Cada tópico eu ensinava rapidamente, fazia um exercício como exemplo e o resto ele tirava de letra.
Ficávamos, quase sempre, só nós dois no apartamento: um garoto de treze anos e seu vetusto professor, de quinze. A mãe seqüestradora, é claro, jamais apareceu.
A cada semana (ou será que era a cada mês. Não me lembro) o pai me pagava. Cash. Eu ia pra casa, sentava em minha cama e ficava a contemplar aquelas notas de cruzeiros. Eram poucos. Mas poucas emoções monetárias (digamos assim) em minha vida foram maiores que aquelas. Como era bom ver que havia conseguido aqueles papéis coloridos, que me permitiam cinemas, sorvetes etc e tal, com meu próprio esforço.
Acho que foi aí que comecei a emergir para a maturidade.

OBS: daria tudo para ouvir uns trechos daquelas fitas gravadas com as aulas que dei.

terça-feira, 17 de janeiro de 2006

Lusobservações - IV


Da primeira vez, foi assim: estávamos no Geadas, restaurante de Bragança, mais voltado pra turistas. O rapaz serviu os pratos, abriu o vinho, deu aquela servida básica e sapecou:
- Bom apetite.
Até aí, normal.
Passados uns minutos, tendo constatado à distância que os copos esvaziavam-se, aproximou-se, completou os cálices e:
- Continuação de bom apetite.
A baixinha e eu contivemos o riso a certo custo.
Foi o primeiro contato nosso com o "continuação".
Depois disso, já ouvimos - lá pelo dia 4 ou 5 de janeiro - "continuação de bom ano".
Conversando com - digamos - um comerciante que nos vendia plugs para aparelhos elétricos, ouvimos um "continuação de boas férias". E vai por aí.
O auge ocorreu quando o dono da casa em que nos hospedamos, tendo lá ido pra levar uns sacos de "lenha em pedacinhos" (pellets) e em se tratando já do dia 9 ou 10 de janeiro, ao despedir-se, perpetrou:
- Continuação. Continuação.
E foi-se.

Viver rabaçalmente


Já devo ter falado sobre isso em algum canto deste blog. Mas como não consigo encontrar, repito: minha aldeia, Passos, fica na região da Lomba, nordeste de Portugal, juntinho à Espanha. É delimitada por dois rios: o Mente e o Rabaçal. Por isso, gosto de dizer que - lá - vive-se rabaçalmente.
Outro dia, íamos de Vinhais para Passos. No meio do caminho não resistimos e fizemos uma parada pra fotografar a região e, em particular, o Rabaçal. As fotinhos estão aí:
visão geral
aproximando do Rabaçal
mais um pouco
mais
Bonitinho, né.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

Olha eu no Morfina


Tem um continho meu no


O tema da semana é Sinuca, e meu conto, A sinuca das terças.
Dá uma chegadinha lá. Mas logo. Não vá ficar pela bola sete.

Atualização (19/11/2009): Meu conto parece que já não está mais no Morfina. Por isso, eu o reproduzo abaixo:

CLIQUE PARA AMPLIAR

sábado, 14 de janeiro de 2006

Mato a cobra e mostro o cordeiro


Falei no El Asador de Aranda. Pois bem. Aqui está o cordeiro:

No stress


Ainda em Portugal, fomos visitar minha prima Fernanda, em Passos. A porta da garagem da casa dela estava assim:

Ela dera uma saidinha rápida. Já voltava.
Pode?

quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

Roubaram o sol da Espanha


Saímos hoje de Bragança, às 10:30. Sol intenso (apesar da temperatura pouco acima de zero). Foi só passar a fronteira com a Espanha e começou o nevoeiro. Denso. Era como dirigir à noite com faróis fracos. Até Zamora nada. Tudo branco. Dentro da cidade de Zamora ainda se enxergava bem. Foi retomar a estrada, em direção a Tordesilhas, pronto. Névoa total. Apenas a 100 km de Madrid o sol voltou. Ainda bem. Cheguei a pensar que alguém roubara o sol espanhol.
Agora, vai ter sorte assim em Madrid, ó Santos Passos. Escolhi um hotel via Internet, baseado no facto de ele ser dotado de wi-fi e ficar no centro da capital (fácil de encontrar, já que - pra variar - não tínhamos mapa da cidade).
Instalados, olho pela janela e vejo um restaurante bem em frente a nosso quarto. Vou à Internet, pesquiso, não acho nada sobre o dito cujo. Mas a baixinha acha um livro no quarto que dedica uma página inteira a ele: El Asador de Aranda. "Uno de los asadores más típicos de Madrid", "los corderos lechales, de carne muy blanca y muy tierna, son asados en hornos alimentados por las brasas de leña de encina y sazonados con el buen hacer de los maestros cocineros de El Asador de Aranda", e por aí vai.
Não deu outra. Acabo de comer cordeiro assado no Aranda. Só digo o seguinte: tão bom quanto o leitão de Mealhada.
Mais não digo nem me foi perguntado.
(Amanhã, almoçamos cordeiro. Óbvio.)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2006

Lusobservações - III
(os espanhóis e o ciclo das navegações)


Percebi isso outro dia. Já meu cunhado Maurício havia me chamado a atenção para o facto de que os portugueses têm profunda aversão (inveja? ressentimento?) aos espanhóis. Também a Saltapocinhas mandou-me a história do português que conversa com um espanhol, que o questiona sobre o tamanho de suas terras. O português diz-lhe o tamanho das suas. Então o espanhol retruca, superior: quanto às minhas, pego meu jeep pela manhã, saio a percorrê-las e ao meio-dia ainda não consegui visitar metade delas.
Diz o português, impassível:
- Sei bem o que é isso. Também já tive um jeep espanhol. São todos uma porcaria.
Vai daí que desenvolvi a tese de que as grandes navegações lusitanas nada mais teriam sido senão o resultado do desejo português de afastar-se dos espanhóis. Cercados por espanhóis por (quase) todos os lados, restava-lhes o oceano.

Lusobservações - II (Às armas)


Ouvi, certa vez, o cartunista Ziraldo afirmar que o único hino nacional que possui a palavra amor em sua letra é o brasileiro. Não sei se isso é verdade. Mas o facto é que, por sua vez, o estribilho do hino português sempre me assustou um pouco. Aquele às armas, às armas, soa-me excessivamente agressivo, bélico demais.
Digo melhor, soava-me.
Dia desses, por estar a morar cá entre as muralhas do castelo de Bragança, fui visitar o Museu Militar que aqui está instalado. Pagamos três euros, sob os protestos da baixinha, que entendia ser despesa pra lá de inútil.
Surpresa: logo na entrada do museu, qual foi a primeira peça (de artilharia?, de infantaria?) com que nos deparamos. Nada mais, nada menos que um tonel de aguardente:
Que bela arma!
Fotografei-o de imediato. Admoestado por um guarda do museu (as fotos são proibidas, não tinha eu me apercebido disso), pedi desculpas. Mas guardei a foto.
Pra mim, a partir de então, o às armas, às armas, ganhou um novo sentido, muito mais agradável, nada agressivo. Passarei a cantar o hino português com o entusiasmo devido.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

Lusobservações - I


Em Portugal (sejamos mais precisos: pelo menos em Bragança) os restaurantes populares distinguem-se dos mais requintados pelo seguinte detalhe:
Os populares são dotados de televisores (em geral, mais de um) para que as pessoas não corram o risco de ficarem sequer um minuto do dia sem assistir à TV.
Já nos restaurantes sofisticados, a TV é de plasma.

Cabeça Boa


Um lugar muito bonito, junto a Bragança (ou ainda é Bragança?) é Cabeça Boa. Não só pelo nome, ótimo. Mas também pela vista que se tem a partir de lá. Lugar alto, do qual se descortina um horizonte de cores pastel, típico de Trás-os-Montes.
Pois bem. Um português que fez fortuna no Brasil, voltou e construiu esta capela encantadora:


Ainda em Cabeça Boa, fiz como o vegetariano da piada (que levou a moça para trás da moita e comeu a moita): não resisti a esta plantação de couve e... fotografei.

O bacalhau de Santo Estevão


Samil é uma freguesia próxima a Bragança (em Bragança – aliás, em Portugal – quando se diz próxima, está a falar-se de coisa de cinco minutos de automóvel). Faz parte daquilo que, no Brasil, chamar-se-ia Grande Bragança.

Pois bem. No dia 31 de dezembro, final da manhã, fomos ver algumas vivendas à venda em Samil. Uma delas – para ser visitada – exigia a presença do Senhor Zé. Consegui a informação de que o Senhor Zé estava lá no centro de Samil a participar de uma bacalhoada. Lá fomos nós.

Para nossa surpresa, tratava-se de uma comemoração relativa a Santo Estevão, tradicional nessa freguesia. Os moradores, muitos deles, assistem a uma missa especial, depois dirigem-se a um salão ao lado do templo, no qual servem-se de uma pasta de bacalhau com batatas, vinho, pão e água. Mais ou menos isso. Vejam com os próprios olhos:

saída da missa
povo à espera do bacalhau
à direita, prepara-se o bacalhau
os últimos a entrar para a bacalhoada
notem os pães sobre cada prato, o vinho em jarras, o azeite
fotos do salão tiradas de fora. Afinal, eu não tinha comprado o convite

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

Dúvida de prosódia


Se alguém puder me explicar, agradeço:
Por que os portugueses pronunciam telemóvel como télémóvel, enquanto reservam para telefone a pronúncia tulufôni?
Ora o prefixo tele é pronunciado aberto (téle), ora fechadíssimo (túlu).
Mistérios.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

O Natal


Passos, minha aldeia, é assim:

Foi lá que passamos o dia de Natal:



Este ano não nevou. Ano passado, depois do almoço de Natal, caiu uma verdadeira tempestade de neve. Quase não consegui voltar para a casa em que estávamos, em Pinheiro Novo. Este ano não. Esta é a parte exterior da casa de minha prima Zelinda:

Este é um dos depósitos de mantimentos da casa dela:

O galinheiro:

O dono do próprio:

E cá estão as carnes de porco, resultantes das tradicionais matanças de dezembro, a salgar:

Em Bragança


Chegados a Bragança, fizemos compras no Modelo (supermercado) e telefonamos para o dono da casa que alugamos. A casa fica dentro das muralhas do castelo de Bragança. É pequena e aconchegante.
Este é o castelo:

E esta é a casa:

Protegida por dois portais:

Bem atrás dela há este bar, que não visitamos até agora porque nossa bebida vem direto da aldeia de Passos, da produção de meu primo Alípio Nunes. O vinho tinto (a pinguinha) e a bagaceira (o bagacinho).

A casa, muito bem aquecida por lareira elétrica,

permitiu que tivéssemos uma excelente consoada (pra quem não sabe, é como se chama a ceia de 24 de dezembro, em Portugal), com frutas, azeitonas, bolo rei e um magnífico armagnac Marquis de Montesquiou XO, que compramos porque o preço da etiqueta, no Modelo, estava errado (compramos por menos da metade do preço verdadeiro). Sorte é sorte.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2005

Chegada


Avião na cabeceira da pista do aeroporto de Guarulhos, pronto para decolagem. A imagem é de uma câmera instalada na cauda do monstrinho, um magnífico Airbus-não-sei-das-quantas.
Levei bronca da comissária por tirar esta foto
E São Paulo vai ficando para trás, com sua enormidade assustadora:

A viagem até Madrid é magnífica. Nenhuma turbulência. Tudo certinho. Só não digo que tenha sido agradável sair andando pela rua, sete e meia da manhã, em Madrid de quatro graus Celsius negativos. Mas já dentro do carro, novamente um calorzinho agradável.
E pé na estrada, rumo a Bragança. Sol lindo, céu azul, mas a temperatura insiste em continuar negativa. Só foi positivar-se já à chegada em Bragança, lá pelo meio dia.
Trecho de Zamora a Bragança
Esta é a melhor maneira de entrar-se em Portugal: pelo Parque Natural de Montesinho (e que venham os protestos dos portugueses das demais regiões...)