terça-feira, 25 de abril de 2006

Sonhos & Delírios


Imprensa


Adoraria acordar de manhã, pegar o jornal e dar de cara com a manchete:

HOJE NÃO HÁ NOTÍCIA

DIGNA DE MANCHETE


* * *


Televisão


Gostaria que a TV seguisse um caminho de algum modo inverso ao do cinema. Agora que já temos a TV digital, seria ótimo se chegasse a TV muda. Os telejornais, por exemplo, seriam muito mais divertidos.

* * *


Livros


Cada vez mais os livros são editados tendo em vista um consumo rápido. Daqui pra diante, quero meus livros com queijo: cheese-books.

* * *

sábado, 22 de abril de 2006

Profecia


No ano da graça de 1.974 eu trabalhava em uma empresa de engenharia, a Promon, em São Paulo.
Tinha um colega de trabalho, o Rudolf Schmidt, conhecido por Xis, que era membro de uma denominação evangélica muito afeita a estudos apocalípticos. Como um dos meus esportes favoritos sempre foi o de provocar discussões (pra lá de inúteis) com adeptos de seitas religiosas, eu vivia cutucando o Xis a respeito das teorias escatológicas dele.
Vai daí, apostamos um dia: o mundo vai acabar – no máximo – daqui a vinte anos.
Claro, ele, depois de estudar a Bíblia de trás pra diante, de cabeça pra baixo e tudo mais, chegara a essa conclusão. Ou melhor, alguns gurus dele, na tal seita da qual fazia parte, haviam concluído isso.
Ficamos assim: ele dizia que o mundo acabaria – o mais tardar – em 1.994. Eu apostei contra.
Tempo passou. Ele mudou de empresa. Depois, fui eu a abandonar a nave mãe.
Certo dia de 1.995, em meio a várias caipirinhas, lembrei-me do Xis e de nossa aposta.
Perdera contato com ele.
Dia seguinte, comecei a procurá-lo. Liga pra um , liga pra outro, descobri o telefone da casa dele.
- Alô.
- É da casa do Xis?
- Sim.
- Ele está? Sou um velho amigo.
- Faz tempo que o senhor não fala com ele, não é?
- Sim, muito tempo.
- Pois é. Ele faleceu ano passado.

Fiquei mudo. Desculpei-me sei lá como. Desliguei.
E não é que ele ganhou a aposta?
Ou eu, sei lá.

quinta-feira, 20 de abril de 2006

Os cem mais


Dá uma olhada na lista dos melhores livros de todos os tempos.
Há dois em português:
Saramago, com Ensaio sobre a Cegueira
E
Guimarães Rosa, com Grande Sertão: Veredas

Atualização (em 20/04/2.006): O Eubozeno, do excelente nese-nese, de Bragança, Portugal, alerta que há outro livro de língua portuguesa na lista: O Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa (como Bernardo Soares). Havia me escapado. Outra observação do Antonio Eubozeno: a lista não deveria ser de 100, número redondo. Deveria ser de 107. Na verdade, se novamente não me escapa algo, a lista tem 98 livros.

sábado, 15 de abril de 2006

Maurício Matos Peixoto

O maior mérito do Maurício foi o de ter conquistado...

Hoje, ele completa 85 anos.
Quero que ele receba – mais que meu abraço – meu sentimento de admiração. Pela inteligência ímpar, pela simplicidade sem par.


...minha irmã, que é simplesmente o máximo.

Floripa, outra vez, Floripa


Aqui estamos, desde ontem. Viemos visitar minha irmã, aproveitando o santo feriado santo.
Me dá um certo remorso. Talvez, por ser ateu, devesse eu trabalhar na sexta santa.
Por outro lado (sempre há um outro lado, quando isso nos convém), há o preceito constitucional contra a discriminação religiosa. Portanto, não posso trabalhar só porque sou ateu, enquanto os que acreditam em coisas tais como a eucaristia, a multiplicação de pães e peixes e a ressurreição de Lázaro ficam de papo pro ar.
Enfim, gozemos as delícias da Páscoa.
Desejo a todos continuação de boa vida.
Amém.

quarta-feira, 12 de abril de 2006

Caldeirada em São Paulo


Um grupo de amigos portugueses reuniu-se, dia 5, para uma caldeirada regada a vinho e fado. Essa reunião já é hábito de mais de vinte anos.
Os fadistas: Mario Rui, guitarra. Bonfim, violão. E a voz de Conceição de Freitas.
Alguns dos participantes do grupo também cantaram.
Fui convidado por meu (quase) primo Artur que, aliás, forneceu a caldeirada (maravilhosa).
Como não pedi autorização dos participantes para publicar as fotos, aqui vão apenas as que fiz dos músicos.
Mario Rui
Conceição de Freitas
Bonfim

sábado, 8 de abril de 2006

Assim não dá


Estão querendo acabar com convicções profundas.
Mais: acabar com expressões consagradas.

Por sugestão do Ordisi, fui ler o Jerusalem Post. Acho que o meu caro Ordisi já deu a ideia por pura sacanagem. É muito chato, o JP. A não ser por um artigo sobre o sucesso do teatro alternativo em Tel Aviv, mesmo assim graças ao maestro louco que ilustra o texto.

Fyodor Makarov

Em compensação, o Israel Insider está cheio de matérias interessantes.

Mas alto lá!

Depois de anos e anos de malhação do Judas, vêm me contar que Judas e Jesus estavam combinados?
Mais ainda: Jesus não pode mais ensinar o caminho das pedras. Ele andou sobre uma camada fina de gelo.

Durma-se, com todo esse barulho.

Perdoem a falta de escolha, os dias eram assim


A letra de Vitor Martins para a música de Ivan Lins brotou em mim logo que percebi, no Site Meter, que havia alguém, na Noruega, mais precisamente na cidade de Saksvik, região de Sor-Trondelag, sentadinho(a) na Norwegian University of Science and Technology, a ler meu blog durante o dia 7 de abril quase inteirinho. Foram 11 acessos ao longo de 13 horas.
Lembrei-me da década de 70. Era preciso assinar – a peso de ouro – o Le Monde e recebê-lo com uma semana de atraso, pelo correio.
Meus deuses. Como os tempos mudaram. E ainda há quem me diga: precisas colocar tudo isso em livro.
Livro?
Como deveria proceder eu, pra que alguém em Saksvik lesse meu livro?


(guardo um certo pudor de mencionar – aqui – os acessos a meu blog, suas características. Sinto-me, de algum modo, a invadir a privacidade do leitor. Mas, neste caso, a tentação foi irresistível. Perdoe-me o leitor norueguês).

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Notícia sem hora nem vez


Segundo o Ghanaian Chronicle, tem um cara lá em Ghana (É. Ghana. Qual o problema?) que parece ser o Roberto Jefferson deles.
O cara era presidente de um partido político (o NPP – New Patriotic Party) e denunciou corrupção no governo.
Tomou um chega pra lá do governo e passou um tempo na moita.
O moço se chama Harona Esseku.
Diria o companheiro Nãossei Nada da Silva:
Esseku não conheço. Mas aquele, o cantor de ópera, me complicou a vida.

Entreouvido no bar


- O técnico do Corinthians é metrossexual. Você também?
- Que nada, cara. No máximo uns 15 centímetros.

***

- O Corinthians ganhou do Universidad Catolica, lá no Chile, com dois jogadores a menos.
- Pois é. Se tirar mais uns dois ou três cabeças de bagre, esse time fica imbatível.

***

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Errata


Às vezes, as correções dos erros são mais terríveis - ou engraçadas, ou tristes - que os próprios erros.

Lembro da apostila de Geometria no Espaço em que estudei para o vestibular. Era de autoria do prof. Castrucci. Naquele tempo não havia Word. As coisas eram bem mais complicadas no mundo da edição de livros. Uma vez impresso o texto todo, mesmo após incansáveis revisões, descobriam-se erros. O que era possível: fazer uma folha a ser inserida no final, contendo as correções dos últimos erros detectados.
Foi o que fez o decano professor. E meu exemplar trazia - no alto da última página - o título: ERRETA. Não é de chorar?

Mas pra alegrar este post, aí vai um item da seção Erramos, da Folha de S.Paulo, de 23 de março deste ano (só para assinantes da Folha ou do UOL):

A espécie de tartaruga tigre-d'água-americano possui manchas vermelhas na cabeça, e não uma orelha vermelha, como informou erroneamente o texto "Tartarugas são retiradas da República" (Cotidiano, pág. C8, 9/3). Tartarugas não têm orelhas.
(grifos meus)

terça-feira, 4 de abril de 2006

Nozes a quem não tem dentes?


Vai daí que eu estava a ler o The Sydney Morning Herald, jornal australiano (por que? não posso?) e esbarrei com este artigo.
Se você prefere, eu resumo pra você:
Um economista neozelandês - ou, mais fácil, kiwi – que trabalha como jornalista no Dominion Post de Wellington, Nova Zelândia, ganhou uma bolada de 42,5 milhões de dólares (como o jornal é australiano, penso que são dólares australianos, o que nos leva a pouco mais de 30 milhões de dólares americanos ou 25 milhões de euros).
Como o sortudo ganhou tudo isso?
O filho dele é daqueles geniozinhos da informática e desenvolveu um software, o Kiwi (que, diga-se, eu não conheço). E o diabo do Kiwi (o software, não o neozelandês), foi vendido para a Fairfax pela bagatela de 670 milhões de dólares (novamente, australianos, penso eu). Como o papai do moço tinha 6,7% do negócio, recebeu o que recebeu.
Até aí, mais uma história de sorte.
Acontece que o Gareth (esse é o nome do papai, de 52 anos) sentou pra conversar com a Jo (que vem a ser a mamãe do garotão gênio) e chegaram à conclusão de que era muita areia pro caminhãozinho deles.
Disse o Gareth:
- Eu simplesmente não consigo pensar em quê fazer com isso.
E continuou:
- Eu trabalho porque gosto. Desde que você viva dentro do limite de suas posses, não interessa quanto é o seu salário.
Resumo: vão doar o dinheirão todo pra instituições de caridade.
O único problema deles, agora, é escolher quais.
Pode?

sábado, 1 de abril de 2006

Preces têm preço


Parece que o excelente Diário Ateísta ainda não se ocupou do assunto. Quando o fizer, certamente o fará a sério. Quanto a mim, não posso deixar de brincar com o assunto.
Está na Folha de S.Paulo de hoje (só pra assinantes da Folha ou do UOL).
Mas pode ser lido também no New York Times de ontem (em inglês).
Americanos (e quem mais faria um troço desses?!) fizeram uma pesquisa ao longo de quase uma década com mais de 1.800 pessoas em recuperação de cirurgias cardíacas para verificar o efeito de orações de terceiros na recuperação dos pacientes.
Chegaram à conclusão de que as orações não fazem efeito nenhum.
Pior: os pacientes que sabiam que havia gente orando por eles, esses tiveram mais complicações pós-operatórias, talvez (como sugerem os pesquisadores) graças à expectativa neles criada pelas tais orações.
Sendo assim, e como tenho muitos parentes doidinhos pra fazer oração em favor dos outros, sugiro o seguinte:
Quando eu tiver de operar o coração, desde que eu sobreviva, podem orar por mim à vontade. Pra mim, o máximo que poderia acontecer seria ter mais complicações pós-operatórias. Mas como não tenho nenhuma expectativa em relação ao efeito de tais orações, acho que nem isso vai acontecer.
Agora, pra vocês que estiverem orando, deve fazer um bem danado, né não?

Atualização (2/04/2.006): Pronto, o Diário Ateísta já escreveu sobre o assunto. Aqui.

sexta-feira, 31 de março de 2006

O rei está nu
(mas a rainha tem roupa pra chuchu)


O Chuchu começou sua campanha pra presidente deste país proclamando a necessidade de um banho de ética. Há muuuitos anos, um tal de Jânio se elegeu presidente com uma vassoura. Como a coisa piorou muito, de lá pra cá, parece que agora é preciso jogar água, também. Ou, quem sabe, o Jânio só falava em vassoura porque água não era propriamente o negócio dele. Como, aliás, no caso do atual. Deixa pra lá.
Vai daí, o Chuchu resolveu surfar na onda da moralidade. Só que surgiu um problema, digamos, caseiro (ops!).
Dona Lulu (a mulher do Chuchu) tem um costureiro. Sei lá eu por que cargas d’água (lá vem água, de novo), o designer resolveu botar a boca no mundo e disse que, durante os últimos anos, doou mais de 400 peças de roupa pra Lulu. Tudo de grátis.
Foi um perereco nas hostes tucanas e pefelistas. César Maia anunciou que aguardava explicações.
E, como a única coisa para a qual não cabe explicação é batom em cueca, o Chuchu e seus aspones imediatamente engendraram uma saída: todas as peças haviam sido doadas para uma casa de caridade, em lotes anuais, durante os últimos três anos.
Faltou combinar com a freirinha lá da casa de caridade. A dita cuja informou, candidamente, que faz alguns dias que ligaram pra lá pra doar algumas roupas. Mas que é a primeira vez que isso acontece.
Como candura fica bem em todo mundo, Lulu também resolveu esclarecer que não eram 400 peças, eram 40, só. Ah, bom.
Pra Lulu, não sei quantas peças foram. Mas, o que eu sei, é que em nós eles pregam peça toda hora.

quinta-feira, 30 de março de 2006

Paulo de Tarso Wenceslau


Não por nada, o rapaz devia chamar-se Perdeslau. Vai ser azarado assim no inferno.
Conheci PT (que não se perca pela sigla) na prisão, em 1.971. Na época havia uma controvérsia a respeito de quem teria informado a repressão sobre como encontrar Marighela. Os suspeitos, digamos assim, eram o Paulo de Tarso e os padres dominicanos presos em São Paulo, o Ivo e o Fernando.
PT jurava que não tinha sido ele. E, apesar de eu não me lembrar dos argumentos dele em sua própria defesa, parece que havia algum sentido em suas explicações.
Frei Betto parece que até escreveu um livro (que, óbvio, não li. Tenho mais a fazer) para provar que não foram os dominicanos.
Ficamos assim: parece – a julgar por tudo isso – que deve ter sido o próprio Marighela que ligou pro DOPS e pediu pra ser morto.
Mas voltemos ao nosso garoto, o PT.
Em função das dúvidas sobre quem disse, quem não disse, PT fazia de tudo para agradar a turma guardiã da alma revolucionária. Parece que obteve algum êxito. Alguns anos depois, lá estava ele, fundando o PT (agora sim, o nauseabundo Partido dos Trabalhadores).
Tudo estava a indicar que nosso garoto começava a ter sorte na vida. Mas a alegria durou pouco. Quando teve a ingenuidade de querer denunciar a roubalheira que corria solta nas prefeituras do PT, nosso PT tomou um chega-pra-lá do companheiro Lulla. Foi expulso e execrado.
Agora está aí, às voltas com tentativas de dizer o que sabe sobre Aquele-Que-Nada-Sabe.
PT jamais me pediu conselhos. Mas arrisco um: sai dessa, garoto. Por muito menos, uns tais de Celso e Toninho partiram desta pra melhor.
Não abuse da sorte que a tua já se viu que não é lá essas coisas.

quarta-feira, 29 de março de 2006

Amerai-vos!


Nim deraveis, nim comentóis. Serrimo-nos tercos.
Pátia coíbriga. Pir paledos, tur mansales, sejurnamente desverla-vos intorníveis rametráceos.
Cercônditos dotreitos arpúcios pertemperam mímias zazucréditas.
Tejemo-nos. Boleifas cárpais vocupletam amendos. Encruíveis fastúrias gastufletam solíficas.
Calta.
Habrerá ópegas qui intinedarão toifos us larápulos.
Nium pardem pur espriar.

terça-feira, 28 de março de 2006

Ideias do Meu Bazar


= Se você chuta o balde pra lavar a alma, derrama a água.

= Quando, ao final do expediente, o Palocci ia encontrar a misteriosa Carla na Casa do Lobby, ele não fazia mais do que treinar o que faria com a gente no dia seguinte.

= Se o Jorge Mattoso, por milagre, conseguir voltar à vida pública, sugiro que retorne como Jorge Ressuscittoso.

= Junta Palocci, Buratti, Poletto e não quer que acabe em pizza?

= Lulinha e Telemar: TUDO HAVER.

= LuLLa e Okamoto: o NÃOSSEI e o NISSEI.

= Tá bem. Fui companheiro de militância do Mattoso. Contemporâneo de presídio do Frei Betto (bem verdade que a contragosto de ambos). Dei umas aulinhas de marxismo pro Mantega. Daí a dizer que o culpado sou eu, vai uma certa distância.